Renda-se: a caça engoliu o caçador



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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Instituto de Artes

Lívia Barroso de Moura

“RENDA-SE: a caça engoliu o caçador”

Rio de Janeiro

2009


Lívia Barroso de Moura

RENDA-SE: a caça engoliu o caçador

Monografia de graduação em Artes Plásticas, apresentada ao Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de bacharelado em Artes Plásticas

Orientador(a): Dr(a) Maria Luisa Fatorelli

Rio de Janeiro

2009


Lívia Barroso de Moura

RENDA-SE: A CAÇA ENGOLIU O CAÇADOR


Monografia submetida ao corpo docente do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de bacharelado em artes plásticas.

Rio de janeiro, 14 de janeiro de 2010 .

_______________________________________________

Maria Luiza Fatorelli, Doutora em Artes Visuais, EBA-UFRJ


_______________________________________________

Cristina Salgado, Doutora em Artes Visuais, pela EBA-UFRJ.

Rio de Janeiro

Janeiro de 2010

Dedico esta monografia àquele que me rendeu



AGRADECIMENTOS:

Primeiro de tudo gostaria de agradecer a tudo e a todos que passaram pelo meu caminho. Os bons e os maus encontros que me fizeram chegar até aqui.

Especialmente gostaria de agradecer minha família como um todo, pois é ela quem primeiro me traz um forte sentimento de pertencimento.

Para a escritura desta monografia sempre tive frutíferas trocas intelectuais e poéticas com minha mãe, minha tia Maria, minha vó Nininha e meu namorado Giorgio Sica que muitíssimo me ajudaram.

Quero também agradecer minha orientadora Malu Fatorelli que me “orienta” desde que entrei na UERJ.

Por fim gostaria de agradecer às práticas meditativas diárias que representam uma pequena gotinha que me trazem uma enorme sede pela Fonte.



RESUMO
MOURA, Lívia Barroso de. RENDA-SE: a caça engoliu o caçador. Rio de Janeiro, 26 de dezembro. Monografia (Bacharel em artes plásticas) – Instituto de Artes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.
Esta monografia trata das questões levantadas pelo projeto “RENDA-SE: a caça engoliu o caçador”. Partindo de questões relacionadas à física quântica e à filosofia oriental crio uma introdução sobre a natureza vácua dos corpos. Esta percepção da natureza geraria, então, uma não distinção entre figura e fundo, entre sujeito e objeto. Da mesma maneira, o processo e as influencias em torno da confecção da obra de arte fariam parte da construção da sua poética.

A minha obra pretende afirmar que o próprio processo de confecção pode ser considerado uma cosmogonia. Partindo do pressuposto que todo processo é um recorte do todo e que contém, no seu cerne, o mesmo movimento de toda criação, a obra, então, se apresenta como uma fábula, como uma gênesis. Este é o assunto do primeiro capítulo.


O segundo capítulo desenvolve o nome deste Trabalho Final de Graduação. “RENDA-SE: a caça engoliu o caçador” trata da tentativa impossível de querer controlar a natureza, mais do que ser engolido por ela. Não somos nós que temos uma fonte inesgotável é a Fonte inesgotável que nos contém.  Em outras palavras, não estamos na paisagem: somos a paisagem. O artista seria aquele que vive essa sensação de amplitude e desterritorialização que o impulsionaria a criar e a pensar. A obra de arte seria, portanto, uma partilha coletiva, ou melhor, uma partilha com o todo.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO:

CAPÍTULO 1: O processo como cosmogonia

1.1 Sobre o processo:

1.2 Sobre o processo como cosmogonia:

CAPÍTULO 2: Não estamos na paisagem: somos a paisagem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

REFERÊNCIAS

ANEXOS

Introdução:

“(...) a característica mais importante da física quântica (...) levou a sugerir a substituição da palavra «observador” pela palavra “participador”. O princípio quântico destruiria o conceito do mundo como “algo que existe lá fora”.

(Fritjof Capra)

Meu campo de pesquisa é o presente, o espaço de acontecimento espontâneo das inter-relações. Esta superfície sincrônica é o mais profundo, é a fronteira onde habitam infinitas possibilidades. A poética acontece em momentos onde há um rasgo e um afloramento da consciência de que somos a paisagem e fazemos parte dessa poesia. Essa experiência não seria a revelação de um objeto exterior a nós, mas um abrir-se do homem a si mesmo. O experimentar da interseção entre nem um e nem o outro acontece nesse rasgo ampliador de tempo-espaço: o presente.

Esta seria uma percepção onde a diferenciação entre figura e fundo se torna difusa. A física moderna irá explicar esse fenômeno ao demonstrar que tanto nosso corpo (figura) quanto o espaço circunvizinho (fundo) contém mais espaços vazios do que cheios. Isto se deve ao fato de que os núcleos atômicos contêm praticamente toda a massa dos átomos e “Na verdade, se todo o corpo humano fosse comprimido à densidade nuclear, não ocuparia mais espaço que a cabeça de um alfinete” 1. Sendo assim, a “distinção entre as partículas e o espaço circunvizinho perderia sua nitidez original e o vazio passaria a ser reconhecido como uma quantidade dinâmica de exponencial importância”2.

Fritjof Capra em seu livro “O Tao da Física” evidencia que a teoria quântica se aproxima da percepção oriental da realidade. No pensamento chinês de matriz taoísta se desenvolveu uma noção fundamental para representar a estrutura da realidade, aquela de ch’i que apresentaria “a mais notável semelhança com o conceito de campo quantizado na Física moderna”3. Nas palavras de Chang Tsai:

“O Grande Vácuo não pode consistir senão em ch’i; este ch’i não pode condensar-se senão para formar todas as coisas; e essas coisas não podem senão dispersar-se de modo a formar (mais uma vez) o Grande Vácuo.” 4

Voltando à poética do meu trabalho, o interesse pela arte e filosofia oriental foi entrando no meu modo de operar através da meditação. O sentido último desta é estar no momento presente e este é deflagrador da consciência do espaço como um todo. Este aprendizado vem modificando progressivamente o tratamento do tempo e do espaço no meu trabalho. A paisagem passou a ser parte da minha obra, assim como seus participantes.

No trabalho “RENDA”, por exemplo, exposto no CCBB RJ e SP 2008/9 (ver imagem em anexo 1), costuro sacos plásticos cotidianos dentro do meu atelier ou do espaço de exposição. No projeto conclusivo da minha graduação - intitulado “RENDA-SE: a caça engoliu o caçador” - a linha costura a paisagem e o ato de costurar é um ato coletivo (ver anexo 2). Em ambos o projetos, a narrativa, todavia, se desenrola de uma forma sincrônica (no momento presente) e a questão do processo continuo e ad infinitum está tanto na estrutura nodal quanto no discurso.

Minhas fabulações no campo da arte procuram construir algo que seja próximo a uma fábula, a uma gênesis. A obra é o processo, é uma fala sobre ela mesma, sobre o desejo de confeccioná-la ou de desfazê-la no todo. Desta forma, o processo e a metalinguagem da construção da obra são vistos como possíveis construções de cosmogonias, que seriam tão verossímeis quanto qualquer outra, se considerarmos que toda criação faz parte do todo e que o começo do começo nunca poderá ser encontrado.

Para o mestre indiano contemporâneo Sri Sri Ravishankar5, o Criador seria um desperdiçador, um péssimo economizador, seu trabalho é absurdo e infinito, a criação não para, não tem um fim, nem um objetivo6. Minha poética aponta para o fato de que a força motora da criação humana é uma parte dessa natureza do Criador.

O artista só transforma a paisagem se camuflando nela, sendo ela. Esta atitude é próxima àquela proposta pelo geógrafo Milton Santos quando afirma que o território: “é dinâmico, vivo. A sociedade incide sobre o território e esse, na sociedade.”7 O território permitiria fazer falar a nação, portanto seria preciso deixar o território falar. Da mesma forma, como artistas, devemos incidir sobre o entorno deixando que este incida sobre nós.

O artista nunca possui o controle monopolizado da criação. Em “RENDA-SE: a caça engoliu o caçador”, o artista que tenta caçar/ controlar a Criação é engolido por ela. Só temos a possibilidade de existir na inter-relação e os meios também falam por si.

Para a exposição de conclusão da graduação decidi realizar um sonho antigo: fazer um “livro-obra”. Desta forma posso sintetizar uma experiência que é tanto uma conclusão, um projeto e um pequeno começo de uma longa estrada. Este livro apresenta uma armadilha que tenta controlar a natureza e acaba sendo engolida por ela, se camuflando na paisagem.

No primeiro capítulo irei abordar o processo de produção artística como parte da construção da minha poética. Mais do que isso, como esse processo de criação pode ser visto como um pequeno recorte que faz parte da Criação do todo. Qualquer criação incluiria em seu cerne o mesmo movimento motor de todas as criações. O processo artístico em minha obra tenderia a ser apresentado como a construção de uma fábula da própria gênesis e, portanto, como uma possível cosmogonia.

Desta forma, cada elemento que constitui a obra - o fato de ser um livro, o tipo de papel, o modo de fruir, o formato, as imagens, etc...- faz parte da construção sua poética. A intenção é afirmar a “presentificação” no tempo e no espaço tanto da obra como de quem a “experimenta”.

O segundo capítulo tratará da questão sobre a camuflagem entre figura e fundo. De um modo mais amplo sobre o fato de que não estamos na paisagem: somos a paisagem. Este capítulo desdobra o primeiro, afirmando a inevitabilidade da caça ser engolida pelo caçador, ou seja, do homem que tenta controlar/ caçar a natureza acaba sendo engolido pelo “Grande Vácuo”.

Capítulo1:
Processo como cosmogonia
1.1 Sobre o processo:
A fila de palavras sempre me apareceu fragmentada em cascas de tempos, camadas sincrônicas de estórias como um crochê que quer se espalhar para todos os lados em vez de seguir uma linha única com um personagem central. Como Nos desastres de Sofia - um conto de Clarice Lispector - em que a protagonista afirma:
“Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas estórias. E nem todas posso contar - uma palavra mais verdadeira poderia de eco em eco fazer desabar pelo despenhadeiro as minhas altas geleiras.”8
Uma estória é sempre feita de muitas estórias, ela é sempre no todo. Esta monografia foi escrita sem seguir uma linha continua. Introdução, capítulos e conclusão foram desenvolvidos simultaneamente com fragmentos colados de novos e antigos textos. Esta é a mesma forma com a qual minha poética se estrutura, apresentando a sensação de um processo contínuo apresentando início, meio e fim de uma forma sincrônica. Tanto esta monografia como meus trabalhos são processos abertos em potencial.

O artista americano John Cage afirma que prefere processos a objetos, pela simples razão de que processos não excluem objetos. O processo seria como um “clima”, onde não temos conhecimento exato do começo e do fim do todo e de suas partes, enquanto o objeto seria como uma “mobília”, onde o começo e o fim são conhecidos. Sua definição de música seria “trabalho”, um ser em andamento9. Da mesma forma, meus trabalhos são processos abertos, pois esses não excluem desenhos, fotos, oficinas, performances, projetos colaborativos, textos, poesias, land art, etc...

O processo de confecção e fruição é a poética da minha obra. Este pretende evidenciar que o que move a natureza é o mesmo que move o fazer humano. Os homens, nas técnicas, não criaram nenhuma energia que não estivesse na natureza. Seu poder só consiste em aproximar e afastar os corpos e assim criar novas condições para a ação de forças naturais. O ato de qualquer criação seria um compor e decompor sem fim, um “redecompor”. Servindo-me da linguagem de Robert Smithson, a criação poderia ser equiparada a um processo de entropia:
“(...) a sand box filled on one side with white sand and on the other side black. A little boy begins to run around the enclosure in a clockwise direction, kicking up the sand as he goes and mixing together dark grains with light. He is then told to reverse his course and run counterclockwise. This will certainly do nothing to undo the movement toward uniformity and re-sort the two colors into separate fields. As his legs continue to churn, the process of entropy will, irreversibly, only process, and deepen.” 10
Ao comentar a interferência do homem na terra, Smithson afirma que: “Com tal maquinaria, a construção assume a aparência de destruição”11. Os corpos sólidos seriam, na sua opinião, “partículas em torno do fluxo, ajuntamentos prontos para serem fraturados”12. Robert Morris também fala sobre essa entropia, questionando o “recorte” entre onde acaba e onde começa a arte. Ele afirma que: “vê o pincel de pintura desaparecendo no bastão de Pollock, e o bastão se dissolver para se tornar «pintura derramada» ”13. O objeto de arte isolado não seria mais considerado o detentor exclusivo da poética, que cada vez mais se esgarça, abarcando mais e mais “o em torno de si”.

Para Smithson as ferramentas não se diferenciariam do material, esta entropia da técnica nos deixaria “... com um limite vazio ou sem limite algum. Toda tecnologia diferenciada se torna sem sentido para o artista que conhece essa situação”14. O artista seria aquele que experimenta uma espécie de “indiferenciação oceânica”15, uma suspensão dos limites entre self e non self. Ele caracterizaria o próprio estado mental do artista como “o processo primário” de fazer contato com a matéria.

O “objeto” de arte constituiria, então, apenas uma parte da poética: “O artista que é engolfado tenta evidenciar essa experiência por meio de uma (mapeada) revisão limitada do estado original sem fronteiras”.16 Em sua opinião ”a mente e as coisas de certos artistas não seriam unidades sólidas, mas coisas num estado de disrrupção”17.

A criação artística seria, portanto, um ato de desfazer, um decompor da matéria. Perdida para sempre, a poesia precisaria “se submeter a sua própria vacuidade; é de algum modo um produto da exaustão, mais do que da criação”18. Sendo assim, a existência do artista no tempo valeria tanto quanto o produto final. O artista seria aquele que aceitaria a transitoriedade da vida e o seu aspecto vácuo. Nas suas palavras: “O artista tem que permanecer perto das superfícies temporais. Muitos gostariam de esquecer o tempo por inteiro, porque este oculta « o princípio de morte » (todo artista autêntico sabe disso)”19




1.2 Sobre o processo como cosmogonia:
Definir e explicar o começo transcende as ferramentas da lógica cartesiana. Numa visão mais abrangente podemos compreender que em qualquer recorte de criação esta contida toda a criação. O que as move é Um só. Procuro evidenciar este aspecto na minha obra e assim o processo é apresentado como uma fábula, como uma possível cosmogonia.

Uma enorme rede de rendas, crochês e tricôs em tons de branco está sendo construída por mim e por colaboradores. A repetição do ato de fazer crochê é um processo contínuo e ad infinitum. Cada ponto é como brotar, espumar, formar nuvens no ritmo e na forma de uma rede infinita que nos conecta com o todo. Essa atividade evoca, inevitavelmente, um arsenal de mulheres que através dos tempos fiam, costuram, tecem, rendam, etc...

Este trabalho surgiu da minha necessidade de construir um abrigo, já que tenho estado sem pouso permanente. Encontrei no crochê um modo de construir um ninho flexível, que pudesse ao mesmo tempo “conter” e oferecer generosas fissuras para trocas entrópicas. Trocas com paisagens, com pessoas e suas culturas, com os elementos (água, terra, fogo e ar), com o tempo, etc. Este ato está sendo estruturante e curativo. É um religar de cicatrizes formadas pela perda da ilusão de que a casa está em um lugar fora de nós mesmos.

Gostaria de evidenciar diversas relações com trabalhos de artistas que tratam deste religar e re-compor como parte da construção da sua poética. Um exemplo é o trabalho “Cambraietas“ (ver imagem no anexo 3) de Isidoro Cavalcante, que apresenta um processo poético entrópico, usando os termos de Robert Smithson. Neste trabalho o artista quebra diversos potes de vidro transparentes. Depois, cuidadosamente, ele os remonta (perfeitamente) com finos fios brancos, quase transparentes, através da pressão, sem furar o vidro.

O objeto final (os potes reconstruídos) é a obra, mas ele guarda em si potencialmente todo processo que se desenrola no tempo. O artista afirma que as “Cambraietas” remetem ao mesmo tempo à transparência e à opacidade. O fato dos potes permanecerem transparentes e nebulosos faz o próprio artista se perguntar: “Será que existe arte neste campo vazio e opaco?”. Sinto como se esses potes transparentes pudessem ser comparados com o vaso sagrado ou a nossa casa incontornável – o universo que foi fragmentado e que precisamos continuamente reagrupá-lo.

O trabalho de Cavalcanti foi inspirador para o desenvolvimento da minha obra de fim de graduação, assim como as coletas de Brígida Baltar. Neste trabalho – intitulado “neblina maresia orvalho coletas” (ver imagem no anexo 4) – o “fog” é uma espécie de agente que propaga uma sensação de mistério e difusão entre as coisas. Mas o ato de querer coletá-lo guarda em si um aspecto ironicamente científico. Na tentativa de capturar algo incapturável, a artista parece querer evidenciar, ao mesmo tempo, a sede do homem de catalogar o mistério da vida e os limites inerentes a este esforço.

A própria arte pode ser vista como aquilo que aponta o dedo para esse indizível, o mistério da vida, ou seja: a própria natureza. Na tradição do budismo Zen se afirma que o mestre usa o dedo para apontar a lua ao discípulo, mas que ele não deve ficar apegado ao dedo (o significante) e esquecer-se da lua (o significado)20. O dedo simbolizaria somente um convite a olhar para a realidade como ela é, além dos limites do pensamento dualista.21

Segundo Shunryu Suzuki, um mestre Zen do séc. XX, todas as descriçoes da realidade seriam expressoes limitadas do mundo do vazio. Entretanto, nos ligariamos às descriçoes e pensamos que sao a realidade. Isto seria um engano segundo a tradiçao Zen22. Esta tentativa, de compreender e catalogar através do intelecto coisas que pertencem a esferas diferentes, é típica da nossa sociedade. O projeto “RENDA-SE: a caça engoliu o caçador” trata dessa ambição frustrante e da sua positiva aceitação. O projeto trata, sobretudo, da impossibilidade de controlar a natureza e a realidade mais do que ser engolido por elas. Neste ser engolido cessaria qualquer sentimento de frustração e impossibilidade.

Para a exposição final desta graduação será confeccionado um livro que faz parte do projeto acima citado. O livro fechado seria como uma gaiola de crochê ou mesmo uma semente no inverno se guardando em potencial para abrir, explodir e germinar. O formato do livro sendo folheado é igual a uma flor. Partindo do pressuposto de que tudo que criamos remete a análogos processos da natureza, um livro sendo folheado pode ser visto como uma polinização e quando é fechado ele murcha e se desfaz. Mas dessa vez já não é mais o mesmo, já são vários outros.

Um livro é feito de cascas, como papeis de presentes contínuos que devemos rasgar cada camada para desvendar o próximo mistério: a página seguinte. O papel, a princípio é bem rígido com uma imagem figurativa bem demarcada de uma planta dentro de uma gaiola. A espessura do papel vai se afinando, como que se desfazendo em delicadeza e a imagem vai se transformando em uma trama mais abstrata, como um papel de presente. A planta engaiolada cresce e floresce. A figura (a gaiola) agora se funde com o fundo (a paisagem floral). O caçador (a gaiola) se rende à caça (a planta) e se renda à imagem e semelhança da sua “vítima”. Todos esses aspectos acima citados me levam a pensar o livro como um objeto cosmogônico; o processo de confecção, fruição e abandono estão incluídos na sua poética.


Capítulo 2:



Não estamos na paisagem: somos a paisagem
O livro que irei apresentar como conclusão de graduação estará em uma pequena mesa esperando para ser folheado. A capa é feita de crochê e se camuflará na mesa com o aspecto de uma toalhinha de decoração. A primeira imagem é uma gaiola com uma semente dentro. A gaiola não é vista como algo ruim, pois é ela que mais para frente irá rendar o ninho. As imagens seguintes mostram plantas dentro de gaiolas de crochê que vão aos poucos se transformando em rendas floridas, se expandindo e se camuflando com o fundo (árvores e jardins floridos) perdendo sua forma original (a gaiola) para tomar o aspecto de plantas e trepadeiras. Até que, nas imagens seguintes, a renda se transforma em um lençol rendado, formando um grande abrigo. As últimas imagens são de um ninho pequeno em uma árvore novamente sem plantas. Este ninho é feito de folhas secas, que são rendas naturais, costuradas umas nas outras com sementes aladas por dentro.

A expessura das folhas inicia mais rígida, como uma gaiola ou uma casca de semente no inverno e aos poucos vai se afinando, se tornando mais delicada como as pétalas das flores e por fim retorna a espessura inicial com uma imagem mais figurativa, o ninho final. A imagem representativa da gaiola, aquela que “tenta controlar”, vai literalmente se rendendo ao plano da foto. Aos poucos, figura e fundo vão se camuflando construindo uma espécie de trama difusa, quase abstrata, de papel de presente.

As grades, formas de organização e segregação social, impedem o conteúdo de ser invadido e de se expandir. Neste trabalho final a gaiola guardaria uma espécie de vestígio do desejo de brotar, de explodir e se espalhar no todo. Nosso ego seria, nas palavras de Sri Sri Ravi Shankar, como a película que envolve a semente, importante em um certo momento para protegê-la do entorno, mas que deve ser rompida permitindo a germinação. O ego não seria oposto ao nosso verdadeiro Ser, este último é nada mais que expansão do “pequeno ego” 23.

No trabalho “O Grande Buda” de Nelson Felix (ver imagem no anexo 5) pontiagudas estacas de ferro apontam para uma pequena muda de mogno (uma árvore que chega a viver cerca de 1.300 anos). O trabalho nos guarda a promessa do crescimento do troco da árvore de forma concêntrica, fazendo com que as estacas furem a árvore ao mesmo tempo em que são absorvidas por ela. Segundo o próprio artista esta obra cria um confronto entre cultura e natureza. Mas quem de fato estaria vencendo este confronto? Não haveria um inevitável “engolimento” da armadilha pela força milenar da árvore? Segundo Glória Ferreira, neste sentido “O Grande Buda” remeteria “ao sagrado, ao cosmos e à impossibilidade de controlar a Natureza, à natureza humana em sua relação com o sensível.” 24

Nesse ponto de vista, as estacas se tornam inofensivas, como o “pequeno ego” do Grande Buda. As gaiolas, assim como o nosso ego, por mais que nos criem a ilusão de serem intransponíveis e agressivos, perto da natureza e do verdadeiro Ser são só estacas contra uma árvore milenar. O corpo se torna parte da paisagem, assimila o ego e se expande em direção ao vácuo, ao infinito.

Essa difusão entre figura e fundo, comentada na introdução desta monografia, não é exclusividade da Física Quântica e da cultura oriental. Esta também seria uma sensação experimentada por diversos artistas e pensadores ocidentais. Cézanne, por exemplo, caracterizaria esse fenômeno como “o homem ausente, mas inteiro na paisagem” 25. Para Deleuze a arte criaria blocos de sensações e esses blocos precisariam:

“(...) de bolsões de ar e de vazio, pois mesmo o vazio é uma sensação, toda sensação se compõe com o vazio, compondo-se consigo, tudo se mantém sobre a terra e o ar, e conserva o vazio, se conserva no vazio conservando-se a si mesmo.”. 26

Voltando às palavras de Cézanne: “Há um minuto do mundo que passa”, não nos conservaremos sem “nos transformarmos nele“ 27. A experiência do artista nos mostra que a “fonte inesgotável” não pertence a ele, é o artista que se permite pertencer a esta “fonte inesgotável”. Ele se tornaria um canal, onde esta energia flui.

Sobre este aspecto pode ser feito um paralelo com a expressão “Vazio pleno” de Ligia Clark. No seu texto “A supressão do objeto” a artista descreve momentos de pura “indiferenciação oceânica” 28 em que ela afirma: “Eu sou o outro” 29. A artista descreve certos momentos em que se sente fundida na paisagem como mostra o trecho abaixo:
“A vida estava se abrindo como uma afirmação de vida, mas vivida como morte, vazio total. Raros momentos de integração em bruto com a realidade. Encostada num tronco curvo de árvore me sinto como se fosse o próprio tronco. Passando a mão em uma estatua, viro a prega do manto.” 30
Esta experiência seria um ato de render-se ao todo, que não significa passividade. Este abandonar-se implica em responsabilidade de agir de acordo com o todo. Seria um render-se rendando-se, como expus na poesia a seguir:

Peregrina


Brota com o sol

Renda um ninho infinito

Se camufla na cidade, nas marés, no respiro...
Encontra um ritmo se rendendo com o todo

(Lívia Moura, 2009)


Na introdução citei exemplos da física quântica e da filosofia oriental que afirmam a vacuidade desse todo. A sensação dessa vacuidade pode ser experimentada através de um estado meditativo31. A percepção do vazio que nos constitui, assim como constitui o espaço circunvizinho, cria uma não separação entre “figura e fundo”.

A percepção do vazio que a física quântica nos revela seria como uma linha difusa e indescritível que a neblina cria entre as coisas no trabalho acima citado de Brígida Baltar. Neste trabalho, a neblina seria o agente simbólico e material dessa difusão. O mistério seria criado por uma não distinção entre as coisas, por essa veladura que faz com que não possamos contornar plenamente o objeto. Esta cria a sensação de que tudo faz parte da mesma trama de um tecido.

Essa experiência não-cognitiva constrói, ou, como diria Robert Smithson, “desconstrói” nossa percepção fragmentada do mundo. Este seria visto em sua “des-diferenciaçao” 32, onde não existiria diferença fundamental entre nós e o espaço. Esse sentimento de pertencimento faz com que tudo e todos façam parte de nós mesmos.

A neurologia mostra que nossos órgãos têm o sentido cortical e subcortical. Na interpretação da psicanalista e crítica de arte Suely Rolnik, o primeiro estaria ligado ao tempo, à historia do sujeito e à sua linguagem. O cortical seria o que delimita o sujeito e o objeto em uma relação de exterioridade e permite que nos movamos em um cenário conhecido e estável.

O subcortical, que ela chama de “corpo vibrátil”, seria constituído pelas sensações desvinculadas da historia do sujeito, onde o outro é vivo, é parte de nós mesmos. Neste caso se dissolvem as figuras de sujeito e objeto e aquilo que separa o corpo do mundo, criando assim uma desterritorialização de nosso arsenal cognitivo vigente. Esse não-reconhecimento nos geraria uma crise nas nossas referencias e essa crise seria o agente motor da criação e do pensamento.

Para a autora, o nosso “corpo vibrátil” estaria anestesiado pelo atual sistema capitalista. O processo de subjetivação, o lugar do outro e a criação estariam, portanto, ameaçados. E isso impediria o pleno desenvolvimento do “potencial germinador” do sujeito33.

“RENDA-SE: a caça engoliu o caçador” pretende abordar estas questões. A gaiola que aprisiona as sementes é feita de crochê. Ela tenta controlar a germinação, a criação, mas ela em si é também criação (assim como nós mesmos). O ato de fazer o ponto do crochê seria como um brotar. Utilizei esta técnica para evidenciar a semelhança entre aquilo que o homem produz e o que é produção da natureza. Somos a natureza, mesmo que queiramos dominá-la e nos separar dela, não podemos deixar de ser ela. Sempre que tentemos controlá-la, acabaremos por ser engolidos pela caça.

A obra do artista pertence ao que ele mesmo pertence: ao todo. Dessa forma a criação deixa de ser exclusividade de um único autor. Felizmente, isso vem sendo cada vez mais aceito e afirmado na arte contemporânea. O começo e a criação é inevitavelmente um processo continuativo no tempo e no espaço. A obra de arte é sempre uma partilha coletiva, ou melhor, uma partilha com o todo.

Considerações finais:

“Sentado tranqüilamente, nada fazendo,

Surge a primavera e a grama cresce por si mesma. ”

(poesia Zen)

“Nenhuma de nossas decisões afetam o curso do universo”

(George Brecht)


A poesia Zen acima citada talvez nos transmita um senso de passividade. E se interpretamos as palavras de George Brecht num sentido niilista, elas poderiam nos desanimar. Mas a verdade é que elas nos encorajam ainda mais, como se tivéssemos que deixar de nos preocupar tanto em controlar o rumo do universo e, pelo contrário, agir de acordo com seu fluxo. O artista latino-americano Luis Caminitzer afirma que:


“Se tivesse que encontrar uma imagem para a cultura diria que é uma montanha de areia. Apesar de que como artistas nos cremos muito importantes como indivíduos originais, dentro da montanha somos somente um dos grãos de areia: Em posições passivas, mantemos a estrutura. Em posições ativas, às vezes criamos pequenos derrames e avalanches. No final, entretanto, cai a montanha de areia, como resultado da posição de todos os grãos e suas interações.” 34

Quanto maior a consciência do mundo em torno desse fluxo a obra gerar, maior é sua potência. As mudanças desejadas devem estar presentes em sua estrutura nodal e não somente no seu discurso. Essa talvez seja uma condição daqueles que estão sempre alertas, sempre construindo táticas de guerra para viver em meio à adversidade35.

Segue abaixo uma cosmogonia que faz parte do que considero meu primeiro trabalho de arte. Ele opera como um esqueleto de todas a obras que faço. Esse trabalho se aproxima desses espaços de entropia, misturas e transformações irrevogáveis acima citadas:

A fechadura do cadeado
O cadeado está puxando a bolha
É uma bola de ferro atada ao tornozelo
O lado de dentro é o de fora

E o de fora é o de dentro


Se a bolha de dentro estourar

Ela se transformará no de fora

E o cadeado vai soltar
Se a bolha de fora estourar

A de dentro não existirá

E a mistura estará formada...
(Lívia Moura, 2003)
O cadeado seria fisicamente e simbolicamente um peso fixo, algo que prende uma levíssima e transitória bolha. Algo que por si só nunca poderá se submeter a qualquer tipo de caça. Como a natureza vácua ela jamais poderá ser engolida pelo caçador mais que o engolir.

A obra de arte não pode estar presa a um objeto numa gaiola, ela faz parte do tempo, da vida como um todo. A atuação do artista, portanto, tenderia a se esgarçar para a vida, ameaçando o seu monopólio na criação. A divisão entre figura e fundo se torna difusa e a superfície do momento presente ganha força.

A poética que pretendo desenvolver é uma afirmação de que o tempo e o espaço, a cultura e seus agentes participam ativamente da sua construção. Cada obra nasce do “Grande Vácuo” para novamente dissolver-se nele. Termino esta monografia com um trecho do texto “A supressão do objeto” de Ligia Clark:
“O engolir o espaço exterior para abrindo os pulmões num grito, espaço esse identificado por mim com o que chamei há anos de “vazio pleno”, em que a poética ainda era transparente. Religamento do espaço metafísico com o imanente. Já nada invento só as invenções nascem (...) numa troca comum de dialogo, sendo isso que mais colado à vida consegui propor. Divido a proposição e aceito a invenção do outro. Grande instinto de morte colado à grande vitalidade” 36
Na aceitação deste jogo continuo entre pleno e vazio, entre vida e morte, a poética pode voltar a seu estado “transparente” e a arte a cumprir sua função de “religamento”.

Bibliografia citada:

DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Felix. Percepto, Afecto e Conceito in O que é filosofia? São Paulo, Ed.34, 1992.

SUZUKI, Shunryu. Nem sempre é assim. Ed. Religare, Sao Paulo, 2003.

FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Escritos de Artistas. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006

CAMNITZER, Luis. Ensaio: Pensamento crítico.

JODOROWSKY, Alejandro. Il dito e l aluna: raconti zen, haiku, koan. Itália, Ed. Mondadori, 2006.

CAPRA, Fritjof. O Tao da Física: um paralelo entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental. São Paulo, Ed. Coltrix, 1995.

SHANKAR, Sri Sri Ravi. Dio ama il divertimento. Itália, M.I.R Edizioni, 1998.

SHANKAR, Sri Sri, Sabedoria Para o Novo Milenio, e. Arte de Viver, Rio de Janeiro, 2008.


ROLNIK, Suely. Ensaio: “Geopolítica da cafetinagem” in web: transform.eipcp.net/transversal/1106/rolnik/pt
Website de Isidorio Cavalcanti:

http://www.izidoriocavalcanti.com.br/cambraieta001.htm
KRAUSS, Rosalind E BOIS, Yves Alain. Entropy, Formless, A user’s Guide, ed. Zone Books.
LISPECTOR, Clarice. Os desastres de Sofia. In A Legião Estrangeira. São Paulo, Ática, 1977, p. 11-25
Entrevista com Milton Santos no site: http://www.nordesteweb.com/not02/ne_not_20010202a.htm
Anexo 1:

Foto do projeto RENDA, Lívia Moura, (2006- ... obra em processo contínuo):


Anexo 2:
Foto do projeto RENDA-SE: a caça engoliu o caçador, Lívia Moura, (2008 - ... obra em processo contínuo)


Anexo 3:
Convite da exposição “Cambraietas” de Isidorio Cavalcanti:


Anexo 4:


Foto de Brígida Baltar


http://www.google.com/imgres?imgurl=http://1.bp.blogspot.com/_3t24MqsCxq4/SugadZgBUEI/AAAAAAAAABc/2Ncmkguijhw/s400/colecta%2Bde%2Bneblina%2B-%2Bbrigida%2BBaltar%255B3%255D.jpg&imgrefurl=http://literaturadodesassossego.blogspot.com/2009/10/coleta-de-neblina-por-brigida-baltar.html&h=276&w=400&sz=31&tbnid=pTDIlJq7984B0M:&tbnh=86&tbnw=124&prev=/images%3Fq%3DBrigida%2BBaltar&usg=__s1dE4pEKRtFeaIzPVl-vsgrmkEE=&ei=gyg1S96KM8mMuAf2wKGWBw&sa=X&oi=image_result&resnum=2&ct=image&ved=0CA0Q9QEwAQ

Anexo 5:


Foto do trabalho “O Grande Buda” de Nelson Felix


http://www.canalcontemporaneo.art.br/portfolio_geral.php?c_lingua=P&c_tipo=4&c_artista=1&pesquisa=Nelson%20Felix

1 CAPRA, Fritjof. O Tao da Física: um paralelo entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental. São Paulo, Ed. Coltrix, 1995. Pg, 62.

2 Idem. Pg 61.

3 Idem, Ibidem. Pg 162

4 TSAI apude CAPRA.


5 Nascido no sul da Índia no ano de 1956, Sri Sri Ravishankar é um dos mestres espirituais e líder humanitário mais conhecido atualmente . Em 1982 fundou a ONG Art of Living Foundation, site: www.artofliving.org .

6 SHANKAR, Sri Sri Ravi. “Dio ama il divertimento”. Itália, M.I.R Edizioni, 1998. Pg 94.

7 Entrevista com Milton Santos na Internet. Site: http://www.nordesteweb.com/not02/ne_not_20010202a.htm

8 Lispector, Clarice. Os desastres de Sofia. In A Legião Estrangeira. São Paulo, Ática, 1977, p. 11-25

9 CAGE, John. O Futuro da Música in Escritos de Artistas FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006. Pg 333

10 SMITHSON apude KRAUSS in KRAUSS, Rosalind E. e BOIS, Yves Alain Bois. Entropy, Formless, A user’s Guide ed. Zone Books, pg 73.

11 SMITHSON, Robert. in Escritos de Artistas FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006. Pg 183-184

12 Idem. Pg 190.

13 MORRIS apude SMITHSON.

14 SMITHSON, Robert. in Escritos de Artistas FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006. Pg 185

15FREUD apude SMITHSON

16 SMITHSON, Robert. in Escritos de Artistas FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006. Pg 186

17 Idem Pg 190

18 Idem, Ibidem. Pg 191

19 Idem, Ibidem. Pg 197

20 JODOROWSKY, Alejandro. Il dito e l aluna: raconti zen, haiku, koan. Itália, Ed. Mondadori, 2006.

21 O pensamento dualista seria aquele que distingue o sujeito do objeto, o eu e o outro.

22 SUZUKI, Shunryu. Nem sempre é assim. Ed. Religare, Sao Paulo, 2003.

23 SHANKAR, Sri Sri Ravi. Sabedoria para o novo milênio, ed. Arte de Viver, Rio de Janeiro, 2008.

24 Texto de Glória Ferreia na Internet. Site: http://www.canalcontemporaneo.art.br/portfolio_geral.php?c_lingua=P&c_tipo=1&c_artista=1

25 CÉZANNE apude DELEUZE e GUATTARI.

26 DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Felix. Percepto, Afecto e Conceito in O que é filosofia?. São Paulo, Ed.34, 1992.

27 CÉZANNE apude DELEUZE e GUATTARI

28 Termo criado por Freud.

29 CLARK, Ligia. A supressão do objeto in Escritos de Artistas FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006. Pg 353

30 Idem Pg 352

31 O estado meditativo seria um momento em que o sujeito se encontra completamente entregue ao momento presente, sem distinções fundamentais com o predicado. Este estado pode ser alcançado em diversas atividades, até mesmo cotidianas como comer, falar, trabalhar, etc... A meditação seria um exercício prático para expandir estes momentos.

32 SMITHSON, Robert. in Escritos de Artistas FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006. Pg 185

33 Ensaio: “Geopolítica da cafetinagem” in web: transform.eipcp.net/transversal/1106/rolnik/pt

34 CAMNITZER, Luis. Ensaio: Pensamento crítico.

35 Referencia à frase de Hélio Oiticica in Escritos de Artistas FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006. Pg168.

36 CLARK, Ligia. A supressão do objeto in Escritos de Artistas FERREIRA Glória, COTRIM, Cecília (Orgs). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006. Pg 355.





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