Release mandinho



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Encontro19.07.2018
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MANDINHO, de Leandro Maia
Mandinho, título deste projeto, é uma expressão típica da cidade de Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul. É uma referência carinhosa à primeira infância, um termo representativo das variantes linguísticas da metade sul do estado, mais especificamente na fronteira com o Uruguai. Ao radicar-se em Pelotas, o compositor Leandro Maia frequentemente ouvia: “E o mandinho, cadê?” – pergunta dos pelotenses sobre Gonçalo, seu filho pequeno. “Está bem, obrigado”, respondia e logo ouvia um “Merece”, substituindo o “de nada”. “Mandinho”, “merece”, “quando meu filho começar a falar, vai ser assim” – pensava Leandro ao andar pelas ruas de Pelotas com Gonçalo na cacunda. É desta relação de pai e filho que surge este trabalho.
Com acento regional e universalidade existencial, Mandinho mergulha na infância e sua relação com “o mundo”. Presente e passado, realidade e fantasia, cotidiano e estranhamento estão equilibrados no trabalho, que respeita a infância como um espaço de construção de pensamento, de poesia e de curiosidade. Este mergulho fez Leandro aventurar-se em produção integral: além de compor e cantar, também produziu o disco, que ganhará versão em aplicativo mobile e espetáculo em parceria com a Cia Gente Falante Teatro de Bonecos.
Muitos lugares estão nas 12 canções, tanto nas músicas, ritmos, instrumentos e letras, quanto no próprio processo de elaboração do disco: Japão, China, Escócia, Uruguai, Brasil, Rio Grande do Sul, Argentina, Costa Rica, Grécia, Alemanha, Itália, São Paulo, Porto Alegre, Pelotas, Moçambique, Áustria. Gravado em diversas localidades, Mandinho constitui-se de um próprio mundo paralelo e extremamente rico, onde “mundo” e “fronteiras” se diluem como num sonho.
O disco conta, ainda, com cinco faixas bônus em formato de karaokê, ou playback. Com mixagem e masterização caprichada de Luiz Ribeiro (que trabalha com artistas como Ivan Lins e Hermínio Bello De Carvalho), a arte do disco foi realizada com as ilustrações de Rodrigo Nuñez (professor do Instituto de Artes da UFRGS) e com o design gráfico da artista visual Regina Veiga.
A versão Aplicativo Mobile Mandinho 1.0 foi desenvolvida por Alexsandro Teixeira e está disponível para iPhone, e em breve em Ipad e Android. Todas as canções receberam versão karaokê, além de maior interatividade de conteúdo. O trabalho tem distribuição física e virtual pela Tratore.
O disco Mandinho tem financiamento do Procultura – Programa de Apoio à Cultura da Prefeitura Municipal de Pelotas.
Informações:
contato@leandromaia.com.br

www.leandromaia.com.br

www.mandinho.com.br


Sobre as Músicas
1) Em Pintinhos da Galinha Japonesa – canção composta na época em que Leandro era professor de Educação Infantil – narra-se o insólito de uma história verídica ocorrida no pátio de uma escola: uma galinha japonesa que teve uma ninhada de pintinhos. A história ganhou refinamento e delicadeza com o arranjo do virtuose Thiago Colombo nos violões e a participação da menina Lígia Constante, de nove anos, que empresta seu olhar de criança para a música.
2) Em Samba da Páscoa, canção também composta na escola por Leandro, a mensagem de paz e diversidade cultural é visitada com o ritmo brasileiro, lembrando que os portugueses chegaram ao Brasil justamente nesta época após a quaresma, “um mês e pouco após o carnaval”. A história é contada com o luxuoso piano de André Mehmari, com ares de Ary Barroso, em meio à percussão de escola de samba de Mimmo Ferreira e Edu Pacheco. Um verdadeiro samba exaltação sobre o tema, desenvolvido como se fosse um enredo de passarela.
3) Em Bem Capaz (parceria de Leandro com Maria Falkembach) índios, negros e brancos se misturam em encontros e desencontros amorosos, tendo a mulher como protagonista, numa espécie de “tropicalismo para crianças”, onde referências literárias passeiam de Shakespeare à Noviça Rebelde, com muito humor e sotaque gaúcho. Uma forma de responder aos filhos a célebre pergunta “Como nascem os bebês?”, com arranjo elaborado por Thiago Colombo em compasso de cinco tempos, num jazz-chamamé-rancheirinha cheio de amor para dar. Contam a história as vozes de Leandro Maia, Paulo Gaiger, Simone Rasslan e Álvaro Rosacosta, com solo de Sax de Rogério Constante.
4) Leite da Mamãe, também parceria de Leandro Maia com Maria Falkembach, surgiu justamente durante as mamadas do filho Gonçalo e do estrondoso milagre da amamentação ao peito, que engorda e faz crescer uma barbaridade. Uma música criada literalmente no seio familiar. Um baião com a participação especial de Simone Rasslan e Álvaro Rosacosta nas vozes, com direito a arranjos de fagote e flautas de bambu de Fábio Mentz e da viola caipira de Neymar Dias, num agrupamento camerístico bastante interessante.
5) Nada a Temer é uma canção de ninar que Leandro dedica ao filho Gonçalo e a todos os bebês, na delicadeza de seu soninho e a sensação de plenitude e contemplação dos pais. Num misto de ciúme, zelo e até egocentrismo, mesmo, Leandro tocou todos os instrumentos do arranjo, com a exceção de um: o som da ecografia do filho Gonçalo ainda no ventre de Maria. “Nada a temer a não ser o neném chorar” sintetiza o paradoxal estado de alerta e tranquilidade do silêncio de um quarto de um bebê recém nascido.
6) Pé na Areia foi composta a partir das brincadeiras da família entre as praias do Laranjal e Garopaba, e mistura várias regiões do Brasil, entre baião e milonga, num cortejo à mulher amada: “Quero tua mão em casamento e o teu pé em carnaval” é o representante piropo do disco. A faixa conta com a voz litorânea de Kako Xavier, com lindo arranjo de violão de Thiago Colombo e solo de gaita escocesa de Sérgio Olivé. A banda completa-se com os grandes Luke Faro, na bateria e Miguel Tejera, no baixo.
7) Vals del Coyote reúne a grande exceção do disco, pois não é uma composição de Leandro. É uma canção do lendário cantautor costarriquenho Max Goldenberg, recolhida durante a turnê realizada por Leandro Maia na Costa Rica – poucos meses antes da gravação do disco. O arrebatamento de Leandro frente à canção o obrigou a incluí-la em seu disco. A faixa, em espanhol, foi gravada parte na Costa Rica, com Daniel Solano (violão), de Dionísio Cabal (voz) e do próprio compositor Max (voz), e parte no Brasil, onde foi inserida a voz de Leandro e também o piano de André Mehmari.
8) Valsa do Coiote é a versão, ou melhor, a transcriação (tradução de poesia), da genial canção de Max Goldenberg para o português. Com liberdade poética aprovada pelo autor, Leandro interpretou a canção com lindíssimo arranjo de André Mehmari ao piano, que parece misturar Gershwin, Williams, entre outros mestres, onde é possível identificar os personagens da canção mimetizados no arranjo de piano – o vaga-lume e o coiote. Vale escutar atentamente a incrível história do coiote que uivava luz.

9) Todo Mundo Mama é uma versão frevo do baião Leite da Mamãe, e celebra mais uma vez a maternidade, agora tocada por uma orquestra world music muito louca, que é interrompida por um coral de Piratas fortões fãs de suas mamães. O tema instrumental é apresentado pela gaita escocesa de Sérgio Olivé, sendo desenvolvido pelos fagotes de Fábio Mentz, que ora tocam trechos escritos por Leandro e ora improvisam divertidamente. A percussão de Mimmo Ferreira composta com guizos, derbak e sopapo (tambor afro-gaúcho) cria um frevo étnico diferente e alegre.


10) Não Consigo Segurar é uma parceria de Leandro Maia e Thiago Colombo, num inusitado frevo-tango-polca-opera-punk, dançante e anárquico. O tema foi sendo criado por Leandro depois dos banhos do Gonçalo, numa celebração festiva. Ao ganhar uma terceira parte, por Thiago Colombo nos ensaios do grupo Nó de Pinho, a canção ganhou trechos com letra entoados por Leandro e Paulo Gaiger. A música é tocada pelo bouzouki grego de Thiago, com variações de andamento, muita festa e gritaria.
11) Cacunda, também parceria de Leandro Maia e Thiago Colombo, soa como um mantra, entoado por Leandro e Gonçalo durante seus passeios. Com 23 violões e 10 vozes, a canção se desenvolve progressivamente até chegar numa chacarera, indo do compasso 4/4 até o 6/8. Aqui o filho Gonçalo entoa variações espontâneas e preenche a canção de risos e sons. Os violões, gravados por Thiago, são tocados de muitas maneiras, percussivamente, somente nas cordas, com harmônicos e outros efeitos.
12) Trem do Cerrado foi a forma que Leandro encontrou para conversar com o filho Gonçalo sobre a morte. De forma poética e densa, a canção, dedicada ao irmão de Leandro, fala sobre o vai e vem da vida. Com linda instrumentação que une o baião ao candombe nas percussões de Mimmo Ferreira, o solo conta com o emocionante acordeom de Paulinho Cardoso, que parece traduzir este trem com o vai e vem do fole de sua gaita.

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