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        1. TEXTO 1

A língua do Brasil amanhã

Ouvimos com freqüência opiniões alarmantes a respeito do futuro da nossa língua. Às vezes se diz que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de outras línguas supostamente expansionistas (em especial o inglês, atual candidato número um a língua universal); ou que vai se misturar com o espanhol, formando o “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper pelo uso da gíria e das formas populares de expressão (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado). Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a nossa língua, estou convencido, não está em perigo de desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro lado (e não é possível agradar a todos), acredito que nossa língua está mudando, e certamente não será a mesma.

O que é que poderia ameaçar a integridade ou a existência da nossa língua? Um dos fatores, freqüentemente citado, é a influência do inglês – o mundo de empréstimos que andamos fazendo para nos expressarmos sobre certos assuntos.

Não se pode negar que o fenômeno existe; o que mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do marketing. Mas isso não significa o desaparecimento da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da vida, e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso, mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue são palavras de origem estrangeira; hoje já se naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça nelas.

Quero dizer que não há o menor sintoma de que os empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em pouco tempo, e os que ficam se assimilam. O português, como toda língua, precisa crescer para dar conta das novidades sociais, tecnológicas e culturais; para isso, pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute, balé – e também pode (e com maior freqüência) criar palavras a partir de seus próprios recursos – como computador, ecologia, poluição - ou estender o uso de palavras antigas a novos significados – executivo ou celular, que significam hoje coisas que não significavam há vinte anos.

Mas isso não quer dizer que a língua esteja em perigo. Está só mudando, como sempre mudou, se não ainda estaríamos falando latim. Achar que a mudança da língua é um perigo é como achar que o bebê está “em perigo” de crescer.

Não estamos em perigo de ver nossa língua submergida pela maré de empréstimos ingleses. A língua está aí, inteira: a estrutura gramatical não mudou, a pronúncia é ainda inteiramente nossa, e o vocabulário é mais de 99% de fabricação nacional.

Uma atitude mais construtiva é, pois, reconhecer os fatos, aceitar nossa língua como ela é, e desfrutar dela em toda a sua riqueza, flexibilidade, expressividade e malícia.

(Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, pp. 11-24. Adaptado).

1.A idéia central que perpassa o texto 1 poderia ser sintetizada nos termos que se seguem.

A)A língua inglesa, graças à sua prática expansionista, representa, no momento, a possibilidade de tornar-se uma língua universal e única.

B)As mudanças de uma língua não constituem ameaça à sua sobrevivência, mas são simples acomodação às necessidades históricas de seu uso.

C)Há línguas cuja integridade está ameaçada, devido ao contingente de palavras estrangeiras e à ação corrosiva da gíria e das formas populares de expressão.

D)Palavras antigas podem assumir novos significados, a partir dos recursos de que a língua dispõe para responder às inovações impostas pela evolução.

E)A estrutura gramatical, a pronúncia e quase todo o vocabulário da língua portuguesa constituem o núcleo de resistência às mudanças radicais de seu uso.



Letra B
Justificativa:

O texto é orientado para ressaltar que as mudanças lingüisticas são processos naturais, decorrentes da inserção histórica das línguas em seus diferentes contextos de uso. Não há, portanto, motivo para se acreditar em um seu possível desaparecimento ou em uma sua provável decadência.



2.Pela compreensão global do texto, podemos admitir, como conclusão geral, que:

A)existem línguas passíveis de serem assimiladas e de se tornarem línguas universais.

B)a influência do inglês é freqüentemente reconhecida como fator de mudança.

C)são inconsistentes as previsões negativas acerca do futuro da língua portuguesa.

D)o fenômeno dos empréstimos lingüísticos se naturaliza e pode passar despercebido.

E)o latim teria sobrevivido historicamente, se fosse uma língua mais rica, mais flexível e expressiva.



Letra C
Justificativa:

Como já se salientou na questão anterior, qualquer previsão negativa acerca do futuro das línguas carece de consistência cientifica.



3.A tese principal defendida pelo autor se apóia no argumento de que:

A)os empréstimos estrangeiros causam lesões na língua, embora sejam efêmeros e assimiláveis.

B)há palavras cujos usos se estenderam e, por isso, receberam novos significados.

C)a língua portuguesa se distingue por ricos padrões de flexibilidade e expressividade.

D)a língua precisa crescer para dar conta das novidades sociais, tecnológicas e culturais.

E)a língua portuguesa tem uma tradição construtiva e merece que dela desfrutemos.



Letra D
Justificativa:

O argumento que sustenta a tese de que as mudanças lingüísticas não comprometem sua identidade é o argumento de que as línguas precisam responder às novidades tecnológicas e culturais que surgem historicamente.



4.No trecho “a nossa língua (...) não está em perigo de desaparecimento, muito menos de mistura”, a expressão sublinhada expressa, e de forma enfática, uma relação de:

A)adição.

B)oposição.

C)concessão.

D)explicação.

E)conclusão.





Letra A
Justificativa:

A relação sinalizada pela expressão ‘muito menos’ é de adição. Ou seja, a língua nem está em perigo de desaparecimento nem de mistura.



5.Com base no texto 1, analise os comentários que são feitos sobre a função das expressões sublinhadas.

1)“Às vezes se diz que ela vai simplesmente desaparecer” – a expressão atenua o grau de certeza do que é afirmado.

2)“a nossa língua, estou convencido, não está em perigo de desaparecimento” – a expressão marca a adesão do autor acerca do que diz.

3)“acredito que nossa língua está mudando” – a expressão explicita, embora subjetivamente, a veracidade do que é dito.

4)“Não se pode negar que o fenômeno existe” – o fragmento pretende expressar a irrefutabilidade dos fatos.

5)hoje já se naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça nelas.” - a expressão indica a probabilidade de verdade do que é afirmado.

6)O português, como toda língua, precisa crescer” – o fragmento corrobora a natureza taxativa da afirmação feita.

Estão corretas:

A)1, 2, 3, 4, 5 e 6

B)1, 2, 3 e 5 apenas

C)2, 3, 4, 5 e 6 apenas

D)1, 2 e 4 apenas

E)2, 3 e 6 apenas





Letra C
Justificativa:

Apenas o comentário da opção 1 não está correto, pois o uso da expressão ‘simplesmente’ não tem a função de “atenuar” o grau de certeza do que foi afirmado. Todos os outros comentários estão corretos. Em: ‘estou convencido’,– a expressão pontua a adesão do autor àquilo que diz; em ‘acredito que nossa língua está mudando”. – a expressão explicita a verdade do que é dito; o aspecto subjetivo fica por conta de o verbo estar na primeira pessoa do singular; em: Não se pode negar, o fragmento expressa a crença de que a afirmação é irrefutável; em: certamente ninguém vê ameaça nelas.” – o uso da palavra sublinhada expressa a probabilidade de verdade do que é afirmado; em ‘como toda língua, o teor taxativo da afirmação feita é reiterado.




6.No trecho:Uma atitude mais construtiva é, pois, reconhecer os fatos, aceitar nossa língua como ela é”, a expressão destacada:

A)sinaliza oposição e equivale a ‘no entanto’.

B)indica conclusão e equivale a ‘portanto’.

C)inicia uma explicação e equivale a ‘que’.

D)exprime temporalidade e equivale a ‘logo’.

E)expressa comparação e equivale a ‘como’.





Letra B
Justificativa:

Nesse trecho, a expressão destacada expressa uma relação de conclusão e poderia ser substituída pela outra ‘portanto’.





        1. TEXTO 2

Não há dúvida que as línguas se aumentam e alteram com o tempo e as necessidades dos usos e costumes. Querer que a nossa pare no século de quinhentos é um erro igual ao de afirmar que a sua transplantação para a América não lhe inseriu riquezas novas. A esse respeito, a influência do povo é decisiva. Há, portanto, certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no domínio do estilo e ganham direito de cidade.

Mas isto é um fato incontestável, e se é verdadeiro o princípio que dele se deduz, não me parece aceitável a opinião que admite todas as alterações da linguagem, ainda aquelas que destroem as leis da sintaxe e a essencial pureza do idioma. A influência popular tem um limite; e o escritor não está obrigado a receber e a dar curso a tudo o que o abuso, o capricho e a moda inventam e fazem correr. Pelo contrário, ele exerce também uma grande parte de influência a este respeito, depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão.

Feitas as exceções devidas, não se lêem muito os clássicos no Brasil. Entre as exceções, poderia eu citar até alguns escritores cuja opinião é diversa da minha neste ponto, mas que sabem perfeitamente os clássicos. Em geral, porém, não se lêem, o que é um mal. Escrever como Azurara ou Fernão Mendes seria hoje um anacronismo insuportável. Cada tempo tem seu estilo.

(Machado de Assis)

7.Relacionando o texto 2 com o texto 1, constatamos que ambos desenvolvem a mesma temática e se identificam, quando reconhecem:

1)a natural evolução a que estão sujeitas as línguas na adaptação aos usos e costumes sociais.

2)a decisiva influência de fatores externos - espaciotemporais - no destino das línguas.

3)a flexibilidade das línguas como um fenômeno incontestável.

4)a hegemonia de uma língua, devido a sua possível tendência universalizante.

5)a riqueza, a flexibilidade e a expressividade dos clássicos de uma língua.

Estão corretas:

A)1, 2 e 3 apenas

B)2, 4 e 5 apenas

C)3 e 5 apenas

D)1, 2, 3 e 5 apenas

E)1, 2, 3, 4 e 5





Letra A
Justificativa:

Ambos os textos reconhecem que as línguas tendem a mudar para adaptarem-se aos novos usos e costumes sociais. Reconhecem assim que as línguas estão sujeitas à influência de fatores externos; sua flexibilidade é, portanto, um fato incontestável. No entanto, os dois textos não reconhecem a possível hegemonia de uma língua por conta de sua tendência à universalização nem a riqueza ou flexibilidade de seus clássicos.



8.Confrontando, ainda, ambos os textos, percebemos que o texto 2, explicitamente:

1)mostra-se mais restritivo (“A influência popular tem um limite”).

2)revela-se mais cauteloso (“não me parece aceitável a opinião que admite todas as alterações da linguagem”).

3)evidencia visões preconceituosas (“depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão”).

4)defende um estilo homogêneo e atemporal (“Cada tempo tem seu estilo.”).

5)atribui ao escritor um papel significante na condução das mudanças lingüísticas (“ele exerce também uma grande parte de influência”).

Estão corretas:

A)1, 3 e 4 apenas

B)1, 2, 3 e 5 apenas

C)2 e 3 apenas

D)4 e 5 apenas

E)1, 2, 3, 4 e 5



Letra B
Justificativa:

Uma análise dos fragmentos transcritos nos deixa ver que o autor do texto 2 é mais restritivo (fala em ‘limite’), é mais cauteloso (fala em ‘não se admitir todas as alterações’), preconceituoso (fala em ‘depurar a linguagem do povo’) e reconhece o papel do escritor no fluxo das mudanças lingüísticas (fala em ‘grande parte de influência’). No entanto, o autor não defende um estilo atemporal e homogêneo. Pelo contrário, chega a dizer que “ Cada tempo tem seu estilo”.



9.Segundo o texto 2, analise a correspondência de sentido entre as expressões abaixo e assinale a alternativa em que essa correspondência está indicada corretamente.

A)‘fato incontestável’ – ‘fato irreversível’.

B)‘o princípio que dele se deduz’ – ‘o princípio que dele se propaga’.

C)‘dar curso a’ – ‘ir de encontro a’.

D)‘depurando a linguagem’ - ‘depreciando a linguagem’.

E)‘anacronismo insuportável’ - ‘aversão insuportável aos costumes hodiernos’.



Letra E
Justificativa:

A correspondência de sentido está em: ‘anacronismo insuportável’ e ‘aversão aos costumes hodiernos’. Ou seja, algo anacrônico é algo contrário aos padrões atuais.





        1. TEXTO 3

Nasce um escritor

O primeiro dever passado pelo novo professor de português foi uma descrição tendo o mar como tema. A classe se inspirou, toda ela, nos encapelados mares de Camões, aqueles nunca dantes navegados. Prisioneiro no internato, eu vivia na saudade das praias do Pontal onde conhecera a liberdade e o sonho. O mar de Ilhéus foi o tema de minha descrição.

Padre Cabral levara os deveres para corrigir em sua cela. Na aula seguinte, entre risonho e solene, anunciou a existência de uma vocação autêntica de escritor naquela sala de aula. Pediu que escutassem com atenção o dever que ia ler. Tinha certeza, afirmou, que o autor daquela página seria no futuro um escritor conhecido. Não regateou elogios. Eu acabara de completar onze anos.

Passei a ser uma personalidade, segundo os cânones do colégio, ao lado dos futebolistas, dos campeões de matemática, dos que obtinham medalhas. Fui admitido numa espécie de Círculo Literário onde brilhavam alunos mais velhos. Nem assim deixei de me sentir prisioneiro. Houve, porém, sensível mudança na limitada vida do aluno interno: o padre Cabral tomou-me sob sua proteção e colocou em minhas mãos livros de sua estante. Primeiro “As Viagens de Gulliver”, depois clássicos portugueses, traduções de ficcionistas ingleses e franceses.

Recordo com carinho a figura do jesuíta português, erudito e amável. Menos por me haver anunciado escritor, sobretudo por me haver dado o amor aos livros, por me haver revelado o mundo da criação literária. Ajudou-me a suportar aqueles dois anos de internato, a fazer mais leve a minha prisão, minha primeira prisão.

(Jorge Amado. O menino Grapiúna. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 117-120. Adaptado).

10.Uma análise da forma como o texto 3 está construído nos faz reconhecê-lo como um texto predominantemente:

A)descritivo, pelo qual se atribui qualidade aos lugares e às pessoas que compõem a cena.

B)expositivo, em que alguns fenômenos são identificados, definidos e exemplificados.

C)instrucional, que incita à ação, a um modo de operar; daí a força imperativa dos verbos.

D)narrativo, organizado em seqüências temporais e com indicação circunstancial de lugar.

E)dissertativo, com predominância de um tom crítico e taxativamente persuasivo.





Letra D
Justificativa:

O texto é uma narrativa, que se organiza numa seqüência de tempos sucessivos, com indicação das circunstâncias espaciais pertinentes.



11.Analisando as idéias e informações gerais expressas no texto 3, podemos concluir que:

A)a literatura camoniana, por seu estilo rebuscado e eloqüente, não favorece a inspiração de escritores iniciantes.

B)as produções literárias que se baseiam nas idéias da liberdade e do sonho propiciam o nascimento de novos escritores.

C)as autênticas vocações literárias dependem da personalidade do escritor, como dependem do atleta as habilidades para o exercício do esporte.

D)a erudição escolar representa condição de liberdade para as incipientes vocações literárias que se sentem aprisionadas.

E)o universo da produção literária também é circunstancial e pode vir na seqüência de influências externas.



Letra E
Justificativa:

O texto é claro na pretensão de mostrar que a influência do Padre Cabral foi decisiva para a afirmação do autor como escritor. O próprio título já sugere e, de certa forma autoriza, essa conclusão.



12.Analise o último parágrafo do texto: Recordo com carinho a figura do jesuíta português, erudito e amável. Menos por me haver anunciado escritor, sobretudo por me haver dado o amor aos livros, por me haver revelado o mundo da criação literária. Ajudou-me a suportar aqueles dois anos de internato, a fazer mais leve a minha prisão, minha primeira prisão”. No trecho sublinhado, o autor:

A)estabelece uma oposição, fazendo correções em relação ao que é afirmado antes.

B)dá uma justificativa para o que diz antes, estabelecendo uma gradação.

C)explicita sua opinião, levantando hipóteses de esclarecimento.

D)atenua suas afirmações, reavaliando o que dissera anteriormente.

E)indica um estado de incerteza em relação ao que diz, propondo novos sentidos.


Letra B
Justificativa:

O fragmento em questão corresponde a uma justificativa que o autor apresenta para o que disse antes; justificativa que ele faz, numa escala, apontado um ‘menos’ e um ‘sobretudo’.



13.Segundo a norma padrão da língua portuguesa, a alternativa em que as regras da concordância nominal e verbal foram respeitadas é:

A)O resultado das mais recentes pesquisas, em anexo, mostraram índices preocupantes. Faltou soluções mais decisivas.

B)Fiquem alerta: nenhum dos programas apresentados concederam prioridade à produção do texto escrito.

C)Minas Gerais desenvolve pesquisas de ponta na área da alfabetização. Um novo grupo assumiram, eles mesmo, a coordenação dessas pesquisas.

D)Foi passada uma série de informações infundadas: a maioria dos alunos lê literatura brasileira. Qual das pesquisas já enfatizou isso?

E)Os pesquisadores, eles mesmo, em quase sua totalidade, está de acordo em relação à urgência do incentivo à leitura.



Letra D
Justificativa:

Todos os verbos que aparecem no enunciado da alternativa D) estão em concordância correta com seus respectivos sujeitos. (‘Uma série de informações’ ‘ foi passada’; ‘a maioria dos alunos’ ‘ lê’; ‘Qual das pesquisas enfatizou’).



TEXTO 4


14.Os dados apresentados na pesquisa mostrada acima sugerem que:

A)os jovens do Brasil concedem primazia às atividades de leitura de livros e jornais.

B)o panorama educacional brasileiro constitui, atualmente, uma referência positiva.

C)atividades ligadas às linguagens artísticas constituem uma preferência do grupo jovem.

D)existem discriminações que, embora oficialmente negadas, se refletem no campo da educação.

E)a maioria dos jovens brasileiros reconhece o valor cultural e informativo das bibliotecas públicas.



Letra D
Justificativa:

Pela análise dos dados apresentados, fica evidente que ‘negros e brancos’ não têm no Brasil acesso às mesmas oportunidades, o que revela discriminação, apesar das declarações oficiais em contrário.



TEXTO 5

15.Pela compreensão global dos elementos presentes na tira acima, podemos admitir que seu conteúdo:

1)simboliza uma crítica às oportunidades de expressão: ao povo é vedado o acesso ao papel de emissor de mensagens.

2)enfoca a ausência de reciprocidade na interação entre o poder e seus subordinados.

3)destaca a assimetria com que a palavra circula nos meios sociais: a palavra está sempre com quem detém o poder.

4)evidencia o cuidado das autoridades para manterem em aberto o diálogo franco e irrestrito.

5)restringe-se ao universo biológico das relações entre as diferentes categorias, dentro da mesma espécie.

Estão corretas apenas:

A)1, 2 e 4

B)1, 2 e 3

C)1, 3 e 4

D)2, 3 e 5

E)3, 4 e 5





Letra B
Justificativa:

Os elementos verbais presentes na tira são claros em apontar que o acesso ao diálogo só é possível no sentido “rainha-povo”. O acesso contrário “continua desativado”, o que evidencia a falta de um diálogo franco e irrestrito. Ou seja, apenas as opções 1, 2 e 3 correspondem ao conteúdo da tira, que constitui assim uma crítica muito sutil à falta de acesso da palavra do povo àqueles que detêm o poder.



16.Em “continuará desativado o canal povo-rainha”, a palavra em destaque é formada com o acréscimo de um prefixo que expressa negação ou privação, como em:

A)inflação e ingestão.

B)inapto e inábil.

C)amorfo e anfíbio.

D)anáfora e êxodo.

E)reprovar e distender.


Letra B
Justificativa:

As duas palavras que apresentam prefixo que exprimem ‘negação’ ou ‘privação’ são ‘inapto’ e ‘inábil’.





        1. Texto 6

Discreta e formosíssima Maria

Enquanto estamos vendo a qualquer hora

Em tuas faces a rosada Aurora,

Em teus olhos e boca, o sol e o dia:

............................................................

Goza, goza da flor da mocidade

Que o tempo trata a toda ligeireza

E imprime em toda flor sua pisada.
Gregório de Matos

Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora,

A lua nas janelas bate em cheio.

Boa-noite, Maria! É tarde...é tarde...

Não me apertes assim contra teu seio.

.........................................................

Mas não me digas descobrindo o peito

Mar de amor onde vagam meus desejos
Castro Alves

17.Nos versos acima, o lirismo barroco, em Gregório de Matos, e o romântico, em Castro Alves, apresentam pontos de divergência e convergência, apesar de pertencerem a movimentos literários diferentes, distanciados por séculos. As convergências se devem a que:

A)a visão do amor, fundamentada na religiosidade contra-reformista, elimina a expressão do amor físico, sublimando o sentimento.

B)as relações amorosas são apresentadas de uma maneira sensual e ardente.

C)o tema do “Carpe diem” faz referência ao aproveitamento da vida e da beleza, na sua brevidade; esse tema aparece em ambos como uma reflexão sobre a transitoriedade das coisas.

D)utilizando o discurso direto, os poetas descrevem suas amadas recorrendo a metáforas alusivas a elementos da natureza.

E)em ambos os poemas, as mulheres são descritas como figuras contraditórias, simultaneamente angelicais e demoníacas.


Letra D
Justificativa:

O amor sublimado e o tema “Carpe diem” aparecem apenas no poema de Gregório de Matos. A abordagem sensual do amor aparece apenas no poema de Castro Alves. As mulheres, nos poemas, não são figuras contraditórias. Em ambos os casos, os poetas, dirigindo-se às amadas, descrevem-nas de maneira metafórica e alusiva a elementos da natureza: olhos e boca: “sol” e “dia”; peito: “mar de amor”.



18.O Arcadismo (no século XVIII) e o Parnasianismo (em fins do século XIX) apresentam, em sua caracterização, pontos em comum. São eles:

A)bucolismo e busca da simplicidade de expressão.

B)amor galante e temas pastoris.

C)ausência de subjetividade e presença da temática e da mitologia greco-latina.

D)preferência pelas formas poéticas fixas, como o soneto, e pelas rimas ricas.

E)a arte pela arte e o retorno à natureza.



Letra C
Justificativa:

A resposta correta é a letra C: o ideário de ambas as escolas incluía a ausência do eu poético (embora alguns poetas não tivessem obedecido a isso) e a recorrência a temas e à mitologia greco-latina.



        1. Texto 7

Criou-me desde eu menino,

Para arquiteto meu pai

Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!

Sou poeta menor, perdoai!”
Manuel Bandeira

19.A poesia de Bandeira atravessou várias fases e temáticas. Em relação ao poema acima, podemos afirmar que:

A)são usadas as formas mais radicais da vanguarda do século XX, rompendo com as formas poéticas tradicionais, que antes o poeta adotara.

B)trata-se de um poema escrito sem a presença do ‘eu poético’.

C)exprime, com tom de revolta, sua frustração profissional, imposta pela precária condição física.

D)constitui-se uma fotografia realista de um problema pessoal.

E)tem um caráter reflexivo e confidencial, numa poesia mais amadurecida, que explica o desejo insatisfeito e a melancolia que percorre sua obra.


Letra E
Justificativa:

A resposta correta é a letra E: o poema contém reflexões melancólicas sobre os caminhos que o poeta seguiu. As demais alternativas são incorretas, pois: A) este poema não é uma forma de vanguarda; B) o texto é subjetivo; C) o tom não é revoltado, mas conformado; D) não é um relato realista, mas a interpretação intimista de um fato.



20.Correlacione os autores abaixo com trechos, de algumas de suas obras, apresentados a seguir.

1)Gilberto Freyre

2)Ariano Suassuna

3)João Cabral de Melo Neto

4)Carlos Drummond de Andrade
( )Essa cova em que estás / Com palmos medida,

É a conta menor / que tiraste em vida

É de bom tamanho / nem largo nem fundo

É a parte que te cabe/ deste latifúndio
( )E agora José? / A festa acabou,

A luz apagou, /o povo sumiu,

A noite esfriou, / e agora José?
( )A singular predisposição do português para a colonização híbrida e escravocrata dos trópicos, explica em grande parte o seu passado étnico, ou antes, cultural, de povo indefinido entre Europa e África. A influência africana fervendo sob a européia e dando um acre requeime à vida sexual, à alimentação, à religião. A indecisão étnica e cultural entre a Europa e a África parece ter sido a mesma em Portugal como em outros trechos da península.
( )Chicó: Que latomia é essa para o meu lado? Você quer me agourar?

João Grilo: (erguendo-se) Ah, e você está vivo?

Chicó: Estou, que é que você está pensando? Não é besta não?

A seqüência correta é :

A)1, 2, 3, 4

B)3, 2, 4, 1

C)4, 2, 1, 3

D)1, 3, 2, 4

E)3, 4, 1, 2.


Letra E
Justificativa:

A resposta correta é a letra E. De fato, os textos correspondem a obras dos autores:

Gilberto Freyre - Casa Grande e Senzala

Ariano Suassuna - O auto da Compadecida

João Cabral de Melo Neto - Morte e vida Severina

Carlos Drummond de Andrade - E agora, José?



21.As informações abaixo trazem referências a poetas de escolas literárias diversas que, em suas obras, cantaram o Recife. Analise-as.

1)Gonçalves Dias, maranhense, foi quem primeiro usou a expressão ‘Veneza Americana’, para referir-se ao Recife: “Salve terra formosa, Veneza Americana transportada, boiante sobre as águas.” Seus versos, seguindo a estética romântica, exaltam a cidade em tom ufanista.

2)Ascenso Ferreira canta o folclore regional, em suas tradições e seus festejos, trazendo-o na sua homenagem à cidade: “Chegou o tempo das muié largar os home!....Chegou foi o tempo delas pegarem os homens, porque chegou o Carnaval do Recife, o carnaval mulato do Recife, o carnaval melhor do mundo!”

3)Oswald de Andrade, nascido em São Paulo, usa seu sarcasmo habitual e corrosivo nos versos seguintes para dizer: “Ruas imperiais, palmeiras imperiais, pontes imperiais. As tuas moradias....não contradizem os prazeres civilizados da Rua Nova. Nos teus paralelepípedos, os melhores do mundo, os automóveis cortam as pontes ancestrais do Capibaribe.”

Está(ão) correta(s) apenas:

A)1


B)2

C)3


D)1 e 2

E)2 e 3


Letra D
Justificativa:

As afirmações 1 e 2 estão corretas e a resposta está na letra D. A afirmação 3 está incorreta, pois o texto de Oswald de Andrade louva o progresso do Recife, não sendo sarcástico nem corrosivo.



22.Liberdade, ainda que à tardinha” é parte de uma peça publicitária que utiliza a paródia de uma frase histórica. Este recurso, além de outros que valorizavam a liberdade de expressão, tiveram ampla divulgação com o Modernismo. Identifique alguns desses recursos, relacionando-os aos textos numerados abaixo.





1)Beba coca cola

Babe cola

Beba coca

Beba cola caco

Caco cola

cloaca
2)Para dizerem milho dizem mio

Para melhor dizem mió

Para pior dizem pió

Para telhado dizem teiado

E vão fazendo telhados.
3)Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos aqui

Não cantam como os de lá


4)Dentaduras duplas

Inda não sou bem velho

Para merecer-vos

Há que contentar-me

Com uma ponte móvel

E esparsas coroas.


5)o mercado negro o racionamento, as montanhas de metal velho o italiano assassinado na praça João Lisboa o cheiro de pólvora dos canhões alemães...
( )paródia

( )valorização da linguagem coloquial e popular

( )incorporação de elementos prosaicos e vulgares como temas poéticos

( )enumeração caótica de palavras em períodos sem nexo aparente

( )ordenação não-linear do poema, com valorização dos efeitos visuais e sonoros.

A seqüência correta é:


A)3, 2, 4, 5, 1

B)2, 4, 5, 1, 3

C)3, 4, 1, 5, 2

D)3, 1, 2, 5, 4

E)1, 2, 3, 4, 5


Letra A
Justificativa:

Em 1 há um poema concreto, cuja definição é dada; a valorização da linguagem popular fica evidente em 2; em 3 há paródia dos versos românticos de Gonçalves Dias; a incorporação de elementos prosaicos está mais presente em 4; e em 5 os elementos são introduzidos sem ligação entre si, caoticamente.



23.O Realismo e o Naturalismo são movimentos surgidos na segunda metade do século XIX, marcado por transformações econômicas, científicas e ideológicas. Sobre esses dois movimentos, assinale a alternativa incorreta.

A)Para o escritor realista, a neutralidade diante do tema é imprescindível. Para isso, usa a narrativa em terceira pessoa. O naturalista observa também esse princípio, acrescentando uma aproximação das ciências experimentais e da filosofia positivista.

B)O realismo brasileiro teve poucos seguidores e uma de suas figuras marcantes foi Machado de Assis. Euclides da Cunha, com Os Sertões, foi outra figura de destaque no movimento.

C)O Naturalismo é considerado um prolongamento do Realismo, pois assume todos os princípios e as características deste, acrescentando-lhe, no entanto, uma visão cientificista da existência. No Brasil, o Naturalismo foi iniciado por Aluísio de Azevedo, que publicou O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço.

D)Ambos, Machado de Assis e Aluísio de Azevedo, iniciaram-se na estética romântica. Posteriormente, o primeiro seguiu a estética realista, e o segundo, a estética naturalista.

E)A fase realista de Machado de Assis pode ser observada nos seus contos e romances. Entre eles, se destacam Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro, obras em que abordou temas como o adultério, o parasitismo social, a loucura e a hipocrisia.


Letra B
Justificativa:

A resposta é a letra B. Euclides da Cunha não foi realista. Foi considerado pré-modernista.



24.No Modernismo Brasileiro, destaca-se como segunda fase, o Romance Regional de 30, tema sobre o qual é correto afirmar o que segue.

A)O ciclo do Romance Regional de 30 começa com O Quinze de Rachel de Queirós e termina com Grande Sertão:Veredas de Guimarães Rosa.

B)A estética da Escola Realista marca o Romance de 30 com o rigor formal. Os autores não adotaram desvios da norma culta nas transcrições de diálogos, sendo considerados neo-realistas.

C)Entre os autores representativos desse período, estão José Lins do Rego, cujo livro de estréia foi Cacau, e Jorge Amado, que estreou com Bangüê.

D)Guimarães Rosa, mineiro, trouxe para o Romance Regional de 30, a presença de uma consciência mística e mágica e uma linguagem renovadora.

E)Graciliano Ramos tem como uma das obras mais conhecidas, Vidas Secas, cujo valor assenta-se na construção formal e na visão do mundo sertanejo. De estilo seco, elegante, despojado, tem, entre seus escritos, o autobiográfico Memórias do Cárcere.



Letra E
Justificativa:

A resposta é a letra E. Todas as informações sobre Graciliano Ramos estão corretas. A e D trazem Guimarães Rosa como pertencente ao Romance de 30, o que é inverídico. A alternativa B coloca uma ligação entre o romance de 30 e a Escola Realista que não é verdadeira, pois muitos dos seus autores adotaram a linguagem popular regional nos diálogos. José Lins do Rego não escreveu Cacau e, sim, Jorge Amado. Este, por sua vez, não é o autor de Bangüê. As obras estão trocadas.







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