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PROJECTO "ARTE PAISAGISTA NO NORTE DE PORTUGAL"

POCI/AUR/63320/2004
RELATÓRIO FINAL

- Componente de Execução Material -




A. INTRODUÇÃO

As nossas quintas de recreio, cercas conventuais, santuários, jardins privados e públicos, parques, avenidas e largos de interesse histórico e artístico representam um valor patrimonial e cultural inestimável, fundamental para o entendimento da nossa cultura e para a preservação da nossa memória e identidade. Estes sítios, independentemente da sua escala e da sofisticação dos seus traçados e materiais, são o reflexo de uma paisagem, de uma cultura, dos movimentos que marcaram épocas e autores. Contudo, ainda hoje se assiste, com frequência, e por vezes de forma drástica, à sua modificação ou mesmo à sua integral destruição devido à especulação fundiária, ao desconhecimento sobre o seu valor artístico e histórico, à sua relevância para a identidade cultural dos povos, entre outros aspectos que concorrem para o desrespeito pelo nosso património paisagístico.


É hoje unanimemente reconhecido que, na base da salvaguarda dos jardins e da sua conservação e recuperação, está o conhecimento desse património, quer do ponto de vista do seu traçado, dos elementos arquitectónicos e decorativos e composição vegetal, quer do ponto de vista do seu interesse histórico e cultural. Desde a década de 1980 que, a nível internacional, se verifica um incremento na produção de listagens, inventários e registos de jardins, envolvendo o poder central e local e mesmo a sociedade civil. A Carta de Florença (Carta para a Conservação de Jardins Históricos, ICOMOS, 1982) alertou para a importância da produção de listagens sobre o património dos parques e jardins e da sua relação com a eficácia na protecção e conservação desses lugares. Em Portugal, o primeiro grande passo neste sentido foi dado pelo arquitecto paisagista Ilídio de Araújo que elaborou, para a então Direcção Geral dos Serviços de Urbanização, um pioneiro e exemplar levantamento da arte paisagista do Norte de Portugal que tem servido, até aos dias de hoje, de ponto de partida para novos projectos de investigação e, ainda, de memória sobre espaços que, entretanto, têm vindo a ser modificados e adulterados (Arte Paisagista e Arte dos Jardins em Portugal, 1962). Já anteriormente, Sousa Viterbo (A Jardinagem em Portugal, 1906) nos havia legado vários apontamentos sobre quintas e jardins notáveis de Portugal assim como dos seus jardineiros, constituindo uma referência igualmente incontornável, embora sem o carácter sistemático do trabalho de Ilídio de Araújo.
Nas duas últimas décadas, os meios académicos e profissionais passaram igualmente a abraçar esta temática e tem-se vindo, desde então, a proceder a mais estudos sobre a arte paisagista em Portugal e à elaboração de livros, teses, monografias e outros textos que visam contrariar o anterior desconhecimento sobre este tipo de património. Também as instituições públicas ligadas à gestão e conservação patrimonial, nomeadamente através da realização de inventários do património arquitectónico, têm gradualmente vindo a alargar a sua investigação para a área do património paisagístico.
Este documento corresponde à componente de execução material do Relatório Final do Projecto POCI/AUR/63320/2004. Nele incluímos toda a informação sobre a actividade desenvolvida em desde o início do projecto até à sua conclusão, no dia 30 de Junho de 2008.

B. OBJECTIVOS

O trabalho que aqui se apresenta, pretende dar mais um contributo para ampliar o conhecimento sobre a arte paisagista em Portugal, através da investigação numa região do país – interior norte - onde estes estudos têm tido menor incidência. O objectivo foi, assim, o de explorar, reunir e analisar informação, divulgá-la e conformá-la de modo a que possa ser permanentemente actualizada e melhorada a partir de um sistema de informação digital de fácil e acessível consulta e que permite a introdução de novos dados e fontes documentais, bibliográficas e iconográficas. Assim, seria desejável que, a partir deste primeiro trabalho, se mobilizassem novos esforços, nomeadamente de proprietários, gestores e de estudiosos, para a divulgação de informação ainda não revelada sobre os sítios em análise. O conhecimento mais aprofundado permitiria compreender o verdadeiro valor dos espaços apresentados e, consequentemente, definir efectivas estratégias de conservação e de divulgação deste património.


O termo “arte paisagista” é retirado do livro de Ilídio de Araújo, «Arte Paisagista e Arte dos Jardins em Portugal» (Lisboa, 1962) pela oportunidade que gera em termos de âmbito e conteúdo. Neste trabalho é utilizado especificamente para abranger os sítios que foram intencionalmente desenhados, de acordo com princípios artísticos e com objectivos primeiros de amenidade – de que os casos mais característicos serão os jardins, parques, quintas e cercas de recreio. O termo pode referir-se a obras mais ou menos espontâneas ou mais ou menos conscientes do ponto de vista do seu traçado e composição, quer do domínio do artista ou do artífice.
Contudo, seria desejável que se pudessem incluir outros espaços que revelassem uma transformação consciente da paisagem, com objectivos que não o recreio - por exemplo, a produção agrícola, a extracção mineira, ou o culto religioso - mas que revelam qualidades artísticas intrínsecas no modo como o homem soube utilizar e potenciar os elementos da paisagem. Esta abordagem permitiria incluir sítios e paisagens tão notáveis como o Alto Douro Vinhateiro (classificado pelo Unesco como Paisagem Cultural, património da humanidade) ou sítios de interesse arqueológico, nomeadamente castros, santuários, estruturas defensivas, ruínas de barragens com fundação na época romana, entre outros exemplos. No entanto, pelo alargamento do âmbito que tal abordagem suscitaria, e pela impossibilidade de executar esse levantamento e avaliação dentro do tempo estabelecido, considerou-se que o trabalho deveria circunscrever-se ao horizonte originalmente proposto.
Do ponto de vista temporal, considerou-se que o levantamento deveria apenas reflectir trabalhos realizados até ao ano de 1985, deixando de fora um período de 30 anos a intervalar as produções paisagísticas e o estudo em causa. Contudo, identificaram-se, no decorrer deste trabalho, alguns sítios que, embora tendo sido construídos posteriormente a 1985, merecem desde já uma referência e, por isso, aparecem identificados nos sítios listados (ver Metodologia).
O Projecto tem como objectivo a inventariação dos sítios que fazem parte do património paisagístico da região nordeste. A forma de consumação é a publicação num website que apresenta o resultado do Projecto de Investigação “Arte Paisagista no Norte de Portugal” realizado no Departamento de Arquitectura Paisagista da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo Programa Operacional Ciência e Inovação (POCI 2010), comparticipado pelo fundo comunitário europeu FEDER.

C. RESUMO DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS

(para colocar nos campos de edição on-line)
1. Análise de Metodologias de Inventariação
Numa primeira fase, foram analisadas metodologias utilizadas em estudos idênticos, nomeadamente por instituições académicas e governamentais, dentro e fora do país. Para os diferentes casos, foram avaliados os objectivos da realização do inventário, meios humanos, técnicos e financeiros disponíveis, extensão dos períodos de realização, entre outros aspectos. Atentou-se, também, no tipo de resultados obtidos e no modo como foram disponibilizados. Nesse particular contexto, foi dada especial atenção aos inventários portugueses, desde os estudos mais antigos aos mais recentes. Esta primeira fase permitiu confirmar ou reajustar os objectivos últimos do trabalho, o seu âmbito, nomeadamente no que diz respeito à área de estudo e ao tipo de património paisagístico a inventariar, e definir o modelo de disponibilização pública dos resultados.
2. Investigação histórica documental

Nesta fase foram reunidas e analisadas as fontes de informação acessível sobre o património paisagístico da região em estudo. Esta etapa incluiu várias frentes de trabalho. Por um lado, a recolha de informação bibliográfica e iconográfica iniciando-se com a análise de trabalhos mais específicos no âmbito da arte paisagista até literatura mais generalista. O trabalho decorreu fundamentalmente a partir da documentação existente em arquivos e bibliotecas públicas e privadas e através do acesso a informação disponibilizada pela Internet. Simultaneamente, estabeleceram-se contactos directos com entidades que poderiam dispor de informações relativamente aos lugares a inventariar. Foram considerados sobretudo os organismos públicos, nomeadamente as câmaras municipais de cada concelho integrado na área de estudo definida, as bibliotecas e arquivos municipais, as juntas de freguesia e postos de turismo, bem como proprietários e gestores de sítios, de forma a estreitar a pesquisa e aumentar o nível de informação. Neste processo, foram listados mais de 780 sítios com potencial interesse paisagístico.


3. Construção da base de dados/ plataforma de investigação on-line

À medida que avançou a recolha de informação e as primeiras listagens se foram configurando, deu-se início à construção das bases de dados digital e arquivo documental, com a definição de códigos de referência por sítio e dos campos de informação a introduzir e, de seguida, à inserção da informação na plataforma de investigação on-line. A organização da informação em bases de dados logo nos primeiros momentos do processo contribuiu não só para a simplificação da introdução de dados mas também para a consulta e actualização da informação. No caso da base de dados digital, isto foi possível devido aos dois níveis de informação disponíveis. Uma interface de administração e uma interface de consulta pública. A interface de administração permitiu, desde logo, listar os sítios com potencial interesse, compilar a informação dos levantamentos de campo, organizar a pesquisa bibliográfica e, através das sinergias criadas com o ‘Google maps’, geo-referenciar toda a informação.


4. Levantamentos de campo

O processo de obtenção de informação sobre a arte paisagista é normalmente muito moroso e torna-se particularmente difícil quando a documentação histórica é reduzida, inexistente ou inacessível, os estudos sobre o lugar são escassos. Deste modo, os levantamentos de campo revelam-se da maior importância para recolher informação que frequentemente só se consegue obter por este meio.

Assim, nesta fase, deu-se início às visitas aos sítios listados inicialmente, com registo fotográfico e preenchimento da ficha de campo. Sempre que possível, consultaram-se arquivos privados, para revisão e consolidação dos dados recolhidos previamente. Este terá sido o maior desafio colocado ao projecto tendo em conta a significativa dimensão geográfica da área em estudo (cerca de 13000 km2), a escassez de informação disponível sobre os sítios a visitar, a transformação que as rede viárias foram tendo nos últimos anos e a consequente dificuldade em identificar e circular em alguns percursos do território em análise. Por outro lado, foram identificados, no decorrer das visitas, sítios que não haviam sido listados na etapa anterior, através do processo de revisão bibliográfica ou da informação providenciada pelos municípios ou arquivos, mas que surgiam de modo mais ou menos expressivo no território.
5. Análise da informação obtida

Após as visitas ao terreno, reuniram-se as condições necessárias para se compararem os elementos recolhidos no campo com a informação anteriormente obtida na pesquisa documental: analisar os lugares que mantinham a estrutura inicial descrita nas obras consultadas; os que evoluíram de uma forma que não colocava em causa o desenho inicial, a composição com a vegetação, ou os elementos estruturantes; os que envolviam um grau de modificação considerável, ao ponto de descaracterizar e destruir irremediavelmente o espaço. Assim, dos 786 sítios listados inicialmente, e depois de excluídos os lugares que tinham sido demolidos ou irremediavelmente destruídos, os que aparentaram nunca terem tido qualquer interesse paisagístico e os que não puderam ser identificados nos levantamentos de campo, seleccionaram-se cerca de 270 sítios de significativo valor artístico e histórico e que designamos de sítios inventariados na medida em que, pelo seu interesse, deverão constar do inventário final do projecto. De entre os sítios inventariados seleccionaram-se aqueles que, pelo seu interesse artístico e/ou histórico-cultural especial, mereciam uma referência particular dentro do inventário. Ou seja, reuniam vários dos critérios acima mencionados e, por essa razão, foram designados de sítios de referência.


6. Edição e publicação da informação numa base de dados digital acessível através de website

Para a edição e publicação da informação numa base de dados digital, para cada sítio inventariado e de referência, foi introduzido um mapa geo-referenciado possibilitado pelo ‘Google maps’; uma descrição do sítio com alusão à sua tipologia, estrutura e organização espacial, composição florística e elementos decorativos mais significativos, integridade e estado de conservação e sempre que conhecida, foi acrescentada informação de carácter histórico; uma selecção de imagens de entre as recolhidas nos levantamentos de campo e, se disponíveis, imagens de arquivo, como fotografias e postais antigos, cartografia antiga ou actual, entre outros.


C. METODOLOGIA, DESENVOLVIMENTO E RESUTADOS



  1. Área de Estudo

Em termos geográficos, este estudo recai sobre a região Norte de Portugal Continental, especificamente sobre a região do Nordeste onde a investigação sobre a arte paisagista tem tido menor incidência quando comparada com outras regiões do país onde a abundância de casos de significativa relevância tem atraído as atenções de estudiosos e conduzido à produção de publicações e a outras formas várias de divulgação desse património. Considerou-se, por isso, relevante proceder a uma pesquisa sistemática e mais profunda de um território menos explorado, menos conhecido e divulgado (e, por isso, mais frágil e vulnerável) e, assim, obter uma imagem mais global e integrada do seu património paisagístico.



Para a definição dos limites precisos da área de estudo foram tomadas em consideração quer tradicionais unidades administrativas quer unidades de paisagem, já que os factores culturais, geográficos e paisagísticos são incontornáveis para a compreensão de qualquer território em estudo.
No entanto, e por razões de ordem prática, os limites administrativos foram o ponto de partida nessa definição. Considerou-se, numa primeira análise, que os distritos de Vila Real e Bragança deveriam constituir a base deste estudo por corresponderem, grosso modo, à região nordeste de Portugal continental. A Norte e a Este estes distritos fazem fronteira com a Galiza, Castela e Leão. A sul, o rio Douro constitui o limite dos dois distritos trasmontanos. Contudo, existe uma estreita relação e uma forte unidade entre as duas margens já que o rio forma a linha estruturante do todo cultural, visual e paisagístico deste imponente vale. Já Orlando Ribeiro, na sua obra de referência ‘Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico’ afirma, a este propósito, que “ (…) um rio profundo pode constituir para as populações humanas, um obstáculo ou um limite e, todavia, marcar, num traço da mesma natureza, apenas um acidente pouco importante.” Deste modo, considerou-se fundamental a inclusão dos concelhos da margem esquerda do rio Douro, na área correspondente aos dois distritos, essenciais para a compreensão da paisagem do vale do Douro e porque as casas, quintas, santuários ou miradouros situados em cada margem têm também como cenário, aspecto fundamental para a sua qualidade intrínseca, a paisagem da margem oposta. Deste modo foram incluídos concelhos dos distritos de Viseu e da Guarda. Foi excepção o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo pois tem uma pequena relação física com o vale do Douro, confinando com o rio apenas numa curta extensão.
Questão idêntica foi suscitada na definição do limite Oeste da área de intervenção pois considerámos que, neste caso, a fronteira definida pelo distrito de Vila Real nem sempre reflecte uma diferenciação paisagística em relação aos distritos adjacentes. Por exemplo, Celorico de Basto e Cabeceiras de Basto, concelhos do distrito de Braga, não só se encontram no limiar da influência atlântica, como formam, a par com Ribeira de Pena e Mondim de Basto (distrito de Vila Real), a designada sub-região de Basto, uma unidade própria marcada pela presença do rio Tâmega e com significativas afinidades paisagísticas. Sobre o carácter uno e transmontano da Terra de Basto fala-nos Sant’Anna Dionísio (Guia de Portugal, vol. IV, Minho, 1965) evidenciando as afinidades geográficas e etnográficas da região: “A chamada Terra de Basto, genuíno átrio de Trás-os-Montes, é um quadrilátero montanhoso e austero (...) recortado por alguns vales verdejantes de recatada feição rústica, humedecidos por frescos regatos afluentes do rio Tâmega e pelo próprio Tâmega. (...) Dois dos concelhos de Basto - Cabeceiras e Celorico - situados na margem direita do Tâmega, consideram-se ainda dentro dos limites do velho Entre Douro e Minho; na margem esquerda, o concelho de Mondim de Basto diz-se já em Trás-os-Montes muito embora não se situe para lá do Marão, mas sim para cá e no sopé da serrania. Assim como a terra acusa já nítidas afinidades com o solo transmontano, a gente de Basto (...) apresenta claras expressões de consanguinidade com a gente (...) que vive do lado de lá da montanha.”

Também do ponto de vista da arte paisagista, quer em Celorico e Cabeceiras de Basto, quer em Mondim são já reconhecidos jardins privados notáveis, com características e tipologias formais idênticas e colecções significativas de plantas que justificam, por isso, a sua inclusão neste estudo. Sobre a identidade destes jardins de Basto afirma, na mesma publicação, Ilídio de Araújo: “A nenhum viajante apreciador das belezas da Arte e da Natureza passará despercebido, ao atravessar a região de Basto, o carácter peculiar dos jardins que frequentemente se deixam adivinhar por detrás dos muros (...)”.


Esta expansão da área de estudo para Oeste levou-nos ainda a incluir dois outros concelhos - Amarante e Baião. Amarante partilha a serra do Marão e o rio Tâmega e as características paisagísticas que nos levam a integrar as terras de Basto podem também ser encontradas neste concelho. Baião partilha a serra do Marão e o rio Douro, bem como apresenta uma paisagem em tudo muito semelhante à do ‘Baixo Corgo’, confinando com o concelho de Mesão Frio. Nas áreas mais montanhosas, as semelhanças de um e do outro lado do Marão são evidentes, quer nas culturas dominantes quer na forma de ocupação do território.
A área total equivale assim a, aproximadamente, 13000 km2, correspondendo a cerca de 14% do território nacional continental.
Localização Geográfica por Concelhos: Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Amarante, Baião, Resende, Lamego, Armamar, Tabuaço, São João da Pesqueira, Vila Nova de Foz Côa, Alijó, Boticas, Chaves, Mesão Frio, Mondim de Basto, Montalegre, Murça, Peso da Régua, Ribeira da Pena, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Valpaços, Via Pouca de Aguiar,Vila Real, Alfandega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada a Cinta, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vimioso, Vinhais



  1. Trabalho de Inventariação - Metodologia e Descrição das Actividades Desenvolvidas

A metodologia adoptada para o desenvolvimento do trabalho de inventariação compôs-se de várias etapas:


Numa primeira fase, foram analisadas metodologias utilizadas em estudos idênticos, nomeadamente por instituições académicas e governamentais, dentro e fora do país. Para os diferentes casos, foram avaliados os objectivos da realização do inventário, meios humanos, técnicos e financeiros disponíveis, extensão dos períodos de realização, entre outros aspectos. Atentou-se, também, no tipo de resultados obtidos e no modo como foram disponibilizados. Nesse particular contexto, foi dada especial atenção aos inventários portugueses, desde os estudos mais antigos aos mais recentes. Esta primeira fase permitiu confirmar ou reajustar os objectivos últimos do trabalho, o seu âmbito, nomeadamente no que diz respeito à área de estudo e ao tipo de património paisagístico a inventariar, e definir o modelo de disponibilização pública dos resultados.
Posteriormente, foram reunidas e analisadas as fontes de informação acessível sobre o património paisagístico da região em estudo. Esta etapa incluiu várias frentes de trabalho. Por um lado, a recolha de informação bibliográfica e iconográfica iniciando-se com a análise de trabalhos mais específicos no âmbito da arte paisagista até literatura mais generalista. O trabalho decorreu fundamentalmente a partir da documentação existente em arquivos e bibliotecas públicas e privadas e através do acesso a informação disponibilizada pela Internet. Simultaneamente, estabeleceram-se contactos directos com entidades que poderiam dispor de informações relativamente aos lugares a inventariar. Foram considerados sobretudo os organismos públicos, nomeadamente as câmaras municipais de cada concelho integrado na área de estudo definida, as bibliotecas e arquivos municipais, as juntas de freguesia e postos de turismo, bem como proprietários e gestores de sítios, de forma a estreitar a pesquisa e aumentar o nível de informação. Neste processo, foram listados mais de 780 sítios com potencial interesse paisagístico. Simultaneamente, e à medida que avançou a recolha de informação e as primeiras listagens se foram configurando, deu-se início à construção das bases de dados digital e arquivo documental, com a definição de códigos de referência por sítio e dos campos de informação a introduzir e, de seguida, à inserção da informação na plataforma de investigação on-line. A organização da informação em bases de dados logo nos primeiros momentos do processo contribuiu não só para a simplificação da introdução de dados mas também para a consulta e actualização da informação. No caso da base de dados digital, isto foi possível devido aos dois níveis de informação disponíveis. Uma interface de administração e uma interface de consulta pública. A interface de administração permitiu, desde logo, listar os sítios com potencial interesse, compilar a informação dos levantamentos de campo, organizar a pesquisa bibliográfica e, através das sinergias criadas com o ‘Google maps’, geo-referenciar toda a informação.

Área de acesso à Base de Dados (Investigadores). Formulário de Introdução de Novos Sítios.



Base de Dados acessível para Investigadores em: http://193.136.40.139/arqpais/admin/admin.asp; (Utilizador: POCTI; Pass: fct-pocti):

Acesso à BD para edição. Procura de Sítio.


Gerador do código para mapas geo-referenciados. Ficha de Edição do Sítio.


Ficha de edição do Sítio (Imagens). Página de consulta na Base de Dados.


O processo de obtenção de informação sobre a arte paisagista é normalmente muito moroso e torna-se particularmente difícil quando, devido ao limitado interesse que este tipo de património tem suscitado e à sua natureza efémera, a documentação histórica é reduzida, inexistente ou inacessível, os estudos sobre o lugar são escassos e este se encontra abandonado e com sinais de degradação ou evidencia uma significativa alteração do seu traçado. Deste modo, os levantamentos de campo revelam-se da maior importância para recolher informação que frequentemente só se consegue obter por este meio.
Assim, numa fase seguinte, deu-se início às visitas aos sítios listados inicialmente, com registo fotográfico e preenchimento da ficha de campo. Sempre que possível, consultaram-se arquivos privados, para revisão e consolidação dos dados recolhidos previamente. Este terá sido o maior desafio colocado ao projecto tendo em conta a significativa dimensão geográfica da área em estudo, a escassez de informação disponível sobre os sítios a visitar, a transformação que as rede viárias foram tendo nos últimos anos e a consequente dificuldade em identificar e circular em alguns percursos do território em análise. Contudo, foi naturalmente neste processo que se recolheram dados mais significativos para o entendimento dos sítios, dos seus traçados, da sua composição, do seu estado de integridade e de conservação, do seu valor artístico, cultural e social, dos traços da sua história e evolução. Neste processo, a proximidade com a população local frequentemente facilitou o contacto directo com os proprietários ou com os responsáveis de cada lugar e teve um papel fundamental na orientação no terreno e na indicação de lugares, providenciando mesmo informações complementares.

Fichas de Campo.


Também através do levantamento de campo se confirmou quanto, ao longo dos tempos, os lugares se vão transformando e quais as tentativas de os adequar às exigências de um novo tempo fazendo com que muitos dos seus elementos se modifiquem ou sejam eliminados. Constatou-se que muitos sítios listados na fase anterior haviam sido significativamente modificados, substituídos por novas edificações ou mesmo destruídos, que alguns sítios cujas designações sugeriam construções de interesse significativo correspondiam a construções recentes sem qualquer valor paisagístico, que alguns sítios listados não tinham, e aparentavam nunca ter tido, qualquer tipo de composição paisagística de relevo. Alguns dos sítios listados não foram encontrados (ou porque a localização geográfica estava errada ou era insuficiente, ou porque poderiam, eventualmente, ter sido demolidos ou substituídos). De facto, e lamentavelmente, muitos lugares encontram-se numa situação de fragilidade, ora ameaçados pelas construções e pelo crescimento de áreas urbanizadas, ora pelas mudanças que existem nos hábitos sociais e culturais.

Arquivo dos Roteiros de Saídas da Campo, das Fichas e documentação recolhida no campo.


Por outro lado, foram identificados, no decorrer das visitas, sítios que não haviam sido listados na etapa anterior, através do processo de revisão bibliográfica ou da informação providenciada pelos municípios ou arquivos, mas que surgiam de modo mais ou menos expressivo no território, fazendo-se notar pela sua posição e relação com a paisagem, pelos altos muros que os protegem, pela presença de exemplares de vegetação notável, isolada ou em grupos, alguma de porte admirável. Dentro deste contexto valerá a pena referir o caso de Quinta da Vilegiatura dos Bispos de Miranda ou Quinta do Vilarinho, em Miranda do Douro, não listada previamente e da qual praticamente não há informações disponíveis, mas que se impõe na paisagem, pela sua posição geográfica, pela sua dimensão, pela presença dos seus muros e construções, atraindo as atenções do viajante.



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