Primeira folha de rosto



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PRIMEIRA FOLHA DE ROSTO

VERSO DA PRIMEIRA FOLHA DE ROSTO



ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS
MARCELO BRAGA

VERSO DA SEGUNDA FOLHA DE ROSTO



ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS
MARCELO BRAGA
1ª EDIÇÃO
2011
SÃO GONÇALO – RJ
© 2010 by Marcelo Braga

marcelobragapoesia@yahoo.com.br

Impresso:

Capa:

Projeto Gráfico:



Ilustrações:

Revisão:
CIP – BRASIL. Catalogação-na-fonte

Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
22222
Braga, Marcelo, 2010 –

Estrangeiro Em Meu País / Marcelo Braga. – 1ª edição – Rio de Janeiro:

Editora

150 p.:
ISBN 22-22222-22-2




  1. Poesia brasileira. I. Título.

22-2222
CDD 222.22

CDU 222.22
CORPUS
COLEÇÃO DILEMA
República Democrática de Um Homem Só

Pretensão de Encarar o Sol

Barafunda Fecunda

Partículas Acrílicas

Mundo Caranguejo
COLEÇÃO ESFERA
Olhos que Brilham Vendo o Paraíso

Estou Vendendo Meus Sonhos

Venerável Ferrão

Narciso do Valão

Tantálico
COLEÇÃO FANTASIA
Bunker de Alvíssaras Suspeitas

Estrangeiro em Meu País

Fadário Híbrido

Quintessência

Esbórnia
COLEÇÃO PEQUENA MENINA


Petit Fille

s Mädchen Klein

Piccola Bambina

Pequeña Niña

Little Girl
OUTROS
Eu em Vinte Pedaços

Ensaios e Aforismos

VERSO DE CORPUS

A memória de



Johann Sebastian Bach e Franz Kafka

VERSO DA DEDICATÓRIA



PREFÁCIO por

VERSO DO PREFÁCIO

Os homens existem uns para os outros. Portanto, melhora-os ou suporta-os.”
Marco Aurélio

Imperador romano

ILUSTRAÇÃO 1

NOTA DO AUTOR
Aquela sensação de “não pertencer” ampliada ao cubo em ocasiões não permanentes.

Andar pelas ruas e sentir-me estranho andando pelas ruas que ando há 38 anos.

Saber-me nascido na capital do estado do Rio de Janeiro e achar as pessoas e a cidade e o estado diferentes do que eu achava que eram.

Saber-me Sul Americano de um único país de língua portuguesa e não saber me comunicar com os “esbarrantes” seres que caminham por aqui.

Saber-me terráqueo e sentir-me de outro planeta.

Saber-me estar rodando em movimentos agitados em volta do Sol e achar-me de outro Sistema.

Ainda mais: aquela sensação de estar nem no universo, mas num outro plano nunca antes concebido ou visitado ao menos em sonhos que fossem.

E retornando; achando-me estranho dentro de meu próprio mundo particular. Distante daquilo que fui e daquilo que sou.

É assim que nasce a maioria de meus textos: quando me sinto estrangeiro, quando me sinto distante. Não sou POETA! Eu escrevo coisas distantes e estranhas que sinto... Como tudo tem de ser classificado, classificam POESIA e ainda as colocam em ESTILOS, GÊNEROS, CATEGORIAS e SUBCATEGORIAS.
Espero conseguir nesse livro, inserir essas “coisas estranhas” que penso. Ou que estranhamente acho que vejo. Estrangeirismos de uma cabeça que por horas se põe suspenso às nuvens e descansa-se um pouco desse turbilhão de ruídos, pessoalidades, marketing, consumismo, “internáutica”, pessoas virtuais, compras virtuais; o fim do contato humano.

Onde fujo um pouco das placas de neon, das transmissões de satélites, dos carros de som, do padeiro com sua buzina, do camelô com suas promoções; de tudo e de todos.

E até de mim.
Marcelo Braga

06.06.2011.

São Gonçalo - RJ

VERSO DA NOTA DO AUTOR



1ª PARTE
AUTÓCTONE

CARTA 155

Usbek a Nessir

Em Isfahan
“Vivo num clima bárbaro, presente em tudo o que me importuna, ausente de tudo o que me interessa."

Uma tristeza sombria me invade; caio num abatimento medonho; parece-me que me aniquilo e não me encontro a mim mesmo a não ser quando um sombrio ciúme se acende e gera em minha alma o temor, as suspeitas, o ódio e o arrependimento.

De Paris, 4 da lua de Shahban, 1719.”
Montesquieu

Cartas Persas II

VERSO DA PRIMEIRA PARTE

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 21

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS

08.06.2011.

Vi mudanças comportamentais

Ser humano inventou coisas úteis nesse pouco tempo


Sou muitas pessoas e uma só coisa:

Inquiridor!


Sou muitos países e uma só coisa:

Terra!
Sou muitas questões e uma só coisa:

Ausência!
Sou sósia de mim mesmo

Reflexo de meus espelhos

E

Ainda assim me estranho todo dia


Sou um misto de calma e agitação

Sou invasor de corpos que jorram líquidos de prazer

Sou pessoa que anda por aí a procura de quase nada

Sou ser vivo que acha que alguma coisa é real

Sou o real de minhas notas rasgadas

Sou o metal de meus sons ingleses


Esse soul

Esse blues

Essa alma azul!

22 – MARCELO BRAGA



ESCOLHERIA A SUÉCIA

09.06.2011.

Estranho o teu contentamento em ser daqui

Escolheria a Suécia!


Chega a Copa do Mundo, me vejo torcendo para um país que eu não escolhi para mim
Sinto-me tolhido e acabo me acostumando:

Meu país (não fui eu que escolhi)

Meus pais (não fui eu que escolhi)

Minha paz (não fui eu que escolhi)

Meu nome (não fui eu que escolhi)
Sinto-me tolhido e acabo me acostumando:

Nossas brigas

Nossos corpos grudados

Nossa integração

Nosso caminhar lado a lado
Acabo me acostumando...

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 23



OU ESTOU FICANDO VELHO OU ESTOU FICANDO LOUCO

10.06.2011.

Ou estou ficando velho ou a música de hoje está uma merda

Ou estou ficando velho ou o ser humano regride nos aspectos humanos

Ou estou ficando velho ou a globalização está estragando tudo
Vivo no mundo dos aparelhos que facilitam tudo

Facilitam as vendas

A autopromoção

A fuga dos engarrafamentos

As informações
Nasci num mundo onde as pessoas se cumprimentavam

Onde as pessoas se respeitavam

Onde folheavam livros nos trens

Onde os adolescentes eram crianças infantis


Ou estou ficando velho ou o mundo está enlouquecendo

Ou estou ficando louco ou o mundo está prestes a me envelhecer!

24 – MARCELO BRAGA

TEMOS NOSSA PRÓPRIA COMPANHIA

11.06.2011.

Que falta nos faria a estupides desse mundo

Temos nosso mundo interior

Fartamo-nos de nós

E isso pode vir a ser suficiente


Que falta nos faria andarmos sólitos

Temos nossa própria companhia

Somos autossuficientes

E isso pode vir a ser surpreendente

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 25

PENSADOR BARATO E LIVRE

14.06.2011.

Sou palavras pensadas, faladas e escritas

Asas de grande envergadura

Monstro que de monstro só a altivez

Sou coisa

Coisa que remexe, revira, engaveta coisas

Passado, sou Câncer

Intrometo-me em meus próprios assuntos

Extremos de norte a sul

Vagabundo

Vagamundo

Vago espaços de meu mundo a trigueiras consortes

Desonesto comigo, honesto com os outros

Sou complexo

Complexos urbanos

Complexos de poetividade

Ativo


Pensador barato e livre

Transtorno

Um entorno de cercas farpeadas onde entra quem eu convido

A tal da casca de caranguejo

Sou estranho

Estranho quando escrevo

Estranho a mim mesmo no espelho em sua imagem invertida

Estranho-me a cada novo dia porque sou um ser em mutação

Que nada

Sou nada


Nada além que um mentiroso
Poetas tendem à mentira

Aliás: são os maiores mentirosos que já conheci


26 – MARCELO BRAGA

QUÃO DIFÍCIL FUGIR

15.06.2011.

Estou sempre recuando

Voltando


Meu mundo

Meu universo

Pequeno universo

Porém meu

Voltando

Resguardando-me

Assim o faço

Quando posso fazer


Estou sempre esbarrando

Dando de encontro

Comigo

Minhas coisas



Minhas poucas coisas

Porém minhas

Voltando

Defendendo-me

Assim o faço

Quando posso fazer


(quão difícil fugir!).

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 27



TENTEI SER TEU PAI

21.06.2011.

Não vou poder te acompanhar em todas

Participar de tuas conquistas

Te ajudar em teus dilemas de mulher

Estar sempre presente; sei que não vou poder


Não vou poder te ajustar nem te moldar ao meu jeito

Entender teus grilos e autofalantes

Ser sempre teu amigo confidencial

Nem nos momentos mais importantes; sei que não vou poder


Apenas quero que saibas:

Te acompanhei, te dei força

Tentei ser o melhor em minhas piores limitações

Criar-te um mundo legal

Tentei ser teu melhor amigo e

Ser teu pai!


28 – MARCELO BRAGA



ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS II

22.06.2011.

Intoxicado com minhas palavras

Inebriado nas músicas que ouço


Estrangeiro em Meu País
Circunspecto vendo o mundo atravessar as ruas

Curvilíneo catando pedaços de gente que vai caindo nas ruas


Estrangeiro em Meu País
Caminheiro nesses parcos dias que aqui passei

Cavaleiro nessas trilhas de folhas caídas


Estrangeiro em Meu País
Fui apenas foto

Apenas foto

Foto

ESTRANGEIRO EM PAÍS – 29



ANDAMOS POR CAMINHOS SÓ NOSSOS

27.06.2011.

A individualidade é um universo em cada um

Andamos por caminhos só nossos

Andamos sós

Nossos caminhos nem bem sabemos

Mas são nossos somente
A categorização da individualidade é um ato terrorista

Que na verdade não ocorre

Se ocorre, não funciona

Se funciona, não vai a frente

Somos como as ondas do mar...

30 – MARCELO BRAGA



SENÃOSEINEMEUAOMENOSQUEFOSSEAPENAS...

30.06.2011.

Não sei se estou em meu subúrbio ou no extremo oriente

Não sei se estou em minha orla ou a uma légua de Póvoa

Se estou acordado ou inconsciente

Se estou próximo ou assim afastado


Se sou um contato ou uma interrupção

Se sou proximidade ou vácuo, desfiladeiro

Ou sou planície ou preeminência

Ou sou sincronismo ou declive


Não sei se sou ou estou

Se não sei nem eu, ao menos que fosse apenas

Quem mais de mim poderia algo saber?

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 31



CONVIVO COMIGO HÁ ANOS...

06.07.2011.

Quão estranho é se sentir assim

Mas não deixa de ser uma fuga se sentir assim

Ou do ego um grito de alto estrondor

Ou do mundo um grito de alto supor


Na verdade nada estranho ao me sentir assim

Convivo comigo há anos e sempre foi assim

Ou do it uma visão de alter ego

Ou do ego um mundo de coisas irrelevantes...

32 – MARCELO BRAGA

A VIDA É INCONCLUSA!

14.06.2011.

Minha bossa nova tem um pouco de Nina Simone remixada

Meu existir contracena com um mundo de alcovite

Consigo aquilo que não quero

Persigo coisas que pouco me interessariam em perder

O perigo de estar em mim é justamente O ESBARRÃO COMIGO

Me evito assim que posso rejubilar tal sorte

Mas não! Estou por aqui!
Minha “lounge music” está longe de ser calma

Minha agitação é como as nuvens que voam lentamente e

Lançam raios quando se encontram

O sax do jazz é enlouquecedor!

Acerbo meu acervo de iguarias literárias deglutidas voluntariamente

Assim com a flauta de Ian Anderson e sua posição Krishna

A haste do microfone apenas ameaça cair
Mas não, preciso causar impacto em mim

Minhas coisas precisam ser perfeitas em suas inconclusões

A vida é inconclusa!

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 33



MINHAS FLORES ESTÃO EM OUTROS VASOS

15.07.2011.

Quando na verdade pouco importa

Vale-nos o dia que chegou

Os outros se foram

Os outros talvez virão
Muita coisa ficou para trás

Suas roupas não são mais de nossa época

Seus móveis, minhas fotos

Não existem mais


Quando na verdade pouco importa

Vale-nos o filho que sobrou

Vieram outros seus

Vieram outros meus


Muita coisa ficou para trás

Minhas flores estão em outros vasos

Suas manias, meus vícios

Não existem mais


34 – MARCELO BRAGA



EM BRASÍLIA, NEM SEI QUE HORAS SÃO!

15.07.2011.

A Voz do Brasil

Em Brasília, nem sei que horas são

Nada ouvi quando morei em São Paulo no bairro do Ipiranga

Em minha cidade não tem verde e o sabiá está sumido

Não preciso mais amá-lo nem deixá-lo

A história que conheço é de CPIs

A história que conheço é dos europeus levando quase tudo

Não escolhi nascer aqui

Descobriram por acaso, não venham me enganar!
O patriotismo ocorre na Copa do Mundo apenas

Não existe passeata para tirar os maus políticos

Só passeata gay, passeata maconha

Os verdes pastos são latifúndios de ricos fazendeiros

Não há índices confiantes de desenvolvimento

Quem preside parece uma boneca velha de cabelo ruim

Tudo é proibido nessa democracia, menos o desvio de verbas

Só é preso quem mija na rua e não paga pensão e

Querem que eu seja patriota!
(tem muita coisa melhorando, mas há que se reclamar também!)

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 35



PARA MICK JAGGER

16.07.2011.

O conhecimento das coisas

O jeito das coisas

Minhas flores plantadas na Lua errada

Minha tendência ao submundo

Minha carência de massagens nos pés

Minhas galinhas misturadas botando ovos coloridos

O ácido, a erva e o cogumelo que não ingeri hoje

Meu cacto cresce entre as couves

Ele vai fazer dois aninhos!

A coelha começou soltar pêlos, já vêm mais filhotes

Rolling Stones estão juntos há séculos!

Mais um Marlboro, mais um copo de Coca

O som é bem blues e rockabilly em 64 e

Minha filha está dançando quadrilha agora

Uma caipira de Niterói

Os roqueiros são os mais românticos que conheci

Os trejeitos de Mick Jagger são meio suspeitos, e daí?

A gaita no blues é uma combinação perfeita

O conhecimento das coisas

O jeito das coisas

As formigas insistem em comer as folhas de meus quiabos

Meus ratos se empanturram de veneno rosa e ficam mais fortes

Meu casal de marrecos machos

As codornas e seus ovos uniformes

O mundo em constante movimento

O trabalho que me satisfaz: há perigo nisso

Mas faço sexo também

Estou meio que Neandertal e coisa e tal hoje

Amém!
36 – MARCELO BRAGA

AO BEM DO CAPITALISMO

19.07.2011.

Movimente-se:
Execute

Preencha


Desempenhe

Pratique


Exercite-se

Opere


Aja

Trabalhe


Labute

Mude


Evolua

Faça


Ocupe-se

Atue


Proceda

Empregue


Use

Negocie


Processe

Providencie

Golpeie

Movimente-se



Realize

Acabe


Termine

Desempenhe

Efetive

Cumpra
ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 37



Prossiga

Manobre


Cometa

Perpetre


Labore

Elabore


Entregue-se

Dedique-se

Cultive

Mova-se


Mexa-se

Desfira


Represente

Desfaça


Refaça

Coopere


Participe

Ative


Funcione

Esteja


Seja
Ao bem do CAPITALISMO, de seu BOLSO e REPUTAÇÃO!

38 – MARCELO BRAGA



SUFICIENTES PARA ME FAZER SORRIR

20.07.2011.

Já tenho tantas respostas

Alguns estão cansados de tentar achar respostas...


Têm coisas evidentes, respostas óbvias.
Não que eu não mais pergunte, mas não fico mais aguardando respostas. Aquelas poucas que não as tenho, respondidas estão!
Troquei a busca insana pelo contentamento tácito.
Troquei o inquirir pela paz de espírito. Não que eu não tenha mais perguntas a fazer, é que as respostas que já consegui são suficientes para me fazerem sorrir sorrisos de diversas naturezas.

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 39



APELIDOS

20.07.2011.

Tive apelidos, quem não os teve?

O que durou mais tempo foi Prefácio!

(EM NITERÓI DE 1985 a 1987. VIVIA COM UM LIVRO NA MÃO E UM XARÁ NÃO ME PERDOOU)
E os seus?

Seus apelidos?

Cognomes?

Sobrealcunhas?

Nome de guerra?

Pseudônimos?


E os seus;
Gringo?

Carcamano?

Bife?

Macarrone?



Alfacinha?

Tripeiro?

Abacaxi?

Galego?


Bosh?

Polaco?


Tio Sam?

Sadam?


Osama?
Vai, conte!

40 – MARCELO BRAGA



A PAZ QUE EU TANTO PROCUREI

21.07.2011.

Filho, quase não tive tempo de ser:

Quando dei por mim, minha mãe já morava em outro lugar

Quando dei por mim, meu pai havia morrido

Pai e marido, estou aprendendo agora:

Quando dei por mim, meu primeiro filho fazia 18 anos

Quando dei por mim, meu segundo filho, 14

Quando percebi, já estava no quarto casamento

Empregado então, putz! Quantas firmas...

Quando caí na real, vi que meu lance era outro:

Trabalhar para mim

Raízes, em lugar nenhum:

13 estados e 55 moradias!

Amizades de longas datas, nenhuma:

Como? Tantas mudanças e pouca permanência.


Toda essa inconstância me trouxe:

Independência aos 16 anos

Amor incondicional pela liberdade

Busca por respostas: conhecimento

Autosufissiência na sobrevivência

Decisões rápidas e rasteiras

Visão ampla de culturas e pessoas

Adaptabilidade rápida às mudanças

Um certo despreparo para vida normal.
Mas não adiantou, hoje a vida me trouxe:

Uma linda filha de 3 anos

Uma mulher guerreira, braço direito e esquerdo

Uma residência fixa, uma família estruturada e

A paz que eu tanto procurei pelos 13 estados do Brasil!
ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 41

AOS RONDONIENSES

22.07.2011.

Bornal e suor

Sandálias e pó vermelho

Sem vento, sem gente

Estrada, trilha

Linha vicinal

Destino desconhecido

De longos em longos minutos

Um caminhão de madeira

Um ônibus da União Cascavel

Uma pick-up carregada de bananas

Horas, mais horas

Mochila e um cigarro

Mais uma légua

As outras que ainda faltam

Uns sítios com pés de café

Muitas árvores e arbustos

Pés de pupunha

Oeste brasileiro

Pés de palmito

Estado de Rondônia

Anoitece: os mosquitos

Anoitece


Mirante da Serra!

42 – MARCELO BRAGA



ACIDEZ NO ESTÔMAGO

23.07.2011.

Já fui da crença, do círculo, da categoria na filiação

Do gênero, da espécie, do setor no liame

Do posto, da classe, do íntimo na correspondência

Da associação, da semelhança, do aspecto no vínculo


Hoje sou do desligamento, da independência; um corpo estranho

Sou multiplicidade, impertinência; nada tenho em comum

Desconforme, desconexo; nenhuma integração

Insular, diversidade; totalmente desmembrado


Oposição, contrariedade, antifonia

Atrito, conflito, hostilidade

Choque, embate, colisão

O reverso, o contrário, o avesso


O contraste, a divergência, o destoar

Antagônico, oposto, disforme

Adverso, arredio, antítese

O do contra, o da esquerda, o alheio


Meu sorriso é torto com ar de indiferença

Meus comentários, irônicos e sarcásticos


Sou acre

Sou ríspido

Sou rude

Sou fel


Sou azedume

Sou ácido!

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 43

VEJO QUE NUNCA MUDEI

25.07.2011.

Entornado de mim

Vejo que nunca mudei

Fui sempre o que serei

Sendo aquilo que acho que sou

Serei sempre Marcelo
Contornado meu desenho

A caneta de mãos trêmulas borra a linha

Tênue liame entre o que fui e o que seria

Como se pudesse ser aquilo que sou

Serei sempre Marcelo
Encharcado de mim

Uma cadeira de pés mancos

Nos lugares de minhas esperas, sentado

Quase um divã quase vazio de quase Marcelo

Que quase achei que era ou sou ou seria ou serei!
Não sei...

44 – MARCELO BRAGA



O PESSOAL DE BRASÍLIA IRÁ ENTENDER O QUE QUERO DIZER...

26.07.2011.

Preferimos às vezes a invisibilidade

Passarmos despercebidos

Escaparmos às observações

O ocultamento; o segredo

Desaparecer sem desaparecer

Não ser lembrado nem comentado

Eclipsar-se; apagar-se

Não ser conhecido nem reconhecido

Atrás das cortinas e bastidores

A clandestinidade; o recôndito

O vago; o vácuo

A nebulosidade; o sumiço

O esconderijo; a moita

O anonimato; o pseudônimo

Estar abscôndito.
Já outros constantemente:
ESTAR EM EVIDÊNCIA!
Noto que aquela frase às vezes se aplica melhor assim:

“Quem é vivo, desaparece!” em algumas situações.

O pessoal de Brasília irá entender o que quero dizer...

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 45



INSISTO EM PROMOVER A MINHA FELICIDADE

28.07.2011.

Que pena, esse mês está indo embora...

O meu mês! Terei de esperar mais um ano por outro!

Aliás, terei de esperar tanta coisa ainda...

Quando eu achar: está pronto! Nada, ser humano não pára

Não pára de sonhar, projetar, arquitetar novos “problemas”

E eu sou o meu maior problema: eu penso!

Logo existo e assim insisto em promover minha felicidade

Não me conformo com o tempo, tão breve...

Sei que não haverá tempo para tudo; o que são 120 anos?!
Que pena, esse mês está indo embora...

46 – MARCELO BRAGA



O QUE FAÇO, FAÇO POR GOSTAR DEMAIS DE MIM!

28.07.2011.

Ouço Estrada Para o Inferno: AC/DC

Agora pouco ouvia João Gilberto

Depois ouvirei Emerson, Lake e Palmer

E para dormir um pouco de Luiz Gonzaga!


Ouço coisas diversas por ser assim inconstante

Escrevo coisas codificadas por ser assim um ser delirante

Desenho rabiscos que nada dizem e sigo adiante
Não tenho interesse algum em parar de ser assim

Não tenho projeto nenhum em mudar minhas alterações

O que faço, faço por gostar demais de mim

O que sinto no fundo, são a flor “DE PELE” de minhas emoções!

ESTRANGEIRO EM MEU PAÍS – 47



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