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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

ESCOLA DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO DE FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
LUCIANA DE MORAIS ALVES
A importância do Projeto de extensão para a atuação do pedagogo na Classe Hospitalar

RIO DE JANEIRO

Maio/2014
LUCIANA DE MORAIS ALVES

A importância do Projeto de extensão para a atuação do pedagogo na Classe Hospitalar

Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado à Escola de Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro como requisito final para obtenção do grau de Licenciatura em Pedagogia.
Orientadora: Profª Ms. Maria Alice de Moura Ramos

RIO DE JANEIRO

Maio/2014

LUCIANA DE MORAIS ALVES

Matrícula: 20101351531
A importância do Projeto de extensão para a atuação do pedagogo na Classe Hospitalar

Monografia apresentada ao curso de Pedagogia, Escola de Educação, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, como pré-requisito parcial para aquisição do grau de Licenciado em Pedagogia.

Aprovada em: ___ / 06 / 2014
Banca Examinadora
_____________________________________________

Profa. Ms. Maria Alice de Moura Ramos – Orientadora



_________________________________________________

Profa. Dra. Lucia Maria de Freitas Perez – Profa. Convidada

Dedico este trabalho ao meu marido Jorge Amaral Ferreira e aos meus filhos Carolina e Lucas que me incentivaram e me ajudaram durante todo o curso, não deixando eu desistir jamais.

AGRADECIMENTOS

Agradeço, em primeiro lugar, a minha família que sempre acreditou no meu sonho, pela paciência, pelo amor, me dando apoio durante todo o curso para que eu conseguisse chegar até aqui. Agradeço aos meus amigos que, com suas palavras de incentivo, me fortaleciam, quando o cansaço era mais forte que eu. Não posso esquecer das amigas que ganhei no curso de Pedagogia, permanecemos juntas nestes nove períodos, uma apoiando a outra diariamente, nos trabalhos, nas alegrias e nos tempos ruins. Aos professores que contribuíram para minha formação acadêmica, em especial para a professora e minha orientadora Maria Alice que me convidou para fazer parte do projeto Classe Hospitalar, por todo o aprendizado, orientação e carinho, por me tornar uma profissional mais humanizada e afetiva. Obrigado a todos que estiveram ao meu lado nessa jornada, que acreditaram em mim e por todas as palavras animadoras.

"O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um ato de amor. Uma semente há de ser depositada no ventre vazio. E a semente do pensamento é o sonho. Por isso os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos”.


Rubem Alves


RESUMO
Este trabalho tem como objetivo abordar a importância da extensão na formação acadêmica, conhecer a história da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), a proposta da extensão pela nova política, assim como os projetos de extensão da Escola de Educação. Destaco entre os projetos citados, o projeto Classe Hospitalar: Atendimento Pedagógico-Educacional em Ambiente Hospitalar, no qual sou bolsista, falando sobre a prática educativa desenvolvida, ressaltando a relevância desta modalidade de ensino para a criança e o adolescente internado. Esta pesquisa baseia-se em autores que falam sobre extensão universitária, sites da UNIRIO que contam a história da universidade e sobre os projetos de extensão desenvolvidos na Escola de Educação. Pesquisei autores que contextualizam a Classe Hospitalar, legislações, artigos e os direitos da criança e do adolescente. Utilizei também a pesquisa de campo na enfermaria pediátrica do Hospital Universitário Gaffrée Guinle (HUGG) e as observações da prática educativa desenvolvida com os alunos/pacientes. Tudo isto possibilitou que fosse evidenciada a importância do projeto de extensão para uma formação acadêmica não só teórica mas prática, vivenciando ações educativas no hospital com crianças e adolescentes impedidos de frequentar a escola, em virtude do seu adoecimento.
Palavras-chave: Extensão. Classe Hospitalar. Prática educativa.

Sumário
Introdução...........................................................................................................09

1- A Extensão Universitária na formação do pedagogo..................11

2- Conhecendo a Universidade Federal do Estado do Rio

de Janeiro (UNIRIO)

2.1- Formação da Faculdade....................................................................................12

2.2- Proposta da Extensão pela Nova Política..........................................................13

2.3- Projetos do Departamento de Fundamentos da Educação e do Departamento

de Didática.................................................................................................................15



3- CLASSE HOSPITALAR

3.1- Conhecendo a Classe Hospitalar.......................................................................16

3.2- Direitos da Criança e do Adolescente................................................................21

3.3- Nosso Projeto.....................................................................................................23



4- METODOLOGIA....................................................................................................27

5- A IMPORTÂNCIA DA EXTENSÃO PARA A MINHA FORMAÇÃO.....................29

6- CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................31

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................33


Introdução
O presente trabalho aborda aspectos importantes da Extensão Universitária na formação do aluno durante sua trajetória na universidade. O ensino rompe as barreiras da sala de aula e sai do ambiente fechado da Universidade e é através das práticas do projeto de extensão que observamos as contribuições da Universidade para a sociedade, estabelecendo uma relação mútua entre as mesmas.

Destaco o projeto Classe Hospitalar: Atendimento Pedagógico-Educacional em Ambiente Hospitalar da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, no qual participo como bolsista de extensão, pois mostra a importância de se ter no hospital o trabalho do pedagogo, oferecendo um suporte pedagógico às crianças hospitalizadas. O profissional de educação deve através de uma formação não só teórica mas prática, proporcionando o conhecimento de outros espaços de educação, garantindo assim uma formação para se fazer presente e lidar com as diversidades existentes no ambiente hospitalar.

O projeto é desenvolvido no Hospital Universitário Gaffrée Guinle (HUGG), onde como bolsista, proporciono à crianças e adolescentes internados um atendimento pedagógico, com mais duas bolsistas e com a orientação da professora responsável pelo projeto, Maria Alice de Moura Ramos. Na enfermaria pediátrica do hospital sinto na prática a importância da extensão e da Classe Hospitalar, estabelecendo a relação entre a teoria e a prática.

A Classe Hospitalar, apesar do amparo legal, ainda se apresenta como um desafio para a implementação desta modalidade de ensino dentro dos hospitais. Uma grande parcela da sociedade ainda insiste em não reconhecer, ou desconsidera que o ensino no hospital se constitui como respeito e direito do cidadão a dar continuidade aos seus estudos.

O interesse por esse tema surgiu a partir de experiências pessoais, vividas em períodos de internação/tratamento da minha afilhada, que não teve nos hospitais o apoio de uma Classe Hospitalar durante este período difícil na sua infância. Ela teve dificuldades para retornar a escola regular e, consequentemente, não terminou o ensino fundamental na adolescência. Durante a graduação, participando da disciplina Educação Especial, tive conhecimento das ações educativas desenvolvidas em hospitais, com crianças internadas e impossibilitadas de frequentar a escola. Tal cenário levou-me a refletir sobre algumas questões: essas crianças param de estudar, sente-se excluídas e por esse motivo como a educação no interior do hospital pode auxiliar o desenvolvimento dessas crianças?

O trabalho está organizado em cinco capítulos. No primeiro capítulo, abordo a extensão universitária na formação do pedagogo. No segundo capítulo, conto a história da UNIRIO, a formação da faculdade e sobre o projeto de extensão. No terceiro capítulo, falo um pouco sobre a história da Classe Hospitalar, leis, os direitos da criança e do adolescente e destaco o projeto de extensão no qual sou bolsista. No quarto capítulo, apresento a metodologia utilizada que foi baseada na pesquisa bibliográfica e na pesquisa de campo realizada na enfermaria pediátrica do Hospital Universitário Gaffrée Guinle, onde acontece o Projeto Classe Hospitalar: Atendimento Pedagógico-Educacional em Ambiente Hospitalar. No quinto capítulo, apresento a importância do projeto de extensão para a minha formação como pedagoga e no sexto capítulo minhas considerações finais.



1- A Extensão Universitária na formação do pedagogo
Ao longo da graduação, o envolvimento dos estudantes em projetos de extensão contribui para o aprimoramento do saber científico, o que irá garantir um amadurecimento acadêmico àqueles que se dedicam a encontrar respostas às suas perguntas em diferentes áreas.

A extensão universitária tem um papel muito importante na formação do aluno, pois proporciona um saber diferenciado através do contato entre o aluno e a sociedade, possibilita a prática da teoria recebida dentro da sala de aula e desenvolvida fora dela, fortalecendo a relação universidade-sociedade. O aluno aprende muito mais transmitindo conhecimentos por meio da extensão e a sociedade adquire benefícios, ocorrendo uma melhora na qualidade de vida e o confronto da teoria com o mundo real e suas necessidades. Ambos, universidade e sociedade, são beneficiados pela extensão e o ensino sai de dentro da sala de aula para que haja uma troca de informações, conhecimentos e experiências entre alunos, professores e população, estabelecendo uma relação mútua de grande importância para a pesquisa.

De acordo com Souza, a extensão universitária tem fundamental papel na formação para o trabalho:
A relação universidade/sociedade concretiza-se, de maneira singular e sobretudo, nas atividades de extensão. A troca entre o saber acadêmico e o popular, fruto do confronto teórico/prático com a realidade brasileira, vem sendo propiciada principalmente pela ação extensionista. Esse movimento de ir e vir substancia a democratização do conhecimento científico e a institucionalização de mecanismos de participação da comunidade nas instâncias de representação da universidade. Esse ideário norteia a própria noção contemporânea do papel da universidade. ( 2009, p 32)
A partir deste entendimento, a Extensão Universitária cumpre o papel educacional tanto para a comunidade acadêmica quanto para a sociedade envolvida nas práticas extensionistas.


2- Conhecendo a Universidade Federal do Estado do Rio de

Janeiro - UNIRIO
2.1- Formação da faculdade

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) é uma fundação de direito público integrante do Sistema Federal de Ensino Superior. Originou-se da Federação das Escolas Isoladas do Estado da Guanabara (FEFIEG), criada pelo Decreto-Lei nº 773 de 20 de agosto de 1969, que reuniu estabelecimentos isolados de ensino superior, anteriormente vinculados aos Ministérios do Trabalho, do Comércio e da Indústria; da Saúde; e da Educação e Cultura.

A criação da FEFIEG propiciou a integração de instituições tradicionais, como a Escola Central de Nutrição, a Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, o Conservatório Nacional de Teatro (atual Escola de Teatro), o Instituto Villa-Lobos, a Fundação Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e o Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional.

Com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975, a FEFIEG passou a denominar-se Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro (FEFIERJ). Dois anos mais tarde, foram incorporados à FEFIERJ o Curso Permanente de Arquivo (do Arquivo Nacional) e o Curso de Museus (do Museu Histórico Nacional).

Em 5 de junho de 1979, pela Lei nº 6.555, a FEFIERJ foi institucionalizada com o nome de Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO). E, em 24 de outubro de 2003, a Lei nº 10.750 alterou o nome da Universidade para Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, mas a sigla foi mantida.

2.2- Proposta da Extensão pela nova política

A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROExC) fundamenta-se em um modelo político pedagógico participativo, que prima pela busca da qualidade social, integrando as ações de extensão ao ensino e à pesquisa, contribuindo, assim, para a formação integral de nossos estudantes. A PROExC é a unidade responsável pela formulação de políticas, gerência e avaliação de ações, projetos e programas da Extensão Universitária, bem como pela definição de uma política cultural para a Universidade.

No portal da UNIRIO, na página da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, a extensão universitária apresenta-se como um espaço de construção do conhecimento, de preservação e recriação da cultura e de promoção do bem-estar da comunidade universitária, reafirmando  o compromisso social da UNIRIO e interligando-a com as demandas de sua comunidade e da sociedade. É, portanto, um local que proporciona a reflexão, o debate de idéias, o surgimento de soluções conjuntas, guardando a indissociabilidade com o ensino e a pesquisa.


A PROExC  vem contribuir, junto com outras instâncias da Universidade, para a instalação de um ambiente universitário estimulador, favorecendo o surgimento de condições propícias para o desenvolvimento do trabalho dos profissionais que atuam na UNIRIO, e para uma formação acadêmica crítica e socialmente referenciada dos alunos, a partir do diálogo com os vários saberes produzidos, valorizando o diálogo entre a cultura erudita e popular na construção do conhecimento acadêmico.

A Extensão é entendida, portanto, como processo acadêmico, definido e efetivado em função das exigências da realidade, indispensável na formação dos  estudantes, na qualificação dos professores e no intercâmbio com a sociedade, implicando em relações multi, inter e transdisciplinares e interprofissionais, tornando o ambiente universitário vivo, estimulante e criativo. Os principais objetivos são:



  • Implementar na UNIRIO as políticas dos Fóruns de Extensão, de acordo com o seu projeto político-pedagógico institucional.

  • Coordenar as políticas da UNIRIO de Extensão Universitária, visando à relação transformadora entre a Universidade e a Sociedade.

  • Participar criticamente da elaboração de planos e da efetivação de ações de extensão, em intercâmbio com outras Instituições, voltadas para o desenvolvimento econômico, social, político e cultural das comunidades local, regional e nacional, visando à auto-sustentabilidade.

  • Democratizar o conhecimento acadêmico, comprometendo a comunidade universitária com questões de relevância social.

  • Ampliar o acesso da comunidade universitária, bem como de todos os segmentos sociais, aos bens culturais e aos instrumentos de sua produção.

  • Definir mecanismos que possibilitem a permanência qualificada na Universidade de estudantes de origem popular.

  • Contribuir para o fortalecimento da organização livre, consciente, responsável e participativa do estudante e a  sua integração na vida universitária.

  • Promover a integração da comunidade universitária, viabilizando atividades acadêmicas, literárias, esportivas, recreativas, culturais e de lazer, tendo em vista a busca da melhoria da qualidade de vida no campus e no entorno sócio-econômico da UNIRIO.

A idéia de que o conhecimento elaborado pela Universidade não é único, que existem outras formas de perceber e sentir o mundo, e que elas surgem dos inúmeros segmentos sociais, é o princípio que orienta a extensão universitária. Portanto, cabe à Universidade abrir e  ampliar o diálogo com os diferentes segmentos da sociedade, colocando seus profissionais e estudantes em contato com outras formas de conhecimento.

Nesse sentido, o trabalho do extensionista se baseia no diálogo não-hierarquizado com todas as formas de conhecimento, saberes e práticas sociais voltadas para o enfrentamento sérios problemas nacionais e regionais, contribuindo para o aprimoramento do ensino e da pesquisa. A Extensão, por suas características atuais, pode ser uma das estratégias utilizadas no processo de flexibilização curricular, pois possibilita o olhar da Universidade para as transformações que ocorrem no cotidiano.

A PROExC articula, coordena e avalia as ações de extensão universitária das diversas unidades da UNIRIO, apoiando programas, projetos, atividades e publicações de extensão. Sua política vem sendo desenvolvida em conformidade com o Plano Nacional de Extensão, elaborado em conjunto pelas Universidades públicas do país.

As ações de extensão cadastradas na PROEX são referidas às Áreas Temáticas de Extensão, definidas pelo Fórum de Pró-Reitores das Universidades Públicas Brasileiras e destacadas no Plano Nacional de Extensão (RENEX - Rede Nacional de Extensão). 


2.3- Projetos do Departamento de Fundamentos da Educação (DFE) e do Departamento de Didática (DID)

Na Escola de Educação, a UNIRIO tem ações de extensão que são os Projetos do Departamento de Fundamentos da Educação e do Departamento de Didática.

São estes:

1. Inclusão Social de Jovens e Adultos com Deficiência: Transformando Atitudes - DFE - Responsável: Profª Vera Regina Loureiro Silva

2. Classe Hospitalar: Atendimento Pedagógico-Educacional em Ambiente Hospitalar - DFE - Responsável: Maria Alice de Moura Ramos

3. A Filosofia como Matéria de Ensino na Educação Básica: Por Uma Educação Filosófico-Pedagógica - DFE - Responsável: Prof. Dr. Dalton José Alves

4. Experiências de Trabalho no Curso Normal Médio de Tempo Integral - DFE - Responsável: Profª Drª Nailda Marinho da Costa Bonato

5. Labirintos e Saberes: As Escolhas dos Novos Alunos de Pedagogia - DFE - Responsável: Profª Drª Sandra Albernaz de Medeiros

6. Enredando Saberes: Impasses da Prática - DFE - Responsável: Profª Lucia Maria de Freitas Perez e Profª Sandra Albernaz de Medeiros

7. Fina Flor - Vinculado ao Programa Recosol- DID - Responsável: Profª Léa Tiriba

8. Libras: Ações Bilíngues na Unirio - DID - Responsável: Etiene Silva de Abreu

Entre eles está o projeto Classe Hospitalar: Atendimento Pedagógico-Educacional em Ambiente Hospitalar do Departamento de Fundamentos da Educação, na qual faço parte como bolsista e que é desenvolvido na Enfermaria Pediátrica do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG).



3- CLASSE HOSPITALAR
3.1- Conhecendo a Classe Hospitalar

O direito ao acesso a escola, a não interrupção de sua escolarização, bem como a participação da criança em atividades pedagógicas e recreativas durante a sua hospitalização são garantidos a criança e ao adolescente hospitalizado por vários dispositivos legais: Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Estatuto da Criança e do Adolescente Hospitalizado; e por entidades da sociedade civil que estão preocupadas em garantir para a criança brasileira, a manutenção de seus direitos como cidadã.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 define a educação especial como uma modalidade da educação escolar. Trata-se de um conjunto de recursos e procedimentos específicos do processo de ensino e aprendizagem colocados à disposição dos alunos com necessidades especiais, em respeito às suas diferenças, para que eles tenham acesso ao currículo e, consequentemente, conquistem sua integração social.

No Estatuto da Criança e do Adolescente encontramos no art. 3º: “A criança e adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana”. O art. 7º destaca que:

A criança tem direito à proteção, à vida, à saúde, mediante a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência”. Estes direitos garantem a criança uma assistência humanizada, valorizando os aspectos físicos, psíquicos, emocionais e espirituais, proporcionando crescimento e desenvolvimento saudável da mesma.

De acordo com o MEC, o atendimento escolar no ambiente hospitalar constitui uma modalidade de atendimento educacional especializado colocado à disposição de toda criança ou adolescente hospitalizado, que deverá, sempre que possível, contar com a participação do familiar acompanhante. (BRASIL, 1994; FONSECA, 1999)

A Classe Hospitalar é uma modalidade de ensino em Educação Especial justamente por não ter ligação direta com a escola do paciente, e mesmo nesta situação o atendimento pedagógico será feito em leitos ou então em um local adequado dentro do hospital. Existe uma rotina para cada realidade daqueles que estão hospitalizados isso fará com que ele resgate os seus valores pessoais, sociais e educacionais acompanhado pelo profissional que irá ter a flexibilidade para o desenvolvimento das atividades.

É entendida por Fonseca (2008, p.30) como: "Locus específico de Educação destinado a prover acompanhamento escolar a alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão do tratamento de saúde que implique internação hospitalar ou atendimento ambulatorial".

A Classe Hospitalar proporciona às crianças e aos adolescentes internados que não podem frequentar a escola, propostas pedagógicas com o objetivo de dar continuidade a escolarização. Na infância a hospitalização restringe as relações de convivência da criança, pois a afasta de sua família, de sua casa, de seus amigos e também de sua escola, e tudo isto afeta significativamente o desenvolvimento infantil.

A rotina de uma criança durante sua internação não é uma situação confortável, ela está em um ambiente que não faz parte da sua realidade, muitas vezes faltam estímulos capazes de promover seu desenvolvimento sensório-motor infantil. É necessário para que a criança aceite melhor a sua hospitalização, oferecer a ela propostas de ensino que diminua a concepção negativa que o ambiente hospitalar traz. Dessa forma a situação de enfermidade pode tornar o que é desagradável em algo bom que faz parte da sua vida fora do hospital.

Ceccim e Fonseca (1999, p 35) comentam que o pedagogo, ao promover experiências vivenciadas dentro de um hospital (brincar, pensar, criar), estará favorecendo o desenvolvimento da criança, que não deve ser interrompido em função de uma hospitalização.

Mesmo que por algumas horas a presença do professor e das atividades pedagógicas podem auxiliar na superação dos momentos dolorosos dos procedimentos médicos e oportunizam o contato com o saber. O aluno/paciente não interrompe sua escolarização e o seu ano letivo não é prejudicado, pois a existência da Classe Hospitalar permite que sejam minimizados os efeitos oriundos do seu afastamento da escola.

A Classe Hospitalar vem oferecer à criança ferramentas de comunicação com sua realidade familiar, com outras pessoas de sua idade e com outros pacientes. Por outro lado, oferece situações de jogos e entretenimentos que garantem a continuidade didática com a escola de origem, favorecendo a criança e a família o aprendizado de novos ritmos e novos projetos de vida enquanto está internada. Conforme elucida Fonseca:
A classe hospitalar ratifica e afirma o acesso da criança ou adolescente aos direitos de cidadania relativos à saúde e à educação, conforme estipulam a Constituição Nacional, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica da Saúde e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em que o atendimento a saúde deve ser integral (promoção, prevenção, recuperação, reabilitação e educação da saúde) e a educação escolar deve ser adequada às necessidades especiais dos educandos (criação de processos de integração entre sociedade, instituições e escolas e provisão de meios para a progressão pedagógico-escolar sistemática). (1999, p.33)
Dispor de atendimento de Classe Hospitalar, mesmo que por poucas horas, tem grande importância para uma criança hospitalizada, pois ela pode operar com suas expectativas e dúvidas, produzir conceitos e produtos subjetivos de forma positiva.

O atendimento pedagógico prestado à criança no período de internação envolve as atividades educativas como, por exemplo: contar histórias, recreação, jogos, artes e atividades escolares relacionadas ao ano escolar que a criança está estudando. Estas atividades objetivam minimizar os efeitos da hospitalização atendendo as necessidades básicas da criança, favorecendo a esta, também um vínculo com o mundo que deixou fora do hospital. A possibilidade da criança estudar no hospital evita o desinteresse de retornar aos estudos quando estiver melhor, pois não ir à escola deixa a criança atrasada em relação à turma, isto pode contribuir para a desistência do ano letivo. De acordo com o documento do MEC, intitulado "Classe Hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações:


O atendimento pedagógico deverá ser orientado pelo processo de desenvolvimento e construção do conhecimento correspondentes à educação básica, exercido numa ação integrada com os serviços de saúde. A oferta curricular ou didático-pedagógica deverá ser flexibilizada, de forma que contribua com a promoção de saúde e ao melhor retorno e/ou continuidade dos estudos pelos educandos envolvidos (MEC/SEESP, 2002, p.17).
O curso de Pedagogia deve oferecer espaços curriculares específicos de formação do professor para atuar no atendimento pedagógico-educacional de crianças e jovens que se encontram hospitalizados.

O espaço do hospital é inteiramente desconhecido pelo professor, porque em seu curso de formação ou especialização questões sobre ele não são debatidas. Todo o discurso pedagógico gira em torno da escola e de seus sujeitos: professores, alunos, comunidade escolar, gestores etc. As reflexões sobre a importância e contribuição da escolarização no processo de cura da criança enferma, estão situadas na área da saúde como a pediatria e a psicologia e são pouco difundidas na área educacional. Sendo assim, o curso de Pedagogia deve articular a teoria e a prática na compreensão de uma formação sintonizada com a realidade da atuação esperada desse profissional no contexto hospitalar.

O perfil pedagógico educacional do professor de classe hospitalar, de acordo com Fonseca (2003), deve ser adequado à realidade hospitalar na qual atua, destacando sempre as potencialidades do aluno, motivando e facilitando a inclusão da criança no contexto escolar hospitalar. Fonseca acrescenta que o "professor esta lá para estimulá-las através do uso de seu conhecimento das necessidades curriculares de cada criança". Assim, sem abandonar os conteúdos acumulados pela humanidade e flexibilizando os conteúdos escolares, a Classe Hospitalar vai delineando a sua trajetória voltada para a continuidade da escolarização de seu aluno/paciente.

Quanto à estruturação física do ambiente escolar no hospital é importante que seja um ambiente atrativo, que pareça com uma sala de aula e que obedeça as normas da Comissão de Infecção Hospitalar. Mesmo que este espaço seja dentro da enfermaria, deve ter brinquedos, livros, jogos, mesa e cadeiras, material didático e outros. Não podemos esquecer que muitas crianças realizam atividades escolares mediadas pelo professor no próprio leito, em virtude das limitações impostas pela enfermidade que possuem. Nesses casos, o professor pode realizar atividades de leitura de histórias para desenvolver determinadas habilidades como a imaginação, a criatividade e a linguagem oral.


Os ambientes serão projetados com o propósito de favorecer o desenvolvimento e a construção do conhecimento para crianças, jovens e adultos, no âmbito da educação básica, respeitando suas capacidades e necessidades educacionais especiais individuais. Uma sala para desenvolvimento das atividades pedagógicas com mobiliário adequado e uma bancada com pia são exigências mínimas. Instalações sanitárias próprias, completas, suficientes e adaptadas são altamente recomendáveis e espaço ao ar livre adequado para atividades físicas e ludo-pedagógicas [...] Além de um espaço próprio para a classe hospitalar, o atendimento propriamente dito poderá desenvolver-se na enfermaria, no leito ou no quarto de isolamento, uma vez que restrições impostas ao educando por sua condição clínica ou de tratamento assim requeiram [...] O atendimento pedagógico poderá também ser solicitado pelo ambulatório do hospital onde poderá ser organizada uma sala específica da classe hospitalar ou utilizar-se os espaços para atendimento educacional (MEC/SEESP, 2002, p.15-16).
Quanto ao planejamento, devem ser elaboradas atividades para serem realizadas com o aluno/paciente que sejam flexíveis e passíveis de modificações, pois o professor precisa estar preparado para se deparar com questionamentos sobre a doença e também com imprevistos decorrentes da enfermidade.

Fontes e Vasconcelos falam da importância e ao mesmo tempo da falta de informação prestada a criança em relação ao seu estado de saúde quando nos diz que:

A formação dos primeiros conceitos relacionados à doença da criança hospitalizada se dá comumente a partir do discurso dirigido ao seu acompanhante ou a outro membro da equipe de saúde; raramente é dirigido à própria criança, numa linguagem em que ela possa compreender.

(2007, p.285)


O professor que atua na Classe Hospitalar deve ter uma capacitação e um preparo psicológico adequado para saber a melhor forma de lidar com o aluno/paciente dentro do hospital. A criança, mesmo doente, continua interagindo, apropriando-se das informações e transformando-as em conhecimento. O papel do professor é estimular esta construção, possibilitando que cada criança reflita sobre o meio, sua doença, seus sentimentos e ajudando-a a entender o que acontece ao seu redor. Dessa forma, a presença do professor no hospital fortalece a auto-estima das crianças para enfrentar sua enfermidade e sua internação.

O atendimento pedagógico não é só entre o professor e a criança, mas também a família é envolvida como figura importante na reintegração e colaboração para a melhora do quadro clínico, como a participação e auxílio no sentido de ajudar o professor a fazer com que a criança compreenda que seu estado de saúde não a impossibilita de realizar suas atividades escolares.

O professor para iniciar da melhor forma as atividades pedagógicas precisa ter informações, prestadas pelo próprio aluno e pelo acompanhante, sobre as experiências escolares vivenciadas antes da internação, precisa ter conhecimento sobre a doença e o estado de saúde da criança. Estas informações são importantes para a elaboração do planejamento e na realização do trabalho com o aluno, pois o professor tem que se preocupar não apenas com as operações cognitivas, mas também com as operações pedagógicas que possibilitem que o aluno supere os problemas de aprendizagem frequentes por se afastar da escola.

Quanto mais abrangente for o conhecimento do professor a respeito da realidade e das possibilidades do aluno, mais apto ele estará para planejar condições de aprendizagem e saber lidar com as particularidades sem maiores dificuldades.

Assim sendo, durante o período de internação, a Classe Hospitalar torna-se um fator essencial no tratamento e recuperação da criança, pois ela irá perceber que não está sozinha em seu adoecimento e que as pessoas estão ali para lhe proporcionar atenção especializada.

Articular a educação dentro do hospital é sem dúvida um grande desafio, que ultrapassa muito a nossa capacidade de ensinar, ela exige muito de nós educadores, pois precisa ser muito mais que uma aula, ela é constituída de uma responsabilidade com o momento vivido pela criança, apresentando uma possibilidade de manutenção da vida.


3.2- DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE HOSPITALIZADO

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou, em 1995, os 20 Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizado que, aprovada pela 27ª Assembléia Extraordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, se transformou na Resolução número 41 do Conanda e do Ministério da Justiça. Constituem direitos da criança e do adolescente hospitalizado:



  1. Direito a proteção, a vida e a saúde com absoluta prioridade e sem qualquer forma de discriminação.

  2. Direito a ser hospitalizado quando for necessário ao seu tratamento, sem distinção de classe social, condição econômica, raça ou crença religiosa.

  3. Direito de não ser ou permanecer hospitalizado desnecessariamente por qualquer razão alheia ao melhor tratamento da sua enfermidade.

  4. Direito a ser acompanhado por sua mãe, pai ou responsável, durante todo o período de sua hospitalização, bem como receber visitas.

  5. Direito de não ser separada de sua mãe ao nascer.

  6. Direito de receber aleitamento materno sem restrições.

  7. Direito de não sentir dor, quando existam meios para evitá-la.

  8. Direito de ter conhecimento adequado de sua enfermidade, dos cuidados terapêuticos e diagnósticos, respeitando sua fase cognitiva, além de receber amparo psicológico quando se fizer necessário.

  9. Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do curriculum escolar durante sua permanência hospitalar.

  10. Direito a que seus pais ou responsáveis participem ativamente do seu diagnóstico, tratamento e prognóstico, recebendo informações sobre os procedimentos a que será submetida.

  11. Direito a receber apoio espiritual/religioso, conforme a prática de sua família.

  12. Direito de não ser objeto de ensaio clínico, provas diagnósticas e terapêuticas, sem o consentimento informado de seus pais ou responsáveis e o seu próprio, quando tiver discernimento para tal.

  13. Direito a receber todos os recursos terapêuticos disponíveis para a sua cura, reabilitação e/ou prevenção secundária e terciária.

  14. Direito a proteção contra qualquer forma de discriminação, negligência ou maus tratos.

  15. Direito ao respeito à sua integridade física, psíquica e moral.

  16. Direito a preservação de sua imagem, identidade, autonomia de valores, dos espaços e objetos pessoais.

  17. Direito a não ser utilizado pelos meios de comunicação de massa, sem a expressa vontade de seus pais ou responsáveis ou a sua própria vontade, resguardando-se a ética.

  18. Direito a confidência dos seus dados clínicos, bem como direito de tomar conhecimento dos mesmos, arquivados na instituição pelo prazo estipulado em lei.

  19. Direito a ter seus direitos constitucionais e os contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente respeitados pelos hospitais integralmente.

  20. Direito a ter uma morte digna, junto a seus familiares, quando esgotados todos os recursos terapêuticos disponíveis.

Destaca-se dentre os 20 itens do documento citado acima, o item 9, que defende que a criança e o adolescente tem o direito de desfrutar do acompanhamento do curriculum escolar, conforme a sua necessidade e sua enfermidade durante todo o período de sua internação.
3.3- NOSSO PROJETO

O Projeto Classe Hospitalar: Atendimento Pedagógico-Educacional em Ambiente Hospitalar é desenvolvido na enfermaria pediátrica do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) e tem como objetivos: divulgar a modalidade de ensino Classe Hospitalar dentro e fora dos espaços acadêmicos, de modo a garantir o direito assegurado por lei a quem dele necessita; levar a refletir sobre a formação de professores capazes de desenvolver uma prática pedagógica preocupada com um atendimento responsável e igualitário que possibilite a permanência das crianças e dos adolescentes na escola. Somos três bolsistas sob a coordenação da professora Maria Alice Ramos.

Não temos um espaço fora da enfermaria para desenvolver as atividades pedagógicas com as crianças e adolescentes internados e fazemos todo nosso trabalho dentro da enfermaria e no isolamento. Nosso primeiro contato é feito com os responsáveis que estão acompanhando a criança ou adolescente. Preenchemos uma ficha com todos os dados da criança, incluindo se frequenta a escola e qual o ano escolar. Mensalmente elaboramos um planejamento com um tema flexível para todos os anos escolares, envolvendo todas as disciplinas, respeitando sempre o momento e as dificuldades de cada aluno. As crianças ou adolescentes e suas famílias desconhecem o direito de ter no hospital o atendimento pedagógico e quando isso não acontece penso em como esses alunos retornam à escola, depois de ficar por um tempo no hospital sem realizar nenhuma atividade escolar.

Se o aluno tem um acompanhamento pedagógico no hospital, com um professor que o ajude nas tarefas, tendo acesso ao material e ao conteúdo que está sendo ensinado na escola, este aluno tem muito mais chances de dar continuidade a sua escolarização, sem atraso escolar ou mesmo reprovação e ao retornar à sua escola de origem terá menos ou nenhuma dificuldade na continuidade dos conteúdos que estão sendo aplicados em sala de aula.

Quando essa criança ou adolescente é afastada da escola por motivo de doença e por um longo período ela cria expectativas quanto ao seu futuro, precisa ser valorizada, respeitada e faz-se necessário que ela mantenha um vínculo com a sua vida fora do hospital. A continuidade da escolarização também é um meio de tirar o foco da criança da doença, ajudá-la a se reinserir na escola e no seu relacionamento com os colegas.

É um desafio diário o atendimento pedagógico na Classe Hospitalar, que acontece essencialmente pela escuta pedagógica. O professor necessita de uma escuta sensível para escolher atividades que atendam as necessidades e os interesses de cada aluno, respeitando seu tempo e suas limitações devido ao tratamento. Elaborar atividades para atender ao mesmo tempo alunos de diferentes faixas etárias e multisseriados e lidar com todos ao mesmo tempo também é um desafio para o professor da Classe Hospitalar.

Ressignificar o espaço hospitalar com atividades pedagógicas que envolvam as crianças ou adolescentes não acontece logo no primeiro contato. É necessário estratégias para conquistar este aluno/paciente e despertar o interesse por atividades pedagógicas fora do ambiente da escola que está acostumado a frequentar e numa situação de desconforto causado pela doença. Ao perguntar o que mais gosta de estudar, qual é sua disciplina preferida, se gosta de ler e qual tipo de livro, jogos, brincadeiras, o professor se aproxima do aluno e conquista sua confiança.

São muitas as dificuldades em sistematizar os atendimentos e isso acontece pelo pouco conhecimento especializado disponível para os professores envolvidos com este trabalho. O curso de pedagogia privilegia o ensino nos espaços formais como escolas e nestas os alunos tem estágios para observar a prática e relacioná-la a teoria. A Classe Hospitalar é uma modalidade de ensino que os alunos da pedagogia têm pouco conhecimento da prática por não ter estágios que possam levar o aluno a observar como acontece esse atendimento, como planejar atividades pedagógicas para alunos com necessidades educativas especiais e de diferentes idades.

Nem sempre há um diálogo entre os profissionais da saúde e os profissionais da educação, pois muitas vezes os profissionais da saúde estão preocupados somente com o estado físico da criança. A criança ou adolescente está em crescimento e desenvolvimento, apresenta necessidade específica de acordo com cada fase de sua vida. A sua formação cognitiva e intelectual depende das condições de vida a que ela é submetida. E estando hospitalizada, além dos cuidados físicos, necessita também de cuidados psicológicos e intelectuais.
A criança hospitalizada, assim como qualquer criança, apresenta o desenvolvimento que lhe é possível de acordo com uma diversidade de fatores com os quais interage, dentre eles, as limitações que o diagnóstico clínico possa lhe impor. De forma alguma podemos considerar que a hospitalização seja, de fato, incapacitante para a criança. Um ser em desenvolvimento tem sempre possibilidade de usar e expressar de uma forma ou de outra, o seu potencial (FONSECA, 2008, p.17)

Como bolsista da extensão, percebo a responsabilidade da atuação universitária no meio social e por esse motivo vou contar como foi o meu primeiro atendimento na enfermaria pediátrica do Hospital Universitário Gaffreé Guinle, no dia 09/05/2013. Atendi o Gabriel, de três anos, que estava em sua primeira internação. Apresentamo-nos a ele e a sua mãe e explicamos o que fazíamos ali: oferecer a Gabriel atendimento pedagógico-educacional, o mesmo oferecido na escola que ele frequenta desde os oito meses. A primeira atividade oferecida foi ouvir a história do livro "Sapo Sapeca". Depois perguntamos a ele se gostaria de desenhar e disponibilizamos o material necessário. Desenhou o sapo, a menina, o sol, um vestido e um sapato, dizendo que o daria a sua mãe. Respondeu as perguntas sobre a história com uma fala segura e coerente, demonstrando o domínio de um vocabulário rico para a sua idade. No dia seguinte foi logo mostrando as canetinhas que sua mãe levou e falando tudo que tinha desenhado.

Percebemos que mesmo estando com ele por menos de uma hora, aquela atividade que fizemos juntos contribuiu para que vivenciasse uma situação que fazia parte da sua vida na escola, do seu dia-a-dia. Sua participação na atividade incentivou sua mãe a levar material para que ele continuasse desenhando mesmo sem a nossa presença. Muitas vezes os pais estão tão envolvidos com a doença, com os cuidados físicos da criança, que se esquecem de propor a ela atividades que fazem parte da sua rotina quando estão em casa ou na escola, como ler, desenhar, brincar, escrever, entre outras. A presença do pedagogo recupera os laços com a aprendizagem que muitas vezes ficam ausentes no espaço hospitalar.

Devido ao curto período de atuação do professor com a criança nem sempre percebemos a exata dimensão do resultado deste trabalho, que contribui para o desenvolvimento do educando, na ajuda da superação de suas dificuldades e o aumento da sua autoestima.


4- METODOLOGIA
A realização de um trabalho de pesquisa parte de uma pergunta e da vontade de ir ao encontro de elementos capazes de responder a nossos questionamentos sobre determinado assunto.

Porém esses questionamentos não são suficientes para o desenvolvimento do trabalho de um pesquisador. É preciso ir além, buscando referenciais teóricos que nos dêem o suporte para enriquecer o desdobramento da pesquisa. Conforme Lüdke e André:

Para se realizar uma pesquisa é preciso promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Em geral, isso se faz a partir do estudo de um problema, que ao mesmo tempo desperta o interesse do pesquisador e limita sua atividade de pesquisa a uma determinada porção do saber, a qual ele se compromete a construir naquele momento. Trata-se, assim, de uma ocasião privilegiada, reunindo o pensamento e a ação de uma pessoa, ou de um grupo, no esforço de elaborar o conhecimento de aspectos da realidade que deverão servir para a composição de soluções propostas aos seus problemas. Esse conhecimento é, portanto, fruto da curiosidade, da inquietação, da inteligência e da atividade investigativa dos indivíduos, a partir e em continuação do que já foi elaborado e sistematizado pelos que trabalharam o assunto anteriormente. Tanto pode ser confirmado como negado naquela pesquisa o que se acumulou a respeito desse assunto, mas o que não pode é ser ignorado. (1986, p. 1)
Para a realização desse trabalho fiz uma pesquisa bibliográfica em artigos, legislações e livros dos autores: Eneida Simões da Fonseca, Ricardo Burg Ceccim e Rejane de Souza Fontes, para compreender a importância da Classe Hospitalar. Também busquei autores que falam sobre extensão universitária e a importância dos projetos de extensão para nós universitários, a história da universidade e quais projetos desenvolvidos pelos departamentos de educação e didática, destacando o projeto que faço parte como bolsista.

Utilizei a pesquisa de campo realizada durante minha atuação como bolsista do projeto no HUGG, com o objetivo de compreender o papel da educação na saúde da criança hospitalizada e aumentar o conhecimento das pessoas e grupos envolvidos, como os alunos do curso de Pedagogia, pais e a comunidade em geral. Eu registrei as minhas impressões em um diário de campo com as observações sobre os principais acontecimentos do dia e o desempenho de cada criança nas atividades desenvolvidas, bem como as relações entre professores, pais e equipe médica.

Segundo Lopes (Roese et al, 2006), o diário de campo apresenta-se como uma ferramenta complexa, capaz de dar conta de amplos objetivos, podendo considerá-lo um instrumento de interpretação-interrogação pelas características apresentadas. Dessa forma entendi o contexto de como se desenvolve o trabalho do pedagogo em ambiente hospitalar, e suas contribuições ao aluno hospitalizado.

5- A IMPORTÂNCIA DA EXTENSÃO PARA A MINHA FORMAÇÃO
O Projeto de Extensão Classe Hospitalar: Atendimento Pedagógico Educacional em Ambiente Hospitalar mostra a importância da pesquisa e da extensão na vida acadêmica, pois se destina a aprimorar a formação de alunos da graduação através da articulação do ensino teórico-prático e da pesquisa, oferecendo um suporte pedagógico às crianças hospitalizadas, um acompanhamento de boa qualidade com um profissional bem preparado e que tenha capacidade de lidar com as diversidades existentes no ambiente hospitalar.

Por meio deste projeto pude entender a necessidade do acompanhamento pedagógico no ambiente hospitalar, pois quando a criança é afastada do seu lar e da escola por internação ou tratamento ambulatorial, é quase certo o atraso nos estudos, ocorrendo à repetência ou até a desistência desta. Precisamos garantir maiores e melhores condições de acompanhamento pedagógico à criança internada, e para isso deve-se investir na formação específica de profissionais para esta área de conhecimento. Assim:


A existência de atendimento pedagógico-educacional em hospitais assegura a continuidade de tais processos. A internação hospitalar em nada impede que novos conhecimentos e informações possam ser adquiridos pela criança ou jovem e venham contribuir tanto para o desenvolvimento escolar (não ficando em defasagem nos conteúdos de seu grupo ou turma) quanto para o entendimento de sua doença e a recuperação de sua saúde. (FONSECA, 2008, p. 13)
É necessário que o profissional atuante nesta modalidade de ensino seja submetido a uma capacitação adequada para saber a melhor forma de lidar com os alunos. Assim como nas classes regulares o trabalho docente em ambiente hospitalar exige preparo profissional e afetivo em virtude dos diversos perfis, doenças e fragilidades que os alunos possam apresentar. Alguns professores desistem de atuar em ambiente hospitalar, porque pensam que não estão preparados para lidar com um público tão heterogêneo, em um espaço tão diferenciado.

Percebo, com isso, que a formação do aluno vai além da aquisição de conhecimentos técnico-científicos, até porque esses se esvaziam quando não integrados à realidade. Fazendo parte do projeto de extensão compreendi que é preciso analisar e criticar as relações entre professor, ensino e aluno, no conjunto formado por educação e sociedade, teoria e prática, ensino e aprendizagem.



6- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Cada universidade é composta de sua história, cultura, missão, visão e seus valores. Conhecendo a história da minha universidade, posso entender em qual contexto histórico ela foi criada, a sua identidade e as ações efetivas na prática das suas atividades afins (ensino, pesquisa e extensão). A partir deste entendimento procurei quais projetos na área da educação existem na universidade para depois destacar o projeto de extensão Classe Hospitalar.

Entendo que a participação em Projetos de Extensão é de suma importância para o aprimoramento da formação do aluno da graduação, de modo que a participação neste tipo de atividade deva ser cada vez mais incentivada, visando contribuir para a qualificação não só dos bolsistas, mas de toda comunidade.

Percebi a contribuição social e pedagógica oferecida por este projeto para o desenvolvimento da criança, e sua aplicabilidade que é de fundamental importância, haja vista que a criança recebe estímulos diversificados, seja pela companhia de outras crianças que estão sendo assistidas pelos bolsistas, seja pela variedade de atividades que colaboram com o seu desenvolvimento como um todo.

Reconheci que, mesmo dentro de um ambiente hospitalar, a criança precisa continuar a sua vida escolar, não pode simplesmente ficar somente sobre os cuidados médicos, sem nenhuma expectativa em relação a sua escolarização. Mas para isso acontecer é de suma importância que os pais das crianças hospitalizadas tenham o conhecimento dos direitos do atendimento escolar nos espaços do hospital.

No projeto de extensão, durante aproximadamente um ano, atendemos cerca de 60 crianças, entre quatro e dezesseis anos, da educação infantil ao ensino médio, e todas estavam matriculadas em alguma escola pública ou particular. Também atendemos crianças menores de quatro anos que não estavam em creches ou escolas.

No trabalho desenvolvido no HUGG resultados significativos vêm sendo constatados através da participação e interesse das crianças hospitalizadas nas atividades propostas, dos depoimentos recebidos, como por exemplo: “Ai, que bom que vocês chegaram!” (M., 13 anos), e pela alegria que as crianças demonstram.

Atendimento na enfermaria pediátrica do HUGG


A experiência realizada até o momento permite afirmar que o projeto de extensão Classe Hospitalar tem um grande valor formativo e profissional. São muitas as contribuições para a formação pessoal de nós estudantes: a responsabilidade pelas atividades, o desafio que requer iniciativa, criatividade, flexibilidade e sensibilidade, convivendo com a doença das crianças, contribui para um desenvolvimento como pessoas humanas. O contato com essa realidade educativa, nos ajuda a estabelecer problemas práticos que nos fazem compreender melhor o valor da teoria pedagógica que vamos conhecendo no curso. Uma relação valiosa entre teoria e prática e prática e teoria.

Este projeto contribuiu muito para o meu próprio crescimento e principalmente serviu para que eu pudesse me ver frente a um grupo de pessoas fora da Universidade desenvolvendo um trabalho de extrema importância no ambiente hospitalar. Tenho certeza que só teve pontos positivos. Achei muito interessante a receptividade com que as crianças recebem uma novidade, mesmo estando doentes, como elas são capazes de expressarem e usarem o seu potencial mesmo estando internadas.

Assim, a validade desta modalidade de ensino se traduz não apenas na interferência que causa no desempenho acadêmico da criança, mas, concomitantemente, na visão que essa mesma criança possa ter de sua doença e das perspectivas de cura. (FONSECA, 2008, p. 19)

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