Psicologia artigos diversos



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PSICOLOGIA -- ARTIGOS DIVERSOS

PRIMEIRO VOLUME

Dessensibilização Sistemática

Victor Silva; Bruno Silva

História

Para Wolpe (1958) a dessensibilização obedece ao principio do

contracondicionamento. Um dos primeiros exemplos divulgados da

utilização do procedimento de contracondicionamento para superar uma

resposta de ansiedade foi relatada por Mary Cover Jones que conseguiu

eliminar o medo de coelhos numa criança, utilizando uma técnica que

envolvia entre outras coisas emparelhar o alimento com o coelho.

Contudo não ficou completamente evidente quais eram os factores

responsáveis pela reduzão do medo. Esta tarefa foi realizada três

décadas depois por Wolpe.

Dessensibilização sistemática

A dessensibilização sistemática desenvolvida por Joseph Wolpe

destina se ao alívio da ansiedade mal adaptada.. Consiste em reduzir

uma resposta condicionada (ansiedade) através do emparelhamento do

estímulo causador da ansiedade com um estímulo que evoque uma resposta

antagónica à ansiedade, por exemplo, o relaxamento.

Relaxamento e Dessensibilização Sistemática

Apesar de alguns autores como Richardson afirmarem que o relaxamento é

melhor utilizado dentro do contexto da auto administração, Rimm e

Masters, (1983) sugerem que é útil apresentá lo inicialmente como algo

que o psicoterapeuta está a fazer pelo e para o cliente como maneira

eficaz de estabelecer um relacionamento e sentido de confiança nas

competências do psicoterapeuta. O cliente deve sentar se numa cadeira

confortável e o psicoterapeuta geralmente começa com uma explicação

dos fundamentos (fornecimento do racional teórico subjacente à técnica

de dessensibilização sistemática e do relaxamento) numa linguagem

acessível aos conhecimentos e caracteristicas do cliente, como por

exemplo da seguinte maneira: "Vamos utilizar uma técnica que tem muito

bons resultados em problemas como o seu. No incio do tratamento

faremos com que voçê se sinta relaxado. Depois, vai imaginar cenas

relacionadas com o seu medo começando com aquelas que só causam um

pouco de medo e assim gradualmente. Uma vez que vou introduzir as

cenas de uma maneira gradual e porque você estará relaxado ao

imaginá las, em pouco tempo será capaz de imaginar situações cada vez

mais fortes e ao mesmo tempo sentir se confortável. Se ao conseguir

imaginá las e mesmo assim não sentir medo, verá que mais tarde, ao se

deparar com essas situações na vida real, descobrirá que já não tem

medo. É muito importante que perceba como esta técnica funciona. Tem

alguma dúvida?".

Posteriormente passar se ia à metodologia de indução de relaxamento e

depois poder se á começar com a dessensibilização propriamente dita

(construção de hierarquia de estímulos ansiogénicos e consequente

emparelhamento com o relaxamento).

As cenas ansiogénicas são apresentadas gradualmente conforme uma



hierarquia construida pelo cliente e posteriormente discutida com o

psicologo, emparelhadas sempre com o relaxamento. Normalmente, numa

das primeiras consultas, o psicologo pede ao cliente para descrever 3

cenas ansiogénicas, uma com pouca intensidade, outra com intensidade

intermédia e outra com grande intensidade, com grande detalhe de

pormenores, de forma a que o psicologo possa depois aplicar essas

cenas o mais realisticamente possível, possibilitando ainda ao cliente

algum conhecimento e capacidade para em casa trabalhar numa hierarquia

de estímulos com pelo menos 8 itens, uniformemente graduada, para ser

utilizada nas sessões seguintes. As hierarquias podem ser temáticas,

espácio temporais ou místicas.

Antes de iniciar a dessensibilização deve se pedir ao cliente que

pense numa ou duas cenas que evoquem sensações agradáveis, de

relaxamento. Durante a dessensibilização pode se pedir ao cliente para

imaginar essas cenas afim de facilitar o relaxamento. Este pedido deve

realizar se entre a apresentação dos itens da hierarquia. Quando o

cliente indica que está no nível 1 de ansiedade, e o psicologo

verifica que não há nenhum sinal de ansiedade o cliente está preparado

para a primeira cena da hierarquia. Quando isto se verifica:

* Os clientes são informados que serão solicitados a imaginar as cenas

o mais nitidamente possível.

* Os clientes são também informados de que se a cena começar a mudar

deve trazê la à forma original

* Os clientes são instruídos para fazer um sinal, erguendo um dedo

quando obtêm uma imagem nítida da cena

* Os clientes são instruídos para fazerem um sinal quando sentem

alguma ansiedade.

Se o cliente não revela ansiedade após três apresentações imaginadas

de um item, este pode ser considerado dessensibilizado.

As cenas deverão ser imaginadas durante até 30 segundos. A primeira

aplicação da cena deverá durar 10 segundo. A segunda até ao máxiimo de

30 segundos, já que mais do que isso poderá levar a uma mudança no

conteúdo da cena ou dificuldade de imaginação da cena. O nível de

ansiedade deve ser avaliado mesmo na ausência de qualquer sinal.

Quando o cliente dá sinal de ansiedade, a imaginação da cena é

interompida imediatamente, voltando o cliente à situação de

relaxamento, através da sua indução através de uma das imagens

agradáveis trabalhadas anteriormente. Se a ansiedade se manter, e for

necessário, deve se retomar os exercicios de relaxamento.

No caso da ansiedade não ser reduzida nos três primeiros ensaios, no

caso de um item intermédio, o psicopsicoterapeuta deverá, depois de

induzir o relaxamento, repetir o último item onde houve sucesso. Só

isso, na maior parte das vezes é suficiente para atingir o sucesso

posteriormente.

Possíveis dificuldades

Pode acontecer que o cliente pura e simplesmente não consiga superar a

ansiedade num item. Neste caso deverá estudar se se o item não estará

deslocado em termos de hierarquia de ansiedade ou então, se não será



necessário introduzir um item adicional e intermédio na hierarquia.

Requisitos básicos do cliente

Antes do psicoterapeuta decidir se pela dessensibilização sistemática

deve verificar se:

1   O cliente sofre de relativamente poucas fobias

2   As fobias apresentadas pelo cliente reflectem uma ansiedade

irracional, isto é, verificar se o cliente possui habilidades para

dominar aquilo que teme (convém salientar que a ansiedade pode ser

racional, isto é, falta ao cliente habilidades para dominar aquilo que

teme. Por exemplo: sujeitos que desejam interacção social mas não a

obtêm. O psicoterapeuta pode sentir se tentado a usar a

dessensibilização sistemática, por pensar que o cliente é inibido pela

ansiedade que surge na situação de interacção. No entanto, o cliente

pode ficar ansioso porque lhe faltam as habilidades sociais

necessárias   saber conversar, marcar um encontro, etc.)

3   O cliente possui capacidade imagética

4   O relaxamento muscular profundo consegue induzir o relaxamento

Transição de uma sessão para a outra

* Deve se iniciar a dessensibilização com o último item completado

satisfatoriamente. Isto por duas razões: por uma questão de

continuidade natural entre as sessões e possibilitar verificar se

houve alguma recaída

* Não se deve apresentar novos itens da hierarquia durante os útimos

minutos da consulta de forma a evitar acabar a consulta com alguns

sinais de ansiedade

Duração da dessensibilização sistemática

A duração da dessensibilização sistemática é variável, mas não deve

exceder os noventa minutos por consulta. Na maioria dos casos, 20 a 30

minutos é o limite razoável. Considerando o periodo de tempo padrão de

duração de cada consulta (50 minutos) o resto do tempo deve ser

utilizado para discutir o curso da psicoterapia, as experiências

relevantes vividas, etc.

Dessensibilização "In Vivo"

Alguns autores acreditam que os contactos na vida real com os

estímulos fóbicos são beneficos. No entanto, uma palavra de precaução

é necessária. É uma imprudência total encorajar os clientes a se

colocarem em situações correspondentes a itens ainda não

dessensibilizados. É muito importante que o sujeito não seja

confrontado com um insucesso, pois, pelo processo de generalização,

poderia fazer com que cenas anteriormente dessensibilizadas causassem

novamente ansiedade. Deve se levar o paciente a experientar in vivo as

situações fóbicas, inicialmente acompanhado pelo psicologo, sendo

muito provavelmente necessário retomar o sistema de itens

hierarquizados na exposição.

Eficácia da técnica

Há evidências de que a dessensibilização sistemática é mais eficaz com

as fobias simples (medo de alturas, cães, etc) do que com fobias

sociais, incluindo a agorafobia, em parte talvez porque os meios



sociais, podem reflectir dificiências nas habilidades sociais.

No entanto, a ténica foi utilizada com sucesso num grande número de

perturbações comportamentais envolvendo uma certa "carga ansiosa",

como todas as fobias, as dificuldades de contactos sociais, a angústia

do fracasso em certas disfunções sexuais, a angústia "existencial",

certas formas de obsessão e de compulsões de repetição (gaguez).

Num grande número de casos a dessensibilização sistemática é utilizada

juntamente com outras técnicas: por exemplo, numa psicoterapia

conjugal, paralelamente a técnicas como o treino de comunicação ou

como o contrato terapeutico instaurado para resolver uma

atitude problema num dos conjugues, pode se utilizar a

dessensibilização sistemática num dos parceiros, que se mostre

demasiado ansioso para participar de um modo adequado nna

psicoterapia. Noutros casos, a dessensibilização sistemática será por

vezes a introdução a uma psicoterapia que seguirá por uma abordagem

cognitiva. Este pode ser o caso no tratamento de certas pessoas que

sofrem de "incompetência social"; após uma dessensibilização

sistemática das principais situações ansiogénicas em relação com o

contacto com os outros, estabelece se uma psicoterapia visando

modificar as distorções cognitivas que o individuo tem sobre si

próprio.

Victor Silva e Bruno Silva



Consulta Psicológica e Desenvolvimento

Considerações acerca da sua aplicabilidade aos domínios de intervenção

da Psicologia Social, do Trabalho e das Empresas

Por:

Alexandre M. Campos



Psicólogo, Universidade do Porto

Porto, Agosto de 1994

INTRODUÇÃO

Este trabalho tenta fazer uma exploração sobre a perspectiva

preventiva, social e comunitária da intervenção psicológica e, mais

especificamente, reflectir sobre a aplicabilidade deste tipo de

intervenção psicológica, na perspectiva de um modelo desenvolvimental

  ecológico, a problemas, populações, e contextos específicos dos

domínios de intervenção da Psicologia Social, do Trabalho e das

Empresas.

Atenta se ainda a um conjunto de modalidades de actuação do exercício

profissional da consulta psicológica, tanto às formas tradicionais

como o aconselhamento e a psicoterapia, visando alcançar objectivos

mais remediativos, como às modalidades mais recentes, nomeadamente, os

grupos de desenvolvimento e diversos tipos de consultadoria tendo como

objectivos a prevenção e promoção ao nível do pessoal e do

transpessoal.

CONSIDERAÇÕES

Ao falar se no modelo desenvolvimental ecológico estamos a

debruçarmo nos sobre o desenvolvimento humano, e sua inserção nos

vários contextos de vida.

O desenvolvimento humano é considerado como uma variável dependente

das interacções ocorridas nos vários contextos em que as pessoas

vivem. Assim, há que conhecer o processo de desenvolvimento do

indivíduo nos vários sistemas em que ele se insere, sistemas como a

sua família, a escola, o local de trabalho, etc., assim como o seu

processo de desenvolvimento relativamente aos diversos papéis que

desempenha em cada um, nomeadamente pai, mãe, filho, cônjuge,

professor, aluno, trabalhador, cidadão, etc...(Campos,1985).

A Psicologia Comunitária vai então enquadrar se nesta pesrpectiva, o

que obriga a uma reflexão posterior. "Não é apenas o desenvolvimento

dos indivíduos ou das pessoas significativas dos meios em que vivem

que está em questão: é também o dos próprios grupos em que os

indivíduos se inserem e das redes de relações comunitárias de que

fazem parte"(Campos,1988).

É de acordo com este pressuposto que a perspectiva ecológica se

organiza, isto é, há que, além de considerar os sistemas pessoais,

abranger também os sistemas transpessoais. O desenvolvimento

psicológico é importante, mas ele não é nem deve ser a única dimensão


do desenvolvimento humano a ser considerada, nem se poderá de modo

algum reduzir este desenvolvimento humano a um desenvolvimento baseado

unicamente no psicológico.

Deste modo, o psicólogo, se pretende intervir, deverá estar preparado,

para adoptar uma abordagem multidimensional dos problemas humanos

(Coimbra,1991), para observar todas as facetas de cada problema de

cada cliente, mantendo se sempre presente uma posição holística uma

vez que vai actuar não só no desenvolvimento do indivíduo, mas também

no desenvolvimento de pessoas significativas do cliente, e ainda no

conjunto de relações em que ele se insere. Todas estas "dimensões"

convergirão para o todo que o indivíduo é, mas não deverão ser

observadas segundo uma perspectiva estanque ou determinista.

Como já foi dito, a actuação do psicólogo está grandemente orientada

para as relações que os indivíduos têm com os outros e com os diversos

contextos de vida à sua volta. Nesta linha, há que actuar para

transformar tanto os microssistemas como os mesossistemas do cliente.

Os primeiros porque constituem, de acordo com Bronfenbrenner,

conjuntos estruturados de relações interpessoais, actividades e papéis

que o indivíduo em desenvolvimento experiencía (por exemplo, o grupo

de amigos, de colegas de trabalho, ou mesmo o casal, etc.). Os

segundos pois definem as relações que existem entre o pares de

microssistemas (e. g.: a relação entre o emprego e a família).

Portanto, ao nível da intervenção, além de uma actuação no sistema

pessoal ela deve orientar se para os vários ecossistemas em que o

cliente se enquadra, assim como todos os outros sistemas

transpessoais.

De acordo com a perspectiva que se tem estado a desenvolver, a

intervenção poderá ter diferentes objectivos, consoante a situação

específica em que o cliente se encontre.

Em situações de crise, nas quais o cliente está em pleno desequilíbrio

psicológico, o indivíduo está a enfrentar uma situação que constitue

um problema, e não consegue resolvê la com os recursos que lhe estão

disponíveis no momento, e que ele normalmente utiliza para as outras

situações. Neste tipo de situações, o objectivo é Remediar a situação,

identificando e tratando o problema. Trata se de um processo reactivo,

visto ele ser ocasionado pela crise.

Em situações de crise potencial, já se visa Prevenir o aparecimento da

crise. Há que actuar, não quando a crise está a manifestar se, mas sim

previamente, quando é provável que ela surja. Tanto neste caso como no

seguinte, os sujeitos estão em posição de adquirirem competências e

capacidades nas várias áreas de vida. Deste modo, há agora uma atitude

proactiva.

Nas situações fora da crise o objectivo é Promover as competências do

sujeito.


Assim, a intervenção tanto pode ocorrer quando os sujeitos se

encontram em situação de crise (e. g.: a morte de um outro

significativo), de transição (e. g.: o divórcio), de confusão (e. g.:

o sentido de auto competência), como quando estão disponíveis para

adquirirem capacidades cada vez mais complexas de expressão e criação,

nos vários domínios da existência (Campos,1985).



Se na perspectiva remediativa a atitude é claramente reactiva, na

perspectiva preventiva e de promoção a atitude é proactiva. E se

relacionarmos esta última atitude com a nossa tentativa de evitar que

algo aconteça, nomeadamente uma situação negativa, a crise, temos que

falar na prevenção. A prevenção primária deve ser a detentora de

primazia uma vez que está dirigida para o evitamento da crise em

populações de risco e para os processos de promoção de capacidades

(perspectiva do prevenir e do promover).

A recessividade das prevenções secundária e terciária deveria

justificar se, a meu ver, pelo facto de a primeira apenas tentar

evitar que uma dada situação se agrave, e de a segunda ser um processo

de prevenção discutível, pois enquadra se numa linha remediativa,

especificamente na cura.

Nesta perspectiva, os alvos da intervenção psicológica encontram se

não só ao nível dos indivíduos (clientes e outros significativos) mas

também os vários grupos, comunidades e organizações. Segundo o modelo

desenvolvimental ecológico, para haver mudança há que intervir nos

sistemas pessoais, interpessoais e transpessoais, isto é, nos domínios

da realidade intrapsíquica, das relações entre os indivíduos, e dos

muitos e variados contextos de vida.

A promoção do desenvolvimento humano, enquanto intervenção

psicológica, deverá ainda contar com todos os contingentes

sócio económicos do momento. Assim, ela será melhor efectuada se

enquadrada nos projectos de desenvolvimento sócio económico da

comunidade (Campos,1988). O macrossistema (Bronfenbrenner,1979) (as

crenças, as ideologias vigentes num dado momento histórico social) que

envolve o indivíduo influencia tanto este como todos os outros

sujeitos e os contextos de vida (e naturalmente a orientação

sócio económica da comunidade).

Relativamente às estratégias utilizadas para alcamçar os objectivos

desejados junto dos alvos, elas podem ser directas (efectuam se junto

do sujeito), nomeadamente o Aconselhamento Psicológico, a

Psicoterapia, a Educação Psicológica ou Grupos de Desenvolvimento,

(intervenção fora da situação de crise) e indirectas (efectuam se

juntos do meio, no transpessoal, embora se vise a promoção do

sujeito), como é o caso da Consultadoria (seja ele triádica, de grupo,

organizacional ou comunitária).

A perspectiva desenvolvimental ecológica privilegia os grupos de

desenvolvimento ou de educação psicológica e a consultadoria e dá

menos importância ao aconselhamento psicológico e à psicoterapia.

Assim, os Grupos de Desenvolvimento ou de Educação Psicológica

tratam se de uma estratégia de intervenção directa, consistem em

intervenções realizadas a grupos, fora das situações de crise, que

visam desenvolver, capacitar ou educar o indivíduo. Trata se de, mais

do que ensinar e instruir, desenvolver e construir.

A Consultadoria já se trata de uma estratégia indirecta de intervenção

psicológica, visto efectuar se não directamente no sujeito, mas nos

indivíduos com que ele contacta, como outros significativos ou

profissionais que têm alguma ligação com o cliente. Deste modo, estes

vão exercer, consequentemente, influência e pressão no sentido


positivo junto do cliente. Ao consulente cabe a responsabilidade da

implementação das soluções resultantes do processo. É um tipo de

intervenção que tenta actuar nas redes sociais do cliente e deste modo

ajudar a sua vida. Por e. g.:, o psicólogo pode intervir no professor

(o consulente), prevendo a intervenção futura deste no aluno (o

sujeito, alvo de mudança). Fornece se serviços directos ao consulente,

capacitando se este e logo agindo se indirectamente no cliente.

Esistem vários modelos históricos de consultadoria; a

Consultadoria Diagnóstico que prevê o recurso a um especialista para

produzir um diagnóstico e uma prescrição quanto a um problema; na

Consultadoria de Formação faz se a actualização e formação de

profissionais e disseminação de competências, tendo sempre em vista

que a aprendizagem acontece ao longo de todo o ciclo vital. O

planeamento destas acções de formação propiciará melhores resultados

se for colaborativo, incluindo indivíduos presentes nas várias áreas

envolvidas. A Consultadoria centrada no Desenvolvimento Profissional

do consulente está mais orientada para o desenvolvimento deste e a

aquisição de competências por parte do mesmo, do que propriamente em

formar e treinar profissionais na área técnica. Em colaboração com o

consultor, o consulente deve, no final do processo, ser capaz de

resolver os seus problemas autonomamente, em virtude das "coping

skills" que adquiriu. Na Consultadoria Organizacional, faz se

sobretudo uma análise da organização, atentando a aspectos da sua

estrutura e do seu funcionamento, e incidindo em temas como estilos de

liderança, estratégias para negociação e resolução de conflitos, ou a

participação dos trabalhadores nas tomadas de decisão.

As intervenções preventivas, sociais e comunitárias podem, ora

centrar se na competência do sistema pessoal e/ou na qualidade dos

contextos de vida, ora serem especificamente psicológicas ou

integradas em projectos de desenvolvimento humano e social. No

primeiro caso, tenta se intervir no sistema pessoal do indivíduo (o

intrapessoal), ao nível interpessoal (nomeadamente as redes sociais de

apoio) ou nos sistemas transpessoais, visando modificar os contextos

de vida (o desenvolvimento dos indivíduos acontece nos vários

microssistemas, e a qualidade destes tem repercussões naquele mesmo

desenvolvimento). Para o segundo caso, conta se com o facto de os

projectos de desenvolvimento muitas vezes não serem especificamente

psicológicos. Deste modo, estando presentes outros profissonais

integrados numa equipa, teremos que actuar a outros níveis que não só

o psicológico. Assim, "o psicólogo apercebe se rapidamente de que é

ilusório trabalhar em termos individuais quando se desejam resultados

positivos e que, em trabalho de grupo, o modelo mais eficaz é o

colaborativo" (Coimbra,1991).

O modelo do especialista (tradicional), devido às consequências que

acarreta, não vai ser muito desenvolvido. Ele conduz a uma

estanquicidade da área de actuação, uma excessiva valorização das

competências, técnicas e instrumentos de acção do psicólogo, e a uma



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