Profª Camila Pasqual enem —



Baixar 202.45 Kb.
Página3/3
Encontro23.03.2018
Tamanho202.45 Kb.
1   2   3

Gilka Machado (1893-1980) – VOLUME

Século xix. Estado RJ. Atividade: ativista política e dos movimentos sociais. Poetisa, sufragista e feminista carioca, pioneira na utilização do erotismo na poesia feminina brasileira. Fez parte do grupo que fundou o Partido Republicano Feminino, em 1910. Publicou vários livros de poesia, como Mulher Nua e Sublimação. Em 1979, recebeu o prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. A biografia completa pode ser apreciada na obra Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade (biográfico e ilustrado), de Schuma Schumaher e Érico Vital Brasil, Editora Zahar, 2000.

16) (Enem 2011)

Estrada

Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,

Interessa mais que uma avenida urbana.

Nas cidades todas as pessoas se parecem.

Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente.

Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.

Cada criatura é única.

Até os cães.

Estes cães da roça parecem homens de negócios:

Andam sempre preocupados.

E quanta gente vem e vai!

E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:

Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um

bodezinho manhoso.

Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz

dos símbolos,

Que a vida passa! que a vida passa!

E que a mocidade vai acabar.



BANDEIRA, M. O ritmo dissoluto. Rio de Janeiro: Aguilar 1967.

A lírica de Manuel Bandeira é pautada na apreensão de significados profundos a partir de elementos do cotidiano. No poema Estrada, o lirismo presente no contraste entre campo e cidade aponta para:

a) o desejo do eu lírico de resgatar a movimentação dos centros urbanos, o que revela sua nostalgia com relação à cidade.

b) a percepção do caráter efêmero da vida, possibilitada pela observação da aparente inércia da vida rural.

c) opção do eu lírico pelo espaço bucólico como possibilidade de meditação sobre a sua

juventude.

d) a visão negativa da passagem do tempo, visto que esta gera insegurança.

e) a profunda sensação de medo gerada pela reflexão acerca da morte.


Comentário da questão

Alternativa B

Os dois últimos versos do poema (“Que a vida passa! que a vida passa! /E que a mocidade vai acabar“) enfatizam a efemeridade da vida, o caráter transitório do momento percebido na paisagem bucólica e propícia à meditação em que o eu lírico está imerso (“E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar: /Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um /bodezinho manhoso”).




18) ENEM 2013

Até quando?

Não adianta olhar pro céu

Com muita fé e pouca luta

Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer

E muita greve, você pode, você deve, pode crer

Não adianta olhar pro chão

Virar a cara pra não ver

Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus

Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!

GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo). Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).

As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto

a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet.

b) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas.

c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias.

d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.

e) originalidade, pela concisão da linguagem.


Comentário da questão

Alternativa D

A letra A errada. Embora a letra apresente caráter atual, não são identificados termos específicos da linguagem utilizada na internet. A Letra B está incorreta porque, apesar de existirem imagens metafóricas na letra, não são elas as responsáveis pelo cunho apelativo (e sim o uso da interlocução). Já a letra C está incorreta porque, apesar de termos um tom de diálogo (também causado pela interlocução), não há tantas gírias. Logo, a alternativa correta é a D, já que se trata de um rap, escrito em linguagem informal. e/ou linguagem coloquial. Letra E errada, O texto apresenta repetição de uma ideia central, por isso, não se pode falar em concisão.

19) Capítulo III


Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, — primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem o pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços.

ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento).

Mefistófeles :é o nome de uma entidade diabólica nascida durante a Era Medieval, e apresentada como uma das manifestações do mal, companheiro de Lúcifer, seu assessor na apreensão de almas aparentemente puras. Em muitas tradições culturais este ser é associado ao próprio Diabo. Ao longo do período renascentista ele era chamado de Mefistófiles. Na literatura esta personagem está presente nas várias interpretações do mito de Fausto, principalmente na versão imortal do alemão Johann Wolfgang von Goethe.
Teso: tenso, rígido, duro,etc.

Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside:

a) no conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência.

b) no sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes.

c) na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião.

d) na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho.

e) na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.

Comentário da questão

Alternativa A

No trecho extraído de Quincas Borba, nota-se um jogo de contrários construído sobre as qualidades dos objetos domésticos (ouro e prata versos bronze, estatuetas artísticas versos. utensílios) e dos criados (livre versos. escravo, negro versos.. branco, estrangeiro versos. nacional). Tais antíteses expressam as tensões entre aparência e essência que levam Rubião, cioso de seu estado de novo rico, a preferir sempre a primeira à segunda, como se nota na dileção pela prata (em desprezo ao do bronze, figurado em temas universais da literatura) e na opção pelo criado espanhol (em desfavor do crioulo, por quem Rubião sentia afetividade).

20)Enem 2010

Quincas Borba mal podia encobrir a satisfação do triunfo. Tinha uma asa de frango no prato, e trincava-a com filosófica serenidade. Eu fiz-lhe ainda algumas objeções, mas tão frouxas, que ele não gastou muito tempo em destruí-las.

— Para entender bem o meu sistema, concluiu ele, importa não esquecer nunca o princípio universal, repartido e resumido em cada homem. Olha: a guerra, que parece uma calamidade, é uma operação conveniente, como se disséssemos o estalar dos dedos de Humanitas; a fome (e ele chupava filosoficamente a asa do frango), a fome é uma prova a que a Humanitas submete a própria víscera. Mas eu não quero outro documento da sublimidade do meu sistema, senão este mesmo frango. Nutriu-se de milho, que foi plantado por um africano, suponhamos, importado de Angola. Nasceu esse africano, cresceu, foi vendido; um navio o trouxe, um navio construído de madeira cortada no mato por dez ou doze homens, levado por velas, que oito ou dez homens teceram, sem contar a cordoalha e outras partes do aparelho náutico. Assim, este frango, que eu almocei agora mesmo, é o resultado de uma multidão de esforços e lutas, executadas com o único fim de dar mate ao meu apetite.

ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense, 1975.

A filosofia de Quincas Borba — a Humanitas — contém princípios que, conforme a explanação do personagem, consideram a cooperação entre as pessoas uma forma de

a) lutar pelo bem da coletividade

b) atender a interesses pessoais

c) erradicar a desigualdade social

d) minimizar as diferenças individuais

e) estabelecer vínculos sociais profundos
Comentário da questão

Alternativa B. Para explicar a Brás Cubas a filosofia da Humanitas, Quincas Borba valeu-se do frango, que pôde consumir graças a um processo de produção que envolveu o esforço e mesmo o sofrimento de inúmeras pessoas. Essa exposição evidencia que os princípios da Humanitas mostram a cooperação como um processo que visa atender a interesses pessoais.
21) Enem 2012



BARDI, P. M. Em torno da escultura no Brasil. São Paulo: Banco Sudameris Brasil, 1989. (Foto: Reprodução/Enem)

Com contornos assimétricos, riqueza de detalhes nas vestes e nas feições, a escultura barroca no Brasil tem forte influência do rococó europeu e está representada aqui por um dos profetas do pátio do Santuário do Bom Jesus de Matosinho, em Congonhas (MG), esculpido em pedra-sabão por Aleijadinho. Profundamente religiosa, sua obra revela:

a)liberdade, representando a vida de mineiros à procura da salvação.

b)credibilidade, atendendo a encomendas dos nobres de Minas Gerais.

c)simplicidade, demonstrando compromisso com a contemplação do divino.

d)personalidade, modelando uma imagem sacra com feições populares.

e)singularidade, esculpindo personalidades do reinado nas obras divinas.
Comentário da questão

Alternativa D

As esculturas barrocas no Brasil têm forte influência do rococó europeu. As obras sacras de Aleijadinho distinguem-se das demais por apresentar características particulares das esculturas inspiradas nas pessoas do povo. Além disso, as obras de Aleijadinho são marcadas por forte apelo religioso e seguem a tradição da escultura sacra europeia, contudo, o escultor apresentava como singularidade as feições de suas esculturas, modeladas com base no aspecto das pessoas do povo.]


22) Enem 2013

TEXTO I


Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia, à praia, quatrocentos ou quatrocentos e cinquenta. Alguns deles traziam arcos e flechas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam. […] Andavam todos tão bem-dispostos, tão bem feitos e galantes com suas tinturas que muito agradavam.

CASTRO, S. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento).



PORTINARI, C. O descobrimento do Brasil. 1956. Óleo sobre tela, 199 x 169 cm Disponível em: www.portinari.org.br. Acesso em: 12 jun. 2013. (Foto: Reprodução)

Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de Portinari retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da leitura dos textos, constata-se que:

a)a carta de Pero Vaz de Caminha representa uma das primeiras manifestações artísticas dos portugueses em terras brasileiras e preocupa-se apenas com a estética literária.

b)a tela de Portinari retrata indígenas nus com corpos pintados, cuja grande significação é a afirmação da arte acadêmica brasileira e a contestação de uma linguagem moderna.

c) a carta, como testemunho histórico-político, mostra o olhar do colonizador sobre a gente da terra, e a pintura destaca, em primeiro plano, a inquietação dos nativos.

d) as duas produções, embora usem linguagens diferentes – verbal e não verbal –, cumprem a mesma função social e artística.

e) a pintura e a carta de Caminha são manifestações de grupos étnicos diferentes, produzidas em um mesmo momentos histórico, retratando a colonização.

Comentário da questão

Alternativa C

A carta de Caminha é um documento histórico e político, que descreve, sob o olhar de cunho otimista do colonizador, os nativos que aqui os receberam. Por outro lado, a pintura de Portinari destaca esses nativos em primeiro plano, transmitindo suas inquietações e espanto com as embarcações portuguesas que se aproximam. Em outras palavras, A carta de Caminha destaca a visão otimista do colonizador, evidenciada, por exemplo, na informação de que trocaram suas armas por outros objetos, revelando, portanto, a aceitação da chegada dos portugueses; já a pintura de Portinari revela a inquietação dos indígenas diante dos desconhecidos.


23) Enem 2012



LXXVIII (Camões, 1525?-1580)

Leda serenidade deleitosa,

Que representa em terra um paraíso;

Entre rubis e perlas doce riso;

Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;
Presença moderada e graciosa,

Onde ensinando estão despejo e siso

Que se pode por arte e por aviso,

Como por natureza, ser fermosa;

Fala de quem a morte e a vida pende,

Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;

Repouso nela alegre e comedido:
Estas as armas são com que me rende

E me cativa Amor; mas não que possa

Despojar-me da glória de rendido.

CAMÕES, L. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008


SANZIO, R. (1483-1520) A mulher com o unicórnio. Roma, Galleria Borghese Disponível em: www.arquipelagos.pt. Acesso em: 29 fev. 2012.

A pintura e o poema, embora sendo produtos de duas linguagens artísticas diferentes, participaram do mesmo contexto social e cultural de produção pelo fato de ambos:

a) apresentarem um retrato realista, evidenciado pelo unicórnio presente na pintura e pelos adjetivos usados no poema.

b) valorizarem o excesso de enfeites na apresentação pessoal e na variação de atitudes da mulher, evidenciadas pelos adjetivos do poema.

c) apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela sobriedade e o equilíbrio, evidenciados pela postura, expressão e vestimenta da moça e os adjetivos usados no poema.

d) desprezarem o conceito medieval da idealização da mulher como base da produção artística, evidenciado pelos adjetivos usados no poema.

e) apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela emotividade e o conflito interior, evidenciados pela expressão da moça e pelos adjetivos do poema.
Comentário da questão

Alternativa C

Os versos de Camões criam uma imagem idealizada da figura feminina, composta por expressões como “Leda serenidade”, “doce riso”, “presença moderada e graciosa”, etc. Enquanto tela de Rafael Sanzio, destaca o equilíbrio e a proporcionalidade, que se estendem da postura da moça para o espaço ao fundo.



Letra A errada. Não se pode atribuir realismo à pintura de um animal mitológico nem a uma descrição que supervaloriza a beleza da amada.

Letra B errada. Os enfeites mencionados devem ser entendidos metaforicamente. Os rubis e as perlas(“pérolas”) remetem aos lábios e dentes, e o ouro, aos cabelos que caem sobre a pele rosada.

Letra D errada. Mantém-se a idealização da mulher, embora a postura assumida pelo eu lírico seja diversa. Substitui-se a coita de amor pelo discurso contido de exaltação das virtudes.

Letra E errada. Tanto o poema quanto a expressão revelam serenidade e não tumulto inferior.

24) Enem 2009


Gênero dramático é aquele em que o artista usa como intermediária entre si e o público a representação. A palavra vem do grego drao (fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois, uma composição literária destinada à apresentação por atores em um palco, atuando e dialogando entre si. O texto dramático é complementado pela atuação dos atores no espetáculo teatral e possui uma estrutura específica, caracterizada: 1) pela presença de personagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e à ação; 2) pela ação dramática (trama, enredo), que é o conjunto de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das personagens encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho; 3) pela situação ou ambiente, que é o conjunto de circunstâncias físicas, sociais, espirituais em que se situa a ação; 4) pelo tema, ou seja, a ideia que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpretação real por meio da representação.

COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973 (adaptado).

Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo teatral, conclui-se que:

a) a criação do espetáculo teatral apresenta-se como um fenômeno de ordem individual, pois não é possível sua concepção de forma coletiva.

b) o cenário onde se desenrola a ação cênica é concebido e construído pelo cenógrafo de modo autônomo e independente do tema da peça e do trabalho interpretativo dos atores.

c) o texto cênico pode originar-se dos mais variados gêneros textuais, como contos, lendas, romances, poesias, crônicas, notícias, imagens e fragmentos textuais, entre outros.

d) o corpo do ator na cena tem pouca importância na comunicação teatral, visto que o mais importante é a expressão verbal, base da comunicação cênica em toda a trajetória do teatro até os dias atuais.

e) a iluminação e o som de um espetáculo cênico independem do processo de produção/recepção do espetáculo teatral, já que se trata de linguagens artísticas diferentes, agregadas posteriormente à cena teatral.

Comentário da questão

Alternativa C

A construção de um texto teatral proposta pelo crítico pode se desenvolver a partir das mais variadas fontes, tanto uma lenda folclórica como uma notícia de jornal. A definição do gênero dramático refere-se à forma utilizada para se contar uma história — diálogo entre as personagens sem a intermediação de um narrador —, e não ao seu conteúdo. Vale lembrar que o texto teatral pode ter como base produções de outros gêneros.



Letra A errada. Nada no texto permite concluir que o espetáculo dramático resulta de uma ação individual. Ele envolve diversos profissionais, como autor(autores), atores, cenógrafos, diretores, iluminadores ,etc.

Letras B e E erradas. Em um esptéculo teatral, o cenário, bem como os recursos de iluminação e som, são fundamentais para criar a realidade a ser instaurada diante do público, por isso, devem dialogar intimamente entre si, com o tema da peça e com as ações interpretadas pelos atores.

Letra D errada. Nem texto nem o conhecimento sobre o teatro permitem afirmar que a expressão verbal suplanta a expressão do corpo do ator.
25) Enem 2010

A diva

Vamos ao teatro, Maria José?

Quem me dera,

desmanchei em rosca quinze kilos de farinha

tou podre. Outro dia a gente vamos

Falou meio triste, culpada,

e um pouco alegre por recusar com orgulho

TEATRO! Disse no espelho.

TEATRO! Mais alto, desgrenhada.

TEATRO! E os cacos voaramsem nenhum aplauso.

Perfeita.

PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, 1999.

Os diferentes gêneros textuais desempenham funções sociais diversas reconhecidas pelo leitor com base em suas características específicas, bem como na situação comunicativa em que ele é produzido. Assim, o texto A diva

a)narra um fato real vivido por Maria José.

b) surpreende o leitor pelo seu efeito poético.

c)relata uma experiência teatral profissional.

d)descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora.

e) defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral.

Comentário da questão

Alternativa B

O texto “A diva” é um poema narrativo, de modo que o leitor se deixa levar pela cena descrita, imaginando-a em uma experiência teatral, pelo diálogo nela existente. No entanto, como aponta a alternativa B, ao chegar ao final do poema, a função poética surpreende o leitor, ao transformar a simples Maria José em uma diva, por sua atuação dramática de ordem espontânea (ao que parece).

“A diva” é um poema narrativo em que uma mulher comum imagina-se no lugar de uma artista de teatro( diva), imitando sua atuação dramática. Os recursos empregados na composição do texto buscam a estranhamento pela contraposição entre um universo familiar, marcado pela linguagem popular (“ou podre”) e pelas ações cotidianas, e o universo grandioso do teatro, indicado pela impostação da voz e pelos gestos grandiloquentes. Com tais recursos, o poema constrói uma realidade psicológica intensa, surpreendendo o leitor por seu efeito poético.

26)enem 2009



Querô

DELEGADO — Então desce ele. Vê o que arrancam desse sacana.

SARARÁ — Só que tem um porém. Ele é menor.

DELEGADO — Então vai com jeito. Depois a gente entrega pro juiz.

(Luz apaga no delegado e acende no repórter, que se dirige ao público.)

REPÓRTER — E o Querô foi espremido, empilhado, esmagado de corpo e alma num cubículo imundo, com outros meninos. Meninos todos espremidos, empilhados, esmagados de corpo e alma, alucinados pelos seus desesperos, cegados por muitas aflições. Muitos meninos, com seus desesperos e seus ódios, empilhados, espremidos, esmagados de corpo e alma no imundo cubículo do reformatório. E foi lá que o Querô cresceu.



MARCOS, P. Melhor teatro. São Paulo: Global, 2003 (fragmento).

No discurso do repórter, a repetição causa um efeito de sentido de intensificação, construindo a ideia de

a) opressão física e moral, que gera rancor nos meninos.

b) repressão policial e social, que gera apatia nos meninos.

c) polêmica judicial e midiática, que gera confusão entre os meninos.

d) concepção educacional e carcerária, que gera comoção nos meninos.

e) informação crítica e jornalística, que gera indignação entre os meninos.

Comentário da questão

Alternativa A

O trecho da peça Querô, de Plínio Marcos, volta sua atenção à violência da polícia e da sociedade no tratamento dos meninos aprisionados. Ao repetir palavras e expressões, a fala do repórter intensifica a condição de humilhação dos garotos (“com seus desesperos e seus ódios”), sugerindo ser a geradora do rancor que ostentam. A expressão “de corpo e alma”, que se repete associada aos adjetivos “espremido”, “empilhado” e “esmagado”, só pode sugerir que a opressão em questão é de natureza física (“corpo”) e moral (“alma”).


27) Enem
Própria dos festejos juninos, a quadrilha nasceu como dança aristocrática. oriunda dos salões franceses, depois difundida por toda a Europa. No Brasil, foi introduzida como dança de salão e, por sua vez, apropriada e adaptada pelo gosto popular. Para sua ocorrência, é importante a presença de um mestre “marcante” ou “marcador”, pois é quem determina as figurações diversas que os dançadores desenvolvem. Observa-se a constância das seguintes marcações: “Tour”, “En avant”, “Chez des dames”, “Chez des cheveliê”, “Cestinha de flor”, “Balancê”, “Caminho da roça”, “Olha a chuva”, “Garranchê”, “Passeio”, “Coroa de flores”, “Coroa de espinhos” etc.

No Rio de Janeiro, em contexto urbano, apresenta transformações: surgem novas figurações, o francês aportuguesado inexiste, o uso de gravações substitui a música ao vivo, além do aspecto de competição, que sustenta os festivais de quadrilha, promovidos por órgãos de turismo.



CASCUDO. L.C. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Melhoramentos. 1976.

As diversas formas de dança são demonstrações da diversidade cultural do nosso país. Entre elas, a quadrilha é considerada uma dança folclórica por

a) possuir como característica principal os atributos divinos e religiosos e, por isso, identificar uma nação ou região.

b) abordar as tradições e costumes de determinados povo ou regiões distintas de uma mesma nação.

c) apresentar cunho artístico e técnicas apuradas, sendo também, considerada dança-espetáculo.

d) necessitar de vestuário específico para a sua prática, o qual define seu país de origem.

e) acontecer em salões e festas e ser influenciada por diversos gêneros musicais.
Comentário da questão

Alternativa B

A quadrilha pode ser considerada uma dança folclórica porque ela carrega tradições e costumes de determinados povos ou regiões. Segundo o texto, a dança quadrilha teve origem nos salões franceses, sendo posteriormente difundida por toda a Europa e chegando também ao Brasil. Aqui, porém, perdeu-se o caráter aristocrático e a quadrilha ganhou popularidade, sofrendo adaptações regionais.






Compartilhe com seus amigos:
1   2   3


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal