Programa Radiofônico Filosofia é Liberdade



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Falo que também é matéria da estética a feiura, e que a arte mais promissora é a feiura. É que o que importa é o sentimento na arte, e a feiura choca, é importante nesse sentido. Também uma arte tanto da ordem, como do caos. A arte caótica leva a uma sintonia a que vemos na física moderna, na mecânica quântica, de partículas estranhas. Toda essa probabilidade de ser e não ser.

E arte é uma espécie de núpcias, o que chamei de consciência do gênero universal. Um homem pela arte procura uma mulher em si, ou algo que leve ele para esse feminino essencial, para esse jogo de um quase cântico dos cânticos. E pela fisionomia vi a natureza animal inserida no humano, desde felina, canina, de ave de rapina, que dá um ar de graça a forma do rosto e linguagem corporal, revelando traços misteriosos de comportamento. É a energia da vida que molda uma espécie de totem no corpo das pessoas. Essa beleza é assim uma forma da natureza espelhar-se em todas as coisas.

Vemos a beleza na moda como uma forma de garantir uma constante comercialização, então a beleza da moda será sempre o novo, algo que deve ser vendido, porque não se pode ficar muito tempo com as antigas indumentárias. Há todo um superficialismo, onde as pessoas perdem seus valores mais sublimes em nome do que apenas o estático poderia garantir. Como somos mudança, um devir, e o envelhecimento exige outra beleza, fato é que há uma confusão estética, quando se a coloca unicamente no culto ao corpo.

Deus e o Diabo


Deus é único, e, o demônio é no máximo uma entidade criada pela coletividade de mentes perversas..dos homens. Daimon é o mesmo que anjo... em grego... e não devemos confundir as culturas e inverter conceitos. O Deus de uma nação dominada se transforma no demônio da dominadora... O dualismo forte e equilibrado surgiu por influência do zoroastrismo, onde Ahrura Mazda, o deus da bondade é equilibrado com Ahriman, deus da maldade. Mas bom e mau dependem de ponto de vista, o que nos faz pensar na relatividade desses arquétipos.

Em várias culturas há uma divindade diferente e tratada com desprezo, talvez por revelar o lado sombrio do ser humano, que deseja sempre condenar um demônio por seus erros e vícios. É mais fácil arrumar o bode expiatório, por sinal, origem do bode Azazel dos judeus que era abandonado no deserto pelos pecados.

Existe o umbral justamente par isso... o inferno. Para tratar os desvios dos homens.. .seus crimes e abusos. Perversões e tudo mais. Mas não são eles que causam, são os homens.. É o engano do homem que acredita em Satanás e isso que Jesus falava a seus discípulos. Pois a descrença é o Satanás... a falsa crença. Etc.. assim como no judaísmo, é o adversário... Satã... palavra que era apenas um adjetivo, não uma pessoa...

Grande parte dos deuses pagãos foram adaptados em santos, os que não eram morais, foram demonizados... basta pensar em um Pã. ou Dioniso... com suas orgias... essas acabaram caindo no carnaval... e os arquétipos ficam vivos... mesmo assim. Vemos várias virgens com características de Atena, Isis, Diana.. em São Miguel há características de Hermes... e assim por diante. Os primitivos foram demonizados, o que não foi ruim, haja vista estarmos em uma evolução espiritual, não sendo mais necessários certos arquétipos.

Mas é o anjo caído ? Lúcifer não há na Bíblia... o que há é uma interpretação da estrela em Isaías.. e assim esse phosphoros . Virou lúcifer... lux ferre (portador de luz).. que não é outra que o do conhecimento e vida.. fogo do céu.. semelhante ao Titã Prometeu, que roubou o fogo do céu e deu ao homem.. o tornando divino.. O mito deve se dar pelas várias histórias em mitologias sobre uma guerra dos filhos dos deuses com os gigantes.. estes últimos filhos de homens do céu com mulheres da terra... fato relatado até na Bíblia.. quando diz que viram as filhas dos homens e tomaram por esposas... são os Assurs lá da religião hindu... não é queda dos anjos... anjos são devas.

E os brincalhões também foram demonizados... basta lembrar de um Exu... que bebe e faz festa ... em manifestações... e até muitos de tradição como na Umbanda o veem com esse sincretismo. Mas falamos em entidades diferentes. Demônios são deuses primitivos.. invocados por ritos de goécia... e técnica, não disponível. Já um Exu é geralmente um espírito de algum desencarnado.. ou cascão astral... este mais em sintonia com médiuns com vícios semelhantes... e inconsciente que vela essa característica.

Outro brincalhão é o Lok da mitologia nórdica.. que era o deus do fogo... e assim ainda muito astuto.. o que nos faz pensar ainda em Mercúrio, naquele episódio onde ele teria roubado vacas ou churrasco de Júpiter. E a esperteza é necessária... O homem com seus erros muitas vezes é o demônio, quando se vê escravo de enganos, vícios e assim coloca em maus espíritos que se atraem por isso a causa dos seus atos. Mas é ele que atrai maus espíritos e não há ligação onde não haver sintonia. É isso que nos protege de seres de baixa evolução.

Mas julgar é ser julgado... e a responsabilidade é o grande desafio da humanidade... e Deus é importante, numa noção cada vez mais superior e em sintonia com as leis cósmicas. Pois o erro é o pior Demônio, bem como se afastar e contrariar as leis cósmicas. No antigo Egito também.. deuses como Set e Tifão foram apagados por certos faraós... em suas representações nas paredes e pedras, mas antes eram venerados e admirados.. dependendo de como são interpretados. São positivos...

O lado sombrio não é outro que o inconsciente, o primitivo e o subconsciente, algo superior.. pois nesse o poder está presente. O homem vê com desconfiança demonstrações de poder.. É que a verdade.. reconhecer as próprias fraquezas aparenta o trás repúdio... e é demonizada, amaldiçoada, assim é com desequilíbrios e patologias que escondem as pessoas. E o Demônio toma a culpa.. a Idade Média que o diga.. tudo era o Demônio ou o pacto com esse ser.. Satã é espírito da oitava hierarquia para cabalistas (beni elohim)... e em livro de Jó apoia o trabalho de provação desse homem... a serviço de Deus.

Mas Deus é único, isso é mandamento. Colocar tanta força no Demônio é querer fundar uma crença ao contrário.. um Deus ex inversus.. colocando de ponta cabeça a lei.. e Lúcifer é um portador de luz... que no início do cristianismo .. um deus romano que estava competindo com Cristo.. e então foi uma forma de derrubá-lo... falando que era o mesmo Satã... e a estrela que cai em Isaías é uma referência a rei Acaz... que era presunçoso.

Diferença há entre aquele que opõe (Satã) e aquele que busca a luz do conhecimento (Lúcifer). Opor não é conhecer, é apenas criticar e fazer uma sombra. Na cabala os demônios habitam a arvore da morte, nas conchas, que ocultam a luz, isso no que chamam “o outro lado”. Claro que cultos sinistros existem... e que pessoas desequilibradas se reúnem em nome de algo... que qualquer que seja o nome.. é mais alimentado por mentes e coletividade... e sua maldade... que um gigante a dominar os homens... em um inferno. Ademais, os homens escolhem o inferno e são os responsáveis, não o Demônio.

Drogas

O ser humano primitivo já usava ervas especiais em rituais xamânicos, desde a noite dos tempos. Também na Idade Média o seu uso era mais ritualístico, em feitiçarias e rituais de magia negra. Existia um colírio feito com substância alucinógenas, bem como um creme que se passava na pele. Daí dos relatos fantásticos narrados ao tribunal da Inquisição. Drogas começam pelas lícitas: o cigarro e o álcool... Mas vemos que alimentação gordurosa, cheia de toxinas, açúcares e toda a sorte de conservantes, também são uma droga, que cedo ou tarde prejudicam a saúde.

Mesmo o café em antigas cafeterias tinha um papel semelhante à droga, e é uma substância forte. Um autor fala que após o uso do café, do seu estímulo a digestão (1 hora) e o intelectual (3 horas) vem uma sensação de tristeza. Isso não é falado, pois lucra-se muito com café e as pessoas preferem colocar a culpa em outras coisas. Ele causa uma espécie de ressaca, semelhante ao álcool. Essa sensação de tristeza pós-café dura de 10 minutos à uma hora. O chá atua pior ainda no pessimismo, em sua ação posterior ao consumo. Ele enfraquece os centros nervosos.

Drogas antigas como o haxixe e o ópio também tem um efeito espetacular e alucinógeno, mas levam o ser ao envenenamento. E eles fazem com que a parte instintiva fique bem mais forte que a vontade, perdendo o ser assim o controle sobre si mesmo.

Parece que a grande parte das drogas estimulam os centros nervosos de forma explosiva, o que cativa, mas o que vai os esvaziando com o tempo e deixa o ser vazio, sem energia, com uma aura pequena e sem proteção astral ou energética. Por isso se fala que a pessoa parece um morto-vivo em estados extremos, é que ela atrai os mortos que com ela se identificam.

Nos anos 50 foram feitas experiências com uso de LSD em pessoas, de forma indiscriminada, apesar de haver algum controle segundo alguns autores. Isso abriu as portas (como falou Huxley em livro... ), portas para outras faixas de consciência e experiência que alguns tinham por místicas.

Vejamos algo a ser relevante: se podemos ter situações de extrema felicidade e prazer sem as drogas, por quê iríamos nos envenenar com elas? E por que ficar com um buraco no cérebro (literalmente, autópsias provam que gera buraco no cérebro...)?

Estudo misticismo há alguns anos e não procuro extremos de sensações, mas se o quisesse, usaria de formas várias de yoga e práticas que já o são usadas por monges e mestres espirituais, gurus, não necessitando de drogas. Pessoas como Krishnamurti, Leadbeater, Motoyama, Gopikrishna e outros já conseguiram experiências divinas, apenas com yoga, exercícios respiratórios, meditação, posições corporais, etc, e chegaram a relatos impressionantes de profecias, telepatia, viagem astral etc.

Abrir portas pode ser trabalhoso, mas é melhor trabalhar para evoluir do que se envenenar e ter a ilusão de um progresso.Vemos que até em bandas e seus ídolos, foi a droga que levou muitos para o fim. Hendrix, Morrison, e tantos outros, recentemente com a bebida na Amy Winnehouse, que parecia ser uma esperança para o retorno de um ritmo já não tão difundido, que é o soul. Mas a arte exige uma fuga da realidade. Isso com qualquer estimulante do sistema nervoso, ou mesmo uma droga que deprime, tudo isso apoia o artista, mesmo um café, cigarro ou álcool, as duas últimas drogas lícitas que matam tanto, que nem sabemos ao certo a quantia, se somarmos acidentes e doenças que resultam da sua utilização.

Segundo pesquisas, enquanto há mais homens usando drogas que mulheres, há também mais homens em proporção que conseguem largar o uso. A faixa etária mais intensa sobre esse uso é a de 25 /35 anos, mas seguindo de perto pela adolescência. Mais solteiros e separados também são usuários. A adolescência é um período de definições e questionamentos, e por tendência leva a no mínimo à ingestão de bebida ou fumo. Não raro alguns apenas experimentam, mas a dependência se ocorre, gera um grande problema.

Certos autores de psicologia falam que o uso do tabaco em muito preenche uma lacuna que surge daquela fase do desenvolvimento da criança, e no adulto isso seria um mecanismo compensatório. As drogas no geral seguem um caminho parecido. Mas comparando ao suicídio, é a pessoa que carrega consigo algo misterioso que a leva para atos extremos que desafiam a sua vida, não o mero fato familiar ou social.

Em um trabalho do centro de informações sobre drogas, existem relatos de usuários. A novela real demonstra: a maioria já usou em torno de 14 substâncias. O crack é a preferida. Foge-se dos problemas e emenda-se o dia e a noite. Muitos se envolvem com roubos e com atividades ilícitas para sustentar o vício e roubam a própria casa. E metade das mulheres entrevistadas disseram que já se prostituíram para comprar crack. E homens usuários acabam até por ter experiências homossexuais por algum interesse pela droga ou dinheiro.

A maconha combinada com o crack parece ampliar seu efeito. E relatos semelhantes de experiências nos levam a pensar até que ponto o ser humano se inferioriza para ter um prazer ilusório e passageiro. Existe uso controlado, mas com muitas atividades sociais e ocupações, como trabalho e relacionamento.

Para se livrar, parece que cada usuário tem a sua tática ou estratégia. Duas dessas são a substituição por outra droga e o afastamento das pessoas de convívio que utilizavam. Outras são ter mais tempo ocupado, e outros pararam de beber, o que atraia o uso de crack. Uso de drogas não deixa de ser uma compulsão.

E índios da América Central já utilizavam o tabaco 1000 anos antes de cristo e maconha 5000 anos, que se usava como remédio para risos. E o chá da folha de coca ainda é usada na Bolívia e no Peru, mas assim pouca cocaína é absorvida. Por fim, em torno de uns 10% dos adolescentes já experimentou maconha.

Estrutura do Cotidiano


O cotidiano é um palco, e as pessoas são atores seguindo um plano em determinada peça, e essa peça é feita por Deus. Nada ocorre sem que Ele não saiba. Mas, a realidade é cheia de símbolos e sinais que ocorrem a todo o momento para alertar e encaminhar as pessoas. Porém no geral estão inconscientes aos acontecimentos que doutro modo poderiam ser previstos, como tragédias ou mesmo uma simples chuva ou estiagem. O afastamento da concepção holística da realidade afastou a compreensão desse cotidiano verdadeiro.

Uma rede complexa existe, onde tudo está ligado a tudo. Não somos independentes e por isso da necessidade da evolução conjunta, onde devemos antes compreender que condenar as outras pessoas. O cotidiano é um universo onde certas almas vibram em uma mesma sintonia e assim parece que devem depender umas das outras.

O cotidiano transformou certos valores, em especial com relação à aparência das pessoas. O que era antes uma roupa vista com desconfiança, hoje é normal. A cor de um cabelo, como o verde ou azul é hoje parte integrante em se sentir aceito em uma tribo. Cada tempo tem seu cotidiano com sua moda e costume específico.

O cotidiano se molda de acordo com a vontade e com a criação mental de determinada coletividade de mentes, mesmo que seguindo uma ideia genial de uma mente mais privilegiada. A estrutura se molda pelas crenças comuns, e os contrários a isso são excluídos, para renascerem em outro grupo ou sociedade.

Os corpos celestes, em especial o Sol e a Lua interferem sobremaneira no cotidiano. Plantas crescem, animais se reproduzem, as marés mudam e as estações se alternam – o cotidiano se torna cíclico e assim a sabedoria antiga se revela e a compreensão de leis naturais traduz essa Alma do mundo.

O cotidiano segue um padrão de dualidade, onde as coisas fazem um jogo de interação e complementação, em duas partículas ou essências que se unem: é o yin e yang dos taoistas, que em conjunto formam o Tao e o equilíbrio. Garantidor da paz e da harmonia. Falei em minhas obras em anos atrás que governos estavam mudando de um padrão masculino para um feminino. E vemos a Dilma na presidência, anos após meus escritos. A estrutura varia de tempos em tempos.

O cotidiano se organiza de acordo com uma realidade onde tipos vestem as suas respectivas naturezas e as coisas se desenrolam em seus fenômenos previsíveis e inexoráveis. A maior parte das pessoas são apenas fantoches de seus impulsos, seus vícios e tendências desequilibradas, ou mesmo sugestões externas e forças invisíveis ainda não explicadas pela ciência.

Uma crise de inteligência nacional reflete uma crise de inteligência internacional – talvez porque a estrutura exija isso. Hoje o que importa é ser polêmico e diferente, mesmo que não tenha qualquer fundamento uma ideia ou conjunto de ideias. Também o dinheiro compra a fama que algo possa dar e a recepção popular faz de uma obra algo aceito ou não em determinada época. Vemos boas filosofias reconhecidas apenas décadas após a morte de seus idealizadores.

Estrutura de um unanimismo da intelectualidade onde o que vale é encher os bolsos, não a verdade x ou y, ou qualquer fim mais nobre. Vivemos em um capitalismo intelectual onde apenas o interesse de satisfazer a massa estimula editoras e mesmo uma divulgação gratuita se vê impedida, haja vista os meios de busca direcionarem qualquer pesquisa em piadas e vídeos engraçados, recordistas de acessos na Internet. A estrutura leva a uma superficialidade nunca antes conquistada na história.

Ao mesmo tempo que as pessoas procuram liberdade em determinados atos, em outros momentos se veem escravas do consumo e de toda uma coleção de bugigangas que empilham em seus armários de troféus de plástico e brilho falso. Vemos uma estrutura mecanoide e virtualizante, onde cada ser se rebaixa a um avatar e alguma interface de relacionamento idealizado, um nada do ponto de vista real. Toda essa sorte de cotidiano leva as pessoas a uma vacuidade existencial que não é natural, e daí de presenciarmos desequilíbrios e doenças como nunca antes, em especial a depressão e a obesidade, epidemias silenciosas e não combatidas, haja vista o consumo falar mais alto.

Tudo é força e o cotidiano revela a interação de muitas forças. Desde a energia aplicada em meios de locomoção, até em nosso próprio corpo, vemos que existe mesmo uma dimensão que nos traça a possibilidade, mesmo que não percebamos o porquê da mesma. Existe um teleologismo nas coisas e a própria história não é algo que está sob controle da maioria das pessoas, sendo passivas. 60% das pessoas não sabe para onde vai e nem de onde veio – e 40% o que faz, sua missão iluminada ou sombria.

Filosofia e cristianismo

Já dizia Pascal: “Os filósofos consagram os vícios atribuindo ao próprio Deus; os cristãos consagram as virtudes”. A crítica de Pascal se dava em face dos Pirroristas, estoicos e ateus. Uns achavam que a felicidade está no interior, na reflexão apenas, outros no exterior, em paixões, e ele dizia que está em Deus, logo tanto no interior como no exterior. “O homem que está com Jesus Cristo está isento de miséria e de vício” (idem). “É o coração que sente a Deus, não a razão” – Contra filósofos que têm Deus sem Jesus...

Santo Agostinho – “é preciso compreender para crer e crer para compreender. Une assim teologia a filosofia”. A fé e a razão então estão unidas para o Bispo de Hipona. Contudo vemos que este já seguiu outras filosofias, como Maniqueísmo e mesmo Neoplatonismo, o que revela uma visão aberta de um místico, não de um teólogo ortodoxo. “O platonismo se converte em cristianismo e se torna filosofia cristã”. Outrossim, escreve várias obras “Contra”, se opondo a diversas doutrinas que não considera cristãs.

Já dizia Kierkegaard: “A compreensão da existência se dá pela fé”. Não pela razão ou inteligência. Este autor que foi fundador do existencialismo, defendia esse existencialismo pela fé. O cristianismo foi questionado e ele não fugia do sofrimento, até mesmo o exaltando na fé cristã. Uma filosofia que leva a que o cristianismo se questione e se renove. Escreveu muitas obras com pseudônimos e acabou vivendo uma vida de certa busca por pureza espiritual. Uma salvação pelo sofrimento. Defendeu sempre a humildade e foi contra a intelectualismo, o que nos faz pensar o porquê de o termos como filósofo e não teólogo. Dizia que o homem tem a razão mas não é nada sem Deus.

Já Immanuel Kant, com sua vida casta e super-ordenada, tentou pregar uma religião baseada na razão, projetando a filosofia até o Cristianismo, ou a razão como primeiro fim da religião. Coloca assim a fé em segundo plano, e mesmo os milagres. Pensava muito que a religião estava mais na razão prática, que tem muito uma influência dos costumes. Na obra “A religião nos limites da simples razão” traça essa filosofia numa busca da boa conduta, unicamente por ser boa. Vemos porém que é o amor de Cristo que nos marcou, e que mesmo com João, Deus é amor, o que nos leva ao cristianismo puro.

Tomás de Kempis disse que “Certamente no dia do juízo não se nos perguntará o que lemos, mas o que fizemos”. E disse que “A ciência do mundo é vã, frente a Jesus Cristo”. Assim poderia se entender a filosofia. Esse monge teve grande influência e leva a um cristianismo separado da filosofia. E pela sua época talvez as coisas eram diferentes, mesmo por ser monge beneditino.

Já em Leonardo Boff, sua filosofia sempre há menção ao cristianismo, por ser mesmo um teólogo da libertação e pelas suas críticas. Defende assim um cristianismo não de dominação e conquista, como antes havia, mas de diálogo e libertação, em união com outras fés. A fé é diferente assim da religião, para Boff. Enquanto a fé é a experiência do mistério, a religião é apenas a interpretação desse mistério. Assim antes fé que religião, por não ser regional, por ser universalizante. E a filosofia é universalizante, mais um ponto em comum entre as duas.

Ainda Místicos Cristãos estavam em sintonia com a filosofia. Assim podemos pensar nos teósofos cristãos e mesmo nos martinistas, como Jacob Böehme e Saint Martin, que têm doutrinas bem interessantes, aproximando a filosofia do cristianismo.

Jacob Böehme era chamado de o Príncipe dos Filósofos divinos, e teve uma epifania já na sua juventude, sendo assim sempre rodeado por experiências místicas. Ele mesmo disse que não buscava o conhecimento, mas sim a Deus e Jesus Cristo. De origem protestante, teve aparentemente influência de gnose e teosofia, o que confirma mais uma vez a sintonia entre filosofia e cristianismo em suas diversas obras. Percebe-se por sua linguagem em algumas obras que o mesmo tem influência também da alquimia. Disse: “Não pretendo afastar os homens do Verbo... Meus escritos pretendem conduzi-los de uma mera crença histórica para uma fé viva, ao próprio Jesus Cristo. Toda pregação e ensinamento é inútil se não passar de conversa, e se o pregador ou mestre não tiver o poder de Cristo, se não é o Cristo propriamente dito por meio do Verbo que age dentro daqueles que ensinam e daqueles que ouvem”.

Já Saint Martin, era chamado de “o filósofo desconhecido”, e isso também pode ser chamado de incógnito. De corrente semelhante a Jacob Böehme, este pregava a reintegração através do caminho do coração de Cristo, e assim se baseava na doutrina da queda e na reintegração através do Verbo. Assim o homem se tornava um Novo Homem, pelo caminho que na prática tem especialmente a prática da oração, mas também encontra em suas práticas a teurgia e estudos de filosofia, em especial a sabedoria dos números e uma geometria sagrada. Também muito conhecimento de cabala está em sua obra. Vê-se assim em Saint Martin a influência de uma mística dos números, possivelmente do pitagorismo. Com Pitágoras voltamos à origem da Filosofia e agora por esse autor, sintonia com o cristianismo. Sua doutrina continuou com o chamado Martinismo, que é uma espécie de misticismo judaico-cristão de influência templária, maçônica e rosacruciana.

Teoria Quântica

As partículas são influenciadas pela consciência da pessoa, logo criamos muito do mundo material. Amit Goswami, em O Universo Auto Consciente: “Como a Consciência Cria o Mundo Material, argumenta que a existência de fenômenos paranormais é apoiada pela mecânica quântica [...] fenômenos físicos, tais como a clarividência e as experiências fora do corpo, são exempos da operação não localizada da consciência... a mecânica quântica dá sustentáculo à tal teoria fornecendo um apoio crucial para o caso da não localidade da consciência”. (Goswami 1993, 136)

Contrariamente, segundo a Sociedade da Terra Redonda, de cientistas ateus, isso nada mais é que um charlatanismo quântico. É uma moda de física mística, por influência de Fridjof Capra.

O caminho do meio talvez seja a resposta, uma vez que não atravessamos paredes, mas nem por isso se deva negar a influência da consciência na matéria.

A mecânica quântica obtém sua qualidade indeterminística, geralmente expressa em termos do princípio da incerteza de Heisemberg. Em geral, o formalismo matemático da mecânica quântica pode prever apenas distribuições estatísticas. Usa-se de probabilidade para se encontrar uma partícula, tendo em vista a incerteza.. de Heisemberg.



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