Programa Radiofônico Filosofia é Liberdade



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Alter ego
Alter ego é uma expressão que vem do latim e que significa outro eu. Muitas vezes encontramos o termo na literatura, na acepção segundo a qual o outro seria uma espécie de xará psicológico meu, uma verdadeira alma gêmea. Há uma teoria esotérica de acordo com a qual há, no mundo, para cada pessoa, uma idêntica a ela, idêntica a você, contudo, na razão inversa nos aspectos de personalidade. Se estas duas pessoas se encontrarem uma liquida com a outra, porque as energias se compensam. É a lei da física quântica: para cada energia positiva há uma energia negativa, equivalente para haver equilíbrio. É a lei universal da neguentropia. A questão do outro eu é tema velho em filosofia, embora sobre ele os filósofos tenham voltado sua atenção com mais afinco apenas a partir de existencialismo. Platão dava graças aos deuses por ser gente e não animal, homem e não mulher, grego e não bárbaro. Aristóteles também tinha um desprezo que beirava o horror quando se reportava aos não gregos. Ser grego, para aquela época, era sinônimo de ser civilizado. O amor que os gregos tiveram por si mesmos eu diria que foi o responsável por toda a reflexão filosófica. O pensamento filosófico é algo que traduz um compromisso um comprometimento do eu para consigo mesmo. Filosofar sempre foi absolutizar o eu em detrimento do tu. Daí que surgiu o homossexualismo grego: o conceito de beleza estética é o corpo masculino e musculoso, sendo o corpo da mulher tido por ridículo. Além do quê, no entender dos gregos, o amor só era possível aos homens, ficando as mulheres adstritas à mera procriação, porque se entendia que o amor era uma faculdade racional e as mulheres eram desprovidas de razão. A filosofia é a história do eu. O próprio Agostinho de Hipona preconiza um pensamento similar ao de René Descartes ao pôr o foco no eu que duvida. René Descartes, já que mencionamos o seu nome, foi o pai do solipsismo. Eu penso logo existo. Quem pensa é o eu na sua idiossincrasia e subjetividade. Para Kant a universalidade está no sujeito enquanto que para Aristóteles estava no objeto. Hegel leva ao extremo o conceito de eu e faz o eu mesmo coincidir com o alter ego, porque toa a realidade se torna um grande eu, o Eu Absoluto. Filosofia é consciência e a morte do eu por mais livros que escrevamos, por mais expandida que se torne a rede mundial de computadores. O existencialismo inaugura uma nova linha de investigação acerca da relação do eu mesmo com o alter ego e, segundo Sartre, “o outro é um inferno”. Disse isso não só por ter enfrentado duas guerras mundiais, mas porque esta assertiva tem um fundo filosófico. O outro faz com que através do seu olhar eu, que sou um sujeito, me torne um objeto enquanto alvo de mira do olhar alheio. O sexo, para Sartre, é alienante, é uma relação em que dois eus conscientes abrem mão de sua consciência e se tornem carne. Nietzsche propunha a moral do super-homem. Evidentemente, onde há super-homem é necessário que haja um sub-homem. Porque para que alguém seja superior ele precisa dominar alguém que lhe seja inferior. Não é por acaso que Nietzsche odeia Marx. Pena que Nietzsche não tenha dedicado um livro exclusivo sobre Marx confrontando ambos os seus pontos de vista. Bem provável que isto tenha ocorrido porque na época as obras de Marx eram desconhecidas, inclusive para Nietzsche. Martin Buber foi o primeiro filósofo a traçar uma nova relação entre o ego e o alter ego. Segundo ele só existe um eu porque existe um tu. O eu e o tu somados gera mais do que a justaposição de ambas as partes, gera um nós. Trata-se de uma parte da doutrina hebraica na filosofia porque Buber era judeu. Buber diz que, em se tratando entre duas pessoas, a relação eu – isso deve ser transformada em relação eu – tu. Jürgen Habermas foi o grande abre alas da alteridade com sua ética discursiva. Segundo o pensamento habermasiano a verdade não resido no intelecto deste ou daquele sujeito, mas é uma construção coletiva que brota do debate próprio da democracia. A ética habermasiana é procedurística no sentido de estabelecer os parâmetros que nortearão todos os parâmetros todos os encaminhamentos necessários para a construção da verdade. É a ética mais aberta ao alter ego que se tem notícia. Nada mais coerente. Se a ética é algo que ocorre na vivência coletiva ela tem de ser disciplinada e convencionada coletivamente. Isto é uma antítese à ideia dos grandes sistemas éticos oriundos do intelecto dos gurus. Com todo o respeito que tais éticas façam jus. Enrique Dussel critica o pensamento habermasiano como um jovem rebelde e irresponsável. Diz que tal ética só se pode praticar na Europa porque a discrepância de poder aquisitivo, cultural e formação política é muito abissal nos países de terceiro mundo, mormente se reporta ao contexto latino-americano. Como se vê, é um posicionamento leviano embora de fácil aceitação. O que se pode fazer, se dada a voz a quem tem direito de se defender o mesmo sequer reúne condições intelectuais de defender?! O máximo que a democracia pode fazer é democratizar o debate, uma vantagem adicional seria tão irracional como quotas nas universidades, seja para qual grupo for. Imanuel Levinas fala do alter ego que não é a minha cara. Fala que devemos amar o alter ego ainda que eu seja judeu e o outro não judeu, ainda que eu seja branco e o outro seja negro, oriental ou mestiço, ainda que eu seja da etnia A e o outro da etnia B. Imanuel Levinas é judeu francês, mais uma contribuição do pensamento hebraico, portanto. O alter ego é um tema muito próximo daquela outra edição deste programa, o da tolerância. No mundo globalizado de muito transporte não só de bens, mas de pessoas, de muita comunicação a todo instante nos deparamos com um alter ego que não é exatamente a nossa cara. O europeu, na época das colonizações, encontrou-se basicamente com dois perfis de alter ego: com o negro africano e com o índio brasileiro. E não foram exatamente agradáveis as experiências que o negro e o índio fizeram com o europeu. O europeu é naturalmente um dominador. O europeu ficou convencido ao desbravar os quatro cantos do planeta e perceber que ninguém poderia fazer frente à sua tecnologia e ao seu modo de vida. Em nossa humilde análise se em tudo o europeu é superior aos outros povos isto se deve à sua religião, o cristianismo, forma suprema de mentalidade e civilidade. O Continente Europeu é herdeiro de tudo o que de melhor o mundo produziu: a tradição judaico-cristã e a tradição filosófica grega. A filosofia educa o intelecto e o cristianismo educa o coração, fazendo do europeu, um já beneficiado dos processos evolutivos que enjambraram sua racionalidade neocortical, um ser que impôs seu padrão ao planeta. Isto não tem um lado somente ruim, no sentido deque as culturas autóctones vão sumindo, mas tem o lado extremamente positivo que é o do assemelhamento nos resultados. Quem se europeizou acabou gozando de um sucesso pragmático e material senão idêntico, ao menos similar ao do europeu.
Prosperidade
A prosperidade é uma harmonia de circunstâncias em que o dinheiro é apenas uma das variáveis. A saúde faz parte essencial da prosperidade. A felicidade também. Dinheiro não fabrica automaticamente a felicidade, mas quase sempre d um grande empurrão. Mais importante do que quanto você ganha ou gasta é quanto você faz sobrar. A prosperidade muitas vezes não é alcançada porque só se busca a bênção ao invés de se buscar o abençoador. Se em algum momento alguém coloca a própria prosperidade como meta isto deveria ser feito em primeiro lugar para que uma vez rico você pudesse ajudar os não tão ricos. Certa vez um viajante europeu passou por um lugar da Índia e viu um guru sentado no chão de sua humilde casa. O europeu perguntou ao indiano “onde estão seus móveis?”, ao que o indiano redarguiu “e onde estão os seus?”. O europeu retrucou “mas eu estou de passagem” e o indiano revidou “eu também só estou de passagem”. A moeda foi a grande invenção que permitiu que o homem se tornasse um entesourador. Como costuma dizer meu amigo Mariano Soltys “o dinheiro é a grande moral de nosso tempo”. De minha parte valorizo muito a Palavra de Deus que diz que Deus usa as coisas que não são para confundir as que são. Devemos usar as coisas materiais para conquistar as espirituais e não o inverso disso. O dinheiro não deve ser a meta. A meta deve ser o desenvolvimento dos dons e o dinheiro vem a ser uma mera consequência. O trabalho é o pai da dignidade porque ainda que se trata de modesta remuneração o trabalho sempre redunda em proveito financeiro. O livro de Provérbios diz que quem é perito no seu ofício não trabalha para gente obscura. O livro de Provérbios ainda dá outra dica sobre a prosperidade “vai ter com a formiga, ó preguiçoso!”. O dízimo é uma questão sagrada para quem quer ser próspero. Pois é muito mais negócio 90% com Deus do que 100% sem Deus. A liberdade deve ser uma constante do homem próspero. O avarento ainda que de posse de um razoável cabedal é sempre miserável. Outra ideia pequena e pobre é começar a vida profissional pensando na aposentadoria. Nada contra a ter direito à percepção do benefício, mas lamentável mesmo é a ociosidade improdutiva. A falta de ocupação é a pior das doenças ocupacionais. Prosperidade passa não só pelos resultados monetários de sua atividade, mas pela satisfação advinda do exercício daquela atividade. A gratidão é fonte de prosperidade. Porque se você é grato por aquilo que já tem muito mais há de vir pela frente. O desperdício gera pobreza não só porque desrespeita pobreza não só porque desrespeita um princípio de administração, mas porque dá legalidade no mundo espiritual para o espírito de miséria agir em nossas vidas. Prosperidade também depende muitíssimo de relaciona a todo instante com pessoas bem sucedidas logo em breve você mesmo será bem sucedido. Prosperidade é também postura mental. Um pensamento de prosperidade gera prosperidade assim como um pensamento de pobreza gera pobreza. Não é à toa que em geral o rico é otimista e o pobre pessimista. O pobre não é pessimista porque é pobre, pelo contrário, o pobre só é pobre por ser pessimista. A prosperidade reflete muito a ideia que você tem de você mesmo. A vaidade de mais vazia que existe é a vaidade de estar situado no padrão econômico xis ou épsilon. É você que dignifica o seu patrimônio, não é o patrimônio que lhe dignifica. Uma pessoa pode ser considerada verdadeiramente próspera quando há um consenso na comunidade de que é vantagem relacionar-se com aquela pessoa. Ela é rica pelo que transmite aos outros e não pelo que retém em si mesma. Um rico humilde é rico duas vezes: material e espiritualmente. Aliás, se rico é ter tudo aquilo de que se precisa de tal sorte que quem não precisa de nada ainda que nada tenha já é rico. Quanto mais o tempo passa mais e mais me convenço de que o que há de mais valioso são as pessoas pois elas são não apenas as destinatárias da prosperidade, mas também a sua força geratriz.

Família e religião


Certo mesmo é que nossas vivências existenciais alteram o modo como olhamos para a religião. Uma coisa é ter ambos os pais vivos ou já não tê-los mais. Uma coisa é ser solteiro e outra é ser casado. Uma coisa é ser casado sem filhos e outra é ter uma criança em casa. A família é a base da família. Família e religião guardam entre si concorrência e reciprocidade. Uma está na razão direta da outra. Em última análise a família nos últimos tempos se enfraqueceu porque a própria religião de um modo em geral não tem a mesma importância que tinha no passado. Não raro, quando a família é desestruturada os filhos procuram uma denominação religiosa diferente daquela prestigiada por seu pais, pois o modelo fica desgastado. A disciplina de cultura religiosa e, se não exatamente a primeira, uma das formas elementares da vida religiosa é o manismo ou culto aos antepassados mortos. A religião entre os romanos era uma religião familiar ou doméstica. Não se admitia a ideia de não se ter filho porque não se daria prossecução ao culto familiar. O povo judeu de certa forma pode ser visto como uma numerosíssima família e o judaísmo, neste sentido, também seria uma religião familiar. O cristianismo, dentre muitas outras razões pode ser visto como uma religião superior porque está aberto à universalidade. Identidade religiosa forte solidifica a entidade familiar. Família é relacionamento e religião também é relacionamento. As verdades religiosas e familiares caminham lado a lado. A religião atinge em cheio a família e tudo o que se passa na família atinge em cheio a religião. Não raro se tem uma noção negativa de Deus porque sempre foi ensinado que Deus é Pai e o filho tem um péssimo relacionamento com o pai. Se o pai rejeita o filho então o filho também rejeita o pai e tudo o que é do pai, inclusive a religião. Uma religião que priva seus líderes religiosos da vivência um família é pervertida. Porque uma autoridade espiritual tem de ser mestre não só nas coisas do espírito, mas também nas coisas familiares. Até mesmo porque, é na vivência em família que ficamos instruídos nas coisas do espírito. A geração mais nova é herdeira da geração que a precede do ponto de vista patrimonial, linguístico, cultural, religioso e espiritual. O duro de tudo é que a geração que nasce hoje sabidamente será carente do ponto de vista religioso porque os seus pais já se mostraram herdeiros de nulidades e espaços vazios. Não nos sobre tempo para ler a Bíblia porque o tempo todo estamos em frente ao rádio, à TV ou ao computador. A religião e o trabalho já não são os mais preponderantes elementos de nosso caráter e sim aquilo que se veicula na mídia. Somos cada vez mais presa fácil de jornalista e marketeiros. Nunca fomos tão miseravelmente manipulados e cogitamos que ao deixar de lado a religião nos emancipamos. Triste ilusão ainda que palatalmente doce e melíflua. A religião verdadeira deve por uma questão de lógica fomentar a procriação vez que uma das maneiras mais seguras de aumentar o número de adeptos é fazendo com que os filhos deem prossecução à religiosidade dos pais. Não é para mero deleite dos homens que o Islã autoriza a poligamia. É uma estratégia missionária. O cristianismo recomenda que as mulheres sejam submissas a seus maridos. Por óbvio, uma casa onde há dois líderes em verdade não há líder algum. Por outro lado, o cristianismo ordena ao marido que ame sua esposa como Cristo amou a Igreja. Em que pese o fato de Cristo ter sido negado, abandonado, cuspido, chicoteado e crucificado pela Igreja, deu a vida por ela. Por mais desgastada que fique a família ela nunca irá se acabar porque é uma instituição natural e, por conta disso, igualmente a religião nunca irá se acabar. Na verdade, o sucesso profissional acadêmico, financeiro e político depende muito do nível de organização das famílias. Os meios de comunicação social estão nas mãos de famílias. Isto quer dizer que há famílias que querem enfraquecer a família dos outros porque em última instância se a minha família estiver organizada e a família do meu vizinho esfacelada, eu sou mais poderoso que o meu vizinho. O amável ouvinte pense seriamente nisto, porque o chapéu pode lhe servir.
A voz
Diz o brocardo popular “a voz do povo é a voz de Deus”, mas a voz do povo já gritou desde “crucifica-o” até “Heil Hitler”. A voz é uma identidade. Numa colônia de pinguins de um milhão de membros o filhote reconhece a mãe pelo timbre do pio. A voz é algo mágico. Está diretamente relacionado com a audição. Assim as cobras se comunicam mediante silvos, mas não ouvimos estes sons porque são emitidos numa frequência não audível pelo ouvido humano. Os homens barítonos em geral tem mais filhos do que os outros homens que tem outro timbre de voz. Um castrato é tão raro quanto um baixo. A voz é parte essencial da personaliade. A voz é orgânica, mas também é cultural. A voz se manifesta em um determinado idioma e em determinado sotaque. O italiano é famoso por falar bastante e alto enquanto o japonês fala pouco e baixo. O fato de um idioma ser mais vocálico ou consonantal, mais gutural ou anasalado atinge em cheio a questão da voz. Há quem ganha a vida com a voz e nossos queridos locutores da Rádio Liberdade são o melhor exemplo disso. A voz pode ser sôfrega, melodiosa, autoritária, feminina, viril, senil, infantil, alegre, triste, deprimente, animadora, feia, bonita, comum, extraordinária, pode não combinar com seu dono e, até mesmo, pode ser a cara do seu emissor. Voz não é só genética, é muito treino e até a ginástica, de preferência aeróbica, lhe beneficia. A voz não merece ser maltratada pelo tabagismo. É lamentável que o giz ainda seja usado na rede de ensino para sobrecarregar as cordas vocais dos mestres que sem querer aspiram o pó e veem uma de suas principais ferramentas de trabalho, o órgão fonador enfermar pela inadequação das estruturas. Tão importante quanto aquilo que é falado é como é falado. Um tribuno sabe quando acelerar, pausar, elevar e baixar a voz. A excitabilidade das emoções traduz muito das nuances da voz do loquente. A voz também é produto de socialização e em certo sentido nossa voz é a síntese de todas as vozes que já ouvimos. A voz é algo idêntico a si mesma em todas as ocasiões e é fruto da circunstancialidade. Pois a mesma pessoa emitirá uma voz diferente ao articular “sim” à pergunta “quer casar comigo?”, “socorro” em meio às brumas oceânicas e “meus pêsames” ao consolar um parente próximo da morte de um ente querido. A gagueira é um bloqueio que se manifesta na voz. As pessoas que tem voz de locutor de rádio ainda que desenvolvam outra profissão querem passar a impressão de que são pessoas bem resolvidas. Por vezes são bem resolvidas mesmo, enfim, estão de bem com a vida. A voz traduz a visão e a percepção que a pessoa tem de si mesma. Segundo consta, monocórdicos fazem mais sexo do que aqueles que falam muito alto e exageram no volume. Saber ler nuncupativamente um texto é saber trabalhar a voz. Quem desconhece as peculiaridades da voz não sabe se expressar plenamente. A voz do líder traduz empatia e segurança, sempre. Em todo lugar público em que me é dado o microfone o sonoplasta baixa o volume e abre o som porque minha voz tonitruante causa inveja a todos quantos gostariam de ter a potência vocal que tenho, mas não têm. René Descartes dizia que devemos desenvolver ideias claras e distintas. Em verdade digo-lhes que um homem que fala com clareza e distinção acaba transferindo estas características para a própria voz. Não é por acasoque encontramos pessoas inteligentes mais facilmente entre aquelas que têm boa dicção do que entre as cacofônicas. Quem tem personalidade dupla da mesma forma acaba desenvolvendo dois timbres de voz. Se os olhos são as janelas da alma, a voz é a expressão acústica daquela realidade que vibra em primeiro lugar no mundo espiritual. O que seria do humanismo sem uma voz engraçada? A voz quando muito atípica chega a ser uma caricatura. O jornalismo da globo artificialmente impõe uma diretriz fonética aos seus jornalistas e repórteres quando o que mais enriquece o jornalismo é a subjetividade que faz de cada profissional algo irrepetível e único. Graças à tecnologia a voz destes dois filósofos que hoje vos dirigem a palavra ficará imortalizada na fonoteca da Rádio Liberdade FM 87,9.
Cultura
Tudo é cultura, no dizer do teatrólogo norueguês “o homem não passa de uma cebola, cada casca corresponde a um aspecto da cultura”. Refiro-me ao homem cebola de Henrik Ibsen. A cultura é tudo o que há de material ou ideal produzido por intermédio do homem e de sua consciência. Pontes, estradas, aviões, máquinas, computadores, mas antes disso, já na Pré-História, tecido, cerâmica, arquitetura, pintura. A cultura pode ser inclusive a agricultura, uma das primeiras atividades culturais do ser humano. Religião, filosofia, arte e ciência também são cultura. Cultura são também os hábitos, usos e costumes, é a culinária, é o nosso chimarrão. Cultura é idioma, sotaque e gíria. Erudição é cultura refinada. Com a escrita a cultura dá um salto gigantesco, mas os chamados povos ágrafos também possuem cultura. Cristianismo até pode ser considerado cultura, mas ele precisa ser bem mais do que cultura em nossas vidas. O relativismo cultural e o etnocentrismo são não apenas não contraditórios, mas complementares, necessários e úteis. Não há nada de errado eu preconizar a minha cultura como a melhor cultura desde que eu saiba tolerar e conviver harmonicamente com a cultura alheia. A etnopsiquiatria parte da premissa segundo a qual o desajuste de personalidade traduz um desacerto cultural e o resgate da saúde mental passaria pelo retorno às raízes culturais da comunidade a qual o membro enfermo pertence. O pai do relativismo cultural foi Franz Boaz. O método de Boaz consiste em abrir mão de querer entender a sociedade ocidental a partir dela mesma. Filosofia, teologia, linguística, matemática, sociologia, economia, biologia e por aí vai, tudo isto foi desenvolvido pela sociedade ocidental para que ela pudesse entender ela mesma a partir dela mesma. E quando se começou a ter contato com outras culturas o europeu sentiu-se muito superior por conta de sua tecnologia, e então os teóricos da antropologia perceberam que precisamos compreender as chamadas comunidades primitivas a partir da ótica delas mesmas e não a partir de nosso eurocêntrico ponto de vista. Particularmente penso que é vazio o orgulho que o ocidental tem de si mesmo. Por outro lado, negar que o Ocidente seja culturalmente superior ao resto do mundo é querer tapar o Sol com a peneira. Refiro-me à quantidade, profundidade e qualidade da produção cultural do Ocidente. A humanidade já publicou 130 milhões de livros. São publicados 712 livros por dia no mundo ou um a cada dois minutos. O que o Google traduz de texto de um idioma para outro equivale a um milhão de livros por dia. Se o mundo todo estivesse no nível de consumo do padrão norte-americano o planeta já teria exaurido, ora, modo de vida também é cultura. Assim, portanto, o modo de vida que teoricamente mais deu certo no mundo traz no seu bojo a contradição de não ser ecologicamente sustentável. Vagarosamente o eixo da civilização se desloca da Europa para a Ásia e o carro chefe do movimento é a China. A China cada vez mais vem se tornando o país dos números astronômicos. Fator determinante do sucesso chinês é não só a composição feliz de fatores culturais, geográficos, econômicos e demográficos, mas também um eficiente sistema político regulador do cotidiano das pessoas e de questões indiscutivelmente estruturais em todos os aspectos. A cultura é esse plexo que gera a ascensão, apogeu e queda dos impérios. Em verdade, nenhuma civilização desaparece, ela simplesmente é abarcada, fundida ou transformada. A cultura é essa coisa viva em constante mutação. Em linhas gerais o que se observa é que a cultura que assume um caráter conservador alcança o oposto do seu propósito, ou seja, fica apagada. Já as culturas que mais crescem são as promotoras de mudança. O idioma mais falado no mundo é o inglês pelo simples fato de que a população anglófona concentra maior número de agentes de transformação social, maior do que o encontrado em outros vernáculos. O sucesso da cultura depende também da medida de importância que a comunidade atribui às suas próprias produções culturais. São Bento do Sul precisa valorizar os produtores culturais de São Bento do Sul. Nem sempre o melhor pintor, o melhor escritor e o melhor músico serão do mesmo partido que eu, do meu grupo de amigos, sequer muitas vezes os tais serão simpáticos, carismáticos e humildes, mas nem o inverso destas qualidades nos autoriza a ignorá-los.
Judaísmo
Não há consenso do que vem a ser exatamente judaísmo. Pode ser cultura, religião, idioma, raça, ou ainda pode ser encaixado em outra característica. O Estado de Israel é historicamente coisa recente, mais precisamente 14 de maio de 1948. E por esta razão o judeu é internacional. Há judeus russos, poloneses, alemães, norte-americanos, brasileiros. Judeu é sempre judeu. Há, no entanto, judeus que estão no Brasil ainda que jamais tenham pisado no exterior e não podem ser considerados exatamente brasileiros. O judeu não podia ter terras na Idade Média, na Europa, e por isso dedicou-se ao comércio, à atividade bancária e às profissões liberais. E, com isso, conseguiu prosperidade. Hitler articulou o holocausto porque não se conformava que em terra de alemão quem mandasse fosse judeu. O partido nazista sabedor que o grande comércio, a grande indústria, os bancos e o dinheiro grosso da Alemanha era dos judeus os matou para ter fundos para financiar a guerra. Milhões de judeus foram mortos. Não mencionarei um número exato para evitar polêmicas. Em regra, o judeu não tem outro motivo para ser odiado senão sua competência. É conhecido por emprestar a juros, mas se enganam a si mesmas se esquecem de que para o judeu poder gerar um excedente e emprestar a seu vizinho ele teve de trabalhar duramente e economizar muito. Os cargos mais estratégicos do planeta em sua maioria estão nas mãos de judeus. Eles fazem o diferencial na mídia, na política, na diplomacia e na guerra, na economia, na religião, na filosofia, nas ciências e nas artes. Quase atrás de todo ismo pode-se encontrar um judeu. Basta pensar em relatividade, psicanálise, filosofia clínica, capitalismo, marxismo, sionismo, judaísmo, cristianismo, anarquismo, e tantos outros ismos que poderíamos aqui mencionar. As grandes ideias que movem o mundo saem da cabeça de judeus. O judeu é o povo de maior escolaridade do mundo ficando em segundo lugar o japonês. O judeu é poliglota, é conhecido pelo iídiche. Mas em Israel fala-se hebraico, árabe e inglês. O idioma oficial da Universidade Hebraica de Jerusalém é o inglês. Os advogados judeus são muito famosos e, segundo se brinca, litígio é com eles mesmo, pois brigar para eles, é uma especialidade. O judeu merece ser respeitado enquanto indivíduo e enquanto coletividade, nenhum outro povo tem uma história tão bonita e tão bem contada que se protrai por mais de quatro milênios. O judeu é o povo que concentra o maior número de intelectuais da humanidade, embora numericamente seja um dos menos expressivos, isso faz a gente pensar. O judeu é criativo, organizado, articulador, inteligente, sagaz e extremamente solidário entre si. Estas qualidades por si sós já o tornam um ser único e distinto dos demais, mas além disto tudo, o judeu é o povo eleito e querido de Deus. Na verdade, o Senhor Deus dos Exércitos é um Deus de relacionamento e o judeu, portanto, é extremamente bem relacionado. A maçonaria é fortemente influenciada pelo judaísmo, sobretudo no que se refere à simbologia, ritualística e a cabala, mas nem sempre é fácil para um judeu ingressar na maçonaria. Talvez por conta daquilo que se escreveu nos Protocolos dos Sábios de Sião. Diga-se, existem ritos maçônicos em que só é autorizada a membresia para quem for genuinamente judeu. Há várias formas de vivenciar o judaísmo: desde o nível ultraortodoxo até o modus vivendi laxo de Tel-Aviv. Isto do ponto vista ético e religioso. O judaísmo deve seu sucesso, dentre outros fatores, ao fato de ser uma cultura marcadamente masorética. No sentido de que tudo o que acontece na vida do judeu, todo fato, circunstância e contexto ele tem o hábito de registrar. O judeu põe no papel o que faz, o que pensa e o que é. O judeu é um líder nato, onde quer que vá e haja um judeu lá está ele na dianteira do movimento. O judeu é um grande promotor de mudança, não obstante seja o povo mais conservador do planeta. O judeu tem muito a ensinar sobre tolerância. Ele é um contraponto ao não judeu. O judeu não quer causar problema a quem quer que seja, ocorre que o judeu tem uma identidade muito forte, o que acaba relativizando o não judeu. A tendência é que o mundo torne-se cada vez mais hebraizado. A bem da verdade, a terra da qual em tese mana leite e mel é seca, pouco agricultável, mas os israelenses superam as barreiras naturais com tecnologia de ponta e o forte da economia israelense consiste na produção de equipamentos contenedores de densa tecnologia. Além do mais, Israel é o braço forte do governo americano no Oriente Médio, o que vem a ser uma questão geográfica e militar estratégica. Obrigado ao Deus Altíssimo ao qual aprouve deixar embaixadores aqui nesta terra. Shalom.

Patriotismo



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