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Capítulo X
Nota 1. – Página 49

Tanto Stato, no original. As interpretações divergem, mas a expressão stato parece indicar neste caso o território, que deve ser extenso o bastante para fornecer um exército suficientemente grande.
Nota 2. – Página 50

Maquiavel foi emissário de Florença junto ao imperador Maximiliano, em 1508, e ficou durante vários meses no Tirol, viajando por Innsbruck, Bolzano e Trento. Na própria Alemanha, nunca esteve; todavia, alguns de seus julgamentos são reconhecidos como exatos e argutos pelos historiadores. Em Rapporto delle cose della Magna (Relatório sobre as coisas da Alemanha) disse: “Nas comunidades francas e imperiais, que são o nervo daquela província, onde há dinheiro e ordem... sua principal intenção é manter a liberdade e não adquirir poder.” E em Ritratti delle cose dell’Alamagna (Retratos das coisas da Alemanha): “É certo que o poder da Alemanha está mais nas comunidades do que nos príncipes.”


Capítulo XI
Nota 1. – Página 54

Com a Liga de Cambrai (1508), Veneza esteve a ponto de desaparecer politicamente. A Santa Liga (1511) foi organizada por Júlio II a fim de expulsar os franceses da Itália.


Nota 2. – Página 54

Carlos VIII.


Nota 3. – Página 54

Em 1482, para defender Ercole d’Este do ataque veneziano, aliaram-se, de fato, Alfonso, rei de Nápoles, Lorenzo, o Magnífico, e Lodovico Sforza.


Nota 4. – Página 54

Sisto IV foi papa de 1471 a 1484. Era de origem bastante humilde; tornou-se primeiro geral da ordem de São Francisco e depois cardeal. Maquiavel fala dele com muito colorido no livro VII das Histórias.


Nota 5. – Página 55

Júlio II entrou em Bolonha em 1506, depois de ter tomado Perúgia, graças a um acordo com Baglioni; o senhor de Bolonha, Giovanni Bentivoglio, fugiu antes da chegada do papa.


Página 169
Nota 6. – Página 55

Refere-se às duas ligas de Júlio II: Liga de Cambrai e Santa liga.


Nota 7. – Página 55

Sobre o itinerário destes onze primeiros capítulos comenta Lefort: “Descobrimos pouco a pouco que o exame das hipóteses particulares, que constitui a matéria dos onze primeiros capítulos, abre espaço para uma reflexão sobre a situação da Itália na época e sobre a política em geral — sobre as relações de potência, os fundamentos do Poder, a maneira de governar, a natureza do Povo e dos Grandes — cujo movimento não segue de modo algum o da demonstração aparente, mas parece comandada pela necessidade de desvelar, de maneira descontínua, algumas idéias a que não pode ser dada uma expressão direta.”


Capítulo XII
Nota 1. – Página 57

Antecipamos aqui, para nossa clareza, a definição de armas auxiliares sobre as quais Maquiavel falará no Capítulo XIII: “Soldados auxiliares são aqueles que um príncipe ou uma república envia em tua ajuda, capitaneados e pagos por ele.” (Discursos, II, 20)


Nota 2. – Página 58

Pelas frases seguintes, deduz-se que é Carlos VIII.


Nota 3. – Página 58

É uma historieta já proverbial na Itália, ao tempo de Maquiavel; o historiador francês Philippe de Commines, em suas Memórias, a atribui ao papa Alexandre VI. Commines foi à Itália no tempo da invasão de Carlos e visitou Florença, onde se encontrou com Savonarola — viu formar-se, em Veneza, a Liga contra o seu rei. O giz mencionado era usado pelos oficiais administrativos para marcarem as portas das casas onde deveriam se alojar os comandantes do exército francês.


Nota 4. – Página 59

Aqui se expõe um conceito idêntico ao expresso no primeiro livro de Da arte da guerra, obra dialógica em sete livros que, aparentemente, Maquiavel escreveu entre 1519 e 1520: os exércitos mercenários são perigosos inclusive porque são facilmente corrompidos por um cidadão que queira tomar-se tirano.


Nota 5. – Página 59

Alusão à revolta das tropas mercenárias cartaginesas, uma verdadeira guerra que durou de 241 a.C. a 237 a.C. e deixou a cidade, embora vitoriosa, exaurida e empobrecida.


Página 170
Nota 6. – Página 59

Pai de Alexandre Magno. Foi chefe dos exércitos da Tessália e Tebas durante a primeira guerra sacra (cerca de 355 a.C.). Em 346 a.C. atacou e subjugou a cidade que fora sua aliada.


Nota 7. – Página 59

Sobre Francesco Sforza, ver os Capítulos I e VII.


Nota 8. – Página 59

Passou, em 1426, do serviço de Giovanna para o de Luís III d’Anjou.


Nota 9. – Página 59

A rainha contratou Braccio da Montone, mas teve que nomear Alfonso de Aragão como seu próprio sucessor.


Nota Nota 10. – Página 60

John Hawckwood, um capitão mercenário que em 1377 esteve a serviço de Florença.


Nota 11. – Página 60

Indica tanto o pai, Muzio Attendolo, como o filho, Francesco, que sempre tiveram por adversários as milícias de Braccio, comandadas primeiro por Braccio da Montone e depois por Niccolò Piccinino.


Nota 12. – Página 60

Sobre Paolo Vitelli, ver Capítulo VIII.


Nota 13. – Página 60

Ainda era escassa a expansão territorial de Veneza.


Nota 14. – Página 60

O Conde de Carmignuola, Francesco di Bussone, passara do serviço dos Visconti para o da senhoria de Veneza, para a qual conquistou Bérgamo e Bréscia, depois de ter derrotado os milaneses na batalha de Maclodio (1427). Após a guerra, entrou em declínio e não conseguiu vencer as tropas dos Visconti, comandadas por Sforza e Piccinino. Então foi preso, processado e executado como traidor em 1432.


Nota 15. – Página 61

Bartolommeo da Bergamo é o Colleoni, derrotado por Sforza em Caravaggio (1448).


Nota 16. – Página 61

Ruberto de San Severino, capitão de Veneza na guerra de Ferrara (1482-1484).


Nota 17. – Página 61

Conde di Pitigliano é Niccolò Orsini, capitão de Veneza na batalha de Vailate (Agnadello), 1509.


Nota 18. – Página 61

Como se vê, pelas notas precedentes, estes capitães jamais deram uma vitória a Veneza.


Nota 19. – Página 61

Com este expressivo paralelo entre batalha de um dia e oitocentos anos de fadiga, Maquiavel exprime de novo a sua polêmica contra a política territorial de Veneza.


Nota 20. – Página 61

Com esta fórmula um tanto vaga, Maquiavel parece referir-se às desventuras do Império e de seus exércitos na idade comunal, conforme se depreende do período seguinte (“muitas das grandes cidades tomaram armas contra os seus nobres”). Ela vai da queda de


Página 171
Arrigo VII (1311), portanto, até a de Carlos IV (1355-1368).
Nota 21. – Página 61

Alberigo da Barbiano, conde de Conio, fundou a Companhia de São Jorge e morreu em 1409.


Nota 22. – Página 62

O termo virtù é aqui usado ironicamente.


Nota 23. – Página 62

Mais uma construção que revela um momento de alta comoção. Observe-se como uma progressão de particípios (invadida... pilhada... violentada... vilipendiada) indica uma crescente personalização da Itália. Se, de fato, os dois primeiros se referem ao território, os outros dois sugerem a figura tradicional desde Dante — e sobretudo de Petrarca, da canção All’Italia (À Itália) — da mulher ora bela e gloriosa, ora chorosa e desonrada.


Capítulo XIII
Nota 1. – Página 63

Ver a definição destes exércitos no capítulo anterior.


Nota 2. – Página 63

Referência à tentativa realizada por Júlio II de conquistar Ferrara após a tomada de Bolonha. Ao invés disso, teve que abandonar inclusive Bolonha, quando então se aliou a Fernando, o Católico (Santa Liga).


Nota 3. – Página 63

Como vimos, trata-se de Fernando de Espanha.


Nota 4. – Página 63

A partida estaria perdida para Júlio, se não tivesse aparecido uma terceira carta, isto é, uma outra possibilidade além das duas referidas anteriormente (perder e ficar derrotado, ou vencer e tomar-se prisioneiro de quem tivesse o controle das tropas auxiliares).


Nota 5. – Página 63

Os espanhóis foram derrotados em Ravenna (1512) pelas tropas francesas comandadas por Gaston de Foix; intervieram, porém, vinte mil soldados suíços, também eles pagos pelo papa. Com esta terceira carta, que ninguém esperava, o papa conseguiu, simultaneamente, expulsar os franceses da Romanha e da Lombardia, e não ficar nas mãos dos espanhóis, porque os suíços foram vencedores.


Nota 6. – Página 64

Já examinamos este fato, do qual Maquiavel foi um dos protagonistas: os dez mil soldados da Gasconha e da Suíça que Luís XII concedeu a Florença em 1500 para reconquistar Pisa.


Nota 7. – Página 64

Giovanni Cantacuzeno, durante a luta com a dinastia rival dos Paleólogos, aliou-se ao sultão da Turquia, que lhe enviou o filho Salomão com um exército. Foi este o início da expansão turca na Europa.


Página 172
Nota 8. – Página 64

Construção fortemente irônica: “quem quiser não poder...”


Nota 9. – Página 65

Ver Capítulo VI. Maquiavel justifica este exemplo antigo com o fato de que Hierão já havia sido citado por ele.


Nota 10. – Página 65

Carlos VII, vencedor da Guerra dos Cem Anos contra os ingleses (1337-1452).


Nota 11. – Página 65

Companhias de ordenança eram os núcleos que antecederam a formação do exército francês.


Nota 12. – Página 65

Luís XI usou os suíços na guerra com o feudatário de Borgonha, Carlos, o Temerário.


Nota 13. – Página 66

Ver Capítulo III. Esta é mais uma daquelas referências repetidas que ligam intimamente o conteúdo deste texto.


Nota 14. – Página 66

Contratar os godos foi o indício da ruína de Roma. A prática começou com Valente, em 376, e continuou com Teodósio, em 382.


Nota 15. – Página 67

“nada há de mais instável e fraco do que a fama de uma potência que não se apóia na própria força” — frase de Tácito (Anais, XIII, 19), citada de memória por Maquiavel e, portanto, bem diferente do texto original. O sentido, porém, é o mesmo.


Nota 16. – Página 67

Neste capítulo foram citados como criadores de exércitos próprios: Cesare Borgia, Hierão e Carlos VII, além de David.


Capítulo XIV
Nota 1. – Página 69

Francesco Sforza, ver Capítulo I.


Nota 2. – Página 69

“Lodovico, o Mouro, perdeu o poder em 1500; Massimiliano Sforza, posto na direção da Santa Liga (1512), perdeu-a em 1515, após a vitória de Francisco I, rei de França, em Marignano (13 de setembro de 1515). Esta referência confirma, portanto, a hipótese de que O príncipe, escrito de uma só vez entre julho e dezembro de 1513, tenha sido submetido, senão a uma verdadeira reelaboração, pelo menos a alguns retoques, dos quais é difícil, atualmente, ter uma idéia precisa.” (Chabod)


Nota 3. – Página 69

Ver Capítulo XV.


Nota 4. – Página 71

Filipêmenes foi comandante da liga aquéia e viveu de 253 a.C. a 183 a.C.


Página 173
Capítulo XV
Nota 1. – Página 73

Verità effettuale della cosa, expressão famosa com que Maquiavel marca a sua separação dos pensadores políticos anteriores. No entanto, vale notar que, na época, a causa eficente ainda não era tão privilegiada como mais tarde, com o advento da ciência moderna, viria a ser: isto talvez sirva, portanto, como índice dessa valorização essencialmente moderna da eficiência.
Nota 2. – Página 74

Observe-se a inversão operada por Maquiavel: após denunciar a ineficácia do discurso tradicional, tachado de “imaginário” e oposto à “verdade efetiva das coisas”, ele se volta para o problema da imagem do príncipe, de sua “fenomenologia”, e não do que ele seja em si mesmo. Ironicamente, o mundo imaginário dos pensadores tradicionais se une ao imaginário popular acerca do príncipe.


Nota 3. – Página 74

Notar o emprego da expressão “condições humanas”, que em nosso século veio muitas vezes a substituir o conceito de natureza humana.


4. – Página 74

“Infâmia”: a má fama, na qual incorreria quem tivesse os vícios que podem causar a perda do Estado.


Capítulo XVI
Nota 1. – Página 75

A má fama de ser avarento. É interessante citar aqui Guicciardini e ver como ele desenvolve o mesmo argumento, estando, no todo, de acordo com Maquiavel, mas articulando diversamente o discurso: “Mais detestável e mais perniciosa em um príncipe é a prodigalidade do que a parcimônia, porque, não podendo aquela existir sem extorquir de muitos, é mais injurioso aos súditos tirar do que não dar. Contudo, parece que ao povo agrada mais o príncipe pródigo do que o avaro. A razão é que — ainda que sejam poucos aqueles a quem o pródigo dá em relação àqueles de quem ele tira, que necessariamente são muitos como foi dito outras vezes — a esperança tem sobre os homens um poder tão maior que o temor, que mais facilmente esperam estar incluídos entre os poucos a quem é dado do que entre os muitos de quem é tirado.” (Ricordi [Recordações] 173, ed. Loescher, p.76)


Página 174
Nota 2. – Página 76

Luís XII.


Nota 3. – Página 76

Fernando, o Católico. Na carta a Vettori, de 26 de agosto de 1513, no mesmo ano em que escreveu O príncipe, Maquiavel o chama de tacanho e avaro, o que de resto era um fato admitido por todos.


Capítulo XVII
Nota 1. – Página 79

Na verdade, este julgamento positivo também é dado por Guicciardini e aceito pela maioria dos historiadores modernos.


Nota 2. – Página 79

Em Pistóia, entre 1501 e 1502, durante a luta entre as duas grandes famílias rivais, Panciatichi e Cancellieri, o governo florentino não soube intervir com energia.


Nota 3. – Página 79

Todo o conjunto dos cidadãos; opõe-se a particulares, uma pessoa ou um grupo restrito. Linguagem aparentada à da Lógica escolástica.


Nota 4. – Página 79

Ver Virgílio, Eneida, I, 563-564. Dido fala ao troiano Ilioneu: “A difícil situação e o fato de meu reino ser novo me constrange a usar / De tais métodos, e vigiar todas as partes até os confins de meu estado.”


Nota 5. – Página 80

Uma discussão da qual se indica o título: “Se é melhor...” Esta tendência à discussão é típica dos tratados políticos dos séculos XV ao XVII. Em geral, porém, desenvolviam longas discussões a respeito dos prós e dos contras. Maquiavel, por seu lado, resolve rapidamente o problema.


Nota 6. – Página 82

Lócrios: habitantes de Locri Epizefiria, na Sicília.


Nota 7. – Página 82

Foi Quinto Metello, segundo Lívio, XXIX, 20.


Capitulo XVIII
Nota 1. – Página 83

Um dos mais famosos capítulos de O príncipe é exatamente este, que começa com uma afirmação tão calma dentro de uma estrutura sintática tão simples. Subitamente, porém, depois do habitual “entretanto” (nondimanco), o discurso como que se encrespa e se complica, transformando-se de abstrato em experimental (“por experiência”) e de geral em atual (“em nossos tempos”).


Página 175
Nota 2. – Página 83

Quíron é filho mítico de Saturno, mestre de Aquiles, Jasão, Hércules e Teseu.


Nota 3. – Página 84

Não se pode deixar de ressaltar o tema da necessidade, tão importante neste capítulo. Os homens, portanto, crêem, não somente porque são tolos, mas também porque a necessidade os obriga. Assim, o príncipe, por necessidade, engana a mente.


Nota 4. – Página 84

Sempre, mas particularmente neste capítulo, Maquiavel tende a enfeixar os seus juízos em períodos epigramáticos, muitos dos quais, de fato, transformaram-se em provérbios. Vejamos como a mesma coisa é analisada por Guicciardini, em Ricordi (Recordações), 105: “Ainda que alguém tenha a fama de dissimulado e enganador, observa-se que algumas vezes seus enganos convencem. Parece estranho dizê-lo, mas é verdade e eu me recordo de que o rei Católico, mais do que todos os outros homens, acha-se neste caso. Entretanto, em suas manobras, não lhe faltava jamais quem lhe desse mais crédito do que o devido. Isto deve resultar ou da tolice ou da cupidez dos homens, estes por crerem facilmente no que desejam, aqueles por não conhecerem.”


Nota 5. – Página 84

Sobre Alexandre VI e Valentino, dizia-se: o pai não faz jamais aquilo que diz e o filho não diz jamais aquilo que faz.


Nota 6. – Página 85

Maquiavel sublinha e reforça o tema da necessidade, provocada “pelos ventos da fortuna” e pelas “variações das coisas”.


Nota 7. – Página 86

Fernando, o Católico.


Capítulo XIX
Nota 1. – Página 88

Nábis: ver Capítulo IX.


Nota 2. – Página 89

“Em 24 de junho de 1445, Battista, chefe dos Canneschi, fez um acordo com Filippo Maria Visconti e, em seguida, atacou Annibale com os seus e o assassinou. Depois, gritando o nome do duque, percorreu a cidade (Histórias, VI, 1445). O povo, porém, auxiliado pelos embaixadores de Veneza e Florença, matou Battista e parte dos conspiradores, expulsando os demais da cidade. Este messer Annibale é filho de Giovanni Bentivoglio, que foi senhor de Bolonha de 1510 a 1512 e teve mais tarde que exilar-se em Ferrara, depois da batalha de Ravenna.” (Chabod)


Página 176
Nota 3. – Página 89

Sante Bentivoglio, provavelmente filho de Ercole, primo do Annibale assassinado pelos Canneschi. Governou Bolonha de 1445 a 1462.


Nota 4. – Página 90

Esta instituição começou a funcionar plenamente com Filipe IV, o Belo, que introduziu o terceiro Estado no parlamento, mudando, portanto, completamente o seu caráter e provocando o esfacelamento da estrutura feudal do Estado.


Nota 5. – Página 90

Vem aqui à mente o episódio entre Valentino e Remirro de Orco, do Capítulo VII.


Nota 6. – Página 91

De agora em diante, Maquiavel trata metodicamente de todos os imperadores romanos da época dos Severos.


Nota 7. – Página 92

Università, no original. Maquiavel salienta aqui que a comunidade mais poderosa para esses imperadores não era o povo — como nas situações examinadas por ele —, mas o exército. O estado romano havia, de fato, se transformado em uma sociedade que somente se podia manter unificada mediante guerras contínuas, que pareciam já a sua única razão de existir.
Nota 8. – Página 92

Marco Aurélio Antonino: reinou de 161 a 180. É o autor de Meditações.


Nota 9. – Página 92

Publio Elvio Pertinax reinou durante poucos meses do ano de 193 e foi assassinado pelos pretorianos.


Nota 10. – Página 92

Alexandre Severo reinou de 222 a 235. Foi assassinado pelos soldados chefiados por Massimino, que o sucedeu no poder.


Nota 11. – Página 92

Por direito hereditário.


Nota 12. – Página 93

Sétimo Severo sucedeu a Pertinax e reorganizou o exército, dando maior espaço às populações bárbaras (193-211).


Nota 13. – Página 93

O senador Giuliano literalmente comprou o Império em leilão dos pretorianos que haviam assassinado Pertinax.


Nota 14. – Página 94

Pescênio Negro foi proclamado imperador pelas legiões de Antióquia em 193, mas foi derrotado por Severo e finalmente morto por seus soldados em 195.


Nota 15. – Página 94

Albino foi comandante das legiões da Bretanha. Também foi vencido por Severo e decapitado no ano de 197.


Nota 16. – Página 95

Antonino Caracalla, um dos imperadores mais loucamente ferozes (211-217).


Nota 17. – Página 95

Cômodo, filho de Marco Aurélio, foi também um homem feroz e violento. Morreu assassinado em 180.


Nota 18. – Página 96

Giulio Vero Massimino, morto pelos soldados em 238, governou somente durante três anos.


Página 177
Nota 19. – Página 96

Heliogábalo reinou de 218 a 222, extremamente jovem.


Nota 20. – Página 96

Macrino foi assassinado em 218, após um ano apenas de governo.


Nota 21. – Página 96

Marco Didio Giuliano, já mencionado acima, sucedeu a Pertinax, tendo comprado em leilão o direito à sucessão. Foi assassinado dois meses depois.


Nota 22. – Página 97

O sultão do Egito e o grão-duque da Turquia.


Nota 23. – Página 97

“Doze mil infantes”: chamavam-se janízaros.


Nota 24. – Página 97

“Semelhante ao pontificado cristão” por seu caráter eletivo; seus eleitores eram os malucos, uma casta militar.


Capítulo XX
Nota 1. – Página 99

Divididos pelas lutas internas dos partidos.


Nota 2. – Página 100

Entende-se que seja vileza e má-fé dos súditos.


Nota 3. – Página 100

Isto é, no período que se encerra com a morte de Lorenzo, o Magnífico.


Nota 4. – Página 101

Vailà ou Agnadello. Depois da derrota veneziana, muitas cidades pertencentes ao domínio de terra firme da Sereníssima rebelaram-se contra ela e passaram para o lado do imperador ou do rei de França.


Nota 5. – Página 101

Pandolfo Petrucci tornou-se senhor de Siena em 1500. Encontrava-se entre os participantes da Dieta de Magione contra Valentino, de quem foi arquiinimigo. Foi também o único a escapar da vingança do duque. Seu ministro Antonio da Venafro foi citado no Capítulo VII e o será novamente no Capítulo XXII, em um contexto bastante lisonjeiro tanto para ele quanto para seu patrão, capítulo este onde se fala justamente dos homens de confiança do príncipe.


Nota 6. – Página 102

Isto é, teoricamente. Ressurge aqui o problema da relação entre a teoria e a verificação experimental da teoria que Maquiavel havia colocado no início do capítulo, fundamentando-o. Quanto a sujeito, ver nota 6 do Capítulo IV.


Nota 7. – Página 102

Porque haviam sido introduzidos ali por algum grupo descontente com o príncipe reinante.


Nota 8. – Página 103

Niccolò Vitelli foi inicialmente um capitão mercenário. Tornou-se senhor da Città di Castello, de onde foi expulso pelo papa em 1474, retomando em 1482. Foi nesta ocasião que mandou destruir as fortalezas que justamente o papa havia mandado construir.


Página 178
Nota 9. – Página 103

Guido Ubaldo de Montefeltro, duque de Urbino, foi expulso por Valentino em 1482.


Nota 10. – Página 103

Caterina Sforza Riario, ver Capítulo III.


Nota 11. – Página 103

Estamos no ano de 1499. A Sforza já estava recolhida na fortaleza para resistir a uma revolta popular. Desta vez, contudo, em vez do tio e protetor, chegou Valentino e conquistou também a fortaleza. Observar como está articulado este exemplo: em um primeiro momento, parece que Maquiavel o toma como única exceção à sua teoria sobre o uso de fortalezas “em nossos tempos”; mas, logo depois, de repente, examinando-o de um ponto de vista diferente, o usa, ao contrário, como prova a favor. Caracteristicamente, mostra-se ao leitor — e este certamente é um dos maiores fascínios de Maquiavel — o seu raciocínio movendo-se de um lado para o outro, para frente e para trás, e colocando o leitor a par de todo o processo.


Capitulo XXI
Nota 1. – Página 105

A cidade de Granada foi conquistada por Fernando em 12 de janeiro de 1492, completando-se assim a unificação da Espanha.


Nota 2. – Página 105

Fernando deu à guerra de expulsão dos mouros o caráter de guerra santa, obtendo, por conseguinte, o favorecimento da Igreja.


Nota 3. – Página 105

Nome que se dava aos judeus convertidos ao cristianismo. A palavra tem a conotação de conversão apenas formal, permanecendo eles, no íntimo, fiéis à fé original. A expulsão dos marranos deu-se entre 1501-1502, acarretando graves repercussões sobre a situação interna da Espanha pois, entre os marranos, encontrava-se uma grande parte da população produtiva.


Nota 4. – Página 105

Penoso pelas suas conseqüências sobre os homens.


Nota 5. – Página 106

A campanha da África é de 1509. O rei ocupou toda a costa, desde Orã até Trípoli.


Nota 6. – Página 106

Ver Capítulos I e III.


Nota 7. – Página 106

É o mesmo período da guerra da Itália, o da Santa Liga, quando Fernando atacou a França pelo lado dos Pireneus, para conquistar Navarra.


Nota 8. – Página 106

Senhor de Milão de 1354 a 1385. Foi tão célebre que dele se ocuparam romancistas como Sacchetti e Sercambi. É tomado, inclusive por certos historiadores modernos, como exemplo do despotismo


Página 179
e da bizarria no governo senhorial. Morreu envenenado pelo sobrinho Gian Galeazzo Visconti, conde de Virtù.
Nota 9. – Página 107

Ver Capítulo III.


Nota 10. – Página 107

“Quanto ao que eles vos aconselham, de não vos imiscuirdes na guerra, nada vos será mais prejudicial: sem compensação e sem dignidade, sereis prezado vencedor.” Do livro XXXV de Livio, é uma citação feita de memória e, portanto, distante dos termos do texto, mas não do sentido.


Nota 11. – Página 107

O período não é de compreensão imediata. Presume-se que o leitor se recorde da análise desenvolvida por Maquiavel no Capítulo III, onde fala dos Estados “menos poderosos” e de suas relações com o conquistador. É o mesmo caso do dilema agora colocado, pois se um Estado não precisa recear outro, nem mesmo em caso de vitória, isto significa que este Estado é menos poderoso do que o primeiro. Nesse caso, se o Estado agressor tivesse sido prudente, deveria ter-se aliado a ele, ao invés de combatê-lo. O discurso prossegue, tornando-se mais claro na continuação.


Nota 12. – Página 108

Ver Capítulo III.


Nota 13. – Página 108

Referência ao período da Santa Liga, quando os florentinos não souberam manter claramente sua tradicional posição de partidários da França, nem se aliaram aos inimigos de Luís XII. Recordemos que se permitiu, em Florença, que os cardeais franceses e italianos que apoiavam a França promovessem um concílio contra o papa Júlio lI, que, por isso, declarou sua excomunhão. Por outro lado, como não apoiaram claramente os exércitos da Liga, sofreram a invasão de seu território por essas tropas, o saque de Prato e a queda da república de Florença.


Nota 14. – Página 108

Tornar mais bela com obras arquitetônicas e artísticas em geral. Maquiavel tem em mente a figura de Lorenzo, o Magnífico, cujas qualidades justamente descreve nas Histórias, VIII XXXVI: “Dedicou-se a tornar mais bela e maior a sua cidade... novas ruas repletas de novos edifícios... sempre manteve sua pátria em festa... amava extraordinariamente quem quer que fosse excelente em uma arte, favorecia os literatos...”


Nota 15. – Página 109

As corporações de ofícios eram características de Florença. Tribo, termo mais genérico, derivado diretamente do latim, indica as várias camadas da população.


Página 180
Capitulo XXII
Nota 1. – Página 111

Antonio Giordani da Venafro (1459-1530); primeiro ensinou Direito na Universidade de Siena, depois foi juiz e enfim conselheiro de Petrucci. É também citado por F. Vettori e por F. Guicciardini.


Nota 2. – Página 112

Bom, fiel, como em outro lugar malvado, infiel.


Capitulo XXIII
Nota 1. – Página 114

Maquiavel fala de Dom Luca no Relatório das coisas da Alemanha. Conheceu-o, de fato, durante sua missão junto ao Imperador Maximiliano. Trata-se do bispo Luca Rainaldi.


Nota 2. – Página 114

Maximiliano I, imperador da Áustria (1493-1519). (N. do T.)


Capitulo XXIV
Nota 1. – Página 117

Inicia-se aqui a análise da invasão de Carlos VIII. Tanto para Maquiavel como para Guicciardini, após a morte de Lorenzo tem início uma etapa diferente e não mais equilibrada na História da Itália. A História da Itália, de Guicciardini, parte da morte de Lorenzo.


Nota 2. – Página 117

Frederico de Aragão, ver Capítulo I.


Nota 3. – Página 117

Lodovico, o Mouro, ver Capítulo III.


Nota 4. – Página 118

Filipe V, derrotado em Cinocefale, em 197 a.C., pelo cônsul Flamínio.


Capitulo XXV
Nota 1. – Página 121

Ver Capítulo XI.


Capitulo XXVI
Nota 1. – Página 123

O capítulo prossegue em um tom lento e reflexivo, em contraste com a segunda parte do capítulo precedente.


Página 181
Nota 2. – Página 123

Uma situação política que o príncipe novo pudesse organizar. Notar a referência à dualidade aristotélico-tomista, freqüente em Maquiavel.


Nota 3. – Página 123

Ainda encoberta sob o pronome indefinido, a imagem de Cesare Borgia.


Nota 4. – Página 124

Ver a dedicatória nas páginas 129 e 130. A casa dos Medici tinha então, como vimos, inclusive um pontífice. Repetia-se uma situação semelhante àquela de que se havia beneficiado o Borgia, coisa extremamente sugestiva para Maquiavel.


Nota 5. – Página 124

“A guerra é justa quando necessária, e piedosas as armas quando só nelas reside a esperança.” (Lívio, IX; I). A citação, como sempre, é de memória.


Nota 6. – Página 124

A excitação se expressa livremente através destas referências clássicas e bíblicas. Notar que a linguagem de Maquiavel passa bruscamente a se assemelhar à dos filósofos da época, os neoplatônicos da linhagem de M. Ficino e Pico della Mirandola. À linguagem seca e realista de Maquiavel opunha-se, com maior prestígio, o discurso rebuscado da semelhança nos moldes analisados por M. Foucault em As palavras e as coisas. Notar, também, a forte religiosidade subjacente: como observou Lucien Febvre a respeito de Rabelais, não tem sentido falar em ateísmo no século XVI, mesmo em Maquiavel. No entanto, justamente esta mudança no registro da linguagem fez com que alguns comentadores, como Cassirer, considerassem este capítulo como um acréscimo posterior.


Nota 7. – Página 125

“Torneios”: encontros entre grupos diversos de contendores. Provavelmente, pensava no desafio de Barletta no ano de 1503.


Nota 8. – Página 125

Taro: em 1593, Carlos VIII consegue vencer os exércitos aliados aos italianos em Fornovo aI Taro; Alexandria: em 1499, perdida pelo comandante das tropas milanesas, Galeazzo di San Severino; Cápua: conquistada pelos franceses em 1501; Gênova: rendida aos franceses em 1507; Bolonha: conquistada pelos franceses em 1511; Mestre: ocupada pelos espanhóis em 1513; Vailà: é Agnadello, ver Capítulo III.


Nota 9. – Página 126

Ver Capítulos III e XIII.


Nota 10. – Página 127

A citação da canção All’Italia (À Itália), de Petrarca, encerra este capítulo tão movimentado e tão diversificado em seus sucessivos níveis estilísticos. Maquiavel já havia citado Petrarca, e exatamente esta canção, no livro VI das Histórias, a propósito da conjuração de


Página 182
Stefano Porcari. Em tradução livre: “A virtude, contra o furor, / Tomará armas e que seja breve o combate, / Pois o antigo valor / Não está morto no coração dos italianos.”
Ao Magnífico Lorenzo de Medici
Nota 1. – Página 129

Após a fuga do gonfaloniere perpétuo Piero Soderini para Siena, Giuliano, filho de Lorenzo, o Magnífico, representava em Florença a família dos Medici. Em 11 de março de 1513, quando o cardeal Giovanni de Medici subiu ao trono pontifício, Giuliano foi chamado a Roma como gonfaloniere da Igreja, ficando em Florença o seu sobrinho Lorenzo, filho de Piero. Este conduzia na cidade a mesma política que adotara o Magnífico, mantendo de pé as instituições republicanas, mas conseguindo dominá-las através dos amigos de sua família. Na primavera de 1515, quando conseguiu que lhe fosse confiado o recrutamento de um corpo de quinhentos homens e ser nomeado capitão da República florentina, tornou-se claro que estava rumando para o principado. Ao escrever Maquiavel esta carta, Lorenzo ainda não fora oficialmente investido no ducado, coisa que lhe aconteceu em outubro de 1516, pois, como observa Ridolfi, Maquiavel não utiliza o título de duque, nem o tratamento de “Excelência” obrigatório com relação aos duques. Não estamos, todavia, em condições de reconstituir precisamente a data desta dedicatória. Maquiavel diz, em carta de 10 de dezembro de 1513, ao seu amigo — e conselheiro de Lorenzo — Francesco Vettori, que pretendera dedicar o livro a Giuliano, sendo provável que o tenha dedicado a Lorenzo após a partida de Giuliano para Roma.


Apêndice
Nota 1. – Página 131

Conferência pronunciada por R. Aron no Instituto Italiano de Cultura de Paris no dia 6 de novembro de 1969.

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