Retro gender and digital technology



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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação

XXVI Encontro Anual da Compós, Faculdade Cásper Líbero, São Paulo - SP, 06 a 09 de junho de 2017

Gênero retrô e tecnologia digital1


RETRO GENDER AND DIGITAL TECHNOLOGY

Carla Lima Massolla Aragão da Cruz 2


Resumo: A globalização e os recursos tecnológicos estimulam uma coesão social fundamentada no cultivo do imaginário, como uma alavanca metodológica, que garante nossa visão do real. Na nova busca pelo real, paralelos entre tempos passados e situações atuais são traçados e atualizados para o discurso contemporâneo. É o reencantamento do mundo, que reflete nas diferentes produções cinematográficas, impulsionando a construção de um gênero maior e múltiplo, que alicerçado pelos recursos digitais, resgata os melhores títulos, conceitos e gêneros. Diante deste cenário, a animação digital potencializa a produção do gênero retrô, já que proporciona maior veracidade nas cenas, agilidade na produção e a representação de conceitos mais abstratos. Para ilustrar discorreremos, principalmente, nas peculiaridades de três produções: “The Jungle book” (2016), “Rango” (2011) e “Inside out” (2015).

Palavras-Chave: Gênero retrô. Tecnologia digital. Cinema.


Abstract: Globalization and technological resources stimulate social cohesion based on the cultivation of the imaginary, as a kind of methodological lever that guarantees our vision of the real. In the new search for the real, parallels between past times and current situations are resgated and updated to contemporary discourse. It is the re-enchantment of the world, which reflects in the different cinematographic productions, impelling the construction of a greater and multiple genre, which, based on digital resources, rescues the best titles, concepts and genres. Given this scenario, digital animation enhances the production of the retro genre, as it provides greater veracity in scenes, agility in production and representation of more abstract concepts. To illustrate, we will mainly discuss the peculiarities of three productions: "The Jungle book" (2016), "Rango" (2011) and "Inside out" (2015).


Keywords: Retro genre. Digital technology. Movie theater.
line 2

1. Gênero retrô


Diferente do século XX, marcado de tempo em tempo pela predominância de determinados gêneros cinematográficos, o século XXI já nasceu na globalização, aceita a diversidade de gêneros, como também compartilha diferentes características culturais. Contudo, se por um lado a aldeia global estabelece uma integração entre países e pessoas do mundo todo, quebrando barreiras geográficas e temporais, por outro revela tendências que se espalham nos aspectos culturais dos quatro cantos do planeta.

As mudanças comportamentais, culturais e comunicacionais que permeiam o cotidiano social são irreversíveis, e, ao mesmo tempo em que o culto ao indivíduo se destaca no comportamento dos sujeitos, há uma necessidade cada vez maior das pessoas se agregarem em comunidades, é uma busca pela socialização por meio da identificação com os integrantes das diversas tribos, como se o estabelecimento de laços compensasse o desgaste do individualismo.



Segundo Maffesoli3, a pós-modernidade é marcada pela predominância de dois elementos: o cotidiano, que é a forma das coisas realmente serem, e o imaginário, um céu de ideais que garantem a coesão social. Neste contexto, “o imaginário é uma espécie de alavanca metodológica que garante inclusive que possamos enxergar o que é real” (MAFFESOLI, 2012, p.106). E, nesta jornada da procura do que é real, os sujeitos traçam paralelos entre tempos passados e situação atual, é a retomada do que já passou atualizada para o discurso contemporâneo, como ilustra o título do livro de Maffesoli “O tempo retorna”.

É ao lado disso que, graças ao desenvolvimento tecnológico, vemos renascer, uma fênix de suas cinzas, o imaginário sob a forma de um realismo mágico. Realismo, pois impregna todas as coisas da vida cotidiana; mágico, pois reveste essas mesmas coisas com uma aura imaterial, com um suplemento espiritual, com um brilho específico, contribuindo para fazê-las desempenhar o papel que tinha o totem para as tribos primitivas. Percebe-se, aqui, o eco do poeta: ‘Objetos inanimados, vocês têm uma alma’? (MAFFESOLI, 2012, p.107).


A sociedade pós-moderna, por meio dos aspectos tecnológicos, emerge como a soma do tribalismo arcaico e o reencantamento do mundo, e reflete nas diferentes produções cinematográficas, impulsionando a construção de um gênero múltiplo, isto é, que não está limitado a ficção, aventura, western, chanchada, terror, ou qualquer outro gênero4. Trata-se de um gênero maior, que, alicerçado pelos recursos digitais, pode ser identificado como retrô, uma vez que resgata os melhores títulos, conceitos e gêneros, e mesmo garantindo os aspectos de pré-produção, produção e pós-produção da versão original, introduz traços ideológicos contemporâneos5 e a intergenericidade, ou seja, a fusão de gêneros diferentes, para cumprir um determinado propósito comunicativo.

Certamente a retomada de títulos, gêneros e temas é um grande desafio para uma produção, pois a necessidade de superação é latente e condicionante na expectativa de conquista de público. Diante deste cenário, a animação digital se tornou uma ferramenta fundamental na produção do gênero retrô, já que proporciona maior veracidade nas cenas, agilidade na produção e a representação de conceitos mais abstratos.

Como há grande eficácia na produção do imaterial e a magia é incorporada dentro da existência cotidiana, as animações digitais, as produções live-actions e os efeitos da computação gráfica nos filmes incorporam as maiores produções cinematográficas da atualidade.

Eis o que é fantasia pós-moderna. Ela não é destacada da existência cotidiana, mas, é, no mais alto ponto, o coração que bate. Filmes, livros, ciberculturas, videoesferas, tudo isso traz uma marca profunda de eficácia do imaterial. Essa magia contemporânea, que encontra sua origem nos fairy tales dos diversos reinos das fadas, de todos os contos e lendas, exprime bem a volta do sentimento trágico da existência. Não mais uma existência que podemos dominar em sua totalidade, mas que deve ajustar-se, bem ou mal, as forças que a ultrapassam (MAFFESOLI, 2012, p.107-108).

Neste texto, para ilustrar a formação do gênero retrô, com ênfase na contribuição da animação digital, discorreremos, principalmente, nas peculiaridades de três produções: The Jungle book” (Mogli: O Menino Lobo, 2016), a animação de 1967 que retorna como filme; Rango (2011), que resgata para uma animação contemporânea o gênero western; e “Inside out” (Divertidamente, 2015), animação melodramática que retoma a ciência comportamental que teve seu ápice no século XX.




2. “Mogli”: a animação que virou filme


“The Jungle book” (“Mogli: O Menino Lobono Brasil e “O Livro da Selva” em Portugal) é um filme contemporâneo de 2016, que sob a direção de Jon Favreau, resgata a ambiência e os personagens da clássica animação de 1967, com o mesmo nome, baseada no conto do historiador Rudyard Kipling, ambos produzidos pela Walt Disney Pictures. O filme teve grande aceitação pela crítica e de um orçamento de U$ 175 milhões arrecadou U$ 966 milhões em bilheteria (incluindo versão 3D e Imax).

Mogli é um filme live-action que apresenta a combinação da atuação do jovem ator Neel Sethi, o menino criado pelos lobos, com a comunidade de animais da floresta, na qual é identificado como o “filhote de homem”.

A criança representa a figura humana na selva, o que naturalmente causa preocupação para alguns animais que conhecem o poder destrutivo humano, em especial ao tigre Shere Khan, cuja narrativa destaca que em circunstâncias anteriores foi ferido pelo homem.

Como no filme “Who Framed Roger Rabbit”, 1988, a interação de Mogli com os animais da floresta, criados por meio de animações, é muito convincente e a veracidade dos animais é tão notável como a do tigre em “As Aventuras de PI”, 2013. Estes, entre outros fatores, contribuíram para que “Mogli: O Menino Lobo” alcançasse a terceira maior bilheteria de 2016, com a arrecadação de mais de 910 milhões, e a satisfação da crítica e do público.

Entre as principais diferenças do remake da animação, que retornou como filme, além da hibridação das gravações dos personagens humanos com a animação, tem a articulação dos recursos digitais que garantem a fantasia e a sensação de realidade nos processos interativos. Como também, a recontextualização do universo da antiga animação ao momento atual da sociedade.

A perspectiva imagética e o universo criativo da narrativa, foram mantidos, mas a relação do protagonista, como personagem humano na selva, foi modificada. Houve atualização da animação de 1967, na qual as características do estilo pastelão foram substituídas pelo suspense e por argumentos configurados à uma percepção das relações sociais mais crítica e madura, regada por situações de interesse, ambição, medo, violência, suspense e um pouco de terror.

A ideia da perseguição do “filhote de homem” pelos predadores da selva ganha uma dinâmica mais intensa de cortes na edição, como também maior velocidade dos planos durante as cenas, mas o figurino, o conceito central, a concepção da selva e a visão do homem como predador da natureza permanecem.

Entre as novidades, observamos que o filme insere conceitos mais técnicos, como a noção de que a debilidade das árvores pode ser identificada pela presença de trepadeiras e que a elaboração de objetos é uma habilidade natural do homem, conforme demonstra Mogli com a criação de diversos artefatos.

Na animação, mesmo que contrariado, Mogli é conduzido pelos outros animais, que se articulam para tirá-lo da floresta. Contudo no filme, o próprio menino é quem decide que deixar a floresta seria a opção mais adequada.

Tal qual a animação, o filme demonstra o comportamento adulto assumido pelos animais, sob as vozes dos atores Bill Murray (o urso Balu), Ben Kingsley (a pantera Baguera), Idris Elba (o tigre Shere Khan), Scarlett Johansson (a cobra Kaa), Lupita Nyong'o (a mãe loba Raksha), Giancarlo Esposito (o lobo Akela, líder da alcateia) e Christopher Walken (o macaco rei Louis), entre outros.

Na narrativa, Mogli assume o papel de herói, cuja jornada, semelhante a um videogame, apresenta constantes desafios e benefícios. Assim, o menino, sozinho na floresta encontra um animal perigoso, mas consegue se salvar, depois outro e mais outro, e como recompensas, conta com a ajuda dos animais aliados, que encontra na floresta. De fato, o filme já apresenta a necessidade de conquistas desde a primeira cena, quando Mogli passa por uma simulação de perseguição na floresta, realizada pela pantera Baguera, animal aliado que exerce o papel de tutor do menino e se empenha em treiná-lo para possíveis situações de perigo. No decorrer da narrativa, a história remete, frequentemente, a necessidade de Mogli se preparar para superar as investidas de um vilão para, progressivamente, passar para o próximo.

Enquanto o Mogli da animação é dependente e totalmente conduzido pelas circunstâncias, o do filme demonstra um senso crítico aguçado, demonstrado na sua pró-atividade, que revela nas tomadas de decisões e na elaboração de artefatos6 para facilitação da realização de suas atividades.

O clímax da narrativa está na fulga de Mogli dos ataques de Shere Khan. Todavia, além de salvar-se, o menino consegue resgatar os animas da floresta da violência imposta pelo tigre vilão. Como plus na narrativa, o menino consegue ainda, socorrer um filhote de elefante, preparar estratégias para coletar o mel das colmeias e fazer uso do fogo. E, para completar o quadro heroico, Mogli lidera os animais na restauração da floresta abatida pelo fogo.

O desenvolvimento da maturação do protagonista na narrativa é progressivo, da condição de vítima passa à posição de líder, como uma versão jovem de Tarzan,7 ele se comunica e coordena ações dos animais.

O amadurecimento também é ilustrado no comportamento dos animais, que a princípio não aceitam as invenções de Mogli e procuram fazer com que ele haja segundo as competências similares a deles, entretanto, durante a narrativa, é crescente a demonstração de que os melhores resultados são alcançados quando as espécies se utilizam das habilidades e atitudes que lhe são inerentes. Desta forma, Mogli consegue, com suas competências humanas, garantir a própria sobrevivência e contribuir com a proteção da floresta e dos animais.


FIgura 1 - Cena de Mogli na floresta.

FONTE: “The Jungle book”,1967.


Além da condição passiva do perfil da criança da animação, ela retrata outros valores sociais e culturais dos anos sessenta, dando destaque ao jazz, a formação de uma tropa militar8 na encenação dos elefantes e a submissão social do gênero feminino, que só ganha destaque no discurso da elefanta Godofreda, cuja necessidade de manutenção de seus princípios maternais de proteção a levam a ameaçar assumir a liderança da companhia. A manifestação da elefanta é abafada pela voz do líder dos elefantes, que retoma o controle com a observação de que “seria absurdo uma fêmea no comando”. Já, no final da animação, o menino lobo é conduzido pelo único motivo justificável na época, os encantos e astúcia femininos da jovem nativa humana.

Da versão de 1967 (animação- FIGURA 1) para 2016 (filme), a infraestrutura da casa do macaco rei Louis também sofreu mudanças, das frutas, que preenchiam o cenário na animação, o filme incorporara pilhas de produtos fabricados por humanos. A dimensão do macaco supera bastante a da animação, o que era um gorila, agora apresenta tamanho mais próximo a de um “King Kong” (2005), e, o desejo do macaco pelo domínio do fogo (chamada “flor vermelha”) é muito maior, coadunando com as manifestações ilustradas na música, que reflete os interesses dos babuínos em conquistar o lugar do homem9.

O filme também atualiza a narrativa aos valores sociais e culturais contemporâneos. Não há uma preocupação em apontar um pai lobo para criação de Mogli (assumido por Rama na animação), o destaque fica para Akela, líder e ícone da alcateia de lobos, simboliza a referência para Mogli e para comunidade local. Agregada a referência de Akela o filme destaca a pantera Baguela, como tutor do menino e o urso Baloo, no papel de pai amigo. Assim, as características de liderança paterna ficam dividas em três personagens: a autoridade com Akela, a disciplina com Baguera e a amizade com Baloo.

A posição do gênero feminino também ganha grande significação no filme, pela voz da mãe loba Raksha (Lupita Nyong'o), fortes laços afetivos ganham espaço na mãe loba, que assume funções de orientadora, protetora e sucessora de Akela na relação com os filhotes.

O fator ambiental e o respeito pela diversidade religiosa também são preservados no filme, diferente da animação, os elefantes são tratados com o respeito inerente as crenças dos nativos africanos e as árvores da floresta não são acidentalmente destruídas, mas preservadas sob a orientação de Mogli.

Conforme ilustra FIGURA 2, o cenário, a dimensão e veracidade dos animais causam certo terror na narrativa, constituída por pântanos com neblina e a voz sussurrante da cobra, que mais parece uma anaconda. O humor pastelão dos abutres da animação foi suprimido pelo retorno do menino à alcateia de lobos, pois agora, Mogli, como protagonista da história dele, decide que ao invés de fugir deve ficar e lutar pela sobrevivência dele e da justiça na floresta.





Figura 2 - Cena de Mogli na Floresta ao lado da cobra Kaa.

FONTE: "The Jungle book”, 2016.


Na conclusão do filme se dá ênfase a essência maniqueísta, trabalhada também, mas em menor escala, ao longo da narrativa. É a sobreposição de impacto do bem contra o mal, ilustradas nas cenas da morte do tigre Shere Khan, que de certa maneira, relembra à morte de Iscar (leão vilão da animação “O Rei Leão”, 1994), que da mesma forma que Shere Khan, foi responsável pela morte do líder da comunidade de animais. Tanto Shere Khan, quanto Iscar, morrem consumidos pelo fogo, representando a supressão do mundo das sombras pela luz dos líderes emergentes, Simba (leão jovem da animação “O Rei Leão”, 1994) e Mogli, (líder jovem do filme “Mogli, o menino lobo”, 2016).

3. “Rango”, da epifania ao mundo western

Os westerns, que expressam a excelência do cinema americano, e marcaram o final do século XIX e século XX, também são resgatados pelo gênero retrô, embora as três maiores bilheterias de cinema neste gênero tenha ocorrido apenas no século XX, o século XXI é palco de alguns títulos de sucesso, entre os quatro maiores10 estão: “A proposta”(2005); “Onde os fracos não têm vez” (2007); “Rango” (2011); e “Django Livre” (2012).

Como terceiro título de maior bilheteria (US$ 245 milhões de um orçamento de U$ 135 milhões, segundo o IMDb) temos “Rango”, 2011, uma hibridação de gêneros clássicos, animação-comédia-wertern, que sob a direção de Gore Verbinski, traz na voz de Johnny Depp a história de um camaleão que se liberta do cativeiro e torna-se um pistoleiro em uma pequena cidade do Velho Oeste. O sucesso já começou na estreia, nos EUA alcançou o primeiro lugar da bilheteria no seu primeiro final de semana, com a arrecadação de U$ 38 milhões. E, entre outras premiações, “Rango” conquistou o Óscar de melhor filme de animação em 2012.

Rango11 representa o típico personagem fílmico do faroeste, solitário e em busca de mudança de vida. Mediante uma crise de identidade, ele deseja passar por um momento de epifania e, num discurso pseudo-metalinguístico,12 comum nos títulos contemporâneos, declara:



[...]- The stage is waiting.

- The audience thirsts for adventure.

- I could be anyone.

- Who I am? [...]

- People. I´ve had an epiphany.

- The hero cannot exist in a vacum!

- What our story needs is an ironic, unexpected event.[...]

(Fonte: Animação “Rango”, 2015, diálogo do personagem Rango)



Esta fala soa como uma antecipação dos fatos, já que precede a destruição de seu antigo lar, um aquário, e o lançamento dele à arenosa e conflituosa Vila Poeira, típica cidade do Velho Oeste, sem lei, com moradores desconfiados e extravagantes, mas com o potencial para transformar a vida do protagonista e concretizar os sonhos dele de uma vida heroica.

E, como era de se esperar, mesmo dentro de uma nova visualidade, pela tradição da ambiência wertern, a cidade é composta de apenas uma avenida principal onde se destacam um saloon (com jogatina, bebidas e prostituta), a delegacia e o banco.

[...] os contos clássicos foram ganhando outra visualidade, a partir de criações e releituras de narrativas previamente divulgadas, podendo ser enriquecidos nos aspectos lúdico, onírico e fantasioso, transportando o espectador a mundos mágicos e encantados (FOSSATTI, 2010, p.11).


Na jornada de herói, conforme observamos na FIGURA 3, Rango reflete alegoricamente, as características de adaptação ao meio, inerente a sua natureza de camaleão. Ora é bicho de estimação, ora assume o papel de cowboy, depois, acidentalmente, se torna o xerife da Vila Poeira, e, por fim, conquista o lugar de herói. Na própria narrativa o protagonista, sob a voz e persona de Depp13, sua condição de assumir múltiplos papéis.



Figura 3 - Imagem do personagem Rango na cena da rua principal de Vila Poeira

FONTE: “Rango”, 2011.


Outro aspecto significativo na realização dos sonhos de Rango é a representação da conquista por meio da liberdade, isto é, o camaleão cativo da cidade grande se torna autoridade da cidade do Velho Oeste. Ainda que a passagem ocorra mediante a manutenção de diversas faces: covarde e herói, transformador, mas ainda vítima da sorte. Conforme menciona Hutcheon, a modernidade, em termos de não-identidade, “produz a multiplicidade, a heterogenicidade e a pluralidade, e não a oposição e exclusão binárias” (HUTCHEON, 1991, p.89).

Como última esperança da Vila Poeira, o novo xerife se depara com personagens perigosos, que de certa forma contribuem para que ele se torne o herói que desejava. Rango representa um protagonista no formato novo da versão da história clássica de faroeste, na qual o forasteiro salva a cidade e a si mesmo durante o processo. E para sublinhar o gênero western, não falta a mocinha (o lagarto fêmea Feijão), o revólver, as esporas, o “cavalo” (improvisado por aves) e um grupo de corujas, que no estilo musical mexicano, celebram a morte14 do herói, provocando suspense e humor ao longo da narrativa.

Para alcançar um futuro de glória e sua autoafirmação, Rango busca, defendendo a comunidade de Vila Poeira, a justiça social. Como qualquer herói do faroeste, passa por confrontos dramáticos de duelos e perseguições, sublinhando o gênero wertern com o estigma de que a violência parece ser a única forma de garantir a segurança.



Figura 4- Imagem do personagem Rango na cena do aquário (“Rango”, 2011).

A atualização do gênero pode ser notada na demonstração da vestimenta inicial de Rango, demonstrada na FIGURA 4, nos veículos da estrada, na ilustração da cidade moderna, no aquário e seus acessórios, como também, na institucionalização da água e não do ouro ou do dinheiro como recurso de maior valor15. Logo, a relação capitalista é expressa no controle da água, e como a própria narrativa declara, quem controla a água, controla tudo”.

No filme, para atender os interesses capitalistas do prefeito, a água de Vila Poeira é racionada e os moradores são explorados, ironicamente, o socorro da população não está na ação de nenhum personagem da região, mas em um camaleão que era domesticado na cidade grande, Rango. O réptil, que antes vivia nos limites das dimensões de um aquário, depois de um acidente, lança-se no deserto do Mojave e inicia sua jornada de herói, interpretando, inicialmente, um pistoleiro do Oeste. Ou seja, de uma hora para outra, a rotina do animal de estimação muda radicalmente, passa da busca de uma identidade nova, para um personagem do Oeste, e só depois que descontrói a camuflagem da dramatização, vivência a experiência de se tornar um herói.

Temos o resgate de um gênero antigo, que retorna com personagens e história as vezes ambíguas, a vítima se torna herói e o recurso de maior valor é o que hoje expressa maior fonte de desperdício na sociedade, a água.



Enfim, a narrativa incorpora diversas ideias de fundo por trás de sua aparência teoricamente clichê, revivenciando o western, se atualiza com algumas informações conceituais contemporâneas, o que de fato retrata a essência do gênero do Cinema Retrô.

4. “Inside out”: a personificação da mente

Você já olhou para uma pessoa e pensou o que se passava na cabeça dela?” Esta é a frase que introduz a narrativa da animação “Inside Out (2015, em português Divertidamente) e que nos remete imediatamente a percepção da complexidade da produção: para definição da ambiência, construção dos personagens e desenvolvimento de um tema de natureza abstrata.

Vencedor do Oscar de 2016, como melhor filme de animação, embora tenha concorrido também como filme de melhor roteiro, a animação, de um orçamento de US$ 175 milhões, despontou como a segunda maior animação de 2015 e arrecadou mais de 842 milhões de dólares. Foi a terceira maior bilheteria da Pixar e o nono filme de maior bilheteria lançado pela Disney.

Na animação, os recursos da tecnologia digital são de grande valia, uma vez que se resgatam conceitos da psique, atualizados pelo acréscimo de novos estudos, junto com a demonstração cinematográfica dos fluxos das emoções comportamentais. A história começa com imagens da infância da pequena Riley, que sob a voz de Kaitlyn Dias, retrata as primeiras imagens do nascimento da menina e seus respectivos reflexos emocionais.

Como no filme “Look Who's Talking(“Olha quem está falando” em português, 1989), os sentimentos da mente de um bebê são expressos, mas não por uma única voz e sim pela personificação das cinco principais emoções: Alegria, Tristeza, Nojo, Raiva e Medo16.

Para construção do ethos da Riley as cinco emoções que conduzem seu caráter dela foram personificadas. Enquanto a Raiva é a personagem vermelha e menor, a Alegria é a maior das personagens e a condutora da narrativa. O medo se apresenta como a segunda maior personagem, porém de estrutura frágil e ganha pouco espaço nas cenas, pois a intenção inicial da narrativa é o de defender a ideia de que o equilíbrio da Riley só pode ocorrer se a Alegria for priorizada.

Riley, é uma menina da classe média americana, que tem como maestrina de suas emoções a Alegria, que de fato é a protagonista da história, e busca incessantemente proporcionar momentos alegres nos acontecimentos e sonhos da menina. A narrativa propõe uma linearidade temporal, que permite ao espectador acompanhar o crescimento dela, mediante as inúmeras emoções que a cercam, a começar pelos vínculos familiares formados desde as cenas do nascimento até o alcance dos onze anos de idade.

Temos também a emoção Nojo, representada por uma personagem verde, que busca adequar a menina aos padrões sociais aceitos para sua idade. Nojo, na versão brasileira representa a repulsa de Riley por brócolis, mas no Japão em que brócolis é um alimento comum, a simbologia é substituída por ervas verdes.

A segunda personagem mais impactante da narrativa é apresentada como a emoção Tristeza, cuja melancolia, também expressa na sua cor azul, procura interferir constantemente na reação da menina.

Diferente das características das personagens Raiva, Medo e Tristeza, a produção buscou na elaboração do visual da Alegria e Nojo uma ênfase no recurso do Baby Schema,17 ampliando a dimensão dos olhos das personagens e das cabeças, que além de maiores são mais arredondadas, delineando expressões faciais18 mais agradáveis, que por assim ser, conquistam mais os espectadores.




Figura 5 - Imagem da cena da mente da Riley, com as emoções personificadas: Raiva, Nojo, Alegria, Medo e Tristeza.

FONTE: “Inside out”, 2015.




As emoções, personificadas, enfatizam suas missões na “sala de controle”, conforme visualizamos na FIGURA 5, isto é, a mente de Riley. A Raiva se revela contra todo tipo de injustiças, enquanto a Nojo se esforça por evitar o consumo de coisas estranhas e/ou situações constrangedoras. Já o Medo se empenha em proteger a vida de Riley, e a Alegria sempre defende um olhar otimista e declara: “- o que vai mal sempre pode ser melhorado, é só fazer uma força”. Enquanto a Tristeza, por sua vez, aconselha o choro, pois segundo ela: “- faz acalmar e suportar o peso dos problemas”.

O melodrama, que conduz a narrativa, começa quando Riley enfrenta conflitos do processo de mudança de residência19 e de escola, juntamente com as emoções advindas da construção de novos valores, pertinentes ao período de transição da fase infantil à adolescência da menina. Para fundamentar o desenvolvimento da animação foi utilizada a teoria psicanalítica do pós-modernismo, a descentralização do sujeito e sua busca no sentido da individualidade e da autenticidade, que teve importante repercussão e sobretudo retoma o conceito de racionalidade de Linda Hutcheon (HUTCHEON,1991, p.85).

Portanto, o pós-moderno realiza dois movimentos simultâneos. Ele reinsere os contextos históricos como sendo significantes, e até determinantes, mas ao fazê-lo, problematiza toda a noção de conhecimento histórico. Esse é mais um dos paradoxos que caracterizam todos os atuais discursos pós-modernos. (HUTCHEON, 1991, p.122).

As características que norteiam a narrativa reproduzem os traços dos filmes clássicos hollywoodianos, mas neste caso, a ênfase não está nos conflitos entre pessoas ou circunstâncias, mas nas emoções personificadas da mente da adolescente. É a luta pessoal pelo sucesso.

O filme hollywoodiano clássico apresenta indivíduos definidos, empenhados em resolver um problema evidente ou atingir objetivos específicos. Nessa sua busca, os personagens entram em conflito com outros personagens ou com circunstâncias externas. A história finaliza com uma vitória ou derrota decisivas, a resolução do problema e a clara consecução ou não-consecução dos objetivos. O principal agente causal é, portanto, o personagem, um indivíduo distinto dotado de um conjunto evidente e consistente de traços, qualidades e comportamentos. Embora o cinema tenha herdado muitas das convenções de caracterização do teatro e da literatura, os tipos de personagens do melodrama e da ficção popular são compostos por motivos, traços e maneirismos únicos (BORDWELL, 2005, p.278-279).



No desenvolvimento da animação, as emoções se utilizam das memórias bases adquiridas por Riley nos momentos mais emocionantes da vida, essas emoções são responsáveis pela formação do caráter dela. Na mente da Riley as memórias bases, apresentadas na FIGURA 6, são representadas por cinco ilhas: família, amizade, honestidade, bobeira e rock. Por serem os pilares do comportamento da personagem, o clímax da narrativa ocorre durante o processo de abalo e/ou destruição dessas memórias bases, elas definem os aspectos da identidade, o ethos da personagem.




Figura 6 - Imagem da cena das ilhas das memórias base, vista pela mente da Riley.

FONTE: “Inside out”, 2015.





A representação ocorre pelas variações na ambiência e na presença dos personagens, lembrando o conceito de “materialidades da comunicação”, que segundo Gumbrecht “são todos os fenômenos e condições que contribuem para produção de sentido, sem serem, eles mesmos, sentidos” (GUMBRECHT, 2010, p.28).

À noite, as memórias vão para o longo prazo, lugar que também transita os amigos imaginários de Riley (como o Bing Bong), e, no período do sono, os pensamentos e as regiões abstratas da mente se manifestam. Outro aspecto importante são as considerações feitas ao subconsciente, lugar para onde são levadas as memórias que causam problemas.

Michael Giacchin20, compositor, conduz com a trilha musical toda a sensibilidade proposta nos eventos da narrativa, que também resgata nas lembranças da Riley, outras produções de Pete Docter (“Procurando Nemo”/2003 e “Up”/2009) e imagens de ovos de páscoa, balas, algodão doce, cartas e jogos completam as lembranças propostas para a mente infantil de Riley na narrativa.

Para a finalização da narrativa, as ações da personagem Tristeza assumem o controle, pois é ela quem resgata a falibilidade humana da personagem. A Tristeza propõe o choro para compensação dos erros e produção do renovo, ensina que perder faz parte do jogo.

A mensagem de fundo da narrativa é que a predominância plena da Alegria é utópica, pois as dificuldades são reais é só podem ser superadas com uma dose de Tristeza. O equilíbrio entre a Alegria e a Tristeza é proposta como base de um fortalecimento necessário à construção da maturidade emocional, porque na tristeza a personagem se compreende, e assim, tem maiores possibilidades de identificar e buscar aquilo que possibilita a felicidade. Assim, a relação equilibrada da Alegria com a Tristeza promove o amadurecimento de Riley. Então, novas ilhas são construídas (discussão amigável, vampiros românticos, fashion), o painel de controle da personagem (cérebro) é ampliado e repaginado e surge também o botão de puberdade.

A narrativa encerra com a visão contemporânea de como se alcança o equilíbrio emocional, ou seja, a responsabilidade pelos desfortúnios da vida de Riley não é atribuída a Deus, nem tão pouco a sociedade, mas advém das escolhas pessoais dela, é uma conquista individual. E como protagonista da sua história, Riley deve articular as próprias emoções para superar os conflitos sociais, o que progressivamente contribuirá no amadurecimento pessoal e estabilização social dela.



5. Considerações Finais

O gênero retrô tem alcançado espaços cada vez maiores nos longas metragens do século XXI, é o resgate e atualização de ícones do imaginário, marcados pela ação de sujeitos que traçam paralelos entre tempos passados e situações atuais, certamente beneficiados pela diversidade de recursos tecnológicos e a intergenericidade. E, nesta revisitação do passado, a os novos títulos carregam certa dose de ironia, como afirma Humberto Eco: “A resposta pós-moderna ao moderno consiste em reconhecer que o passado, já que não pode ser destruído porque sua destruição leva ao silêncio, deve ser revisitado: com ironia, de maneira não inocente” (ECO,1985,p.57).

Podemos notar, que no resgate de títulos, gêneros e conceitos a tecnologia digital tem sido uma ferramenta de alavancagem nas produções, já que contribui na criação e modificação de cenários e personagens históricos, como também proporciona grande eficácia na produção do imaterial e na incorporação da magia, quer seja nas animações digitais, produções live-actions ou nos efeitos da computação gráfica que, aplicadas aos filmes, respondem pelas maiores produções cinematográficas da atualidade. São títulos que também apostam na produção do humor, incorporam questionamentos contemporâneos, mas guardam o universo fantástico.

Referências


AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo e outros ensaios. Chapecó (SC): Argos, 2009.

ALTMAN, Rick, Los Generos Cinematograficos Barcelona: Paidós, 2000.

BORDWELL, David. O cinema clássico hollywoodiano: normas e princípios narrativos. In: RAMOS, Fernão Pessoa. (Org.). Teoria Contemporânea do Cinema: documentário e narratividade ficcional. São Paulo: SENAC: São Paulo, 2005, p. 278-279. vol. II.

ECO, H. Pós-escrito a o nome da Rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p.57.

FOSSATTI, C.L. Categorias de narratividade no cinema de animação: atualização dos valores éticos de Aristóteles segundo Edgar Morin. 2010.p.11. Disponível no site http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo. php?codArquivo=3040. Acesso em 18 de junho de 2015.

FURTADO, E. J; AQUINO, D.V. O Baby Schema nos filmes de animação: análise dos traços neotênicos na representação dos personagens infantis. Intercom- XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2015. Disponível no site: http://portalintercom.org.br/anais/nacional2015/busca.htm?query=baby. Acesso em 20 de abril de 2016.

GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de presença – o que o sentido não consegue transmitir. Rio de Janeiro: Contraponto/PUC-Rio, 2010.

HUTCHEON, L. Uma teoria da paródia: ensinamentos das formas de arte do século XX. Trad. Teresa Louro Pérez. Lisboa: Edições 70, 1985.



MAFFESOLI, Michel. O tempo retorna: formas elementares da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012. (Última parte do livro => “Imaginário. Imaginal”, Michel Maffesoli).

1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Estudos de cinema, fotografia e audiovisual do XXVI Encontro Anual da Compós, Faculdade Cásper Líbero, São Paulo - SP, 06 a 09 de junho de 2017.

2 Carla Lima Massolla Aragão da Cruz: Universidade Anhembi Morumbi, doutoranda em Comunicação, carlamassolla@gmail.com.

3 Michel Maffesoli é filósofo que propõe na sua obra “O tempo retorna – formas elementares da pós-modernidade” (2012, Editora Forense), abordar comportamentos e características cotidianas que nos encaminham à sociedade pós-moderna.


4 Conforme Altman,“Hasta ahora, las teorias de los géneros elaborados en el passado han impusto silenciosamente algunos de sus critérios, y éstos continuían ejerciendo uma influencia tácita em los intentos más recientes de hacer teoria de los géneros” (ALTMAN, 2000, p.17)

5 Para Agamben (2009, p.59), a contemporaneidade é “uma singular relação com o próprio tempo”, sem que se mantenha sobre a época um olhar fixo, mas sempre à distância, para poder sobre ela se verter, embora já numa dissociação anacrônica, entrevendo sua “íntima obscuridade” (AGAMBEN, 2009, p.64).

6 No filme aparecem artefatos criados por Mogli, denominados de truques pelos demais animais da floresta. A elaboração e utilização dos objetos são exclusivas do menino.

7 Há três situações do filme Mogli semelhantes ao filme “A lenda de Tarzan”, 2016: Mogli e Tarzan montam em búfalos africanos no meio da manada, os dois protagonistas se locomovem em cipós na floresta e ambos concluem a narrativa mobilizando os animais para realização de ações que beneficiam a comunidade.

8 O exército era uma vertente muito forte entre as nações na década de 60, pois várias guerras e conflitos marcaram a história do mundo nesse período, tais como: a Guerra Fria, a construção do Muro de Berlim, a Guerra do Vietname e a Guerra Colonial.

9 Os interesses dos babuínos em assumir a posição dos humanos retoma a narrativa do filme “Planeta dos Macacos: a origem” (em inglês Rise of the Planet of the Apes, 2011, sob a direção de Rupert Wyatt).

10AMARAL, Fernanda Censi, 2009. Os 10 melhores filmes de faroeste do século 21. Portal de Cinema, dez/2013. Disponível no site; Acesso em 12/09/2016.


11 Rango é um lagarto do tipo camaleão, mas na estrutura física que lhe atribuíram, revela um perfil esguio e uma barriga saliente. Esses atributos não se assemelham às características da espécie, mas nos remete ao desenho do personagem Rango, do cartunista gaúcho Edgar Vasques. Desde sua primeira tira, publicada em 1970, anuncia em quadrinhos críticos, bem ou mal-humorados, uma reflexão sobre a situação política e a ideologia capitalista. Disponível no site: < http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/fome-de-rango>. Acesso em 21 de setembro de 2016.

12 Rango interrompe sua encenação para dialogar com o expectador sobre o que necessário para que uma narrativa seja interessante, dado a circunstância de que não se trata de uma gravação de cinema, mas a simulação de uma cena, com os recursos de animação, o prefixo ”pseudo” foi acrescido.

13 Johnny Depp atribui ao personagem Rango um ethos semelhante ao da sua atuação como Capitão Jack Sparrowem “Piratas do Caribe”, 2003, também dirigido por Gore Verbinski. Trata-se de um herói que não esconde o medo e sai beneficiado, acidentalmente, em diversas circunstâncias da história.

14 A morte é celebrada no México [...]a diferença está na forma como se vê se enfrenta e se vive a passagem deste mundo para o outro, a maneira festiva como são lembrados e recordados os falecidos, com um jeito próprio de brincar com a morte de forma festiva, original e irônica. Nesse país, todas as pessoas vivem o sentimento de homenagear aos mortos, mesmo que grande parte da população não conheça as origens da celebração, mesmo assim, passou a ser uma das festas mais tradicionais e populares do calendário mexicano. Não é por acaso, que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 2003, reconheceu a celebração do dia dos mortos na cultura mexicana, como Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade. Disponível no site: http://ciberteologia.paulinas.org.br/ciberteologia/wp-ontent/uploads/downloads /2015/11/art1_interface_da_morte_no_imaginario_da_cultura_popular_mexicana.pdf. Acesso em 10/09/2016.


15 Entre títulos que defendem a água como instrumento de maior valor temos “Waterworld” (Waterworld - O Segredo das Águas, no Brasil), dirigido por Kevin Reynolds, 1995).

16 A redução das emoções em apenas cinco revela um dos recursos de simplificação da contemporaneidade. Como recurso para agregar o tema comportamental, o filme recebeu a consultoria de um dos psicólogos mais importantes e reconhecidos no campo do estudo das emoções, Paul Ekman, responsável por ter decodificado as expressões faciais das emoções, tendo viajado até as áreas mais remotas e pouco civilizadas do mundo, para identificar entre as 23 emoções, seis básicas universais, aquelas que compartilhamos com todos os seres humanos, independente da cultura. E assim, ele chegou a 6 emoções básicas, que são facialmente expressas da mesma maneira, em qualquer lugar do mundo: alegria, medo, tristeza, aversão, raiva e surpresa. Pete optou por juntar a surpresa com o medo e 5 foram as emoções trabalhadas e para proporcionar a compreensão do espectador a simplificação é necessária (característica na elaboração de melodramas), da mesma forma que a corporificação das emoções como personagens possíveis de ação.

17 O baby schema, conceito criado por Lorenz em 1943, é um conjunto de traços faciais e corporais que caracterizam a criança humana e os filhotes de outras espécies. Esses traços geram um forte comportamento de cuidado e atenção por parte dos adultos. Esse conceito pode ser aplicado não somente na biologia, mas em estudos comportamentais que afetam áreas sociais com a comunicação, o design e o cinema. (FURTADO e AQUINO, 2015)

18 Ralph Eggleston, o desenhista de produção, trabalhou durante cinco anos e meio neste filme. Foi o tempo mais longo que ele dedicou para uma produção – ele considerou também o processo mais difícil de sua carreira.


19 A inspiração de Pete Docter para Inside Out veio da junção da experiência pessoal e da sua filha, pois ambos passaram por conflitos ao mudarem de Minessota, com a idade de 11 anos.


20 Michael Giacchino nasceu em 10 de outubro de 1967 em Riverside, New Jersey, EUA. Ele é um compositor, conhecido por Ratatouille (2007), Perdido (2004) e Carros 2(2011). É o primeiro compositor de videogame indicado e premiado ao Oscar (ganhou em 2009 com sua trilha do aclamado Up: Altas Aventuras). Disponível no site: http://www.imdb.com/name/nm0315974/. Acesso em 05 de junho de 2016.

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