Programa Radiofônico Filosofia é Liberdade



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Assim eles seguem Capra ao imaginar que a mecânica quântica une a mente com o universo. Mas o nosso senso interno de “profunda unidade com o cosmos” é dificilmente um indício científico.

A interpretação convencional da mecânica quântica, promulgada por Bohr e ainda mantida pela maioria dos físicos, não diz nada sobre consciência. Ela se preocupa apenas com o que pode ser medido e que predições podem ser feitas sobre como as distribuições estatísticas de conjuntos de medições futuras. Como notado, a função de onda é simplesmente um objeto matemático usado para calcular probabilidades. Superou assim a doutrina de determinismo, de Laplace.

“A hipótese dos quanta explicava muito bem a emissão observada de radiação por corpos quentes, mas as suas implicações no determinismo só foram compreendidas em 1926, quando outro cientista alemão, Wernaqer Heisenberg, formulou o seu famoso princípio da incerteza. Para predizer a posição e a velocidade futuras de uma partícula, é necessário poder medir com precisão a sua posição e velocidade atuais. A maneira óbvia para conseguir este resultado é fazer incidir luz na partícula. Algumas das ondas luminosas serão dispersadas pela partícula o que indicará a sua posição. Contudo, não conseguiremos determinar a posição da partícula com maior rigor do que a distância entre as cristas das ondas luminosas (3), de maneira que é preciso utilizar luz de onda curta para medir com precisão a posição da partícula” (STR).

Heisenberg mostrou que a incerteza quanto à posição da partícula a multiplicar pela incerteza da sua velocidade e pela massa da partícula nunca pode ser menor do que certa quantidade, que é conhecida por constante de Planck.

Frase de Bohr para Einstein: “ser, não ser ou talvez ser? eis a questão”. Einstein não aceitava a imprevisibilidade. Altera a lógica e seu princípio da não contradição. Agora mais próxima da lógica oriental.

“O princípio da incerteza teve implicações profundas na maneira como víamos o mundo. Mesmo depois de mais de cinquenta anos, ainda não foram devidamente apreciadas por muitos filósofos e continuam a ser objeto de grande controvérsia”. (Stephen Hawking)

A regra é a probabilidade. Não se pode predizer acontecimentos futuros no Universo - nem o nosso atual 2012 e seus defensores apocalípticos. “Em geral, a mecânica quântica não prediz um único resultado definido para cada observação. Em vez disso, prediz um número de resultados possíveis diferentes e informamos sobre a probabilidade de cada um”. (Hawking)

Segundo Danah Zohar em seu livro “O Ser Quântico”, existe toda uma mudança, assim uma identidade quântica, uma psicologia quântica, responsabilidade quântica, cosmovisão quântica etc. Entendo que em verdade ao homem nunca foi dada a certeza, mas esta estava reservada a Deus, somente. Mesmo o darwinismo apesar de observar evolução do passado, nem por isso determinou o futuro. A ciência cai em suas limitações, e mesmo comparando-se com os mistérios dos antigos, como a dos egípcios, perde em sabedoria.

"Como", pergunta-se Bertrand Russell, "pode o homem, num mundo tão alienígena e desumano, manter suas aspirações imaculadas?" Mudanças de crenças e de valores – Nietzsche? Matéria= onda+partícula (antes só importava a partícula). Ou se mede a posição ou sua velocidade. Não ambos (partícula e onda). Uma leitura nublada. Parece tudo ter virado um constante vir-a-ser. O Gato de Schrödinger está vivo e morto ao mesmo tempo.

Literatura e filosofia

A literatura guarda em si grande ralação com a filosofia, sendo Homero e Hesíodo citados por filósofos gregos, bem como alguns poetas. Vemos que se pensarmos em Freud, ele dependeu muito da literatura e das mitologias para fundamentar as suas teorias, como o Rei Édipo de Sófocles, que usou para seu complexo de Édipo, com uma visão psicanalítica do tema, bem como Electra etc.

A influência dos clássicos sempre esteve presente na vida dos filósofos. Basta se ler a biografia de qualquer pensador para se perceber a vasta leitura que geralmente possuem, de obras clássicas de várias regiões do mundo. Muitas dessas obras até fundamentam ideias e refletem o seu tempo, a cosmovisão e o filósofo tem de levar isso em conta. Sem esses clássicos não se é possível compreender muitos pensadores, por exemplo Nietzsche cita Goetche, nem Platão sem saber de Homero, Hesíodo etc.

Roland Bartes fala que a literatura tem de exprimir o inexprimível, retirar do mundo uma outra fala, uma fala exata. Quem escreve deve saber que começa uma concubinagem com a linguagem. Escrever não é afirmar, é espantar-se. Escrever faz o autor, pois antes e fora de escrever o autor está morto.

Voltaire escreveu muitos contos e lembro de ter lido alguns onde as denúncias e a crítica me aproximaram de certos temas, como o que ele fala sobre a religião e sobre certos poderes ligados a ela. Interessante são obras como O Cândido, O Inocente e O Ingênuo, onde o herói reflete a ética cristã e sofre com o mundo, onde todos o enganam, onde ele sofre e mesmo assim persiste.

Vemos na obra de Dostoievski, Crime e castigo também um questionamento ético na vida de Raskolknikov, onde o aspecto social e os acontecimentos da vida levam a certo comportamento, seja este amoral, ou imoral, e também faz que pensemos até os atos são de certa forma condicionados pelas dificuldades da vida. Se a namorada dele perdoou pelo crime, por que o mundo não poderia perdoar? E por fim se busca a redenção pelo evangelho.

Há um livro sobre José Saramago, Lanzarote II, onde se fala sobre os pensamentos do autor em suas obras, e a tônica de se tratar do tema da justiça e a luta humana por uma conquista da mesma. Diz Saramago que apenas a literatura não transforma a sociedade, mas se tem de perguntar quem é o autor dentro da sociedade? Não se pode negar que obras como “Em nome da Rosa” e “O evangelho segundo Jesus Cristo” são muito marcantes.

Também Franz Kafka, o tcheco de língua alemã, em sua obra Metamorfose choca e faz um questionamento sobre a existência do homem moderno, com sua constante incerteza frente à vida e que na barata nos leva a um sentimento de nojo. Toda a alienação desse homem reflete algo também que se repete em outras obras do autor, como em O Processo, onde já existe condenação e não se sabe a causa, o que nos faz pensar no pecado original, onde todos já seriam condenados sem saber. Vejo a obra de Kafka como um surrealismo, o que pode ser de grande auxílio na filosofia do nosso tempo.

Mas rupturas e revoluções são necessárias, e a literatura não fica de fora disso. Basta perceber o estilo de um Boudelaire ou um Roubeau para ver que mesmo em boêmios vemos a presença da filosofia, por uma nova forma de se tratar com a própria linguagem. Um outro modo de perceber a realidade. A filosofia também sempre recontou a realidade, deu um novo aspecto a coisas que as pessoas já entendiam como prontas e acabadas.

Nietzsche falou que escrever melhor é ao mesmo tempo pensar melhor. Diz que para o leitor o inconveniente é elogiar uma segunda obra pela primeira (percebemos que a editora vendendo bem força o autor a escrever alguma continuação...). E ele fala que o autor que mostra muito o espírito parece não o possuir. Também que o livro medíocre agrada a maioria. E que o bom pensador encontra nos leitores que sentem como ele a alegria de pensar bem – e o livro pode ser assim um verdadeiro consolo para a alma. E o autor deve calar-se quando a obra se põe a falar. E que livros honestos tornam o leitor também honesto. Ademais, que o bom livro encontra o defeito da novidade.

E lendo uma revista sobre os grandes erros da humanidade, ao lado da bomba atômica e outros, um dos grandes erros foi a queimada de livros e a proibição da liberdade de expressão. Basta lembrar a Inquisição, o Nazismo e a destruição da biblioteca de Alexandria, para nos entristecer profundamente.
Locus da filosofia (Filosofia citadina)

A filosofia grega apesar de não ligada à teologia, teve forte influência dos mistérios egípcios, uma vez que filósofos estudaram e frequentaram a terra das pirâmides. Ainda Pitágoras esteve na Índia, Babilônia e outros lugares, refletindo assim sua filosofia entre pensadores gregos. Vemos que grande parte dos pensadores vieram mesmo entre uma certa elite, alguns não trabalhavam, eram sustentados pelo Estado ou Igreja, como Patrística e Escolástica.

Cada grupo social "essencial", contudo, surgindo na história a partir da estrutura econômica anterior e como expressão do desenvolvimento desta estrutura, encontrou - pelo menos na história que se desenrolou até aos nossos dias - categorias intelectuais preexistentes, as quais apareciam, aliás, como representantes de uma continuidade histórica que não fora interrompida nem mesmo pelas mais complicadas e radicais modificações das formas sociais e políticas.

Disse Gamsci: “A mais típica destas categorias intelectuais é a dos eclesiásticos, que monopolizaram durante muito tempo (numa inteira fase histórica que é parcialmente caracterizada, aliás, por este monopólio) alguns serviços importantes: a ideologia religiosa, isto é, a filosofia e a ciência da época, através da escola., da instrução, da moral, da justiça, da beneficência, da assistência, etc. A categoria dos eclesiásticos pode ser considerada como a categoria intelectual organicamente ligada à aristocracia fundiária: era juridicamente equiparada à aristocracia, com a qual dividia o exercício da propriedade feudal da terra e o uso dos privilégios estatais ligados à propriedade”. (Intelectuais e a organização da cultura)

Mesmo com o nosso Estado não sendo teocrático, uma vez que a filosofia grega cresceu nesse modelo, porque não temos um mundo filosófico comparado ao da Grécia antiga? Vejo que a filosofia não é uma questão de lugar, nem de forma de governo, mas de época propícia. Parece que é uma energia que ganha vida em determinado período, e que nós filósofos somos em maior ou menor grau porta vozes conhecimento potencial.

O filósofo não é alguém que reflete ou contempla, mas alguém que cria conceitos. Isso exige muito trabalho. E em Gilles Deleuze, também para ele a filosofia grega se baseia na rivalidade. A filosofia não pára e sempre há lugar para criar conceitos. Pergunta: Em qual lugar o filósofo cria conceitos? De quem é rival em tempos atuais? A filosofia almeja o infinito, não depende de lugar.

Heidegger disse: “O ocidente e a Europa, e somente eles, são na marcha mais íntima da história, originariamente filosóficos” (O que é isto: filosofia?). Mas não existiu antes uma filosofia oriental? Por que os gregos falaram que pelo espanto se chega a filosofar? Há na Grécia antiga mais espanto que em outros períodos na história? Um lugar espanta mais que outro, no sentido de fazer com se filosofe mais?

Nietzsche falou que a idade de um homem se revela em sua filosofia. Assim Schopenhauer demonstrava sua juventude melancólica, diferente da concepção de homens de mais idade. Já Platão em torno dos 30 anos, onde correntes quentes e frias se encontram levando nuvens e revelando um arco- íris.

Montesquieu falou que os antigos germanos habitavam um local onde as paixões eram calmas. Isso influenciou nas leis. Também posteriormente parece ter se revelado em uma abundância filosófica, na Alemanha. O calor parece trazer consigo a sensitivo, já o frio traz a introspecção, a penseneidade, pensatividade, o que colabora para o filosofar. Pergunto: O local não revela a filosofia do filósofo que se encontra nesse espaço?

Já dizia Ralph Waldo Emerson: “ser grande é ser mal-compreendido”, referindo-se a Jesus, Lutero, Galileu e outros. Poderia ter se referido a qualquer filósofo. E poderíamos acrescentar: ser grande é ser mal-compreendido no seu tempo e na sua terra. Logo o locus filosófico é a própria definição da Utopia, de Morus e Platão, ou seja: lugar nenhum. O filósofo é um cidadão do Cosmos, da totalidade, um livre pensador, e para ser filósofo não há lugar de limitação, nem algo que perverta a sua natureza.


O outro eu


Parece que possuímos um eu agora, mas também um eu que se esconde. Esse eu que se esconde ou é superior, ou é inferior, e isso relacionado a porções do nosso cérebro que ainda se desenvolverão, e a porções que já ficaram para trás na cadeia evolutiva, na noogênese.

Vemos também que esse outro eu pode ser uma máscara não usada, assim como o eu normal pode ser uma máscara. Mas o que está escondido e porque esconder? Fica claro que esse outro eu é sempre algo um tanto vulnerável, frente ao mundo competitivo e as exigências sociais. Se esse outro eu chora com mais facilidade, se é mais emotivo, fica fraco frente às exigências competitivas do mundo capitalista e materialista. Também um outro eu místico pode ser tratado como louco, e assim ele apenas se revela em momentos propícios, como em religiões e escolas esotéricas, entre outros meios.

Se lembrarmos de Freud, podemos perceber que há um eu instintivo, ligado ao Id, um eu social ligado ao ego, e um eu místico, ligado ao superego. Sabemos pela neurociência e pela biologia que possuímos partes de nosso cérebro semelhantes a de mamíferos e de répteis, e assim guardamos porções evolutivas das espécies no nosso cérebro. Hormônios são secretados e o eu também pode mudar de acordo com certa condição corporal ou mudança de desenvolvimento, com ciclos sexuais e mesmo com a busca de um prazer ou frustração. Assim podemos pensar na dopamina, serotonina, adrenalina e outros, que geralmente são relacionados a chocolate e a esportes radicais.

Também esse outro eu ele tem uma função pré-social, uma vez que falamos com nós mesmos antes de falarmos com outras pessoas, ou falamos tanto quanto. Isso virou tema de um filme recente, chamado A Outra Terra, e parece que sempre há a alusão de que pode haver uma vida melhor dentro de nós mesmos, se tratando mais de opções e de uma busca mesmo através da vontade. A vontade parece construir o nosso destino, junto a possibilidade. Claro que o eu do gênio é um outro eu para o comum da sociedade, e isso sim que é base de desenvolvimentos posteriores.

Dividimos o nosso eu em relacionamentos, e isso faz de nós pessoas mais humildes, não que não tenhamos a totalidade, mas que para certas situações e mesmo na realidade material a interação de corpos bioenegéticos parece ser o fundamento da dança da vida. Há um outro fora, além de objeto, mas um outro que pensa, um outro que faz parte de nossa mente, que nos adiciona pensamentos, e que troca sentimentos. Essa interação forma tudo o que se tem por magnetismo, pois o outro tem uma relação mágica com o ser, partilhando de sua essência. Um dos principais meios de se superar males psicológicos é se envolver com companhias, relacionamentos e assim se desviar de pensamentos repetitivos negativos e mesmo mórbidos.

Mas devemos compreender esse outro eu. Isso se torna difícil pelas nossas idiossincrasias, que nos levam a condenar ou a aprovar em demasia determinadas pessoas ou manifestações de eus, e isso envolve muito a tolerância. O outro eu pode em muito revelar parte de nós, e assim para que compreendamos que somos parte de tudo, e que aquilo que condenamos no outro talvez seja a parte escondida de nós mesmos. Por isso da máscara que não se quer mostrar.

Também o mal e mesmo o Demônio, que tanto procuramos fora e condenamos, esteja dentro de nós mesmos. Essas são lições do adepto, que percebe ser ele a origem de um modelo de universo e que os inimigos a vencer estão enraizados, não tão longe quanto o comum da população imagina. Isso talvez seja a subpersonalidade inserida nos nossos gens, daqueles antepassados pré-históricos, onde a moral não se via tão traçada como hodiernamente. Assim trazemos a herança de muitos crimes, mesmo que perdoados pelo tempo que passou.

Um outro eu guarda um outro mundo e um outro destino. O comportamento é a chave, apesar de que não está apenas inserido em dimensões estanques. A visão da totalidade é o segredo e isso engloba todas as metanarrativas, não apenas duas ou três. Logo mudando-se a roupa, cuidando-se do corpo, se maquiando, falando de um modo ou de outro, tudo transforma o destino. Isso serve para todas as áreas da vida, porque os pré-conceitos já prontos gostam de padronizações, e as pessoas julgam de forma apriorística. Antes da mera aparência, magreza ou musculatura, o comportamento parece ser a forma de como o mundo irá julgar esse eu.

O eu é um somatório de muitos eus. Podemos assim ser atores na vida, claro que não com mentira ou falsidade, mas porque possuímos mesmo muitas personalidades e porque isso nos faz entrar no sentimento alheio, na alma de tudo. O eu é amor, porque nascemos do amor e parece que buscamos isso, talvez estando mais em nós mesmos. E a vida mesma é um outro eu, um eu maior que interage de modo que temos o palco existencial, o palco do nosso gênio. E descobrir esse gênio revela o que de melhor possuímos, pois revela os nossos talentos e nossas virtudes, quase poderes mágicos. Isso não se refere apenas à inteligência.

Obesidade

Primeiro que obesidade é doença, mas ser gordo é natural. Segundo antigos, o chamado gordo é a pessoa que reflete o temperamento chamado de fleumático, e assim é um ser feliz e bem humorado, um pouco preguiçoso, mas de uma constituição que reflete em grande parte o elemento água. Em comparação ao melancólico, os olhos do gordo fleumático brilham, quando os do melancólico são sem brilho. Então o defeito é mais do preconceito. O fleumático é divertido e bondoso, não sendo o pior temperamento. O problema é que a água busca a forma esférica. O melancólico sim é muitas vezes hipocondríaco e desenvolve doenças pelo seu pessimismo, mesmo sendo o tão aclamado magro. Claro que o ideal talvez seria o equilíbrio desses temperamentos, com o colérico e o sanguíneo, um mais atlético e outro mais artístico.

No livro Teoria psicanalítica das neuroses, Otto Fenichel diz: "A obesidade na infância representa transtorno da personalidade, transtorno em que o tamanho corporal excessivo vem a transformar-se no órgão expressivo de conflito”.

Pela medicina chinesa o transtorno da criança é na verdade um transtorno da mãe, que guarda mágoas e culpa em excesso e que não consegue perdoar. Controladora e superprotetora em excesso, ainda. E o filho de até sete anos reflete ainda essa obesidade.

Se for o pai, em idade posterior a criança será obesa.

A solução, além de comer menos e fazer exercícios, é ainda buscar um equilíbrio emocional e psicológico. Os alimentos aos quais buscamos também são reflexo do que pensamos, e influem muito em nosso estado emocional. Pessoas que gostam de temperos fortes gostam de desavenças, e são um tanto guerreiras. Pessoas que gostam de alimentos gordurosos são pessoas hipersensíveis, que se magoam com facilidade e que são apegadas, ainda colocando-se na posição de vítimas.

Então não se trata do alimento, mas do comportamento das pessoas que as leva ao ganho de peso e a vestir determinada linguagem corporal. E os alimentos refletem a personalidade e têm sua personalidade. Os alimentos têm um significado psicológico. Isso nos lembra Cristina Cairo, que foi uma das principais fontes para o que falei. Há método avançado para encontrar inclusive perfil psiconutricional. Há um autor chamado Paulo de Tarso que trata doentes com esse método alimentar. Eis: Pessoas que comem muita carne bovina têm necessidade de se fixar em suas atividades, uma vez que o boi come raízes. A busca da carne suína reflete a alimentação de qualquer coisa, a busca de satisfação sem limite ou critério de seleção. Chocolate é forma de obter prazer sem necessidade de retribuição. A laranja traz felicidade, e é buscada inconscientemente para quem quer suportar pressão emocional Macarrão é rotina e dificuldade para a mudança.

Buscar alimentos naturais e menos processados fará uma grande diferença, mas antes se deve ter a paz interior, para assim refletir o apetite real por esses alimentos. Arroz integral, açúcar mascavo, pão integral, cereais, soja, frutas e verduras, tudo isso colabora no exterior, mas antes o ser tem de lidar com suas emoções destrutivas, sob pena de não se adaptar a essa alimentação.

Melhora-se à medida que se trabalha o interior, e assim não se necessita alimentos tão temperados, apimentados, gordurosos ou mesmo carne, que é alimentos a custa de sofrimento de outro ser. O ideal é que se comesse menos carne, ainda mais que a carne tem muitos hormônios artificiais. A alimentação vegetariana está isenta de colesterol. E nos alimentamos de pensamentos e emoções.

Há certos pesquisadores que entendem ser a obesidade uma mera imagem corporal que a criança faz ao se apegar a determinada pessoas a que é muito ligada, e assim reflete esse corpo em sua vida. Não depende de nenhuma forma do que se come ou de alimentação. Assim trabalhando esse padrão psicológico, se pode alterar o corpo, comendo-se as mesmas coisas que sempre comeu. Em verdade percebemos que é a forma que o corpo absorve a comida que importa, não a comida, uma vez que se as impurezas forem rejeitadas, não há prejuízo ao se comer a gordura.

E a gordura corporal é necessária para o aquecimento e equilíbrio fisiológico, para a proteção dos órgãos internos em quedas e mesmo o equilíbrio hormonal. Em uma moça anoréxica a primeira coisa que acontece é a interrupção da menstruação.

Outro extremo são os distúrbios alimentares pela busca do corpo perfeito e pelo padrão de beleza ilusório. A anorexia e a bulimia assim se multiplicam e um modelismo faz do ser humano algo recortado em pedaços, sem personalidade ou ideal, desencantado e superficial. Por fim, Antônio Gasparetto falou que o obeso tem uma característica peculiar – é sempre um indisciplinado. E gordura é camada protetora, espécie de bolha.


Liberdade

A opinião dos filósofos é ampla sobre o assunto, Sartre acha que: “O homem está condenado a ser livre – não há diferença entre ser homem e ser livre”. Leibniz: “Ser livre é agir de acordo com sua própria natureza”. Liberdade de pensamento presente em Voltaire, de expressão. Mas Sartre errou ao dizer que somos aquilo que fazem de nós. Spencer diz que: “a liberdade de cada um termina onde começa a do outro” (que antes de Darwin tinha sua teoria da evolução). Descartes: “agir de forma que nenhuma força exterior não nos constrinja”. Já para Kant lei é agir de acordo com a lei moral que nos outorgamos a nós mesmos

Liberdade x Determinismo:
Raça?

Determinações biológicas?

Condicionamentos sociais?

Fazer o que os outros querem?

Sugestões e hipnoses que escravizam?

Consumismo como compulsão?

Satisfazer-se.. necessidades naturais?
Muita liberdade foi positivada em Constituições democráticas do mundo para coroar a liberdade após período de colonialismo, de ditadura ou mesmo despotismo político, um Rei que tudo podia. A liberdade vem como uma busca após a repressão ou mesmo a escravidão. Liberdade é em muito uma reação.

Em livro Lógica da Emoção – Da psicanálise à física quântica, de Manoelita Dias dos Santos, diz que não somos ainda totalmente livres, muitas são as tensões que incidem sobre nós e nosso mal estar diante delas, bem como é insipiente nossa capacidade para auto determinação construtiva. Neste mundo em que me movo e onde vivem meus pacientes, posso dizer que o culto à produção e consumo tem escravizado a sociedade de tal forma, que os avanços conseguidos estão ruindo. As relações interpessoais estão mais instáveis e superficiais, enquanto que as sociais são comandadas pela competição. Portanto, apenas substituímos nossos deuses por outros que não sei se são melhores, e as tiranias persistem, ainda que tenham tomado outras formas.

Até um animal sem liberdade perde sua felicidade, entra em depressão (idem). No início do século XIX, Bentham e os filósofos radicais estavam inclinados a considerar a liberdade política como um instrumento para a obtenção da liberdade econômica. (laissez-faire) Milton Friedman: “O bem-estar, em vez da liberdade, tornou-se a nota dominante nos países democráticos”.

Antes a liberdade era “ser”, atualmente vemos que é “ter”, possuir propriedades, consumir, poder. Mas em consequência bens trazem impostos, também limitam a liberdade -há um labirinto sem saída.



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