Programa Radiofônico Filosofia é Liberdade



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  1. O que você pensa sobre a angústia humana?

Muito do sofrimento humano se deve originado de produção mental que se projeta na realidade, muito por vícios e defeitos de comportamentos, ódio represado, medo, inveja e outros sentimentos negativos. Mas não existe mal incurável, e o primeiro passo é essencial a mudança de meio ambiente, que no caso é a própria pessoa. Todos são perfeitos, é que muitos vivem em ilusão e isso não revela a sua alma verdadeira, resultando em tristeza e doença, que parecem linguagem que algo não está certo na vida.





  1. Como vê a filosofia brasileira?

Ainda não tem identidade, sempre comentando a filosofia estrangeira ou sendo influenciada tardiamente pelas novas correntes, como aconteceu com o positivismo, com marxismo e recentemente com existencialismo. Nietzsche faleceu em torno de 1900 e agora vemos muitas revistas na banca e livros sendo publicados no Brasil. Mas temos grandes expoentes, como no ramo jurídico, Miguel Reale e Pontes de Miranda, temos bons em lógica, algumas mulheres filósofas e ainda algo de espírita, Herculano Pires.





  1. Você acha que é possível encontrar a felicidade?

Sim, desde que encontremos a nossa verdadeira natureza, a nossa alma, a existência em si. Vejo que a nossa sociedade estimula a um desenvolvimento desordenado de nossas potencialidades, muitas vezes onde não possuímos talento. A felicidade seria curtir a vida, estar em harmonia com todas as coisas. Mas ainda é necessário um controle mental, paz com família e todas as pessoas, bem como consigo mesmo, o que é difícil com a convivência social. Felicidade é sorrir com facilidade. Vemos assim pessoas que caem e estão sorrindo, perdem e estão sorrindo, ganham pouco e estão sorrindo, pagam as contas e estão sorrindo. Parece que um sorriso subconsciente é necessário.



  1. Ao quê você atribui a incessante busca pela sabedoria?

A busca da sabedoria é mesmo uma condição humana de evolução. Acho que todos de diferentes formas, seja pelo trabalho, pelo cuidado com a família, pela fé, e ainda estudo, podem encontrar a sabedoria, que é mais uma prática para viver de acordo com as leis cósmicas. Fico feliz por falar nisso aqui no programa Filosofia é Liberdade, e agradeço quem teve a audácia, e somente as pessoas de sucesso têm a audácia de ouvir esse programa. Obrigado. Palavras finais


Aprimoramento pessoal

A primeira aula acerca da nossa individualidade passa pelo capítulo de enxergarmos também nossas deficiências, partindo para nosso aprimoramento pessoal em vez de simplesmente nos aceitarmos da maneira que somos. Em Livro “Prazer em conhecer-se” – Regina Maria Azevedo, que escreve sobre inteligência emocional e palestrante, diz que “Somente tendo aprendido a lição acerca de quem somos, tornamo-nos capazes de interagir com o mundo, trocar, aprender”.

Passos para aprimoramento pessoal com inteligência emocional:


  • superar complexo de inferioridade

  • não ser vítima

  • aprender a dizer não

  • combater imagens e ideias negativas

  • aproveitar o tempo

  • perdoar todas as pessoas e a si mesmo

  • agradecer

  • sorrir

  • conversar com as pessoas

  • não ficar preso ao passado, jogar fora o velho e não útil – abra-se ao novo

  • não criticar as pessoas – mas aconselhar se necessário e receber críticas com sabedoria

  • demonstrar sentimentos

  • relacionar-se de forma harmoniosa – aprender sempre

Scarlett Marton (Doutora em filosofia pela USP e mestre pela Sorbonne) no seu livro : Nietzsche: das forças cósmicas aos valores humanos, diz que “Com Goethe, (Nietzsche) partilha a ideia de que é indispensável empenhar-se no aprimoramento individual; como ele, acredita que a melhor maneira de servir a humanidade é entregar-se ao trabalho árduo e penoso de cultivar o próprio espírito. Através da ampliação gradual dos conhecimentos e do contato fecundo com os pares, o indivíduo deve procurar desenvolver, de modo pleno e harmonioso, todas as suas capacidades. Para tanto, é essencial impor-se rigorosa disciplina e sobretudo salvaguardar a liberdade interior, defendendo-a contra qualquer influência opressora”.

Com Nietzsche sabemos que o homem deve buscar o super-homem e o homem menino (já livre do rebanho, da moral de rebanho, que ele combatia). O valor do homem é que ele é uma ponte e não um fim. Nietzsche dizia não sofrer de solidão, mas de multidão. Ele achava a dificuldade era essencial, e a desejava para os amigos. Ficou doente boa parte da vida e soube aproveitar o tempo com o desenvolver de sua obra filosófica, aprimorando-se.

Leonardo Boff fala em dimensão galinha e água, e esse seria o aprimoramento, para o simbólico, aquilo que une, contra a fragmentação do que separa, do diabólico. A galinha cisca e está presa, enquanto a água voa nas alturas de suas aspirações e ideais. O aprimoramento pessoal tem muito disso e compreender que se faz parte do conjunto, da Terra mãe, Gaia e do Céu, morada de Deus Pai. Estar integrado em uma concepção holística de existência, espiritual e mística.

Em livro “Após o capitalismo” de Dada Maheshvarananda, há uma fórmula quase matemática: “A motivação humana é complexa Pr =f (H, P, Ed, Ex, AT, CF, CS, IM) – Incentivo material, cultura de servir, habilidade, personalidade, educação, crescimento futuro, experiência de trabalho e outros”.

Como disse Vicente Velado, um aprimoramento da Consciência e da própria evolução da matéria na Lei da Espiral. Desde o primeiro casal humano, africano e negro, temos aprimorado. Assim formou-se religiões para a religação da criatura com o Criador e aperfeiçoamento do ser para tanto.

Doutrinas orientais pregam esse aprimoramento em diversas vidas, através de processo de reencarnação. Até se atingir Nirvana é necessário esse aprimoramento.

Diversas escolas filosóficas defenderam o aprimoramento do homem. Podemos dizer que todas assim trabalham. Também a Logosofia, o saber e conhecer-se a si mesmo, por si mesmo e com próprios recursos mentais e internos pode contribuir com tal feito. Essa ciência originada há 80 anos com o argentino Pecoche, a fim de que cada um aprenda a pensar e a se livrar da massa e conceitos que não são evolutivos e nem conscientes.

A lição de Augusto Comte talvez se dê também em nível individual, tendo nós passado por uma personalidade teológica, depois em uma ética ou metafísica e por fim em uma científica. Para tanto, antes nós nos víamos sem conhecer, e agora vemos conhecendo mais. Contudo mais racional é que uníssemos forças, pois não podemos deixar de ser o que já fomos. O aprimoramento requer uma visão de totalidade e de soma de paradigmas, não exclusão do passado, para viver um futuro como se estivéssemos numa tábula rasa. Sempre teremos a herança pré-histórica e todas as conquistas genéticas de nossos antepassados na nossa formação, e mesmo a religião não pode ser afastada, apenas adaptada em sua interpretação.

Em meu livro Fonte da Felicidade, em meio a outras reflexões, entendi que o valor das coisas está na escassez, e que valorizamos assim o que não temos. Também que a busca pessoal deve levar a um equilíbrio, que é fim mais louvável a um ser, para a sua paz profunda. E a crise pessoal aprimora o ser, na medida em que provoca a mudança e faz com que uma nova vida seja almejada. Somos filhos de um país adolescente, de um pouco mais de quinhentos anos, e deste modo ainda temos muito a aprimorar.

Outro problema é se pensar errado, o que lembrei nesse livro Fonte da Felicidade, que devemos evitar ideias como nunca, pra sempre e se não ocorrer algo, não vai ocorrer outra coisa e assim por diante. Sendo seres humanos, devemos compreender que aprimorar é preciso, e que a pedra bruta de nossa personalidade está sendo lapidada.

Em minha obra Reflexões Gerais também o ser humano tem de deixar de se coisificar, de se vender, de desvalorizar o semelhante. Não há preço que compre o humano. Aprimorar é humanizar.

O ser humano precisa redescobrir suas virtudes para aprimorar, usar de temperança, prudência, coragem, justiça, caridade, humildade e outras, a fim de que faça a diferença frente ao desequilíbrio e destruição que devoram o ideal humano.
Parte 2
Disse Sêneca (filósofo e tutor do imperador Nero): “De que adianta lotear um terreno se não sei dividi-lo com um irmão?” e “Se és um grande geômetra, mede a alma do homem” e “Mais vale saber o supérfluo que não saber nada”. No Alcorão também há o ensinamento de se procurar o conhecimento: “Procure o conhecimento, nem que seja na China”

Carl Rogers disse: “Compreender o outro é muito importante. Os sentimentos, crenças e atitudes do outro não devem ser julgados.”

Robert Spencer disse: “o objetivo da educação não é saber, mas a ação.”

Willian James também falou que: “Vivemos meio acordados e possuímos muitos potenciais em nossas mentes ainda não descobertos”.

Além da busca acadêmica e de acúmulo de conhecimentos há a necessidade de se aprender a se relacionar harmoniosamente, pois são esses laços que criam oportunidades e reservam por fim o sucesso e mais aprimoramento pessoal.

Ao descobrir a nossa verdadeira natureza, que é a meta na qual falei em meu livro Reflexões Gerais, encontramos o nosso sentido para viver, e trabalhamos com felicidade, encontramos o que almejamos e inspiramos as pessoas a que também encontrem seu aprimoramento pessoal.

Cristianismo e progresso da humanidade

Apesar de receber muita influência da filosofia grega e direito romano, mesmo da cultura romana, não se pode negar que o cristianismo romano cresceu por força do imperador Constantino, a preço de morte e perseguição. Por outro lado, hoje vemos mais a liberdade de se tornar cristão... O que foi um progresso... E a civilização antes da era cristã ainda tinha práticas absurdas de feitiçaria, como morte de crianças e toda a sorte de loucura em receitas e sortilégios.

Outro ponto contra foi a Inquisição, onde a perseguição em processos injustos levou muitos inocentes para a tortura e a fogueira. O absurdo chegava a se basear em uma doutrina de demonologia absurda, onde qualquer desvio de conduta era creditado ao Demônio. Assim pessoas confessavam o que não faziam e não havia liberdade, muito pela própria dinâmica da época, da Idade Média e até começo do renascimento.

Jesus era filho de marceneiro... E não era pobre... poderia ser comparado a um filho de médico hoje... E até sua vida pública deve ter estudado muito. Tudo indica que foi influenciado pelos essênios... Que era um povo que tinha por prática atos como santa ceia, batismo em água e meditação... Mesmo cura e cuidado de enfermos... E não se casavam...

O mérito sempre foi uma ética superior e metafísica, como a caridade e a prática da virtude. Em um mundo de paixões e vaidades, a busca do amor desinteressado e da fraternidade era uma coisa pioneira, antes apenas reservada a filósofos e iniciados. Com o cristianismo isso se tornou amplo e popular.

E muitos santos e “Nossas Senhoras” foram adaptados de deuses locais, de fertilidade, agricultura e tudo mais. Isso foi por um lado positivo, e por outro a falta de respeito a uma tradição cultural. A catequese de jesuítas fazia o que entendia melhor, e ensinou muito. Mas alguns índios já tinham uma moral elevada antes de serem catequizados, e por isso aceitaram aqueles valores que lhes seria ensinado.

Fabre de Olivet em obra “História filosófica do gênero humano”, declara que sobre os cristãos em Roma: “Esses homens, impelidos por uma vocação quase irresistível, alheios a todos os sistemas conhecidos, atacavam os erros do politeísmo, desmascaravam as trapaças dos sacerdotes, as manhas dos filósofos e, simples na sua moral, irrepreensíveis em seus costumes, preferiam morrer a renegar as verdades que estavam incumbidos de anunciar. Esses homens, inicialmente confundidos com uma seita judia, e que eram chamados de Nazarenos, davam a si mesmos o nome de Cristãos, por causa do seu Mestre, chamado Cristo. Seus dogmas eram pouco conhecidos; os cristãos eram considerados tristes e fúnebres; seus sacerdotes, que adotavam a cor preta, falavam do fim do mundo que se aproximava, anunciavam a vinda do Grande Juiz, exortavam a penitencia e prometiam a expiação dos pecados nas águas do batismo e a ressurreição dos mortos. Como eles se reuniam em segredo, em lugares ermos, nas cavernas e nas catacumbas, para ali celebrar um mistério considerado temível, ao qual, não obstante, davam o nome muito doce de Eucaristia”.

A filosofia cristã de amor não luxurioso, perdão, compaixão, fé, caridade, cura de enfermos, expulsão de demônios e fraternidade entre homens diferentes, desde que crentes em Jesus, chegou após momentos de muitos erros, de cultos estranhos, bacanais, sacrifícios e toda a sorte de feitiçarias. Foi mesmo um culto de saber e virtudes, que colocou a razão e o amor no lugar da superstição e do egoísmo humano. Cristo interno e cósmico estava sempre presente. Nem precisamos lembrar de cultos de sacrifícios humanos, presentes em antigas nações, anteriores ao cristianismo.

O mundo progrediu com o cristianismo, mas vemos que também o paganismo não é o mesmo, e as antigas acusações já não tem muito fundamento, uma vez que hoje se pesquisarmos sobre bruxaria e Wicca, vemos que há nessas religiões a busca de amor, de cura, de estudos de poderes mentais, curas, viagens astrais, numerologia e tudo mais. Não há mais sacrifício humano, contrariamente a o que ouvi de uma senhora que comentou o assunto. Assim todos evoluíram, e o neopaganismo é outro também.

Há quem faça críticas severas ao cristianismo. Em meu livro Crítica das crenças mostrei algumas dessas opiniões e geralmente se denunciam cópias de práticas religiosas de outras tradições, falsificações das escrituras bíblicas, questionam a existência de Jesus e tudo mais. Há quem ligue o mundo decadente ao cristianismo, como há quem diga que é a falta de Cristo.

Vejamos a opinião de Marcelo Ramos Mota (Carta a um Maçom): “Os documentos incluídos no assim-chamado ‘Novo Testamento’ (a saber, os Quatro Evangelhos, os Atos, as Cartas e o Apocalipse) são falsificações perpetradas pelos patriarcas da Igreja Romana na época de Constantino, por eles chamado "o Grande" porque permitiu esta contrafação, colaborando com ela. Constantino não teve sonho algum de ‘In Hoc Signo Vinces’. Tais lendas são mentiras desavergonhadas inventadas pelos patriarcas romanos dos três séculos que se seguiram, durante os quais todos os documentos dos primórdios da assim-chamada ‘Era Cristã’ existentes nos arquivos do Império Romano foram completamente alterados”.

Ainda fala o autor telemita, que trouxe a filosofia de Crowley ao Brasil: “Roma tem combatido toda reforma e todo progresso a cada passo, aceitando-os apenas no último minuto, e então fingindo -- aos incautos -- tê-los inventado. A renovação das artes, das ciências, da liberdade humana, jamais veio de Roma; veio dos maçons, dos árabes, dos judeus, da herança pagã redescoberta na Renascença, dos protestantes alemães, franceses e ingleses, das invasões dos piratas normandos e até das hordas de tártaros e turcos: nunca de Roma” (idem).

Já o outro autor, místico Rosacruz, nos revela que até os Templários aproveitaram muito ao conhecer o estrangeiro. Isso foi somado culturalmente, e como na época todos eram cristãos, isso pode ser revelador entre uma simbiose entre o que se tinha por paganismo e cristianismo, o que culminou em uma doutrina já mesclada. Assim entendeu Olivet: “Os cruzados, marchando para a Terra Santa, viram regiões florescentes e cidades magníficas: encontraram na Ásia um luxo de que sequer faziam ideia. A utilidade das ciências e das artes os impressionou; seus preconceitos enfraqueceram, sua visão se ampliou e novas ideias germinaram em suas cabeças. Eles sentiram a diferença que havia entre eles e os outros povos. Várias associações religiosas e guerreiras que se formaram, especialmente a dos Templários, adquiriram, pela iniciação, conhecimentos teosóficos que levaram consigo para a Europa. Houve como que uma fusão de conhecimentos”. (Fabre de Olivet, idem)

A sabedoria dos mestres sempre esteve restrita a um pequeno grupo. Com Yeheshuah, Jesus, isso mudou, e foi em escala mundial a sua sabedoria divulgada, em conjunto com a judaica, do velho testamento bíblico. Isso deu uma base ética à civilização. Vemos hoje uma falta de base moral pelo afastamento das pessoas em relação aos saberes cristãos.


O filósofo e o desprezo do mundo


Nietzsche dizia-se um extemporâneo... Só o futuro lhe pertence.. A sua filosofia era para homens do futuro... Muitos pensadores achavam que a realidade que pode ser percebida pelos sentidos não é a realidade... E o nosso mundo seria assim uma passagem para a eternidade. A filosofia oriental chama de Maya, o mundo é uma ilusão dos sentidos, do corpo. O filósofo anda com a cabeça nas estrelas, exemplo disso foi Tales que caiu em buraco por se concentrar muito no céu..

A bipolaridade - corpo animal e alma, vem evidenciada, e o mundo prefere o corpo, enquanto o filósofo é dedicado ao espírito e a alma. A sua natureza é superar a sua realidade de mamífero evoluído. Gilles Deleuse disse que “todo animal tem um mundo. É curioso, pois muita gente, muitos humanos não têm mundo. Vivem a vida de todo mundo, ou seja, de qualquer um, de qualquer coisa, os animais têm mundos. Um mundo animal, às vezes, é extraordinariamente restrito e é isso que emociona”. Existência de mundos animais específicos - e humanos - o mundo do filósofo é um mundo singular, único.. o carrapato.. o filósofo é como ele, fica amorfo até que algum animal lhe passe e ele possa despertar e sugar esse animal.. Ainda Deleuse: “a maioria é ninguém e a minoria é todo mundo”. A dúvida sobre a democracia.. Por parte dos filósofos.. O mundo que despreza tem uma linguagem, um signo, e o filósofo sabe falar mil línguas.. por isso é desprezado.. ou despreza.. é a diferença dessas linguagens que faz a aversão, espécie de inveja..

Disse Marco Aurélio: “aquilo que não tem utilidade ao enxame não é útil a abelha”. Talvez melhor seria ter dito o contrário, quando a abelha faz o melhor para si e o enxame pode levar a todos para a decadência. Mais útil é a abelha que almeja a sabedoria, e essa erroneamente é a desprezada. O filósofo sofre o desprezo do mundo porque sabe onde vai. Isso já dizia Sócrates, que o filósofo se afasta de dores, terrores, desejos... Enfim, do mundano... É o que o filósofo busca a alma, e a alma não está aprisionada pelo mundo.. Imagino se o corpo já é maravilhoso, quem dera a alma.

Doutrinas de metempsicose, vida além do mundo, também fazem com que alguns desprezem ou sejam desprezados pelo mundo, talvez por imaginarem um mundo melhor, desprezem aquele ou quem viva no mundo que ainda não traduz o seu ideal. Dizia Emerson: “A sociedade não gosta daqueles que a desmascaram”. Por isso o filósofo acaba sendo desprezado pelo mundo, depois geralmente aclamado. É essa relativização de valor que faz com que o mundo mesmo seja em cada momento histórico desmascarado pelos seus erros do passado.

Disse Schopenhauer: “Por toda a parte homem encontra oposição, vive continuamente em luta, e morre segurando suas armas”. Talvez seja mais por defesa, ou por proteção, ou mesmo desprezo. O mundo é um campo de batalha, bactérias, vírus, climas, parasitas.. Tudo parece lutar pela vida. O filósofo luta por achar os melhores pensamentos, os melhores conceitos, esses são seus escudos de proteção.

Segundo Sêneca “a filosofia já ensina como viver de modo correto”. Depende de nossa vontade renascer para nós mesmos. Talvez o mundo ou a nossa herança nos dê alguma origem, mas nosso ser é produto de nossas reflexões, verdades. E idade nenhuma ou dificuldade abala o filósofo.

O filósofo está acima das dificuldades mundanas, ele já é construtor de seu mundo, não escravo de um mundo que o poderia ensinar a pensar, e manipulá-lo. Assim, despreza não o mundo, mas a ignorância. O mundo despreza às vezes o filósofo por não ter ainda o grau de compreensão deste, e por estar bitolada em um pensamento já de costume, em uma visão ultrapassada ou não mais condizente com os novos paradigmas, que surgem a todo o momento.

Talvez o filósofo não esteja em uma camada social certa, ou no tempo certo, a ponto de sua filosofia se tornar senso comum, e aí é desprezado pelo mundo.
Lembra Antonio Gramsci:

“Cada camada social tem seu "senso comum" e seu "bom senso", que são, no fundo, a concepção da vida e do homem mais difundida. Cada corrente filosófica deixa uma sedimentação de "senso comum": é este o documento de sua efetividade histórica”. O senso comum não é algo rígido e imóvel; ele se transforma continuamente, enriquecendo-se com noções científicas e com opiniões filosóficas que penetraram no costume. O "senso comum" é o folclore da filosofia, e ocupa sempre um lugar intermediário entre o folclore propriamente dito (isto é, tal como é entendido comumente) e a filosofia, a ciência, a economia dos cientistas. O senso comum cria o futuro folclore, isto é, uma fase relativamente enrijecida dos conhecimentos populares de uma certa época e lugar.

Wittgenstein disse: “Hay, pues, ciertamente un sentido em el cual se puede hablar en filosofía del yo de un modo no psicológico. El yo entra en filosofía por el hecho de que «el mundo es mi mundo». El yo filosófico no es el hombre, ni el cuerpo humano, ni tampoco el alma humana de la cual trata la psicología, sino el sujeto metafísico, el limite –no una parte del mundo”. (Tratactus Lógico-filosoficus). O filósofo é desprezado porque não é compreendido em seu mundo, pois o eu filosófico não é o homem, nem seu corpo , nem alma. Não uma parte do mundo. Assim há um choque desse mundo com os outros mundos, ou em geral com qualquer “eu filosófico”. Montaigne falava sobre a sabedoria popular, e questionava a dos acadêmicos. Talvez o desprezo seja pelo mundo acadêmico, não pelo filósofo, que muitas vezes trabalha independente.

Estética


A base da estética moderna está em Baugarten (o perfeito no mundo sensível), iluminista e com ensaístas ingleses, entre eles Burke. Em Platão a noção de imitação da natureza (mimese). E a beleza estaria mesmo no mundo das ideias. Bela é a verdade. Em Aristóteles seria a beleza um todo simétrico. E a arte é superior a história. Também que a arte é uma espécie de catarse, de purificação quase ritualística, forma de se harmonizar no espírito. Toda a forma de arte completa o que a natureza não termina. Podemos pensar assim que até o artesanato assim o faria.

Tem três pontos centrais o sentimento do belo, a emoção estética: 1 imediatividade (prazer instantâneo, alegria, leveza, transformação), 2 Gratuidade (não é valorizável o que se sente com a arte) e 3, Desinteresse (a arte pela arte, sem interesse).

Kant leva ao subjetivismo e a noção a priori da arte, o que agrada universalmente e sem conceito. Com Hegel é o produto do espírito e ligada a determinada civilização. Walter Benjamin fala da aura na arte, e do cinema e da fotografia, que criam outra realidade, dá outro significado as coisas.

Para Deleuze a filosofia é a arte do retrato, assim como a pintura. E há um pânico diante da cor, assim como ver pinturas de Van Gogh e Gauguin, que não usavam a cor; começavam com cores de terra. É necessário muitos anos até usar a cor. Em minha filosofia falo de padrões atuais de beleza, como o anoréxico a mulher e o anabolizado ao homem, que são por vezes antinaturais e falsos.

Também falo de filosofia chinesa, ao ver a nossa estética dentro de um padrão de união de duas coisas polares e complementares, yin e yang em todas as coisas, ou a relação entre sujeito e objeto. Ademais, falo de beleza moral, onde o que importa é o caráter, a noção moral de vivência, a que nos serve de exemplo a vida de mestres como Sócrates (não o jogador).



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