Relatório final do projeto igualdade no trânsito



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RELATÓRIO FINAL DO PROJETO IGUALDADE NO TRÂNSITO



Abril de 2008



ÍNDICE


RELATÓRIO FINAL DO PROJETO IGUALDADE NO TRÂNSITO 1

ÍNDICE 3


1 - INTRODUÇÃO: PONTOS DE PARTIDA E DE CHEGADA. 7

2 - TEMA 9

3 - DELIMITAÇÃO DO TEMA 9

4 - JUSTIFICATIVA 9

6 - FORMULACAO DO PROBLEMA 12

7 - OBJETIVO 12

8 - PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 13

9 – RESULTADOS DO INQUÉRITO 15

10 - PLANOS E PROGRAMAS 32

11 - PRINCIPAIS CONCEITOS DA OBRA DAMATTIANA 34

12 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 38

13 – DIREITOS AUTORAIS 38

Realizadores da Atena 39

ANEXOS 40

APRESENTAÇÃO 41

1) ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE – ETAPA 1 42

Apresentação 42

Metodologia 43

Bloco I - Avaliação do Trânsito 44

Bloco II - O Papel do Motorista 46

Bloco III - A Caracterização da Rua - O Trânsito 52

Bloco IV - O Carro e o Motorista 55

Bloco V - Punição e Obediência 57

Punições e Regras 57

Cumprem ou não? 57

Ser pedestre ou ser motorista? 57

Função das regras na sociedade 58

O Detran Condecorar os Bons Motoristas 58

O que pensa de quem cumpre todas as regras? 58

Infrações 59

Por que cometem infrações? 59

Por que correm o risco? 59

Cinto de segurança 60

A “Não-Direção” 61

2) ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE E PESQUISA OBSERVACIONAL – ETAPA 2 64

APRESENTAÇÃO 64

SOBRE A METODOLOGIA UTILIZADA 65

ROTEIRO UTILIZADO NAS ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE 66

Projeto Igualdade no Trânsito - Questionário: Entrevista em Profundidade 66

RELATÓRIO DA PESQUISA COM MOTORISTAS DE CAMINHÃO 75

Bloco I – Avaliação do Trânsito 75

Bloco II – O Papel do Motorista 77

Bloco III – A Caracterização da Rua – O Trânsito 80

Bloco IV – O Carro e o Motorista 83

Bloco V – Punição e Obediência 85

PESQUISA OBSERVACIONAL COM CAMINHONEIROS 87

RELATÓRIO DA PESQUISA COM MOTORISTAS DE TÁXI 90

Bloco I - Avaliação do Trânsito 90

Bloco II – O Papel do Motorista 91

Bloco III – A Caracterização da Rua – O Trânsito 94

Bloco IV – O Carro e o Motorista 96

Bloco V - Punição e Obediência 97

PESQUISA OBSERVACIONAL COM MOTORISTAS DE TÁXI 100

RELATÓRIO DAS PESQUISAS COM MOTORISTAS DE ÔNIBUS E O “JUSTIÇA VOLANTE” 101

Bloco I – Avaliação do Trânsito 101

Bloco II – O Papel do Motorista 102

Bloco III – A Caracterização da Rua – O Trânsito 106

Bloco IV – O Carro e o Motorista 108

Bloco V – Punição e Obediência 111

PESQUISA OBSERVACIONAL COM MOTORISTAS DE ÔNIBUS 115

PESQUISA OBSERVACIONAL COM O “JUSTIÇA VOLANTE” 123

RELATÓRIO DA PESQUISA COM MOTOCICLISTAS/MOTOBOYS 124

Bloco I – Avaliação do Trânsito – Motoboys 124

Bloco II – O Papel do Condutor 125

Bloco III – A Caracterização da Rua – O Trânsito 128

Bloco IV – A Moto e o Condutor 131

Bloco V – Punição e Obediência 133

PESQUISA OBSERVACIONAL COM MOTOBOY 135

RELATÓRIO DA PESQUISA COM CICLISTAS 137

Bloco I - Avaliação do Trânsito 137

Textuais: 137

Bloco II – O Papel do Motorista 138

Bloco III – A Caracterização da Rua – O Trânsito 140

Bloco IV – O Carro e o Motorista 142

Cinto representa: Os entrevistados relatam ser importante para proteção e sobrevivência. 142

Bloco V - Punição e Obediência 143

RELATÓRIO DA PESQUISA COM PEDESTRES 144

Bloco I - Avaliação do Trânsito 144

BLOCO II – O PAPEL DO MOTORISTA 145

Bloco III – A Caracterização da Rua – O Trânsito 147

Bloco IV – O Carro e o Motorista 148

Bloco V - Punição e Obediência 149

RELATÓRIO OBSERVACIONAL - MUNICÍPIO DE CARIACICA 151

RELATÓRIO OBSERVACIONAL - MUNICÍPIO DE VITÓRIA 161

RELATÓRIO PESQUISA OBSERVACIONAL –MUNICÍPIO DE VILA VELHA 170

RELATÓRIO DAS PESQUISAS OBSERVACIONAIS NO INTERIOR DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO 180

INTRODUÇÃO 181

MUNICÍPIO DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM 182

MUNICÍPIO DE SÃO MATEUS 183

MUNICÍPIO DE LINHARES 186

3) PESQUISA DOCUMENTAL - ETAPA 3 188

4) GRUPOS DE DISCUSSAO- ETAPA 4 193

METODOLOGIA 193

RESULTADOS 194

2.2 – RELAÇÃO DO MOTORISTA COM O TRÂNSITO 200

2.3 – INFRAÇÕES, PUNIÇÕES E EDUCAÇÃO PARA O TRANSITO. 203

2.4 – PUNIÇÕES/LEGISLAÇÃO E FISCALIZAÇÃO 205

211


Realizadores da Futura 211



1 - INTRODUÇÃO: PONTOS DE PARTIDA E DE CHEGADA.

O que marca, portanto, essa investigação é o conjunto de expectativas semelhantes entre os usuários que, somente em algumas áreas, emitem opiniões diferenciadas. No plano prático, portanto, estamos de posse de dados valiosos para sugerir e orientar campanhas e modificações inovadores para o trânsito do Espírito Santo, como se verá na parte final deste documento.


Um outro ponto capital, ligado aos resultados desta investigação, fala de uma área não discutida ou sequer problematizada. Trata-se das diversas manifestações de uma mentalidade hierárquica dominante, preocupada com a gradação relativa entre pessoas, objetos e espaços em “superiores” e “inferiores” (ou mais ou menos importantes, próximos ou relacionados; bem apessoados, etc...) que é compartilhada por todos os informantes. Ora, é justamente essa expectativa de ordenação social por meio de um eixo que vai de um plano supostamente superior para um outro, inferior (e vice-versa), que tem governado o espaço social brasileiro desde a sua origem histórica mas que o mundo da rua — por "pertencer a todos" e ser legalmente igualitário — desorganiza, ameaça e, eventualmente, nivela.
É justamente o choque entre expectativas hierárquicas (quem é mais rico, e tem um carro mais caro, ainda que seja o motorista); “anda” mais bem vestido, se acha com “boa aparência” (ainda que seja um empregado); e “fala melhor”, é branco, mais “educado” e, consequentemente, espera o reconhecimento de sua superioridade, a imposição da igualdade (por esperas, sinais, faixas, limitações espaciais, direito à travessia dos pedestres, etc...) que vale para todos, e demarca o universo da “rua”, produzem o que todos os informantes chamam de desconforto, impaciência, estresse, etc... Atitudes que estão no centro das imprudências e da competição negativa que acaba produzindo tantas infrações, acidentes, perdas materiais e mortes.
Isso revela que, no trânsito, não temos somente um problema de engenharia, de desobediência e de “falta de educação”, mas uma verdadeira batalha entre dois estilos de navegação ou conduta social. Um deles é antigo, tomado como natural e tem sido raramente percebido e insuficientemente discutido. Ele se baseia no princípio relacional clássico do “um lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar”. Já o segundo, que é típico do espaço público moderno e republicano, diz que o mundo está em movimento, que os sujeitos do espaço público são sempre desconhecidos e, para o desapontamento geral, que esse espaço é, por constituição e estrutura, igualitário o que significa que todos os seus usuários devem ser tratados com respeito e consideração, esses atributos normalmente aplicados apenas ao parentes e amigos. Nele, a regra básica é a do “quem chega primeiro, tem prioridade” com seus desdobramentos expressos nas normas do “espere pela sua vez” e do “obedeça aos sinais” que, por isso mesmo, provocam tanta impaciência.
Num sentido preciso, que será exposto em detalhes no texto que segue, as opiniões gerais, os julgamentos das situações, a visão da rua, dos veículos (e do próprio veículo e do papel de motorista); bem como da lei e de sua aplicação, são todas permeadas por esse conflito e por uma notável ausência de consciência por parte dos cidadãos que tomam as ruas e avenidas das suas cidades como um espaço apenas parcial de negociação entre iguais e, assim, que, não podem supor que têm tanto direito quanto os outros num cruzamento, quando vão estacionar, quando se defrontam com um cidadão a pé, ou dirigindo um outro veículo. Essa atitude ambígua diante da igualdade, promove uma conjuntura de competição negativa e produz, seja a pé ou dirigindo qualquer veículo, um conjunto de comportamentos agressivos.
A pesquisa revela que tais comportamentos resultam menos de questões de obras e de melhorias materiais do ambiente do trânsito, que do fato de que todos, no fundo de suas consciências, se sentem especiais, superiores e com direitos a regalias e prioridades que — eis o ponto capital — justificam o desleixo e a impaciência para com a norma geral materializada num sinal e numa faixa de pedestre. A imprudência, o descaso, e a mais do chocante e irreconhecível incivilidade brasileira no trânsito, decorre da ausência de uma plena consciência igualitária, isso justo num espaço inevitavelmente marcado e construído pela igualdade mais concreta e impositiva entre seus usuários, como ocorre com as ruas e avenidas, as estradas e viadutos em qualquer cidade brasileira. Espaços cujos limites não podem ser redefinidos porque são fisicamente demarcados, de sorte que quando são desdenhados, corre-se o risco de promover dano à propriedade particular, a coisa pública, correndo o risco de ferimento e vida.



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