Relatório geotec 019/00 – P



Baixar 261.17 Kb.
Encontro05.12.2017
Tamanho261.17 Kb.


RELATÓRIO GEOTEC 001/01 – R

Natureza do Trabalho: Levantamento sísmico por refração para investigações das fundações da UHE Belo Monte – PA.

INTERESSADO: CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A. - ELETRONORTE

1 – INTRODUÇÃO

De acordo com os termos da Carta Contrato de Prestação de Serviços n.º SUP1.0.B.0131 e seu Primeiro Termo Aditivo, celebrados entre a CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A. – ELETRONORTE e a GEOTEC LEVANTAMENTOS GEOFÍSICOS S/C LTDA., esta última, executou o “Levantamento sísmico por refração para investigações das fundações da UHE Belo Monte – PA”.




2 – LOCALIZAÇÃO DAS ÁREAS DOS TRABALHOS
O presente levantamento geofísico foi levado a efeito em três áreas situadas nas margens do Rio Xingú (notadamente na margem esquerda) nas proximidades das cidades de Altamira e Belo Monte, no Estado do Pará.

As FIGURAS 1 e 2 apresentadas na sequência mostram os posicionamentos das citadas localidades.



3 – ASPECTOS GEOLÓGICOS DA ÁREA DOS ESTUDOS
As informações sobre a geologia da área dos estudos ora transcritas, foram gentilmente cedidas pela ELETRONORTE e baseiam-se predominantemente em dois trabalhos, quais sejam:


  • mapeamento geológico executado pela empresa Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores – CNEC na escala 1:250.000;

  • dados preliminares do mapeamento geológico–geotécnico das três áreas de interesse para o projeto que está sendo executado pela ELETRONORTE, na escala de 1:25.000


O mapeamento geológico executado pelo CNEC descreve dois grandes grupos de rochas, que correspondem a Bacia Sedimentar do Amazonas, formada por rochas sedimentares e o Complexo Xingú que compreende rochas granitóides e metavulcano–sedimentares deformadas, migmatizadas e penetradas por corpos graníticos sin, tardi e pós–tectônicos, constituindo o embasamento da região.

De acordo com as características morfológicas, estruturais e petrográficas o CNEC individualizou dentro do Complexo Xingú cinco unidades de rochas:


  • Unidade I: rochas gnáissicas, granulíticas, granodioríticas, tonalíticas e anfiobolíticas.




FIGURA 1. Localização da Área de Estudos da UHE Belo Monte.




FIGURA 2. Localização das Três Áreas dos Trabalhos e das Cidades de Altamira e Belo Monte.



  • Unidade II: rochas metavulcano–sedimentares encravadas nos gnaisses, migmatitos e granitóides.




  • Unidade III: migmatitos com estruturas e composições variadas, tendo gnaisses e granitóides subordinados.




  • Unidade IV: granitóides sin–cinemáticos.




  • Unidade V: granitóides hidrotermalizados, tardi a pós–tectônicos.


Conforme dados fornecidos pela ELETRONORTE, as áreas mapeadas no seu trabalho ora em desenvolvimento, encaixam-se na Unidade III individualizada pelo CNEC.

Dados constantes no mapa geológico–geotécnico (escala 1:25.000) elaborado pela ELETRONORTE, ainda em caráter preliminar, de modo geral, mostra a seguinte coluna lito–estratigráfica para as três áreas onde foram executados os ensaios sísmicos:




  • Coberturas Quaternárias: aluviões recentes (areias, cascalhos e argilas)

  • Solo residual de cor laranja claro/castanho claro silte–argiloso

  • Solo residual de migmatito com blocos e matacões

  • Granito gnaisse migmatizado



4 – OBJETIVOS DA EXECUÇÃO DO LEVANTAMENTO GEOFÍSICO
A sísmica de refração é uma das técnicas do método sísmico, que se baseia na determinação e na análise da distribuição em subsuperfície das velocidades de propagação de ondas sísmicas.

Esta velocidade é função das constantes elásticas dinâmicas e da densidade do material por onde estas ondas se propagam.

Uma vez obtida a maneira como se distribui este parâmetro físico em subsuperfície e, contando-se com informações de natureza geológica e/ou geotécnica, é possível se estabelecer correlações entre os dados e elaborar modelos de subsuperfície.

Neste contexto, os ensaios geofísicos executados tiveram por objetivo determinar a estruturação sísmica das áreas de trabalho, em termos de velocidades de propagação de ondas e de espessuras de estratos sísmicos. Correlacionar estes dados geofísicos com as informações geológico–geotécnicas disponíveis e fornecer as seguintes informações:




  • contorno do topo de rocha sã ao longo das seções sísmicas programadas;

  • espessuras do material capeante ao topo da rocha sã (solos diversos e rocha alterada e/ou fraturada) e também eventuais correlações com parâmetros geotécnicos.



5 – INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE OS TRABALHOS EXECUTADOS
5.1 - Cronograma
Os trabalhos foram executados segundo o cronograma visto na TABELA 1, apresentada subseqüentemente.

Convém ressaltar que este cronograma contém generalizações no item “Trabalhos de campo”. Na realidade este item engloba uma série de atividades e eventos, os quais por não terem expressiva duração, não facilitam as suas representações gráficas. Dentre eles, podem ser citados os seguintes:




  • reuniões técnicas e administrativas;

  • paralisações da equipe devido a ocorrência de chuvas;

  • paralisações dos ensaios de campo devido à necessidade de mudanças de áreas de trabalho;

  • paralisações por problemas topográficos;

  • paralisações em razão de mudanças na programação dos trabalhos.

ELETRONORTE – UHE BELO MONTE

TABELA 1: CRONOGRAMA DA EXECUÇÃO DOS TRABALHOS DE GEOFÍSICA


Mês/Dia

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

































































































nov/00






























































































































































































































































































dez/00






























































































































































































































































































jan/01






























































































































































































































































































fev/01






























































































































































































































































































mar/01
































































































































































































Mobilização/Desmobilização Sem atividade (folga)



Trabalhos de campo Sábados, domingos e feriados




Interpretação/elaboração de relatório técnico




5.2 – Infra-estrutura Utilizada
5.2.1 – Recursos Humanos
Equipe A

01 Geofísico (Geotec)

01 Técnico de geofísica (Geotec)

11 Ajudantes braçais (Eletronorte)

01 Motorista (Eletronorte)

01 Piloto de barco em tempo parcial (Eletronorte)

01 Motorista de caminhão paiol (Eletronorte)

02 Cabos de fogo (Eletronorte)


Equipe B

01 Engenheiro (Geotec)

01 Técnico de geofísica (Geotec)

06 Ajudantes braçais (Eletronorte)

01 Motorista (Eletronorte)

01 Piloto de barco (Eletronorte)



5.2.2 – Recursos Materiais
01 Veículo de porte médio (Eletronorte)

01 Caminhão paiol (Eletronorte)

02 Barcos (Eletronorte)

* material explosivo (Eletronorte)

* alojamento, alimentação e transporte para todo o pessoal (Eletronorte)
A equipe B atuou nos trabalhos de campo em tempo parcial, tendo desenvolvido as suas atividades no período compreendido entre 30/11/2000 à 16/12/2000.

5.3 – Equipamentos Utilizados
As duas equipes que procederam a coleta dos dados sísmicos, utilizaram sismógrafos digitais e acessórios, ambos de última geração. As principais características desses equipamentos são apresentadas a seguir:

Sismógrafos

Fabricante: GEOMETRICS INC.

Modelos: SmartSeis–12 e SmartSeis–24

Principais características: 12 e 24 canais de gravação, ambos são versão 1999, possuem somador de sinais, conversor analógico-digital de 16 bits, controle automático de sensibilidade, etc.



Geofones

Fabricante: MARK PRODUCTS INC.

Modelo: L-10 A de bobina móvel

Freqüência: 10 Hz

Impedância: 374 ohms

Cabos Multicondutores:

Fabricante: MARK PRODUCTS INC.

Intervalo entre conectores: 18 metros

Conexão com aparelho: conector Cannon NK–27–21C



5.4 – Procedimento de Campo e os Fundamentos Básicos de Refração Sísmica

O procedimento de campo adotado foi o “Arranjo Convencional” para 12 canais. Os espaçamentos entre os geofones foram de 10 e 15 metros. O intervalo entre geofones de 10 metros foi utilizado em 80% dos casos.

A geração de ondas sísmicas foi efetuada de duas maneiras, quais sejam:



  • através da detonação de uma carga de explosivo de aproximadamente 3 kg, colocada no fundo de um furo feito a trado manual de 6 polegadas de diâmetro e a uma profundidade média de 3 metros.




  • Através do impacto de uma marreta de 10 kg em uma placa de metal solidária ao solo.

Face a ampla gama de recursos disponíveis nos sismógrafos utilizados, dentre eles, a possibilidade de somar os sinais sísmicos, a geração de ondas através da fonte mecânica se mostrou muito eficiente, principalmente, nas áreas onde o capeamento ao topo da rocha sã era pequeno (até da ordem de 25 metros). Assim sendo, a fonte mecânica foi amplamente utilizada. Nos locais onde era previsto expressivas coberturas de solos, utilizou-se a fonte a explosivos.



Detalhes sobre o procedimento de campo, bem como, os fundamentos básicos da técnica da refração sísmica podem ser vistos no ANEXO A (Método Sísmico – Técnica da Refração). Esta sendo apresentado também, o ANEXO B que contém uma DOCUMENTAÇÃO FOTOGRÁFICA, inerente as operações de campo.


6 – TRABALHOS EXECUTADOS
6.1 – Área dos Canais de Adução


Seção Sísmica

Extensão (km)

Seção Sísmica

Extensão (km)

3

0,440

33 (Inflexão)

0,240

4

0,290

33

0,575

5

0,770

34

0,755

6

0,690

35

0,705

7

0,670

36

0,635

8

0,670

37

0,520

9

0,700

38

0,730

10

0,420

39

0,760

11

0,370

40

0,570

12

0,690

43

0,650

13

0,790

45

0,780

14

0,370

49

0,840

15

0,640

50

0,650

16

0,700

51

0,760

17

0,642

52

0,730

18

0,540

53

0,580

19

0270

57

0,670

20

0,280

58

0,570

21

0,570

59

0,720

22

0,600

60

0,625

23

0,653

62

0,690

24

0650

63

0,640

25

0,680

65

0,630

26

0,620

66

0,440

27

0,660

67

0,610

28

0,270

68

0,520

29

0,670

69

0,530

30

0,580

70

0,700

31

0,570

75

0,720

32

0,420

77

0,530

-

-

79

0,360

Sub-Total

16,885 km

Sub-Total

18,475 km


6.2 – Sítio do Vertedouro


Seção Sísmica

Extensão km

Eixo Ilha do Canteiro

3,210

Eixo Ilha da Serra Montante

4,895

Sub-Total

8,105


6.3 – Sítio do Vertedouro Complementar/Diques


Seção Sísmica

Extensão km

1

0,285

2

0,635

3

0,460

4 / 5

1,205

10

0,500

11

0,370

Seção Sísmica

Extensão km

12

0,550

13

0,225

14

0,285

Dique 19

1,060

Sub-Total

5,575 km


TOTAL GERAL = 50 km

Os posicionamentos das seções sísmicas, nas três áreas pesquisadas, são mostrados nos seguintes DESENHOS:


DESENHO 1 – Planta de Localização das seções sísmicas da Área dos Canais de Adução
DESENHO 33 – Planta de Localização das seções sísmicas do Sítio do Vertedouro
DESENHO 41 – Planta de Localização das seções sísmicas do Sítio do Vertedouro Complementar/Diques

7 – APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Os resultados obtidos no presente levantamento geofísico, são apresentados sob a forma de seções sísmicas nos DESENHOS relacionados a seguir:
7.1 – Área dos Canais de Adução
DESENHO 2 – Seção Sísmica 3 e Seção Sísmica 4

DESENHO 3 – Seção Sísmica 5 e Seção Sísmica 6

DESENHO 4 – Seção Sísmica 7 e Seção Sísmica 8

DESENHO 5 – Seção Sísmica 9 e Seção Sísmica 10

DESENHO 6 – Seção Sísmica 11 e Seção Sísmica 12

DESENHO 7 – Seção Sísmica 13 e Seção Sísmica 14

DESENHO 8 – Seção Sísmica 15 e Seção Sísmica 16

DESENHO 9 – Seção Sísmica 17 e Seção Sísmica 18

DESENHO 10 – Seção Sísmica 19 e Seção Sísmica 20

DESENHO 11 – Seção Sísmica 21 e Seção Sísmica 22

DESENHO 12 – Seção Sísmica 23 e Seção Sísmica 24

DESENHO 13 – Seção Sísmica 25 e Seção Sísmica 26

DESENHO 14 – Seção Sísmica 27 e Seção Sísmica 28

DESENHO 15 – Seção Sísmica 29 e Seção Sísmica 30

DESENHO 16 – Seção Sísmica 31 e Seção Sísmica 32

DESENHO 17 – Seção Sísmica 33 e Seção Sísmica 33T

DESENHO 18 – Seção Sísmica 34 e Seção Sísmica 35

DESENHO 19 – Seção Sísmica 36 e Seção Sísmica 37

DESENHO 20 – Seção Sísmica 38 e Seção Sísmica 39

DESENHO 21 – Seção Sísmica 40 e Seção Sísmica 43

DESENHO 22 –Seção Sísmica 45 e Seção Sísmica 49

DESENHO 23 – Seção Sísmica 50 e Seção Sísmica 51

DESENHO 24 – Seção Sísmica 52 e Seção Sísmica 53

DESENHO 25 – Seção Sísmica 57 e Seção Sísmica 58

DESENHO 26 –Seção Sísmica 59 e Seção Sísmica 60

DESENHO 27 – Seção Sísmica 62 e Seção Sísmica 63

DESENHO 28 – Seção Sísmica 65 e Seção Sísmica 66

DESENHO 29 – Seção Sísmica 67 e Seção Sísmica 68

DESENHO 30 – Seção Sísmica 69 e Seção Sísmica 70

DESENHO 31 – Seção Sísmica 75 e Seção Sísmica 77

DESENHO 32 – Seção Sísmica 79

7.2 – Sítio do Vertedouro
DESENHO 34 – Eixo Ilha do Canteiro

DESENHO 35 – Eixo Ilha do Canteiro

DESENHO 36 – Eixo Ilha do Canteiro

DESENHO 37 – Eixo Ilha da Serra Montante

DESENHO 38 – Eixo Ilha da Serra Montante

DESENHO 39 – Eixo Ilha da Serra Montante

DESENHO 40 – Eixo Ilha da Serra Montante
7.3 – Sítio do Vertedouro Complementar/Diques
DESENHO 42 – Seções Sísmicas 1, 2 e 3

DESENHO 43 – Seções Sísmicas 4 e 5

DESENHO 44 – Seções Sísmicas 10 e 11

DESENHO 45 – Seções Sísmicas 12 e 13

DESENHO 46 – Seções Sísmicas 14 e 19

8 – DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
8.1 – Generalidades
As técnicas geofísicas de investigações da subsuperfície, tiveram as suas aplicabilidades crescentes nesta última década. Este fato é decorrente do desenvolvimento das ciências, notadamente da eletrônica e da informática, que colocaram disponíveis instrumentos que aumentaram a precisão e a eficácia na aquisição e interpretação dos dados geofísicos.

Neste contexto, especificamente, a técnica da sísmica de refração teve a sua aplicação incrementada, sobremaneira, principalmente nos projetos de obras de engenharia. As razões da intensa utilização, são as seguintes:




  • apresenta custos relativamente baixos;

  • fornece grande densidade de informações em curto espaço de tempo;

  • dispõe de procedimentos interpretativos consagrados;

  • é uma técnica geofísica quantitativa, pois em condições de aplicabilidade normais, os erros nas determinações situam-se ao redor de 15%.

Ainda que pese favoravelmente nos fatores anteriormente citados, a aplicação de técnicas geofísicas devem ser precedidas de uma análise crítica e eventualmente testes de campo. Este procedimento tem por objetivo avaliar as condições de aplicabilidade e eficácia na resolução de um determinado problema. Uma das condições que pesa na escolha de determinada técnica geofísica para ser aplicada é a existência de contraste lateral e/ou vertical de valores na propriedade física a ser media, existente entre a anomalia prospectada e o meio circundante. Quanto maior for o contraste entre os valores, melhores serão as condições de aplicabilidade.

Nos estudos ora desenvolvidos, o parâmetro físico medido foi a velocidade de propagação de ondas sísmicas nos solos e rochas. A anomalia prospectada é representada pelo maciço rochoso são, ou seja, granito gnaisse migmatizado que apresenta velocidades sísmicas maiores que 5,0 km/s. O meio circundante, correspondente ao pacote de material inconsolidado capeante à rocha sã, apresenta velocidades de ondas sísmicas na faixa de 0,3 a 2,0 km/s.

Sabia-se de antemão portanto, da existência de forte contraste entre as velocidades de propagação de ondas sísmicas que estes materiais apresentavam. Assim sendo, a diferenciação entre eles foi efetuada de maneira segura e eficaz.



8.2 – Sobre os Dados Obtidos
O objetivo fundamental da execução dos ensaios geofísicos foi o de subsidiar aos estudos das fundações da UHE Belo Monte. Tais subsídios consistem nas informações sobre a posição do topo de rocha sã e das espessuras do material capeante à este topo.

Os registros sísmicos coletados no campo, foram processados e interpretados segundo variações do “Generalized Reciprocal Method – GRM” e o “Delay Time”. Estes procedimentos interpretativos adotados, juntamente com outras informações (topográficas, geológicas, geotécnicas, etc) proporcionaram os elementos para a confecção das seções sísmicas apresentadas nos DESENHOS citados nos sub-itens 7.1, 7.2 e 7.3.

Estes DESENHOS, são auto-explicativos e apresentam uma síntese dos resultados obtidos no presente trabalho. Assim sendo, eles contém:


  • dados topográficos pertinentes aos trabalhos executados, tais como: estaqueamentos, cotas, relevo, posição de instalação dos sensores (geofones) no campo, etc;

  • dados geofísicos obtidos, quais sejam: velocidades de propagação de ondas sísmicas ao longo das seções e a delimitação dos estratos, efetuada através do agrupamento das velocidades sísmicas e, o contorno do topo de rocha sã (granito e gnaisse migmatizado). A LEGENDA apresentada mostra onde situam-se estes elementos.

  • Tabelas contendo os dados (velocidades sísmicas e espessuras) que foram utilizados para a confecção das seções sísmicas.

  • Quadro com a correlação estabelecida entre os dados geofísicos obtidos e litológicos/geotécnicos disponíveis.

Analisando-se as citadas seções, observa-se que a estruturação sísmica das áreas pesquisadas, resumem-se em dois modelos, cujas características principais são as seguintes:


Modelo A – Dois Estratos Sísmicos
Apresenta um “Estrato Sísmico Superficial” de baixas velocidades de ondas, no geral, oscilando entre 0,3 e 0,7 km/s, sobreposto diretamente ao maciço rochoso são, que apresenta velocidades sísmicas na faixa 5,0 a 6,0 km/s.

Este modelo, via de regra, ocorre nas áreas de cotas mais baixas.



Modelo B – Três Estratos Sísmicos
Este modelo apresenta o “Estrato Sísmico Superficial” de baixas velocidades sísmicas (0,3 a 0,7 km/s) sobreposto ao “Estrato Sísmico Intermediário”, que no geral, apresenta velocidades na faixa de 0,8 a 2,0 km/s. Por sua vez, tem-se este estrato disposto diretamente ao maciço rochoso são, de altas velocidades sísmicas 5,0 a 6,0 km/s.

Analisando-se toda a documentação disponível, ou seja, dados geofísicos, geológicos e geotécnicos, observa-se que é difícil a correlação entre os mesmos, isto apenas no pacote de material capeante à rocha sã. Em considerável parte da área, a correlação torna-se ambígua, podendo um determinado estrato sísmico ser correlacionado a dois ou mais tipos litológicos e/ou ser associado à determinados parâmetros geotécnicos.

Este fato é decorrente de que o dado geofísico, no caso, é função das propriedades elásticas dinâmicas e da densidade do material, assim sendo, pode ou não coincidir com a situação geológica do local.

Contrariamente ao descrito, a separação entre o pacote de material capeante e o contorno do maciço rochoso são, foi efetuada com bastante segurança conforme previsto.

As correlações efetuadas entre os dados geofísicos e litológicos/geotécnicos que constam nos quadros (ver DESENHOS das Seções Sísmicas) contém simplificações. Entretanto, são efetuadas a seguir considerações complementares aos dados fornecidos.


  • A velocidade média de propagação de ondas sísmicas na água é de 1,5 km/s. Face a isto, existe a possibilidade de que nos locais onde se tem velocidades sísmicas ao redor deste valor (1,2 a 1,7 km/s), a linha divisória entre os estratos superficial e intermediário esteja marcando o nível d’água. Sendo assim, não esta refletindo a compacidade ou consistência do material e sim o nível de saturação.




  • Analisando-se os dados das sondagens mecânicas disponibilizadas e comparando-os com os obtidos nos ensaios sísmicos, observa-se que a faixa de velocidades sísmicas de 1,5 a 2,0 km/s, em alguns locais, pode ser correlacionada a partes do granito gnaisse migmatizado, alterado e/ou fraturado.




  • O maciço rochoso são, constituído por granito gnaisse migmatizado, nos locais ensaiados, tem o seu contorno bem delimitado ao longo das seções sísmicas. Este contorno a “grosso modo” acompanha o relevo externo apresentando apenas ondulações suaves. Portanto, não se observa, pelo menos nos locais ensaiados, inflexões no topo rochoso que possam ser associadas a presença de estruturas, tais como: falhamentos de porte consideráveis e/ou paleocanais.

O maciço rochoso são, apresenta altas velocidades de propagação de ondas sísmicas, ou seja, situam-se na faixa de 5,0 a 6,0 km/s. Estes dados permitem inferir que trata-se de rocha de excelente qualidade, devendo responder plenamente às solicitações mecânicas.



8.3 – Precisão dos Resultados
A precisão dos dados geofísicos obtidos através da técnica da refração sísmica, normalmente é efetuada comparando-se os modelos de estruturação sísmica elaborados, com os dados geológicos/geotécnicos, usualmente, sondagens mecânicas.

Para a obtenção de bom nível de precisão com os ensaios sísmicos, é necessário que vários fatores influam positivamente no processo, dentre eles, podem ser citados os seguintes:




  • uso de equipamento com recursos de última geração;




  • aplicação de procedimento de campo adequado para a coleta de bons registros sísmicos;



  • contar com equipe técnica de campo experiente;




  • dispor de programas e procedimentos interpretativos adequados;







  • contar com interprete experiente.

No presente trabalho, estes fatores foram criteriosamente analisados e ponderados. Considerando que os mesmos tenham sido levados a efeito dentro da normalidade, estima-se que o erro cometido nas determinações sísmicas esteja ao redor de 15%.




9 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
O presente levantamento geofísico deu origem a um primeiro documento que fornece uma ampla visão do comportamento da superfície da rocha sã e do seu material capeante. Ainda que estes dados contenham um percentual de erros, inerentes ao processo de investigação indireta, estimados em 15%, eles devem ser tomados como “DOCUMENTO BASE”. Deste modo, recomenda-se que o mesmo seja consultado durante a programação de outros tipos de investigações, tanto diretas como indiretas.

Outra recomendação a ser feita, é que seja efetuada uma ampla integração dos dados sísmicos com os geológicos/geotécnicos. Este procedimento permitirá que sejam feitas interpolações e extrapolações de dados, potencializando as investigações. Além disto, possibilitará também uma avaliação da precisão obtida nos trabalhos geofísicos.

Este processo deve ser repetido todas as vezes que se dispor de um volume de novos dados que justifique o procedimento.

Analisando-se toda a documentação gerada, o seu conteúdo de informações e também, considerando as dificuldades advindas da complexidade que envolve os trabalhos geofísicos, notadamente os trabalhos de campo, conclui-se que a presente campanha geofísica executada na área de estudos da UHE Belo Monte, atingiu os objetivos para as quais foi executada.

São Roque,15 de Março de 2001.

GEOTEC LEVANTAMENTOS GEOFÍSICOS S/C LTDA.


________________________________________________

Geólogo Gildezio Lessa

CREA - 060036502-7

Diretor


GEOTEC LEVANTAMENTOS GEOFÍSICOS S/C LTDA.
________________________________________________

Engenheiro Rafael L. Herzig

CREA - 5060291975

Responsável Técnico

GEOTEC LEVANTAMENTOS GEOFÍSICOS S/C LTDA.
_________________________________________________________

Geofísico Rodrigo Machado



Responsável Técnico








©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal