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UPE/VESTIBULAR/2002


PROVA DE PORTUGUÊS




TEXTO [01] para a questão 01.



5

10


Anos mais tarde, e já na qualidade de comissário, encontrei outra forma atormentadora de olhar. Dessa vez, magoado ― um olhar surpreendentemente magoado. Confesso: desde que deixei a Polícia, todo esse cortejo de agonias, que na época julguei inexpressivo, compõe a teia de minhas aflições. Como quem conduz um sinal maligno, um tipo de mancha esquisita no peito. Faz parte de uma porção importante do meu ser. Eu que sou formado por gritos, gemidos, golfadas de sangue, palavras entrecortadas, implorações e até sorrisos ― esses sorrisos que se desenham nas faces humilhadas apenas para exteriorizar, medonhamente, o medo, o medo terrível e confuso, de quem espera caridade. Um gesto caridoso.

Você está querendo me fazer de besta?



Gritei, batendo com a palma da mão no birô. Quem já foi policial sabe a importância estratégica de um murro na mesa, um empurrão ou uma risada nervosa, tudo dependendo, é claro, do momento e da pessoa que está sento interrogada. Um policial precisa ter ritmos, precisa saber transformar o assassino em vítima, insinuando-se, exato, entre a coragem e o medo, entre a audácia e a covardia. Mesmo porque não há valente que não sinta essas oscilações.
CARRERO, Raimundo. A dupla face do baralho: Confissões do comissário Félix Gurgel. 2. ed. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1984. p. 17.



01. Observe as proposições abaixo, analise-as e conclua.


I.

Com a expressão “Como quem conduz um sinal maligno, um tipo de mancha esquisita no peito.”, o narrador-personagem parece querer justificar sua crueldade e, ao mesmo tempo, julgar-se inocente porque, no fundo, ele não pode ser mau.


II.

O que é importante para o narrador-personagem relaciona-se com atividades pouco louváveis de sua vida ― que ele inconscientemente guarda consigo ― e com as próprias estratégias por ele utilizadas para intimidar suas vítimas.


III.

O narrador-personagem é um homem confuso; em compensação, porém, é caridoso e capaz de exteriorizar seus próprios medos, ou seja, ele não é um homem ruim.


IV.

A atitude do narrador-personagem, em relação a seu interlocutor, não nos revela que se trata de uma pessoa autoritária ― a despeito do grito que deu e da pancada desferida sobre o birô ―, mas de um policial estrategista que calcula cada gesto, e palavra, e olhar, e sorriso para colher alguma informação da pessoa por ele interrogada.



Pode-se dizer que há erro
A) apenas nos itens I e II.

B) apenas nos itens II e III.

C) nos itens I, II, III e IV.

D) apenas nos itens III e V.

E) apenas nos itens I, II e III.

T
EXTO [02] e



<http://www.webcanal.com.br/colunas/humor/humor.asp>

TEXTO [03] para a questão 02.






02. Observe, analise e conclua.


I.

Nos Textos [02] e [03], percebe-se uma transgressão da norma culta, que se justifica graças à faixa etária e ao nível de escolaridade dos falantes.


II.

O desvio da norma culta de que trata o item anterior baseia-se, respectivamente, na fala da personagem no segundo quadrinho do Texto [02] e na da personagem no primeiro quadrinho do Texto [03].


III.

No Texto [02], a mãe utiliza inadequadamente a norma culta, o que torna a coesão gramatical referencial pouco precisa.


IV.

Todas as falas, nos dois textos, estão adequadas às situações vividas pelas personagens e, também, de acordo com a norma culta.


A afirmação é correta
A) apenas no item I.

B) apenas nos itens II e III.

C) apenas nos itens II e IV.

D) apenas no item III.

E) apenas no item IV.
TEXTO [04] para as questões de 03 a 06.



5

10

15


Paulo Tavares pelo que dele fui adivinhando através de conversas com o velho Gaspar foi ao extremo a que chegou com relação ao menino chamado pelos outros de Sinhazinha: o extremo de ter se tornado de tal modo seu protetor que sentiu suas relações de amigo com o protegido quase angélico se inclinarem um pouco, mesmo contra sua vontade, para as de sexo forte com sexo fraco. Não era Paulo nenhum viciado dos que, nos colégios, como nos navios de guerra, nas tropas como nos conventos, buscam insinuar à afeição exagerada dos adolescentes bonitos, com alguma coisa de meninas nos seus gestos indecisos e dúbios e até nas suas formas de corpo e nas suas feições, fazendo-se de protetores dos mais dengosos desses adolescentes. Mas, na verdade, visando epicurianamente extrair desses afetos transitórios momentos de gozo quase de todo físico, com o mais forte fazendo de sexo forte, o mais fraco, de belo sexo, em aventuras apenas de superfície de uma forma de amor malvista pelos adultos em quase todas as sociedades nitidamente patriarcais, em algumas das primitivas e em muitas das modernas.

João Gaspar conviveu de perto com o protetor do seu sobrinho. Para Gaspar, o sobrinho fora de tal modo apaparicado pela Mãe que se amolecera de fato em rapaz com muita coisa, segundo o velho, de moça. Mas ― isso ele não me disse mas eu adivinhei que pudesse ter sido assim ― se tivesse lhe faltado, no colégio, a proteção de Paulo, José Maria talvez houvesse até resvalado na degradação em que outros têm resvalado.
FREYRE, Gilberto. Dona Sinhá e o Filho Padre. Rio de Janeiro, Ediouro, 2000.p. 64-65.


03. Observe, analise e assinale a alternativa correta.
A) Ensaio sociológico ou narrativa literária, o que se observa é que o autor do Texto [04] levanta uma das questões que continuam agitando e perturbando as sociedades contemporâneas, quase sempre mergulhadas em problemas de toda ordem, principalmente, a moral, produzindo debates calorosos e discussões intermináveis. Está-se falando do celibato.

B) Para Gaspar, o protetor do adolescente José Maria não evitou que o rapaz descesse a um nível baixíssimo de degradação, o que ele, como tio, podia perfeitamente perceber, aprovando tal atitude.

C) Como se conclui do Texto [04], o protetor de José Maria foi um devasso que procurou induzir o adolescente “epicurianamente” [linha 8] a uma espécie de vida saudável, em que o prazer era muito mais do espírito do que do físico, fato que também ocorre contemporaneamente com muitos jovens, nessa mesma fase da vida, quando se desviam para o homossexualismo.

D) O termo “epicurianamente” [linha 8] e o próprio Texto [04] nos fazem compreender que Paulo Tavares era bem intencionado, desejando que a vida celibatária de José Maria fosse das mais promissoras. O protetor não media esforços para que seu protegido se tornasse um grande homem e um grande sacerdote ainda que homossexual.

E) De acordo com o Texto [04], os laços de amizade entre protetor e protegido podem ser interpretados, considerando-se suas características, como relações entre o sexo forte e o sexo frágil, tal o grau de envolvimento emocional entre os dois.
04. Assinale a alternativa incorreta, considerando a estrutura e formação das palavras.
A) “Paulo Tavares pelo que dele fui adivinhando através de conversas...” [Texto [04] linha 1] ― Na parte grifada da palavra “adivinhando”, temos vogal temática e desinência do gerúndio.

B) “... uma forma de amor malvista pelos adultos em quase todas as sociedades nitidamente patriarcais...” [Texto [04] linhas 09 -10] ― Nas duas palavras grifadas, encontramos vogal temática; e apenas em “adultos”, encontramos desinência de número.

C) “... buscam insinuar à afeição exagerada dos adolescentes bonitos, com alguma coisa de meninas nos seus gestos indecisos e dúbios...” [Texto [04] linhas 5 - 6] ― Nas duas palavras grifadas, encontramos desinência de número; numa delas, porém, encontramos vogal temática.

D) “...visando epicurianamente extrair desses afetos transitórios momentos de gozo quase de todo físico...” [Texto [04] linha 8] ― No vocábulo grifado, encontramos radical e afixos.

E) “...o sobrinho fora de tal modo apaparicado pela Mãe que se amolecera de fato em rapaz com muita coisa...” [Texto [04] linhas 12 -13] ― Na palavra grifada, encontramos prefixo e sufixo.
05. Observe analise e conclua.


I.

Anos mais tarde, e já na qualidade de comissário, encontrei outra forma atormentadora de olhar. Dessa vez, magoado ― um olhar surpreendentemente magoado.” [Texto [01] linhas 1 - 2] ― Na primeira palavra grifada, temos um caso de derivação com afixos; na segunda, um caso de derivação imprópria.


II.

Faz parte de uma porção importante do meu ser.” [Texto [01] linha 4 e 5] ― A palavra grifada é verbo e está no infinitivo impessoal. No infinitivo pessoal seria: ser eu, seres tu, ser ele, sermos nós, serdes vós, serem eles.


III.

...esses sorrisos que se desenham nas faces humilhadas...” [Texto [01] linhas 6 - 7] ― Se desse fragmento eliminássemos o QUE e o SE e passássemos o verbo grifado para a forma imperativa negativa, na segunda pessoa do plural, obteríamos a seguinte oração: ESSES SORRISOS NÃO DESENHEIS NAS FACES HUMILHADAS.


IV.

No fragmento “Não era Paulo nenhum viciado dos que, nos colégios, como nos navios de guerra, nas tropas como nos conventos, buscam insinuar à afeição exagerada dos adolescentes bonitos, com alguma coisa de meninas nos seus gestos indecisos e dúbios e até nas suas formas de corpo e nas suas feições, fazendo-se de protetores dos mais dengosos desses adolescentes.” [Texto [04] linhas 4 - 7], os pronomes negritados e sublinhados constituem um recurso usado para dar continuidade ao texto e correspondem, respectivamente, aos referentes ‘adolescentes’ e ‘meninas’.



A afirmativa é correta
A) apenas no item II.

B) apenas no item III.

C) apenas no item I.

D) apenas nos itens II e IV.

E) nos itens I e III.
06. Observe analise e conclua.


I.

Um gesto caridoso.” [Texto [01] linha 8] ― Se disséssemos que se tratava de “um gesto mais caridoso do que amigo...”, o adjetivo grifado estaria flexionado no grau comparativo de superioridade.


II.

Um gesto caridoso.” [Texto [01] linha 8] ― Se disséssemos que esse “gesto era o mais caridoso”, o adjetivo grifado estaria flexionado no grau superlativo relativo de superioridade.


III.

Um gesto caridoso.” [Texto [01] linha 8] ― Se disséssemos que se tratava de “um gesto imensamente caridoso.”, o adjetivo grifado estaria flexionado no grau superlativo absoluto analítico.


IV.

Um gesto caridoso.” [Texto [01] linha 8] ― Se disséssemos que se tratava de "um gesto caridoso menor que o interesse pela vida...", o adjetivo grifado estaria flexionado no grau superlativo relativo de superioridade.



A afirmação é correta
A) apenas nos itens II e III.

B) nos itens I, II e III.

C) apenas nos itens III e IV.

D) apenas nos itens I e IV.



E) apenas nos itens I e II.


TEXTO [05] para as questões 07 e 08.



5
10

15
20

25

Um homem e seu carnaval


Deus me abandonou

no meio da orgia

entre uma baiana e uma egípcia.

Estou perdido.

Sem olhos, sem boca

sem dimensões.

As fitas, as cores, os barulhos

passam passam por mim de raspão.

Pobre poesia.
O pandeiro bate

é dentro do peito

mas ninguém percebe.

Estou lívido1, gago.

Eternas namoradas

riem de mim

demonstrando os corpos,

os dentes.

Impossível perdoá-las,

sequer esquecê-las.
Deus me abandonou

no meio do rio.

Estou me afogando

peixes sulfúreos2

ondas de éter

curvas curvas curvas

bandeiras de préstitos3

pneus silenciosos

grandes abraços largos espaços

eternamente.
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Nova reunião – 19 livros de poesia. Rio de Janeiro, José Olympio, 1983. p. 43-44.









1. lívido = muito pálido, da cor de um cadáver.

2. sulfúreo = da natureza do enxofre.

3. préstito = agrupamento de muitas pessoas em marcha; procissão.




07. O poema de Drummond de Andrade, Um homem e seu carnaval, pertence ao Modernismo brasileiro.

Considerando esse estilo de época, observe e analise o que segue.


I.

Nesse poema, percebe-se uma retomada do “Poema das Sete Faces”, que foi dedicado a Mário de Andrade. Com "Um homem e seu carnaval”, o poeta age de forma humorística e, de certo modo, promove a dessacralização de Deus.


II.

Na primeira estrofe desse poema, o poeta faz uma crítica à poesia, depois de colocar a questão modernidade versus antiguidade, e ainda revela-se perdido no tempo e no espaço; na segunda estrofe, ele demonstra sua solidão e mesmo sua incapacidade para escolher.


III.

Na terceira estrofe, o poeta coloca, diante do leitor, um lugar diferente, onde, por assim dizer, os homens se descaracterizam para, com isso, justificar que “Deus” o abandonou. E a partir daí, tudo é clima de delírio, e até de maximização do seu sofrimento.


A afirmação é correta
A) apenas no item III.

B) nos itens I, II e III. D) apenas nos itens I e II.

C) apenas nos itens II e III. E) apenas no item I.
08. Observe, analise e conclua.



I.

Impossível perdoá-las

sequer esquecê-las.” [linhas 18-19]
Nesses versos, o poeta transgride a norma culta, quanto à regência verbal, mas só em relação a um dos verbos.


II.

As fitas, as cores, os barulhos

passam por mim de raspão.” [linhas 7 - 8]
Nesses versos, o verbo está posposto ao sujeito; se, porém, tivesse vindo anteposto a ele, viria flexionado de outra forma. (Outros exemplos do mesmo nível seriam: (a) Veio o rapaz e a namorada ou (b) O rapaz e a namorada vieram, ambos absolutamente corretos.)


III.

"Deus me abandonou

no meio da orgia

entre uma baiana e uma egípcia."
Modificando-se os três versos acima e colocando Deus, a baiana e a egípcia como sujeito, se o verbo ABANDONAR, no mesmo tempo e modo, viesse anteposto ao sujeito, tanto poderia vir no singular como no plural.



A afirmação é correta
A) somente nos itens I e II.

B) somente nos itens II e III.

C) somente no item I.

D) nos itens I e III.

E) somente no item II.

TEXTO [06] para a questão 09.


FARACO & MOURA. Língua e Literatura. São Paulo, Ática, 1997. v. 1. p. 44.

09. Considerando o Texto [06] e a explicação que os autores apresentam sobre metalinguagem, marque a alternativa a respeito de cujo texto ou fragmento textual pode-se dizer que a função da linguagem é metalingüística e que, ao mesmo tempo, contém indicação correta sobre o seu estilo de época.


A)

“A vós correndo vou Braços sagrados,

nessa cruz sacrossanta descobertos:

que para receber-me estais abertos

e por não castigar-me estais cravados.” [Gregório de Matos]





Fragmento de texto pertencente ao estilo de época Barroco.


B)

“Torno a ver-vos, ó montes; o destino

aqui me torna a pôr nestes outeiros,

onde um tempo os gabões deixei grosseiros

pelo traje da Corte rico e fino.” [Cláudio Manuel da Costa]





Fragmento de texto pertencente ao estilo de época Árcade.

C)

“Um grande amor

tem sempre um triste fim,

Com o Pierrô aconteceu assim:

Levando esse grande chute

Foi tomar vermute

Com amendoim!” [Noel Rosa]





Fragmento de texto pertencente ao estilo de época Romântico.


D)

“Sinal de apito

Um silvo breve: Atenção, siga.

Dois silvos breves: Pare.

Um silvo breve à noite: Acenda a lanterna.

Um silvo longo: Diminua a marcha.

Um silvo longo e breve: Motoristas a postos.

(A este sinal todos os motoristas tomam

lugar nos seus veículos para movimentá-los

imediatamente.) [Drummond de Andrade]



Texto pertencente ao estilo de época Modernista.



E)

“Metáfora

Uma lata existe para conter algo,

Mas quando o poeta diz lata

Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo,

Mas quando o poeta diz meta

Pode estar querendo dizer o inatingível...” [Gilberto Gil]




Texto pertencente ao estilo de época Romântico (na Bahia).


TEXTO [07] para a questão 10 .





PORTINARI, Retirantes, 1944 apud MONTERADO, Lucas de.

História da Arte. Rio de Janeiro, Livros Técnicos, 1978. p. 304.




10. A despeito do realismo com que foi pintado esse quadro, reflita um pouco sobre o que ele representa e associe-o a uma das obras do nosso Modernismo, marcando a alternativa cujo fragmento textual pertence a uma obra literária que trabalha a mesma temática explorada por Portinari.
A) “O capineiro assombrado correu para chamar o senhor de engenho. E voltaram com a enxada, e cavaram a terra. A menina estava verde como uma folha de mato. Os cabelos crescidos em touceiras de capim de planta. Os olhos cheios de terra. E as unhas das mãos pretas e enormes.”

B) “Embarquei em Maceió, sem pagar passagem, saltei em Recife, embarquei de novo e estive alguns dias mal acomodado, não porém em situação pior que a de numerosos viajantes, pois o navio era uma insignificância, muito sujo, e nos tinham reservado o porão. Aqui, num carro fechado, não pude admirar as ruas novas e os arranha-céus. Alojei-me num quarto molhado, transferi-me a outro, já ocupado por legiões de insetos domésticos, morei numa estalagem onde pijamas eram roupa de luxo, que se vestiam pelo avesso, porque muitos dos habitantes costumavam introduzir com habilidade as mãos nas algibeiras alheias e esvaziá-las...”

C) “Os cavalos brabos, indomáveis, coiceam o vento dentro do curral. Amontoam-se, relincham, agitam-se num tropel medonho. Mas o impossível é saltar a cerca de toros de árvores. Alguns, os mais valentes, cortam-se nas pedras, relinchando como se atirassem. Tão valente e brabo, igual aos animais, é o vento que sopra agora açoitando a mata, assustando os fantasmas. A Lua encarnada vai desaparecendo muito devagar, como se fosse a continuação do Sol, a continuação do fogo. ”

D) “Já estava no terraço, terminou cantando, cantando e rindo de si mesmo. Foi quando avistou Codó. Codó, o Alma de Pau, a estas horas já em sua ronda. Bota a cabeça no portão, retira-a. Ainda não viu Amísio. Ali está, aquele, o Alma de Pau, o Pomba Lesa. Codó, mais de cinqüenta anos de idade, nunca trabalhou nem para o próprio sustento, nunca jogou bola de gude, futebol, bilhar, baralho. Nunca tomou um porre, quebrou bancas de jardim, globos de luz elétrica. Nunca arrombou a porta duma rapariga, jamais currou uma virgem... Explora, sim, duas tias velhas que o sustentam à custa de bordados, costuras, doces feitos de encomenda. ”

E) “Pouco a pouco uma vida nova, ainda confusa, se foi esboçando. Acomodar-se-iam num sítio pequeno, o que parecia difícil a Fabiano, criado solto no mato. Cultivariam um pedaço de terra. Mudar-se-iam para uma cidade, e os meninos freqüentariam escolas, seriam diferentes deles. Sinhá vitória esquentava-se. Fabiano ria, tinha desejo de esfregar as mãos agarradas à boca do saco e à coronha da espingarda de pederneira. Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miúdas que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças que empestavam o caminho...”



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