Prefeitura municipal de ocara



Baixar 129.44 Kb.
Página1/3
Encontro09.04.2018
Tamanho129.44 Kb.
  1   2   3

CONCURSO PÚBLICO

2008

COLETÂNEA DE TEXTOS

PERFIL DO MUNICÍPIO DE OCARA – CE.


  1. INSCRIÇÃO DE PAI DODÓ NA MEDALHA PEDRO BOCA RICA




  1. FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DA SEDE DO MUNICÍPIO




  1. ASPECTOS CULTURAIS, RELIGIOSOS E TURÍSTICOS.




  1. ASPECTOS ECONÔMICOS E DEMOGRÁFICOS




  1. PERFIL BÁSICO DO MUNICÍPIO

POR: MARIA AURICÉLIA ALVES


28 de janeiro de 2008

PREFEITURA MUNICIPAL DE OCARA


JUSTIFICATIVA:

A indicação de Pai Dodó a “Medalha Pedro Boca Rica” significa a busca pelo reconhecimento e valorização das origens do município de Ocara, de sua gente, sua força, sua garra, sua determinação, sua coragem, seus valores, suas atitudes, sua cultura e seus ideais.

Poderia indicar vários nomes de personalidades dignas da condecoração – sejam nobres artistas, ilustres políticos, grandes comerciantes, admiráveis mestres, enfim tantos que contribuíram e/ou continuam a colaborar para o desenvolvimento e melhoria de vida dos cidadãos ocarenses – entretanto privilegio a simplicidade e humildade de um homem do povo que entra na história e dela se retira sem registro oficial; que constrói uma cidade para os vivos e um cemitério para os mortos com sua capacidade de iniciativa, disposição ao labor e senso de coletividade; que insere festas que percorrem gerações e animam a vida coletiva do lugarejo durante praticamente toda sua história.

Como mencionei Pai Dodó não teve sua vida registrada nos livros oficiais. O registro de sua vida e de suas obras foi impresso na memória social de Jurema, hoje Ocara, e no “ensaio” de Francisco Moura, publicado em mimeo em comemoração ao centenário do patriarca.

João Correia Dodó por vezes é confundido com seu irmão João Correia dos Santos (Cel. João Felipe) que se destacou na política e economia. Um exemplo

disso são as publicações de jornalísticas (em anexo) que relacionam o trabalho do primeiro ao nome do segundo.

O texto que segue é fruto de uma pesquisa que é trilhada por mim desde 1999, percorrendo Graduação e Especialização e indo em direção ao Mestrado.

BIOGRAFIA

João Correia Dodó ou Pai Dodó, nascido em 30 de outubro de 1866 viveu 100 anos, 8 meses e 11 dias, falecendo em 11 de julho de 1967. Viveu seus dias dedicando-se a superação das dificuldades diárias relacionadas ao trabalho, à vida e à morte, do arraial onde morou durante anos, construindo o alicerce do que se tornaria o atual município de Ocara. Torna-se difícil escrever sobre a história de Ocara sem fazer referência às ações desenvolvidas por Dodó no decorrer de sua longa e produtiva vida.

Dodó é o segundo dos 6 (seis) filhos1 de Manoel Antonio da Rocha, conhecido como Véi Felipe e Francisca Rosa dos Santos conhecida como Madinha Nenen. São seus pais e irmãos que colonizam o lugarejo chamado Jurema, que em 1938 é elevado à categoria de Vila e em 1943 recebe a denominação de Ocara.

A chegada da família é datada em 1894, conforme moradores mais antigos e registrada por Francisco de Moura2, no livro “Jurema” publicado em mimeo, em homenagem ao centenário de João Correia Dodó (1866 -1966) - que se torna o registro escrito de uma vida que não foi registrada oficialmente3.

Conforme as fontes orais, a família é originária do Rio Grande do Norte, sendo que antes de se fixar no lugar, moraram por tempo indefinido em Caxingó, às margens do rio Choro, em Aracoiaba, após paragem em Limoeiro do Norte ou Morada Nova, ambas na região do vale do Jaguaribe. Antes da instalação dos colonizadores, habitavam o lugarejo as famílias de Manoel Miguel, José Soares, Domingos Graxa e Serafim de Tal, todavia, não obtive informações sobre estes pioneiros. Segundo indicação da Prefeitura municipal eles teriam chegado à Jurema por volta de 1870.4

Oliveira (1982:13), estudando sobre a mudança social na comunidade rural de Vila São Marcos, pertencente ao então distrito de Ocara, Município de Aracoiaba, ao caracterizar a área investigada em sua pesquisa, afirma que “a terra é caracterizada como sendo de posse, embora os posseiros não tenham nenhum documento que lhes oficialize a posse”.

Existem, entretanto, alguns documentos de compra de pequenas extensões de terra, ainda não esclarecidas totalmente. As terras que receberam a denominação Jurema mediriam “sessenta (60) braças de frente, por meia légua de fundos”5 obtidas por Pai Dodó através de compra a Manoel Miguel Gomes. Tomemos a propriedade como sendo de posse e Jurema o espaço correspondente ao centro da atual cidade de Ocara.

Durante a primeira década do século passado, toda a família permaneceu em Jurema, sendo que, na década seguinte, João Dodó decidiu construir uma casa no sopé do serrote a cerca de 1km da casa de seu pai, que denominou Fazenda Serrote. Desde então, passou a organizar o espaço físico de forma a fornecer melhores condições de vida e trabalho, como a construção de uma casa para fabrico de farinha, engenho artesanal de cana-de-açúcar, construção de açudes, cacimbões e abertura de veredas – o canal da comunicação. Era agricultor-pecuarista. Criava gados bovinos, caprinos, suínos, muares, asininos e aves. Plantava cana-de-açúcar, feijão, milho, mandioca, macaxeira, etc..

Até então, João Dodó, sua esposa Francisca Maria da Conceição e seus 10 filhos viveram sozinhos em sua propriedade. Em 1917, porém, a irmã Totonha, acompanhada do cônjuge, Marcos Gomes da Silva, foi morar nas proximidades e, em 1922, o casal Pedro Alves de Souza e Ana Alves Cavalcante, com seus 9 filhos, vindos de Maranguape. Denominaram o lugar onde instalaram suas residências de Capoeiras, em virtude a terra já haver sido roçada. A união dessas duas famílias deu origem ao povoado, hoje denominado Vila São Marcos.

Com a ajuda de seus dez filhos6 e parentes, construiu os açudes de João Dodó em 1915 (hoje conhecido por açude de Antõia Dodó e que durante muito tempo, no período de estiagem forneceu água para população de Vila São Marcos, Centro, Vila São Miguel, Sereno de Cima e Novo horizonte) e, em seguida, o açude do Antonio Dodó (ou do Cabo Véi) . O primeiro abasteceria água para o consumo humano e o segundo tinha como finalidade o fornecimento para uso doméstico e agropecuário.

Com ajuda dos amigos, abriu os primeiros caminhos que possibilitassem o acesso e comunicação entre eles e o transporte de materiais – que eram carregados nos lombos dos animais. Esses caminhos eram apenas veredas e inicialmente seguia o trajeto Jurema – Serrote – Deserto – Açude da Marica e Juazeiro do Raposa. Sob sua liderança, construíram, ainda, três cacimbões: o cacimbão do coqueiro (1919), o do Antonio Dodó (1929) e o do Cassiano, seu genro (1932).

Com seu potencial de iniciativa e forte espírito religioso, dispôs-se à construção de uma capela e do cemitério. Contando com a ajuda de familiares do incipiente povoado de pouco mais de uma dezena de casas, pediu prendas nas residências de amigos, que pontilhavam em outros arraiais, realizou leilões para construção da capela escolhendo Santo Antonio como protetor.

Na década de 20 empreendeu novos leilões a fim de conseguir fundos para melhorar a estrutura do cemitério erigido com estacaria – evitando, assim a profanação através da violação dos corpos por animais que invadiam a cidade dos mortos.7 A verba serviria para a compra de cal – material necessário para fazer a argamassa, que uma vez colocada entre as pedras retiradas do sopé do serrote transforma-se numa sólida estrutura que tem resistido às reformas e ampliações (e, muitas vezes, ao descaso) que já sofrera.

Todos faziam questão de dar sua contribuição – por mais simbólica que parecesse – para a construção do cemitério tanto em “prendas” quanto no arremate dos produtos leiloados. Estes advinham da economia de subsistência, baseada no cultivo de feijão, farinha de mandioca e milho, além da criação de pequenas aves.

Em torno do culto aos mortos constitui-se uma atmosfera festiva. O encontro que permitia a coesão da população local aos poucos tornou-se uma festa de grande vulto, que leva o nome da cidade aos mais longínquos recantos do estado do Ceará.

João Dodó inseriu a festividade de Nossa Senhora de Fátima, ao comprar a imagem da Santa em 1954. Em seguida realizou a ampliação da capela (1956). A festividade era realizada pela comunidade local com grande fervor e permanece viva na memória coletiva como o maior festejo do lugar8, envolvendo a comunidade local na religiosidade e sociabilidade - realizava-se a oração do terço, novena, disputa entre os partidos azul e encarnado, noitário com grandiosos leilões liderados por representes das localidades (ou famílias)9, animadas pela irradiadora com músicas, mensagens e caritó. A renda dos festejos do padroeiro e de Nossa senhora de Fátima eram consideráveis e avolumavam a arrecadação da Paróquia.

O suplemento do jornal Tribuna do Ceará, em homenagem ao centenário do município de Aracoiaba, indica que João Dodó era também um dos políticos influentes no interior. Era filiado a União Democrática Nacional (UDN) e trabalhava em conjunto com seu genro Cassiano Correia. Mas a aliança não foi capaz de superar o poder vigente dos coronéis: poucos candidatos apoiados por Dodó e Cassiano foram eleitos.

Pai Dodó:

Fundador de Ocara;

Construtor de obras de uso coletivo;

Líder nato;

Realizador de sonhos;

Trabalhador incansável;

Vencedor de obstáculos.

O pai dos ocarenses, gerados e/ou adotados.

. * * *

Fragmentos da história da Sede do Município de Ocara

Maria Auricélia Alves

(Texto produzido em março de 2005)

Ocara é uma palavra de origem tupi, que designa o terreiro principal localizado no centro da aldeia10 onde ocorrem as festas da tribo. É o lugar de encontro. É composta de oca (casa) e a desinência ara (que tem); aquilo que tem casa, ou onde a casa está11. Durante o processo de emancipação política vigorava a explicação de que o nome Ocara tinha sua origem no nome do município-mãe Aracoiaba, devido a coincidência na formação léxica: ARACOiaba contêm os mesmos caracteres lingüísticos até a metade da palavra, porém em ordem invertida.

Ocara é um dos municípios mais jovens do Ceará tendo, apenas, 16 anos de emancipação política12. Dista cerca de 101 km da Capital, situando-se no Nordeste do Estado, na Região Administrativa 0813 e na Microrregião de Chorozinho14. Devido a sua localização geográfica15, possui características do litoral, da serra e do sertão, notadamente no que se refere ao tipo de clima, de solo e de agricultura16. O acesso à cidade, partindo da capital se dá através das rodovias CE 359 e 257 e a BR 116. Os moradores enfrentam dificuldades para se locomover para os municípios vizinhos devido à escassez de transportes. Somente um ônibus da Empresa São Benedito que tem como percurso Fortaleza / Vazante passa pelo centro da cidade – pela manhã em direção à Capital e à tarde retornando à Vazante. Na primeira metade do mês um transporte alternativo faz o percurso Bolas17- Ocara - Pacajus, no início da manhã. Partindo de Fortaleza com destino a Ocara, os passageiros podem utilizar os ônibus das empresas Guanabara e Redenção que se dirigem rumo ao Sertão Cearense. Fazendo um balanço dos horários das duas empresas os usuários dispõem das 5:00 h às 20:00h de transporte de hora em hora, em média. No entanto, devem desembarcar em Placa de Ocara acerca de 4,5 km do centro da cidade e se utilizar os serviços de táxis e moto-táxi. Em direção à Serra o deslocamento é mais difícil. Na primeira quinzena de cada mês um caminhão pau-de-arara desloca-se para Aracoiaba diariamente e na segunda quinzena reduz –se a uma viagem por semana. Estando em Baturité, por exemplo, deve-se tomar ônibus para Quixadá ou Fortaleza, que por sua vez também são escassos.

O contingente residente de 21.584 habitantes se distribui numa área de 775km2 18 que divide em 6 distritos: Ocara (Sede), Arisco dos Marianos, Curupira, Novo Horizonte, Serragem e Sereno de Cima. A população é em sua maioria rural19 desenvolvendo uma economia de subsistência, baseada no cultivo de feijão e milho que enfrenta desafios para melhorar os índices de produtividade devido às irregularidades climáticas e falta de apoio técnico e financeiro do Governo Estadual. A castanha de caju e a mandioca são produtos que dão suporte a agricultura local. A castanha de caju é vendida para outros municípios por um valor irrisório, por intermédio do atravessador e a polpa em Aracati. Não existem no município, fábricas de beneficiamento desse abundante produto, de valor nutritivo estimado. Na pecuária destaca-se a criação de gados bovinos, suínos e aves. O município conta também com reservas minerais, as quais destacam-se as pedras quartzo, tantalina, cristal, mica, feldspato, berilo, albita e calcedônia20, porém não são exploradas (oficialmente).

A topografia é em sua maioria plana e, minoria montanhosa, ganhando destaque os serrotes – símbolo do município. No serrote localizado no centro da cidade foi erigida em meados da década de 1970, uma capela em homenagem a São Francisco, ao qual durante um curto período de tempo, no início da década de 1990 foi realizada uma romaria e movimentos em prol da construção de uma escada para facilitar o acesso à igrejinha.

A infra-estrutura é deficiente e o município está entre os 29 municípios cearenses de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)21. O município é servido de energia elétrica residencial em praticamente sua totalidade, mas a iluminação pública é precária e o valor cobrado exorbitante; o processo de distribuição de água se resume à sede municipal e parte do distrito de Sereno de Cima e o serviço de esgoto é inexistente; a coleta do lixo é realizada nas sedes dos distritos, mas o destino do lixo é inadequado; conta com uma unidade hospitalar que presta serviços de exames laboratoriais, raio X, Eletrocardiograma, ultra-sonografia ; o Programa Saúde na Família enfrenta dificuldades para contratar e manter médicos; o serviço de telefonia residencial e/ou pública (telefone público) não chega as localidades mais distantes, sendo o telefone celular rural o instrumento utilizado por aqueles que podem manter esse meio de comunicação; quanto ao telefone celular convencional a conexão é realizada com menor intensidade pois o sinal de apenas uma prestadora é captado em determinados pontos da cidade; a recepção do sinal de tevê é ruim, sendo necessário adquirir antena parabólica para melhorá-la; os locais destinados ao lazer são poucos: clubes sociais, onde são realizadas festas dançantes ou serestas, campos de futebol, açudes, ruas e bares - as praças são locais raros, existindo somente na sede do município. Existem somente dois ginásios esportivos: um numa escola estadual localizada na sede do município e outro no distrito de Curupira; há 2 anos existe na sede um cyber-café que funciona 13 horas diárias, ligando Ocara ao mundo; há atendimento bancário através do Banco Postal (Bradesco), Agência Lotérica (Caixa Econômica Federal) e cash para saque do Banco do Brasil; desde 1991 a feira livre acontece às sextas-feiras; 91% das crianças de 0 a 6 anos atendidas pela Pastoral da Criança - CNBB são pobres e a área de cobertura da referida instituição não cobre a carência22; há aproximadamente 20 anos entidades ligadas ao Fundo Cristão para Crianças (MAFO e PRODECOF) prestam serviços a comunidades do município e acerca de 10 anos a Organizações Fé e Alegria (OSFA) uma instituição ligada a Igreja Filadélfia realiza um trabalho de caráter social as famílias carentes.

O elevado índice de desemprego é uma das dificuldades enfrentadas pela população ocarense. Muitos jovens e chefes de família migram em busca de melhores condições de vida em cidade vizinhas principalmente Pacajus, Horizonte e Fortaleza. Os munícipes enfrentam problemas de insegurança, alcoolismo, drogas, gravidez precoce cada vez mais freqüente. A circulação de renda baseia-se nos salários dos servidores públicos municipais e nos benefícios concedidos através do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) aos aposentados e pensionistas.

Outro fator agravante no município é a concentração de terras. Segundo o Perfil Sócio-econômico 1,23% dos produtores se incluem na categoria dos grandes latifundiários que controlam 35% do total da área do município, em oposição aos pequenos produtores, correspondente ao percentual de 80% que atua sobre uma restrita área (20%). Nesse contexto, emergem movimentos de apropriação de terras improdutivas por camponeses desprovidos de propriedade. Os acampamentos e assentamentos no município somam em média uma dezena.
O município de Ocara surge no início do século XX com chegada da família chefiada por Manoel Antonio da Rocha, conhecido como Velho Felipe, e Francisca Rosa dos Santos, conhecida como Madinha Nenê. A família era composta por 6 filhos: Maria Francisca (Maria Seda), João Correia Dodó (Véi Dodó), João Correia dos Santos (Cel. João Felipe ou Joãozinho), Antonia Maria da Conceição (Totonha), José Correia Lima (Zezinho) e Sabina Correia dos Santos.

Há divergência quanto à cidade de origem desta família. Alguns afirmam que são originários de Limoeiro do Norte, outros dizem haver se deslocado de Morada Nova – ambas da região do Vale do Jaguaribe. Há ainda os que afirmam que vieram inicialmente do Rio Grande do Norte e daí para Jaguaribe. Todos afirmam, porém, que se destacaram para Jurema23 após um ter passado um período indefinido em Caxingó, às margens do rio Choró, pertencente ao município de Aracoiaba.

De acordo com registros feitos por Maria Edna Lopes24, antes da chegada da família supracitada, moravam nesse pequeno lugarejo as famílias de Domingos Graxa, Serafim e Manoel Miguel. Todavia, não obtivemos informações precisas sobre estes pioneiros.

OLIVEIRA (1982:) estudando sobre a mudança social na comunidade rural de Vila São Marcos, pertencente ao então distrito de Ocara, ao caracterizar a área investigada em sua pesquisa afirma que “A terra é caracterizada como sendo de posse, embora os posseiros não tenham nenhum documento que lhes oficialize a posse”.

No entanto, conforme registro,25 as terras que receberam a denominação de Jurema foram compradas de Manoel Miguel por João Dodó. O mesmo documento menciona as terras de denominação Riacho das Lages, pertencente a sua esposa Francisca Maria da Conceição, por meio de herança, devido ao falecimento de seus pais.

Durante a primeira década do século passado toda família de Velho Felipe permaneceu em Jurema, sendo que na segunda década, João Dodó decidiu construir uma casa no sopé do serrote acerca de um quilômetro da casa de seu pai, que denominou de Fazenda Serrote.

Desde então passa a organizar o espaço físico de forma a fornecer melhores condições de vida e trabalho como construção de uma casa de farinha, engenho artesanal de cana-de-açúcar, construção de açudes, cacimbões, abertura de veredas.

Até então, a família de João Dodó vivera sozinha no espaço onde se localizava sua residência. Porém, em 1917, a irmã Totonha, acompanhada do cônjuge Marcos Gomes da Silva, foi morar nas proximidades e, em 1922, o casal Pedro Alves de Sousa e Ana Alves Cavalcante, vindos de Maranguape. Denominaram o lugar onde instalaram suas residências de Capoeiras, por existir na área maniçoba. A união dessas duas famílias deu origem ao povoado que hoje é denominado Vila São Marcos. Orgulhosamente se divulga “casaram-se sete irmãos com sete irmãs”, reforçando o caráter endogâmico existente na comunidade.

No ano de 1914 João Dodó contando com a ajuda de familiares e amigos do incipiente povoado realizou leilões a fim de angariar recursos para a construção de uma pequena capela em homenagem a Santo Antonio. Na década de 20, construíram o cemitério.

A partir da década de 50 o lugar iniciou um processo mais efetivo de comunicação com outras cidades, através da inserção do rádio e televisão e dos amigos que à Ocara se dirigiam. Vale lembrar as quermesses animadas pela irradiadora, especialmente entre as décadas de 50 a 70.




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal