Rappaport,C



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RAPPAPORT,C.M., FIORI,W.R., DAVIS,C. Psicologia do desenvolvimento: Conceitos fundamentais. São Paulo: EPU, 1981. v. 1

Sumário


Prefácio
Capítulo 1 — Introdução

1.1 O que é a Psicologia do Desenvolvimento

1.2 Bibliografia
Capítulo 2 — Modelo psicanalítico (Wagner da Rocha Fiori)

2.1 Freud e a Psicanálise — o trabalho inicial

2.2 Consciente e inconsciente — o modelo topológico

2.3 Resistência e repressão

2.4 As estruturas dinâmicas da personalidade

2.4.1 O Id

2.4.2 O Ego

2.4.3 O Superego

2.5 Mecanismos de defesa

2.5.1 Repressão

2.5.2 Divisão ou cisão

2.5.3 Negação ou negação da realidade

2.5.4 Projeção

2.5.5 Racionalização

2.5.6 Formação reativa

2.5.7 Identificação

2.5.8 Regressão

2.5.9 Isolamento

2.5.10 Deslocamento

2.5.11 Sublimação

2.6 Sexualidade e libido

2.7 Fases de desenvolvimento

2.7.1 Fase oral

2.7.2 Fase anal

2.7.3 Fase fálica .

2.7.4 Período de latência

2.7.5 Fase genital

2.8A formação de sintomas

2.8.1 Os atos falhos ou parapraxias

2.8.2 Os sonhos e o simbolismo

2.8.3 Neurose e sintomas

2.9 Leituras recomendadas


Capítulo 3 — Modelo piagetiano (Clara Regina Rappaport)

3.1 Introdução

3.2 Alguns conceitos fundamentais

3.2.1 Hereditariedade

3.2.2 Adaptação

3.2.3 Esquema

3.2.4 Equilíbrio

3.3 Características gerais dos principais períodos de desenvolvimento

3.3.1 Período sensório-motor (0-24 meses)

3.3.2 Período pré-operacional (2-7 anos)

3.3.3 Período das operações concretas (7-11, 12 anos)

3.3.4 Período das operações formais (12 anos em diante)

3.4 Bibliografia
Capítulo 4 — Modelo da aprendizagem social (Cláudia Davis)

4. 1 Aprendizagem social

4.2 Aprendizagem e expectativas

4.3 Aquisição e desempenho: uma distinção necessária

4.3.1 Aprendizagem por observação: aquisição versus desempenho

4.4 Desenvolvimento da personalidade segundo a visão da teoria da aprendizagem social

4.5 Variáveis cognitivas e sua influência no comportamento

4.6 Resumo e conclusão

4.7 Bibliografia
Capítulo 5 — Conclusão 91
VI
Prefácio

O leitor habituado às extensas listas de publicações na área da psicologia do Desenvolvimento pode estranhar o aparecimento deste trabalho. Qual a utilidade de mais uma publicação na área? Quais as novidades a serem introduzidas? Quais os pontos críticos a serem discutidos? Certamente estas e outras questões virão à mente do leitor quando informado desta nova publicação.

Vamos esclarecer então que os nossos objetivos se referem mais à apresentação e sistematização do conteúdo das aulas de Psicologia do Desenvolvimento, ministradas pelos autores na Faculdade de Psicologia das Faculdades Metropolitanas Unidas, desde seu início em 1976.

Durante estes anos de magistério, de convívio com a bibliografia existente e também diante da necessidade de formar psicólogos eficientes, de bom nível, com possibilidades de atuar tanto no sentido profilático como terapêutico com as nossas crianças, deparamo-nos sempre com um impasse. Qual seria o livro ou os livros mais adequados para nossas finalidades? Várias tentativas foram feitas, tomando sempre por base obras de autores de outros países que desconhecem a nossa realidade. E essas tentativas, embora muito discutidas pela equipe, sempre se revelaram insatisfatórias. Se, por um lado, um manual abrange uma vasta gama de itens, por outro lado, perde em profundidade. Se abandonamos os manuais e indicamos inúmeras obras aos alunos, ganhamos em .profundidade, mas perdemos a unidade e a seqüência, além de onerá-los excessivamente.

Diante dessas dificuldades e de outras mais, cuja enumeração se tornaria cansativa para o leitor, decidimos aceitar o convite para uma apresentação sistemática de nossas idéias e de nossas vivências na área da Psicologia da Criança e da Adolescência.

Ë preciso, entretanto, deixar bem claro que não temos a Pretensão de esgotar o assunto ou de eliminar a necessidade de urna consulta mais profunda às outras obras da área e de uma reflexão crítica a respeito delas. Isto porque entendemos que a função de um curso universitário, que pretenda formar psicólogos,


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consiste não apenas em transmitir informações aos alunos, mas proporcionar-lhes um ponto de partida para a análise crítica comportamento da criança e para o entendimento do significado d, suas manifestações comportamentais, a partir de um campo coerentc de informações teóricas. Oferecer-lhes condições de entender por r-uma determinada criança atua de uma certa maneira, num d momento de sua vida. Pretendemos contribuir, portanto, para formação de um profissional competente que, a partir de um conjuntc de conhecimentos teóricos, possa entender a criança brasileira c contribuir para que o seu desenvolvimento se realize de manei saudável. Certamente não será o psicólogo isolado quem irá soluci nar os grandes problemas enfrentados pela população jovem .. nosso país. Mas, temos certeza, é com base numa formação sólida e no trabalho em equipe com outros profissionais, de inúmeras especialidades, que poderemos ter uma participação mais efetiva na solução destes problemas. Propomos, portanto, que a função - Psicologia do Desenvolvimento consista não apenas em forneceri subsídios para o atendimento clínico da criança com distúrbios mais ou menos graves, mas que ofereça um conjunto de conhecimentos teóricos, de pesquisas científicas que realmente capacitem o profissional a atuar nas famílias, nas escolas, nas instituições da comunidade, informando, educando, mostrando quais as condições necessárias para um desenvolvimento saudável. Quais as condições ambientais adequadas para otimizar o rendimento da criança na escola, qual o conteúdo programático que a criança tem condições de assimilar, qual a estrutura e a dinâmica da inteligência e da afetividade da criança em cada faixa etária? Todas estas questões poderão ser respondidas pelo psicólogo escolar, evitando assim, muitas vezes, o surgimento de distúrbios de comportamento ou de aprendizagem pelo conteúdo ou metodologia de ensino inadequados.

Quais as condições que devem ser criadas na família, especialmente nas famílias de populações carentes, para se evitar o abandono e a delinqüência do menor? Qual a importância do relacionamento social e da exposição aos meios de comunicação de massa para a formação da personalidade da criança?

Acreditamos que, ao longo das últimas décadas, a Psicologia do Desenvolvimento vem adquirindo maturidade para responder a algumas destas questões. Esperamos, então, que os nossos estudantes de Psicologia se compenetrem da extensão e da complexidade do assunto em que estão se iniciando. E acreditamos realmente que só a partir de um conhecimento profundo da bibliografia teórica e de pesquisa, aliado à observação constante da criança, é que noderão adquirir competência para um trabalho fecundo e produtivo.
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Quanto a nós, pretendemos, modestamente, contribuir para este rocesso de formação com a apresentação desta obra, que nada

é do que o resultado da nossa experiência.

O conteúdo será apresentado numa série de quatro livros. O rimeiro dará ao leitor uma idéia geral de três modelos de desenvoliniento, que são: o modelo psicanalítico, o modelo piagetiano e o modelo de aprendizagem social. Os demais representarão um aprofundamento e uma ampliação destes conceitos iniciais em cada fase da infância.

Assim o segundo volume tratará da Psicologia da Gravidez, realçando a importância do estado emocional da mãe durante a gestação e o parto como determinante do tipo de vínculo que irá estabelecer com seu filho, fator sem dúvida fundamental para a vida da criança. Dará ainda uma visão do desenvolvimento na fase inicial da vida, mais especificamente na idade de zero a dois anos. Para tanto, apresentará a organização afetiva, cognitiva e social do bebê, isoladamente; mostrará depois como esses diferentes aspectos do desenvolvimento se integram no que poderíamos denominar “organização inicial da personalidade”.

Já o terceiro enfocará a denominada idade pré-escolar com todo o seu encanto e riqueza. Veremos o modelo psicanalítico realçando a importância do relacionamento da criança com seus pais como determinante de um futuro ajustamento de personalidade. Piaget mostrará as limitações do pensamento egocêntrico que determina uma visão distorcida da realidade. E, finalmente, do ponto de vista social, veremos a criança dando seus primeiros passos fora da família, em direção à sociedade mais ampla.

O quarto e último tentará suprir uma lacuna na bibliografia da Psicologia do Desenvolvimento, qual seja, a de apresentar uma Integração dos conhecimentos sobre a idade escolar, que será marcada principalmente pela freqüência à escola primária e pelas aquisições Intelectuais devido ao incremento do pensamento lógico.

Incluirá ainda o estudo da adolescência, focalizando a importancia deste período na busca da individualidade e da autonomia, Com todos os conflitos que lhe são característicos. Mostrará o adolescente às voltas com modificações corporais, emocionais, sociais, intelectuais que rompem não apenas o seu estado de equilíbrio emociona!, mas o de toda a família, requerendo uma reestruturação de Sua dinâmica.

Clara R. Rappaport


IX
Capítulo 1

Introdução


Li O que é a Psicologia do Desenvolvimento

Representa uma abordagem para a compreensão da criança e do adolescente, através da descrição e exploração das mudanças psicológicas que as crianças sofrem no decorrer do tempo. A Psicologia do Desenvolvimento pretende explicar de que maneiras importantes as crianças mudam no decorrer do tempo e como essas mudanças podem ser descritas e compreendidas.*

Note-se que esta preocupação com o estudo da criança é bastante recente em termos de História da Humanidade. Até época relativamente próxima ao século XX, as crianças eram tratadas como pequenos adultos. Recebiam cuidados especiais apenas em idade precoce. A partir dos 3 a 4 anos participavam das mesmas atividades que os adultos, inclusive orgias, enforcamentos públicos, trabalhavam nos campos e vendiam seus produtos nos mercados, além de serem alvos de todo tipo de atrocidades pelos adultos.

A partir do século XVII, a Igreja afasta a criança de assuntos ligados ao sexo, apontando as inadequações que estas vivências traziam à formação do caráter e da moral dos indivíduos. Passaram a constituir escolas onde, além da preocupação básica com o ensino da religião e da moral, ensinavam-se habilidades como leitura, escrita, aritmética, etc.

.sta atuação foi evidentemente limitada, embora tenha siclo importante no sentido de apontar as grandes diferenças entre as personalidades das crianças e dos adultos. Esta limitação se refere tanto aos objetivos específicos propostos para a educação, como aos métodos utilizados e ainda ao pequeno número de crianças atendidas.
*As abordagens mais recentes a respeito do desenvolvimento humano consideram-no como um processo que se inicia na concepção e termina com a morte do individuo. O leitor interessado nas várias etapas evolutivas da vda adulta poderá consultar as obras de Erikson (1972 e 1976).
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Mas despertou a consciência da humanidade para uma reflex acerca do assunto, e grandes filósofos dos séculos XVII e XVII passaram a discutir aspectos da natureza humana, baseados nas sua próprias concepções a respeito da criança.

Já no século XIX e mesmo no início do século XX observamc urna preocupação mais ampla e mais sistemática com o estudo d criança e com a necessidade de educação formal. Apesar disso.

disciplina era exercida, tanto nas famílias como nas escolas, d forma violenta e agressiva. Várias formas de castigo — com palmatória, ajoelhar no milho, espancamentos violentos e quarto escuros — foram abolidas das escolas ainda recentemente, embora infelizmente, algumas dessas práticas continuem sendo utilizadas en nosso meio, especialmente nas populações de baixo nível sócio-eco nômico-educacional.

Estas atitudes começaram a modificar-se a partir do estude científico da criança, que se iniciou efetivamente neste século. Podemos ver, portanto, que dentro de uma perspectiva histórica dc milhares de anos, em que predominou o total desconhecimento da criança, a nossa área de estudos encontrou no seu início uma série de dificuldades para se impor como área realmente séria, científica e útil, do ponto de vista social.

Iniciamos nossa história como ciência do comportamento infantil com uma tendência para descrever os comportamentos típicos de cada faixa etária e organizar extensas escalas de desenvolvimento. (‘orno exemplo podemos ciàr o trabalho de Geseli, nos Estados Unidos, ou de Binei, na França (este último mais preocupado com medidas da inteligência). A partir da elaboração destas escalas. de uma certa forma, o desenvolvimento de cada criança poderia ser medido e comparado com o que se esperava para a sua faixa de idade ou com o comportamento considerado “normal”. Por outro lado, através de um procedimento muito diferente, qual seja a psicanálise de pacientes adultos com vários tipos de perturbações, Freud chocava a humanidade no início do século XX com suas descobertas a respeito do desenvolvimento da personalidade da criança e com a constatação de que certos acontecimentos vivenciados na infância eram os determinantes principais de distúrbios de personalidade na idade adulta. Freud causou um impacto decisivo ao mostrar a importância dos primeiros anos de vida na estruturação da personalidade, determinando o curso do seu desenvolvimento futuro no sentido da saúde mental e da adaptação social adequada ou da patologia. A idéia e a metodologia de trabalho de Freud, que serão expostás no próximo capítulo deste livro, tiveram também o mérito de mostrar a presença de processos inconscientes em
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as fases da vid a (derrubando o mito do homem racional) t°d sexua1” infantil.

e Anesar de ter estudado pouco a criança em si, pois ele propôs

a toria de desenvolvimento, com base principalmente na análise a acientes adultos, Freud prestou contribuição inestimável à nossa

ia Muitas de suas idéias continuam sendo plenamente aceitas, ciefl n05505 dias, ao passo que outras foram revistas pelos seus

emuidores ortodoxOS ou dissidentes. De qualquer forma, apesar das

ticas que hoje em dia possam ser feitas à obra de Freud, seu nome continua presente entre os autores que mais auxiliam a compreensão do desenvolvimento psicológico da criança.

A psicologia infantil, podemos atualmente conceituá-la de maneira bem ampla, bem como a ciência, ou aspecto da ciência, que pretende descrever e explicar Os eventos ocorridos no decorrer do tempo que levam a determinados comportamentos emergentes durante a infância, adolescência ou idade adulta. Pretende, pois, explicar como é que, a partir de um equipamento inicial (inato), o sujeito vai sofrendo uma série de transformações decorrentes de sua própria maturação (fisiológica, neurológica e psicológica) que, em contato

as exigências e respostas do meio (físico e social), levam à emergência desses comportamentos. Portanto, a nossa ciência pretende:

a) Observar e descrever os fenômenos (exemplo: choro, agressão, linguagem, solução de problemas, etc.).

b) Explicar os fenômenos. Explicar quais os processos subjacentes, quais os mecanismos psicológicos, internos, que atuam para possibilitar o aparecimento destes fenômenos comportamentais.

Por conseguinte, a Psicologia Infantil pretende descrever e explicar o processo de desenvolvimento da personalidade em termos de como e por que aparecem certos comportamentos. Tenciona, portanto, conhecer os processos internos que direcionam o comportamento infantil.

- Para tanto, valemo-nos de pesquisas cuja principal finalidade

e a obtenção da descrição precisa dos comportamentos das crianças

quer em situações naturais (lar, escola, parque) quer em situações

de laboratório; e de teorias que propõem conceitos explicativos

desses comportamentos.

Exemplificando: ao estudar a interação mãe-criança, aspecto fundamental para a compreensão da criança e da família, iniciamos pela observação de nossos sujeitos. Selecionamos amostras de pares rnaecriança representativas de vários segmentos da população, das varias faixas etárias, etc.
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Recorremos então a um método de observação e registro de comportamento: observação no meio natural e registro gráfico ou em filmes, aplicação de questionários e entrevistas, testes de desenvolvimento, etc. A partir deste procedimento, denominado coleta de dados, temos uma visão dos comportamentos emitidos pelos nossos sujeitos. Sabemos então como se comportam mãe e filho, uma em relação ao oútro, dentro de determinadas situações delimitadas pelo nosso procedimento experimental.

Trata-se de um passo fundamental, sem dúvida, porém insuficiente. Não basta saber que a mãe, ou as mães, tomam certas atitudes em relação a seus filhos. E necessário explicar quais os fatores que determinam essas atitudes. Seriam características de personalidade da própria mãe? Quais? Seriam as características da criança? Seriam fatores circunstanciais, momentâneos? Seriam fatores externos à dinâmica da própria dupla (econômicos, por exemplo)? Quais as repercussões que essas atitudes maternas terão no desenvolvimento da personalidade da criança? E na própria seqüência da interação?

No momento então em que estas dúvidas são lançadas, torna-se necessário recorrer à teoria, ou às teorias do desenvolvimento. Uma teoria do desenvolvimento se constitui num conjunto de conhecimentos teóricos que oferecem subsídios para a explicação dos comportamentos observados.

Fica claro então que o psicólogo do desenvolvimento, através da pesquisa (descrição precisa dos fenômenos comportamentais individuais ou em situação de interação social) e da teorização (tentativa de explicar e integrar os dados das pesquisas num todo coerente e unitário), oferece subsídios para a compreensão:

a) do processo normal de desenvolvimento numa determinada cultura. Isto é, conhecimento das capacidades, potencialidades, limitações, ansiedades, angústias mais ou menos típicas de cada faixa etária.

b) dos possíveis desvios, desajustes e distúrbios que ocorrem durante o processo e podem resultar em problemas emocionais (neuroses, psicoses), sociais (delinqüência, vícios, etc.), escolares (repetência, evasão, distúrbios de aprendizagem) ou profissionais.

Assim, a Psicologia do Desenvolvimento é uma disciplina básica dentro da Psicologia, pois nos permite conhecer e trabalhar tanto com as crianças como com os adolescentes e adultos. Oferecemos inúmeras opções de aplicação prática de nossa ciência tanto no trabalho profissional como psicólogos (clínicos ou escolares) ou ainda orientando profissionais de áreas afins. Podemos auxiliar o educador, mostrando quais as habilidades, capacidades e limitações
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ada faixa etária nos vários aspectos da personalidade (motores, de C,..ionais, intelectuais, etc.), e assim ajudá-lo a estabelecer prograems escolares e metodologias de ensino adequadas, bem como aia ramas esp0rti’0s e recreativos.

prOg podemos auxiliar o assistente social, ensinando-lhe como orientar

famílias no sentido de proporcionar um desenvolvimento saudável; médico, mostrando-lhe os componentes emocionais dos distúrbios físicos, etc.

Enfim, a nossa ciencia e muito abrangente e pode ter uma série de aplicações práticas.

o psicólogo do desenvolvimento pode optar, por um trabalho mais ligado à pesquisa do comportamento infantil, portanto um trabalho mais acadêmico, ou à aplicação prática. Neste último caso, pode ainda atuar no sentido profilático ou remediativo, clínico.

Profilaticamente, podemos atuar junto às instituições da comunidade (família, escola, etc.), procurando criar condições para que as crianças possam ter um desenvolvimento saudável, clinicamente, auxiliando aqueles que, pelas mais diversas razões, estejam apresentando distúrbios de conduta ou de personalidade.

Não há dúvida de que se torna necessário, no momento atual da sociedade brasileira (onde o problema do menor vem assumindo proporções cada vez mais graves), uma intervenção do psicólogo infantil ao lado de outros profissionais. A divulgação de nossas idéias junto às famílias e às instituições educacionais pode contribuir para que as crianças carentes recebam um tratamento mais adequado. Se os pais forem apoiados e educados no sentido de proporcionar mais afeto e mais estimulação para o desenvolvimento intelectual, e receberem eles próprios este afeto e esta estimulação, poderemos então minimizar um pouco o sofrimento de nossas crianças e diminuir o grau de abandono em que se encontram. Se as escolas forem instrumentadas para elaborar programas educacionais mais adequados a estas crianças, menor será o índice de evasão escolar e de desajuste social e profissional conseqüente.

Enfim, é tfftiito amplo o campo de trabalho tanto no sentido de conhecer a nossa criança (pesquisa) quanto de aplicações práticas. Muito há para fazer. Mas, é sem dúvida necessária uma grande dIsposição para o trabalho e para a sua avaliação crítica constante.

Por um lado, temos um grande conjunto de conhecimentos Clentificos e, por outro, inumeráveis oportunidades de aplicações

praticas. Por que atuamos tão pouco então? Ou por que falhamos antas e tantas vezes?

Pelo menos em parte, a resposta está na jovialidade da nossa Ciencla Pois, apesar da maturidade crescente que a Psicologia do
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Desenvolvimento vem ganhando como ciência, notamos ainda mu - pontos falhos. E um dos principais pontos em que falhamos o dos métodos de pesquisa que temos.’

Antes de iniciarmos o estudo do desenvolvimento hu propriamente dito, focalizaremos rapidamente as dificuldades m dológicas inerentes às pesquisas neste campo, pois se verifica acompanhando as investigações empíricas e clínicas a respeito c., fatores mais importantes e da forma como atuam no desenvolvimen da personalidade infantil, tem ocorrido, em paralelo, uma discussL sobre a adequação dos métodos de investigação, que, em últin análise, determinam a validade e a credibilidade dos dados.

Tão grande seria esta preocupação, que várias análises crítica foram feitas. Apenas na área da interação mãe-criança podemo contar dez publicações.2

As pesquisas iniciais sobre o desenvolvimento da personalid infantil receberam influência teórica da psicanálise e gradualmen tiveram seus interesses deslocados dos estudos longitudinais para . efeitos que as características infantis exerciam na personalidad1 do adulto.

Assim, historicamente, tais estudos se orientaram em d” direções diferentes: a da influência do adulto sobre a criança desenvolvimento e, posteriormente, a da influência desta sobre adulto.

A primeira destas linhas de estudo preocupou-se com as prática! de criação infantil e os traços de personalidade dos pais associado9 com o desenvolvimento da personalidade da criança.

Coerentes com esta orientação, esses trabalhos tomaram empres tados métodos de investigação usados em estudos clínicos e r explorações da personalidade humana, entre os quais se destacaii as entrevistas e os questionários. As possibilidades e limitaçõ desses procedimentos foram discutidas por Yarrow (1963), j quem as entrevistas representam autodescrições de pessoas extrema mente ego-envolvidas; sofrem, especialmente na classe média, influência dos tabus e das expectativas sociais. Além disso, as entrevistas e questionários, quando usados para identificar atitudes adotadas pelos pais, requerem discriminações e sínteses muito difíceis para a mãe ou para o pai. Pede-se ao sujeito que sintetize em duas horas

1 Uma descrição destes métodos poderá ser encontrada nas seguintes obras:

Mussen, P.H.; Conger, J.J. e Kagan, J. Desenvolvimento e personalidade d criança. São Paulo, Ed. Harper, 1977 ou Pikynas, J. Desenvolvimento humano São Paulo, Ed. McGraw-Hill do Brasil, 1979.



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