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Notas
Capítulo I
Nota 1. – Página 3

“É preciso renunciar à idéia de que o capítulo de introdução contenha um plano, e se preparar para procurar o sentido da obra ao mesmo tempo na linha do que é indicado e além dela, na região ainda indeterminada do que ela apenas cerca [...]” “[...] a própria definição das hipóteses iniciais, assim que a examinamos, causa espanto. Maquiavel formula duas questões: quantos tipos de principados existem e como se adquirem. De fato, ele só retém a segunda.” (Claude Lefort, Le travail et l'oeuvre)


Nota 2. – Página 3

Neste período histórico - Maquiavel escreve O príncipe em 1513 — para um florentino, o significado do termo república se concretiza acima de tudo na experiência florentina, e, depois, na de Veneza, sua única semelhante entre as várias cidades da Itália: uma organização política que, embora se caracterize de modos diversos em tempos diversos, procura sempre representar a organização produtiva da cidade.


Nota 3. – Página 3

Célebre condottiero, que se casou com a filha do duque de Milão — Filippo Maria Visconti. Com a morte do duque, em 1447, os milaneses se organizaram em república (a República Ambrosiana), e Sforza foi nomeado capitão na guerra contra Veneza, mas concluiu um acordo com os venezianos, voltando-se contra Milão. Os republicanos milaneses foram obrigados a ceder-lhe a senhoria da cidade em 1450.


Nota 4. – Página 3

O rei de Espanha era Fernando, o Católico, que se aliou a Luís XII de França contra Frederico de Aragão, rei de Nápoles (1500:


Página 158
Tratado de Granada). Em seguida, os dois aliados lutaram entre si e Fernando, o Católico, conquistou o reino de Nápoles.
Nota 5. – Página 3

Aqui, conforme se deduz do texto, o termo domínio significa país, região. Desde já, observa-se que Maquiavel usa alguns termos — ainda que fundamentais — com certa variedade de significados. Um estudioso inglês de Maquiavel — Whitfield — notou que “um uso não científico dos termos não é atípico em Maquiavel”, sendo por isso mais correto “descrever” os vários usos que Maquiavel faz de um termo do que tentar fixar definitivamente o seu significado.


Nota 6. – Página 3

Noção central no pensamento de Maquiavel, a virtù tem aqui um significado bastante próximo de virtus, do latim clássico. Por ser um termo de interpretação polêmica e variada, preferiu-se mantê-lo no original. O adjetivo correspondente a ele foi traduzido por valoroso. Fortuna é outro termo-chave em Maquiavel. O conceito é fundamental na filosofia epicurista, difundida no Quattrocento italiano por Lorenzo Valla. Vale lembrar que existe no Vaticano uma cópia do De rerum natura de Lucrecis — obra-mestra do epicurismo — feita pelo próprio Maquiavel.



Capitulo II
Nota 1. – Página 5

Referência provável a outra obra de Maquiavel, Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio, um comentário sobre os dez primeiros livros das histórias de Lívio. Apesar da sua clareza, nem todos os intérpretes estão de acordo sobre ela. Permanece contudo o fato de que a primeira parte do Livro I dos Discursos trata longamente das repúblicas.


Nota 2. – Página 5

Os fatos recordados por Maquiavel referem-se a dois duques distintos: Ercole I, que em 1484, com o tratado de Bagnolo, concluiu uma guerra perdida contra os venezianos; e Alfonso I, famoso por sua paixão pela artilharia e que perdeu o ducado por pouco tempo, durante a guerra da Liga (1500-1512). Maquiavel emprega o termo duque referindo-se a ducado.


Nota 3. – Página 5

Ou seja, hereditário. Maquiavel pretende, com o termo “natural”, expressar o fato de o povo estar habituado a uma família reinante, hábito este que se torna quase que uma natureza. “Não há dúvida de que o termo ‘príncipe natural’ correspondia originalmente a uma


Página 159
concepção precisa da monarquia. Natural ela é de fato, já que está inscrita no costume, e o costume é, na concepção tomista, uma segunda natureza. [...] Na observação de que o príncipe, expulso por uma ‘força extraordinária e excessiva’, está destinado a reaver o poder, se nota uma imagem da dinâmica física de Aristóteles” (Claude Lefort, Le travail et l'oeuvre), como se o lugar natural do príncipe fosse o poder, e só pudesse ser expulso dele por violência, voltando a ele quando esta termina.
Capitulo III
Nota 1. – Página 7

Conforme o esquema do primeiro capítulo: como membros anexos ao Estado hereditário do príncipe.


Nota 2. – Página 7

O termo província é empregado com seu significado latino: uma região com certa unidade étnica e lingüística. O “apoio dos habitantes para penetrar numa província” descreve uma situação bastante comum na Itália daquele período; Maquiavel já a havia mencionado neste capítulo: o fato de uma parte dos cidadãos mais poderosos e inimigos do príncipe chamarem, para lutar contra ele, um outro senhor poderoso, de quem esperam maiores vantagens.


Nota 3. – Página 8

Em 1499, quando o exército francês ocupou Milão, Lodovico Sforza, o Mouro, já se havia refugiado nas fronteiras da Alemanha; mas assim que ele reapareceu, em fevereiro de 1500, os nobres, já desiludidos com os franceses, o reconduziram ao poder.


Nota 4. – Página 8

A Santa Liga, organizada pelo papa Júlio II, reunia contra a França, além do próprio papa, a Espanha, a Inglaterra e Veneza.


Nota 5. – Página 8

Ainda especificando o valor ao mesmo tempo geográfico e étnico de “província”.


Nota 6. – Página 9

Anexada à França em 1477.


Nota 7. – Página 9

Anexada à França em 1491.


Nota 8. – Página 9

Anexada à França em 1453.


Nota 9. – Página 9

Anexada à França em 1204.


Nota 10. – Página 9

Por Grécia Maquiavel designa o Império Bizantino na Europa. Em 1453, com a queda de Constantinopla, completa-se o império turco na zona européia.


Nota 11. – Página 10

A liga etólica aliou-se aos romanos que, por sua vez, se haviam lançado contra Filipe V da Macedônia por causa de sua ajuda a


Página 160
Aníbal (Primeira Guerra Macedônica); portanto, a liga aquéia era aliada de Filipe.
Nota 12. – Página 10

Eis aqui o resumo esquemático de Chabod: “Os aqueus e os etólios são os poderosos menores da Grécia; o poderoso é Felipe V de Macedônia, e Antioco da Síria é o poderoso estrangeiro. Os acontecimentos a que se refere Maquiavel deram-se entre 200 e 189 a.C.: primeiro a luta se travou entre os romanos, aliados aos etólios, e Filipe, derrotado em Cinocefale (197 a.C.); depois, entre os romanos, a que se reuniram a liga aquéia e Filipe, e Antioco da Síria, apoiado pelos etólios. Esta segunda guerra acabou com a derrota de Antioco (190) e a dissolução da liga etólia (189). É o início da grande política imperialista de Roma.”


Nota 13. – Página 12

Gozar os benefícios do tempo é uma expressão muito difundida na linguagem política da época. Quando Maquiavel fala ironicamente dos sábios dos nossos tempos, que enchem a boca com esta expressão, refere-se pontualmente à realidade.
Nota 14. – Página 13

Luís XII ocupou a Itália de 1499 a 1512; Carlos VIII, de 1494 a 1495.


Nota 15. – Página 13

Carlos VIII havia provocado, na Itália, a formação da Liga antifrancesa, ainda em vigor no tempo da invasão de Luís XII.


Nota 16. – Página 13

Instalou-se um governante francês em Gênova. A fragilidade de Gênova devia-se à sua estrutura política e social, dominada pelas grandes famílias e destituída de uma concepção unitária do Estado.


Nota 17. – Página 13

É desse momento o tratado pelo qual os franceses se comprometem a ajudar os florentinos na luta contra Pisa (ver, adiante, Capítulo XIII).


Nota 18. – Página 13

Giovanni Bentivogli, senhor de Bolonha.


Nota 19. – Página 13

Caterina Sforza Riario, que será expulsa de seu domínio por Cesare Borgia, o Valentino (filho de Alexandre VI).


Nota 20. – Página 13

O jovem Astorre Manfredi, perseguido e depois estrangulado por Valentino em 1501.


Nota 21. – Página 13

Giovanni Sforza, expulso por Valentino em 1500.


Nota 22. – Página 13

Pandolfo Malatesta, expulso por Valentino em 1502.


Nota 23. – Página 13

Giulio Cesare Varano, vencido por Valentino em 1502.


Nota 24. – Página 13

Senão propriamente como possessões territoriais, certamente como alianças e influências. Os venezianos ficaram com as terras a leste do Adda (Cremona, Bérgamo etc.), os suíços com o condado de Bellinzona e coube aos franceses o restante do ducado de Milão.


Página 161
Veneza teve garantidas as suas conquistas no reino de Nápoles, enquanto tropas francesas foram colocadas à disposição de Cesare Borgia, o Valentino, filho do papa Alexandre VI, para a conquista da Romanha.
Nota 25. – Página 14

O papa Alexandre VI Borgia, que já havia começado a consolidar o seu predomínio na Itália central, através da obra do Valentino.


Nota 26. – Página 14

Em 1502, Cesare Borgia, o Valentino, aproveitando-se da rebelião dos habitantes de Arezzo e Valdichiana, tentou marchar sobre Florença.


Nota 27. – Página 14

Referência ao tratado de Granada (1500) com Fernando, o Católico.


Nota 28. – Página 14

Frederico de Aragão.


Nota 29. – Página 15

Em 1509, na batalha de Agnadello, os franceses tomaram dos venezianos as terras do ducado de Lombardia.


Nota 30. – Página 15

O papa havia anulado o casamento de Luís com a irmã de Carlos VIII. Em seguida, o rei desposou a viúva do mesmo Carlos, que lhe trouxe como dote o condado da Bretanha.


Nota 31. – Página 15

Georges d’Amboise.


Nota 32. – Página 15

Primeira embaixada na França, em 1500.


Capitulo IV
Nota 1. – Página 17

De 334 a.C. a 327 a.C.


Nota 2. – Página 17

Referência às lutas pelo poder entre os sete “diádocos” e à divisão do Império após a morte de Alexandre, em 323 a.C.


Nota 3. – Página 17

Servi (servos), mais adiante schiavi e às vezes stiavi (escravos). Entende-se, com este termo, os que devem sua autoridade exclusivamente ao príncipe, diversamente dos barões (nobres), que a devem à sua própria estirpe.
Nota 4. – Página 18

Governadores das províncias turcas.


Nota 5. – Página 19

Dario III, rei da Pérsia, estruturou seu império dividindo-o em circunscrições administrativas e colocando nelas governadores-tiranos estreitamente dependentes dele.


Nota 6. – Página 20

Diversidade da matéria, isto é, dos estados com que estavam tratando para entender o valor do substantivo sujeito; é preciso remontar à linguagem da escolástica medieval, em que, justamente, o


Página 162
sujeito é o que é substancial, mas traz em si diversas potencialidades que tendem a formas acidentais. Assim, por exemplo, em Dante, Paraíso 11, 106-109, o sujeito da neve é a água.
Capitulo V
Nota 1. – Página 21

Dos Capítulos I e III, deduz-se que a expressão em liberdade significa sob o regime republicano. Aqui, entretanto, esta interpretação não é autorizada pelo título, onde são claramente indicados tanto as repúblicas como os principados habituados a viver em liberdade. É preciso, portanto, ter em mente também este caso, quando se pretende definir com precisão o que significa o termo liberdade para Maquiavel. Para esclarecer este ponto, convém recordar que, desde o século XIII, liberdade indica, na linguagem dos políticos, a possibilidade de atuar na direção do Estado.


Nota 2. – Página 21

Esta destruição, na mente do autor, corresponde a algo bem preciso: “...edificar novas cidades, desfazer as velhas, mudar os habitantes de um lugar para outro, em suma, não deixar coisa alguma intacta” (Discursos, Cap. 1).


Nota 3. – Página 21

Depois da vitória dos espartanos na guerra do Peloponeso, eles impuseram aos atenienses um governo oligárquico, que foi abolido um ano depois. Assim, em 382 a.C., instalaram um governo oligárquico em Tebas e este também foi derrubado três anos depois.


Nota 4. – Página 21

Das três cidades citadas, Cartago e Numância foram completamente destruídas, respectivamente em 146 a.C. Cápua, após a batalha de Cannes em 216, perdeu toda autonomia.


Nota 5. – Página 21

O cônsul Flamínio tinha, de fato, proclamado a liberdade da Grécia em Corinto em 196 a.C., mas depois teve que destruir a cidade e reduzir a Grécia a província romana.


Nota 6. – Página 22

Portanto, aquela tripartição, tão solenemente instituída ao início do capítulo, não prevalece. Pensando bem, há apenas um modo.


Nota 7. – Página 22

O tema da liberdade se apresenta novamente nesse texto, de maneira bastante articulada e nada fácil de se compreender. Esta passagem, entretanto (com sua chamada à ordem antiga), e o período final do capítulo (“Mas nas repúblicas há mais vida...”) são bastante expressivos e úteis. O autor liga novamente, em seu discurso, a liberdade à república; e a república que ele descreve é a cidade da qual


Página 163
Maquiavel é cidadão. Na realidade, Florença e Veneza, ainda que de modo diverso, foram as cidades que souberam construir, no período de seu surgimento e consolidação, uma ordem política e administrativa que correspondia inteiramente às suas características sociais e à sua capacidade produtiva.
Nota 8. – Página 22

Mais uma vez a guerra de Pisa, tão importante para os florentinos. A cidade tinha sido conquistada pelos florentinos em 1405, mas libertou-se em 1494, após a invasão de Carlos VIII. A reconquista definitiva pelos florentinos, longa e extenuante, ocorreu em 1509. Talvez seja útil recordar que Maquiavel desempenhou um papel importante na reconquista de Pisa.


Capítulo VI
Nota 1. – Página 24

Moisés libertou os hebreus do cativeiro egípcio; Ciro fundou o Império persa (VI a.C.); Teseu e Rômulo pertencem às lendas de fundação das cidades de Atenas e Roma. Notar, no entanto, que as fronteiras entre o lendário e o histórico, no tempo de Maquiavel, estavam longe de coincidir com as que traçamos hoje.


Nota 2. – Página 24

Ocasião, terceira palavra-chave deste capítulo. Vimos antes virtù e fortuna, e agora ocasião, que é a possibilidade de usar a virtù. A articulação entre esses três conceitos é particularmente evidente nesse período, sobretudo na última parte, em que Maquiavel sublinha a ligação por meio de um paralelismo de frases: “E, sem a ocasião, a virtù... como, sem a virtù, a ocasião...”
Nota 3. – Página 25

Pregare, no original, que pode ser traduzido também por rezar. Lefort vê aqui uma crítica de Maquiavel à política de Savonarola (cf. Claude Lefort, op. cit.).
Nota 4. – Página 26

Frade dominicano que liderou, em Florença, como pregador e prior do convento de São Marcos, uma luta direta contra os Medici e a corrupção que esses praticavam em Florença. Essa luta era paralela à outra que travava contra a corrupção na corte papal. Depois da expulsão dos Medici, em 1494, Savonarola redigiu, juntamente com Antonio Soderini, os ordenamentos da república recém-instaurada. Foi particularmente idéia sua instituir um Grande Conselho à maneira dos venezianos. Morreu na fogueira em 1498. A morte de Savonarola representa o fracasso definitivo da idéia comunal em Florença;


Página 164
e a posição de Maquiavel em relação à grande figura do frade é marcada, ao mesmo tempo, pelo respeito e pela distância.
Nota 5. – Página 26

Hierão, tirano de Siracusa de 269 a.C. a 215 a.C., aliou-se aos romanos, a quem sempre se manteve fiel.


Nota 6. – Página 26

Nada lhe faltava para reinar; exceto um reino.” Citação inexata — como quase todas as de Maquiavel — de Justino, Epit. XXIII, 4, 15: prorsus ut nihil ei regium deesse praeter regnum videretur.


Capitulo VII
Nota 1. – Página 27

Ver Capítulo IV: Dario dividiu o reino em satrapias.


Nota 2. – Página 27

O Estado é visto aqui como um organismo vivo, uma planta, donde a metáfora das raízes e ramificações.


Nota 3. – Página 28

Os atos de Sforza (ver Capítulo I) ainda estavam bastante próximos da época de Maquiavel. Quanto a Cesare Borgia (ver Capítulo III), Maquiavel foi, por duas vezes, e por longos períodos, testemunha ocular das suas ações.


Nota 4. – Página 28

O apelido provinha do título com que o papa Alexandre VI havia investido seu filho Cesare. Este, antes, havia sido ordenado cardeal; depois, renunciou à função eclesiástica e obteve de Luís XII o condado de Valença, promovido a ducado, e o título de duque de Valentinois.


Nota 5. – Página 28

Outra metáfora, desta vez de caráter artesanal: trata-se das fundações que os construtores preparam para as casas.


Nota 6. – Página 28

Observemos a curiosa situação dentro da qual se desenvolve o discurso neste capítulo e com vistas a esse personagem; dir-se-ia um exemplo ao avesso: Maquiavel não encontra melhor exemplo para dar do que o de um senhor que perdeu clamorosamente o seu reino.


Nota 7. – Página 28

Uma expressão semelhante a esta Maquiavel usa a propósito de si mesmo na carta-dedicatória ao príncipe (ver na página 130): “grande e contínua maldade da fortuna”.


Nota 8. – Página 29

Lodovico, o Mouro, protegia tanto Caterina Sforza, senhora de Forlì, quanto Giovanni Sforza, senhor de Pesaro, seus parentes.


Nota 9. – Página 29

Naquele momento, de fato, os condottieri mais poderosos eram os barões romanos, como os Orsini, Colonna e Savelli, ou os príncipes da Itália central, como Vitelli e Baglioni, inimigos naturais do papa.


Página 165
Nota 10. – Página 29

Ver Capítulo III


Nota 11. – Página 29

Após esse acordo, o papa obteve para seu filho trezentas lanças e quatro mil soldados suíços.


Nota 12. – Página 29

O exército de Orsini, comandado por Paolo.


Nota 13. – Página 29

Devido às incertezas de Paolo Orsini, o Valentino não conseguiu ocupar Bolonha.


Nota 14. – Página 30

Urbino foi conquistada em 1502.


Nota 15. – Página 30

Exatamente no dia em que Cesare conquistava Urbino, Maquiavel estava com ele, como observador da República florentina. As cartas de Maquiavel durante aquela missão, que indicavam a periculosidade do duque e sua astúcia e capacidade, foram criticadas num primeiro momento em Florença, onde se acusava Maquiavel de ultrapassar os limites de observador que lhe tinham sido designados. Somente em meados do mês seguinte, com a precipitação dos fatos, a insistência de Maquiavel superou o ceticismo florentino, do que temos uma prova na carta de Piero Soderini, datada de 14 de novembro de 1502, em que se reconhece a imensa força do duque e se oferece aliança.


Nota 16. – Página 30

Magione é um vilarejo vizinho a Perúgia. Estavam presentes à reunião os Orsini, os Bentivoglio, os Baglioni, os Vitelli, Oliverotto da Fermo e Antonio da Venafro, enviado de Siena. Maquiavel retoma aqui, livre e rapidamente, o que já havia narrado nas cartas ao governo florentino durante sua missão junto ao Valentino e, mais longamente, no obra Descrição da maneira como o Valentino assassinou Vitellozzo Vitelli, Oliverotto da Fermo, o senhor Pagolo e o duque de Gravina Orsini.


Nota 17. – Página 30

Paolo Orsini, inclusive em nome dos outros, reconciliou-se com o Valentino em Ímola, a 25 de outubro de 1502.


Nota 18. – Página 30

A 31 de dezembro de 1502, o Valentino entava em Sinigallia acompanhado, entre outros, pelo mandatário da República florentina, Nicolau Maquiavel. Naquele dia, mandou estrangular Vitellozzo Vitelli e Oliverotto da Fermo, e poucos dias depois Paolo Orsini e o duque de Gravina.


Nota 19. – Página 31

Remirro de Orco, ou Ramiro ou Remigio de Lorqua. Tinha vindo da França como mordomo do duque, de quem, para sua própria infelicidade, se tornou lugar-tenente na Romanha.


Nota 20. – Página 31

Lorqua foi acusado de ter feito, por sua própria conta, açambarcamento de víveres e de estar em conluio com os conjurados de Magione.


Página 166
Nota 21. – Página 32

É o momento da guerra pela divisão do reino de Nápoles, entre Luís XII e Fernando de Espanha (ver Capítulos I e III). Os franceses foram derrotados em Cerignola (1503) e o papa voltou-se para os espanhóis, que assediavam Gaeta, para atacar com eles a Toscana e Milão. Em agosto de 1503, porém, o papa morreu.


Nota 22. – Página 32

Colégio cardinalício, que deveria eleger o papa.


Nota 23. – Página 32

Em setembro de 1501, ocupou Piombino e, em janeiro de 1503, Perúgia. Se tivesse conseguido adiantar as negociações para obter a senhoria de Pisa, Florença não teria saída.


Nota 24. – Página 33

Os espanhóis assediavam Gaeta e os franceses estavam na vizinhança de Roma.


Nota 25. – Página 33

Foi dito antes (p. 31) que as populações da Romanha, após a chegada do Valentino, haviam começado a desfrutar do bem-estar. Tudo isso é muito importante em toda a narrativa: o apoio do povo demonstra a funcionalidade e justiça da política do Valentino.


Nota 26. – Página 33

Uma recordação direta dos fatos: Maquiavel estava na corte de Roma precisamente no período do conclave.


Nota 27. – Página 34

O adjetivo recorda a imagem do arqueiro do Capítulo VI.


Nota 28. – Página 34

Giuliano della Rovere: o futuro papa Júlio ll; Colonna: o cardeal Giovanni Colonna; San Giorgio: o cardeal Raffaele Riario; Ascanio: o cardeal Ascanio Sforza. Todos eram inimigos dos Borgia.


Nota 29. – Página 34

Ruão: já o encontramos antes; é Georges d’Amboise, arcebispo de Ruão (ver Capítulo III).


Nota 30. – Página 34

Eram espanhóis, como o papa Borgia, que os havia favorecido e por isso lhe deviam obrigações.


Nota 31. – Página 35

Giuliano della Rovere, o papa Júlio II, tinha sido inimigo dos Borgia. Mas, para obter os votos dos cardeais ligados aos Borgia, prometeu ao Valentino, por meio de um acordo, torná-lo gonfaloniere geral da Igreja e restituir-lhe o estado da Romanha. Maquiavel censura o Valentino por ter acreditado nas promessas de inimigos. Conforme observava na Carta aos dez, de 26 de novembro: “Este papa começa a pagar os seus débitos honrosamente, isto é, cancela-os com um traço de sua pena.”


Capitulo VIII
Nota 1. – Página 37

Tirano de Siracusa, de 316 a.C. até 289 a.C. Conseguiu ampliar a hegemonia de Siracusa sobre toda a Sicília grega.


Página 167
Nota 2. – Página 38

Amílcar Barca, antepassado de Aníbal, comandante das tropas cartaginesas na Sicília.


Nota 3. – Página 38

Passagem muito importante para determinar o conceito de virtù; como nota Lefort, ela “nos convida a lembrar que o termo ‘virtù’ jamais é isento de uma significação moral”.


Nota 4. – Página 39

Oliverotto Effreducci da Fermo (ver Capítulo VII).


Nota 5. – Página 39

Um dos mais célebres condottieri de sua época. Era capitão dos florentinos na guerra contra Pisa, e foi condenado em 1499, em Florença, por traição.


Nota 6. – Página 41

Fórmula freqüente, que significa apenas “em todas as ocasiões”.


Capítulo IX
Nota 1. – Página 43

Um dos trechos mais importantes da obra. Segundo alguns comentadores, Maquiavel antecipa aqui a teoria da luta de classes. Diz Claude Lefort: “Somos colocados na presença de um juízo de alcance universal, que resume o ensinamento prudentemente insinuado nos capítulos precedentes, ao mesmo tempo que o completa. Retendo da diversidade dos tipos de governo apenas três regimes, Maquiavel abandona espetacularmente as classificações tradicionais [...]. Insinua que aos olhos do observador só conta a maneira pela qual se resolve a luta de classes: ou ela engendra um poder que se eleva acima da sociedade e a subordina inteiramente à sua autoridade — é o principado —; ou ela se ajusta de tal maneira que ninguém fica sujeito a ninguém (pelo menos de direito) — é a liberdade —; ou ela é impotente para se assimilar numa ordem — é a licença.” (op. cit.)


Nota 2. – Página 45

Nábis foi tirano de Esparta de 205 a.C. a 192 a.C. Apoiou-se demagogicamente nas classes pobres e, na política externa, aproveitou-se de todas as ocasiões possíveis. Porém, ao contrário do que afirma Maquiavel, teve de render-se aos romanos após o cerco de Esparta pelo cônsul Flamínio (195 a.C.).


Nota 3. – Página 46

Maquiavel também fala sobre os irmãos Graco no primeiro livro dos Discursos (Capítulo XXXVII), no qual destaca, ao mesmo tempo, suas honestas intenções e sua imprudência. Ambos empenharam-se na luta em favor dos camponeses. Tibério morreu em 133 a.C. e Caio em 121 a.C.


Página 168
Nota 4. – Página 46

Scali, juntamente com Tommaso Strozzi, tornou-se chefe da plebe no tumulto de Ciompi (1378). Por sua insolência, os dois foram condenados: um foi executado em 1382 e o outro fugiu.



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