Radiofarmacos



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RADIOFARMACOS
O fenômeno da radioatividade foi descoberto pelo físico francês Henri Becquerel em 1896, quando verificou que sais de urânio emitiam radiação semelhante à dos raios-X, impressionando chapas fotográficas e concluiu que, se um átomo tiver seu núcleo muito energético, ele tenderá a estabilizar-se, emitindo o excesso de energia na forma de partículas e ondas.

A radiação é uma energia que se propaga através da matéria ou do espaço em forma de onda ou partícula. A luz visível é uma forma de energia, assim como o calor que se propaga em forma de ondas de radiação infra-vermelha. Quando a radiação é capaz de ionizar o meio em que ela se propaga, ela é chamada de radiação ionizante.
Quanto aos tipos de radiações existentes, cita-se:

Radiações alfa (a )

Sir James Dewar, em 1908, e Ernest Rutherford (1871-1937) e Royds, em 1909, comprovaram, experimentalmente, que as emissões a são partículas formadas por dois prótons e dois nêutrons, "atiradas" que são, em alta velocidade, para fora de um núcleo relativamente grande e instável.
Radiações beta(b )

Radiações b são emissões de elétrons nucleares - carregados negativamente (e-) ou positivamente (e+), em altíssima velocidade, para fora de um núcleo instável.

Essas radiações são comuns entre os núcleos leves ou de massa intermediária que possuem um excesso de prótons ou de nêutrons, em relação a estrutura estável correspondente.

Radiação gama (g )

As emissões g não são partículas, mas sim, ondas eletromagnéticas, semelhantes à luz, porém de comprimento de onda muito menor, conseqüentemente, de energia muito mais elevada (superior, inclusive, as raios X), sem carga elétrica e sem massa.

Sua velocidade é a da luz (é uma onda eletromagnética), e seu poder de ionização é menor do que os das partículas alfa e beta.

Seu poder de penetração, em que pese depender do átomo emissor é bem maior do que os das partículas alfa e beta ; normalmente atravessa 20 cm no aço ou 5 cm no chumbo (quanto mais denso o metal menos penetra). Por esta razão, do ponto de vista fisiológico, a radiação gama representa o perigo máximo

Os raios-X são emitidos quando elétrons acelerados por alta voltagem se lançam contra uma chapa de tungstênio e sofrem frenagem, perdendo energia. Têm a mesma natureza da radiação gama, diferindo apenas pela origem. Os raios-X não saem do núcleo do átomo, e sim das transições de elétrons ao mudar de órbita. Por isso, não são energia nuclear. Os aparelhos de raios-X não são radioativos; só emitem radiação quando estão ligados (em operação).



Os raios X:

a) produzem ionização dos gases que atravessam;

b) apresentam trajetória retilínea, não se desviando pela ação de campos elétrico e magnético, não sendo, pois, constituídos por partículas carregadas;

c) sofrem reflexão (voltar para trás), refração e difração, o que prova consistirem de radiação eletromagnética como a luz, porém, com comprimento de onda menor.


Radiofármacos são substâncias emissoras de radiação utilizadas na medicina para radioterapia e para exames de diagnóstico por imagem. A produção de radiofármacos pelo IEN reflete a preocupação do Instituto em atender às demandas da sociedade. Essa atividade teve origem com a aquisição, em 1974, do acelerador de partículas Cíclotron CV-28 de energia variável, o que deu início ao desenvolvimento de métodos de produção de radionuclídeos para diferentes aplicações e a produção experimental para uso médico.

Em 1998, o Instituto começou a produção em larga escala do radionuclídeo iodo-123 livre de impurezas. Na forma de iodeto de sódio, ele é usado para o diagnóstico de disfunções da tireóide, em substituição ao iodo-131, proporcionando 60 vezes menos doses radiológicas aos pacientes e 6 mil vezes menos impacto ambiental.

Outro radiofármaco sintetizado com o iodo-123, a molécula meta-iodobenzilguanidina (MIBG) é utilizada no diagnóstico de doenças cardíacas, atendendo a uma grande demanda no país. Hoje, o IEN fornece o iodeto de sódio e a MIBG marcados com o iodo-123 ultrapuro a clínicas e hospitais de diversos estados.

Em 2003 foi instalado o segundo acelerador de partículas do IEN, o Cíclotron RDS-111, para produção do radionuclídeo flúor-18. Este isótopo emissor de pósitrons é utilizado no IEN para a síntese do radiofármaco flúor-desoxiglicose (FDG). A substância, utilizada com equipamentos de imagem PET (sigla em inglês para tomografia por emissão de pósitrons) ou Spect (sigla em inglês para tomografia computadorizada por emissão de fóton único), é responsável por uma revolução nos exames diagnósticos em cardiologia, oncologia, neurologia e neuropsiquiatria.


Radiofármacos são substâncias emissoras de radiação utilizadas na medicina para radioterapia e para exames de diagnóstico por imagem;

Radionuclídeos: Substâncias que têm mesmo número de prótons mas variam no número de nêutrons denominam-se radionuclídeos.

Quais seriam as atividade do Profissional Farmacêutico nessa área ?

- Funções:

Os radiofármacos terapêuticos são usados para agir em sítios específicos, tratamento de doenças disseminadas, mesmo sendo o local do tumor desconhecido;

Causa mínimo ou tolerável prejuízo ao tecido adjacente saudável;

No entanto, existem problemas relacionados à liberação eficiente em sítios-alvos (tempo de residência no sítio-alvo, catabolismo e metabolismo in vivo, taxa de fármaco radiomarcado e eliminação de metabólitos)

As classes dos radiofármacos são:

Gerador de tecnécio

Embora o Tc-99m possua meia-vida física curta de 6 horas e, portanto, não seja adequado seu transporte, ele é utilizado para a maioria de todas as aplicações em medicina nuclear. É obtido por um sistema de gerador (geralmente disponível no departamento de medicina nuclear ou em uma radiofarmácia) contendo Molibdênio (Mo-99) que deteriora a Tc-99m. Assim, o Tc-99m está constantemente disponível para kits frios marcados ou uso para mapeamento da tireóide.

"Kits frios"

Kits frios são não-radioativos e podem ser armazenados em depósito. Após marcados com, por ex., tecnécio radioativo, são utilizados para várias indicações de cintilografia (como cintilografia óssea para detectar metástases ósseas).

Radiofármacos "quentes"

Radiofármacos quentes são radioativos e transportados pelos fornecedores de radiofármacos ao departamento de medicina nuclear. São utilizados para aplicações diagnósticas ou terapêuticas.

Radiofármacos alvo-específicos "modernos" baseados em anticorpos monoclonais e peptídeos.

Esses produtos (fornecidos como kits frios ou quentes) estão disponíveis no mercado desde o final da década de 80. Eles se ligam às moléculas como os receptores celulares e permitem imagem específica assim como tratamento.

Para que mais os radiofármacos são úteis ?

Para avaliar a resposta do paciente à terapêutica medicamentosa e cirurgia;

Detectam mudanças recentes na função fisiológica ou processos bioquímicos.Ex: é a imagem do pulmão por perfusão usando partículas de albumina macroagregadas – 99mTc na detecção de embolismos pulmonares;

No monitoramento terapêutico, incluindo estudos de toxicidade de medicamentos.

Os radioisótopos, além da produção de fármacos para o diagnóstico e tratamento das doenças, podem ser empregados para melhorar a conservação de alimentos e drogas vegetais, sendo que as embalagens finais desses produtos são submetidas à radiação gama, dentro de limites permissivos.

Podem ser úteis na Conservação de alimentos e drogas vegetais
Na fonte de cobalto-60 tipo panorâmica, o material, já em sua embalagem final, são submetidos à radiação gama

Alguns exemplos da utilização de radiofármacos para o diagnóstico de doenças, de acordo com as imagens acima, nota-se, através da cintilografia óssea, de acordo com as setas, zonas de metástases ósseas.

E, de acordo com a cintilografia renal estática, de acordo com as setas, baixa captação de radiação devido a pielonefrite.

O exame Linfocintilografia e a técnica da localização e biópsia do linfonodo sentinela em paciente com câncer de mama permitem evitar, a cirurgia radical com mastectomia e o esvaziamento axilar em caso de não comprometimento linfonodal.


Os radioisótopos utilizados para diagnóstico são:

Tecnécio 99 metaestável (99mTc):

- meia vida física: 6,04 horas

- meia-vida biológica (dependente do fármaco associado);

- meia-vida efetiva (relação meia-vida física e biológica);

- fácil obtenção (geradores);

- fácil complexação;

- emissor gama puro – 140 keV (propício para gama-câmaras) – uso diagnóstico;

Citrato de gálio – 67 (uso diagnóstico);

Cloreto de tálio – 201 (uso diagnóstico)




Dentre a gama de produtos atualmente produzidos e comercializados pelo IPEN, destacam-se:
Gerador de Tecnécio utilizado na localização de lesões cerebrais, estudos da tireóide, imagens de glândulas salivares e cintilografia gástrica.

  • Iodo-131, Iodo-131 em cápsula e Iodo-123 utilizados no estudo da função tireoidiana.

  • Gálio-67 utilizado na localização de tumores em tecido mole e lesões inflamatórias.

  • Tálio-201 utilizado em imagem cardíaca e avaliação do nível de lesão no músculo cardíaco em repouso e exercício.

  • MIBG 131-I utilizado em cintilografias de feocromocitomas e neuroblastomas.

  • MIBG 123-I utilizado na pesquisa da glândula supra-renal.

  • FDG-18 utilizado para diagnóstico em oncologia, cardiologia neuropsiquiatria.

E para uso terapêutico são utilizados:

Os radionuclídeos devem emitir radiações particuladas (b), que depositam as radiações dentro de órgãos-alvo;

O I131 é o principal radiofármaco usado para o hipertireoidismo e para doença metastática da tireóide;

Como emite radiações gama e beta, pode ser usado para fins de diagnóstico e terapêutico.
Os métodos de produção e/ou obtenção de radionuclídeos são:


  • Utilizando como fonte um acelerador ciclotron – este permite a obtenção dos radionuclídeos: I123 , Ga (67), In (111), Tl (201), C (11), N (13), O (15), F (18), I (124), Cu (64).




  • Por reator nuclear – obtendo-se radionuclídeos do tipo: I ( 131), P (32), Cu (67), Mo (99), entre outros;




  • Pode-se também empregar o gerador de Tecnécio, em que pode-se obter os seguintes radionuclídeos: Te (99m), Ga (68), Bi (212 e 213), entre outros



  • O ciclotron é um acelerador de partículas nucleares subatômicas. Produz grande quantidade de prótons (partículas pesadas carregadas positivamente - pósitrons) e coloca-os em movimento em taxa acelerada ao longo de uma órbita circular, dentro de uma câmara controlada por campos magnéticos poderosos alternantes. Assim, as partículas ganham energia e são esmagadas/colididas contra um alvo a uma velocidade quase igual à da luz. Os átomos, em uma substância colocada neste alvo, são transformadas pelo seu bombardeamento em isótopos instáveis e radioativas, por meio de reação nuclear.

Este é o motivo porque muitas das instalações PET do mundo tem o ciclotron bem ao lado do tomógrafo PET. É uma verdadeira corrida contra o relógio, pois assim que o radioisótopo é obtido, restam poucos minutos para sintetizar o radiofármaco e injetá-lo no paciente, de modo que o PET e o ciclotron não devem estar muito distantes um do outro.

O ciclotron de marca RDS, fabricado pela empresa CTI, do grupo multinacional Siemens, e que é mostrado na figura superior, é um dos mais usados em centros de PET no mundo. Ele incorpora um terminal de computador, que é usado para controlar o fluxo de produção, e uma unidade de biossíntese. que tem diversos tipos de aparelhos especializados para realizar as sínteses químicas dos radiofármacos.

OBTENÇÃO DE RADIOFÁRMACOS E ARMAZENAMENTO:

A aquisição de radiofármacos impõe um problema especial ao farmacêutico, pois as vias de acesso aos mesmos (distribuidores e fornecedores) podem ser mais demoradas do que a meia-vida dos mesmos;

Local para armazenamento, manipulação e preparação, área de contagem para calibração de doses e sala p/ tratamento são algumas áreas físicas necessárias para esse tipo de prática, podendo ser dispensado por farmacêuticos hospitalares ou técnicos de medicina nuclear;

Com o advento de formas farmacêuticas pré-calibradas para um número significativo de radiofármacos, instalações especiais passam a não ser necessárias em muitos procedimentos de diagnóstico.
As Boas Práticas Radiofarmacêuticas além das premissas das Boas Práticas de Manipulação, ainda deve agregar as Normas e Procedimentos de Proteção Radiológica.
RADIOFÁRMACOS PRODUZIDOS POR UM REATOR NUCLEAR

Um reator é um sistema com um núcleo contendo um material físsil (aqueles isótopos que se fissionam quando absorvem um nêutron, p.ex. 92235U e o 94239Pu). Os elementos físseis quando acondicionados especialmente compactados possuem a propriedade de massa crítica, isto é, ocorrendo uma fissão dá-se início a uma reação em cadeia.

As reações são intensificadas e diminuídas, ou mesmo interrompidas, por um moderador (usualmente grafita), por barras de boro ou cádmio. As energias dessas reações aquece água ou dióxido de carbono. Isso produz o vapor. O reator de fissão é alojado no interior de uma cúpula de paredes de concreto. Por segurança, no centro ou núcleo do reator as barras de urânio combustível ficam sob 10,5 m de água.
Reator PWR (Pressurized Water Reactor )

As usinas Angra I e Angra II são do tipo PWR (a água pressurizada. O vaso de pressão contém a água de refrigeração do núcleo do reator. Essa água retira o calor do reator e circula quente, (a mais de 230ºC,pressurizada sem entrar em ebulição), por um trocador de calor, em circuito fechado, chamado de circuito primário. A outra corrente de água que passa por esse trocador (circuito secundário) se transforma em vapor, acionando a turbina para a geração de eletricidade. Os dois circuitos não têm comunicação entre si. O vapor que passa na turbina é condensado num segundo trocador (condensador) e retorna para ser aquecida no trocador. O circuito secundário também é fechado. A água de resfriamento do condensador é água ambiente, geralmente de um rio ou do mar.

Radiofarmacos usados em CTI


Atualmente, cerca de 90% dos exames realizados em Medicina Nuclear utiliza o 99mTc como traçador.

Está disponível no mercado nacional vários kits para serem marcados com 99mTc. Abaixo relaciona-se os vários kits disponíveis e fornecidos pelo IPEN e uma breve descrição de seu uso.



Tecnécio-99m  (99m43Tc)

O 99mTc é produzido bombardeando-se o 98Mo (molibidênio) com neutrons, em reator de fissão. Como resultado é obtido o 99Mo que decai com meia vida física de 66 horas para o 99mTc num estado metaestável. O 99mTc no metaestável não decai imediatamente mas permanece neste estado com meia vida física de seis horas emitindo um fóton gama de 140,5 keV.

Portanto, no laboratório de Medicina Nuclear o 99mTc está disponível por meio de gerador contendo 0 99Mo. Este é eluído numa coluna de troca iônica que retém o 99Mo e elui o 99mTc formado. No jargão desses laboratórios o gerador é comumente chamado de "vaquinha de tecnécio".

CALIBRAÇÃO DE DOSE DO RADIOFÁRMACO




Doses utilizadas para o diagnóstico:

É aquela que permite aquisição da informação desejada com o mínimo de radiação ou exposição do paciente;

Sua utilidade é determinada pelas propriedades do radiofármaco, principalmente físicas (radiação, energia, meia-vida);

As melhores imagens de diagnóstico são obtidas com radiofármacos de meia-vida curta e emita unicamente radiações gama.Ex: tecnécio-99m (99mTc)



VACINAS

Vacina é um produto biológico que serve para a imunização contra diversas doenças causadas por vírus e bactérias, também conhecidos como microrganismos. Os imunobiológicos (ou vacinas) são feitos com os próprios microrganismos que causam as doenças, sendo estes atenuados ou parcialmente utilizados. Desta forma, ao tomar a vacina, a pessoa não desenvolve a doença, mas forma anticorpos contra ela e fica imune, caso haja um contato posterior com o microrganismo ativo.


Como foi descoberta a vacina?

AO PERCEBEREM QUE OS SOBREVIVENTES de um ataque de varíola não voltavam a sofrer da doença, muitos povos tentaram provocar a moléstia numa forma mais branda. Os primeiros registros desta prática, que recebeu o nome de variolização, remontam aos chineses. Era conhecida entre diversos povos da África e da Ásia, como hindus, egípcios, persas, circassianos, georgianos, árabes. Na Turquia, no início do século XVIII, duas inoculadoras de origem grega ficaram famosas – uma delas, a Tessaliana, chegou a imunizar cerca de 40 mil pessoas. As técnicas diferiam: algodão, com pó de crostas ou pus inserido no nariz, vestir roupas íntimas de doentes, incrustar crostas em arranhões, picar a pele com agulhas contaminadas, fazer um corte na pele e colocar um fio de linha infectado ou uma gota de pus. Embora a variolização pareça ter sido praticada em algumas regiões da França, na Escócia, no País de Gales e na Itália, atribui-se sua introdução na Europa à Lady Mary Wortley Montagu, mulher do embaixador britânico na Turquia, que fez inocular seus filhos. De Londres, a prática se espalhou pelo continente, popularizada pela adesão da aristocracia. Foram imunizados as princesas reais Amélia e Caroline, na Inglaterra, Luís XVI, na França, Catarina II, na Rússia.

A VARIOLIZAÇÃO LOGO CHEGOU ÀS AMÉRICAS. Jesuítas inocularam índios no Brasil, e Zabdiel Boylston imunizou 243 pessoas durante uma epidemia em Boston, em 1721. Na mesma cidade, em 1764, novo surto de varíola levou à criação de dois hospitais particulares para inoculação. John Adams, mais tarde presidente dos Estados Unidos, submeteu-se ao tratamento. Este era prolongado – três a quatro semanas de internação e de duas a três em convalescença. Após ver seus exércitos ao norte devastados pela varíola, mudando o curso da guerra, George Washington ordenou a variolização compulsória de suas tropas em 1777. Desde sua introdução na Europa, a variolização sempre enfrentou uma oposição ferrenha, que se agravou com a comprovação de que cerca de 2% dos inoculados morriam e muitos desenvolviam formas graves da doença. Com isso, em muitos locais, a prática foi suspensa.
A Primeira Vacina:

No século XVIII, Edward Jenner descobriu a vacina antivariólica, a primeira que se tem registro, através de uma experiência que provou que, ao inocular-se uma secreção de alguém com a doença em outra pessoa saudável, esta desenvolvia sintomas muito mais brandos e tornava-se imune à patologia em si. Ele desenvolveu a vacina a partir de outra doença, a cowpox (tipo de varíola que acometia as vacas), pois percebeu que as pessoas que ordenhavam as vacas desenvolviam imunidade à varíola humana. Conseqüentemente, a palavra vaccina, que em latim, significa “de vaca”, por analogia, passou a designar todo o inóculo dotado de ação antigênica.


NENHUM IMUNIZANTE CONTRIBUIU TANTO para a popularização das vacinas como o contra a poliomielite. Conhecida desde a Antiguidade, a doença passou a assumir importância como problema de saúde pública no final do século passado, ao irromper de forma epidêmica nos Estados Unidos e na Europa. O impacto causado pela visão de crianças paralíticas levou a população americana a uma mobilização sem precedentes nas Marchas do Dime, em que pessoas saíram às ruas, em todo o país, pedindo um dime (moeda de 10 centavos) para a pesquisa de uma vacina contra a pólio. Bilhões de dólares foram arrecadados. Em 1949, Jonas Salk desenvolveu uma vacina a partir de vírus inativados (mortos), que foi testada em 45 mil crianças nos Estados Unidos, em 1954. Foi o primeiro imunizante no mundo a ser produzido em cultura de tecidos (células de rim de macaco) e reunir mais de uma subespécie de vírus (poliovírus I, II e III). No mesmo ano, Albert Sabin desenvolveu a vacina atenuada contra a pólio, a primeira a ser aplicada por via oral. Por mimetizar o mecanismo de infecção do vírus selvagem, a vacina Sabin facilita a obtenção de altos níveis de imunidade coletiva.
No Brasil:

Os laboratórios de produção do Butantan tem uma capacidade instalada para a produzir 180 milhões de doses/ano de vacinas e 800 mil ampolas/ano de soros. O Butantan hoje desenvolve projetos para novos laboratórios de produção de soros e vacinas. O Butantan fornece atualmente cerca de 75% de todas as vacinas e 80% dos soros utilizados no Brasil.

A produção de Bio-Manguinhos está voltada basicamente para vacinas contra poliomielite, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), meningites meningocócicas A/C, por Haemophilus influenzae – HIB, HIB/DTP e febre amarela , sendo o maior produtor mundial desta última. Bio-Manguinhos fornece este imunobiológico para várias agências das Nações Unidas.

Hoje, é o maior fornecedor de vacinas do Ministério da Saúde e só em 2002 produziu mais de 120 milhões de doses, o que equivale a cerca de 60% da demanda pública nacional de vacinas.


A biotecnologia ocupa-se da manipulação de organismos, células ou moléculas biológicas com aplicações específicas.

O diagnóstico e a terapêutica de doenças constituem campos de aplicação da biotecnologia, nomeadamente através da imunoterapia, que permite amplificar ou dirigir a resposta imunitária, e da produção de substâncias, como antibióticos, esteróides, vitaminas e vacinas.

Exemplos de Vacinas:

Vacinas são preparações destinadas a induzir uma resposta imunológica no animal (inclusive o homem) visando a proteção contra determinada doença. Estas preparações podem conter apenas moléculas (a), microrganismos mortos (b), ou vivos atenuados (c).

Exemplos de cada uma destas citadas:

a) Vacinas antitetânica e antidiftérica: são produzidas contendo o toxóide tetânico e o toxóide diftérico. Toxóide é uma proteína (toxina) cujo efeito tóxico foi inativado, porém mantém a característica imunogênica e antigênica.


b)
Vacina contra coqueluche (Pertussis): é a bactéria (B. pertussis) morta (inativada).

c) Vacina contra o sarampo e contra a febre amarela: são produzidas a partir de vírus vivos atenuados, que produzem infecção sem produzir a doença.
AS VACINAS PODEM SER VILÕES?

As vacinas constituem uma área controversa do exercício da medicina e da política governamental. Devido à dificuldade de prever a reação individual dos seres humanos à doença ou à vacina, a vacinação continua sendo uma difícil decisão para os pais ou responsáveis pela criança.
Conseqüências a longo prazo

Há muito os críticos argumentam que as vacinas são uma forma de agressão genética à raça humana. A introdução de toxinas diretamente na corrente sangüínea tem potencial para causar danos imprevistos a longo prazo no organismo humano, que a ciência médica simplesmente não está aparelhada para estudar.

É interessante observar que nós, como espécie, temos batalhado contra doenças infecciosas há séculos e as nossas futuras gerações continuam a beneficiar-se das imunidades que desenvolvemos, das batalhas que vencemos.

As ações míopes dos proponentes das vacinas, puseram em marcha um programa que interrompe sistematicamente o curso natural de como nós, como espécie, aprendemos a lutar contra as doenças infecciosas.

O Sistema Imunitário é um conjunto de diversos tipos de células e órgãos que protegem o organismo dos animais de potenciais agentes agressores biológicos (microrganismos) ou químicos (toxinas).

Este sistema também é responsável pela vigilância e destruição de células envelhecidas e anormais (cancerosas) do próprio organismo.

Os anticorpos, dada a sua elevada especificidade, podem ser utilizados na identificação de antigênios específicos, mesmo quando presentes em quantidades muito pequenas e no ataque ¨cirúrgico¨ a células que apresentam antigênios específicos.

Os anticorpos policlonais são produzidos como resultado da estimulação de vários clones de linfócitos B, em resposta a um determinado antigênio. Apresentam especificidade para cada um dos diferentes determinantes antigênicos.

A contaminação do organismo por um agente patogênico conduz, naturalmente, à produção de anticorpos policlonais.

Os anticorpos extraídos do soro de animais inoculados com antigênios são policlonais. Dada a diversidade molecular do seu conteúdo, este soro, tradicionalmente utilizado em processos de imunização passiva, envolve riscos de rejeição e ataque imunitário por parte do receptor.

Tipos de Imunizações:

Imunidade Ativa: desenvolve-se em resposta a substâncias antigênicas no organismo, podendo ser adquirida naturalmente ou artificialmente;

Imunidade Passiva: ocorre com a introdução de imunoglobulinas produzidas em outro indivíduo (humano ou animal) no hospedeiro que não está envolvido na produção do mesmo.
Os anticorpos podem ser utilizados para reconhecer moléculas específicas com grande precisão e podem ser produzidos em laboratório através da injeção de antígeno em animais. Após a resposta imunológica efetuada pelos animais em contato com o agente infeccioso, recolhem-se os anticorpos do seu plasma sangüíneo. Este processo tem como vantagem a obtenção de uma elevada quantidade de anticorpos. Contudo, nos animais e nos seres humanos, a resposta imune é, na maior parte das vezes, policlonal, isto é, desenvolvem-se diferentes populações de linfócitos B perante o mesmo agente patogênico. Este tipo de resposta torna-se menos eficiente porque não é canalizado o esforço para a produção do anticorpo mais apropriado, produzido por um único clone de linfócitos B - monoclonal. Na produção deste tipo de anticorpos, um animal é injetado com um antígeno e, passado algum tempo, é morto. Os linfócitos B são extraídos do baço do animal, incubados in vitro e é feita a fusão com células de mieloma, com o intuito de obter anticorpos monoclonais

Os hibridomas conjugam características das células parentais:



  • Produção de grandes quantidades de anticorpos específicos para um único determinante antigênico;

  • - Divisão celular contínua, dando origem a um grande número de células.

A técnica de uso de anticorpos monoclonais ainda está em desenvolvimento e para a tornar mais eficiente deve ser combinada com outras formas de terapia, tais como a quimioterapia e a radioterapia.

Os anticorpos monoclonais também podem ser utilizados no tratamento de doenças auto-imunes como o diabetes mellitus tipo I, a artrite reumatóide, a esclerose múltipla, entre outras.

Relativamente à rejeição de órgãos transplantados ou enxertados, a medicina também recorre ao uso de anticorpos monoclonais para evitar estas complicações. Os anticorpos monoclonais ligam-se aos receptores membranares produzidos pelas células T, impedindo que estas detectem o órgão transplantado ou enxertado. Esta situação conduz à diminuição da capacidade de defesa do organismo;

Diagnósticos pré- natal (Síndrome de Down);

Antídotos para venenos e drogas

No tratamento da asma.
Os anticorpos monoclonais atuam em nível das células cancerígenas, ligando-se às células-alvo que apresentam os antígenos específicos na sua superfície, desencadeando uma resposta enfatizada por parte das restantes células imunológicas. Um anticorpo monoclonal que seja produzido para se ligar a células B de um linfoma (fig.2) nunca irá fazê-lo, por exemplo,  com células de um tumor no sistema nervoso central (fig.3).

No caso das alergias ou hipersensibilidade imediata:

Em um primeiro contato com o alergênio, os linfócitos B são estimulados e diferenciam-se em plasmócitos que produzem anticorpos específicos da classe IgE.

Esses anticorpos ligam-se a mastócitos e a basófilos.

A vacina contra meningite meningocócica foi a primeira em polissacarídeos. Esta tecnologia produz menos efeitos colaterais, porque utiliza apenas pedaços do microrganismo, ao invés da bactéria inteira. Seu domínio possibilitou ao país a capacitação em modernos métodos de fermentação e purificação, aplicáveis a outros imunizantes bacterianos.(Fiocruz)

Existem vários meningococos, mas os que podem causar epidemias são principalmente o A, o B e o C. Hoje existem vacinas eficazes para proteger as pessoas contra a meningite meningocócica sorogrupos A e C, mas não contra o B. Por características próprias, a sua aplicação deve ser "em massa" evitando, assim, que a epidemia dure vários anos. Dessa forma, essas vacinas não são encontradas na rotina dos postos de vacinação. A vacina polissacarídica contra meningite meningocócica sorogrupos A+C vem sendo produzida em Bio-Manguinhos desde a década de 70, tendo essa produção sido implantada através de um acordo de cooperação técnica com o Instituto Mèrieux da França. A vacina deve ser aplicada em dose única (a mesma para adultos e crianças), conforme as recomendações do PNI (Programa Nacional de Imunizações). A efetiva imunização ocorre poucos dias após a vacinação, e mantém-se em níveis adequados por, no máximo, três anos. Não estabelece proteção contra meningites provocadas por outros microrganismos (inclusive do sorogrupo B).

Além dessa vacina o laboratório Fio Cruz desenvolve as seguintes vacinas:



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