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Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias

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João Viegas Paula Nogueira

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José Alexandre Leitão

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José Robalo Silva

José Pedro Lemos

José Oom Vale Henriques

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Telmo Pina Nunes

Edifício da Escola Superior de Medicina Veterinária

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Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias

Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa

Maria José Beldock

Sersilito – Empresa Gráfica, Lda.

Travessa Sá e Melo, 209

Gueifães - Apartado 1208

4471-909 Maia

Lisboa • Ano 106º • Vol. CII • Nº 561-562 • pp 1-192 • Jan - Jun 2007

Publicação Semestral

Tiragem 1200 exemplares

Preço 25,00 Euro

A Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, fundada em 1902, está inscrita na Entidade Reguladora para a Comunicação Social sob o registo nº 125123.

É permitida a reprodução do conteúdo desta revista

The reproduction of the contents of this publication is permitted

Desejamos estabelecer permutas com outras publicações

We wish to establish exchange with other publications

Os trabalhos submetidos para publicação são analisados por especialistas

Papers submitted for publication are peer reviewed

R E V I S TA P O R T U G U E S A



CIÊNCIAS VETERINÁRIAS

DE

Índice



Artigos de revisão

Avaliação da exposição às fumonisinas: biomarcadores

Evaluation of fumonisins exposure: biomarkers

Celeste M. Lino, Liliana J. G. Silva, Angelina S. Pena

Instabilidade da caseína em leite sem acidez adquirida

Casein instability in milk without acquired acidity

Daniela S. Oliveira, Cláudio D. Timm

Clostridioses dos pequenos ruminantes

Clostridiosis of small ruminants

Francisco C. F. Lobato, Felipe M. Salvarani, Ronnie A. de Assis

Anestesia para cirurgias oftálmicas em canídeos

Anesthesia for ophthalmic surgeries in canines

Roberta Carareto, Newton Nunes, Marlos Gonçalves Sousa, Patrícia Cristina Ferro,

Piedad Natália Henao Guerrero, Celina Tie Nishimori, Danielli Parrilha de Paula,

Elaine Dione Venêga da Conceição

Memórias científicas originais

Morfologia e morfometria do timo em galinhas de Angola (Numidea meleagris galeata)

Morphology and morphometry of thymus in Guinea fowl (Numidea meleagris galeata)

Marcelo Ismar Santana, Pedro Primo Bombonato, Frederico Ozanam C. e Silva,

Hildebrando Gomes Benedicto

Ramos do arco aórtico no mocó (Kerodon rupestris)

Aortic arch branches of the in rock cavy (Kerodon rupestris)

Marcela dos S. Magalhães, José Fernando G. de Albuquerque, Moacir F. de Oliveira,

Paula de C. Papa, Carlos Eduardo B. de Moura

Sarcomas dos tecidos moles no gato: estudo do conteúdo de ADN nuclear e do seu valor prognóstico

pela técnica de citometria de imagem

Soft tissue sarcomas in cats: nuclear DNA content study and its prognostic value by image cytometry



Cristina Ochôa, Carlos Palmeira

Avaliação radiográfica da ocorrência de displasia coxofemoral em gatos sem raça definida na

cidade de São Paulo - Brasil

Radiographic evaluation of the occurrence of hip dysplasia in domestic cats in the city of

San Paulo - Brazil

Luís Carlos Medeiros Júnior, Sérgio Ajzen, Greg G. Keller

Utilização de um ensaio de RT-PCR - nested PCR para avaliação da infecção do Coronavírus Felino

Application of a RT-PCR - nested PCR assay for the evaluation of Feline Coronavirus infection

Ana Duarte, Luis Tavares

Uso do teste de compressão tibial e do deslocamento do sesamóide poplíteo no diagnóstico radiográfico

da ruptura do ligamento cruzado cranial em cães

Radiographic diagnosis of cranial cruciate ligament rupture in dogs using the tibial compression test

and popliteal sesamoid displacement

Durval Baraúna Júnior, Eduardo Alberto Tudury

5

17



23

35

43



49

53

61



65

71

Estudo comparativo entre métodos de determinação da glicemia em macacos-prego (Cebus apella)



mantidos em cativeiro

Comparative study of glicemia methods in capuchin-monkey (Cebus apella) in captivity



Marcela Miranda Luppi, José Anselmo B. Bastos, Marcelo de Campos Cordeiro Malta,

Maria Elvira Loyola Teixeira da Costa, Marcelo Martins Pereira

Implante jugular homólogo fixado em glutaraldeído, nos eqüinos

Homologous jugular graft fixed in glutaraldehyde, in horses

Peterson T. Dornbusch, Carlos A. Hussni,Winston B.Yoshida, Júlio L. Sequeira, Luis C.Vulcano,

Gustavo P. de Cillo

Toracotomia trans-esternal e intercostal simples em caprinos

Transsternal and intercostal thoracotomy in goats

Ezequiel C. S. de Almeida, Francisco S. Feitosa Júnior, Severino V. da Silva, Dêmis C. R. Menezes,

Antonio A. N. Machado Júnior, Raimundo R.C. Rocha, Paull A. C. dos Santos, João M. F. Sobrinho,

Antônio M. M. da Silva

A seroprevalência de anticorpos contra quatro vírus respiratórios em vacadas de carne do Ribatejo

Seroprevalence of antibodies to four respiratory viruses in beef herds of the Ribatejo region of Portugal

George Stilwell, Miguel Matos, Nuno Carolino

Pitiose equina na região sul do Brasil

Equine pythiosis in southern Brazil

Friedrich Frey Jr, Janaína R.Velho, Luciana A. Lins, Carlos E.W. Nogueira, Janio M. Santurio

Sexagem de embriões bovinos: eficiência e precisão, distribuição do sexo e viabilidade após vitrificação

Sex determination of bovine preimplantation embryos: efficiency and accuracy, sex ratio and viability of

vitrified embryos



Isabel Carvalhais, Jorge Pimenta, Carla C. Marques, Maria C. Baptista, Maria I.Vasques,

António E. M. Horta, Ingrid C. Santos, Maria R. Marques, Rosa M. L. N. Pereira

Variação sazonal do volume testicular, da produção e qualidade do sémen e do comportamento sexual

de cavalos Lusitanos

Seasonal variation of testicular size, semen production and sexual behaviour of Lusitano stallions



J. Robalo Silva, R. Agrícola, M. Barbosa, L. Lopes da Costa

Desempenho reprodutivo de cabras SRD (sem raça definida) inseminadas com sêmen congelado por

via transcervical ou laparoscópica

The reproductive performance of undefined breed goats inseminated with frozen semen by transcervical or

laparoscopic route

João Mendes Frazão Sobrinho, Rômulo José Vieira, Francisco Solano Feitosa Júnior,

Ezequiel Cardoso Saraiva de Almeida, Nicodemos Alves Macedo, Absai Oliveira Sousa,

Antônio de Sousa Júnior

Nutritional quality of intramuscular fat in Carnalentejana-PDO beef

Qualidade nutricional da gordura intramuscular da Carnalentejana-DOP

Cristina M. M. Alfaia, Marta R. A. Lourenço, Mário A. G. Quaresma, Susana I.V. Martins, Ana P.V. Portugal,

Carlos M. G. A. Fontes, Matilde L. F. Castro, Rui J. B. Bessa, José A. M. Prates

Avaliação do prazo de vida útil da salsicha fresca

Shelf life evaluation of Portuguese fresh sausage

Marília C. Ferreira, Maria João Fraqueza, António S. Barreto

Utilização de diferentes meios de cultura na identificação e recuperação de bactérias lácticas

Recovery and identification of lactic acid bacteria using different culture media

M. E. Potes, A. A. Marinho

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Canibalismo em fêmeas de Macrobrachium rosenbergii (De Man, 1879) (Crustacea, Palaemonidae):

efeito da retirada das quelas

Cannibalism in Macrobrachium rosenbergii (De Man, 1879) females (Crustacea, Palaemonidae):

effect of claw excision



Sônia S. S. Brugiolo, José Milton Barbosa, Francisco J. Hernandez Blazquez, Paulo A. M. Nascimento

Caso clínico

Infecção por Trypanosoma evansi em equinos do Brasil

Infection by Trypanosoma evansi in horses from Brazil

Carina Martins de Moraes, Bruna da Rosa Curcio, Fredrich Frey Junior, Leandro do Monte Ribas,

Leandro Quintana Nizoli, Carlos Eduardo Wayne Nogueira

Comunicação breve

Babesiose equina: Enzootia em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil

Equine Babesiosis: Enzootie in Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brazil

Maria A.V. da Costa Pereira, Carlos L. Massard e Gilmar F.Vita

Evaluation of diagnostic tests to bovine leukemia virus

Avaliação de testes de diagnóstico para o vírus da leucemia bovina

Marcelo F. Camargos, Francesco Feliziani, Antônio De Giuseppe, Leandro M. Lessa, Jenner K. P. Reis,

Rômulo C. Leite

Mastites subclínicas em cabras Serranas. Resultados preliminares

Subclinical mastitis in Serrana goats. Preliminary results

Álvaro Mendonça, Ramiro Valentim, Raimundo Maurício, Manuel Cardoso, Teresa Correia, Alípio Coelho

Suplemento

Cristiano Sheppard Cruz

Condecoração do Professor Doutor Apolinário Vaz Portugal

Vida associativa

Instruções aos autores

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159

165


169

175


183

189


189

190


Avaliação da exposição às fumonisinas: biomarcadores

Evaluation of fumonisins exposure: biomarkers

Celeste M. Lino*, Liliana J. G. Silva, Angelina S. Pena

Grupo de Bromatologia - Centro de Estudos Farmacêuticos, Faculdade de Farmácia,

Universidade de Coimbra, 3000-295 Coimbra, Portugal

ARTIGO DE REVISÃO

5

Resumo: As fumonisinas, toxinas fúngicas produzidas,

principalmente, pelo Fusarium verticillioides, contaminam o

milho, alimentos e alimentos compostos a nível mundial.

Com o presente artigo pretende-se rever a utilidade e validade

de dois biomarcadores utilizados na avaliação da exposição, por

via alimentar, a estas micotoxinas, dada a frequente necessidade

em determinar alterações após o seu eventual consumo. As

fumonisinas podem ser detectadas em fluidos biológicos,

fezes e tecidos, mas a sensibilidade da metodologia usada

actualmente implica que apenas exposições elevadas possam

ser facilmente monitorizadas. Estudos mecanísticos indicam

que a ceramida sintetase, uma enzima envolvida na síntese dos

esfingolípidos, é o alvo celular para as fumonisinas, conduzindo

a um aumento da razão esfinganina-esfingosina em tecidos,

soro e urina, sendo esta razão considerada outro biomarcador

útil na avaliação da exposição às fumonisinas e na monitorização

dos efeitos biológicos causados pelas mesmas.

Summary: Fumonisins, fungal toxins mainly produced by

Fusarium verticillioides, contaminate maize and maize based

foods and feeds throughout the world.

This paper reviews the two biomarkers used for the evaluation

of dietary exposure to fumonisins given the frequently need to

determine changes following intake. Fumonisins can be detected

in biological fluids, faeces, and tissues, but the sensitivity of the

current methodology means that only high exposure can be

monitored easily. Mechanistic studies indicate that ceramide

synthase, an enzyme involved in sphingolipid synthesis, is one

cellular target for fumonisins toxicity leading to the increase of

the sphinganine-sphingosine ratio in tissues, serum, and urine,

being this ratio considered another useful biomarker for monitoring

the biological effect of fumonisins.

Introdução

As fumonisinas (FB), cuja estrutura foi identificada

pela pela primeira por Bezuidenhout et al. em 1988,

são um grupo de micotoxinas estruturalmente análogas

à esfingosina e esfinganina (Figura 1) (Lerda et al.,

2005) e produzidas, em determinados alimentos,

principalmente por Fusarium verticillioides,

Fusarium proliferatum e outras espécies fúngicas da

secção Liseola (Thiel et al., 1991). As FB ocorrem

fundamentalmente no milho e em alimentos à base de

milho, sendo as mais comuns a FB1, FB2 e FB3. A FB1

é a mais tóxica e abundante, seguida pela FB2 (Labuda

et al., 2003). Os métodos utilizados nos processos de

fabrico de produtos derivados do milho podem

converter fumonisinas intactas em fumonisinas

hidrolisadas (HFB) e parcialmente hidrolisadas (PHFB),

sendo a sua quantidade bastante inferior relativamente

à quantidade de fumonisinas intactas (Polling e

Plattner, 1999).

A contaminação de alimentos e rações com fumonisinas

tem sido associada a doenças várias, quer em

animais quer em humanos (Lino et al., 2004).

Nas espécies animais estudadas todos os problemas

causados pelas FB estão relacionados com a inibição

da biossíntese de esfingolípidos, sendo os órgãos mais

R E V I S TA P O R T U G U E S A



CIÊNCIAS VETERINÁRIAS

DE

*Correspondência: cmlino@ci.uc.pt



Tel: +351 239859994, Fax +351 239827126

Esfinganina

Esfingosina

Fumonisina B1



Figura 1 – Estrutura química da esfinganina, esfingosina e fumonisina

B1 (adaptado de Solfrizzo et al., 1997).

Lino CM et al. RPCV (2007) 102 (561-562) 5-15

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afectados o fígado e o rim. No entanto, as manifestações



clínicas que decorrem das toxicoses provocadas

pelas fumonisinas, bem como os órgãos atingidos,

variam de espécie para espécie.

Em ratos, lesões mais avançadas de ambos os órgãos

são caracterizadas por morte celular (apoptose)

simultânea à proliferação celular (Voss et al., 2001).

Em ovelhas, ratos e coelhos levam a toxicidade renal,

sendo também hepatotóxicas para os segundos. Em

ratos adultos estão descritos alguns efeitos anti-nutricionais

e consequências fisiopatológicas, nomeadamente

a redução da incorporação de folatos. Em

cavalos e suínos conduzem, respectivamente, ao

aparecimento de leucoencefalomalacia (ELEM) e

edema pulmonar (PPE). Outras espécies são também

atingidas por toxicoses induzidas por estas micotoxinas

(Carratù et al., 2003; Lino et al., 2004).

No Homem, as fumonisinas têm sido epidemiologicamente

relacionadas com o aparecimento de cancro

esofágico (EC) (Meyer et al., 2003). As populações da

África do Sul e da China apresentam os números mais

elevados de EC do mundo. Enquanto no Ocidente o

aparecimento deste tumor é atribuído a factores como

o tabaco e álcool, nas regiões referidas estes factores

não são considerados significativos (Turner et al.,

1999). Estas micotoxinas são citotóxicas, inibem a

síntese proteica e do ADN, promovem stress oxidativo,

induzem a fragmentação do ADN e interrompem o

ciclo celular (Creppy et al., 2004). As fumonisinas

têm também sido consideradas como suspeitas no

aumento da incidência de defeitos no tubo neural

(NTD) entre a população que vive ao longo da

fronteira Texas-México (Stack, 1998).

Assim, com base nos dados actuais, a Agência

Internacional de Pesquisa sobre o Cancro classificou a

FB1 como possivelmente carcinogénica para o

Homem, incluindo-a no grupo 2B (IARC, 2002).

Para evitar a ocorrência dos efeitos adversos

referidos existe uma necessidade premente de limitar

a exposição às fumonisinas, assegurando a qualidade

dos alimentos destinados ao consumo humano, mas

também a produtividade animal que apresenta uma

importância económica extrema. A possibilidade da

transmissão de micotoxinas através de produtos de

origem animal ingeridos pelos consumidores é preocupante.

Consequentemente é importante determinar a

respectiva contaminação por forma a garantir a Saúde

Pública (Prelusky et al., 1996). É, portanto, fundamental

desenvolver métodos eficientes para analisar

alimentos e monitorizar a exposição humana recorrendo

ao uso de biomarcadores apropriados (Chelule et al.,

2000).

Muitas das dificuldades que surgem aquando da



utilização de biomarcadores decorrem da necessidade

de determinar alterações após exposições de longa

duração e a baixas concentrações de certos componentes

da dieta ou de determinar ausência de

exposição. Sendo os biomarcadores usados como

indicativos de possíveis alterações sistémicas e

funcionais em órgãos, tecidos, células e estruturas

sub-celulares para monitorizar a exposição de indivíduos

e populações a determinados compostos, eles

devem ser específicos, sensíveis e recorrer a técnicas

pouco invasivas, principalmente no caso dos humanos

(Crew et al., 2001).

Uma das formas de avaliação da exposição de

populações às fumonisinas consiste em calcular a

respectiva ingestão diária estimada (EDI), através da

determinação dos níveis de fumonisinas nos distintos

itens alimentares que possam ser ingeridos, o que

conduz a um intenso, árduo e moroso trabalho de

avaliação (Turner et al., 1999). Apesar dos resultados

obtidos a partir do cálculo da ingestão diária com base

na análise de alimentos e em tabelas de consumo

serem úteis numa primeira etapa, revelam-se pouco

precisos (Crews et al., 2001). Para obstar esta

situação, a avaliação da exposição das populações às

fumonisinas consiste em avaliar os níveis de FB ou de

outros biomarcadores, como a razão esfinganina/

esfingosina (Sa/So), em fluidos biológicos e tecidos,

que podem constituir uma medida mais correcta da

exposição às referidas micotoxinas (Shetty e Bhat,

1998; Solfrizzo et al., 1997; Turner et al., 1999).



Fumonisinas

Um número apreciável de publicações científicas

tem revelado a preocupação da comunidade científica

internacional em avaliar os níveis de FB em fluidos

biológicos, fezes e tecidos.

Para avaliar a exposição às FB em animais e no

Homem são usados distintos fluidos biológicos (urina,

plasma e bílis) bem como fezes e tecidos (Shetty e

Bhat, 1998; Prelusky et al., 1996; Chelule et al., 2000;

Sewram et al., 2001; Sewram et al., 2003; Meyer et



al., 2003).

Os resultados de estudos de toxicocinética indicam

que a FB1 apresenta uma diminuta biodisponibilidade

oral em ratos, suínos, aves, bovinos e macacos

(Sewram et al., 2003; Fodor et al., 2006). A reduzida

biodisponibilidade da FB1 deve-se sobretudo à sua

fraca absorção e também à sua eliminação pelo efeito

de primeira passagem no fígado após a sua absorção.

A dúvida persiste em saber se a reduzida absorção e,

consequentemente, reduzida biodisponibilidade, se

deve ao facto do transporte através do epitélio

intestinal ser pobre ou ao facto de existir uma forte

associação entre as FB e o conteúdo intestinal

(Shephard e Snijam, 1999). Enquanto que Angelis et



al. (2005) concluem que a FB1 não atravessa a

barreira epitelial do intestino, não alterando por isso a

sua integridade, Loiseau et al. (2007) defendem que

uma exposição prolongada à FB1 pode aumentar o

respectivo fluxo trans-epitelial. Pensa-se que o facto

de a FB1 ser polianiónica, pela presença de aniões

carboxilos em C14 e C15, pode interferir na sua

Lino CM et al. RPCV (2007) 102 (561-562) 5-15

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própria absorção ao ligar-se a catiões como o sódio, o



potássio e outras grandes moléculas necessárias para o

transporte activo através da membrana intestinal. Os

policatiões inibem o transporte activo de moléculas

como açúcares e aminoácidos através da membrana

intestinal de ratos (Elsenhans et al., 1983).

Hopmans et al. (1997) verificaram que uma pequena

porção de FB1 é absorvida para a corrente sanguínea

na sua forma intacta. No entanto, a absorção aumenta

quando por hidrólise a molécula perde um grupo de

ácido tricarboxílico. Este facto pode explicar a maior

toxicidade da HFB1 relativamente à FB1.

As características hidrofílicas das FB contribuem

para a sua rápida eliminação dos tecidos animais

(Buim et al., 1999).



Fluidos biológicos e fezes. A determinação da

fumonisina B1 em fluidos biológicos (plasma e urina)

foi referenciada por Shephard et al. (1992a) dois anos

após a determinação de FB1 em milho da região de

Transkei, na África do Sul, e cuja população humana

apresentava alta incidência de EC (Sydenham et al.,

1990). A urina é uma matriz biológica útil para monitorizar

a exposição das populações às FB, tendo sido

já demonstrada a excreção destas toxinas através deste

fluido biológico (Shetty e Bhat, 1998).

De acordo com Chelule et al. (2000) a pesquisa de

FB1 em plasma é impraticável dada a sua fraca

absorção e rápida eliminação pelo tubo digestivo,

factos que conduzem à sua baixa concentração neste

fluido biológico como foi constatado, em suínos, por

Prelusky et al. (1996) e Meyer et al. (2003). Por outro

lado, aparentemente, a FB1 não forma conjugados com

o ADN nem com proteínas plasmáticas, como a

albumina, conforme acontece por exemplo com a

aflatoxina B1 (Chelule et al., 2000).

No estudo realizado por Prelusky et al. (1996) em

suínos aos quais foi administrada por via oral FB1

marcada com 14C, foi detectada radioactividade na

bílis, o que confirma que existe alguma absorção desta

toxina. Meyer et al. (2003) encontraram níveis elevados

(358 mg/kg) de FB1 na bílis dos suínos estudados.

Estes dados confirmam que a FB1 é eliminada

essencialmente por via hepática (Prelusky et al., 1996;

Meyer et al., 2003). Os estudos realizados em

primatas não-humanos e outros animais permitiram

concluir que apenas 1% da dose administrada é

absorvida, o que parece explicar o facto de que seja

necessária a exposição (por ingestão) a doses elevadas

(superiores a 5 mg/kg) para obter concentrações

tecidulares passíveis de produzirem sintomas de

doença (Chelule et al., 2000).

Como as FB são fracamente absorvidas e a maior

parte da porção absorvida é excretada através da bílis

é sensato pesquisar FB e produtos resultantes da sua

degradação em fezes. Outra vantagem na análise desta

matriz resulta do facto de poder ser recolhida por

rotina nos hospitais, sem necessidade de sujeitar os

doentes a técnicas invasivas (Chelule et al., 2000).

Shephard et al. (1992b) administraram FB1 marcada

com 14C a ratos e avaliaram o seu percurso no

organismo. Aparentemente a FB1 não sofre biotransformações

significativas sendo eliminada, em 24

horas, maioritariamente através das fezes onde foi

detectada cerca de 80% da radioactividade, detectando-

se níveis vestigiais na urina.

Segundo Prelusky et al. (1996) a eliminação da

toxina através das fezes e urina de suínos Yorkshire

Barrow, durante os 3 dias que se seguiram à primeira

administração de rações contaminadas, foi baixa –

cerca de 35% do total consumido. Após este período

inicial verificou-se um aumento rápido na eliminação

da FB1 atingindo-se os 85% no final da experiência,

que decorreu durante 33 dias. A eliminação por via

urinária contribuiu apenas com 0 a 2,5% do total

recuperado. A excreção urinária não é, portanto, a

principal via de eliminação da FB1.

Chelule et al. (2000) avaliaram a presença de FB1

em fezes de crianças em idade escolar de zonas rurais

e urbanas da África do Sul. Verificaram que 35% das

amostras provenientes de crianças de zonas rurais

eram positivas para a presença de FB1. Não é contudo

possível estabelecer uma relação entre os valores

encontrados e os teores de FB1 que possam ser

consumidos diariamente. Certamente, as populações

rurais terão níveis de exposição mais elevados do que

as urbanas, já que consomem produtos naturais à base

de milho que não estão sujeitos a qualquer controlo.

Constata-se assim que a determinação das quantidades

de FB1 em fezes pode constituir um biomarcador de

exposição à micotoxina, mas durante um período de

tempo curto após essa mesma exposição.

Segundo Shephard e Snijam (1999), a FB2, tal como

a FB1, apresenta uma biodisponibilidade baixa. Em

experiências realizadas com macacos vervet [macacos-

de-gibraltar ou macaco verde africano]

(Cercopithecus aethiops) verificou-se que, após a

administração intravenosa de 2 mg FB2/kg massa

corporal, a micotoxina foi rapidamente removida do

plasma. Para tal contribuiu uma fase inicial de

distribuição e uma fase seguinte de eliminação, esta

com um tempo de semi-vida de 18 minutos.

Aparentemente, a FB2 apresenta uma biodisponibilidade

ainda mais reduzida do que a FB1. Após administração

intravenosa a excreção de FB2 por via

urinária foi extremamente baixa. Apenas 4,1% da dose

administrada por via intravenosa e 0,2% da dose

administrada por via oral foram recuperadas na urina

durante um período de 7 dias após a exposição. Já a

comparação entre a excreção urinária de FB1 e de FB2,

em ratos, havia mostrado que a segunda é eliminada

em menor percentagem por via renal do que a FB1

(Shephard e Snijam, 1999). Parece assim que a via

predominante para a excreção desta micotoxina

intacta ou parcialmente hidrolisada é a via biliar.

Os factores que determinam a via de eliminação de

Lino CM et al. RPCV (2007) 102 (561-562) 5-15

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xenobióticos são o peso molecular e a solubilidade em



água. Assim, pesos moleculares mais baixos e maior

hidrossolubilidade favorecem a eliminação por via

renal em detrimento da via biliar. A disparidade na

excreção renal das referidas FB pode provavelmente

ser explicada pelas diferenças observadas na polaridade

das mesmas. Assim, a FB1, que apresenta maior

polaridade, experimenta maior excreção renal, apesar

da sua massa molecular ser ligeiramente mais elevada.

A excreção extremamente reduzida de FB2, após

administração oral, através da urina reflecte a limitada

biodisponibilidade da toxina, uma vez que apenas

pequenas quantidades atingem a circulação sanguínea,

verificando-se a predominância da via biliar sobre a

via renal no seu processo de eliminação (Shephard e

Snijman, 1999).

Tal como foi referido para a FB1, a maior parte da

dose de FB2 administrada por via oral ou por via intravenosa

é recuperada nas fezes nas formas intacta

(FB2), hidrolisada (HFB2) ou parcialmente hidrolisada

(PHFB2). Destes três componentes, as quantidades

relativas de FB2 e PHFB2 variam largamente, enquanto

que a HFB2 aparece em pequenas quantidades.

Considerando a sua reduzida biodisponibilidade, a

FB2, tal como a FB1, sofrerá assim hidrólise no intestino

por acção de esterases ou por acção de microorganismos,

que predominantemente removem um dos dois

grupos de ácido tricarboxílico (Shephard e Snijman,

1999; Fodor et al., 2007). Apesar destes produtos de

hidrólise constituirem uma porção substancial da dose

de FB2 recuperada nas fezes, não foi detectada a sua

presença na urina (Shephard e Snijman, 1999).

Tal como para a FB1, também para a FB2 não é

possível recuperar completamente a dose administrada.

O metabolismo das FB no tubo digestivo poderá, no

entanto, explicar estas perdas (Shephard e Snijman,

1999).



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