Richard D. Weber o código de salomãO



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Richard D. Weber


O CÓDIGO DE SALOMÃO
2007

Novo Século

Para pêssegos com creme, Punky e minha mãe, meus

incentivadores.

Agradecimentos
De experiências reais, eu gostaria de agradecer aos dedicados

homens e mulheres da NSA, do Departamento de Estado, da

Mossad e do Departamento de Segurança Nacional,

especificamente o agente especial Robert Kyle, do

Departamento de Imigração e Ernest Buck, da Interpol, com

quem tive o privilégio de trabalhar.

Gostaria de agradecer ao tenente coronel S. Curtis "Chewy"

Johnston, aposentado da força aérea norte-americana, por

sua valiosa assistência técnica. E por fim, mas não menos

importante, os professores Otto Nemo e H. D. Carr, cujos

conhecimentos de religião, história e imaginação vívida

foram essenciais para esse trabalho.

SUMÁRIO
Nota do Autor 11 Capítulo 24 115

Capítulo 25 119

Parte I 13 Capítulo 26 122

Capítulo 1 15 Capítulo 27 126

Capítulo 2 21 Capítulo 28 133

Capítulo 3 26 Capítulo 29 135

Capítulo 4 33 Capítulo 30 139

Capítulo 5 39 Capítulo 31 147

Capítulo 6 45 Capítulo 32 151

Capítulo 7 52 Capítulo 33 154

Capítulo 8 59 Capítulo 34 156

Capítulo 9 64 Capítulo 35 165

Capítulo 10 66 Capítulo 36 171

Capítulo 11 69 Capítulo 37 176

Capítulo 12 75 Capítulo 38 180

Capítulo 13 80

Capítulo 14 82 Parte II 185

Capítulo 15 86 Capítulo 39 187

Capítulo 16 90 Capítulo 40 188

Capítulo 17 94 Capítulo 41 193

Capítulo 18 98 Capítulo 42 195

Capítulo 19 100 Capítulo 43 197

Capítulo 20 103 Capítulo 44 200

Capítulo 21 105 Capítulo 45 203

Capítulo 22 109 Capítulo 46 207

Capítulo 23 112 Capítulo 47 210

Capítulo 48 216 Capítulo 71 339

Capítulo 49 221 Capítulo 72 343

Capítulo 50 228 Capítulo 73 349

Capítulo 51 234 Capítulo 74 354

Capítulo 52 239 Capítulo 75 357

Capítulo 53 244 Capítulo 76 360

Parte III

Capítulo 249 Capítulo 77 367

Capítulo 54 251 Capítulo 78 373

Capítulo 55 254 Capítulo 79 377

Capítulo 56 255 Capítulo 80 379

Capítulo 57 259 Capítulo 81 381

Capítulo 58 264 Capítulo 82 383

Capítulo 59 273 Capítulo 83 386

Capítulo 60 278 Capítulo 84 389

Capítulo 61 282 Capítulo 85 392

Capítulo 62 289 Capítulo 86 397

Capítulo 63 296 Capítulo 87 404

Capítulo 64 300 Capítulo 88 410

Capítulo 65 308 Capítulo 89 421

Capítulo 66 313 Capítulo 90 426

Capítulo 67 316 Epílogo 436

Capítulo 68 324 Apêndice 439

Capítulo 69 328

Capítulo 70 332
Nota do Autor
Você encontrará uma variação do Código Real do Arco da

Maçonaria na página de rosto e depois da assinatura nessas

notas. A chave para decifrá-los será encontrada no Capítulo

36.


As referências feitas pelo autor a locais dentro do Vaticano e

em Chicago, Illinois, são reais com algumas exceções: o

Swift Hall da Universidade de Chicago não tem 13 andares,

mas abriga a Divinity School.

E-mail: 200052@msn.com
Fato:
Enquanto a maioria dos eventos e das pessoas que aparecem

nesse romance são frutos absolutos da minha imaginação,

outros não são. O livro da Rosa Negra existe de verdade na

forma do Livro da Rosa, escrito por Abbé Boullan e,

inclusive, está trancado nos arquivos secretos do Vaticano.

Referências a Sociedades Ocultas e Secretas, seus rituais e

praticantes são historicamente precisas. A Steganografia é

um código histórico verdadeiro escrito pelo abade alemão

Johannes Trithemius, o pai da criptografia e da tabula recta,

um padrão geométrico usado para organizar alfabetos,

números e símbolos e transformar em códigos. Quebre esse

código Vigenére e descubra o segredo dos Templários.


DYC IXAHVRPH MCGU KFTBF KOTPTM HG DYC

VKONO TFGBGL CLPKBJWN KFT

VFMMZDXQWGX.

Você vai precisar da ajudinha da internet...

http://cryptoclub.math.uic.edu/vigenere/vigenerecipher.php

...e da palavra-chave:


S I Y E X

O S Y I D

T T O N E

P H U T C

Y E T O O

R K Y B D

K E P O E
Referências às tumbas da Caxemira, artes, arqueologia,

genética e à história da Igreja Católica Romana são precisas e

fartamente documentadas.

O Protocolo-17, entretanto — embora seja invenção do

autor — é baseado em um documento histórico: Os

Protocolos dos Sábios de Sião. Embora sejam atribuídos à

Polícia Secreta do Czar Russo e, depois, não tenham sido

adotados por ninguém menos do que o industrial Henry

Ford como propaganda anti-semita, alguns acreditam que

esse fosse, na verdade, o plano secreto dos Illuminati. Um

plano para implementar a NOVUS ORDO SECLORUM

(Nova Ordem Mundial). Esperamos que não! Afinal, essa é

uma obra de ficção.

R.D.W. .. ...X

Parte I

O Templo de Salomão



Fomos afastados de um relacionamento com nosso lado

feminino, criativo. Nossa mente racional o desvaloriza e o

ignora quando nos recusamos a ouvir nossa intuição, nossos

sentimentos e os conhecimentos profundos do nosso corpo.

À medida que avançamos no reino onde Logos domina

Eros, o hemisfério esquerdo do cérebro domina o direito,

vai aumentando a sensação de distância das forças

inarticuladas de significado, que podem ser chamadas de

feminino, Deusa, Graal.

Joseph Campbell


CAPÍTULO 1
Zurique, Suíça
A mulher sentava-se completamente ereta, como se

estivesse na escola. Seu magro pulso direito preso ao apoio

de braço da cadeira de madeira clara, com o encosto alto que

estava preso ao chão. Ela era incrivelmente linda, porém

estava chocada, distante.

Sentada, delirando...

Observando...

Aguardando, temendo o pior. Sozinha.

Com a boca delicada e trêmula, Laylah estava sentada no

meio de um apartamento de um quarto coberto por poeira,

pratos com restos de comida, pilhas de embalagens de fast-

food e caixas de pizza cobrindo o chão. O único movimento

vinha das baratas que rastejavam apressadamente por cima

da já rachada bancada da pia da cozinha. Flashes de luz,

como de um estroboscópio, vinham de um monitor do

circuito interno de TV que piscava, pulsando no rosto da

mulher.

Com sua mão livre ela pressionava um cigarro contra seus



lábios trêmulos. Laylah deu uma profunda tragada e soltou a

fumaça.


Os olhos aterrorizados voltaram-se para a porta. Contaram as

trancas triplas. Viraram bruscamente para a janela.

Checaram se ela estava trancada e coberta pelas telas de

segurança.

Ela fitou o reflexo na janela.

Alguns diriam que um rosto assim, sem defeitos, com a pele

bronzeada e aspecto angelical era perfeito. Quase perfeito

demais. A mandíbula era um pouco dura. Os lábios, às vezes,

um pouco cruéis. O pescoço um pouco longo, como o de

um cisne. Os olhos azuis, frios e penetrantes, como os de

uma boneca de porcelana, carregavam uma certa tristeza.

Prostração. Mas às vezes brilhavam. Tornavam-se janelas

que revelavam nervos que eram como pontas desencapadas

de dois fios elétricos. Separados, eles carregavam somente o

potencial para a violência. Um comentário mal-entendido,

um inocente esbarrão no trem, podem simplesmente causar

um sorriso. Ou as extremidades desencapadas podem se

tocar e liberar uma corrente de raiva. Era quando ela perdia

o controle.

Logo acima, uma mariposa presa ao lustre batia as asas

desesperadamente.

Abaixo, Laylah estava sentada, tremendo. Sua camiseta

encharcada de suor destacava seus mamilos. Pressionava

seus dentes, eles rangiam. Estavam apertados.

Seus olhos, agora, se fecharam firmemente, ela murmurava

baixo, como que sob efeito de drogas:

— Não durma. Não posso dormir! Não posso deixá-los

entrar.


O cigarro que estava entre seus longos dedos caiu no chão.

O relógio da parede batia tique-taque, tique-taque, enquanto

os escuros minutos da noite passavam.

Cada respiração ficava mais fraca, desigual.

Ela abriu os olhos.

O rosto refletido devolveu o olhar, com firmeza, sondando.

Pensou, e sussurrou:

— Eu sou, portanto eu mato?

O som de passos vinha do corredor externo... aproximava-

se...


Ela arregalou os olhos. Segurou a respiração e concentrou

seus ouvidos, os olhos marejados voltaram-se para a porta

em uma busca obsessiva. "Continua trancada! Não os deixe

entrar!".

... e parou por um momento. A sombra apareceu por

debaixo da porta e foi sumindo. O som dos passos continuou

e foi, gradualmente, silenciando.

A respiração que estava presa explodiu de seus pulmões. Ela

respirou aliviada.

O toque estridente do telefone rompeu o ar.

Tocou novamente. Ele estava no chão. Tocou uma terceira

vez.


Suas mãos trêmulas se fecharam. Finalmente, com a mão

livre, ela pegou o telefone.

Por um momento, quem fez a ligação respirou forte,

descompassadamente, mas sem dizer nada. Então, uma voz

rouca e firme disse:

— Vamos fazer um joguinho...

Seus olhos piscaram duas vezes em uma sucessão muito

rápida, seu rosto talhado por mãos que não podiam ser

vistas, a assassina se contorcendo pela carne e pelos ossos até

chegar à superfície. Ela assumiu o controle e disse com a voz

firme:

— Estou escutando.



— Você tem um novo alvo. Kazim Rahman.

— Rahman —, ela repetiu.

— Sim — disse a voz rouca. — Ele está esperando

pacientemente por você no Club-Q, em Bergen Strasse, na

Zona. Olhe para o monitor.

Os olhos de Laylah miraram o monitor que estava no chão.

A imagem de um homem moreno, do Oriente Médio com

um fino bigode apareceu na tela.

Sentada, com o rosto sem expressão e os olhos sem brilho,

ela ouvia atentamente.

— Rahman responderá ao código de identificação: eu

prefiro xadrez.

— Eu prefiro xadrez.

— Ele vai esperar que você faça uma troca. Mas você não

fará. Neutralize o alvo e consiga o documento que ele

carrega.


Clique.

O som contínuo do tom de discagem.

A braçadeira de aço que a prendia se soltou e foi embutida

no braço da cadeira, Foram três fortes estalos e as trancas

eletrônicas se abriram sucessivamente. Um leve ranger e a

porta começou a abrir.

No corredor podia-se ver o vulto de uma pessoa.

Cuidadosamente, a figura avançou até a entrada e parou.

Estendeu o braço no qual carregava uma mala. Com a voz

dura e rouca disse:

— Você precisa se trocar. Vá fazer a maquiagem.
A batida da música eletrônica vinha dos alto-falantes do

Club-Q. As luzes estroboscópicas pulsavam, revelando

lampejos de um bar preto, envernizado, com neon roxo e

barracas pretas de couro presas à pista de dança. O ar era a

mistura de fumaça, suor, violência e feromônios.

Rahman estava no bar. Pedia mais uma dose, e suava em

profusão. As calças e a jaqueta de couro que usava não

respiravam como as leves túnicas que estava acostumado a

vestir em sua terra natal, a Arábia Saudita. Seu trabalho o

tinha levado a locais estranhos. Vendia peças de arte e

antiguidades. Peças sem preço, antigos artefatos roubados,

no mercado negro. O dinheiro recebido financiava os

esquadrões suicidas da al-Qaeda. Sua mais nova oferta eram

os escritos do sábio e alquimista árabe Gerber, que tinham

vindo do recente assalto ao Museu de Bagdá.

Uma mulher passava pela multidão, sorrateira, na direção

dele. Ela colocou os ombros para trás e ergueu a cabeça,

orgulhosa. Ela irradiava autoconfiança e vitalidade.

Ele percebeu a reação que ela tinha causado em todos os

homens no bar. Seus rostos fechados ganharam vida e

acompanharam o caminho dela. Mas desviavam o olhar

quando ela passava, como se soubessem, de alguma forma,

que um simples olhar cortante daquela mulher pudesse

castrá-los.

Quando a mulher passou por uma garota com o cabelo

arrepiado e uma roupa de vinil preta, a garota lançou-lhe um

olhar desafiador. Como se tentasse decifrar se a desejava

física ou sadicamente, ou ambos. Rahman achava que a

maioria dos homens ali, como ele, estava em busca de algo

além de sexo e violência. A diferença era que ele tinha

experimentado o poder de sugar a força vital, a essência

dessa mulher ao segurar seu corpo junto ao dele e fitar seus

olhos sem vida.

A mulher desviou e ficou ao lado dele no bar.

Ela não conseguia chamar a atenção do garçom. Ele ergueu

uma nota de euro de grande valor e o garçom veio

diretamente obedecer a sua ordem. Uma Heineken

longneck. Enquanto ele observava o perfil dela, ela se virou.

Seus olhos tinham o mesmo tom de azul de uma chama,

porém eram frios. Seu olhar era direto, friamente sensual,

um pouco doloroso. Tudo nela demonstrava uma selvagem

vitalidade. Era a perfeição física. A pele bronzeada e

brilhante. Maçãs do rosto bem desenhadas. Lábios carnudos,

boca generosa. Embora estivesse vestida modestamente, sua

blusa de seda estava desabotoada o suficiente para que ele

visse de relance seu colo. Ela balançou a cabeça, prendeu os

cabelos sedosos e sorriu.

Quando ela se apoiou no bar, o olhar dele abaixou, fixo em

sua cintura fina, nas longas e suaves linhas de suas pernas,

nas formas como as tiras de seu sapato de salto destacavam

seus delicados tornozelos.

Ela tomou a cerveja e olhou para ele por cima da garrafa,

enquanto lentamente a levava novamente até a boca. Seus

lábios se divertiam à medida que ela percebia que ele se

excitava. Ele deu um sorriso, apertou o bigode e disse:

— Vou ficar na cidade só essa noite.

Com uma voz delicada ela perguntou:

— Você não gosta de jogos, gosta?

Ela tomou mais um gole. Ele observava os músculos de sua

garganta à medida que ela engolia a bebida. Imaginou uma

lâmina afiada cortando sua delicada pele.

— Jogos? — ele perguntou.

— Eu prefiro xadrez.

A referência ao xadrez não passou despercebida. Então ela é

o meu contato para a troca, ele pensou. Rahman, Ele, o

grande, enviou-lhe um presente. Distraidamente, ele levou a

mão até o peito, para certificar-se de que os manuscritos

continuavam a salvo no forro da jaqueta.

Ela passou a língua pelo lábio superior, lentamente, para

impressionar, e piscou para ele.

Ele colocou a mão atrás dela e sentiu o firme contorno de

seus quadris. Ela gemeu, deslizou pelo bar e pressionou seu

corpo ao dele, seus olhos tremulavam. Ele se imaginou

cortando cada um daqueles globos oculares, fazendo com

que olhassem para dentro, introspectivos, simbolizando sua

arrogância.

Ela aproximou-se mais, sua respiração quente no rosto dele.

Seus olhos não vacilavam, efetivamente bloqueavam sua

intimidade dos curiosos do lado de fora. A mão dela foi

subindo e tentou pegar o que estava dentro da jaqueta dele.

Ele impediu.

— Não tão rápido —, ele advertiu. — Vamos fazer a troca

lá fora, no meu carro.

— Ok — ela disse com sua boca sedutora. — Mas deixe

eu lhe dar uma demonstração.

Foi então que ele sentiu. A mão dela deslizava pela parte

interna de sua coxa. Ele vacilou. Ela ria enquanto subia com

a mão. Seus olhos continuavam fixos nele. Sua mão treinada

abriu o zíper da calça e entrou. O coração dele batia

disparado dentro da caixa torácica.

— Você gosta assim? — ela sussurrou e mordeu sua

orelha. Ele estremeceu.

Uma dor aguda veio de dentro e desceu por sua coxa como

lava derretida. A expressão dela mudou instantaneamente,

da quente excitação para o desdém apático, e ela sussurrou

na orelha dele:

— Cheque-mate! — e explicou: — Essa sensação de

queimação correndo pelo seu corpo nesse exato

momento... é uma neurotoxina mortal.

Então ela o beijou delicadamente no rosto.

Rahman viu o rosto dela começar a escurecer, então o

ambiente começou a girar, no começo devagar, e, depois, a

uma velocidade doentia. Ele ouvia pedaços da música, de

vozes, sons que sumiam lentamente, ficavam mais fracos e

distantes. Ele tentou respirar, buscando mais ar e caiu para

frente. Em um movimento firme, Laylah fechou o zíper e

rapidamente colocou a seringa que tinha usado

anteriormente na pequena bolsa pendurada em seu ombro.

Ela fez tudo com a precisão e a cautela de um mágico de

espetáculos.

Em um leve virar de pulso, uma faca afiada apareceu em sua

mão. Ela olhava em volta e, ao mesmo tempo, procurava

dentro da jaqueta dele enquanto fingia afagar sua orelha com

o nariz. Com um único e delicado movimento, a lâmina

cortou o forro da jaqueta e ela pegou o documento. Colocou

sob a saia, entre a liga e a coxa. A música continuava alta, as

pessoas muito concentradas em si mesmas e ninguém

percebeu quando ela se espremeu no meio da multidão e

ganhou a noite.

Capítulo 2


E eles (judeus) dizem: "Matamos Jesus Cristo, filho de Maria,

o Mensageiro de Deus", mas eles não o mataram nem o

crucificaram, fizeram parecer que foram eles. E aqueles que

discordam disso ficam na dúvida, porque não possuem

conhecimento algum, abstraindo-se tão somente em

conjecturas. Porém, o fato é que não o mataram.

Sagrado Alcorão 4:157

Cúpula de Pedras: Al-Quds, Palestina


Sobre nossas cabeças, jatos de guerra israelenses rasgavam o

céu da tarde.

O homem alto parou para ouvir o guia que orientava um

grupo de turistas norte-americanos:

— A construção da Cúpula começou por volta de 688,

pelo califa Abd al-malik. A mística jornada noturna do

profeta Muhammad, sobre um garanhão alado e com arcanjo

Gabriel ao seu lado, o trouxe até aqui, onde rezou com

grandes profetas: Abraão, Moisés e Jesus. Então ele ascendeu

ao paraíso e a Alá por uma escada dourada.

Uma mulher gorda com um chapéu preto de aba larga

balançou a papada e disse:

— Claro..., mas nos conte sobre aquelas câmaras secretas.

— Na verdade, o monte está repleto de túneis e

passagens, câmaras e cavernas, poços e cisternas — o guia

continuou. — Existem 38 grandes poços e cisternas

documentados, 11 pequenas cisternas e 43 canais e

passagens. As mais famosas são as dos estábulos de Salomão

e algumas outras câmaras grandes.

Um rapaz jovem e magro perguntou:

— Não foi aí que os Cavaleiros Templários foram atrás do

tesouro perdido?

O guia fez que sim com a cabeça, sorriu e disse:

— Ah, entendo. Vocês querem a excursão da magia

misteriosa. Como quiserem. Por volta de 1118, nove

monges guerreiros viajaram da França para Jerusalém. O

objetivo declarado da missão era proteger os peregrinos

cristãos que visitavam a Terra Santa. Mas as lendas dizem

que eles tinham uma tarefa secreta: escavar o monte em

busca de um tesouro e de relíquias que tinham sido

enterrados.

— E eles encontraram? — alguém perguntou.

— Certamente encontraram alguma coisa — explicou o

guia. — Quando voltaram para a França, foram recebidos

como heróis. São Bernardo de Claraval fez um belo sermão

que resultou na expansão da ordem, uma ordem religiosa de

guerreiros que se reportavam diretamente ao papa. Os filhos

dos nobres europeus conseguiam promoções empenhando

seus bens. Com o tempo o Templo se tornou o primeiro

banco da Europa, emprestando, inclusive, dinheiro aos

monarcas.

— Não foi isso que os levou à morte pela água quente? —

perguntou a mulher, com conhecimento.

— Eram mais como labaredas. Sim, a má sorte associada à

sexta-feira 13 começou com a prisão dos Cavaleiros

Franceses por Filipe, o Justo, na sexta-feira 13 de outubro de

1307. Muitos deles foram queimados em praça pública com

base em falsas acusações de atos de sacrilégio envolvendo

crucifixos ou a imagem de Cristo.

— Eles não veneravam um tipo de cabeça misteriosa de

prata? — perguntou o jovem, testando-o com o olhar.

— Quem sabe? — o guia encolheu os ombros. — Todas

as confissões foram feitas sob dor e tortura. Os dominicanos,

os Caçadores do Senhor, foram os maiores torturadores da

inquisição francesa. Os templários eram espancados e pesos

eram empilhados sobre seus peitos, ou, então, funis eram

colocados em suas bocas e enchidos com água até que

transbordassem e sufocassem o prisioneiro. Se não

confessassem assim, tinham os pés queimados e farpas eram

colocadas sob as unhas ou tinham os dentes arrancados

deixando os nervos expostos para que fossem explorados

com instrumentos afiados.

— Você quer dizer como no filme Maratona da Morte,

quando Olivier, o dentista nazista, fica perguntando a Dustin

Hoffman, "Isso é seguro?", enquanto mexe em mais uma

cavidade? — questionou o jovem.

— De onde você acha que o autor, William Goldman,

tirou a idéia? - disse o guia.

O rosto da mulher empalideceu e ela perguntou:

— Mas por que eles foram atacados?

— Pela razão mais antiga do mundo: dinheiro. O rei

Filipe devia uma fortuna aos templários, ele pegou

empréstimo inclusive para o dote de sua filha. E eram

muitos os monarcas por toda a Europa que deviam aos

sagrados monges guerreiros.

— Mas eles foram acusados de heresia! — disse um

homem cujo crachá identificava como pastor batista, com ar

de satisfação, a mandíbula projetada para frente e os olhos

apertados por causa da forte luz do sol.

Uma voz surgiu de trás do grupo. Era profunda, precisa, e

transmitia inteligência:

— Talvez você devesse analisar o significado da palavra.

O grupo se dividiu e todos viraram a cabeça. Viram um

homem alto, magro, de porte aristocrático. Ele continuou à

medida que caminhava para frente do grupo:

— Heresia vem do grego, airesis, e significa uma escolha,

a opção escolhida, e uma seita que segue tal opinião. — Seus

olhos escuros e frios observavam o grupo. — Esse foi um

rótulo usado para descrever as antigas seitas Cristãs. São

Paulo foi descrito para o governador romano Félix como o

líder da heresia, aireseos, dos nazarenos. Josefo aplicou o

nome, airesis, às três seitas religiosas predominantes na

Judéia desde o período macabeu: os saduceus, os fariseus e



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