Relatório das atividades da biblioteca do Instituto de Educação Carlos Gomes, 1955 – 1061



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O MAPEAMENTO DE UMA BIBLIOTECA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES.


MARIA CRISTINA MENEZES.
FE/UNICAMP, CAMPINAS - SP - BRASIL.

menezes.mariacristina@gmail.com



Título geral da comunicação coordenada: Preservação e mapeamento do patrimônio histórico educativo: a biblioteca da Escola Normal de Campinas (1903 a 1976).

Participação como: Coordenador

Palavras-chave: biblioteca escolar, arquivo escolar, escola normal



O presente estudo se localiza na circunferência das ações desenvolvidas no âmbito dos projetos de Preservação do Patrimônio Educativo do CIVILIS, Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação, Cultura Escolar e Cidadania, da FE/UNICAMP, do qual a proponente é uma das coordenadoras. Outrossim, vimos realizando a interlocução sobre tal tema através da RIDPHE, Rede Iberoamericana para a Investigação e a Difusão do Patrimônio Histórico Educativo, que se vem desenvolvendo como lista de discussões, localizada no rol de listas da UNICAMP, e tem como moderadores Maria Cristina Menezes, Da Universidade Estadual de Campinas/Brasil, e Vicente Peña Saavedra, da Universidade de Santiago de Compostela/Espanha. O estudo apresentado teve o seu início no projeto "Preservação do Patrimônio Institucional : Escola Carlos Gomes de Campinas”, que pode ser lida como Escola Normal de Campinas. Tal projeto, que se desenvolveu com o apoio da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo,  possibilitou que se organizasse o acervo documental da antiga Escola Normal de Campinas, cuja documentação permitiu o percurso para as ponderações aqui enunciadas. A recuperação do arquivo histórico documental da antiga escola de Campinas, São Paulo, possibilitou que o inventário das fontes do arquivo histórico fosse publicado em 2009, com o apoio do FAEPEX/UNICAMP. A instituição, em suas várias denominações, adquiridas ao longo de sua existência, obteve em 1911 a denominação de Escola Normal Primária e o 2º Grupo Escolar de Campinas passou a Grupo Escolar Modelo. Em 1924, quando a escola passou a funcionar em prédio apropriado às suas funções, o 2º grupo escolar começou a funcionar em seu interior. Tal movimento não foi prerrogativa desta escola, fez parte de uma época e podemos hoje constatar em pesquisas que se vêm desenvolvendo em tantas outras instituições. O acervo histórico da instituição traz documentos escritos, iconográficos, museológicos, e um grande número de itens bibliográficos, que deram forma à biblioteca infantil “Pequenos Bandeirantes” e à biblioteca da escola Normal, cujo prédio, posteriormente, passou a hospedar outras modalidades de instituições o que acarretou o alargamento do acervo em número e títulos de obras. Para os tantos itens encontrados, procedeu-se um mapeamento ainda modesto, do que restou desta biblioteca, com o aporte das fontes documentais do arquivo histórico da instituição, cujo inventário, organizado no âmbito deste projeto, permitiu acesso aos Relatórios da Biblioteca de 1955, 1959, 1961, 1969, 1971, 1972 e 1976, escritos, em sua maioria, pela mesma bibliotecária. Os relatórios trazem informações importantes sobre o funcionamento da biblioteca, número de consulentes, número de consultas por área de conhecimento, o movimento das classes quanto a essas consultas, o aumento no número de obras e a proporção das mesmas quanto às áreas. Há ainda a possibilidade de se perceber as práticas de manutenção e catalogação das obras, com a aquisição de fichas matrizes, as quais já foram recuperadas, pelas ações do projeto de preservação.

O acervo histórico documental

Abordar um acervo documental, como foi o caso do arquivo da Escola Normal de Campinas, exigiu árduo trabalho de pesquisa que se articulou em duas vertentes: primeiramente foi necessário o levantamento do histórico da instituição, em seguida e, muitas vezes, concomitantemente, necessitou-se dos saberes relacionados à área da arquivologia. Tais caminhos se entrecruzaram em vários momentos e o resultado final do trabalho, que culminou na publicação do inventário documental do arquivo histórico, deixou patente que ali apenas se iniciava o árduo trabalho que estava por vir. O inventário exige que os instrumentos de busca estejam organizados e claros aos futuros consulentes do acervo. Outrossim, nos deparamos com informações advindas da descrição das fontes documentais, que nos permitiram abrir e perseguir outras importantes e necessárias veredas. Dentre as prioridades apresentadas mostrou-se de urgência o trabalho de reconhecimento, organização e recuperação dos itens do rico acervo bibliográfico. Tal trabalho se mostrou complexo, mas também possível, diante do emaranhado de dados que se pôde obter a partir da leitura dos documentos descritos no inventário. O inventário possibilitou que se percebesse o movimento em uma instituição que ao longo dos anos foi se expandindo e criando, em seu bojo próprio, outras instituições que a ela se agregaram e foram por ela acolhidas, além de outras por ela criadas.

O movimento de expansão da instituição ao mostrar essa proliferação de cursos, disciplinas, períodos de funcionamento, multiplicidade de profissionais habilitados, também se reflete no movimento e na organização de sua biblioteca e do acervo por ela acumulado, nos vários anos de funcionamento. A guarda do acervo, a organização e a manutenção estão fortemente articulados aos propósitos educacionais de um período e dos profissionais que então compunham o quadro funcional da instituição, tal como a figura do bibliotecário, nesta escola uma bibliotecária, que permaneciam por muitos anos na escola e tinham, portanto, um conhecimento aprofundado, podendo-se dizer, muito íntimo do seu setor, como no caso específico do acervo bibliográfico. Tal fato traz indicações de um quadro, que ao ser estudado, apresenta dificuldades no seu entendimento, até mesmo para profissionais habilitados na área específica da biblioteconomia. Mesmo nos documentos do arquivo histórico, em relatórios, livros de registro e de tombo, tal como no catálogo, ou catálogos, a marca da bibliotecária responsável pode ser encontrada nos registros. Trabalhou-se com as pistas por ela deixadas, e que muitas vezes só se conseguiu decifrar com o auxílio daqueles que viveram no período e de alguma forma puderam compartilhar desses saberes.

Os Relatórios da biblioteca, de 1955 a 1976, considerando as lacunas, e aos quais restringiu-se este estudo, pertencem ao período em que a escola funcionou como Instituto de Educação Estadual Carlos Gomes, denominação recebida em dezembro de 1951 e mantida até janeiro de 1976.

Este texto traz em seu bojo a pretensão, ainda que de forma localizada, em um recorte temporal, do movimento de uma biblioteca escolar, em período de forte movimentação e prestígio, podendo-se perceber como gradativamente nos relatórios, a maioria com a assinatura da mesma bibliotecária, o movimento de declínio deste importante setor escolar, não deixa de refletir o movimento de declínio de instituições educacionais do gênero do Instituto. Acompanha-se, no recorte temporal selecionado, o movimento de um setor que funciona com a mão administrativa de uma funcionária que chefia o setor, podendo a ele dar uma conformação que traz uma concepção de administração em sua objetivação, sem que se deixe de projetar o aspecto subjetivo. No entanto, tal movimento não deixa de estar articulado a uma visão de administração em vigor no Instituto desde os anos 40, quando teve em sua direção adeptos da implementação de um processo de taylorização na administração, o que pressupunha um diretor forte, com uma divisão por setores, que eram compostos por funcionários qualificados e comandados pelos mesmos. No caso da biblioteca do Instituto de Educação “Carlos Gomes”, a bibliotecária, com o aporte de auxiliares tinha pleno conhecimento e controle sobre o seu setor. O período de 1949 a 1966, em que a escola foi dirigida pelo Prof. Wellman Galvão de França Rangel, em substituição ao Prof. Carlos Corrêa Mascaro, foi marcado pela força dos Regimentos Internos, tidos como fortes dispositivos normatizadores do cotidiano escolar.

No Regimento se explicita o que compete a cada setor e aos seus funcionários, o que veremos será utilizado pela bibliotecária, sobretudo nos últimos relatórios levantados, na tentativa de recuperar um espaço que começa a perder a sua força e portanto a direção firme da profissional responsável, que tem pleno domínio da área de atuação. No caso desta instituição, a escola teve a mesma bibliotecária por 40 anos, ela era formada em biblioteconomia e acumulou o cargo com o de professora do Curso de biblioteconomia da PUC, em Campinas.
Os relatórios da Biblioteca

Os Relatórios das Atividades da Biblioteca do Instituto de Educação Estadual “Carlos Gomes”, de 1955 a 1976, não se apresentam contínuos. Reiteramos o fato de não ter sido possível recuperar todos os relatórios do período, portanto, trabalha-se com lacunas, o que muitas vezes permite apenas um movimento indiciário a partir das pistas colhidas, que enunciam as ausências.

- Relatório de 1955

Segundo a bibliotecária, em seu Relatório do ano de 1955, a seção circulante da biblioteca do Instituto funcionou 135 dias e a seção permanente 207 dias letivos. Isso se deveu ao fato de nos meses de junho, novembro e dezembro não haver saída de livros, por conta dos exames no Instituto. O maior número de consulentes era formado pelos alunos do Ginásio, foram matriculados 132 consulentes desse nível de ensino, seguidos pelos alunos do profissional, 61, alunos de administração, 29, alunos de fora, 25, aperfeiçoamento, 21, especialização pré-primária, 17, especialização de desenho 8 e especialização de trabalho, 5.

Todas essas modalidades de ensino coexistiam no interior da instituição, que além dos alunos do Curso Normal Profissionalizante, que nos relatórios aparecem como Curso Profissional, ainda podemos arrolar, no mesmo período o Ginásio, o Curso preparatório de Admissão, o Curso Primário, Classe Infantil, Cursos de Pós-Graduação e Aperfeiçoamento, e de Classes Especiais, podendo também ocorrer outros cursos circunstanciais.

No contínuo do relato, informa que estiveram na biblioteca 6.239 consulentes, e m uma média de 46 consulentes ao dia, foram realizadas 7.248 consultas, em média 53 consultas diárias. A classe de livros mais consultada foi literatura, 5.808 consultas, seguida de ciências aplicadas com 582 consultas, 204 em ciências sociais, 143 em belas artes, 121 obras gerais, 11 filosofia, 95 filologia, 91 ciências puras, 73 história e geografia e 10 religião. Dessas obras 6.974 foram em português, 140 espanhol, 64 inglês, 43 francês e 27 latim. A biblioteca recebeu 256 livros no período, e ficou com 4.582 obras, em um total de 5663 volumes. O aumento maior foi na classe 800, com 208 livros, as classes seguintes foram a 300 e a 900, com 15 e 13 livros respectivamente. Após, a 600, com 9 livros, a 400, com 4 livros, as classes 100, 500 e 700, com 2 livros cada uma e a 000, com 1 livro.

Nesta parte, o relatório traz, primeiramente, as áreas de conhecimento por seus nomes, depois ao se indicar o acréscimo de livro nas respectivas áreas, para não repeti-las mostra as mesmas na classificação que recebem nas fichas da biblioteca, quando cada área é reconhecida como uma classe numérica.

Todas as obras da biblioteca se encontram catalogadas em fichas matrizes, uma vez que todos os livros em atraso foram tombados, classificados, etiquetados e colocados em circulação. Ao todo foram feitas 1.437 fichas matrizes no período; 119 fichas de casas publicadoras com desdobramento. Segundo a relatora: “As classes 100 e 300 estavam sendo desdobradas, mas por falta de fichários houve interrupção dos serviços que só continuarão quando os mesmos forem adquiridos. O desdobramento é o das fichas que irão formar o catálogo do público”.

Neste ponto, cabem explicações sobre a organização do acervo bibliográfico, rigidamente ordenado e reordenado pela mesma bibliotecária, que o tratava como relíquia. A ficha matriz, neste caso, é uma ficha para controle da bibliotecária, nela as informações são bem completas sobre cada obra, no trabalho de organização do acervo da instituição. Essas fichas, durante os trabalhos de organização do arquivo histórico da instituição, foram consideradas como documento histórico. As fichas matrizes eram desdobradas para, a partir das informações que continham, poder se organizar as fichas que iriam ser consultadas pelos consulentes. Além das fichas para os usuários podemos considerar um outro desdobramento, o das fichas de casas publicadoras, que traziam as informações sobre as editoras, o que agilizava e facilitava no contato da biblioteca com as mesmas.

Sobre os reparos dos itens da seção circulante, o relatório informa que os mesmos foram realizados com fita adesiva na lombada, uma boa parte foi retirada de circulação, podendo retornar apenas quando fossem encadernados.

Essas práticas chamaram a atenção dos pesquisadores, ao abordarem o acervo, o fato de vários livros conterem fita crepe, que com o tempo endurecem, se soltam, mas a marca amarelada permanece no livro, não se tinha a idéia de que fosse uma prática consciente e recomendada pela bibliotecária responsável. Mesmo as percebendo como paliativos, até que as obras fossem encadernadas, não são práticas aceitas nos dias de hoje entre os profissionais das Ciências da Informação, sobretudo da arquivística, o que também se percebe em relação aos livros das bibliotecas públicas, coordenadas por profissionais habilitados. No entanto, nas escolas públicas, que já não possuem o bibliotecário, mas um funcionário deslocado para tal serviço ou como ocorre em grande parte das escolas, um professor readaptado que realiza serviços na organização da biblioteca escolar, tais práticas não são questionadas.

Ainda no período, do relatório de 1955, foi criada a seção de mapoteca, com 14 mapas, 3 globos, que “permanecem à espera da aquisição do respectivo mobiliário”(Rel/Biblio/ 1955), a seção dos discos foi reorganizada, com a seleção dos mesmos e colocação em álbuns (6), que foram etiquetados e os seus discos relacionados em fichas. As fichas ficavam à disposição do público escolar, para que este pudesse escolher o disco a ser tocado nos intervalos das aulas. A seção de jogos foi acrescida do jogo “palavras cruzadas”, que a bibliotecária informa ser ótimo para o desenvolvimento do vocabulário das alunas.

No balanço geral da biblioteca, realizado no período, constatou-se que nenhum livro foi extraviado, salvo aqueles “que se encontram com a Direção do Instituto”. (ibidem)

Ao final são listadas as necessidades da biblioteca para o ano seguinte:

- livro de tombo, - fichas em branco, etiquetas – (1000 de cada cor) – modelo anexo, fichário de duas gavetas para seção circulante, fichário de duas gavetas para seção permanente (desdobramento de fichas), um grampeador, um furador, estantes, cadeiras e verba para encadernação.

Ao final a data, Campinas, dezembro de 1955, assinado pela bibliotecária Mercedes de Jesus Thomé Forti.

- Relatório de 1959

O Relatório seguinte encontrado e conservado no acervo documental da instituição foi o de 1959. Ele traz as seguintes informações: Funcionamento de 160 dias da seção circulante e 205 dias da seção permanente.

Como já anunciado no relatório de 1955, reitera-se no período o fato de embora aberta, a biblioteca nos meses de junho, novembro, dezembro, não dá saída aos seus livros, devido ao período de exames.

Segundo a relatora, foram matriculados 259 consulentes neste período, assim distribuídos: Ginásio, 113, Profissional, 96, Aperfeiçoamento, 16, Especialização pré-primário, 03, Administração, 12, Especialização Débeis Mentais, 2, Leitores de fora, 27.

Ao todo foram 7.343 consulentes e efetivadas 8.498 consultas.

O movimento das classes, assim se apresentou: Literatura, 4.033, Filosofia, 491, Obras gerais, 462, Belas Artes, 446, Ciências Aplicadas, 390, Religião, 34, Filologia, 197, Ciências Puras, 360, História e Geografia, 149. Na ordenação por língua, foram consultados 8174 títulos em Português, em Francês, 53, em Espanhol, 183, em Inglês, 69, em Latim, 11, em Italiano, 08.

A biblioteca obteve aumento de 173 livros no período, passando a contar com 5.475 obras, num montante de 6.473 volumes. Todos os volumes foram classificados, tombados, catalogados, etiquetados e postos em circulação.

Nas solicitações verificou-se que faltam fichários para o desdobramento das matrizes das classes 100 e 300 e informou-se que os livros foram reparados com fita adesiva na lombada, alguns retirados de circulação para encadernação.

Houve ainda balanço geral que constatou não ter ocorrido nenhum extravio, salvo os livros que permaneciam com a Direção.

Na projeção para o ano seguinte, são colocadas as necessidades previstas para 1960, tais como: fichário de 2 gavetas para a seção circulante; fichário de 12 gavetas para a seção permanente; estantes de aço para seção de referência, reclama que esses fichários permanecem em cima de mesas como é do conhecimento da direção.

São listados também material de consumo, como um grampeador e um furador; cadernos, além de verba para encadernação.

Este relatório foi assinado por Maria Aparecida B. Pereira de Souza, auxiliar de biblioteca na ausência da bibliotecária responsável. Dos relatórios arquivados, este foi o único assinado por outra pessoa.


- Relatório de 1961

O relatório de 1961, assinado pela bibliotecária responsável Mercedes Forti está bem mais completo que o de 1959. Como se a mesma imprimisse em tais escritos a sua marca. Os dados foram assim distribuídos e registrados no relatório, que traz o funcionamento da biblioteca no ano de 1961, com 190 dias da seção circulante e 260 dias da seção permanente. Ao todo pôde contabilizar 6581 consulentes, com 8205 consultas efetivadas. Ressalta-se ainda o funcionamento ininterrupto de 7:15h às 17:00h, abrindo à noite para o curso noturno, funcionamento necessário, segundo a bibliotecária, para o atendimento aos inúmeros cursos ao abrigo do Instituto, e que só foi possível devido ao número de funcionários.

Segundo os dados arrolados no Relatório, foram matriculados 324 consulente, assim distribuídos: Ginásio - 91,, profissional diurno – 107, profissional noturno – 30, aperfeiçoamento – 11, especialização pré-primária – 12, administração – 12, especialização de débeis – 09, funcionários e professores – 29, leitores de fora – 01, 2ºs cartões – 19, 3ºs cartões – 03. O movimento das classes apontou para o seguinte: Literatura – 5684, Ciências Sociais – 1072, Filosofia – 327, Obras Gerais – 259, ciências Aplicadas – 198, História e Geografia – 192, Belas Artes – 188, Ciências Puras – 169, Filologia – 98, Religião – 18. Quanto à língua, assim se pode considerar quanto as obras lidas em: Português – 8.125, Inglês – 40, Francês – 35, Espanhol – 05.

Os dados apontam que na seção permanente foram verificadas 8.465 consultas, com maior número em Ciências Sociais, 3.109 consultas. A leitura de tais dados chamou a atenção dos pesquisadores para o número de consultas às Revistas de Ensino, foram 1.655 consultas.

No período o acervo adquiriu 286 obras em 308 volumes, somando um total de 6.269 volumes. Todas as obras adquiridas foram classificadas, catalogadas, etiquetadas e postas em circulação.
Os livros foram “consertados”, nas palavras da relatora com fita adesiva na lombada, em um total de 1.152 livros, 5 livros foram retirados de circulação para encadernação foi contabilizada a desinfecção de 6.259 volumes.

Quanto aos informes sobre a conservação, o que surpreendeu aos pesquisadores, além do “conserto”, termo utilizado pela bibliotecária, recomendado com fita adesiva, em mais de uma vez apareceu também a prática de desinfecção, não conseguimos saber o processo utilizado, apesar de em um dos relatórios finais ter se informado a contratação de firma especializada, indicando ter sido nas salas, ou as salas terem sido desinfectadas. Diferentemente do que realizamos hoje nos projetos de preservação, quando a desinfestação, como chamamos essa prática, se realiza somente sobre os itens documentais e bibliográficos que são colocados em sacos especiais, dos quais se retira o oxigênio e se insere o nitrogênio, processo que pode ser realizado sem a retirada das pessoas dos locais, uma vez que se apresenta inócuo à saúde.

Mercedes Forti afirma que não houve nenhum extravio de livros, a não ser aqueles que se encontravam com a direção do Instituto, neste relatório ela arrola os títulos sob a guarda da Direção:
- Bittencourt, Pedro Calmon. História da Civilização Brasileira, retirado em abril de 1961;

- Tapajós, Vicente. História do Brasil, retirado em maio de 1961;

- Anuário de Ensino do Estado de São Paulo, 1908-09; 09-10 (2vs), retirados em julho de 1958;

- Almeida Junior, A. Escola Pitoresca, retirado em outubro 1956.

Neste relatório há também informes sobre permuta de obras com alguns professores. A bibliotecária informa que funcionou a Seção de Permutas. Com a autorização da Direção do Instituto, houve as seguintes permutas:

- com o prof. Norberto Souza Pinto:

A obra de Claude Kohler: Deficiências intelectuais da criança, pela obra de Erich Fromm: análise do Homem;

- com a prof.a Judith Stuck:

a obra de Roberto Moreira: Teoria e prática na escola elementar, pela obra de Juracy Silveira: Leitura na escola primária.

O Relatório traz as atividades desenvolvidas pela biblioteca, tais como a Semana da Biblioteca, de 16 a 22 de abril, durante a qual se realizou exposição sobre a origem e desenvolvimento do livro. Informa também que o espaço da biblioteca foi tomado pela apresentação de cartazes, livros raros e esgotados, seção de livros em braile, lâminas de paleografia e discoteca. Quanto a esse ponto pode-se constatar a partir do projeto de preservação do acervo, que a escola acumulou um acervo razoável de discos, obras clássicas, canções populares e hinos.

A continuação da leitura deste Relatório evidencia que pela ampla divulgação nos jornais da cidade e de fora a exposição teve que ser prorrogada por mais uma semana. A exposição foi visitada por várias escolas e segundo o relatório, todos saíam impressionados pela exposição, considerada muito educativa, como também pela boa organização da biblioteca. Em alguns momentos, como este, em especial, não podemos deixar de visualizar o espaço da biblioteca como uma “vitrine”, ou “vitrine de guardados” (Mignot, 2005), em sua organização; “gabinete de curiosidades”, em sua fértil diversidade; um laboratório de “classificação e ordenação das obras”, quanto ao laborioso trabalho de organização das várias fichas, destinadas aos seus respectivos fins.

As atividades, neste momento, foram apresentadas em todo o seu vigor, provocando forte movimentação na sociedade interna e externa à instituição, com grande cobertura da imprensa. Para além, a campanha do leitor, que teve todos os seus pontos realizados, uma vez que a influência do leitor foi além do esperado, como consta no relatório.

Ainda no plano das atividades, o relatório informa que foi solucionado um dos grandes problemas da biblioteca, a falta de estantes, descrevendo, que naquele momento a mesma passava a contar com 15 estantes de aço e 35 cadeiras, o que possibilitava acomodar uma classe de alunos na falta eventual do professor, o que segundo a bibliotecária acontecia com freqüência.

Com as novas aquisições, a biblioteca foi dividida em 2 salas distintas: uma geral e outra de ficção, infantil e revistas.

Visando a melhoria no funcionamento da biblioteca, os serviços foram distribuídos entre os funcionários: à bibliotecária responsável ficou a parte técnica e a “supervisão de todo o serviço”, a seção circulante e o serviço de escritório ficou sob a responsabilidade das auxiliares D. Nydia e D. Maria Aparecida, e a seção de consertos, o que chamamos de pequenos reparos, e de desinfecção, ao qual hoje chamamos de desinfestação, a cargo de D. Herondina.

Em um penúltimo item do relatório, denominado: Biblioteca Infantil do Curso Primário anuncia-se que “finalmente, graças ao nosso empenho junto à direção do curso Primário, a biblioteca pré-primária e infantil “Pequenos Bandeirantes”...”reabriu-se atendendo aos alunos do 3º e 4º ano primário; na parte da manhã atende ao jardim de infância; às 5ªs feiras atende aos alunos que não assistem às aulas de religião”.

Ao final, no plano de trabalho para o ano seguinte, a relatora divide-o em biblioteca Geral e Biblioteca Infantil; no plano geral há o propósito em se continuar a confecção do catálogo dicionário, reabrir a discoteca e jogos educativos, lembrando ainda a campanha do leitor e da boa leitura. No plano infantil, há menção à inauguração dos serviços circulantes aos alunos do curso primário com verificação da leitura por intermédio das fichas de leitura, além de um último item de estender a leitura aos alunos do 2ºano com uma melhor distribuição do horário para descida das classes. O relatório foi assinado por Mercedes de Jesus Thomé Forti e traz a data de 21/12 de 1961.

Relatório da biblioteca de 1969

Neste relatório a bibliotecária informa que a biblioteca passou por uma reforma que deverá prosseguir em 1970. Anuncia que as reformas foram na parte permanente e técnica.

Da parte permanente lista entre as principais ações: a compra de estantes de aço em substituição às de madeira, já bem comprometidas e infestadas, ela não chega a afirmar as pragas, mas deviam ser cupins; a ação seguinte foi a contratação de empresa para a desinfecção de estantes e livros, que afirma estarem em estado lastimável. A bibliotecária afirma que estas providências já vinham sendo reivindicadas há anos. Informa ainda ter havido colocação de grade de ferro em uma sala, ficando a colocação em outra sala para 1970.

Da parte técnica a bibliotecária relata as várias ações arroladas, tais como: troca de etiquetas de seções adulto e infantil; reorganização da seção adulto e criação da seção infanto-juvenil; conserto de livros da seção circulante de ficção e catálogo para a mesma; separação e organização da seção de revistas e periódicos; indexação da artigos da Revista de Ensino; tombamento dos livros da Colted e recebidos de outras entidades; livros comprados.

- Foram catalogados, classificados e etiquetados os livros citados, para consulta e circulação.

A biblioteca funcionou em 3 períodos, 258 dias e recebeu 11.015 alunos. Houve aumento de 676 obras, totalizando 9.452 obras classificadas:

- 634 – ficção

- 7.042 – geral

- 248 – juvenil

- 1168 - infantil

Dentre as atividades desenvolvidas pela biblioteca, semana nacional da biblioteca de 12 a 19 de março, exposição de livros novos e cartazes sobre a data. Houve atividades com os alunos do colegial para orientação sobre o funcionamento da biblioteca e reunião com os professores, sobretudo, para solicitar aos mesmos maior colaboração.

As principais necessidades arroladas para 1970: substituição da iluminação por luz fria, grade de ferro na sala de leitura, cortinas nas duas salas, máquina de escrever, 24 gavetas de fichário de aço, com varetas para desdobramento do catálogo, 16 estantes de aço, 1 ventilador, 1 estante para revistas, gaveteiro para mapas.

Houve também solicitação de providências para o problema da água da chuva, com inundação da biblioteca, o que ocorreu no ano corrente, como também para o problema de umidade no depósito junto ao porão, solicita ainda a pintura das portas, uma vez que já se ganhou a tinta, como também colocação de molas nas portas. Há ainda solicitação de material de consumo, papel para correspondência e papel carbono, entre outros, há o pedido de conserto do relógio, e do amplificador de som e auto-falante, além de novamente se mencionar a verba para livros e assinatura de revistas.

Ao final a relatora diz que a biblioteca espera que a direção, ao tomar conhecimento dessas necessidades, providencie para que em 1970 a biblioteca funcione plenamente. A data é de 30/12/1969 e vem assinado por bibliotecária responsável, trazendo o CRB e o número da bibliotecária.
- Relatório de 1971

O relatório de 1971 traz os seguintes informes: 195 dias de funcionamento, 12.614 consulentes com 14.772 consultas, com 318 inscritos na circulante. Computou-se um aumento de 126 obras/126 volumes, com 10.090 obras classificadas e assim distribuídas:

7.953 geral

688 – ficção

265 – juvenil

1.184 – infantil

As atividades comemoraram a Semana Nacional da Biblioteca, com exposição de livros e cartazes sobre a data; o dia do livro infantil, em 1º de abril; semana do livro de 23 a 29 de outubro, com mural nos corredores e exposição na sala de leitura.

Houve palestras para alunos e professores sobre o regulamento e a seção circulante da biblioteca, segundo a relatora, convocando a todos por uma maior assiduidade à biblioteca.

Há informe de que se recebeu doação em livros e revistas de várias entidades, como também houve várias doações para o acervo especializado sobre Campinas, após campanha junto a escritores e entidades campineiros, ressalta-se neste momento do relatório a “colaboração eficiente” da Prof.a Maria de Lourdes Freire, a quem se informa já haver a biblioteca agradecido. Informa-se ainda sobre tomada de preços de livros de lingüística e filosofia para a instalação de bibliotecas de classe, que ficarão sob a responsabilidade dos professores e a parte técnica a cargo da bibliotecária. Outrossim, de ter sido solicitado aos professores a bibliografia e realizado levantamento de preços, mas a compra não foi realizada pela biblioteca e sim pelos professores.

A partir desse relatório e sobretudo, do episódio da compra dos livros pelos professores, há uma nítida mudança na escrita da relatora da biblioteca, o que deixa transparecer certo desconforto, mas que também remete a irritação e até mesmo mágoa.

A bibliotecária enumera alguns itens, tais como:

- toda compra em qualquer biblioteca é efetuada pelo bibliotecário, pois é este profissional o responsável;

- perdemos o desconto de 10 a 15%;

- professores comprando material bibliográfico (sem o conhecimento do acervo e do bibliotecário) que é de competência do bibliotecário, ocasionando uma descentralização e uma intromissão na área administrativa da biblioteca. Ainda, segundo a mesma, é de boa norma administrativa, quando ocorre a necessidade de compra, o bibliotecário solicitar aos professores a indicação bibliográfica para que ele possa selecionar e comprar. Enfatiza ainda: “Esperamos que para futuras compras a biblioteca seja antes ouvida”.

Há ainda queixas quanto à limpeza das estantes e livros com aspirador, a qual os serventes se recusam por não admitirem serem orientados, ao que acrescenta que os livros e as estantes encontram-se em péssimas condições, o que ocasiona problemas à conservação do acervo.

Não se pode afirmar se neste relato final há a intenção em constranger, mas há o informe de envio de relatório à APM, expondo a situação, relata ainda a visita do Delegado de Ensino Secundário e Normal de Campinas à biblioteca, para conferir a situação da mesma, segundo ela “para tomar conhecimento do estado lastimável”. Diz que o Delegado foi acompanhado pelo Diretor do Instituto e coloca entre parênteses (2ª vez que nos visita), ao que completa com o informe de que a 1ª visita deu-se quando ali estiveram os engenheiros da FECE, que opinaram pela construção de uma nova biblioteca, uma vez que para os problemas da atual não havia solução. Sobre a visita do delegado de Ensino, ela mesma esclarece que ele atendeu ao relatório por ela enviado, contendo fotos ilustrativas, após a visita foram prometidas medidas em caráter de urgência, como também remessa do material solicitado.

Enumera 16 itens quanto às necessidades da biblioteca para o ano seguinte, repetindo as listas anteriores, a não ser por 2 renovadores de ar, 1 suporte para jornais e 1 espanador de pó.

Ao final, diz que se espera da direção do Instituto as providências solicitadas para que a biblioteca possa funcionar plenamente, atingindo as metas: educar, instruir, distrair. 12/12/1971, a bibliotecária carimba e assina.


- Relatório de 1972

O relatório de 1972 traz as informações iniciais de praxe, tal como no demais. No entanto, computa 24.980 consulentes, por 194 dias, o que não deixa de chamar a atenção, tal como o número de 30.822 consultas, com média de 124 consulentes/dia, para 158 consultas, inscreveram-se 478 leitores na circulante.

Houve no período aumento de 228 obras e 232 volumes no acervo, que passou a 10.334 volumes classificados e catalogados.

As atividades foram as anuais, tais como, semana nacional da biblioteca, dia do livro infantil, semana do livro, com palestras às classes, com os esclarecimentos sobre o funcionamento da biblioteca e segundo as palavras da relatora ”insistindo para que todos a freqüentem com maior assiduidade”.

Outro informe que desperta a curiosidade refere-se ao fato de terem sido expedidos 95 cartas, 27 cartões respostas e recebidos 52. Além de ter recebido doação de livros, revistas de várias instituições, além de diapositivos da OMS.

Há informes de que todo o material áudio-visual que se encontrava na sala da Direção foi enviado à biblioteca, o qual foi relacionado e enviado cópia à direção, que passou a contar para mais uma seção, sendo solicitado à direção providências quanto ao material necessário à organização do setor, pois, segundo a relatora “uma seção sem organização não poderá funcionar plenamente, podendo gerar descontentamentos, pois onde houver ordem, há harmonia, onde todos querem mandar, há o desmando, a desorganização”. Em seguida, ela passa a citar a legislação vigente: “são atribuições do bibliotecário a organização, a direção e execução dos serviços técnicos...art.8º capítulo II da lei 4084 regulamentada pelo decreto n.56.725 de 16/08/1965”.

Segundo ela, a APM investiu 909,90 na compra de livros e 219,00 na compra de alguns números na Coleção de Leis e decretos, além de mandar confeccionar duas caixas da madeira para a seção circulante.

A relatora informa ter enviado em março de 1972 Circular n.1 da biblioteca aos professores, na qual solicita na qual solicitava a bibliografia específica das suas cadeiras, segundo ela, poucos atenderam à solicitação, para a qual não poderiam alegar desconhecimento, uma vez que a mesma foi grampeada ao hollerithes do mês.

Nos informes diz que a seção de periódicos foi organizada e o Kardec já se encontrava funcionando. Informa também que a biblioteca assinou as seguintes revistas: Revista de Ensino, A Escola, Administração e Planejamento, Cultura, Educação, Informática, Revista Pedagógica Brasileira.

Em seguida a bibliotecária passa a listar a necessidades da biblioteca para 1973, repete as listas anteriores, com o acréscimo de ventiladores de teto, extintor de incêndio, sobre o qual informa já existir legislação sobre a necessidade do mesmo e a escola não possuir nenhum.

Em frase final afirma: “A biblioteca espera que a Direção tomando conhecimento dessas necessidades providencie para que tenhamos em 1973 a Biblioteca funcionando plenamente, atingindo suas metas: educar, instruir e distrair”. Data,10/01/1973, carimbo e assinatura da bibliotecária.
- Relatório de 1976

O ano de 1976 foi o último de funcionamento da Instituição na modalidade de Instituto, em janeiro de 1976 a Escola passa a ser denominada Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus “Carlos Gomes”. No relatório, datado de 27 de janeiro de 1977, a Bibliotecária já o apresenta com a nova denominação da Instituição.

Neste relatório os números são bem mais modestos que o anterior:

- 231 dias de funcionamento, com 8.106 consulentes, foram realizadas 9.075 consultas, com uma média de 35 consulentes para 39 consultas. Não houve inscritos na seção circulante, que funcionou para professores. A seção audiovisual funcionou para professores, alunos da escola e de fora. Em seguida, se expõe um quadro demonstrativo do movimento de consulentes, no qual lista as 5ªs, 6ªs, 7ªs e 8ªs séries do primeiro grau, essas séries, com exceção da 7ª, que só possui turmas de A a D, todas as demais possuem turmas de A a F. Impressiona o movimento nas turmas de A a D, com movimento em torno de 300 e 200 alunos, em relação ao movimento nas turmas E e F, que não chegam a 100 alunos.

No 2º Grau, que funcionava do 1º ao 4ºano, as turmas se organizavam em: A, B, C, D, H, I. Sendo que o 2º ano, possuía apenas turmas de A a D, e os 3º e 4º anos, turmas de A a C. Neste Grau também se percebe uma forte movimentação de consulentes entre as turmas A a C, dos 1ºs e 2ºs anos e nas turmas a e B, dos 3ºs e 4ºs anos, em uma média de 200 alunos; nas demais turmas há uma acentuada queda de consulentes da biblioteca, em alguns casos não atingindo uma dezena de alunos. A pré-escola apresentou 516 consulentes, professores 377, pessoal administrativo 36 e Leitores de fora 446. O maior número de consulentes se deu na modalidade pesquisas, com 5.164 consultas, seguiu-se a consulta de periódicos, computando um total de 1.207.

O acervo no período aumentou em 174 obras, em 197 volumes, ficando a biblioteca com 9.849 obras em 11.052 volumes. No período ainda foram expedidas 34 cartas e 87 cartões-resposta e recebidas 31 cartas e 87 cartões. Houve doação de livros de editoras e consulentes, revistas de diversas instituições, além de diapositivo da OMS, cartazes e slides.

Há o lamento da relatora por não terem sido renovadas as assinaturas dos títulos dos periódicos de Educação, nem comprados os volumes Coleção “Leis e decretos, o que ela afirma ter a instituição condições de fazê-lo. Em suas palavras: “Esta biblioteca empenhou-se muito, lutou para que não ficasse desfalcada uma coleção datada de 1891, e que agora infelizmente já não possui todos os números”.

São listadas a atividades realizadas no ano, apenas listadas em itens, sem trazer atividades desenvolvidas. Já não se percebe a empolgação de anos anteriores. No entanto, pode-se percebe maior atividade da biblioteca com professores, tais como, aula de “Orientação Bibliográfica” em colaboração com a cadeira de português, nas 7as, 8as séries e 2º grau; consta ainda a visita da prof.a Benedita Pereira com os professores-alunos da Pré-Escola para conhecerem a estrutura e funcionamento de uma biblioteca escolar, acrescenta ainda terem sido levados pela mesma professora seus alunos da classe pré-primária para conhecerem a biblioteca.

Há uma reclamação-denúncia de retirada da publicação do Boletim Informativo da fundação nacional do Livro Infantil e Juvenil, n.28 out/dez 74 por uma professora da cadeira de Português, da qual ela cita o nome no relatório, em 05 de maio de 1975 e sem devolução até aquela data, apesar dos inúmeros pedidos de devolução feitos pela biblioteca e Direção da escola, segundo os informes do Rrelatório.

Diferentemente dos relatórios anteriores, que se pôde consultar, há neste um item Conclusões, quando a bibliotecária diz que pela análise das estatísticas concluiu-se que: 1- o movimento da consulta de livros, periódicos e aparelhos audiovisuais, diminuíram em relação ao ano anterior. Informa que em conseqüência, principalmente, do fechamento da seção circulante, ocasionado pela dispensa das funcionárias. No entanto, a relatora afirma que o movimento da biblioteca cresceu e diz que a estatística inclui 4 meses de pouca freqüência, janeiro, fevereiro, julho e dezembro, concluindo-se que o movimento do ano foi bom.

Em um 2º item informa que não foi possível suprir a demanda dos serviços e arquivo de recortes, sendo que os fatores principais foram a falta de um quadro estável de funcionários e materiais.

Ao listar as necessidades da biblioteca para 1977, seguem os itens já mencionados anteriormente, tais como: colocação de grades de ferro na sala de leitura; fichários de aço; ventiladores; estantes; material de correspondência; renovação de assinaturas de periódicos de educação e legislação e material de consumo e limpeza, uma lista mais simples e concisa. Ao final, reforça, como nos anos anteriores, esperar que a direção da escola, tomando conhecimento das necessidades expostas, tome as providências cabíveis para que a biblioteca possa funcionar plenamente, atingindo suas metas: educar, instruir e distrair.

O Relatório tem data de 27 de janeiro de 1977 e vem assinado pela bibliotecária responsável.

- Considerações finais

Os relatórios da biblioteca do Instituto de Educação Estadual Carlos Gomes, trazem um movimento fértil e organizado com critérios técnicos adequados. Se antes os livros e demais materiais que compunham a biblioteca já se enquadravam nos registros administrativos, através de livros de registro da biblioteca, livros de tombo, Inventário de livros, discos, materiais, livro de registro de visitantes e os relatórios da biblioteca. Os livros de registro começaram antes dos relatórios a registrar o movimento de constituição do acervo e o movimento da biblioteca, quanto à constituição específica do acervo, como também de leitores e visitantes, mas também continuaram e existir em concomitância a esses novos documentos.

Além do movimento da biblioteca e da sua organização, como registros arquivísticos, trazerem pistas importantes para outros estudos, tais como, práticas cotidianas de enfrentamento de problemas como a falta de professores, as aulas de religião, quando alunos ficavam sem atividades e a biblioteca era o espaço para suprir essas falhas. Por outro lado, verificamos um espaço ordenado, que se constitui com o aporte de um trabalho profissional criterioso, que também mostra o declínio das instituições de formação de professores, quando a constituição de bibliotecas especializadas, com a possibilidade de comprar livros, assinar periódicos, e suprir as repartições existentes, com um quadro de funcionários capaz de levar os serviços da mesma aos vários turnos de funcionamento da instituição, também começa a declinar e perder pessoal, material e verba para a manutenção. Para além dessas preocupações está ainda a constituição dos Institutos que gozaram de grande prestígio e tinham uma verba considerável para a sua manutenção, além de certa autonomia para tal. Em 1976, quando do último relatório, abordado neste trabalho, foi também o último ano dos institutos. A escola em questão no início deste mesmo ano passa a Escola Estadual de 1º e 2º Graus “Carlos Gomes”.

Trata-se este trabalho de ensaio preliminar ao estudo de uma biblioteca, que funcionou por décadas, com a constituição de um generoso e rico acervo, mostrou um movimento de consulentes, leitores, visitantes, além de atividades de grande riqueza, com recursos humanos suficientes para cobrir todos os turnos e cursos mantidos pela instituição. Cabe-nos acompanhar a constituição desse acervo, que no período de 21 anos, aqui apresentados, nos Relatórios da bibliotecária responsável, teve um aumento substancial e não computou perdas, nem extravios, como anunciou tão bem a responsável. Não foi sem dificuldades que procedemos a leitura dos relatórios, sobretudo, quando se trata da mesma biblioteca da qual se tenta salvar os itens sobreviventes, após a permanência por vários anos sobre o cimento dos porões, e sob a ação da umidade e pragas das mais variadas. Como outros documentos do arquivo histórico escolar, pode-se, com a leitura destes relatórios, refutar afirmações de que os documentos do arquivo escolar trazem apenas documentos oficiais, sem registros de atividades capazes de enunciar atividades, práticas, embates entre os sujeitos, daquela instituição particular. São pistas, vestígios, enunciados, provocações.
Referências Bibliográficas:
MENEZES, M.C. (coord) ET al. Inventário Histórico Documental (1903-1976). De Escola Complementar a Instituto de Educação. Campinas/SP: FE/UNICAMP, 2009.

Documentos:

- Relatório das Atividades da Biblioteca do Instituto de Educação Estadual “Carlos Gomes” do ano de 1955, mimeo -1955 (documento avulso, não descrito);

- Relatório das Atividades da Biblioteca do Instituto de Educação Estadual “Carlos Gomes” do ano de 1959, mimeo – 1959 (documento avulso, não descrito);

- Relatório das Atividades da Biblioteca do Instituto de Educação Estadual “Carlos Gomes” do ano de 1961, mimeio – 1961 (documento avulso, não descrito);

- Relatórios das Atividades da Biblioteca do Instituto de Educação Estadual “Carlos Gomes” do ano de 1969 (172);1971 (173); 1972 (174); 1976 (175). Série Documental/Cota: IEECG/AD/SD/RB 172-175 – Descrito, p. 213-214 Inventário EE Carlos Gomes/Capinas/SP.








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