Princesa do Deserto The Sheikh's Defiant Bride Sandra Marton



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CAPÍTULO QUATRO
Trinta dias eram uma eternidade quando um homem esperava para saber se criara vida no ventre de uma estranha. Tariq mergulhou no trabalho, em reuniões, em uma mulher depois da outra... E acabava por dei­xar cada uma à porta de casa, olhando-o, perplexa. Ele sempre arranjava uma desculpa: uma viagem, traba­lho... Uma vez se surpreendera ao alegar que estava com dor de cabeça. Era patético. Na verdade, mais que em qualquer outra ocasião de sua vida, o sexo perdera seu apelo.

Tudo por culpa dela, ele pensara, insone nas ma­drugadas. Madison Whitney. O embaraçoso inciden­te no jardim, e, agora, a incrível realidade de que ela carregava seu sêmen... Ela era responsável por ele não sentir desejo sexual. Que homem não teria a mesma reação? Entretanto, seu inconsciente parecia discor­dar. Ele continuava a ter sonhos inadequados para um homem maduro, e todos com a mesma imagem loura. A culpa também era dela.

Passaram-se 30 dias. Trinta e um. No trigésimo segundo dia, ele se sentia aliviado. Talvez nada acontecesse com o "engano de endereço". Naque­la tarde, um mensageiro lhe entregou um envelope.

Tariq inspirou fundo, abriu o envelope... e soltou o ar ruidosamente.

Madison Whitney estava grávida.

Seu pior medo se concretizava. Uma estranha, uma mulher que ele tinha todos os motivos para des­prezar, estava grávida de um filho seu. Ligue para mim quando estiver preparado, Alteza, dizia a men­sagem de Strickland, e discutiremos como o senhor deseja que eu comunique a ela sua participação no caso. Sua participação. Tariq ferveu de raiva. Era uma expressão bem irônica para descrever seu papel naquele desastre. Pela primeira vez ele pensou em como ela reagiria ao saber que carregava um filho seu. Ela o entregaria a ele, sem dúvida. Ele era o que era, e isso fazia toda a diferença. Tinha um nome a perpetuar, um trono a garantir. Ele ficou intrigado. Por que Madison Whitney quisera ter um filho? Era solteira, tinha uma carreira de sucesso e, ainda as­sim, decidira ter um filho. O que a levara a recorrer ao método artificial? Com certeza, ela poderia esco­lher um candidato. Os investigadores que Strickland contratara não haviam encontrado indícios de haver um homem na vida dela, mas, com certeza, se ela desejava engravidar...

Tariq releu a mensagem de Strickland. Ligue para mim quando estiver preparado. Estava pronto, mas não para ligar para o advogado. Ele tinha perguntas, Whitney tinha respostas, e ele desejava ouvi-las sem passar pelas infindáveis explicações do advogado. Ta­riq ligou para o porteiro. Quando chegou à entrada do edifício, seu Porsche já o esperava na porta.

O endereço de Madison Whitney estava no rela­tório do laboratório. Ela morava num arranha-céu, numa rua típica do East Side. Não havia porteiro, e a porta estava trancada. Tariq olhou a lista de morado­res, colada ao interfone: M. Whitney, ap. 609. E ago­ra? Se fosse um filme, ele fingiria ser um mensageiro, mas não daria certo às 20h30. Maldição. O que ele fazia ali? Por que não deixar seu advogado resolver a situação? Ele ia desistir quando a porta abriu e saiu uma senhora carregando um terrier. Ela sorriu, o terrier latiu, e ela teve a gentileza de segurar a porta para Tariq. Bem, por que não? Eleja estava ali... Ele sorriu para a senhora.

— Obrigado. — E entrou.

O apartamento 609 ficava no final do corredor. Ao chegar diante da porta, Tariq hesitou. Talvez aquele fosse assunto para um advogado. Talvez fosse melhor ele parar de adiar, pensou com amargura. E apertou a campainha.

Por que tudo sempre acontecia ao mesmo tempo? Lei de Murphy, pensou Madison ao ouvir a campai­nha quando saía do chuveiro. O Torino's não teria registrado sua chamada? Ela pedira uma pizza e de­pois cancelara. Só de pensar em todo aquele queijo derretido ficava enjoada. Era bobagem, com certe­za. Ainda era muito cedo para sentir enjôo, apesar de naquela mesma manhã... A campainha tocou de novo.

— Um momento — ela gritou. Certo, comeria a pizza ou a jogaria no lixo. Não teria tempo de se en­xugar, mas não ficaria aborrecida com o Torino's pelo engano. Não naquela noite, ao final de um dia mara­vilhoso e mágico.



Riiing!

Madison levantou os olhos para o teto, enfiou-se num roupão, afastou os cabelos molhados do rosto e caminhou descalça até a porta.

— Calma — disse ela ao destrancar a porta. — Eu ouvi da primeira... — O resto da frase morreu em sua garganta.

— Boa noite, srta. Whitney.

A voz era exatamente como ela recordava. Profun­da, rouca e com algum tipo de sotaque. O corpo alto e forte também era como ela se lembrava: esguio, más­culo e firme. E o rosto... o rosto de um anjo decaído: cruel, perigoso, fascinantemente belo. Madison rea­giu instantaneamente. Tentou fechar a porta, mas ele foi mais rápido que ela, e a impediu.

— Isso é maneira de tratar uma visita? — As pala­vras eram cheias de alegre ironia, mas os olhos dele brilhavam friamente ao fitá-la. Madison sentiu o co­ração disparar. Estava nua sob o roupão, sozinha com um homem de olhar implacável. O que ele queria? Como a encontrara? Excelentes perguntas, mas, sem importância, diante da urgência de se livrar dele.

— Afaste-se — disse ela, fingindo calma — ou eu vou gritar.

— Um antigo conhecido vem visitá-la e você grita? — Ele riu. — Você não é muito hospitaleira, habiba...

— O que você quer?

A expressão divertida desapareceu.

— Quero falar com você.

— Não temos nada para conversar.

— Infelizmente, temos. — Ele passou por Madison com um ar insolente, demonstrando indiferença.

— Eu não o convidei para entrar!

— Não convidou, mas o que tenho a lhe dizer re­quer privacidade. — Ele olhou para ela, que corou, arrepiou-se e cruzou os braços.

— Se você pensa que... se você acha que...

— Acho, habiba. — A voz dele estava rouca. — O que aconteceu na noite em que nos conhecemos ficou profundamente gravado na minha cabeça.

Não. Ela não permitiria que ele a convencesse a fa­lar sobre aquela noite. Não iria se defender, porque não precisava.

— Não sei como você me encontrou, ou por que veio até aqui, mas...

— Eu lhe disse, vim para conversar. — Ele correu os olhos pelo corpo dela. — Apesar de eu ter que ad­mitir que acabar o que começamos é tentador.

O coração de Madison batia tão forte que ela temia que ele pudesse escutar.

— Saia.


— Creia, habiba, eu gostaria de poder ir embora.

— Ouça, moço...

— Alteza.

— O quê?


Sou chamado de Alteza, não de "moço".

Ela o olhou como se ele fosse louco. Talvez fosse. Que diferença fazia seu título? Ele esperara uma reação diferente. Surpresa, sim. E também um certo temor. E ali estava: ela o olhava muito pálida, trêmula e com os olhos arregalados de medo. Mesmo assim, ela o desa­fiava. Desafiadora e linda. Acabara de sair do banho. Os cabelos molhados tinham o tom de cobre e caíam sobre suas costas. O roupão velho nada tinha de sexy, exceto que se colava ao corpo úmido: aos mamilos salientes de seus seios, à curva da cintura, ao contor­no dos quadris e às longas pernas. O sangue de Tariq ferveu. Ele amaldiçoou a si mesmo. Desejo sexual não tinha nada a ver com o assunto. Que ela lhe provocasse aquele tipo de reação deixava-o mais furioso.

— Espere um pouco... — A voz dela estava dife­rente. Falava com uma segurança que condizia com o ar de desafio. — Você é um príncipe?

Enfim, acontecera. Ela era linda, desafiadora, mas, como todas as mulheres, uma vez que soubera que ele era da realeza, tudo mudara.

— É verdade. Eu sou Sua Alteza Real, Príncipe Ta­riq ai Sayf, de Dubaac.

— Um príncipe — Madison repetiu, e soltou uma gargalhada. —Ah... meu... Deus! Um príncipe! Ago­ra entendi. Barb o mandou! Ela não sabe que nós... nos conhecemos. Ela deve achar que você é um pre­sente dos deuses para as mulheres. É óbvio que você acha e...

Num átimo de segundo ele estava ao lado dela, levan­tava-a pelos cotovelos e a fazia ficar na ponta dos pés.

— Não ria de mim! — disse ele trincando os den­tes. Mas ela ria, continuava rindo, e, quanto mais ela ria, mais o sangue dele fervia. — Pare! — ele orde­nou, sacudindo-a. — Você me ouviu, mulher? Pare imediatamente!

— Não posso — disse ela, engasgada. — Se Barb soubesse a verdade sobre você...

— Eis a verdade sobre mim — Tariq disse, esma­gando os lábios contra os dela. No momento em que ele sentiu seu sabor, compreendeu o que o impedira de dormir com outra mulher nas últimas quatro se­manas. Madison não o afastara do sexo. Acontecera o oposto. O que ele queria era aquela mulher em seus braços, os seios macios e firmes contra seu peito. O corpo dela comprimiu sua carne ereta. Ela lutava. Ele não se importava: teria o que desejava, o que ela lhe devia. Ele a possuiria várias vezes, até que...

Madison deu um gemido desesperado, pendurou-se no pescoço de Tariq e entreabriu os lábios para ele... Da mesma forma que fizera ao provocá-lo na noite em que o humilhara. Ele não deixaria que acontecesse de novo. Desvencilhou-se dos braços dela e segurou-a pelos pulsos. Um homem só comete um erro uma vez. Repeti-lo seria tolice. Madison abriu os olhos, espan­tada, mas ele não se abalou.

— Você acha que pode me enganar de novo? — disse ele em tom ameaçador.

— Enganar? — ela gemeu, tentando soltar os pulsos.

— Não pense que pode brincar comigo, habiba, você vai se arrepender.

Madison corou. Sua boca tremia, e por um momen­to Tariq desejou agarrá-la de novo e beijá-la até que o tremor se transformasse em doce submissão. O rosto dele se contraiu: ela era boa no que fazia — ele deve­ria se lembrar.

— Solte-me!

— Com todo prazer. — Ele a soltou.

— Se alguém vai se arrepender é você, príncipe "sei lá o quê", se não sair da minha casa agora mesmo.

— Não me provoque, senhora — disse ele friamente.

— Não me subestime, senhor — disse ela no mes­mo tom. — Você entrou aqui sem ser convidado. Eu lhe pedi para sair. Se não sair, vou chamar a polícia. Creia, não é uma ameaça, é uma promessa.

— Você não vai chamar a polícia. — Ele percebeu que ela se recompunha. A cabeça erguida e o sorriso frio o demonstravam.

— Você acha que seu título me impressiona? Esta­mos nos Estados Unidos. Existem leis...

— Você quer fazer um discurso? — Tariq cruzou os braços. — Ou prefere saber por que eu estou aqui?

Madison deu uma risada desagradável.

— Acredite, Alteza. Sei exatamente por que você está aqui.

— Acha que vim à procura de sexo? — Ele deu um leve sorriso. — Se fosse isso, você já estaria deitada e eu estaria dentro de você. Ou acha que vou esquecer o que acabou de acontecer? — Madison avançou para dar uma bofetada nele, que a agarrou pelo braço com força, e ela gemeu. — Da última vez que jogamos esse jogo, estávamos num lugar público. Agora esta­mos sozinhos. Se eu quisesse ir até o final da partida, já teria ido. Entendeu?

— Você está me machucando!

Tariq largou-a e se afastou. Aquela mulher provo­cava o que ele tinha de pior. Talvez fosse de propósito, para que ele perdesse o controle. Fora até ali por um motivo, e estava na hora de esclarecê-lo. Ele respirou profundamente e olhou para Madison.

— Acho que está na hora de ouvir o que tenho a dizer.

Ela respondeu abrindo a porta.

— Adeus, Alteza.

— Madison! Maldição, eu disse...

— Ouvi o que você disse. Agora, escute você! — ela disse friamente. — Se você se aproximar de mim outra vez...

— Você está grávida.

Ela ficou boquiaberta. Ótimo, ele pensou. Afinal chamara sua atenção.

— O que foi que você disse?

— Você soube hoje, através de sua médica.

— Como... como é que você sabe?

— Feche a porta e eu lhe direi. A não ser que você prefira que seus vizinhos participem...

Depois de algum tempo ela fechou a porta e cruzou os braços. A atitude era de desafio, mas seus olhos estavam assustados. — Como sabe que estou grávida?

— Não é difícil conseguir informações quando se conhece as pessoas certas.

— Maldição. O que está acontecendo? Você está espionando minha vida particular?

— Estou. Sua vida particular e minha também.

— Não sei do que está falando!

— Você engravidou através de inseminação artificial.

— O que é isso? — Ela apertou os olhos. — Se acha que vai me chantagear... — Tariq riu. Madison se aproximou e ele não pôde deixar de admirar sua coragem. — Quero respostas! — Ela cutucou o peito dele. — Como é que você sabe da minha vida? Por que invadiu minha privacidade? Tariq agarrou a mão dela e ficou sério.

— Você entendeu errado — disse friamente. — Foi você que invadiu minha privacidade.

— Eu nem sabia seu nome até cinco minutos atrás!

— Não — disse ele com calma. — Mas foi meu esperma que a engravidou. — Ela chegou a rir e o olhou como se ele fosse louco. Tariq não esperava aquela reação. — Diabos, mulher — ele rosnou. — Isso não é piada. Estou dizendo a verdade. Houve uma confu­são em algum lugar. Eu... eu colhi uma amostra do meu sêmen... — Maldição. Não era hora de titubear. — Meu médico a mandou para ser preservada e ela acabou no consultório da sua médica.

Madison ficou muito pálida.

— Não acredito em você. — A voz dela era inex­pressiva. Ótimo, ele pensou friamente. Pelo menos ele não era o único a estar chocado. — A FutureBorn ja­mais cometeria um erro desses! E impossível!

— Eu disse a mesma coisa, mas parece que nós dois nos enganamos. Você foi inseminada com meu sêmen. O filho que você carrega... —As palavras não saíam. Pensar já fora difícil, falar seria impossível.

— Esse filho... Essa criança que eu carrego é... É sua? — A voz dela saiu num sussurro.

— É. — Madison abriu e fechou a boca. Perfeito, pensou Tariq com cruel satisfação. Pelo menos por uma vez ele a deixara sem fala. — Apesar de você não ser o tipo de mulher que eu escolheria para ter um filho meu, a situação é facilmente remediável. — Madison o olhava sem expressão. Maravilha! Ela aceitara bem a notícia. Afinal, era uma mulher de ne­gócios e, com certeza, aceitaria a proposta que ele ti­nha a fazer. Ele acertara ao falar pessoalmente com ela. Se fosse Strickland, ainda estaria tentando entrar no apartamento.

— Seu filho — ela disse. — Seu filho... — Ela co­meçou a rir. Tariq achou estranho, depois de ela ter aceitado com tanta calma o que ele lhe contara... Mas ela não estava rindo, lutava para respirar.

— Madison?

— Estou bem — disse ela, revirando os olhos. Tariq só teve tempo de praguejar e de ampará-la nos braços quando ela caiu desmaiada.


CAPÍTULO CINCO
Se fosse um filme, Madison teria acordado do des­maio graciosamente: encostaria a mão na testa e bate­ria as pestanas ao fitar o herói moreno que a segurava em seus braços. Porém, não se tratava de um filme e sim da realidade. Ela voltou a si sentada no chão, nos braços do homem que não queria ver novamente.

— Que... o que aconteceu? — disse ela em voz trêmula.

— Você desmaiou, habiba.

— Eu nunca...

— Mas desmaiou.

Ele falara em tom seco, mas Madison poderia jurar que havia preocupação em seus olhos. Ficou confusa, até se lembrar que qualquer homem ficaria preocupa­do ao ver uma mulher desmaiar. Ainda mais depois que ele lhe dissera que ela estava grávida de um filho seu. O choque a atingiu pela segunda vez. A sala co­meçou a rodar e ela gemeu. Tariq praguejou, mas en­costou a cabeça dela em seu ombro com delicadeza.

— Calma. Respire fundo e solte o ar devagar. Isso. De novo.

Levante, ela disse a si mesma. Maldição, afaste-o e fique de pé... Porém, a sala ainda balançava, e, a despeito de tudo, os braços dele lhe pareciam seguros como o céu. O ombro dele era firme, mas lhe parecia mais macio que qualquer travesseiro. Os braços for­tes, mas gentis ao abraçá-la. Até mesmo seu perfume era reconfortante, masculino e natural. Madison ouvia o coração dele bater calmo, compassado e...

Habiba. — Ele pegou o rosto dela e a fez olhar para ele. — Ótimo — ele murmurou. — Seu rosto já readquiriu alguma cor. Como você se sente?

— Melhor, obrigada.



Obrigada? Ela enlouquecera? Por que agradeceria? Ele acabara de lhe contar uma enorme mentira. O que ele dissera era impossível. A FutureBorn se orgulhava da perfeição de seus procedimentos. Jamais cometeria aquele erro, e aquele homem, todo ego e arrogância, jamais seria um doador. Ela trabalhava na FutureBorn e conhecia o perfil dos doadores: estudantes de medi­cina que lutavam para pagar a faculdade; cientistas e artistas que acreditavam que seu DNA deveria ser pre­servado para o futuro. Alguns eram homens comuns que compreendiam o desespero das mulheres que de­sejavam engravidar e que doavam seu esperma como um ato de altruísmo.

Tariq ai Sayf não era um estudante pobre. Não era cientista ou artista, e seria uma piada imaginá-lo como alguém altruísta que se preocupasse com o futuro da humanidade. Ele era o príncipe rico e egoísta de al­gum país que ainda deveria viver na idade das tre­vas. Se é que ele era um príncipe. Nova York estava repleta de pessoas que alardeavam títulos falsos. Ela não acreditava. Ele mentira, apesar de ela não saber a razão. Por que ainda estava nos braços dele, usando apenas um roupão tão fino quanto um lencinho?

— Obrigada por me ajudar — disse ela, secamente. — Agora estou bem.

— Você não parece bem — ele disse, franzindo a testa. — Ainda está pálida.

— Eu disse... Ele a soltou.

— Eu ouvi o que você disse. Levante, se é o que quer.

Madison levantou-se. Foi um erro, porque o movi­mento repentino fez a sala girar, mas ela não fraque­jaria. Tomaria conta de si mesma, como fazia desde a infância. No momento, aquilo significava saber por que ele mentira e, depois, colocá-lo para fora do apar­tamento e de sua vida.

— Qual é o telefone da sua médica? — ele disse, pegando o celular. — Quero que você seja examinada.

— Não é preciso.

Ele ficou de pé. Era bem mais alto que ela. Madison não gostou da sensação. Era como se ele a lembrasse de seu poder.

— Você desmaiou — ele disse, asperamente. — Está grávida, precisa consultar um médico.

— Desmaiei porque você me disse algo que é ob­viamente impossível.

— Impossível, mas verdadeiro — ele respondeu com calma.

— Isso é você quem diz.

O rosto de Tariq ficou sombrio.

— Está me chamando de mentiroso?

— Não entendo por que diria algo assim sobre você, sobre mim e meu bebê.

— Eu disse porque é verdade, e porque precisamos resolver como lidar com a situação.

A situação: sua gravidez, seu bebê e a insistência dele em ser a causa de...

— Você já jantou? Ela riu.

— Do médico para o jantar. Você é rápido, não é?

— É apenas uma pergunta. Você comeu alguma coisa?

— Você entrou como um raio antes que... Não é da sua conta.

— Talvez seja por isso que você desmaiou. — Ele a examinou dos pés à cabeça com uma naturalidade que beirava a insolência. — Você sempre pula refeições? É por isso que está tão magra?

Deus! Que audácia!

— Escute, moço...

— Alteza... — ele sorriu. — Porém, dadas as cir­cunstâncias, pode me chamar de Tariq.

— Eu não sou magra, não estou com fome e não existem circunstâncias, Alteza.

Tariq franziu a testa. Ela transformara a palavra em insulto. Normalmente, ele não a culparia. Títulos de nobreza são arcaicos e ele não os apreciava nem os utilizava, a não ser em casa, onde seu povo insis­tia em manter a tradição. O desprezo de Madison o surpreendia: os norte-americanos adoravam títulos, em particular, as mulheres. Ele ficou preocupado. Ma­dison Whitney não era como ele esperava. Mulheres lindas e sensuais não deveriam ser feitas de aço. Não se espera que elas ridicularizem o título de um prínci­pe, nem que o chamem de mentiroso. Talvez ela fosse mais difícil de lidar do que ele pensava. Parecia uma piada do destino: com tantos milhões de mulheres no país, ele engravidara justamente aquela.

— Eu lhe dou dois minutos para se explicar — ela disse secamente. — Depois disso, acabou. — Ela ergueu o queixo de modo beligerante. Estava sem maquiagem. Seu roupão era uma tristeza, seus pés estavam descalços e seus cabelos haviam secado ao natural... Apesar de tudo, ela era magnífica. Por Ishtar, ele sentia nos ossos que ela era não apenas linda, mas também corajosa e orgulhosa. Ela lhe daria muito tra­balho. — Você já desperdiçou um minuto.

— Eu lhe disse por que estou aqui, habiba. Você se recusou a acreditar.

— Aquela história maluca? — Ela fungou. — Ten­te outra vez, senhor príncipe!

Tariq contraiu o rosto. Que insolência! Queria agar­rá-la e sacudi-la... Ou beijá-la, silenciá-la da mesma forma que fizera no jardim, ou um pouco antes, quan­do a levara a suspirar de paixão. Ele a carregaria para o quarto, depositaria seu sêmen dentro dela da manei­ra que deveria ser e... Ele soltou um palavrão, virou-se e entrou na cozinha.

— Ei! Ei! O que acha que está fazendo?

— Vou fazer um chá com torradas para você. Va­mos conversar depois de você comer.

— Não quero chá com torradas, não quero conver­sar e, muito menos, quero vê-lo na minha cozinha.

Foi o mesmo que falar com a parede. Madison o viu abrir os armários.

— Onde você guarda o chá? — Ele a olhou. — Chá de ervas. Mulheres grávidas não devem ingerir cafeína.

O que ele sabia sobre mulheres grávidas? Seria ca­sado? Não lhe importava que ele tivesse um harém...

— Fascinante — disse ela, alegremente. — Vejo que você é especialista em mulheres grávidas.

— Você está perguntando se sou casado? — Ele a viu corar.

— Por que eu me importaria?

— Para sua informação, não sou casado. Não tenho filhos. Tenho primas e amigas. É por isso que sei essas coisas. Então, onde está o chá?

Maldito miserável de nariz empinado! De que adiantava argumentar? Ela não se livraria dele daque­le jeito. Seria melhor deixar que ele fizesse seu papel de cozinheiro amador, e, depois, dar-lhe um chute no régio traseiro.

— Prateleira de baixo, sob a pia — ela disse, a voz fria. — Gosto da minha torrada com pouca manteiga. — Para sua surpresa, ele riu.

— Sim, madame.

Resmungando, Madison sentou na banqueta diante do balcão e observou-o se movimentar pela cozinha, pegar o pão na geladeira, o saquinho de chá na lata... Ela reparou que ele não lhe perguntara qual sabor pre­feria. Por que perguntaria, se ele achava que sabia de tudo? Deus, ela o desprezava! E pensar que ele, entre todos os doadores da FutureBorn, seria o pai de seu bebê... Pai, não, reprodutor, como um garanhão. Havia uma grande diferença. Além disso, não era verda­de. Ele não precisava de dinheiro e não tinha um pin­go de altruísmo naquele corpo firme e bonito. Afinal, por que ele lhe dissera ser o pai do bebê?

— Por quê? — ela soltou a pergunta, apesar de ter decidido esperar. — O que faz aqui? Por que essa his­tória absurda? Que razão você teria para...

Tariq colocou um prato diante dela: torradas com manteiga, e, ao lado, uma gota de geléia de morango.

— Coma.


Madison observou o queixo firme e os olhos frios e resolveu que seria melhor obedecer. Estava mesmo com fome, sentia-se até um pouco tonta. Afinal, ago­ra comeria por dois. Pegou uma torrada, lambuzou-a com geléia e comeu. O príncipe que virará cozinheiro colocou um bule de chá quente ao lado do prato.

— Você não tem mel — disse ele em tom de acu­sação. — Só tem açúcar refinado, que não é bom nem para você, nem para o bebê.

Madison piscou exageradamente.

— Que beleza — ela disse em voz macia. — Um príncipe, um cozinheiro e um médico especialista. Que sorte eu tenho por você estar por perto!

Provavelmente, ele se via como uma dádiva para as mulheres, seu DNA, um presente para o mundo. Sua pose, encostado ao balcão, de braços cruzados, demonstrava extrema segurança. Era absurdo que ele afirmasse ter doado seu esperma, mas, se fosse verda­de, a mulher que o utilizasse teria sorte, presumindo que acreditasse em aparências. Desprezar o sheik de Dubaac não significava ser cega. As mulheres deve­riam cair aos seus pés. Ela mesma, antes de conhece-lo, fizera papel de tola. Deixara que ele a beijasse e a tocasse, até que tudo que importava era a sensação das mãos dele e o sabor de sua boca. A única "contribui­ção" que um homem daqueles faria seria na cama com uma mulher que implorasse para ser possuída.

— Em que está pensando, habiba?

Se Madison não fosse esperta, poderia jurar que ele adivinhara seus pensamentos. Os olhos dele brilha­vam. O ar que os envolvia parecia pesado. Ela queria desviar os olhos, mas não conseguia.

— Você está com o lábio sujo de geléia — ele disse em voz rouca.

— Onde? — ela perguntou, sussurrando.

— Bem aqui — ele disse, limpando-lhe a boca com a língua.

Ela fechou os olhos e suspirou... Os dois se sepa­raram de repente. Ele se virou e se afastou, mas não depressa o suficiente para impedir que ela percebesse o volume que crescia dentro da calça jeans. Ele não era o único. Ela também sentia o calor entre as suas coxas, o quase doloroso intumescimento de seus mamilos contra o tecido do roupão. Será que ele notara? Como podia um beijo provocar tal reação? Ela espe­rou que seu coração se acalmasse. Quando levantou os olhos de novo, Tariq estava diante da pia e lavava a louça com a maior naturalidade.

— Está bem - disse ela secamente. — Você já praticou seu ato de caridade do dia, e eu já me sinto melhor. Obrigada... Agora, vá embora.

Tariq secou as mãos e se virou para ela como se nada tivesse acontecido.

— Você quer dizer que agora vamos conversar.

— Certo — disse Madison. — Fale, mas não leve muito tempo para me dar uma explicação convincente para sua presença.

— Eu já lhe disse.

Madison suspirou. De repente, estava exausta. O dia fora longo. Começara com a excitante notícia da gravidez e terminava com a intrusão de Tariq ai Sayf em sua vida.

— Vou lhe explicar por que o que você alega é im­possível, presumindo que você seja mesmo um doa­dor da FutureBorn.

— Eu não diria dessa maneira.

Eu diria que selecionei um doador com muito cuidado. E esse homem não era você, Alteza.

Ele deu um sorriso sem graça.

— Eu não pretendia ser.

— Minha escolha foi... Atende perfeitamente aos meus requisitos.

Seus requisitos. Interessante, pensou Tariq. Ela se­lecionara o pai de seu filho da mesma maneira que ele pensara em escolher uma mulher que lhe desse um herdeiro.

— Escolhi um homem gentil, agradável. Um inte­lectual com tendências criativas.

Mais um sorriso, rápido e perigoso.

— E aqui estou eu. Um bárbaro, de um país que você nunca ouviu falar. Cruel, insensível. Tão inte­lectual quanto um jogo de futebol. É isso que você pensa?

Por que mentiria? Madison deu de ombros.

— Foi você que disse, não eu. Além disso, não pos­so imaginá-lo como doa... — Ela franziu a testa ao vê-lo tirar um envelope do bolso e jogá-lo sobre o balcão. — O que é isso?

— Abra.


Ela olhou do envelope para ele. A expressão de Tariq era impenetrável. Sua ausência de emoção era mais expressiva do que tudo o que ele dissera.

— Isso não vai mordê-la, habiba. É uma carta do meu advogado. Sugiro que leia, antes de dizer algo mais.

Madison não queria ler. Tinha a sensação de que, se abrisse o envelope, abriria as portas do inferno.

— Leia — disse Tariq.

Seria impossível ignorar aquela ordem. O envelope era macio e cor de marfim. A folha de dentro também. O papel timbrado fez o coração de Madison bater mais forte. Strickland, Forbes, DiGennaro & Lustig, Advo­gados. O escritório era conhecido em Nova York por sua tradição, sua reputação ilibada e por seus clientes terem o sangue mais azul dos azuis. Eles não represen­tariam um falso príncipe e não assumiriam um caso de brincadeira. Ela sentiu um nó na garganta.

— Quer que eu leia para você?

Madison ergueu a cabeça. O príncipe olhava para ela como um gato para o rato.

— Não — disse ela. — Pode ser surpresa para você, mas sou perfeitamente capaz de ler sozinha — acres­centou, com um sorriso de fingida indiferença. No princípio as letras lhe pareciam borradas. Aos poucos, elas se tornaram mais nítidas.



À Sua Excelência, Príncipe Tariq ai Sayf, Príncipe de Dubaac, herdeiro do trono do Falcão Dourado. Sauda­ções. Certo, ele tinha um título real. Ela não ligava para títulos... referente à nossa conversa anterior... O jargão legal enchia o parágrafo. Madison sentiu a tensão di­minuir. O excesso de termos legais, em geral, resultava no excesso de bobagens. Infelizmente, devo confirmar sua preocupação. Apesar de nossos procedimentos le­gais, alguns erros de significante dimensão... A visão de Madison ficou embaçada de novo. Ela respirou fundo, esperou um pouco e continuou a ler. A FutureBorn re­conhece que o sêmen de Vossa Alteza, príncipe Tariq ai Sayf, que deveria ser preservado para uso pessoal, ou de acordo com a devida autorização, foi inadvertidamente encaminhado à Dra. Jennifer Thomas, e introduzido no útero da srta. Madison Whitney, que reside na...

A carta flutuou até o balcão. Introduzido, pensou Madison ao sentir uma gargalhada histérica morrer na garganta. O esperma dele fora introduzido em seu útero. Ela olhou para Tariq. Ele a observava com fria curiosi­dade. Sem sentir, Madison colocou a mão no ventre.

— Eu disse a verdade, habiba. Não tenho o costu­me de mentir.

Maldito hipócrita! Sua única preocupação era que ela duvidara dele. E quanto às preocupações dela? Ela fora enganada. Ele era apenas o doador, ela, a mulher que desejava ter um filho... Entretanto, a carta dizia outra coisa. Ela releu o parágrafo referente à preser­vação do esperma para uso próprio.

— O que significa isso? Aqui diz que você não pre­tendia doar seu... — Ela não conseguia pronunciar a palavra. — Você não pretendia que sua doação fosse anônima?

— Eu faço doações para os escoteiros, para a con­servação do ambiente... Não para bancos de esperma — ele disse, com um sorriso desagradável.

— Então, por que...

A expressão de Tariq se tornou inescrutável.

— Isso é problema meu.

— Seu problema? — Afinal, ela soltou a gargalha­da histérica que estava presa na garganta. — Seu pro­blema, príncipe Tariq, está dentro do meu corpo! Isso o torna meu problema também.

Para disfarçar, Tariq se serviu de um pouco de chá, que não desejava beber. Precisava de tempo para pen­sar. Devia admitir que a situação era difícil para ela, mas não tão grave como para ele, claro. Ela não ten­tava salvaguardar o futuro de um país, mas, mesmo assim, escolhera um determinado tipo de homem para conceber uma criança, e acabara com quem? Com ele. Algumas mulheres dariam a vida para estar no lugar de Madison, mas ele sabia que ela iria rir se ele lhe disse isso. Ela era corajosa, linda e radiante. Por que recorrera a um banco de esperma? Poderia ter o ho­mem que quisesse. Por que não casara? Por que não pedira o sêmen a um namorado?

— Eu também tenho perguntas — disse ele. — Por que você não é casada? Por que preferiu usar o esper­ma de um estranho?

Ela corou, mas não se mexeu.

— Eu poderia lhe dar a resposta que você me deu: não é problema seu. De que adiantaria? Não sou casada pelo mesmo motivo que recorri a um banco de esperma: não acredito em casamento ou em relacionamentos.

Ele não entendia. Uma mulher que se incendiava nos braços de um homem era feita para o sexo, não para tubos de ensaio... Mas nada disse: queria que ela cooperasse, não podia provocá-la.

— Agora é sua vez, Alteza. Por que procurou a FutureBorn?

Tariq ficou muito sério. Talvez ela tivesse direito a uma explicação.

— Por causa do meu povo. Sou filho do sultão de Dubaac. Meu pai teve dois filhos. Meu irmão, Sharif, e eu. — Ele fez uma pausa. Ainda lhe doía falar do assunto. — Sharif morreu em um acidente há alguns meses. Ele não era casado, e não tinha filhos. Não dei­xou um herdeiro, o que significa que, agora, eu sou o herdeiro do trono do Falcão Dourado. Apesar de pro­curar, não consegui encontrar uma esposa adequada — algo que preciso fazer depressa. Meu pai tem boa saúde, mas ninguém conhece o futuro, e se algo acon­tecesse com ele e depois comigo... — Por que ele lhe contava tudo? A pergunta dela fora simples, a resposta também deveria ser. — Preservar minha semente me pareceu apropriado. — Ele apertou os lábios. — Mas a FutureBorn cometeu um engano. Vim aqui para ten­tar remediar esse erro.

Ela o olhou com interesse.

— Como pretende fazê-lo? — Sua expressão era fria. — Se você pensa que vou fazer alguma coisa para interromper a gravidez...

— Eu jamais pediria que você fizesse isso!

— Ótimo, porque... — Ela viu que ele tirava outro envelope do bolso. — Outra carta? — ela disse com cautela.

Ele sorriu.

— A solução do nosso problema. — Ele colocou um papel sobre o balcão. — Vou pagar suas despesas médicas.

— O quê? Não é preciso. Eu não quero! Esse bebê é...

— E suas outras despesas. Você não vai trabalhar durante a gravidez. Assim que meu herdeiro nascer, você cuidará dele... — Ele olhou em volta como se visse o apartamento pela primeira vez. — Seu apar­tamento é razoável, mas eu preferiria instalá-la num lugar maior...

— Você está louco?

— Um lugar que tenha espaço para uma babá, ape­sar de esperar que você cuide da criança. — Madison riu, e ele ficou furioso. — Você acha divertido?

— Divertido? É assustador. Você é tão bobo quanto parece? — Ela levantou da banqueta, aproximou-se de Tariq e o olhou com ar de desafio. — Escute bem, porque só vou dizer uma vez: esse bebê é meu, não seu. Você não tem nada a dizer sobre minha gravidez, onde moro, o que faço, ou sobre o que vai acontecer depois que meu filho nascer. Entendeu, Alteza? Saia! Saia da minha casa e da minha vida. Você é um ho­mem terrível, impossível. Não quero vê-lo de novo!

— Sou o príncipe herdeiro de Dubaac — Tariq dis­se friamente. — Você carrega meu herdeiro.

— Duvido!

— Dez milhões de dólares. — Madison olhou para ele sem entender. — Está bem — ele disse de maneira implacável. — Vinte milhões.

— Pelo quê?

— É o que pretendo lhe pagar no primeiro aniversá­rio da criança, que então terá idade suficiente para se separar da mãe. É claro que você terá o direito de vi­sitá-la... — Tariq pressentiu o golpe quando ela avan­çou, mas não teve tempo de se esquivar. Ela o acertou no olho, e para sua surpresa tirou-lhe o equilíbrio.

— Seu... seu maldito, miserável, seu desgraçado pomposo! — Madison avançou de novo. Tariq a pe­gou pelos pulsos, o que não foi fácil, porque seu olho latejava. Maldição! Como poderia um fiapo de mulher dar um soco daqueles? Ela se contorcia, lutan­do para se soltar. Ele estava meio cego, e para evitar um novo ataque abraçou-se a ela como fazem os lu­tadores de boxe, prendendo-a contra o corpo. — Esse bebê é meu, seu miserável patético! Não é seu herdei­ro. Não é algo que... se vende! Se você tentar me tirar essa criança, garanto que vai apodrecer na prisão.

— Você é uma mulher inteligente. — Ele tentou pela última vez. — Pense um pouco. Você é jovem, fértil, poderá ter outro filho.

— Que tal você arranjar outro cérebro? Eu quero esta criança. Eu amo meu bebê. Ouviu, sua baixeza! Eu-amo-o-meu-bebê!

Tariq ficou preocupado. Pensara em tudo, menos nesta possibilidade. Ele queria um filho por dedicação ao seu povo. Ela queria um filho por instinto maternal.

Não lhe ocorrera acrescentar o amor à equação. Sua mãe fora uma visão perfumada, que entrava e saía da vida dele e do irmão, que parecia contente com eles, mas... amor...?

— Ama? — ele perguntou.

— Amo — Madison disse com firmeza.

Tariq franziu a testa. Se estivesse em seu país, exi­giria que ela obedecesse, mas estavam nos Estados Unidos e ela tinha uma visão sentimental da realidade. Strickland o avisara de que não havia precedentes le­gais que fundamentassem um processo em que doador e receptora de esperma disputassem a custódia de um nascituro. E agora? Uma longa, penosa e escandalosa batalha legal? A embaraçosa confusão estampada nos jornais? Os abutres da imprensa se alimentariam com o caso durante meses. Sua reputação seria arruinada. Pior: seu pai, seu povo, seu país, seriam humilhados. Não importa como o caso acabasse, seu herdeiro seria motivo de eternas piadas.

Madison ainda se contorcia em seus braços. Ele estava cônscio da maciez de seus seios, do contato de seus quadris, de seu perfume sensual e feminino... A despeito de tudo — da raiva, da intransigência de Madison, da armadilha legal em que se metera — o corpo de Tariq reagiu. Ele começou a ficar excitado. Começou? Ele estava com ereção, e ela sabia. De re­pente, ela parou e olhou para o rosto dele. Tariq tentou interpretar o misto de ira e de medo nos olhos dela, mas foi impossível, porque havia algo mais em seus olhos: desejo. Tariq gemeu, abaixou a mão dela e a fez sentir o estado em que o deixara. Madison deu um gemido abafado e ele a beijou com intensidade. Ela ronronou como um gato e mordeu-lhe o lábio. Ele sentiu o gosto de sangue, de raiva, de algo mais obs­curo e primitivo, e logo a língua de Madison dançava contra a sua, ela o puxava pelos cabelos e retribuía o beijo, agarrando-se a ele. Tariq deslizou as mãos sob o roupão de Madison, envolveu-lhe um dos seios e perdeu o fôlego ao sentir o mamilo que se enrijecia ao toque de seus dedos. Ela gritou baixinho e se apertou contra ele.

— Sim — ela disse em voz rouca. — Sim...

A mão de Tariq desceu pelo corpo de Madison, to­cou seu ventre e acariciou o vértice entre suas coxas. Ela gemeu alto de novo enquanto ele a beijava e lhe abria o roupão. De repente, ela enlouqueceu. Empur­rou Tariq e bateu em seu peito com os punhos.

— Não — disse com voz trêmula. — Não, não! — Ele não ouviu. Não podia ouvir. Sempre obtinha o que queria... — Não! — Ele se afastou com a respira­ção ofegante. Ela já jogara aquele jogo com ele. — Vá embora! — ela sussurrou. Sua voz tremia. — Você me ouviu? Saia!

Tariq olhou para ela e pensou em como seria fá­cil acabar o que começara. Poderia carregá-la para a cama e mostrar-lhe o que acontecia quando se provo­cava um homem até muito além do limite. Entretanto, o preço seria alto demais. Havia uma nova peça no jogo: a criança que haviam concebido juntos sem fa­zer sexo, sem sentir qualquer emoção. A criança que Madison não lhe entregaria e que ele não poderia dei­xar com ela.

Tariq afastou-se, passou as mãos pela cabeça e se acalmou. Quando se virou para ela, seu rosto era uma máscara.

— Eu não vou tirar a criança de você — disse ele em tom rouco e brusco.

— Não — disse ela com convicção. — Claro que não vai!

— O que vou fazer — disse Tariq com seguran­ça — é me casar com você.



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