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A TRANSNACIONALIZAÇÃO DO DISCURSO NO CAMPO DO CURRÍCULO NA HISTÓRIA RECENTE DO SÉCULO XXI

Janete Magalhães Carvalho/ Universidade Federal do Espírito Santo



janetemc@terra.com.br

Suzany Goulart Lourenço/Universidade Federal do Espírito Santo



Suzany_goulartlourenco@hotmail.com

Palavras-chave: Currículo. Transnacionalização. Discursos Comunidade Acadêmico-Científica.

INTRODUÇÃO
O estudo objetivou analisar como o discurso da Associação Internacional para o Desenvolvimento dos Estudos Curriculares (International Association for the Advancement of Curriculum Studies - IAACS), uma das mais conceituadas entidades no campo do currículo, fundada em 2001, que vem realizando Encontros Trienais (China em 2003, Finlândia em 2006 e África do Sul em 2009), vem se expressando na primeira década do século XXI. Considerando como representativos deste movimento de internacionalização e transnacionalização os periódicos Journal of the American Association for the Advancement of Curriculum (AAACS, 2005-2009) e Transnational Curriculum Inquiry (TCI, 2004-2009), enfocou, entretanto, como objeto desta pesquisa, o TCI.

Buscou-se, para tanto, compreender as relações estabelecidas entre o discurso da Associação, a representatividade dos artigos apresentados no TCI, as temáticas enfocadas, assim como o lugar de que falavam as autorias e as implicações de um posicionamento que se pretende, do ponto de vista epistemológico, “transcultural” e “pós-colonial”.

Utilizou-se o método histórico documental, selecionando e analisando, como fontes de estudo, as 11 edições do periódico, totalizando 54 artigos e/ou seções, e 65 autores (algumas vezes recorrentes), identificando a tentativa de composição dos periódicos por temáticas, em alguns números por mais de uma temática.

Como personagensconceituais, usou as categorias da desconstrução, da hospitalidade e do hibridismo, tomando como intecessores teóricos Derrida (1971, 2003) e Bhabha (1998, 2007).

O primeiro, por afirmar o processo de significação como dependente das relações de poder, mas, também, como abertura para a criatividade da indeterminação prévia que escapa às representações, aos modelos cópias-dominantes que necessitam ser desconstruídas. Importa, nesse sentido, considerar que a perspectiva derridariana de desconstrução não tem nada de negativo ou de destrutivo; assinala antes um pensamento afirmativo, razão pela qual a desconstrução do cosmopolitismo, da hospitalidade cosmopolita não é nem a sua negação, nem a sua celebração, mais ou menos, entusiasmada, mas antes, e mais radicalmente, a sua reafirmação memorativa, a sua reinvenção.

Derrida fala em reativar e em despertar para a dignidade, para uma “ética nova”, traçando para a hospitalidade cosmopolita um perfil capaz de responder melhor, mais justamente em todo o caso, às violências que (hoje) se desencadeiam à escala mundial. Nesse sentido, sua obra questiona a respeito de que hospitalidade se pode falar, em tempos onde o mal-estar da cultura aponta a ruptura de fronteiras, quando são cada vez menos nítidos os limites existentes entre o eu e o Outro, nos tempos das redes comunicativas. Considerando a hospitalidade palavra que, em sua literalidade, admite hospedar e hostilizar, Derrida teoriza sobre o curioso movimento que pode ser pensado entre o hospedeiro e o hóspede, no movimento em que a hospitalidade pode aparecer na forma de acolhida incondicional, condicionada ou hostil.

Dessa forma, um impasse destacável reside na questão da língua. Pedir “abrigo”, em uma língua estrangeira, já coloca o demandante em situação de desvantagem, como também o será no momento de acatar, respeitar, transgredir as leis e ser julgado na língua do Outro. Abre-se ali uma fenda com relação à língua mater, onde talvez se guarda, a sete chaves, o maior pacto do sujeito com sua posição política, econômica e sociocultural em tensão com o espaçotempo ocupado (geográfica e historicamente).

O segundo, ao postular que pensar a questão da cultura na atualidade é entender que, na contemporaneidade, o cruzamento de espaço e tempo tem produzido complexas figuras de diferença e identidade que não devem ser entendidas, apenas, por suas multiplicidades, mas por seus atravessamentos, seu caráter híbrido. Por isso o híbrido de Bhabha deve ser pensado como uma condição e como uma produção incessante e desviante de processos de significação dos oprimidos, dos colonizados, dos marginalizados, dos discriminados em suas lutas cotidianas pela sobrevivência nos “entre-lugares” das culturas (espaços e tempos de cruzamento de fronteiras e negociação de signos e significações), a partir de apropriações da ambivalência dos opressores, colonizadores, dos que discriminam e das hegemonias majoritárias.

Não se pode esquecer de que a hibridização se dá entre identidades situadas assimetricamente em relação ao poder. Os processos de hibridização analisados pela teoria cultural contemporânea nascem de relações conflituosas entre diferentes grupos nacionais, raciais ou étnicos. O politicamente crucial, para Bhabha, é passar além das narrativas de subjetividades originárias e iniciais para focalizar aqueles momentos ou processos que são produzidos na articulação de diferenças culturais. Isso porque esses momentos ou processos são os “entre-lugares” que “[...] fornecem o terreno para a elaboração de estratégias de subjetivação que dão início a novos signos de identidade e postos inovadores de colaboração e contestação, no ato de definir a própria idéia de sociedade” (BHABHA, 1998, p. 20).

CONFIGURAÇÃO DAS EDIÇÕES DO TCI NA PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XXI

Ao longo do período 2004-2009, o periódico Transnational Curriculum Inquiry, editou 11 números, assim distribuídos: no ano de 2004, v. 1, um número; no ano de 2005, v. 2, um número; no ano de 2006, v. 3, dois números; no ano de 2007, v. 4, três números; no ano de 2008, v. 5, dois números; e, no ano de 2009, v. 6, dois números. Cabe destacar que, no ano de 2011, foi editado o n. 10, que, entretanto, por sua recente publicação, não consta, ainda, da análise do presente estudo

Com relação à autoria, observou-se uma predominância excessiva de autores da Austrália/Oceania (57%) e dos EUA e Canadá/América do Norte (32%), somando, aproximadamente, 90%. Pôde-se constatar que tais autores falam de um lugar que não habitam, mas que os habita, seja por serem originários de outros países estudando ou trabalhando em universidades de referência, seja pelos contatos propiciados por pesquisas em campo e/ou pelas mídias.

A discriminação da autoria por artigos e a procedência e/ou localização das universidades ou centros de pesquisa em que os autores atuam como professores e pesquisadores, assim como as temáticas dos artigos por número serão apresentadas a seguir:

O primeiro número, do primeiro volume da TCI, editado em 2004, apresenta um editorial, dois artigos e uma seção de “Comentários e Conversas”. Trata-se de um número inicial, que busca apresentar a relevância dos estudos transnacionais na área.

O editorial, denominado “Uma visão para a investigação transnacional de currículo”, foi escrito por Noel Gough (da Universidade de Camberra/ Austrália; editor- fundador do TCI). O autor, considerando que a teoria curricular pós-colonial e o pós-estruturalismo não só questionam o poder de países dominantes, mas também a resistência dos países dominados e a interação entre eles, argumenta que um inquérito internacional do currículo deve ser entendido como um processo de criação de "espaços" transnacionais, em que estudiosos de diferentes localidades colaboram na reformulação e descentralização de seus próprios conhecimentos e estabelecem negociações, contribuindo, assim, para o avanço de um trabalho coletivo.

O primeiro artigo, de autoria de Marylin Low (professora da Universidade do Estado do Havaí/EUA) e de Pat Palulis (professora Adjunta da Universidade de Ottawa/ Canadá), nomeado “Respiração difícil: correndo a favor e contra a internacionalização do currículo”, aborda Ouvir



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as possibilidades de rearticulação das línguas na vida pedagógica. Para as autoras, as línguas têm relações umas com as outras, a ponto de existir um terceiro espaço entre elas. Apontam, assim, o inglês como uma afirmação da soberania colonial, por exemplo, em sites de internacionalização do currículo. Utilizam Derrida para sustentar que a linguagem é um sistema cuja unidade é sempre desconstruída e reconstituída, de modo que a linguagem, como cultura, deve ser percebida como não tendo fim em si mesma.

O segundo artigo denomina-se “Carta a minha irmã sobre Doll’s 4 R’s”, de autoria de Lixin Liao (mestrando em Estudos Curriculares da Universidade de Victoria/ Canadá). Enfoca a proposta de William Doll para um novo tipo de currículo pós-moderno. Nesse currículo, aberto à complexidade, as relações tomam destaque, pois se percebe que é a partir delas que o ensino-aprendizagem se torna potente. Apresenta sua perspectiva curricular denominada 4R’s: riqueza, recursão, relações e rigor, argumentando que eles devem fazer parte das redes curriculares concomitantemente. Por fim, esclarece que um currículo pós-moderno deve facilitar três mudanças fundamentais na mentes das pessoas: a pecepção da ambiguidade; a visão do mundo como em rede de conexões; o entendimento do jogo como uma necessidade para a criação.

A seção de “Comentários e conversas” faz a crítica dos dois artigos desse número. Teve como editor Noel Gough (Universidade de Canberra/ Austrália) e como revisores Warrem Sellers e Marg Sellers, Juliane Moss (Universidade de Melbourne/ Austrália), John Chi-kin Lee (Universidade Chinesa de Hong Kong) e Francisco Souza (Universidade dos Açores, Portugal). Exprime o desejo de que a primeira edição exemplificasse alguns aspectos de suas colocações no editorial, assim como a inter-relação que caracteriza a conjunção rizomática do inquérito, para além de uma análise convencional.

O n. 1, do v. 2, editado em 2005, é composto por dois artigos e duas seções: uma de “Comentários e conversas” e a outra de opinião sobre livros. A temática enfocada nesse número é basicamente a relação cultural entre o Ocidente e os países Asiáticos, em especial, China e Japão.

O primeiro artigo é escrito, em forma de ensaio editorial, por William Pinar (fundador-presidente da Associação Internacional para o Desenvolvimento Curricular de Estudos e Pesquisas do Canadá; presidente da Universidade British Columbia/ Canadá, 1972-1985; Universidade de Rochester/EUA, 1987-2005). Intitula-se “Uma ponte entre os estudos curriculares chineses e norte-americanos”. O autor problematiza a importância de se fazer uma ponte entre países com culturas e línguas diferentes, como entre os estudos da China e os norte-americanos. Para o autor, o currículo norte-americano é desencantado, e a teoria chinesa budista poderia colaborar para um reencantamento no campo curricular.

O segundo artigo, denominado “O desabrochar tardio de alunos, raízes profundas da solidão: como voltar para casa?”, foi escrito por Mika Yoshimoto (japonesa, doutoranda na Universidade de Ottawa/ Canadá). A autora acredita que, por ser pós-colonial, o currículo transnacional deve valorizar os conhecimentos do cotidiano, compreendendo os diferentes espaços onde se relacionam as diversas línguas e culturas. Dessa forma, descreve como o cotidiano está conectado com a linguagem e como a vivência num determinado contexto produz significados que enredam o currículo.

Na seção “Comentários e conversas”, é enfocado o artigo de Yoshimoto, editado por Noel Gough (Universidade de Canberra/ Austrália), tendo como árbitros: Susan Talburt (Universidade do Estado da Geórgia/ EUA), Yen Yen Woo (Universidade de Long Island University, New York/EUA) e Sumiko Nishizawa (Kwantlen University College, British Columbia/Canadá). Para os árbitros, a força desse trabalho reside na inclusão de não apenas uma abstrata teorização sobre o pós-colonial, os contatos transnacionais e a globalização, mas, também, as várias formas de sua representação no ensino e no pensar, incluindo o cotidiano do currículo vivido. Há a ponderação de que a autora deveria considerar mais criticamente o uso de teorias ocidentais para descrever sua própria experiência, podendo levar o leitor ao erro de perceber outras culturas como estáticas.

A seção de opiniões sobre mídia, no caso, o livro “Revendo o despertar da luta: para uma teoria crítica social budista”, de Robert Hattam, enfoca o budismo e argumenta a relação entre a teoria social crítica e as práticas budistas, em especial a meditação. Segundo o crítico Heesoon Bai (professor da Faculdade de Educação da Universidade Simon Fraser, Vancouver/Canadá), os argumentos apresentados por Hattam, assim como os dos teóricos e estudiosos da teoria crítica social acabam por desconsiderar a sua relação com o cotidiano real, evidenciando uma teoria da subjetividade centralizada da modernidade que afirma um sujeito previsível e alienado.

O n. 1, publicado no ano de 2006 (v. 3), é composto por uma palestra inaugural, um artigo e duas seções: uma de comentários e conversas e a outra de opiniões sobre livros. A temática versa sobre o currículo e as transformações em tempos de globalização e transnacionalização.

A palestra inaugural denomina-se “O que as escolas podem fazer? O conhecimento, as identidades sociais e as mudanças do mundo”, escrita por Lyn Yates (presidente da Fundação Curricular da Universidade de Melbourne/Austrália) que aborda as mudanças que ocorreram na sociedade e, consequentemente, no campo curricular. Assim, por conta de todas as mutações do mundo, a autora deseja apontar os desafios que esse campo possui. Logo, para ela, é necessário que se realizem pesquisas a respeito dos currículos praticados, questionando: como as escolas estão lidando com os tipos de jovens que temos? O que é feito para preparar os estudantes para o mundo global ? A formação de professores está sendo suficiente em que sentido?

O artigo, escrito por Wu Mei Hoyt (doutorando na Universidade do Texas A&M, Faculdade de Educação e Desenvolvimento Humano/EUA), fala sobre “John Dewey e seu legado para a China e os problemas da sociedade chinesa”. Esse trabalho explora astrength of Dewey's democracy, traces these factors, and considers why Western democracy força da democracia de Dewey, traçando os fatores que ela opera, considerando que a democracia ocidentaldid not thrive in China. não prospera na China. I do this from the standpoint of a person of Chinese origin who is O autorespecially about the problems that defer or deter the development of democracy and thconstruction of human intelligence in C alega que os aspectos da demoracia de Dewey são referências valiosas para a China.

A seção de comentários e conversas apresenta notas do editor Noel Gough (Universidade de Canberra/Austrália) que traça os objetivos do jornal, alegando que ele visa a contribuir para a internacionalização e transnacionalização dos estudos sobre o currículo. Ainda afirma que o TCI não é designado para homogeneizar os estudos curriculares. Esclarece que os artigos publicados nesse jornal não devem ser seguidos como modelos prontos, mas como modos de problematizar as propostas curriculares de cada lugar, conforme foi debatido no artigo de Lyn Yates, visto que cada localidade tem suas peculiaridades, cada uma é capaz de perceber suas necessidades e fazer o que lhes é necessário.

Na seção de opiniões sobre livros, é apresentada uma resenha da obra “Tecnologia, cultura e socioeconomia: a rhizoanalysis dos discursos educacionais”, por Patrícia O’Riley, com comentários de Warren Sellers (doutorando na Universidade de Deakin/Austrália, residente Nova Zelândia). Partindo da teorização de Deleuze e Guattari, o editor concorda com uma análise rizomática dos discursos educacionais, acreditando que o grande desafio do TCI é compor-se como uma rede de articulações para que o “transnacional” ocorra, pois não existe um modo único de pensar as coisas e todas as formas de pensar são agenciamentos para novos mapas.

O n. 2, do v. 3, editado em 2006, compõe-se de três artigos voltados para o debate da internacionalização e transnacionalização dos estudos curriculares.

O primeiro deles, de autoria de William Pinar (presidente da Associação Internacional para o Desenvolvimento do Currículo, Estudos e Pesquisas do Canadá/ presidente da Universidade British Columbia/Canadá, onde é diretor da Internacional Curriculum Studies Project), intitula-se “Construindo a internacionalização dos Estudos Curriculares”. Nele, o autor argumenta sobre a potência que os encontros internacionais podem dar ao campo curricular. Segundo o autor, na interação entre a nossa receptividade com os outros estudos e as nossas próprias atividades, é que pode ocorrer a internacionalização dos estudos sobre o currículo, estimulando a formação de um coletivo, potencializando a multiplicidade e a singularidade.

O segundo artigo trata da “Educação democrática: educar para a democracia”. Escrito por Heinz Sienker (professor da Universidade de Wuppertel/Alemanha), aborda a necessidade de uma educação democrática para uma sociedade democrática. Dessa forma, faz um diálogo com o estudo de Adorno (1998) "Educação após Auschwitz". Para ele, o que aconteceu em Auschwitz não pode ocorrer mais, pois esse é o maior exemplo do declínio da civilização. Nesse sentido, a There, he says one of thdemocracia exige um currículo em que o coletivo seja potencializado e as pessoas não sejam coisificadas, alienadas e automatizadas. A democracia implica um campo aberto para o diálogo e, assim, uma educação para a democracia envolve uma luta política que vai muito além dos “muros da escola”.

O terceiro artigo, redigido por Janet L. Miller (professora no Teachers College, Columbia University/EUA), sobre a temática “Estudos curriculares, fluxos transnacionais e mobilidades: autobiografia em perspectiva feminista”, versa sobre os fluxos transnacionais e as mobilidades necessários nos estudos sobre o currículo, de modo que os “interrogatórios feministas” possam contribuir para uma solidariedade nesse campo. A autora propõe que as diferenças culturais, teóricas e linguísticas dos estudiosos dessa área venham se entrelaçar confirmando a complexidade do currículo, de modo que o multiculturalismo transponha a hierarquização.

O n. 1 do v. 4, de 2007, é dedicado a investigar como os educadores asiáticos e os da Austrália percebem o movimento da globalização e do capitalismo como ocidentalização do mundo. Compõe-se de nove artigos. O primeiro é uma introdução elaborada por editores convidados.

Desse modo, no primeiro artigo introdutório, denominado “A globalização, a ocidentalização e a sino-reforma educacional na Austrália”, escrito por Loshimi Naidoo, Michael Silva e Sanagavarapv Prathyusha (professores da Universidade de Western Sidney/Austrália), os autores argumentam que relações de poder incidem sobre os países e acabam influenciando a produção e a circulação de teorias curriculares. Nesse sentido, afirmam, numa perspectiva de análise foucaultiana, que essa edição do TCI contribuirá para o avanço do currículo australiano por investigarcollection of papers contributes to advancing Sino-Australian curriculum engagement by as respostas dos educadores e os compromissos com questões demutual interest. interesse mútuo global/local, sugerindowithin a Foucauldian framework, they suggest that current ways of ordering and thinking que as formas atuais de ordenar e pensarabout the space/time dimensions of globalisation may work to render peripheral spaces and as dimensões da globalização podem tornar os espaços periféricos esubjects invisible and/or without rights in the state/citizen order. os sujeitos sem direitos como cidadãos.It demonstrates thecollection of papers has explored the contradictory, conflictual and complex curriculum change in the work of educators, by attending to actual learning exeducators engage with the significant reorganisation of their lives in the name gl

O segundo artigo, nomeado “Espacialização da imaginação escolar: globalização, refugiados e educação”, de autoria de Ravider Sudhu e Christie Pam (professores da Universidade de Queensland/Austrália), parte studies, as identified by a number of scholars (see Hesse, 1999; Massey, 1999; Sheppard, da abordagem de MichelFoucault, is the recognition that writing and thinking on/about globalisation themselves form Foucault, de que a escrita e a reflexão sobre a globalização se formam'regimes of truth' that govern space and subjects in particular ways. em "Regimes de verdade" que governam o espaço e os assuntos de forma particular.If globalisation is taken as a way of knowing and ordering the world, then it becomes possible to question what Ooften presented by politicians and policymakers as ineO objetivo do trabalho é explorar os mecanismos que informam o governo dos sujeitos'marginal and peripheral' subjects and spaces of globalisation, using Australia's policies periféricos e marginais e os espaços da globalização, que se formam por meio de políticas australianastowards asylum seekers and refugees and their education as a focal point. para os refugiados requerentes de asilo, tendo a sua educação como um ponto focal.

O terceiro artigo, escrito por Loshini Naidoo (professsor da Universidade de Western Sidney/Austrália), denominado “Ruptura ou continuidade?: o impacto da globalização sobre a identidade cultural e a educação em famílias de imigrantes indianos na Austrália”, apresenta como objetivo reunir pesquisas existentes que versem sobre acultural identity of Indian immigrants in Australia in order to establish whether the migratory identidade cultural dos imigrantes indianos na Austrália, a fim de verificar se asexperience has ruptured Indian cultural identity. experiências de migração romperam a identidade cultural indiana. To do this, it was important to provide a general framework of globalisation theories so that a better understanding of the impact of

O quarto artigo, intitulado “Prevendo um futuro global rural na Austrália: visões do governo local e jovens aspirações educacionais locais”, escrito por Charlotte Fabiansson e Healey Louise (professores da Universidade de Sidney/Austrália), enfoca aspirações de pessoas jovens para a educação e emprego, no contexto broader context of Australian rural communities and show how globalisation is affecting das comunidades rurais da Austrália, mostrando como a globalização está afetandothese communities. essas comunidades. The notion of social capital will be used as a conceptual tool for A noção de capital social é utilizada como uma ferramenta conceitual para aunderstanding the kinds of cultural resources which exist in rural communities and which are compreensão dos tipos de recursos culturais existentes nas comunidades rurais being developed to enhance opportunities for rural young peoplepara aumentar as oportunidades para os jovens dessas comunidades.

O quinto artigo, denominado “A jornada de um professor usando artes da Ásia e da Literatura com os estudantes do ensino fundamental e médio”, é de autoria de Anne Power (professora na Universidade de Western Sidney/Austrália). A autora, partindo de um enfoque da Teoria Crítica, fala sobre a decisão de investigar as mudanças na prática de um professor, com utilização de arte e literatura asiática, como meta de eliminar algumas das complexidades que professores primários podem encontrar na utilização de recursos culturais “estranhos”. Para ela, o mais importante foi ver a abordagem relacional entre comunidades transnacionais e as artes e literatura da Ásia, abrindo espaços para articulações do atual transnacionalismo do inquérito do currículo.

O sexto artigo enfoca “Um educador australiano no sudeste asiático: a globalização que praticamente tudo mudou”, elaborado por Allan Leslie White (professor da Universidade de Western Sidney/Austrália). O artigo busca compreender como a Australian Tertiary Mathematics Educator (ATME) tem buscado levar em consideração as realidades das escolas, considerando a insatisfação dos alunos com a quantidade de teorias e o descaso com o contexto deles. Dessa forma, a ATME faz com que se compreenda não a quantidade de conteúdos, mas sim a pedagogia com a qual eles sãi ministrados, assim como a importância de conhecer outros grupos e culturas.

O sétimo artigo, escrito por Jinghe Han (professora da Universidade Charles Stuart/Austrália) e Michael J. Singh (professor da Universidade Western Sidney/ Austrália) denominado “Conversação mundial de inglês (WES), professores e experiências de estudantes de escolas: as questões curriculares, mobilidade transnacional e o Processo de Bolonha”, parte de projeto de pesquisa que investigou como os professores dificultam aos alunos-professores da WES, da Ásia e Oceania o acesso à profissão docente. O artigo identifica, a partir da obra de Hardt e Negri (2000), dimensions to the power relations affecting their process of metamorphosis: the societaldimensões de poder que afetam esse processo e indagadisciplining of who they are; the societal control of who they are becoming, and the affects otheir embodied power on their shifting identit train a process that began with aims specifically related to Europe, but has grown to gcomo proportions.políticas, entre elas, o Processo de Bolonha, lidam com as características informais dos currículos de formação de professores que surgem quando os alunos atravessam fronteiras.

O oitavo artigo, nomeado “Política da China para as línguas minoritárias em idades globalizadas”, escrito por Xiluan Zuo (professor da Universidade Marítima de Dalian/China), argumenta que, em períodos de globalização, mais e mais pessoas integradas no mundo favorecem a disseminação doEnglish. inglês, que é consideradaEnglish is a strong language, accepted, and used as the medium of international uma língua forte, aceita e utilizada como meio de internacionalcommunication. de comunicação.English is being accused of threatening the existence of other languag Bthis is not unique to EnThe French authorities are still being accused of suppressiminority languages within their borders, and so are Spain, Norway, and several other staLogo, refletindo sobre a problemática do desaparecimento das línguas minoritárias, devido à globalização, nesse artigo, o autor procura apresentar uma visão geral sobre as políticas da China que visampreserving minority languages. à preservação das línguas minoritárias. 2000).

O nono e último artigo, escrito por Li Wu (professor da Faculdade de Estudos Ocidentais da Universidade de Heilongiiang/China) e por Tingjun Cao (professor da Universidade de Heilongiiang/China), aborda “O ensino de línguas em países de outra língua: inglês, currículo e o impacto da globalização e comunicação mediada pelo computador (CMC)”. Exploracommunications, this paper explores the impact of the CMC on the English language o impacto da CMC no idioma inglês docurriculum. currículo, bem como a necessidade de novos quadros para o ensino da língua inglesa em contextos mediados por computador, pontuando a necessidade de uma maior análise, avaliação e descrição das alterações na linguagem do currículo, como resultado do papel da Internet como uma ferramenta e um dispositivo pedagógico.The age of globalisation confers privilege upon those

O n. 2, de 2007 (v. 4), é composto por três artigos e duas seções: a primeira sobre comentários e conversas e a segunda refere-se à opinião sobre livros publicados. A temática dessa edição aborda a relação entre culturas e espaçostempos local e global.

O primeiro artigo enfoca o tema “Construindo currículo na periferia da Europa em tempos de globalização: dois cenários alternativos”, com autoria de Francisco Rodrigues Souza (professor do Departamento de Educação da Universidade de Açores/ Portugal). O autor, baseado em intercessores teóricos críticos, como Esteve e Nóvoa, pretende discutir algumas das possíveis implicações da posição ultraperiférica da região dos Açores e a tensão global-local para a construção curricular. Para isso, leva em conta os atuais debates acerca da globalização, bem como o fato de o Governo Regional, por meio da Secretaria Regional da Educação e Cultura, ter iniciado um processo de criação e implementação de um currículo regional para a educação básica.

O segundo artigo “Ensino para a justiça social: reflexões a partir de uma unidade central de um programa de formação de professores”, escrito por Loshini Naidoo (professor da Universidade de Western Sidney/Austrália), examina, sob a ótica da Teoria Crítica, o impacto de uma unidade de Curso de Justiça Social em Educação, na promoção de práticas transformadoras e das capacidades de fazer com que um grupo de estudantes universitários mantenham a mente aberta com o objetivo de provocar mudanças no processo de ensino-aprendizagem. Ouvir

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O terceiro artigo aborda a temática das “Construções monoculturais: a transnacional reflexão sobre as instituições da primeira infância”, de autoria de Jeanette Rhedding Jones (professora da Universidade de Oslo/Noruega), que busca, numa perspectiva de análise pós-estruturalista, debater a problemática do multiculturalismo e dos encontros antirracistas, dada a elevada porcentagem de crianças de minorias étnicas de professores-tutores e docentes de culturas majoritárias. A autora considera a monocultura como uma prática abertamente política
e conservadora, lembrando a necessidade do reconhecimento da diferença na educação, de modo que as práticas pedagógicas de valorização cultural sejam afirmadas.

A seção de comentários e conversas versa sobre “2002a), although postmodern effects of multiplicities may fail to transform the originalJeanette Rhedding-Jones e as construções monoculturais”. Os comentários e conversas são de Marg Sellers (doutoranda da Universidade de Queensland/Nova Zelândia), de Jyotsna Pattnaik (professor da Universidade do Estado da Califórnia, Long Beach/EUA) e do editor, Noel Gough (Universidade La Trobe/Austrália). Argumentam, de modo geral, ser um dilema a necessidade de ter que aprender a língua majoritária para comunicação, e assim progredir educacional e economicamente. Com isso, há uma perda de identidade cultural, quando a língua materna é relegada, e isso influencia a aprendizagem das crianças, em curto quanto em longo prazo. Apoiam a necessidade de perspectivas multiculturais na educação infantil.

Já a seção de opinião sobre livros publicados apresenta uma resenha da obra “Educação infantil: sociedade e cultura”, editada por Ângela Anning, Cullen Joy e Marilyn Fleer. O livro enfoca a abordagem sociocultural there are neither experts nor novices) to teaching and learning is as applicable to teacherpara o ensino e aprendizagem aplicável ao professor daeducation as it is to early childhood settings. Educação Infantil. Apesarthe pre-service teachers were experiencing in the classroom was likely enhancing theirtheoretical understandings of this perspective on learning and affecting their practical practitioners and scholars from the United Kingdom, Australia and New Zealand.Tpresent socio-cultural perspectives about practices, theories and policies covering thdynamics of teaching and learning, the nature of knowledge, assessment, and evaluation adeveloping a pedagogy of play will be to find ways of understanding morthe historically traditional power relationship of expert teacher and novicde considerar o livro importante, a resenha conclui que falta uma perspectiva que contemple reminded that 'We cannot be or think “outside” of culture' (p. 47)os discursos minoritários.

O n. 3, do v. 4, de 2007, envolve apenas um artigo e uma seção de comentários e conversações sobre o artigo. A temática geral da edição é a questão da hospitalidade (sentido derridariano) e religião em sala de aula.

O artigo de autoria de Barbara Maia Kameniar (professora da Universidade de Melbourne/Austrália), intitulado “Dilemas na oferta de hospitalidade aos outros em sala de aula: a história de um professor de Educação Religiosa Cristã”, tem como objetivo repensar a relação que existe entre professores brancos e religião, culturas, raças, colocando as relações hospedeiro/hóspede. Partindo de pressupostos pós-estruturalistas e pós-colonialistas, o artigo discute como as questões das leis de hospitalidade influenciam a capacidade dos professores de ensinar, mantendo suas próprias tradições culturais e religiosas..

Já os comentários e as conversações sobre os dilemas colocados por Barbara Kameniar, em “Oferecer hospitalidade aos outros em sala de aula”, feitos por Heesoon Bai (professor da Universidade Simon Fraser de Vancouver/Canadá), por Robert Hattam (professor da Universidade do Sul, Austrália) e pelo editor, Noel Gough (Universidade La Trobe/Austrália), apontam: o artigo faz um bom trabalho ao enquadrar teoricamente o estudo de caso, considerando a utilização do trabalho de Derrida sobre hospitalidade e de outros escritores; o artigo teorizaOuvir



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a natureza do (anti)racismo na Austrália, especialmente no campo da educação, trazendo uma contribuição inovadora; o artigo apresenta uma sensível noção de Derrida acerca da hospitalidade infinita e o papel da religião de professores.

O n. 1, do v. 5, de 2008, denominado como “Eco-aprendizagem: um encontro australiano”, é composto por oito artigos e uma seção de opinião sobre livros. Trata-se de uma edição voltada para a ecologia, educação ambiental e implicações curriculares dessa temática. americano. Todos os autores são professores de universidades australianas.

O primeiro artigo, de autoria de Lynn Carter (professora na Universidade Católica Australiana de Melbourne/Austrália), de Catherine Pratt Camden (professora da Universidade de Western Sidney/Austrália) e de Julie White (professora da Universidade de La Trobe/Austrália), intitula-se: “Introdução. Conversas complicadas: a ecologia, a sustentabilidade e a educação”. Na introdução, abordam os debates ocorridos no colóquio denominado “Educação ecológica”, realizado em Melbourne/Austrália. Para as autoras, uma pedagogia crítica deveria estar associada às atividades culturais, ecológicas e políticas, informada por uma ética de justiça ecológica e por outras tradições socioecológicas que interrogam o cruzamento entre as culturas e os ecossistemas. Justificam a seleção dos artigos que fizeram para essa edição, pelo interesse na produção de práticas pedagógicas e discursos que problematizem esse cruzamento.

O segundo artigo, denominado “A ecologia social e a pedagogia criativa: usando artes criativas e o pensamento crítico em co-criação, sustentação ecológica e redes de aprendizagens nas pedagogias universitárias”, de Catherine Pratt Camden, sustenta a necessidade de cocriar e sustentar teias ecológicas de aprendizagem nas terciárias pedagogias. Para a autora, as práticas pedagógicas que utilizam a criação artística e o pensamento crítico, incluindo a autobiografia crítica, proporcionam ferramentas e habilidades, no sentido de Paulo Freire, para alunos e professores se tornarem agentes criativos e criticamente reflexivos para a mudança pessoal e social, assim como para o desenvolvimento sustentável, que deveria envolver a pedagogia universitária.

O terceiro artigo, de autoria de Lyn Carter, denomina-se: “Recuperando o conhecimento ecológico tradicional (TEK): é sempre o que parece?”, discute que o conhecimento ecológico tradicional, como forma de Conhecimento Indígena (IK), está se tornando cada vez mais presente em muitas disciplinas, incluindo o ensino de ciências. Sugere que esse cenário é complexo e que devemos estar vigilantes para evitar novas formas de imperialismo que podem decorrer do modo como o TEK é representado. Essa crítica envolve uma abordagem pós-colonial para mergulhar em teorizações que sustentam o uso da cultura e da diferença, pouco exploradas no ensino de ciências, o questionamento da posição dominante e a forma simplista e colonial como a TEK tem sido abordada. Ouvir



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O quarto artigo denomina-se “Ensinar uma orientação ecológica do mundo através do Ensino de História”, de autoria de Arran Gare (professor da Universidade Swinburne, Vitória/Austrália). Para o autor, é necessário ensinar uma "orientação ecológica do mundo”. Partindo da perspectiva da Teoria Crítica,
Gare argumenta que, dentro da própria ciência, está começando a ser reconhecido que as histórias são mais primordiais e mais gerais do que os modelos matemáticos da realidade. Assim, para Gare, deve-se superar o niilismo para substituir os pressupostos fundamentais que o engendraram e desenvolver uma orientação ecológica do mundo, onde as narrativas históricas devem ser reconhecidas como fundamento e núcleo da educação.

O quinto artigo, “Aprendizagem mais eficaz para a sustentabilidade: a educação científica reconceitualizada”, escrito por Annette Gough (professora e chefe da Escola de Educação da Universidade RMIT, Victória/Austrália), aborda o benefício mútuo entre a educação ambiental, a educação científica e a questão da sustentabilidade econômica, social, ecológica e educacional. Para a autora, ao invés de aceitar o ensino de ciências como algo estático e incompatível com a educação ambiental, essas duas áreas do currículo escolar podem se beneficiar mutuamente em uma reconstrução da educação científica.

O sexto artigo, de autoria de Athena Vongalis-Macrow (professora da Universidade de La Trobe/Austrália), é nomeado: “Fazendo do conhecimento a diferença: como os estudos organizacionais e de saúde podem ajudar na compreensão da diferença por meio do conhecimento em educação para a sustentabilidade”.Para a autora, uma exploração das maneiras como os programas de saúde exercem o papel de assegurar a participação pode levar a uma melhor compreensão do conhecimento baseado em práticas. Adverte, entretanto, que a transferência de conhecimento em (eco)ações pode ser problemática, sugerindo que uma investigação tem de ser realizada, com base em estudos organizacionais e de saúde para assegurar uma pedagogia da sustentabilidade e uma educação ambiental.

O sétimo artigo, “Pedagogia sustentável: uma narrativa de investigação sobre os professores, a criatividade e a performatividade”, de Julie White (Faculdade de Educação de La Trobe/Austrália), faz uma reflexão teórica sobre a pedagogia da sustentabilidade. Aborda a discussão sobre performatividade para fundamentar sua conceituação, com o objetivo central de compreender como os professores podem ser apoiados para desenvolver, articular e manter a sua pedagogia, e, ainda, como eles podem sustentá-la diante da performatividade crescente. Para ela, a pedagogia sustentável envolve a construção e conservação profissional da comunidade, proporcionando uma rica e complexa compreensão da identidade docente. Ouvir



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O oitavo artigo, “Ecologia, ecocrítica e aprendizagem: como é que os lugares se tornam pedagógicos?”, de Noel Gough (professor da Universidade de La Trobe/ Austrália e diretor do Centro de Excelência em Educação Ambiental), aborda a questão de “espaço e lugar” na educação. Assim, explora algumas maneiras pelas quais os lugares de "formação-pedagógica" podem estar relacionados com as modalidades como a natureza é vislumbrada e nomeada, a velocidade com que a natureza é transformada e os efeitos (imagens,
conceitos, sentidos) da natureza, que são posteriormente produzidos. Utilizando como interlocutores autores pós-estruturalistas, estabelece reflexões, explorando uma série de posições e táticas que oferecem formas de pensar e agir na inovação de pedagogias locais.

A seção final desse número, opiniões sobre livros, aborda a resenha “O futuro da educação neo-humanista: liberando o intelecto pedagógico”, editado por Sohail Inayatullah, Marcus Buney e Milan Milojevic, com revisão de Mary Burstun (Universidade de La Trobe/Austrália). A obra defende uma integração do empirismo meditativo e reflexivo Oriental (tântrico) e da instrução Ocidental, que irá fornecer ambientes de aprendizagem inovadores e regeneradores no século XXI.

O n. 2, do v. 5, de 2008, apresenta quatro artigos e duas seções: uma de comentários e conversas e outra de opinião sobre livros. A temática dessa edição foca a dimensão das identidades culturalmente constituídas que atravessam o currículo escolar.

O primeiro artigo, de autoria de Pauline Sameshima (professora na Universidade Estadual de Washington/EUA) e Rita Irwin (professora da Faculdade de Educação da Universidade British Columbia/Canadá), “Executando as dimensões de um currículo limiar”, exibe uma descrição da perspectiva de conceituar o currículo como espaço limiar em si, pontuando o aprender na multiplicidade rizomática como via para a experiência pedagógica. Ao utilizar metáforas para articular as noções do trabalho em espaços limiares, as autoras descrevem pesquisas relacionais entre os processos de investigação artística e a pesquisa acadêmica. Buscam oferecer noções das concepções pós-estruturalistas, envolvendo: espiritualidade, letramento textual e artes na prática da investigação do currículo escolar.

O segundo artigo, escrito por Monica Waterhouse (professora da Universidade de Ottawa/Canadá), denomina-se “A pedagogia do luto: tragédia, terror e tensão” e faz uma reflexão sobre a narrativa de paz e a violência em nosso mundo de ensino, aprendizagem e convivência, preocupando-se com as possibilidades de uma pedagogia para a paz. Assim, a autora defende o valor do luto, como uma forma compartilhada de permitir que as pessoas encontrem uma ligação e uma maneira de se identificar com os “outros”. Afirma que devemos estar atentos, considerando que cada um tem uma maneira de demonstrar o luto: nostalgia, exibição, lágrimas, aplausos, silêncios e que as perspectivas pós-coloniais oferecem ideias de como produzir “espaços híbridos”, que encorajem formas mais éticas e responsáveis do trabalho pedagógico.

O terceiro artigo aborda “A complexidade como uma teoria da educação”. Escrito por Brent Davis e Sumara Dennis (professores da Universidade de British Columbia/Canadá), advoga como necessário, para o desenvolvimento curricular, o domínio transdisciplinar e participativo na teoria da complexidade. Assim, os autores destacam que a internacionalização dos estudos de currículo constitui-se como exemplos marcantes de como e por que se deve procurar curriculum studies stand out as powerful examples of how and why one must seek outredundancy while promoting diversity. redundância, promovendo a diversidade, e que, em umIn a knowledge-producing system, these elements sistema de produção de conhecimento, esses elementos must co-exist in productive tension. devem coexistir em tensão produtiva. (By way of more familiar and more accessible examples,the juxtaposition of varied voices around common themes in discussions of curriculum serv as provocative examples of the necessary simultaneity of diversity and redundancy.

O quarto artigo, de Julia Broussard (professora na Harvad School of Education, Boston/EUA), intitulado “Nüshu: um currículo de identidade de mulheres”, baseia-se em pressupostos dos Estudos Culturais e Pós-Coloniais. Analisa as funções curriculares do Nüshu, uma escrita fonética inventada por mulheres em Jiangyong Country/China. Considera que as narrativas autobiográficas formam, em conjunto, um currículo que incentiva a formação de uma identidade coletiva. Para a autora, a forma como cada voz escreve, e como os espaços silenciosos entre as linhas escritas também falam, mostra que as mulheres moldam os textos da mesma forma que os textos as moldam. Neste processo de dupla-face, reside a explicação do poder curricular do Nüshu para explicar e expressar a identidade coletiva da mulher.

A primeira seção, de comentários e conversas, é “Respondendo a Pauline Sameshima e Rita Irwin” em “Executando as dimensões de um currículo limiar”. Os comentários são elaborados por Warren e Marg Sellers (Centro Nacional de Excelência de Ensino Superior, Wellington/Nova Zelândia; Universidade de Queensland/Austrália). Warren Sellers ilustra como vê o crescimento rizomático desabrochar, tornando-se platôs de um currículo limiar, por meio de interligações das diversas ideias que exigem mais leituras e assim geram outras diversas ideias. Já Marg Sellers reconhece que as autoras criaram um deslocamento das maneiras de falar sobre identidades móveis, evidenciando a complexidade nos enredos da aprendizagem em espaços dinâmicos de relacionamentos.

A segunda seção, de opinião sobre livros, enfoca a obra “Conversando sobre auto-criação, terceiro espaço e harmonia/controle: um ensaio”, por Wang Jocelyn Yen Yen Woo. A crítica é de autoria de Dengting Boyanton (professor da Oklahoma State University/EUA), que afirma que a autora do livro, de modo autobiográfico, baseada em Foucault e Julia Kristeva, articula a teoria do currículo em torno das noções de autocriação, “terceiro espaço”, com implicações para uma ética do ensino.

O n. 1, do v. 6, de 2009, apresenta dois artigos, cuja temática é a reconstrução pedagógica curricular. O primeiro escrito por Marcus Bussey (pesquisador da Universidade de Sunshine Coast, Queensland/Austrália), propõe a “Causal Layered Pedagogia (CLP): introdução de uma inovação para a futura orientação de currículos”. Inspirado em autores pós-estruturalistas e críticos, o autor sugere pensar a educação de modo diferencial. Vê a CLP como uma ferramenta para o currículo que expande a fronteira do cognoscível com o intuito de aprofundar fontes de ação. Desse modo, a variedade de pontos de partida oferecidos deve levar em consideração cada contexto e as formas de negociação diária, buscando tentar encontrar uma resposta para a questão de como ensinar para uma sociedade global/local.

O segundo artigo, de autoria de Alison Lugg (professora da Faculdade de Educação da Universidade de La Trobe/Austrália), intitulado “Viagens em torno da “alfabetização para a sustentabilidade: possibilidades pedagógicas em contextos de educação superior”, afirma que relatórios recentes dos setores de ensino superior do Reino Unido e Austrália sugerem que os graduados de instituições de ensino superior devem ser alfabetizados em sustentabilidade.Conceptualisation of sustainability literacy is emerging, complex and contested, providing significant curriculum and pedagogical challenges for higher education institutions.Research in sustainability pedagogy emphasizes the need for interdisciplinary or other innovative approaches to sustainability education and sets a cultural, structural and curricular challenge for the higher education sector. Nesse sentido,This paper focuses on pedagogical possibilities from the standpoint of research findings that demonstrate the importance of holistic, 'real world' learning for understanding the complex and problematic nature of sustainability and sustainable development in theory and practicThrough the paper I explore potentials and problems for outdoor environmental education pedagogy, in higher education contexts, to contribute to sustainability literacy a autora explora potencialidades e problemas para a pedagogia da educação ambiental ao ar livre, em contextos de ensino superior, para a alfabetização de sustentabilidade.

O v. 6, n. 2, de 2009, inicia com a seção “Comentários e Conversas”, por Warren Sellers (Faculdade de Educação da Universidade La Trobe/Austrália), em que aborda a relação entre o tratamento da diferença e a aprendizagem, com o título “Trazendo a diferença, utilizando a aprendizagem”. Segundo o autor, os artigos que compõem esta edição remetem à comunicação transnacional, em especial, à relação entre a língua inglesa e a China, visto que, potencialmente, a China se tornará a maior população do mundo a utilizar o inglês como segunda língua, devendo os currículos visualizar as diferenças existentes entre os usuários e os alunos.

Em síntese, os artigos da edição tendem a abordar a temática do currículo em três versões: como hospitalidade; como uma viagem Zen; como abordagem intercultural.

O primeiro, de Nicholas Ng-A-Fook (professor da Universidade de Ottawa/Canadá), aborda a temática “Para a compreensão de um currículo a ser habitado pela linguagem do outro”, no qual enfoca as migrações temporárias de experiências educacionais no ensino da língua do outro. Problematizando a política colonial de apropriação da linguagem, apresenta a proposta de um currículo de hospitalidade com a linguagem do outro. Questionando, com Derrida, qualquer linguagem institucionalizada que pressupõe como fundação um sistema universal da lógica de exclusão, propõe a desconstrução das incorporações linguísticas de uma cultura oficial, apontando, como necessária, a escuta com atenção da língua do outro, no duplo movimento do ensino-aprendizagem.

O segundo artigo, de autoria de Jie Yu (doutorando em Educação na Universidade do Estado da Lousiania/EUA, com mestrado na East China Normal University), enfoca “A jornada zen no mapa da vida curricular”. Partindo da análise foucaultiana do controle da educação, a partir de um olhar sobre o mapa “morto” do currículo, pontua, como alternativa, uma jornada Zen para esse mapa de vida do currículo. Jornada esta iluminada sem: objetivos predeterminados; realização de tarefas em tempos preestabelecidos; testes padronizados. Para o autor, a prática da meditação Zen se concentra na reflexão sobre a rotina diária na busca de alternativas e outros possíveis de realização curricular.

O terceiro artigo, da autoria de Hongyu Wang (professor da Universidade do Estado Oklahoma/EUA), denominado “Vida e história do pensamento ‘cross-cultural’: envolvendo um currículo intercultural”, baseia-se na análise de dois filósofos contemporâneos: Youlan-Feng (1895-1990) e Alan Watts (1915-1973), pontuando que as discussões desses filósofos nos remetem a uma outra cultura e contribuem para a integração do pensamento Oriental e Ocidental, o local e o global. Para esses autores, a aprendizagem deve servir não à dominação, mas para possibilitar aos alunos maior abertura à aprendizagem da diferença, à capacidade de viver com a ambiguidade e o desconhecido.

O quarto artigo, escrito, também, por Nicholas Ng-A-Fook (professor da Faculdade de Educação da Universidade de Ottawa/Canadá), cujo título é “Buscando uma resposta no reservatório de lugares vazios”, afirma que os artigos deste número da revista foram reunidos para provocar experiências internacionais, como performance narrativa estética da teorização do currículo. Pontua, assim, que as respectivas teorizações curriculares habitam espaços “hifenizados” entre a alienação e a apropriação, entre devir e acontecer, Oriente e Ocidente. Coloca que, dentro dessas fronteiras híbridas de infinitas possibilidades discursivas, a vida coletiva e/ou encontro dos autores produzem mapeamentos internacionais no campo dos estudos de currículo.

O último artigo de autoria, novamente, de Hongyu Wang (professor da Universidade do Estado de Oklahoma/EUA), “A língua do outro e uma viagem Zen: uma resposta”, afirma que a interseção dos três artigos nesta edição se dá pelo fato de seus currículos ecoarem vias interculturais, visto que Nicholas teve experiências complicadas de migração, e Jie e ele serem oriundos do mestrado da Universidade East China, em Xangai. Para Wang, essa decisão editorial gira em torno de suas experiências de migração nesta sociedade globalizada. Com respeito à conexão entre os discursos Zen e práticas pós-estruturalistas que têm sido elaboradas na literatura acadêmica, o autor diz que continua cético em colocar os dois no mesmo plano. Reafirma, porém, acreditar que um currículo pós-colonial pode beneficiar uma abordagem Zen.

Uma síntese das temáticas abordadas mostra para: n.1, de 2004, A investigação transnacional/internacional do campo curricular; n. 1, de 2005, A relação entre Ocidente e países asiáticos no campo curricular (em especial China e Japão); n. 1, de 2006, O currículo e as transformações em tempos de globalização; n. 2, de 2006, A transnacionalização dos estudos curriculares: a democracia e a questão de gênero; n. 1, de 2007, O movimento de globalização do capitalismo e as questões globais/locais; n. 2, de 2007, A relação entre culturas e o currículo em cenários ocidentais; n. 3, de 2007, A questão da hospitalidade e a religião no currículo; n. 1, de 2008, A ecologia e a aprendizagem :um encontro australiano; n. 2, de 2008, Identificações culturalmente constituídas e o currículo; o n. 1 de 2009, A reorientação pedagógica curricular e a alfabetização para a sustentabilidade; n. 2, de 2009, A abordagem intercultural: diferença e aprendizagem.

Estabecendo uma relação entre as temáticas e os autores, observou-se, como dito, a predominância de autores da Austrália, Nova Zelândia/Oceania (57%), seguida de autores do EUA e Canadá (32%), totalizando 90% das autorias.

Com relação ao processo de referenciação dos artigos, observou-se, no conjunto dos artigos, 337 referências bibliográficas, destacando-se com mais de cinco citações e/ou referenciações: W.Pinar (14), N. Gough (13), G. Deleuze e F. Guattari (10), H. Wang (9), W. Doll (9), J. Derrida (8), T. Aoki (8), M. Foucault (7), J. Butler (6), M. Castells (6), R. Robertson (5), S. Hall (5). Houve apenas uma referência a um autor brasileiro, Paulo Freire, dentre os 155 apenas uma vez referenciados. A distribuição dos autores está expressa no Gráfico 1


GRÁFICO 1 -DISTRIBUIÇÃO DE AUTORES REFERENCIADOS NOS ARTIGOS TCI (2004-2009)

CONCLUSÕES


O enfoque teórico predominante se deu na perspectiva da transformação social e da resistência ao atual. Nesse sentido, pode-se afirmar que o TCI busca instaurar uma perspectiva diferenciada, baseando-se em estudos aqui simplificados sob o denominador comum de movimento antifundacional,1 que envolve teorias, como as da filosofia da diferença, dos estudos pós-coloniais, da teoria da complexidade, da teoria naturalista do conhecimento, do conhecimento em redes, dentre outras. Tais discursos teóricos são bastante diversos entre si, guardando, entretanto, como característica comum, a descrença no sujeito autocentrado e/ou em uma consciência autônoma.

A perspectiva da Teoria Crítica, da Fenomenologia e de outras abordagens, também aparece, em especial, no n. 2, de 2007, sobre “Eco-learning” e em alguns outros artigos, mas a abordagem de análise predominante é baseada numa associação entre teorias pós-estruturalistas, pós-coloniais e os estudos culturais.

Parece, portanto, que o periódico TCI questiona, também, aquele que dispõe da questão, aquele que subverte a ordem homogeneizante ao apresentar-se como discurso alternativo, deslocado e diferente do Outro, quiçá de sua metrópole, para usar um termo da colonização. Enunciar-se como Outro, destacar-se dos demais é revelar-se estrangeiro de seu mundo, e ser estrangeiro é colocar-se como questão, questionar e, sobretudo, subverter e ser dissidente dos sistemas políticos de opressão e repressão cultural. Por fim, arriscar-se também a ser questionado pelo Outro, atacado pelo Outro. E esse é um risco que os intelectuais, autores no TCI, assumem como tarefa epistemológica e ética de reafirmação e reinvenção do campo de estudos curriculares.

Porém, com relação ao Outro do qual se fala, como dito, há uma predominância excessiva de autores da Austrália, dos EUA e do Canadá. Esses autores discursam, em alguns casos, sobre um lugar que não habitam, mas que os habita, por serem dissidentes e/ou emigrantes, estudando ou trabalhando em universidades de referência desses países. Cabe, entretanto, problematizar a absoluta ausência de autores brasileiros e de países latino-americanos e africanos neste debate, entendendo que a hibridização que ocorre entre entidades situadas assimetricamente em relação ao poder, de alguma forma, também afeta o poder, visto que o “terceiro espaço” que resulta da hibridização não é determinado, nunca, unilateralmente, pela identidade hegemônica: ele introduz uma diferença que constitui a possibilidade de seu questionamento. Sendo assim, perguntamos: esse processo não seria revigorado pela maior representatividade de autores que habitam espaços Outros?

Nesse sentido, cabe problematizar, com Bhabha (1998) e Derrida (2003), o papel do estrangeiro no TCI, ponderando, com tais autores, que o estrangeiro, ao mesmo tempo em que é questionado pelo Outro, traz a questão consigo, produzindo a resistência, a dissidência. Desse modo, segundo Derrida (2003, p. 7), o estrangeiro é quem “[...] sacode o dogmatismo ameaçador do logos paterno”. Como ele também é mero “visitante” ou aprendiz de uma determinada cultura, o estrangeiro questiona a autoridade do Pai, o detentor do poder, de hospitalidade.

Ao questionar, e ao mesmo tempo ser a questão, o estrangeiro subverte as leis e traz consigo o desvio da norma, ativo e destruidor. A condição “estrangeira” do intelectual confere a ele um discurso contra o da autoridade, ainda que enunciado deslocadamente em relação ao Outro, mesmo falando uma língua que não seja a sua, mas daqueles que detêm o poder da hospitalidade.

Se a imposição cultural é a condição para que o estrangeiro seja aceito, não se pode, então, falar em hospitalidade, pois, segundo Derrida, o estrangeiro é alguém que se serve do que o Outro lhe oferece.

Assim, reconhecendo o potencial altamente estimulador e descontrutor do TCI para o campo curricular, colocamos em xeque, como hipótese problematizadora: até que ponto o círculo restrito de intercâmbios, trocas e compartilhamentos de autorias, de áreas geopolíticas, de hospitalidade condicionada pela língua e cultura hegemônicas favorece o processo de transnacionalização do discurso no campo do currículo, na história recente do século XXI, expresso no Transnational Curriculum Inquiry? Ouvir

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