Programa Radiofônico Filosofia é Liberdade



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A liberdade é sempre um movimento contrário, uma possibilidade para a diversidade e tolerância. A diferença em muito constrói a necessidade da liberdade.

Liberdade é um direito. Deleuze disse que não importa o direito, mas sim a jurisprudência. A jurisprudência é a vida. Qual será a jurisprudência sobre liberdade daqui a cem anos? Mas a jurisprudência acompanha a liberdade, talvez a maioria. O consenso faz a liberdade, uma liberdade como um direito. Será o direito a liberdade o mesmo que liberdade? Talvez, com a jurisprudência atualizada.

E a liberdade de se poder fumar em locais confinados? E a liberdade de não se ter um cigarro por perto? A liberdade em muito é uma individualidade, mas uma individualidade da maioria. É a sociedade. Em sociedade nunca há liberdade absoluta. As situações evoluem, a liberdade e seu direito mudam.

“A vida é liberdade – está na razão direta da soma de liberdade. Um recém nascido não é inerte” (Ralph Waldo Emerson). Homens são tornados zoon politikon - animais políticos, mas “trocam a sua liberdade por algum lucro ou honra por parte dessa sociedade” (Thomas Hobbes) Isso preserva da violência mútua. É o contrato social, de Rousseau. Mas até onde o homem perde sua liberdade para viver em sociedade? Seria um animal doente, como pensava Nietzsche?

John Locke entendia que a liberdade devia ser somente quando haver lei promulgada pelo legislativo, em consenso da comunidade. Segundo David Hume – a liberdade interagindo com a necessidade. Talvez liberdade para satisfazer as necessidades – ter necessidades já não é falta de liberdade?

Boaventura Souza Santos traz a questão da liberdade doméstica – das mulheres e o trabalho doméstico não remunerado. Não trabalhar em casa é hoje a liberdade para muitas mulheres. A pós-modernidade vai gerando novas liberdades. Antes houve um êxodo rural dos homens e atualmente há um êxodo doméstico das mulheres. Nada mais justo, eu não trabalharia sem ter reconhecido o meu valor, igualmente.

Ecosofia

Para mim, ecosofia se resumiria nos seguintes preceitos:


Amar ao próximo como a si mesmo

Amar a árvore como a si mesmo

Amar o rio como a si mesmo

Amar o solo como a si mesmo

Amar a fauna como a si mesmo

Leonardo Boff fala na dimensão do cuidado de compaixão pela Terra. A mãe Terra sustenta sem pedir nada em troca, é Gaia, organismo vivo que sustenta, cuida, que nos dá alimento e ainda protege dos raios solares nocivos.

São Francisco fala de irmão Sol, irmã Lua, em uma de suas orações. Assim vemos a proximidade do ser humano com a natureza, numa visão holística, até de simbiose, união vital com as coisas. Tudo faz parte de uma Alma Universal. Recuperar a natureza se faz tão necessário quanto preservar a natureza. É uma questão de sustentabilidade.

O planeta Terra é assim mais que um pequeno ponto azul no Universo, que algo insignificante e uma mera gata borralheira, ela é fonte de vida, é um reino para o homem e seres que nela habitam, um paraíso anunciado em muitos livros sagrados, terra de leite e mel.

Antes as grandes questões para os pensadores eram perguntar de onde viemos, para onde vamos? (ao exemplo principalmente dos gnósticos). Depois passou a perguntarem o que podemos saber? (exemplo de Kant) Atualmente a fase de uma crise ecológica leva a que se pergunte: como devemos viver?

Viver assim em harmonia com a natureza, prevenindo e também recuperando.

A transição de um modo-de-ser-trabalho para um modo-de-ser-cuidado.

De uma lógica da produção e consumo, bem como destruição e falta de cuidado, para uma lógica de amor, de preservação e relação íntima com todas as coisas, com verdadeira simbiose, troca vital cm a natureza. Assim o nicho ecológico se torna uma extensão do corpo, e mesmo da corporeidade

A vida começou com 20 aminoácidos e do resultado de choques de meteoros, elementos de Tiamat, bem como influência do Sol e existência de água. Bactérias e microorganismos. Existe assim uma auto-organização de seres vivos, uma assim chamada autopoiese.

Também se faz necessário incluir a dimensão anima na nosso modo de vida e de pensar, da dimensão feminina, de yin ou dragão da filosofia chinesa, tratando a natureza mais como mãe, não como mercado de exploração e destruição, sem ter a relação de poder e dominação anterior.

O homo sapiens sapiens tem 150 mil anos e não evoluiu em comparação ao homem primitvo, uma vez que sua relação acabou destruindo mais que construindo junto ao planeta, e o homem branco ainda assim é até inferior ao índio.
Mundo como representação

Começa por uma espécie de evolução ou gênese. Emerson falou: “Os gases reúnem-se ao sólido firmamento; a parcela química chega a planta, e ela cresce, chega ao quadrúpede e ele marcha, chega ao homem e ele pensa”.

Para Shopenhauer a vida individual não importa tanto, o que importa é a espécie, o gênio da espécie, que mantém a vida pela reprodução. Assim o amor na visão de Shopenhauer é também uma mera astúcia da natureza, uma vez que não importa nada, nem a felicidade das pessoas, mas terem filhos saudáveis e que se aperfeiçoem.

A realidade é uma linguagem, ela se revela por símbolos, e isso significa o sim-bólico, que é aquilo que une, que se comunica, se corresponde, que tem um discurso. Talvez não revele o em-si, mas já nos leva a intuição dessa dimensão.

A fisionomia mesma revela no rosto do homem uma representação de suas tendências , de seu caráter, qualidades e defeitos. Por um estudo de traços se pode conhecer bons padrões, por ser o rosto mesmo uma linguagem de sentimentos. A concentração desses acaba se refletindo em traços específicos.

Os antigos conheciam muitos mais as representações da natureza. Sabiam quando iria chover ao olhar para detalhes do céu, sabiam quando certo animal iria viver ou não, quando a colheita ira ser produtiva ou não. Saber dessas representações fazia parte da vida dos antigos, por uma questão de sobrevivência e falta de recursos tecnológicos e materiais.

Cada filosofia representa o pensamento de seu tempo. Mesmo com base no passado, ou em outros pensadores, é a representação da razão, do logos de uma época.

Segundo os filósofos, poderíamos entender o tema sob diversos aspectos. Aristóteles disse: “O sendo-ser torna-se, de múltiplos modos, fenômeno”. Descartes: “A única certeza é a existência de si mesmo”. O mundo surge daí, talvez represente a si mesmo. Fichte: “Tudo é uma emanação do eu”. Caminhamos assim para um subjetivismo na filosofia (Kant)

No mundo material nada se perde, tudo se transforma. A representação talvez seja uma transformação da Mente e das ideias. O eu se torna absoluto (Hegel) e “O puro ser e o puro nada são portanto, o mesmo”. O mundo representa o nada?

Na filosofia oriental a realidade é maya, é uma ilusão grosseira que nada importa. Somente nirvana é que é importante, e um contato a que se pode encontrar por uma espécie de estado iluminado, a que chamam samadhi. Logo, nem representação a realidade não seja, a não ser através da vaca sagrada, da flor de lótus, do corpo pela yoga, que representa o corpo sutil e energético, os chacras.

Duas doutrinas minhas: Simbólico da realidade e consciência do gênero universal. Em uma proponho que a realidade conversa conosco através dos acontecimentos, e, em outra proponho que há um pansexualismo nas coisas e que o ser humano cria algo que imita seu corpo e sua reprodução. Para maiores detalhes desses temas ver minhas obras.

Oração

A oração é uma forma de yoga cristã, onde a sintonia com o reino interno libera do ego profano e materialista para transcender o ser a uma dimensão superior de consciência, abrindo assim a chave de seu reino interno, seu templo interno e assim possibilitando a sintonia com mensageiros de Deus e com o próprio, numa transformação mental e emocional, em grande paz.

“É como a aproximação da “sarça ardente”, tirando as sandálias do egoísmo para aprender a contemplar o rosto escondido e luminoso de Deus, que nos chama pelo nome. Vida cômoda e oração não podem combinar. Sempre o encontro com Deus na oração exige de nós renuncia e desnudez. Quanto mais formos livres das coisas, mais estaremos perto de Deus. Portanto, a verdadeira oração é trazer a vontade, o pensamento e a palavra para dentro de nosso ser, pelo poder do Espírito Santo”. (Pierre Vicenti - SCA)

E através das orações se conquistam os milagres, que são manifestações do Espírito Santo. Essas orações se potencializam no meio etérico através de vibrações, não só advindas da mente material, mas também da alma, que talvez seja o verdadeiro veículo de contato com esse plano sutil.

Sugere-se fazer orações em momentos de bem estar, não em momentos negativos e onde pensamentos não condizentes com o espírito estejam presentes, como em meio a desejos ou preocupações do mundo cotidiano.

Muitos falavam que para uma oração deveria sempre se ter uma vela acesa, para simbolizar a luz que se busca e para atrair energias benéficas e até mesmo o reino angélico.

Em Mateus há a lição de se entrar no quarto sozinho para orar, o que muito simboliza o contato com o Eu interior, para assim se afastar do ego exterior e entrar em sintonia com a Consciência Cósmica. Não se pode servir a dois senhores, como disse Humberto Rohden, ao ego e ao eu superior.

Há duas espécies de oração, a mental e a vocal. Uma se realiza pelo intelecto e pela vontade. O intelecto interpreta e a vontade realiza os mistérios. Isso resulta em meditação, em conjunto. Também há a contemplação, que é a forma passiva da alma perceber o que recebe de Deus. Nessa pode operar a intuição, que é instrumento metodolódico dos místicos, que muitas vezes coroou cientistas com grandes descobertas, como curas para doenças, vacinas, soluções de problemas etc. Já a vocal leva a mental, sendo esta superior e verdadeira. Isso leva a quietude interior que traz paz e boa vibração, tudo essencial a sintonia com Deus de amor.

No judaísmo há os filactérios, que são pequenas fitas enroladas nos braços e ainda há as caixas de orações. Isso é geralmente feito na manhã, onde se reza o Shemá, que significa acorda Israel. Há muitas orações ainda em festas judaicas.

Já no Islã, há a oração cinco vezes por dia em direção a Meca, que deve ser feita, bem como a peregrinação uma vez na vida.

É difícil orar porque tem de se queimar os cascões da personalidade, as faixas de egocentrismo, tão influenciadas em nossa sociedade de materialismo, consumismo e egocentrismo, onde a presença de Deus apenas surge quando se está em uma grande dificuldade e fala o desespero. A oração tem assim uma função preventiva, além de reparativa ou curativa. A personalidade por fim tem de dar lugar a Cristo e a imortalidade, na obra de Deus, não mais particular.

Dizem que quem canta ora duas vezes. Assim temos grandes lições nos cantos gregorianos, onde a tradição cristã se vê presente, na sua pureza original, com informações que complementam o Evangelho e que liberam tensões e ainda vibram além de nós mesmos, o meio ambiente onde ecoa a voz. Também os salmos são cantos.

As orações e mentalizações positivas, segundo místicos purificam a aura do mundo, de forma que em se defendendo uma paz mundial, o fim de uma guerra, o auxílio à determinada causa, tudo é possível. Agora com a rede mundial de computadores isso pode ser ampliado em dimensão exponencial, e potencializado seu efeito. Também participei de grupo de orações em prol de pessoas que sofrem de problemas de saúde como o câncer, pela internet.

Para orar deve-se antes limpar a mente. Um bom método é respirar profundamente e de forma periódica, de modo a se concentrar em funções do corpo e por fim nas palavras ou pensamentos da oração em si. Outro modo é se concentrar em uma ideia, como uma cena do evangelho, a fim de se sintonizar com a egrégora.

Certos autores falam, em poder do subconsciente, como Joseph Murphy, e assim as orações servem como reprogramação mental desse subconsciente. Ainda servem para ateus, desde que mude a linguagem e a forma do texto. Há orações em meu livro “Metas para uma vida feliz” com um sistema parecido.


Nascimento

Do ponto de vista Rosacruz a vida tem início com o primeiro suspiro, ou com o primeiro sopro, inalação de ar pelos pulmões, e assim se dá a encarnação da personalidade-alma. Parece que assim se entre em sintonia com a Bíblia e a criação de Adão, com a vida em nefesh que se deu pelo sopro.

O nascimento de Jesus foi anunciado a Maria e mesmo a José pelo anjo Gabriel, responsável por essa mensagem. O livro cabalístico do Zohar diz que todas as crianças que estão para nascer são anunciadas pelo anjo Gabriel. E a Virgem Maria foi segundo alguns preparada para esse nascimento especial. De certo modo, todos os maiores mestres espirituais nasceram de virgens, desde Krishna, Zoroastro, Hórus, Buda e outros.

Após a Páscoa, que comemoramos recentemente, em torno de 9 meses depois, nasce o Cristo no Natal. O Cristo Cósmico nasce e morre nos solstícios e equinócios solares. Então a morte do princípio Cristo ressuscita no Natal, quando toda a natureza comemora a esperança da sua manutenção, da vida que vem daquele que está Vivo. O Cristo Interno nasce quando o homem se torna um novo homem pela sua regeneração espiritual. O nascimento no mundo material é a morte do mundo espiritual e a morte no mundo espiritual é o nascimento no mundo material.

O cesto de Moisés, que foi abandonado no rio Nilo de certa forma representava o útero materno, e o encontro da egípcia foi a possibilidade do nascimento do Judaísmo dentro do Egito. As águas são o líquido amniótico e o útero é o cesto que protege o bebê dos malefícios externos.

A arca de Noé é também a representação de um especial útero, onde nascem todas as espécies, sendo em hebraico chamada de Thebah, a matriz. Também a arca da aliança é uma espécie de útero, onde está a Torá especialmente protegida para que nasça a palavra de Deus, ao ser lida pelo santo, tsadik. E a arca é guardada por anjos, querubins, estes representados em sua parte externa. Pela igreja os querubins ou anjos têm a aparência de pequenas crianças. E a Torá ou a Bíblia se inicia com a letra Beth hebraica (de Bereshit, no princípio, no Gênesis), feminina, que é a casa, ou que podemos ver como um ninho.

A iniciação é um modo de ao mesmo que se passa por uma morte simbólica, também se encontra um nascimento simbólico para outro nível de consciência. Em diversas fraternidades isso é representado através de ritos e em muito simboliza a transformação da morte física para renascimento no mundo espiritual, ao exemplo de Osíris no Egito e tantos outros, como Cristo que sobrevive a cruz e supera a morte na matéria (que representa a cruz). O conhecimento dos mistérios revela os segredos da vida e da morte.

Também no símbolo do ovo vemos uma origem e nascimento do Universo, esse que tem relação com a serpente. A física também vê antes da origem do universo em seu Big bang uma espécie de massa uniforme, esta numa espécie de ovo. Antes da Criação, segundo esotéricos e mesmo com a cabala, havia a água do caos, sem forma e vazia. E em várias mitologias esse ovo tem relação ainda com a serpente, que vemos no livro inicial mosaico, o gênesis. O nascimento surge então das águas, do ovo ou útero e se alguma serpente (espermatozóide tem aparência de serpente). O grande universo se reflete no pequeno, o céu é imitado no corpo do homem.

E o nosso corpo material, um dos quatro, é filho da mãe Terra, e nascemos de átomos organizados pela Inteligência Cósmica, reaproveitados, que é o que muitos chamaram de pó. Viemos desse modo e nessa interpretação, do pó e voltamos para o pó, mas apenas nossa porção material, não a espiritual ou alma.

Na astrologia o signo zodiacal relacionado à maternidade é o de câncer, pois o caranguejo representa o útero materno. E é comum cancerianos serem muito afetivos e cuidadosos com seus filhos e família.


Beligerância

Pergunta que fica é se a guerra é a higiene do mundo? Talvez seria se limpasse com seus defensores e idealizadores. Enquanto os animais lutam pela sobrevivência, inconscientes em maior parte disso, os seres chamados de humanos lutam pela destruição, mesmo não sobrevivendo. As vítimas da dominação continuam vítimas, mesmo entendendo se rebelar contra algum tirano ou inimigo imaginário, ou terrorista, na ilusão de que se constrói um mundo melhor, enquanto os poderosos dessa inteligentzia bélica trocam favores políticos e desfrutam do seu luxo particular, em cadeiras de escritórios. Apertam-se os botões das máquinas de morte e comemora-se a vitória sobre a própria imbecilidade haja vista que com o dinheiro gasto em batalhas se poderia acabar com a fome mundial e desfrutar de lazer em grande escala, como todo o Estado de bem estar social prometido pelas utópicas Constituições dos países.

Maquiavel certa feita escreveu: “os príncipes que se interessam mais pelas coisas amenas do que pelas armas, perdem seus domínios” e “estar desarmado significa perder a consideração”. Mesmo em nossa lógica desapaixonada de mundos virtuais e relacionamentos egocêntricos, vemos que os governantes continuam defendendo nacionalismos, cada um ao pilotar a grande máquina governamental que sustenta toda uma massa de transformação que ocorre a passos de tartaruga, rumo à democracia maior, em que pese os grandes preconceitos já semeados há milênios na cultura e mesmo no seio da família, esta última tão protegida pelo clero romano. Governantes hoje devem antes se armarem de boas obras em suas competências e ter a arma do discurso, pois só se usa a máquina de morte quando cessa o discurso.

Disse Maquiavel: “Todo o estado bem ordenado deseja que a arte da guerra seja, em tempos de paz, empregada apenas como exercício, e que, havendo hostilidades, seja para atender à necessidade, pela sua glória.”. De fato, o treino hoje pode ser substituído pelo esporte e pela ginástica, bem como a academia. O melhor seria o fim das forças militares, haja vista que de outro modo, semeamos ainda uma terceira guerra mundial. Maquiavel, assim como outros que procuraram entender a arte da guerra, sabia que o interesse era ampliação territorial. Hoje vemos mais uma busca de ampliação econômica, e a guerra é fiscal e diplomática, ainda existindo formas escusas de guerra, como a invenção de uma gripe para vender vacinas, na forma de teste para armas biológicas. Também os craquers são úteis, haja vista poderem ser protótipo de futuras armas cibernéticas. Mas o estado bem ordenado investe em armas, e nós compramos caças há algum tempo, a fim de renovar nossa frota, temos submarinos, poucos, mas tudo parece ser uma forma de satisfazer interesses internacionais na proteção da Amazônia, que já consideram alguns patrimônio não do Brasil, mas da humanidade, afronta clara a nossa soberania, soberania essa que dá lugar ao Governo Mundial na Nova Ordem.

Lao-Tsé disse que “mentalizar o mal é perigoso” e “quem se contenta com o necessário, vive em paz imperturbável”. Parece que cada um de nós é responsável pela guerra, mesmo não participando ativamente. A não-violência hoje é mais revolucionária, e a inteligência leva a isso, apesar da moralidade se ver cada vez mais secundária, e da frieza com que os meios de comunicação vão disseminando nas nações. Mas devemos cuidar primeiro do nosso jardim, para depois pensar no mundo, como ensinam os orientais. Então uma desavença familiar é uma guerra em âmbito familiar, com as mesmas estratégias e instrumentos teóricos da guerra mundial, apesar de se ver em pequena célula ou microssistema.

A ética dos mestres sempre foi antes uma guerra contra a ignorância e consigo mesmo, uma vez que trazemos os piores demônios, senão O Demônio, dentro de nós mesmos, e assim somos perigosos, pelo ato de matar ou de se matar. Quando japoneses sentiram perder a batalha na 2ª Guerra, começaram a suicidar, em grande escala. Logo a pulsão de morte se viu ao extremo, não mais inconsciente ao modo de Freud, mas refletida em catarses extremas. Não agir em meio à guerra seria a ética taoista. Outros defender dar a outra face, e outros acham que estão guerreando contra Satã.

Hoje a guerra atômica é apenas a destruição do mundo, não tem fundamento. Ficam as armas em menor escala, os vídeos-game de guerra, onde apenas se constata a disparidade e a comercialização bélica, que precisa vender. Vemos cada vez com maior perplexidade os conflitos no Oriente Médio, e sabemos que o fim não será incontinenti. Já Renato Russo numa música lembra que a guerra previne a superpopulação, apesar da ideias do músico serem com base em filósofo Rousseau, conforme disse sua mãe em entrevista. Sabemos que a busca dos mestres espirituais e místicos sempre foi pela paz, e que essas guerras não se justificam, nem com base teológica, e menos ainda com base exclusivamente materialista ou econômica. Quando semeamos a competição não esportiva, estamos semeando a guerra. A intolerância, o preconceito, tudo é semear a guerra, como ensinou místico Ralph Lewis.

A guerra nos prende a uma escravidão moral e a laços kármicos que atravessam a história, que de forma cíclica se repete de tempos em tempos, mudando os atores. Assim a roda de Sânsara se converte em péssima estadia, disseminando qualquer otimismo em se viver nesse planeta, quando se está em meio a essas desavenças existenciais, que antes seriam internas, que externas. Antes a ideia de hippies e bit Nicks, sobre “fazer amor, e não fazer a guerra”. A opção é mais romântica, apesar dos apegos e descartes que umas pessoas tentam fazer para com as outras, e na antiga guerra dos sexos entre homens e mulheres.

Envelhecimento

Sêneca já dizia que a filosofia sã ensina a viver de modo correto. Eu diria que ensina também a envelhecer de modo correto. Pois o filósofo não guarda apenas a própria idade, mas soma as demais idades de outras pessoas. Envelhecer para nós é assim um modo de manifestar ainda mais a imagem da sabedoria, e ao contrário da cultura que afasta de todos os modos a senectude, temos que ele é necessário a que possamos compreender os processos naturais de uma certa lei natural de extinção. O filósofo funda uma doutrina que lhe torna jovem de novo, pois são os jovens que manifestarão a sua doutrina, a revivendo em seu espírito.

A própria lei quer aposentar o velho quando o velho não mais envelhece. Tudo é um estado mental, um estado de espírito. Tem idoso pulando de pára-quedas, andando de skate, indo a balada e surfando, e tem por outro lado idoso preso a uma cadeira de balanço e resolvendo palavras cruzadas – a escolha perfeita e o comportamento é a chave de se querer envelhecer de forma saudável ou de se buscar a depressão. Um aluno de educação física, em uma entrevista na TV, falou sobre ter feito um trabalho de exercício físico com idosos que possuíam depressão e teve bons resultados.

Envelhecer é também uma crença, um modo de vida onde se entende estar já em fase de descanso. Muito pelo contrário, o trabalho mental de um idoso deveria ser dedicado a sabedoria. Ele deveria ser o exemplo de segurança e de força. Em culturas orientais, primitivas e indígenas, mesmo na judaica, a lição dos mais velhos é levada em conta com primeira importância. É o ancião, aquele que toma as decisões pela sua comunidade ou tribo. A sua metanarrativa é mais lapidada que de uma pessoa jovem, na maioria das vezes. Como disse Sêneca: “idade nenhuma o abala nem o faz decrescer”.

O problema não é a idade que se avança, mas a ocupação fútil do tempo. Usar muito de ociosidade sem algum tipo de produção diminui o espírito, faz do ser algo sem sentido, um quase nada. E envelhecer sem ter um passado glorioso faz da pessoa alguém sem fatos para contar, sem aquele motivo do exemplo para sua família, netos e bisnetos. Uma pessoa que ocupa bem seu tempo não pensa no envelhecimento, mas brilha na sua alma que trabalha a todo o vapor. Mesmo o exemplo de Oscar Niemeyer, o arquiteto que é mais um artista, nos revela essa dinâmica do envelhecer apenas na mera aparência. Dizia Cícero que: “a velhice só é honrada na medida em que resiste, afirma seu direito, não deixa ninguém roubar-lhe seu poder e conserva sua ascendência sobre os familiares até o último suspiro”.



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