Projeto pedagógico do curso de bacharelado em história



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS

CURSO DE

BACHARELADO EM HISTÓRIA
PROJETO PEDAGÓGICO

ABRIL DE 2008

PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA


  1. Identificação




    1. Denominação: Bacharelado em História




    1. Modalidade: Presencial




    1. Titulação conferida: Bacharel




    1. Duração do Curso: 4 anos




    1. Carga Horária Total do Curso: 2.780 horas, assim distribuídas 2380 de carga obrigatória, 200 de disciplinas optativas e 200 horas de atividades complementares.




    1. Turno: Tarde




    1. Número de vagas oferecidas: 40




    1. Regime Acadêmico: Semestral




    1. Unidade Acadêmica: Instituto de Ciências Humanas



  1. Histórico do Curso

Pelotas é um dos pólos mais importantes da Metade Sul. Esta região, e também nosso município vivem um já secular período de perda de importância relativa de sua economia em relação ao estado e país. Muitos foram os estudos que diagnosticaram as causas deste processo de desenvolvimento deprimido e observaram sua manifestação nos níveis da demografia, da economia e da política. Sem nos determos em demasia no diagnóstico, referimos que existe um razoável grau de acordo na identificação da origem remota (início do século passado) destas dificuldades, a partir de uma incapacidade de dar novo rumo à economia, após uma grandiosa crise da pecuária e do que dela advinha. Mais recentemente a região sofreu, nos anos de 1980, os resultados da chamada “década perdida” na qual o país viu despencar seus índices de crescimento e consumo. Na década de 1990 - com a crescente especialização da indústria local voltada para o setor dos alimentos – Pelotas e seu entorno foram atingidos, desta vez pela “âncora verde” que a partir de uma enorme drenagem de recursos oriundos do campo, garantiu a estabilização da moeda.

Este período prolongado de desenvolvimento deprimido teve como conseqüência mais grave uma diminuição significativa na qualidade de vida das pessoas na região e em Pelotas. A falta de oportunidades para os mais jovens, o desemprego ou subemprego, o elevado déficit habitacional, a subnutrição ou desnutrição de um significativo número de pessoas, são a face mais dura e cruel desta realidade.

Entretanto, há conseqüências outras que merecem atenção por darem contorno ao que podemos chamar de um círculo vicioso. Destacamos três. Em primeiro lugar a desarticulação de atores sociais importantes: é comum que em momentos como este, se busquem saídas individuais para a crise, bloqueando-se ou dificultando-se a troca de informações, a cooperação e a relação entre os agentes econômicos e entre estes e os centros de produção de conhecimento. Isto é particularmente relevante, pois as mais exitosas experiências de diminuição de desigualdades regionais, tanto no Brasil como no exterior, basearam-se exatamente em ações que valorizaram o fortalecimento destas relações.

Em segundo lugar, a imposição do curto prazo, ou seja, a sociedade premida pela necessidade das respostas urgentes, do atendimento das demandas de há muito reprimidas, negligencia o planejamento estratégico e as por vezes pequenas ações, incapazes de causar impacto social positivo imediato, mas que são absolutamente indispensáveis num processo cumulativo de longo alcance.

Em terceiro lugar, e de certa forma relacionada com a falta de planejamento, temos uma perda de foco, ou uma incapacidade de hierarquizar ações, deixando-nos levar por um turbilhão de idéias e possibilidades que, ao invés de impulsionar, paralisam.

Portanto, é desejável um esforço coletivo de superação destes fatores. Dentro deste contexto, é necessário o incentivo de um processo de planejamento estratégico, que certamente está absolutamente vinculado a Universidade Federal de Pelotas.

A Universidade Federal de Pelotas já vem cumprindo com este papel, ainda mais recentemente quando se envolveu na ampliação de oportunidades acadêmicas, através do auxílio à formação da UNIPAMPA. Há alguns anos a UFPel vem crescendo de maneira importante, ampliando áreas de conhecimento e oportunidades à milhares de jovens que não tinham acesso à Universidade.

Dentro deste contexto apresenta-se o curso de Bacharelado em História, já que a Licenciatura existe há 28 anos. Surgido como Licenciatura Plena em História em dezembro de 1980, era vinculado à Licenciatura em Estudos Sociais e consolidou-se como curso independente a partir de 1990. A Licenciatura em História recebe atualmente alunos de municípios da região sul e de várias cidades do Brasil.

Ao longo deste tempo formou um grande número de profissionais os quais hoje desempenham funções tanto na docência e pesquisa quanto na administração, seja pública ou privada, de empresas, prefeituras e secretarias.

Mas são nas atividades de docência e pesquisa que encontramos os maiores retornos: são numerosos os egressos do curso de história da UFPel que dão aulas na rede pública ou privada no estado do RS e em outra regiões do país, como são muitos aqueles que, alicerçados pela bagagem teórica e técnica adquiridas em nosso curso, se lançam à vida acadêmica, participando de programas de pós-graduação. Atualmente também estão sendo muito requisitados conhecimentos na área de preservação de acervos, tendo alunos de nosso curso de licenciatura que já desempenham inúmeras atividades mais próximas do bacharelado, como diretoria de museus históricos em cidades da região, assessoria ou estágio em centros de documentação ou em bibliotecas de vários tipos e trabalho profissional junto a arquivos de municípios da região.

O Curso de Licenciatura realiza inúmeras iniciativas no campo da docência, pesquisa e extensão, entre as quais podemos destacar a realização sistemática de atividades de atualização a professores da rede de ensino e a promoção de diversas atividades ao grande público, como simpósios, jornadas, oficinas, fóruns.

Também têm sido importante sua assessoria e coordenação na realização de serviços técnicos na área de extensão (acervos e educação patrimonial), como os projetos em vigor de organização e classificação do Arquivo Histórico da Biblioteca Pública Pelotense e da correspondência da Câmara de Vereadores, também localizada na Biblioteca Pública Pelotense; o projeto do Museu das Telecomunicações; a organização do Memorial do Theatro 7 de Abril e o trabalho de educação patrimonial desenvolvido junto ao Museu da Baronesa; o Programa Memoriar; o Museu da Colônia Maciel e o atual projeto de arranjo dos documentos históricos da Santa Casa da cidade. Em relação à pesquisa, se desenvolvem estudos sistemáticos sobre a história da região e do Estado, os quais, depois, são publicizados em revistas (“História em Revista” e “Cadernos do Lepaarq”) e outros periódicos científicos, com publicação no país e no exterior. Pode-se citar também o trabalho do NDH/UFPel resguardando documentos e acervos completos, como aqueles da Delegacia Regional do Trabalho e da Justiça do Trabalho. Tais documentos são preservados e colocados à disposição do público. Acreditamos que agora com a criação do bacharelado em história e sua forte orientação para a questão de acervos, esse setor vai ser ainda mais desenvolvido, o que vai ser mais do bem vindo, pois realmente a região sul do estado, por ter sido uma das primeiras e mais ricas, em termos de povoamento do estado, concentra boa parte de sua herança arquitetônica e documental.

Além da atuação do NDH e do Lepaarq, já destacadas anteriormente, existem os núcleos de História Regional, que possui alguns de seus trabalhos diretamente relacionados aos professores da rede municipal, estadual e privada de ensino e também o Laboratório de Ensino de História, que se constitui num espaço voltado ao desenvolvimento de atividades como: pesquisas sobre o ensino de História em suas diferentes áreas e níveis; estudos comparativos sobre o ensino de História em diferentes sistemas educacionais, com ênfase nos países do Mercosul; estudos teórico-metodológicos acerca do ensino de História e da Educação, com destaque para o estudo dos currículos e das reformas educacionais; pesquisas de caráter histórico a respeito do ensino de História e da escolarização dessa disciplina; reunião, organização e conservação de acervo documental, bibliográfico e material com vistas à pesquisa sobre manuais e materiais didáticos destinados ao ensino de História; estudos e pesquisas com vistas à análise, avaliação e elaboração de livros, softwares e outros materiais e recursos didático-pedagógicos voltados ao ensino de História; estudos, pesquisas e ações com vistas à formação inicial e continuada dos professores de História, com destaque para a permanente reflexão acerca do exercício profissional e das práticas docentes dos professores de História; realização de eventos e organização de publicações que contribuam para o aprofundamento das reflexões acerca da História, do seu ensino, da formação, do exercício profissional e das práticas docentes dos profissionais da área.

Desta maneira, muitas das atividades vinculadas ao Bacharelado já vinham sendo realizadas, não só através das disciplinas optativas oferecidas, muitas vezes em áreas de acervo e patrimônio, como através de uma prática cotidiana, que colocava em foco estes temas em projetos de ensino, pesquisa e extensão.

O mercado de trabalho para o Bacharel de História tem se ampliado muito, tendo em vista a alargamento de áreas como Educação Patrimonial e Organização de Acervos, que serão priorizadas na formação de nosso profissional.

Esta expansão não está localizada apenas na Universidade, mas também é vista dentro das administrações federal, estaduais e municipais, bem como na iniciativa privada, que parece começar a perceber a importância da preservação da História.



  1. Objetivos Gerais:

- Capacitar profissionais ligados à área de história a trabalharem com a preservação de acervos variados, sua classificação e disponibilização ao público;

- Estimular ações positivas no sentido da preservação de acervos e organização de arquivos;

- Formar pesquisadores conscientes da necessidade de preservação dos acervos;

- Desenvolver pesquisas na área da História;

- Desenvolver trabalhos na área de organização de acervos e educação patrimonial.


Objetivos Específicos:
- Desenvolver atividades profissionais junto a acervos históricos variados;

- Influenciar autoridades e/ou empresários e/ou comunidades para a importância na preservação de sua história através dos acervos;

- Trabalhar junto a acervos, nas tarefas de preservação, conservação, classificação e catalogação dos mesmos;

- Assessorar órgãos públicos ou privados no sentido do que e como deve ser preservada a documentação produzida;

- Problematizar os processos históricos observados;

- Interpretar, por meio de fontes e linguagens diversas, a experiência histórica;

- Reconhecer e valorizar as diferenças presentes nas práticas sociais;

- Perceber a historicidade em todas as manifestações sociais e culturais.




  1. Perfil do profissional/ egresso

No decorrer dos quatro anos em que o Curso de Bacharelado se realizará, o aluno receberá formação para que no mercado de trabalho possa desenvolver pesquisas na área de História, através de diferentes metodologias. Dessa forma, estará apto a trabalhar em Universidades, Centros de Pesquisa, Museus, Arquivos, Memoriais, Bibliotecas, além de empresas públicas e privadas, que realizem assessoramento com temáticas vinculadas à História. Além disso, também poderá prestar assessoria a prefeituras e outros órgãos públicos em relação a avaliação de patrimônios históricos e documentais e suas formas de preservação ou de utilização consciente e planejada dele junto ao público. Temos certeza que, com o tempo, um profissional vinculado a esta área vai ser presença quase obrigatória em todas as equipes de secretarias de cultura e patrimônio do Estado.


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