Pontifícia universidade católica do rio grande do sul faculdade de letras



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5.5 Entre a lembrança e o esquecimento


Entre as certezas e sem-cerimônias dos escritos infantis existe uma fina linha que costurou nosso discurso: as lembranças dos leitores. Uma linha frágil marcada pela vulnerabilidade e incertezas do distanciamento temporal entre o escrito, vivido na infância e o relato de hoje, costurado pela memória. Das muitas dúvidas e imprecisões que circundaram o depoimento desses leitores, talvez o melhor exemplo se encontre na fala conclusiva de Joyce ao fim de nossa entrevista: “Eu poderia ter inventado um monte ... uma porção de coisas...eu tinha uma imaginação fértil”.677

Contemporaneamente a escola vem ocupando cada vez mais um papel anteriormente destinado a família: a educação para a leitura, o estímulo através dos primeiros contatos com o objeto livro, disponibilizando aos membros familiares, em especial a criança, o acesso à obras literárias. Essas transformações são oriundas da mudança de mentalidade, reacendidas por questões histórico-culturais e econômicas. Invertendo o quadro, a escola hoje é muitas vezes o local em que muitas crianças, principalmente as da classe popular, têm acesso ao texto literário.

Esse quadro é alterado nas lembranças (re)construídas pelos sete leitores. Nele o ambiente familiar aparece em destaque pelo seu papel fomentador da leitura. A instituição escolar, no entanto, não provoca muitas recordações no que diz respeito ao estímulo da leitura de textos infantis, em especial, os de Monteiro Lobato.

Constata-se que a família exerceu papel importante no desenvolvimento da vida leitora dos entrevistados, participando ativamente na sua função de mediadora da leitura. A mãe e as irmãs liam as histórias para Alarico que ainda titubeava na aprendizagem do alfabeto; os pais presenteavam e compravam as narrativas lobatianas para o menino Gilson; pelas mãos do avô, Hilda foi levada a concretizar o sonho de conhecer o escritor; Nicean encontrou na figura da mãe o apoio para escrever para o escritor, também pelas mãos da mãe, Cordélia recebeu o primeiro livro de Lobato. Joyce criou-se num ambiente em que a leitura fazia parte integrante do dia-a-dia.

A escola, por sua vez, pouco contribuiu para o contato com os livros de Lobato, no que diz respeito ao depoimento deste grupo. Alarico não tem recordações, mas pela iniciativa de seu pai que mandou adotar o título de Lobato nas escolas públicas, acredita que o gesto foi perpetuado em outras gestões; Lucy descreve a censura e restrição que os livros sofreram na escola católica em que estudava; Joyce tinha em seu currículo escolar somente a leitura dos livros de língua inglesa; Cordélia afirma que a escola não colaborou “em nada” na promoção da leitura dos livros infantis de escritores brasileiros. Nicean é a única que testemunha a favor da escola como intermediária da leitura, pois encontrou na escola ambiente propício, mesmo não havendo biblioteca, já que as professoras, entre elas sua própria mãe, motivavam para o ato de ler.

Outro fato, menos flagrante, mas que contribui para a análise dessas falas, são as mudanças entre o que foi escrito na infância e as reminiscências de adulto. Nas lembranças construídas, encontram-se contradições filtradas pelo olhar adulto, sendo uma delas a identificação com as personagens.

Alarico demonstra na infância uma predileção pela boneca Emília, mas nomeia, na fase adulta, Pedrinho como a personagem pela qual se identificava: “Um menino mais ou menos da minha idade, que liderava as travessuras da turminha do Sítio”. Gilson, por sua vez, demonstra na infância um carinho especial pela figura do Visconde de Sabugosa e posteriormente elenca Emília como a personagem preferida, mas quando criança criticava seu comportamento em relação ao tratamento dispensado a Tia Nastácia. Joyce diz não se lembrar de identificar-se especificamente com alguma personagem. Cordélia identificava-se com Emília “pela sua perspicácia e irreverência”; a leitora destaca a boneca como “o alter ego de Lobato”, uma reflexão já intermediada pela visão adulta. Como também o são os depoimentos de Lucy e Hilda.

Lucy admirava Narizinho, “meiga menina, dócil, obediente, sempre pronta a ouvir os outros, retrato fiel das meninas da época”. Ela reconstitui os momentos de sua infância, enfatizando a relação da criança com o mundo adulto: “No meu tempo, criança não podia prestar atenção `a conversa de gente grande e nem participava da mesma sala onde se reuniam os adultos”. Diante dessa obediência e sujeição destinada à criança, “a atitude da Emília era de estarrecer”. O depoimento de Lucy sobre a boneca Emília está entrelaçado com os seus conhecimentos posteriores: depois de ler Lobato e sobre o que ele escreveram: “percebi que era ele a falar pela boneca Emília. Ele era resposta pronta! Impulsivo, cheio de caprichos e venetas, Monteiro Lobato está em permanente desabafo”.

Hilda diz que se identificava com Pedrinho e que encontra nessa personagem a personificação do próprio escritor:


Pedrinho é, para mim, a representação da figura do menino Lobato (...) na minha opinião Pedrinho é o próprio Lobato menino. Corajoso. Não mentia nunca. Gostava de pescar, de aprender coisas. Sentimental. Lia muito. (...) Acho que Lobato dá o recado na hora certa quando é Emília que fala. Mas Pedrinho é Lobato falando.
Questionamos esses leitores de ontem, que na infância sentiram-se tão próximo das narrativas e personagem lobatianas, se a identificação ocorrida com eles seria possível para o leitor infantil nos dias de hoje. A resposta negativa foi quase unânime, com exceção de Hilda Villela. As transformações sociais e culturais apontadas pelos leitores são o motivo de um distanciamento em relação à identificação com o universo maravilhoso do Sítio do Picapau Amarelo.

Gilson Maurity afirma que, mesmo desconhecendo algum trabalho efetivo sobre a influência da leitura dos livros infantis de Monteiro Lobato hoje, acredita que não exista a mesma identificação com os leitores atuais: “Com essa avalanche de informações da mídia, especificamente para crianças, provindas dos Estados Unidos e da Europa, particularmente com o advento da televisão não há tatu que agüente”. Contudo, ele destaca que as tentativas das emissoras brasileiras em adaptar as narrativas do Picapau Amarelo para a TV, “talvez tenham causado algum interesse na garotada”.

Alarico Silveira Júnior não acredita que os livros de Lobato alcancem a mesma receptividade que na sua infância e que a série de televisão baseada nas personagens de Lobato talvez tenha causado mais interesse que seus próprios livros e as razões desse distanciamento são várias:
Parece-me apenas que estamos diante de uma tendência mundial e não unicamente brasileira. É possível que me engane, mas será que as crianças americanas ainda mantêm o entusiasmo de seus avós, ou mesmo de seus pais, pelas histórias de Mark Twain? Ou as crianças inglesas pelas aventuras da menina Alice?
Nicean concorda com seus colegas de leitura e afirma não acreditar na possibilidade de identificação do leitor contemporâneo com a narrativa e as personagens do Picapau Amarelo: “Infelizmente o contato humano e com a natureza, não faz parte do cotidiano dessa infância cibernética dos dias atuais”.

Para Lucy Mesquita, o interesse de leitura das crianças mudou muito, “principalmente com o advento da TV, que monopoliza a atenção e preferência infantil. Enlatados e jogos de muita violência, sem censura apropriada e nem todos aprovados pela decência e ética, tomam o lugar das boas leituras”. A leitora destaca ainda que há muito tempo não vê os livros de Lobato constar nas listas de livros recomendados à leitura de alunos, quer seja do primeiro grau, quer seja do segundo grau.

Joyce Campos também não acredita na identificação do leitor contemporâneo com as narrativas lobatianas. A resposta-pergunta de Cordélia – “Existem ainda avós como Dona Benta?” – , embora curta e rápida, é bastante significativa, pois revela o distanciamento das relações sociais estabelecidas no momento histórico da construção narrativa e as desenvolvidas atualmente.

Hilda Villela é a única do grupo que acredita que as crianças de hoje se identificam da mesma forma, “pois elas não deixam de se interessar pela obra de Lobato”. Contudo, observa que essa produção infantil deva ser preservada no seu original, “como foi escrita e não essas re-leituras que cada vez mais se acentuam, colocando as personagens nos tempos de hoje”.

Quando interrogamos sobre a influência de Lobato na vida leitora desse grupo, acreditávamos que a resposta seria positiva, como o foi. Percebemos, contudo, que para alguns a leitura ultrapassou os limites do estímulo a outras leituras e tocou fundo na própria maneira de viver e encarar a realidade. Para outros, ela foi mais uma leitura possível dentro de um ambiente familiar circundado por livros.

Para Hilda, quando menina, Lobato foi a sua felicidade, através de seus livros ela reorientou a sua relação com o mundo e as coisas que o cercavam:


Eu era muito tímida, acanhada, e, de certa forma, através de suas histórias, Monteiro Lobato contribuiu para que eu superasse essa timidez. Na verdade, Lobato tornou-se para mim um personagem, tal como aqueles que ele próprio criava em seus livros. Acho que posso até dizer que a obra de Lobato me ajudou em todos os momentos de minha vida.
Gilson afirma que a influência de Lobato incorporou-se aos seus valores éticos, morais, afetivos, culturais – “o meu caráter e a ética que me tem guiado na vida”. E vai além destacando outros pontos que considera fundamentais na sua formação e que acredita dever, entre outros fatores, às leituras de Lobato:
A minha revolta contra a injustiça, contra o autoritarismo, contra o fascismo na política, contra a crendice e o uso sub-reptício da ignorância dos que não tiveram oportunidade de aprender a usar sua inteligência, com intenção de justificar o domínio de uns sobre os outros – isso tudo e mais coisas que a gente nem sabe que tem por dentro, são resultantes do que essa enorme personalidade que foi o brasileiro José Bento Monteiro Lobato, causou em mim. Para não falar da importância da crítica, do uso da crítica diante de qualquer idéia ou ação – mas isso eu acho que veio diretamente da Emília!
Nicean aponta a influência das leituras lobatianas não só na sua relação com a leitura, mas também com os estudos. Livros educativos como História do mundo para as crianças, Geografia de Dona Benta, História da invenções foram valiosos à sua formação estudantil. Lucy Mesquita, como Nicean, elenca a leitura divertida e educadora de Lobato na vida escolar, “complementando os estudos” como de grande importância na sua formação e acredita que “a boa leitura sempre influi e orienta o leitor”.

Cordélia contabiliza a influência “intelectual e moral” de Lobato não somente através da leitura de seus livros, mas do próprio convívio com o escritor e sua família: “é que a minha família e a dele tinham os mesmos princípios morais e o mesmo amor pela cultura”.

Para Joyce e Alarico, o ambiente familiar, culturalmente enriquecedor é que influenciou nas suas construções como leitores. Alarico chega a pensar que, se não tivesse encontrado Lobato na infância, provavelmente seguiria a tradição familiar composta de leitores compulsivos; mesmo assim ele afirma que: “Não tenho dúvida que ainda hoje, aos 74, leria com igual encanto esse (O circo de escavalinhos) e os demais livros do ‘meu amigo íntimo’” .

5.6 Vozes Seladas

Os leitores que se aproximam de Monteiro Lobato têm consciência de que ele é um escritor “famoso e popular”, no entanto, transferem-lhe a mesma relação de camaradagem que possuem com as personagens ficcionais de sua literatura. A aura mitificadora é desfeita por um gesto, por um olhar que partem tanto do escritor como do leitor, pois para os pequenos alguém que “sabe falar as crianças” não poderia ser tão inacessível e onipotente.

O inconveniente da diferença de idade é ultrapassado, e as crianças concedem ao escritor a participação em seus segredos, construindo uma atmosfera de intimidade. Ele torna-se ao mesmo tempo um confessor e um conselheiro, alguém que as respeita e compreende como indivíduos e leitores, com quem podem dividir os dramas do universo familiar e as dúvidas leitoras.

Com a mesma desenvoltura com que expõem as suas vidas cotidianas e leitoras, eles interessam-se pela vida literária e pessoal do escritor. No primeiro caso, os leitores acompanham seus lançamentos pelos jornais e livrarias, mostram-se informados sobre a criação e publicação de novos títulos. No segundo caso, estão interados sobre os passos do escritor: a campanha pelo petróleo, a reclusão penitenciária e a doença.

O processo de leitura tem sua dimensão ampliada quando os leitores apresentam opiniões sobre o material impresso: elogiando ou criticando as ilustrações e seus ilustradores, questionando o número de páginas dos livros, o formato das edições, a continuidade da história em livro posterior.

Percebe-se que os leitores que escreviam para Lobato não pertenciam somente ao círculo restrito da elite. Para alguns, a biblioteca escolar é o único local possível de acesso à leitura, outros insistem em receber livros de cortesia pelo irremediável de sua condição financeira. Contudo, as crianças da classe abastada, principalmente os que residiam no interior do país, sofrem com a situação precária de distribuição do mercado livreiro, recorrendo ao auxílio do escritor.

A instituição escolar, que não foi marcante na formação leitora de seis, dentre os sete correspondentes entrevistados, teve um papel fundamental para um grupo considerável de leitores. Como vimos, as crianças encontravam nesse ambiente incentivo para a leitura literária lobatiana e o contato epistolar com o escritor. Lobato, por sua vez, contribuiu decisivamente para isso, ao visitar as escolas divulgando seus livros e doando títulos para os acervos das bibliotecas.

Os leitores demonstram uma sensibilidade para a construção de seu acervo literário: desde o cuidado com os livros, ao questionamentos sobre outros escritores e traduções. Expõem ainda a formação de bibliotecas particulares, relatando a sistematização dos livros e o número de exemplares que possuem. Esse interesse pela formação de bibliotecas escolares ou particulares levou Edgard Cavalheiro a comentar:


É velho lugar comum repetir-se que o brasileiro não lê, que as nossas casas são pobres em bibliotecas e que a última coisa que o burguês pensa ao construir seu palácio é no escritório com a estante de livros. Os indícios da correspondência infantil de Monteiro Lobato deixam, contudo, prever melhores tempos para os nossos editores e escritores. Refiro-me ao interesse com que estes garotos cuidam de formar a sua biblioteca.678
A continuidade da correspondência, em sua grande maioria, não ultrapassa o período de dois anos; por outro lado, existe um grupo de leitores que escreve anualmente ou anos depois, perseguindo ou reatando o diálogo com o escritor da infância à juventude e até mesmo à fase adulta. Entre eles estão: Gilbert Hime, Nice Viegas, Edith Canto, Gilson Maurity, Modesto Marques e Hilda Villela. Vale lembrar que quatro deles foram visitantes do Sítio do Picapau Amarelo.

O primeiro escreveu dos doze aos dezenove anos de idade, e as duas fotos enviadas pelo leitor ilustram de forma magnífica essa passagem de tempo, da infância a fase adulta. A primeira, enviada em carta 27 de novembro de 1935, retrata o menino com sua bicicleta nova; a outra, datada de 1940, apresenta um jovem impecavelmente vestido em seu uniforme do serviço militar.

Nice Viegas, que se debruçava sobre os livros de Lobato aos doze anos de idade (1939), reclama, aos quinze (1942), o terrível processo de amadurecimento. Autora de duas únicas cartas, ela recorre ao autor de seus livros infantis para confessar a situação conflitante da fase em que vivia.

Durante oito anos (1937-1944), Edith Canto escreveu a Lobato, e suas cartas testemunham o seu itinerário de leituras, dos livros infantis: As caçadas de Pedrinho, O minotauro, Emília no país da gramática aos “livros para adultos”: Negrinha, Na antevéspera, O macaco que se fez homem, entre outros. Gilson Maurity, um menino que lutava boxe e insistia em aparecer no Sítio em 1933, é em 1945 um jovem formando em Medicina que recebe com o mesmo agrado da infância as palavras do escritor. Modesto Marques escreveu sistematicamente dos doze aos dezesseis anos, e Hilda Villela recebeu bilhetes do escritor por mais de dez anos: de uma mensagem num álbum de autógrafos da menina Villela à congratulação pelos laços matrimoniais da futura senhora Merz.

Os leitores se posicionam quanto à representação das personagens, exigem a participação do grupo de forma integral, desaconselham as constantes mortes do Visconde, nutrem um sentimento contraditório em relação à Emília: admiram sua coragem e desenvoltura, ao mesmo tempo em que criticam sua postura frente a Tia Nastácia. Mesmo que a identificação com as personagens seja cercada por uma multiplicidade de ponto de vistas, sem dúvida, a boneca Emília é a mais lembrada, seja por uma adesão plena ao seu comportamento, seja para criticá-lo.

As cartas contribuem de forma relevante para compreendermos a desconstrução de algumas idéias e conhecimentos anteriores à leitura. Alguns depoimentos demonstram que os leitores assumem novas posturas, exteriorizadas em ações, mudanças que passam por pequenos gestos e procedimentos do cotidiano à tomada de posições de envergadura. Como é o caso da leitora “F” que quebra o cerco autoritário do colégio interno onde estuda e ousa escrever a Lobato ou a atitude do leitor Modesto Marques que repensa sua posição religiosa.

As cartas apresentam de forma concreta a recepção do público leitor e as sua reações frente ao material lido. O efeito dessas reações pode ser constatada na produção literária de Monteiro Lobato. Muitos dos questionamentos, opiniões e indagações das crianças leitoras eram digeridas pelo escritor que trazia para fora, em forma de escrita, a fala delas.

O escritor traz para suas narrativas as contribuições de seus leitores, algumas vezes se restringe a simples introdução de personagens sugeridos pelas crianças, em especial aos seus bichos de estimação, como o gato Manchinha. Outras vezes, contempla os pedidos e coloca o nome da criança em visita ao sítio ou na dedicatória de um livro como fez a Marjori. Em outros momentos, o escritor encontra nesse diálogo com o leitor fonte de inspiração e idéia para seus escritos. Basta lembrarmos que a idéia de expandir o Sítio, por exemplo, é bem anterior à sua execução e nasce de uma resposta ao menino Gilson. As sugestões de Maria de Lourdes, a Rãzinha, desenvolvidas em duas de suas cartas, são reaproveitadas por Lobato na confecção de A reforma da natureza. A confecção de O poço do Visconde não poderia ter sido influenciado pelo discurso de Lucy Mesquita?

A própria continuação dos livros com conteúdos explicitamente didáticos pode ser um resultado desse diálogo com o leitor, já que as crianças insistentemente retomam o assunto e valorizam esses títulos. A satisfação leitora reside no encontro entre o maravilhoso ficcional e os conteúdos concretos da vida escolar. São livros, segundo eles, que apresentam de forma lúdica conteúdos considerados difíceis como a aritmética e a gramática.

As respostas de Lobato demonstram que ele não se eximiu de tratar com os seus leitores de assuntos políticos, como a Revolução de 32 ou a Ditadura de Getúlio Vargas. Relatava também com minúcias suas façanhas com o petróleo, informando sobre escavações ou mesmo ironizando sua provável morte, afogado num poço de petróleo.

Lobato possuía um modo especial de escrever às crianças, até mesmo em respostas às cartas que lhe chegavam: ora criava pequenas histórias, ora respondia como se fosse uma das suas personagens. Aos leitores, procurava sempre incentivá-los para novas leituras, dava conselhos literários, estimulava-os para atividades relacionadas com a leitura. Enfim, contribuía à sua maneira para o desenvolvimento intelectual de seus destinatários.



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