Profª Isabel Cristina Simonato



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powerpluswatermarkobject432686HISTÓRIA

Profª Isabel Cristina Simonato






A REVOLUÇÃO RUSSA - TEXTO BÁSICO
Segundo um dos mais importantes estudiosos da Revolução Russa, o britânico Christopher Hill, ela pode ser considerada o primeiro desafio claro ao sistema capitalista. De fato, a Rússia em 1917, foi o país que ‘recorreu’ e percorreu a via socialista para tentar solucionar as contradições do capitalismo.

Até 1917, o poder político estava nas mãos de um czar, que se apoiava em uma burocracia corrupta cuja principal preocupação era conseguir favores políticos. A base de todo o regime encontrava-se entre a aristocracia rural, caracterizada pela onipotência [que tem poder absoluto e infinito] e pela insensibilidade para com os trabalhadores. Era da nobreza rural que saía a alta oficialidade do exército, ‘braço armado’ do czar e que lhe ajudava a garantir o domínio absoluto sobre o país e sua população. A Igreja Ortodoxa apoiava o regime e atuava junto à população justificando a autocracia [governo cujo poder é absoluto e infinito].

Algumas reformas foram tentadas, a partir da segunda metade do século XIX. Introduziram-se técnicas ocidentais e fez-se a abolição da servidão (1861), o que permitiu condições para o desenvolvimento industrial no país – resultado de grandes investimentos externos –, o que gerou as condições necessárias para o desenvolvimento da classe operária na Rússia.

A partir do governo do czar Nicolau II (1894) verifica-se uma aceleração da industrialização. O avanço industrial das três últimas décadas do século XIX era quase inteiramente financiado pelo capital estrangeiro – principalmente o francês, o que contribuiu para que o processo de industrialização do país assumisse características diferentes daquelas verificadas em outros países europeus.

Como observa o historiador Christopher Hill, em sua obra clássica Lênin e a Revolução Russa,
a esse tempo outra força entrara em cena: o movimento da classe operária criada pela industrialização. O proletariado russo, arrastado de suas pobres nesgas de terra [aqui ele faz referência ao êxodo rural dos camponeses], jogado nas fábricas e minas, grosseiramente mal pago e trabalhando em excesso, depressa tomou consciência de si mesmo em condições as mais propícias à comunhão, à solidariedade de classe, à organização e ao surto de um movimento de massa revolucionária.”
Ao mesmo tempo em que a Rússia desenvolvia sua indústria graças à tecnologia e capital estrangeiros e a luta de classes desenrolava-se incessantemente, “chegava” do Ocidente o socialismo, ideologia que iria encontrar uma grande aceitação no país, tendo em vista a situação de miséria e exploração em que vivia a classe trabalhadora. Mais do que em qualquer país, a máxima de Marx, formulada no Manifesto Comunista de 1848, se aplicava aos trabalhadores russos – estes, “não tinham nada a perder senão os próprios grilhões”.

O marxismo foi difundido na Rússia já em fins do século XIX, quando foi fundado o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Em 1903, o partido dividiu-se em dois blocos: os bolchevistas e os menchevistas. O Partido Bolchevique (majoritário) defendia a organização de uma estreita aliança operário-camponesa, com o objetivo de derrubar não apenas o czarismo, mas também o próprio sistema capitalista. Para os bolcheviques, liderados por Lênin, através da ação revolucionária radical esse objetivo deveria ser alcançado. Para os mencheviques era necessária uma aliança com a burguesia e a passagem progressiva do capitalismo ao socialismo. Acreditavam que era impossível a Rússia sair de uma estrutura feudal para o socialismo, sem que antes o capitalismo tivesse feito progressos sensíveis. Assim esperavam alcançar o socialismo através de reformas dentro do próprio sistema capitalistas – as “reformas progressivas”.

É interessante notar que, nos primeiros anos do século XX, apesar de toda a repressão do regime czarista, cresceram os descontentamentos e a ação dos partidos. As contradições internas e a falta de diálogo e abertura do regime acabariam por levá-lo à derrocada final.

A Revolução de 1905 foi o sinal mais evidente de que a derrocada era apenas uma questão de tempo. Conhecido pela expressão “Ensaio Geral”, esse movimento revolucionário foi resultado de uma ampla insatisfação social e teve, como fator desencadeador, a derrota da Rússia frente ao Japão na guerra de 1904-1905. O desastre militar desencadeou uma onda de protestos contra o regime: operários, camponeses, soldados, marinheiros e até mesmo a burguesia (interessada na liberalização do país) se manifestaram abertamente contra o governo. A extensão do movimento assustou a burguesia (representada pelo Partido Constitucional Democrata – Cadete), que acabou adotando uma posição contra-revolucionária. Após algumas concessões (como a convocação de uma DUMA ou Assembleia Legislativa) e promessas de reformas, o czar terminou esmagando o movimento, reprimindo-o brutalmente. Foi significativa a ajuda de capitalistas estrangeiros, que viam na contra-revolução a garantia da manutenção dos investimentos do país. Os sovietes ou soviets (conselhos de representantes de operários, soldados e camponeses) adquiriram um significado especial durante os acontecimentos de 1905, na medida que foram eles que comandaram as greves em várias cidades industriais.



Em 1914 a Rússia se envolveu na Primeira Guerra Mundial. O envolvimento se deu devido a sua participação na Tríplice Entente e de sua política pan-eslavista, que implicava em apoio aos povos da Península Balcânica. Apesar de mobilizar cerca de 15 milhões de soldados, o conflito acentuava as contradições já existentes. Faltava material e a organização do exército era falha. Diante das seguidas derrotas, cresceram as oposições à participação da Rússia. Legalmente a DUMA se opunha, enquanto que ilegalmente eram organizadas greves nas fábricas e deserções eram estimuladas no “front”.
A ECONOMIA DA RÚSSIA (preço em rublos)




POR VOLTA DE 1914

EM ABRIL DE 1917

1 saco de farinha de centeio

6,50

40

1 saco de farinha de trigo

2,50

16

1 saco de batata

1

7

1 par de sapatos

5 a 8

40

1 feixe de lenha

6

40

Salário médio mensal

43 a 55

90 a 111

Fonte: FERRO, Martin. A Revolução de 1917.
PRODUÇÃO INDUSTRIAL DA RÚSSIA (1913-1921)

PRODUÇÃO INDUSTRIAL


1913

1921

Carvão (milhões de toneladas)

29,2

8,8

Eletricidade (milhões de kW)

2

0,5

Petróleo (milhões de toneladas)

10,3

3,8

Ferro fundido (milhões de toneladas)

4,2

0,1

Aço (milhões de toneladas)

4,3

0,2

Cimento (milhões de toneladas)

1,8

0,06

População de Petrogrado (milhões de habitantes)

2,2

0,7

A situação se tornou insustentável em fevereiro de 1917. A situação econômica não mais era controlada pelo governo. Segundo Hill, os salários nominais na indústria davam para comprar menos de 45% dos gêneros que se adquiriam em 1913. O número de desertores chegou a um milhão e quinhentos mil. Foram instituídos cartões de racionamento e a miséria era enorme. No final do mês foram organizadas passeatas. As tropas que deveriam reprimir as manifestações se confraternizaram com os grevistas, cujas palavras de ordem eram: “Pão, Viva a República, abaixo a guerra!” O governo havia realmente perdido o controle sobre o país.

Com a abdicação [renúncia] do czar, chegou ao fim a autocracia na Rússia. O novo governo estabeleceu uma república liberal-burguesa, de acordo com os interesses dos deputados da DUMA. As decisões do governo contrariaram os interesses dos sovietes e contribuíram para que perdesse o apoio popular. Tais decisões foram:

- anistia [perdão] aos exilados políticos, que puderam retornar à Rússia;

- libertação dos presos políticos que se encontravam encarcerados em prisões do país;

- planos para a eleição de uma Assembleia Constituinte (sempre adiados);

- decisão de que a Rússia deveria continuar a lutar na Primeira Guerra;

- redução da jornada de trabalho para oito horas por dia.

Bem, as medidas não vinham de encontro às aspirações e desejos do proletariado. Segundo o jornalista norte-americano John Reed, que esteve presente aos acontecimentos, “as classes dominantes pretendiam uma revolução unicamente política (...). As massas populares queriam uma verdadeira democracia operária e camponesa.”

A insistência na continuidade da guerra gerou violenta oposição e esta foi canalizada pelo Partido Bolchevique. Para o partido (reorganizado por Lênin que voltara do exílio em abril, beneficiado pela anistia geral) as propostas podiam ser resumidas em: “Paz, Terra e Pão”. Ou seja, retirada imediata da guerra, expropriação dos grandes proprietários, seguida da distribuição de terras aos camponeses e controle das fábricas pelos operários. Entretanto este programa só poderia ser cumprido no instante em que a DUMA, burguesa e reacionária, fosse afastada. Assim, o grito da massa trabalhadora resumia-se em: “Todo poder aos Sovietes!”

Em outubro de 1917 a revolução ganhava as ruas. O Governo Provisório sem o apoio dos sovietes não conseguiu resistir. Com a sua deposição, os sovietes assumiram o poder, com Lênin à frente. Logo a seguir foi eleito um governo operário e camponês, composto de bolcheviques. Os principais decretos do novo governo determinaram:

- expropriação das terras e sua distribuição aos camponeses através dos Comitês Agrários;

- armistício com a Alemanha, que foi assinado por Trotsky em março de 1918 (Tratado de Brest-Litovsky);

- nacionalização dos bancos e investimentos estrangeiros;

- controle operário da produção;

- organização do Exército Vermelho, formado por operários e camponeses;

- o Partido Bolchevique passou a ser conhecido como Partido Comunista.

Em 1918 iniciou-se a guerra entre brancos e vermelhos. Os primeiros (nobres, burgueses e membros da Igreja Ortodoxa) representavam a contra-revolução e contavam com a apoio de potências estrangeiras. Muitos dos generais brancos eram antigos oficiais da monarquia czarista. Os vermelhos (operários e camponeses) pretendiam preservar as conquistas revolucionárias. A Guerra Civil terminou em 1921, com a derrota dos russos brancos.

Durante a Guerra Civil foi aplicado o “comunismo de guerra”, que estabeleceu o trabalho obrigatório e a requisição forçada dos produtos agrícolas.

A partir de 1921, empreendeu-se uma Nova Política Econômica – NEP, que procurou restaurar a economia de mercado. Segundo Lênin era preciso retomar a iniciativa privada, reorganizar a economia e restaurar a confiança. Para tanto foi suprimida a requisição forçada dos produtos agrícolas e restabelecida a distinção salarial. Foi permitida a contratação de técnicos estrangeiros para setores básicos da economia e a entrada de capitais estrangeiros. Com a reorganização econômica estabelecida entre 1921 e 1928, partiu-se para a edificação definitiva do socialismo. Era a fase dos Planos Quinquenais. As principais características dessa nova fase poderiam ser resumidas da seguinte forma:

- desenvolvimento da indústria de base, em detrimento da indústria leve, de bens de consumo;

- coletivização dos campos;

- organização da GOSPLAN – comissão estatal que passou a centralizar o planejamento econômico;

- surgimento das cooperativas ou fazendas coletivas (kolkhozes) e das fazendas estatais (zovkhozes).

Com a morte de Lênin, em 1924, o que se assistiu no plano político foi a luta pelo poder entre Stalin e Trotsky. Com o afastamento de Trotsky e seus seguidores, Stalin impôs o seu poder pessoal na União Soviética até 1953, ano de sua morte.

(RICARDO, ADHEMAR, FLÁVIO. História 2. Minas Gerais: Editora Lê, p. 67-70. Texto adaptado.)


Profª ISABEL CRISTINA SIMONATO

Disciplina: HISTÓRIA

E.E.E.M. “Emílio Nemer” – Castelo/ ES

Blog: belsimonato.wordpress.com

23.abril.2012





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