Programa Radiofônico Filosofia é Liberdade



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Kant também fala em um comportamento que seja aceito como lei universal para servir de norte moral. Isso se torna perigoso, pois em uma sociedade onde fosse universal o suicídio, teria o sujeito de seguir essa universalidade para se achar com uma resposta moral. O fim é a realização do sumo bem no mundo. Leva a religião.

Os pensadores moralistas colocam em vários fundamentos a moral. Montaigne fala da educação. Mandeville fala da Constituição civil. Epicuro fala da sensação física. Hutcheson fala de sentimento moral. Os estóicos e Wolff falam da busca da perfeição. E por fim Crusios e teólogos falam da vontade de Deus. É a oposição do bem e mal, que em alemão tem duas palavras para cada (Gut e Böse/wohl e übel) , de um lado relacionada aos sentidos, e do outro a vontade. E o imperativo é agir como fim, não como meio. Vale o conceito de bem/mal de cada um.

Claro que a moralidade não dependa da idade, mas que se deve ter sim padrão objetivo do comportamento mínimo exigido. Cada caso exigiria um estudo, cada indivíduo. A conclusão sobre moral segue o seguinte trajeto: inicia na vontade/desejo, passa pela moral, pelas máximas, vai ao imperativo categórico e por fim chega a lei universal. Imperativo categórico é fim, e hipotético meio.

Natureza do Pensamento

O pensamento é triplo, uma vez que há o pensamento material ou carnal, há o pensamento das emoções, astral, e o pensamento da razão. Também há o pensamento da alma, que reflete o imutável. Há o pensamento do corpo, que é mutável, e um pensamento inconsciente ou subconsciente. Há o pensamento da personalidade-alma, que individualiza a missão após a queda até a reintegração, pela salvação através do Verbo, até a Alma totalizante. Há o pensamento implantado por mentes externas, há o pensamento puro, que vem da própria mente.

O pensamento muitas vezes é como um espelho do mundo fenomênico, mas um espelho que também se move. Vale que o pensamento do cérebro material se limita um pouco a este e o pensamento que vem da alma vai ao infinito das ideias.

Não há dúvida que o pensamento aperfeiçoa e torna mais complexa a matéria. Contudo a simples matéria não explica as maravilhas do pensamento, sem uma origem metafísica ou divina. Mas, o pensamento é nada material e tudo espiritual. Pois a matéria sucumbe com o fim do universo, já as ideias permanecem em seu padrão lógico na Mente do Todo, que novamente cria as coisas.

Leva mesmo o desajustado a iluminação e ao encontro com o inefável, mas não para ser pensamento, mas sim não pensamento, ou seja, Samadhy. Essa palavra hindu que se traduz muitas vezes por êxtase, na verdade é a expressão de encontro com Deus. O universo segue uma Inteligência Cósmica que chamavam de Nous. Vai além da simples memória, pois ainda tem raciocínios, dedutivos e outros, e assim torna-se algo criativo, autoconsciente que cria também. Controlar o pensamento é uma forma de Yoga, que é chamada de jnana yoga. Assim se pode esvaziar a mente, se pode manter uma imagem no pensamento. Se pode superar ou ignorar uma ideia alheia. Pensar só no divino.
Tradição filosófica contemporânea

O materialismo metodológico acaba sendo um superficialismo metodológico, uma calculadora primitiva.

Se analisarmos filósofos atuais, como Foucault, Deleuze, Sartre, Camus, Michel Onfray, Alan de Botton, Lucio Packter, e tantos outros, podemos ver bem claro um materialismo metodológico e um afastamento grande da metafísica, bem como quase sempre o ateísmo.

Vemos um tempo de desencanto e caótico também na filosofia. O erro é de se pegar um autor apenas e esquecer a tradição filosófica, anulando essa última em nome de alguma revolta que não é racional, mas apenas psicológica e refletindo os próprios conflitos do estudante de filosofia.

Por exemplo: entre gregos, o berço da filosofia ocidental, a metafísica ganhou grande importância. Vemos também em Hegel uma grande referência de idealismo moderno. Contudo influências como de Nietzsche, Camus, Bakunin, Marx, Proudhon e tantos outros matou em grande parte a dimensão espiritual, redimensionando a filosofia pára um campo mais científico.

Em especial o equívoco em se estudar Nietzsche como um filósofo que falava verdade é uma mentira a si mesmo. Primeiro que ele não tinha muito vínculo com dogmas, nem com materialismo, como o Marxismo. Segundo que não queria seguidores, mas sim espíritos livres. Terceiro que ele se dizia mais um psicólogo, que pregador de ideologias.

Não foi Nietzsche que matou Deus, mas sim a sociedade moderna, ou pós-moderna. A confusão vem de um pensador revelar o paradigma do seu tempo e por equívoco ser mal interpretado. Assim ainda é quando se liga o pensador polaco com o nazismo, sem saber que ele não gostava de antissemitas.

Não se pode falar em ateísmo em Nietzsche, mas no máximo um retorno ao paganismo, com seu Dioniso e com a cultura e arte gregas, tão admiradas pelo pensador. Mesmo sua influência por parte de Shopenhauer não deve ser esquecida, e filósofos contemporâneos

Atualmente quem faz algo parecido é a filosofia clínica, que em muito interfere na área terapêutica e de psicanálise, sem ser talvez preparada para tal.

Vemos que hoje há muitos historiadores de filosofia, não filósofos autênticos. Também que a ideia de Deus faz muitos temerem algo, e mesmo a espiritualidade e a mística se veem afastadas pela pressa da vida caótica e superficial, onde a tecnologia e a aparência são objetivos primordiais. Isso contaminou os filósofos, que buscam algum meio de ganhar dinheiro, inventando assim terapia alternativa e cosmovisão banal.

Descobrir que o mundo não é tão simples, que há uma falta de ordem aparente, não quer dizer que Deus não exista, apenas que Ele é ininteligível. Isso também não anula as obras de mestres espirituais e os milagres que vem ocorrendo diariamente, desafiando a cientistas e a todos os eruditos mais céticos.

Vemos que semelhante a arqueologia bíblica, onde há muitos ateus e céticos, acaba que com o tempo o ser humano se volta para um poder superior, mesmo que não seja exatamente o dos dogmas religiosos. Isso pode ocorrer também, com filósofos, a medida que aceitam a existência de uma alma ou princípio inteligente imaterial.

Problemas de relacionamento no trabalho

O que mais dificulta o relacionamento no trabalho é a fofoca, segundo trabalho acadêmico feito por Priscila Hacke. As pessoas fofocam para esconder seus próprios defeitos, erros e comportamentos não apropriados.

As relações interpessoais requerem uma série de virtudes, em especial certa resiliência.

As pessoas precisam aprender a se relacionar, uma vez que isso se torna tarefa imprescindível a vida em sociedade e no trabalho.

Respeitar particularidades, pois cada pessoa tem sua personalidade e individualidade. No trabalho isso se amplia pela exigência de certas competências, que podem revelar a inveja alheia, haja vista a não posse das mesma qualidades.

Nesse tema é de muita utilidade a psicologia organizacional, pois estuda o comportamento das pessoas, relações consigo mesmas e com outros, bem como suas emoções e personalidades.

O primeiro passo é o autoconhecimento e saber colocar-se no lugar do outro. Sem isso, os conflitos aparecem e a relação no trabalho fica insustentável. Isso é a empatia.

Passamos a maior parte do dia no trabalho, então é importante a compreensão de saber se relacionar no trabalho. Os sentimentos de simpatia auxiliam a produtividade, segundo Moskivici. O mau relacionamento traz a queda da produtividade.

E a flexibilidade comportamental auxilia essas relações de trabalho, onde se tem a competência de ter vários pontos de vista, os compreendendo. Essa competência interpessoal é útil, nesse sentido.

Os conflitos existem não apenas por metanarrativas diversas, mas porque não se aceita a diferença e a tolera. As pessoas nunca têm ideias idênticas, então gera o conflito.

E o papel crucial para a boa relação no trabalho é a comunicação. Usar da linguagem do colaborador fará do líder alguém mais aceito e apoiado. Por isso partidos populares e sindicatos de trabalhadores têm mais apoio.

Palavras como sempre e nunca atrapalham esses diálogos, e fazem ainda um maior distanciamento na sociedade moderna, de extrema competição e estresse.

Para facilitar também deve se aprender a ouvir o outro, e a pessoa deve ser mais assertiva, mais sincera e realista, mas sem ofender o outro.

A economia, a religião e a política

Há a evolução de um darwinismo biológico para um darwinismo legal. A religião protege o mais fraco, pois é o doente que precisa de médico, não os outros. Vemos que o que parece bonito em nossa Constituição Federal, e mesmo idealista e utópico, é apenas uma máscara para a lei dos mais fortes, ou mais espertos. A política revela bem esse modus vivendi. Falou Marx que: “Aos economistas burgueses parece-lhes que a produção funciona melhor com a polícia moderna do que, por exemplo, com a aplicação da lei do mais forte. Esquecem-se apenas de que a ‘lei do mais forte’ também constitui um direito e que é esse direito que sobrevive, com outra forma, naquilo a que chamam “Estado de direito’”.

Disse o anarquista Bakunin que: “O governo pela ciência torna-se tão impossível quanto o do direito divino, o do dinheiro ou da força brutal. Todos os poderes são, doravante, submetidos a uma crítica implacável. Homens nos quais nasceu o sentimento de igualdade não se deixam mais governar, aprendem a governar a eles mesmos”. Contrariamente, vemos que desacreditando já da igualdade formal e legal, vemos que aquela que se aproxima da realidade também esta apenas numa Utopia de Morus ou Cidade do Sol de Companela, senão na cidade de Agostinho de Hipona. E disse "a justiça humana substituirá a justiça divina" (Deus e o Estado). Vemos que pelo contrário, onde a justiça humana falha resta apenas a justiça divina para nos acolher.

Ademais, disse Erick Fromm que “O homem privilegiado, seja política, seja economicamente, é um homem depravado de espírito e de coração. Eis uma lei social que não admite nenhuma exceção e que se aplica tanto a nações inteiras quanto às classes, companhias e indivíduos. E a lei da igualdade, condição suprema da liberdade e da humanidade.” “um mínimo de satisfação deve ser proporcionado aos que são governados”. (O dogma de Cristo e outros ensaios). De certa modo a pessoa procura pela religião uma satisfação, não apenas de salvação, mas também do aqui e agora satisfeito economicamente. E essa prática se constitui em uma política, em uma interação na cidade ou Estado.

Essa economia muitas vezes não está apenas na política partidária, mas está em uma série de atividades sociais, de grêmios desportivos a fraternidades, e cada vez mais vemos a força do conjunto. Na época do individualismo liberal se vê por outro lado um socialismo incógnito. Vemos que a maioria elege, e essa maioria não se constitui dos donos dos meios de produção. Há um sistema de pesos e medidas, de moderação, como se a democracia em si fosse o poder moderador. E a religião se constitui muitas vezes a veste existencial daqueles seres para que evitem a angústia.

Na obra “As 48 leis do poder” de Robert Greene e Joost Elfers, se diz na sétima: “FAÇA COM QUE OS OUTROS TRABALHAREM POR VOCÊ MAS SEMPRE FIQUE COM O CRÉDITO”. Nada mais certo que isto para alguns, pois a fama fica com um sacerdote ou representante político, mas quem trabalha é o servidor e aqueles missionários, que têm contato direto com o povo. Ficar com o crédito da vitória é fácil para um líder militar, mas se ele não estava no campo de batalha, não é honrado de tal crédito. Diz uma das leis para evitar o azarado e infeliz.

A religião tem a função de unir os homens, mas o defeito de unir aqueles que se assemelham. Já a fraternidade ou uma associação desportiva une pessoa de diferentes credos, auxiliando a maior amplitude de contatos, assim para a política se resumindo em mais votos e em mais oportunidade econômica. Na medida em que se restringe o acesso, bem como onde não se há um foco material, fica excluída em parte a oportunidade econômica. Mas Satanás ofereceu a Jesus todos os reinos desse mundo, ele não aceitando. Então a salvação espiritual é prejudicada por demasiado apego, bem como todos os vícios são armadilhas de Satanás.

Filosofia medieval

Vemos no período chamado das trevas alguma produção teórica, mesmo que seja numa teologia desvirtuada, seja em criação de máquinas, mesmo que para uso duvidosos como para a questão, na Inquisição, através de tortura. O período medieval tentou conciliar razão e a fé, tendo em Santo Agostinho o grande defensor desse crer para compreender.

A filosofia assim se tornou apenas uma serva da religião, ou da teologia. Vemos que mesmo assim temos uma boa reflexão sobre a metafísica, sobre Platão e Aristóteles, que são cristianizados em, suas teorias metafísicas. Nietzsche chegou a falar que o cristianismo não passava de um platonismo para o povo, talvez se referindo a esse período.

Tomás de Aquino também concilia a razão e a fé, e leva Aristóteles a uma sintonia com cristianismo. Ele prova a existência de Deus pela causalidade. A natureza seria a ordem das coisas, e Deus a primeira causa de tudo. Vemos que ele discorria muito também sobre anjos. Também distingue Estado de Igreja, o que é produtivo para posterior secularização do mesmo Estado. E a felicidade segundo ele está unicamente na contemplação da verdade, não em bens materiais ou no corpo, diversamente de nosso atual tempo, onde se investe mais que tudo em estética, sendo o Brasil um dos campeões mundiais nesse sentido.

No fim da Idade Média surge a imprensa, e dessa forma se pode propagar mais o conhecimento teórico e filosófico. Acontece que enquanto no oriente serviu para orações budistas e taoistas, no ocidente de início não emplacou a impressão de livros, existindo antes as cartas de jogo ou adivinhação, o tarô. Com a impressão se multiplicou o acesso e o público no aceso ao conhecimento, que antes era bem restrito.

A descoberta do Novo Mundo também quebrou em muito as noções de Ptolomeu e das Sagradas Escrituras, se tomadas no sentido literal. Com colombo houve uma revolução, uma verdadeira viagem espacial. Uma nova história e geografia surgia.

Também circulou a obra de Flávio Josepho, o que revelou a história judaica, entes desconhecida em muito. Isso era positivo, porque revelava também a história dos primeiros cristãos, e ainda era uma prova da existência e obras de Jesus de uma outra fonte, fora o que dizia a Igreja. Muita coisa escrita por Paulo foi corrigida.

A Vulgata estava com erros de tradução, descobertos por Lorenzo Valla, tal trabalho descoberto por Erasmo. Acontece que era analfabeta a maioria da população, e de pouco adiantaria tantos livros e escritos impressos. Vendas de livros se davam através de viajantes, e famosa foi a feira de Frankfurt. A alfabetização se dava muito em meios Calvinistas. Mas o livro estava muito caro, e na prática se pirateava e copiava, sendo que até Galileu usou de tal expediente.

Vemos além da tradução da Bíblia, a obra filosófica de Erasmo de Rotterdã, como destaque filosófico e de best seller da época, com seu Elogio a Loucura (ou da estultice), obra polêmica e com grande humor, fácil de se popularizar. A obra mais vendida e popular na época foi Prognósticos, do médico João Lichtenberg, que se tratava de um livro sobre previsões, estrelas e destino do mundo. Falava sobre o anticristo e outras coisas. Chegou esse livro apocalíptico a ter 14 edições em alemão na época, período que seria descoberto o Brasil.

Outra obra que tomou fama com filme recente e que é medieval, é o “Martelo das Bruxas” (Jacob Sprenger), que serviu de manual para a caçada dessas mulheres, ou daquelas que eram suspeitas, que eram muitas. Era um manual de inquisidores. Vi um filme esses dias sobre Francisco Goya que retratavíra bem como eram tratadas as mulheres frende a obsessão de se perder o poder.

Isso sem falar em escritos de feitiçaria, grimórios, que misturavam o fantástico da época a criatividade artística e um pouco de cabalismo popular, com sabedoria pagã que se popularizou. E Vesalius com suas obras de anatomia.

Também se vê na Divina Comédia, de Dante Aliguieri uma obra prima que concilia a poesia a uma filosofia de época. Assim coloca em choque a sabedoria dos homens e a sabedoria de Deus, condenado todas as quimeras e abusos de poder nos círculos do inferno. Há grande conhecimento da cultura pagã e mitologia nessa obra também.

Vemos ainda em Ockhan, Alberto Magno, Anselmo, Scotus e tantos outros que filosofaram nesse período. Destaque fica a Péricles Prade, filósofo e poeta de Florianópolis, que trata do tema da filosofia medieval e renascentista, e em especial da alquimia.

Fraternidade Branca

A Fraternidade Branca é universalizante, inclusiva e por fim estimula ao desenvolvimento do livre pensador. Une as diferenças e estimula a tolerância e diversidade. Não é religião e nem política, mas tem membros políticos e religiosos. Na verdade é ela que estimula a participação, pois alguém precisa comandar.

Na Fraternidade Branca há a busca da evolução social e esta pode ser mal vista por tradicionalistas, bem como por fundamentalistas, assim revela que a mesma não tem dogma ou fundamentalismo.

Forma assim uma rede ou teia de ralações mais ampla que outros segmentos e instituições, colaborando com diálogos inter-religiosos e interpartidários, além de secularizando o governo.

Faz ainda a síntese do conhecimento antigo, das ciências ocultas e assim pode ser mal vista. Agrega assim diversas ordens de cavalaria, filosóficas. Também soma os saberes da renascença e do iluminismo, não afastando conhecimentos pagãos de seus saberes.

Tem na verdade seu foco, seja qual for a verdade, derrube ou não os dogmas há milênios defendidos. Também ensino como a cabala e tantos outros estão bem presentes nela, a teosofia e uma série de conhecimentos elevados e místicos.

Também a critica que ficou por parte de alguns é de não mais se ter a devida seleção para o ingresso, bem como seus encontros terem virado mais jantares que trocas para a evolução moral. Outra crítica é de se ter tornado demasiado materialista, perdendo um pouco de sua origem mística.

De início era uma só dividindo-se em duas. Uma foi para o campo mais místico e outra para o material ou econômico. Muitos integram ambas as fraternidades.

Expõe a Fraternidade Branca os mistérios solares, bem como segredos do funcionamento do universo, bem como as potencialidades humanas, a fim de desenvolver sua qualidade de vida.

A Fraternidade Branca reflete em plano visível o que a Grande Fraternidade Branca é no invisível. A GFB tem em seu meio os grandes mestres da humanidade, auxiliando de forma impessoal e não podendo ser invocados ou canalizados. Tal ajuda a evolução da humanidade, progresso em ciências e descobertas.

Por fim, vemos pessoas de grande notoriedade integrando a Fraternidade Branca, como políticos, artistas, atletas, advogados, médicos, juízes, delegados etc. Isso não significa algo demoníaco, porque justamente a busca da luz é o contrário de qualquer objetivo mesquinho. Claro que a proteção entre irmãos é bem maior que a quem não faz parte dessa ordem.

SEGUNDA PARTE
CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

Teoria quântica


A primeira dúvida que talvez venha à cabeça do amável ouvinte seja: o que dois filósofos têm a dizer sobre teoria quântica? Acaso a filosofia ou os filósofos são tão pretensiosos a ponto de quererem meter-se em tudo, inclusive naquilo que não lhe diz respeito? Não seria pedantismo discorrer sobre o assunto de uma área que não é a sua? Começamos tranquilizando o ouvinte porque para pavor dos dogmáticos os corifeus da física quântica não estão em muito melhor situação do que estes dois humildes filósofos desta interiorana cidade do Estado de Santa Catarina. Três teóricos deram conta de descrever a teoria quântica exaurientemente de maneira independente embora fosse eles colegas remotos de trabalho. O alemão Werner Heisenberg com sua mecânica Matricial, o austríaco Erwin Schrödinger com sua Mecânica Ondulatória e o inglês Paul Dirac com a Álgebra Quântica. Trata-se de três arcabouços teóricos que em linhas gerais dizem a mesma coisa por vieses diferentes. O ponto fulcral da teoria quântica é que a nanorrealidade pode e precisa ser explicada tanto como onda quanto como quanta. Schrödinger chegou a por em cheque a noção já extremamente bem aceita de átomo. A matéria seria uma massa ondulante e não um conglomerado de partículas. Heisenberg ficou famoso com seu princípio da incerteza. É assim que se projetamos luz sobre a matéria para podermos vê-la aceleramos as partículas e alteramos a natureza daquilo que pretendíamos conhecer com objetividade. Isto tem uma implicação epistemológica muito forte, pois o sujeito cognoscente altera o objeto cognoscível no próprio processo de cognição. Laplace, um dos representantes da física clássica cria que o universo era determinista e que se soubéssemos a posição de uma partícula em dado momento, poderíamos educar na posição em qualquer tempo do passado ou do futuro. Heisenberg rebate a ideia, pois, segundo ele, não podemos conhecer a posição de nenhuma partícula em nenhum instante. Segundo Schrödinger, que não estava muito satisfeito com a dualidade onda/quanta, admitir as premissas de ambos os pontos de partida é o mesmo que dizer que um gato está vivo e morto ao mesmo tempo. Isto tem uma implicação não apenas epistemológica, mas lógica também. Há dois mil e quatrocentos anos Aristóteles havia estabelecido três princípios: o de identidade, ou seja, uma coisa é igual a ela mesma, o de não contradição, ou seja, uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto, e o de terceiro excluído, ou seja, uma coisa não pode ser e não ser, tendo que estar necessariamente ou na primeira ou na segunda posição. Com a teoria quântica os três pilares da lógica de Aristóteles vão à bancarrota. Isto é muito sério, porque de certo modo até os dias de hoje, ressalvadas as vozes em contrário, continuamos admitindo como válida a lógica de Aristóteles. Há quem diga que a teoria quântica é algo tão ruim que até hoje não foi possível mostrar que ela está errada. Einstein, o pai da teoria da relatividade, não concorda com Heisenberg e disse “Deus não joga dados”. Quem de certa maneira conseguiu conciliar a dualidade foi o alemão Max Born no verão de 1926. Ele introduziu a ideia de probabilidade. Ao passo que matematicamente ficaram sucateadas as duas vertentes teóricas, surgia um problema não menos sério: probabilidade é apenas o possível e não a descrição exata e necessária da realidade. Isto significa que a única forma de conhecimento que temos da realidade é a verossimilhança. Ou seja, algo que tem aparência de verdade, mas que em hipótese alguma não pode ser considerada verdade. A teoria quântica é muito impotente à medida que desfaz o otimismo exagerado do cientificismo e do positivismo. Newton trabalhou com categorias de espaço e tempo absolutos e Einstein mostrou que espaço e tempo são relativos. Nosso conhecimento acerca da realidade é extremamente limitado. Nisto estão de acordo a ciência e a filosofia. Embora a epistemologia seja uma disciplina eminentemente filosófica, o filósofo não pode estar alheio à discussão da física quântica à medida que a mesma traz no seu bojo imbricados vários quiproquós gnosiológicos. Dogmatismo é ignorância, é representação e, sem exagero da palavra, uma ficção. As estruturas de nosso intelecto jamais darão conta de perscrutar com abolutez as estruturas do mundo empírico. Não conhecemos o muito grande, nem o muito pequeno, por vezes, aliás, ignoramos o que acontece dentro de nossa própria casa. Quem é o homem, um eu relativo para tirar o véu daquilo que foi encoberto pelo Eu Absoluto? A glória do homem é descobrir as coisas e de Deus ocultá-las. Enfim, meu nobre amigo e intelectual Mariano Soltys, eu não sei até que ponto, transcorridos 2.400 anos a física quântica é melhor do que a física de Aristóteles.
Beligerância
A ideia de beligerância é muito velha. Heráclito já havia dito “a contradição move o mundo”. Esta é a base do idealismo hegeliano; ideia que seria retornada por Marx e pelos marxistas cujo grande teórico Trotsky levaria a ideia ao extremo com uma visão da Revolução Permanente. As visões de mundo mais beligerantes nasceram no mundo antigo. Esparta foi uma sociedade essencialmente belicosa. Não raro uma sociedade inferior domina uma superior por manejar bem a arte da guerra. O cidadão romano da Antiguidade via e encarava a vida com um a luta. O PT ficou famoso com sua frase “a luta continua companheiros”. As sociedades mais ricas e mais influentes do planeta são as mais belicosas, basta olhar para os Estados Unidos da América cujo poderio militar é superior a todo poderio bélico do mundo todo reunido. Plauto disse e Thomas Hobbes retomou a ideia de que “o homem é o lobo do homem”. Significa que por sermos dados a disputas e querelas somos quem mais oferece risco a nós mesmos. O maior teórico da guerra de todos os tempos foi o general alemão Carl Maria Von Clausewitz. Trata-se de uma literatura antiga, basta pensar na obra milenar de Zen Tzu, chinês do século VI antes de Cristo. Os dois maiores impérios do mundo o romano e o norte-americano se ampliaram pela guerra, pela predatoriedade e pela difusão do seu idioma como idioma universal. A vida começa não só como corrida, mas também como luta. Pois cada um, além de ter que ser o espermatozoide mais rápido, tem de atrapalhar os seus rivais de peso. A luta não precisa ser corporal ou lançar mão de instrumenos mortais. Em todo lugar pelejamos: na mídia, nos livros, no concurso público, as grandes batalhas de minha vida foram batalhas intelectuais. A oratória é ferramenta de batalha séria. Padres, pastores, tribunos, advogados e políticos que o digam. A beligerância é uma constante, ela participa da vida. Neste instante estão morrendo e nascendo algumas células em meu corpo, este nicho de vida e morte é o que melhor representa a beligerância. A beligerância exige unidade dentro da facção. É assim que Florestan Fenandes entende que a guerra de uma tribo indígena contra outra tem o condão de reforçar a unidade interna da tribo. Esta é uma leitura funcionalista. Outra questão interessante é que a tecnologia militar é sempre tecnologia de ponta. A guerra é muitas vezes o carro chefe que alavanca a tecnologia. A guerra torna as pessoas mais diligentes. É assim que quase toda casa alemã tem porão com armazém para prevenir a carestia dos tempos de guerra. A guerra é fator de mudança. Ela muda a composição dos jogos de força. A guerra é também prolongamento da política. A guerra dá conta de fazer aquilo que está fora do alcance da diplomacia. Embora a guerra enquanto meio seja necessariamente deplorável, o fim da guerra pode ser nobre. Aí volta a pergunta: os fins justificam os meios? Trotsky dizia que quem almeja os fins não pode deplorar os meios. A guerra também é pedagógica, vasto conteúdo a ser dissecado por estudiosos e, sobretudo, por historiadores. A guerra educa. Não se admite jogar fora um único grão de arroz porque o que se desperdiça hoje vai faltar amanhã. A guerra nos alerta ainda sobre o perigo das maiorias eventuais. Não temos o direito de tomar decisões hoje quando quem vai pagar a conta serão nossos filhos e netos. A guerra deve ser a última das soluções. Não precisamos ir para as trincheiras, para batalhar. A vida do homem comum já é uma batalha. Não é à toa que os advogados costumam dizer que militam na advocacia. Walter Benjamin percebe que a realidade do operário em nada fica para trás do sacrifício das touradas espanholas ou da arena romana do mundo antigo. A guerra tem um valor estético, antiestético e paraestético. A guerra gera a figura do herói, símbolo máximo da virtude e da beleza pagãs. O homem que voltou vivo de uma guerra não é um homem comum, nunca mais voltará a ser quem foi, é algo mais radical do que a perda da virgindade, é um batismo espiritual de quem é forjado numa fôrma incandescente de fundição.


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