Presumi que ela vinha mas orgulho era maior. Conheci seu irmão, familia



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DIMINUTO

Não sei porque a conheci naquela noite chuvosa e frienta. Vi muitas donzelas passarem mas o sentimento falou mais alto. Olhamo-nos indiferentes, timidez era a palavra.

Presumi que ela vinha mas orgulho era maior. Conheci seu irmão, familia.

Passei a adorná-la, elogia-la e por fim a ama-la, era mesmo o amor verdadeiro.

Peguei-lhe a mão, saiamos de mansinho sem lembrarmo-nos das tristezas.

Ela se foi mas seu espírito para sempre ficou.

SOB O CARNAVAL

Carnaval meu desangano. Encontreia pulando, brincando mas nada falei.

Parei perplexo com sua beleza, comovido com suas palavras, arrastado por seus cabelos. Julgueia t, fiquei emerária, insensata, insensivel mas tudo isto não refletia a nem sei quando isto tudo findara, a que horas, minutos nem segundos mas de lamentos nunca mas ei chorar.reali-dade visível: ela era pura, bela e terna como a mão do Senhor.

Era uma flor saltitando do calvário sem sangue, sem vingança mas com amor.

Era a paixão mais forte, mais densa que se estabelecia entre nós. Alegre perma-

ci, trevas desapareceu, felicidade surgiu. Nada a ninguém disse e
Rio, 02/68.

COISAS DA VIDA

Porque há racismo se fomos criados no mesmo universo.

Porque há assassinatos se somos filhos de um só Senhor que é DEUS.

Porque não temos mais amor do que guerra.

Porque ser mal pagador se a toda hora estamos pedindo algo.

Porque brigar se amanhã já estamos nos falando de novo.

Porque rancor, porque a raiva, a ira, se estamos na comunidade para auxiliar uns aos outros.

Porque se matar, se o mundo esta de portas abertas para todos.

Porque temos pretensões nas coisas alheias se podemos ter melhor.

Porque somos ambiciosos se nos resta a esperança, o otimismo, a fé, a caridade

de, e o maior sentimento humano que é o amor - o vínculo da perfeição.

Porque ser mau, orgulhoso se um dia todos voltaremos ao que erámos antes de

vimos á vida, isto é, Pó.


Rio, 24/05/68

PESSIMISMO

O que posso dizer se já não tenho mais força para falar. O que posso pensar se minha cabeça dolorida não para.

O que posso fazer para andar se meus pés não saem do chão. O que posso fazer para amar se meus sentimentos não combinam com o meu coração. Assim vou seguindo o destino, cheio de contrastes, cheio de pertubações, porções de desgosto o que me enche de tédio e vazio. Sou um passarinho andante em busca de uma pousada, de ninho que se possa traduzir em amor. Vivo num mundo de incompreensões de consequencias imprevisiveis.

Pai de-me forças e coragem para suportar tudo isto, de-me a sua benção de viver para morrer. Que esperança tenho eu para ser feliz se o destino me reservou uma vida pacata, dura e cruel, para nunca ver a aurora nascer, para nunca ver aonde se dilui o pensamento.

Rio, 14/10/69

LUA

No ar estava ela parada e fixa, com várias cores, sobressaindo o amarelo-roxo.

Com sua coroa luminosa abençoava todos os recantos do mundo, uma benção que era uma dádiva infindável. Sua companheira distante a poucos metros olhava-a com olhos sutis, cheios de esperança e felicidade. A cada instante, a cada minuto, a cada segundo brilhava mais e mais como se fosse luz incandescente. Chorava nas trevas nas penumbras, ria na claridade, sorria ao por do sol. Tem protetores que a cercam de todos os lados, esta no pedestal no cume da glória. A brisa tocava-a e ela agradecia permanecendo quieta como uma estatua de plantão.

Queria ser livre como ti, queria amar como ti, queria expirar em seus braços, em

seus seios e nos seus lábios purificados. Partirei logo ao seu encontro para ajoelhar-me a seus pés para que voce me dê seu perdão por eu inserir estas palavras neste pequeno livreto.

Um dia estarei a seu lado para sempre, para eternidade. Ó minha lua, Ó minha amada.

Rio, 01/01/70

ANO BOM


Um novo ano se inicia, cheio de esperança, de fé, de otimismo, de aventuras e caridades. Para uns o ano que se foi, foi maléfico para outros boníssimo. Este que come-

ça que seja bastante promissor, profícuo, frutífera e que termine com as guerras, com a fome, com o preconceitos, com as desigualdades, com a ganância, com o egoísmo, com a hipocrisia e com a medíocridade. Que se construa mais escolas, mais hospitais, mais mora- dia, e que haja trabalho e melhores condições de vida. Ano bom que a prosperidade e a feli-

cidade sejam a nossa companheira durante este próximo doze meses.

Que façam um mundo cheio de amores, de flores, de enamorados, que este mundo seja real e verdadeiro não fictício, utópico ou imaginário. Que o “Causas das Causas”, o Senhor, nos de força, saúde, e coragem para passarmos mais uma etapa de nossas vidas.


Rio, 01/01/70

IRMÃ

Dedico estas despedaçadas linhas a minha companheira, a minha musa, a meu viver, a minha vida.

A você dou o mar, a terra e se pudesse lhe daria tudo o que existe de mais belo e puro neste mundo.

Tu és tão linda quanto a uma ave emplumada, és tão imaculada como a santíssi

ma, tão meiga e fogosa como a branca neve.

Amo-a sem pensar, adoro-a sem vacilar, quero-a só para mim. Parece que con

heço-a há tempos, seus beijos ardentes e envolventes e lábios que incendeiam e lubrificam a

minha boca.

Não me deixes mas nas trevas, nas penumbras, livre-me dessa perigosa e cruel nostalgia que toma conta de todo o corpo meu.


Rio, 05/03/70

CRISE DE ADOLESCENTE


O que estara se passando comigo. As férias escolares se fluem como um prelú

dio. Sinto-me perdido no meu próprio bairro, já não vejo mas nada de novo, para mim tudo é antiquado, obsoleto, reacionário, arcáico, impróprio e sem razão de ser. Quero partir para novas terras em busca de novos relacionamentos, novas conquistas, novos clarões.

Assunto não tenho para os meus vizinhos, parentes e colegas. Em minha morada parece que estou confinado: não leio jornais, revistas, não posso ver e ouvir os meus programas preferidos na tv. Aos fins de semana tenho uma mesada exígua de cr$ 5,00 (cinco cruzeiros). As vezes me dá vontade de não falar com ninguém, de ficar no isolacionismo onde eu possa ler, criar e aplicar bem o meu tempo. Para mim tédio, nostalgia já virou rotina.

Essa fase sei que vai passar como passam as águas no moinho, e depois que superá-la creio que tudo há de vir de melhor para bom. Quero, preciso, necessito de novos amigos, novos colegas. Escrevo neste opúsculo ea sensação presente do momento. Perdoem-me os amigos que me cercam com carinho, dedicação, sinceridade, apoio e bondade. Tão certo como o sol se põe, voltarei como dantes, radiantes, vibrante, feliz para o convívio de todos nós.
Rio, 28/07/70

DEL CASTILHO

Domingo solar era um dia como outro qualquer. Repentinamente a tarde se esvai e surge a noite crepuscular. Eu saía sem destino, mas subitamente tomou conta de mim um desejo de ír a casa de minha tia. Não fiquei lá por muito tempo, um compromisso amoroso impediu-me. Depois dessa higiene mental fui convidado a comparecer numa festa de música pop. Ao chegar observei o ambiente como convém a quem não conhece o lugar a que se esta indo, o movimento feminino era dos melhores. Já se passava mais de uma hora que a música tinha começado, eis que num impulso impulsivo de meu olhar, noto uma linda mocetona encostada na parede. Fui direto ao seu encontro, confesso meio tímido. Ao jogar o meu olhar contra o dela, fiz-lhe o honroso convite da contradança o que de imediato aceitou. Dançamos uma, duas, tres vezes seguidas sem parar, conversamos muito e percebi que quando mais intensamente a notava, meu coração batia aceleradamente, meus pés tremulavam e os lábios meus imantados saltitava loucamente. Terminada a festa trocamos juras, promessas, compreensões e etc.... Levei-a ao ponto de onibus com a firme determinação de vê-la na terça-feira próxima.

Até logo, até depois, até outro dia, enfim foi mais uma aventura que se iniciava.

Rio, 04/08/70.

HELENA

Naquela noite funesta tudo parecia fim, andava descontraído sem nada pensar.

Conversava com vários colegas do colegial a beira de uma casa de pasto.

Passavam muitas pessoas pelo local, mas por um instante observei que entre os transeuntes aparecia Helena. Helena acompanhada de duas virgens que a principio pareceu-me um pequeno contratempo, sendo que isto não constituíria problema para mim e sem hesitar fui seguindo seus cálidos passos e abordei-a totalmente. Tivemos pouco tempo de trocas de palavras, depois as despedidas e marcamos encontro para determinado dia.

Foram-se dia após dia, numa sexta-feira de agosto a sorte sorriu-me novamente. Surgia Helena com seu mesmo gingado, com o já conhecido encanto de sereia que se traduzia em ternura, candura, e meiguice para me dar. A noite se tornou curta para tanto e satisfiz por inteiro, toda vontade em te-la em meus elásticos braços.

Abriu-se uma nova flor e com ela cresce um novo amor.

Rio, 01/09/70

DISTÂNCIA

O que mais me dói, é saber que estou longe dos seus carinhos, distante do seu amor. Sinto, lamento de não te-la em meus braços, envolta de beijos a penetrar no todo interior seu. Não são meras palavras de um ser qualquer, mas sim dum terráqueo que ama toda a natureza que o Senhor nos deu. Não sei se esses logos vão alcançá-la, alegre ou tristonha, espero que todas as linhas que insiro agora, seja um conforto, alívio, segurança, quem sabe talvez, portadora dum sentimento profundo, terno, que só um homem apaixonado como eu pode desejar-lhe. Escrevendo tudo isto, vejo você guiar as minhas minúsculos mãos, abrindo a porta do bestunto-macro para eu entender, compreender, sentir tudo o que de mais belo e puro você transmite. Infinitamente a quero junto de mim, pode vir de qualquer lugar, contanto que todos os caminhos me levem a ti. Não sei falar de amor nem tampouco de ternura, mas o que você representa só os mares sabem.


Rio, 30/11/70

DISPERSÃO

Rio, 21/087/1.
Nada sinto escutar na lendária solidão noturna.

Surgem os rouxinóis, vão se lá as proas, nasce as broa

s.

Contudo mergulhado em terno sonho, escrevo eu, as memórias do coração seu.



Caí a tarde, com ela lembro-me do tempo perdido que outrora lutei, tempos

que marcaram nódoas indeléveis nas rochas que percorri.

Tudo é calmo como a própria nostalgia, lá fora ouço sons que jamais senti e

compreendi. Só, só você é capaz de tirar-me deste fétido e fecundo lodoçal interior, que

imerso estou. Chega, nada me apetece, nada me aparece, só o que guardei e trago comigo,

são as ocultas sombras dos prantos seus.

ARREBATAMENTO

Na súbita busca do louco desejo, navego em esquecidos saveiros dispersos nas camadas mais profundas de sua memória.

Ébrio de enamorado beijos, vagueio na selva da solidão deserta, acobertado das mais tensa e arretabatadora paixão. Na raza fria da sua alma dormi no fino e denso segredo esprimido de surrupiante amores que proliferam em todo peito meu.

Os canais mansos da tua voz é a descoberta viva e fecunda do meu viver.

Em tudo, em ti o que mais ausculto é esse gemido sugado das ondas, dos teus seio felinos que me aportou das alheias enchentes. Assim levarei o cálice da redenção, das planícies longínquas do nosso coração para a purificação dos deuses do destino do além da vida.
Rio, 26/02/72

VOLTA AS AULAS


Volto as aulas com o espírito cheio de otimismo, redobrado de energias, encharcado de amor pelas novas coisas que encontrarei. O aspecto, o ambiente, a personaldade dos meus novos colegas de bancos escolares parece-me dos melhores.

Talvez diga isso por que fiquei um ano afastado das atividades escolares, ser-

vindo as forças armadas. No Colégio - Atheneu Brasileiro - a qual faço parte, fazem-se as novas acomodações sob o eficiente comando do ilustre e digno diretor - Celso Lisboa - a quem devo muito por ainda estar estudando,e não posso esquecer-me do colega e amigo Claudio Elias, o popular Torpedo. Participação, comunicação, diálogo são as palavras mais comumente usadas e faladas e exercerei estreita vigilância para constatar se esses “ditames” estão sendo postos em práticas. A reforma educacional começou mas poucos são os colégios que podem adotá-la integralmente, uns por falta de material didático outros por carência de pessoal especializado. Vamos deixar de ser “um país de doutores” para entramos com todo o esforço e empenho na mão de obra qualificada - área técnica - mas pertinente e real as nossas necessidades.

Rio, 20/03/72

TERRA GUARANI

O querido, ilustre e íntrego amigo Francisco Alves Buarque de Holanda, teve e foi de total felicidade ao compor a música mais badalada do ano, estou falando de “Construção”não podia ser outra. Encontro-me numa noite de segunda-feira acalorada, lua cheia, estrelas a brilhar e o amor a chamar. Há como queria ser o dono deste incomensurável universo, de poder amar todas as mulheres do mundo como diz Domingos de Oliveira. Vinicius tem razão quando fala que “na vida é preciso paixão”.

Onde está meu amigo Tom, onde está Dicavalcante, Dijanira, Picasso Sartre, Jorge Amado, Vérissimo - o pai - como queria aprender a magia do “rei café “, como queria interpretar como Carvana ou mudando de sexo Fernanda Montenegro.Quanta visão tem estes, intuição, imaginação, criatividades e tanto amor pelas coisas que fazem.Porque fostes Ataufo, porque me deixaste Chopin, fugiste de mim porque Villa. Mas resigno-me com César Lattes, Sabin, Barnad, Milton, Silvio Caldas. Há Brasil querido, quanto mais te olho mais vontade tenho de amá-lo, defende-lo e de poder dizer a todos “eu sou brasileiro”.

Há formosa Ipanema, há Copacabana envolvente, Mangueira, Salgueiro, Império, Portela, Vasco, Flamengo, Botafogo, Fluminense tudo isso é Brasil e quem dizer o contrário que vá....
Rio, 27/03/72

CASO PERDIDO

Era como se houvesse desintegrado o universo nas suas menores partículas.

Foi um golpe súbito que me deixou francamente sem a menor reação possí-

vel. Vista como deusa, tida e havida temperamental, forçado é descrever nos seus mínimos detalhes a tragédia íntima e passional que se abateu sobre este mísero cidadão. Partiu para

bem longe, muito distante dos meus pensamentos e encantos. Como a glória de possuí-la

foi efemera, talvez prenúncio da amante perdida. Tudo de belo, poetico, inspirador foi-se

com ela, sangrou-me os prantos, cindiu-me o peito, desabrochou o coração ferido e maltra-

tado. Há como viver neste mundo desencantado, desiludido, magoado com tudo e com todos.

Não sei se outra há de haver em minha vida, mas se chamado fôr para amar novamente não hesitarei, amarei até o fim da eternidade porque não dizer até o fim de meus dias aqui na terra.

Rio, 18/04/72

QUESTIONAMENTO

Poderia afirmar, asseverar que não sei o que se passa realmente comigo.

É dificil analisar, julgar sem conhecer as armas do poderoso inimigo.

Penso, penso sem parar, nada há para me basear, nada existe de concreto ou provas que me sirvam de argumentos.

As transformações ou sofrimentos interiores são piores de que uma operação de rescaldo. Articulo, raciocino mas nada, tento novamente mas as tentativas minhas são vãs.

Deixarei o tempo passar, de espaço infinito e ilimitado, para saber a que veredito chegarei.

Rio, 04/05/72

QUESTIONAMENTO II

A quem de fato interessar. É como um redemoinho tomasse conta do meu ser.

Quero escapar, fugir, sair, mas não sei como vou fazer. Ah? Já tenho a idéia; é enfrentar diretamente os problemas que por hora me afligem. Passam-se dias, minutos após minutos e nada de resolver. Tenho um sentimento profundo, penetrante que arrebata os mais insensíveis corações. Pronto, agora já sei que existo, porque estou amando novamente.

Sei lá se realmente estou sendo correspondido de espírito, mas vale tentar.

Parece que redobrei minhas forças para a batalha de amor inquietante que já

desponta. Dizem-me: és covarde, és masoquista, só que eles não sabem como é desencanta-

dor receber um senão nos seus mas puros e sinceros propósitos. Devo dizer que estou deve-

ras reservado e vocês querem saber porque, eu respondo: já amei uma vez com todas as

forças que um ser humano possa ter e foi o que se viu: o final desesperador, angustiante, nostálgico como o amanhecer do Outono.

Acho que respondi da melhor forma possível. Sei que um capitão não pode abandonar por primeiro um navio que naufraga. Fico indeciso, inseguro, tenho medo de ser brusco, asqueroso, nauseabundo para com os meus. Acredito que todos passem pelo que estou passando, e hão de compreender o meu espírito. Seja como for, não vislumbro o decorrer do caso em apreço. Quero esquecer, apagar tudo da memória, riscar tudo o que encontrei e vi nessa miragem. Mas a bonança surge, desaparece o receio, começa a fé pura e escaldante em meu pequenino coração. Que vontade de correr por este mundo afora, e falar a todos que estou sentindo um ser bem próximo a alma minha, com os meus suspiros e tensões.

As palavras que insiro parecem que saem dos prantos meus, rebentos como o próprio despertar da Primavera. Olho, observo nada há encontrar, só a remota possibilidade de vê-la, senti-la, tocá-la, acalentá-la nos abraços meus.
Rio, 10/05/72

DECLARAÇÃO


Como é bom enfrentarmos o dia a dia com redobradas disposições de otimismo e esperanças. Maravilhoso estar entre os íntimos e queridos amigos a quem queremos e esti-

mámos muito. O estado em que vivemos depende muito do que queremos alcançar, almejar nos seus mais sadios propósitos. Amar o tônico que se apaga não se entrega e nem se perde.

Amo os meus semelhantes como a natureza em todo o seu esplendor.


Rio, 31/05/72

NATUREZA HUMANA

É difícil dizer que o ser humano que ama hoje, odiara amanhã a mesma pessoa que outrora amou. Creio, penso firmemente com eivada convicção que estes seres procuram, vivem em busca de auto- afirmação, talvez de sua própria identidade perdida que ainda não encontrou. Como são fáceis de notar as constantes mutações, as inconseqüentes falsidades e porque não asseverar, as freqüentes hipocrisias e leviandades.

Não sou, nem quero ser o pródigo moralista ou o reformador de modos, idéias e costumes. É no momento, a simples constatação da complexa e singular natureza humana

na qual vosso escriba se inclui.

Rio, 31/05/72

PRAÇA PARIS

Pássaros voam, crianças correm, os peixes nadam, os cachorros pulam.

Quanto aprazível é o local onde estou, parece até a ilha encantada de Éden.

Lá vem ela toda de branco com seus sutis e cálidos pés como se estivesse des- filando na passarela. Aparece um indigente menino com o seu carro de pneu a rodar, senta-se ao lado de um senhor e este he entrega várias pratas.

O menino cumpriu o seu objetivo e agora já pode ir embora satisfeito e é isso que ele faz. Os raios solares penetram no seio da praça dando um toque todo especial ao meio ambiente. Surgem pessoas, mais pessoas e eu completamente ligado e observando os fatos.

Como gostaria de aqui ficar eternamente, sem interrupção a vaguear por estes sombrios e distantes caminhos que me levam a meu ser.

Lá fora o conflito urbano, a poluição sonora, o rosário de buracos, longe de tudo isso estou vendo o jovem varão que dá os seus primeiros passos de menino.

Que saudades da Praça Paris.

Rio, 01/06/72

QUADRINHAS, TERCETOS

Há riso envolvente,

contágio eloquente,

paz servil,

Brasil sutil.

Eterno amor,

canção da flor,

perdido coração,

ferido salmão.

Outono do meu passado,

amanhã cansado,

olhar casado.


Vibrando estou,

amando vou,

infinito sou.


Rio, 02/06/72


BURBURINHO


No seu regato aberto pululam brisas solventes das híbridas flores, em redor das plumagens cortejo a quietude noturna das águas; aqui eu sou eu dentro do seu eu.

Nas turvas do coração confesso lanço-me em loucos cantos. No azul do seu lan

guido pedido busquei as mais profundas vitórias.

No mastro da sua melosa voz leio as sinceras recordações de gratidão que me deste.

Burburinha lua, burburinha lua

porque eu vi a Dalvinha nua.

Aragem petrificante porque cegas

o seu pobre servidor fiel.
A nostalgia me viola

a tristeza me isola.


Essa menina com esta bunda vai longe,

vai longe, se ela for brincar no meu

quintal verá que eu sou um rapaz muito

legal.


Ó monte sublime que ofusca todos os movimentos, leve-me nas fecundas tranças porque sem elas perderei toda a crença no amor. A cantiga dos seus cabelos amamenta o

meu sono refratário das minhas noites de vigília que passei ao descobrir o seu mais tímido

e raso sussurro.

Rio, 08/06/73


NASCENTE


As fases passam, o tempo dilui e o vento volta. Tristonho fico vendo cinzas em campos perdidos do destino imponderável. Não há nada em si, tudo como era dantes, e a in-

continência do tempo se vai dentro do embrião inocente.

Observo olhos, sons escuto e nada fala ao meu coração.

Lágrimas derramadas acorrentam as vias que tentei alcançar naquele sonho desencontrado e perturbador. Volto ao mesmo sono temporário que se fluem com tudo o que tenho e possuo. Nada direi, jamais revelarei mas se o poente nascer descerei ao nascente a busca da minha perdida liberdade.

Rio, 08/06/72

CRIS


Comemoro hoje um ano que começou, ou melhor teve inicio, o colóquio, eu e Cris. Lembro-me que ao chegar onde se realizava a festa junina, não tinha pretensão nenhu-

ma de ter pelo menos um flerte qualquer. Avistei-a entre tantas lindas raparigas no maior

lampejo de visão dum homem. Fitava-a mas nada de lhe falar e por meio de sinais Cris en-

tendeu o brilho e o êxtase que continha meu sorriso. Sua genitora a tudo acompanhava quie

ta em seu lugar e de repente deu o sinal de aprovação a sua filha querida e adorada.

Pensei que íamos ter um breve e condenado namoro passageiro como os demais que eu já tivera. Mas para meu engano, caminha para o adro da igreja em cujo interior havia crianças e padre a rezar. Falamos de medo, desventuras mas a fé inabalável não permitiu-me que a abandonasse e sendo assim começava o reinado de um tão curto amor.

Sofria como sofria mas dela não se afastava, o encanto cresceu como cresce a chama do eterno. Pôs-se a viajar mas nem isso abalava o meu mais profundo e terno sentimento. No dia da sua ida a outra capital, prantos meus rolaram como se estivessem regando o seu formoso e lindo jardim. Voltou e eu recebi como no primeiro dia em que a conheci.

Tempos fluem, dificuldades aparecem, tormentos surgem e fecundam. Não queria despistar mas concordamos ambos que o melhor seria a separação sentida e sofredora.

Foram lágrimas que jamais o dia a dia apagara do meu indigente coração, por

que veio ao mundo através duma mulher que me amou mais que qualquer outra.

Finalmente sua presença partiu de mim, e segui outro destino que o futuro me mostrará.
Rio, 12/06/72

PERDIDO

Vejo-a bem lá no alto do cume disperso e entrincheirado. Ouço sons de cigarras, canto de fadas, murmúrio dos pássaros, fala das colméias. Tens a laboriosa luz que acende o

desvairado rumo meu. Não, não posso chorar como as nuvens, sigo a brilhante estrela que

entendia-me e juntos percorremos os mesmos pesares, os mesmos sonhos, a mesma felicida

de que outrora tive e perdi. Escuto coisas que nada me diz, observo oceanos que nunca nave

guei, colho flores que sempre desfiz, namoro cânticos que jamais cantei.



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