Roteiro da peça marília de dirceu



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TEXTO DA PEÇA MARÍLIA DE DIRCEU

Música: Paulo Jonathan Sala 103

I CENÁRIO ( Dirceu, vestido com trajes pastoril com uma sanfoninha nas mãos)Senta-se ao lado de seu rebanho e fica a escrever uma carta. Depois adormece:

DECLAMA:

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

Que viva de guardar alheio gado;

De tosco trato, de expressões grosseiro,

Dos frios gelos e dos sóis queimado.

Eu vi o meu semblante numa fonte:

Dos anos inda não está cortado;

Os pastores que habitam este monte

Respeitam o poder de meu cajado.

É bom, minha Marília, é bom ser dono

De um rebanho, que cubra monte e prado;

Porém, gentil pastora, o teu agrado

Vale mais que um rebanho e mais que um trono.

VOZ MASCULINA
Pintam, Marília, os poetas

A um menino vendado,

Com uma aljava de setas,

Arco empunhado na mão;

Ligeiras asas nos ombros,

O tenro corpo despido,

E de Amor ou de Cupido

São os nomes que lhe dão.



CENA ( Marília, com trajes de cupido, passa rapidamente pelo palco. Aproxima-se de Dirceu adormecido, toca-lhe o rosto delicadamente e sai de cena correndo)

DIRCEU DESPERTA E DECLAMA:

Marília, escuta

Um triste pastor.

Mal vi o teu rosto,

O sangue gelou-se,

A língua prendeu-se,

Tremi e mudou-se

Das faces a cor.

A vista furtiva,

O riso imperfeito,

Fizeram a chaga,

Que abriste no peito,

Mais funda e maior.

Marília, escuta

Um triste Pastor.

Marília, tu chamas?

Espera, que eu vou.

VOZ FEMININA
Marília, de que te queixas?

De que te roube Dirceu

O sincero coração?

Não te deu também o seu?

E tu, Marília, primeiro

Não lhe lançaste o grilhão?

Todos amam; só Marília

Desta lei da Natureza

Queria ter isenção?

DIRCEU:

Eu sou, gentil Marília, eu sou cativo;

Porém não me venceu a mão armada

De ferro e de furor;

Uma alma sobre todas elevada

Não cede a outra força que não seja

A tenra mão de Amor.

Recolho a setas

Que me deixou

VOZ MASCULINA

Topei um dia

Ao Deus vendado,

Que descuidado

Não tinha as setas

Na ímpia mão.

Mal o conheço,

Me sobe logo

Ao rosto o fogo,

Que a raiva acende

No coração.
O CUPIDO ATINGE DIRCEU COM UMA DE SUAS FLECHAS, ELE GRITA E CAI DESACORDADO E FERIDO.
VOZ FEMININA:
Ouviu Marília

Que Amor gritava,

E como estava

Vizinha ao sítio

Valer-lhe vem;

Mas quando chega

Espavorida,

Nem já de vida

O fero monstro

Indício tem.


CENA: Marília entra em cena, encontra Dirceu caído, sujo de sangue, aperta a mão de Dirceu e leva a seu peito. Levanta os olhos aos céus e com lágrimas lava as feridas de Dirceu. Dirceu se move e antes que ele desperte, Marília foge.
DIRCEU CLAMA, AINDA MEIO DESACORDADO:
Marília bela,

Não atropela

Quem, cego, arrasta

Grilhões de Amor!


CENA: Antes que Dirceu levante entra Glauceste e fica ao lado do amigo. Dirceu acorda:
DIRCEU:

Que louca idéia

Foi a que tive!

Enquanto vive

Marília bela,

Não morre Amor.


Não sei, Marília, que tenho,

Depois que vi o teu rosto,

Pois quanto não é Marília

Já não posso ver com gosto.


Saio da minha cabana

Sem reparar no que faço;

Busco o sítio aonde moras,

Suspendo defronte o passo.


Serão os efeitos de Amor?
DIRCEU E GLAUCESTE SAEM DE CENA
II CENÁRIO : CASA DE CAMPO, COM JARDINS E MUITAS FLORES
Dirceu aparece(ao fundo trilha sonora da peça) sozinho andando próximo à casa de Marília;

VOZ FEMININA
Num sítio ameno

Cheio de rosas,

De brancos lírios,

Murtas viçosas,

Dos seus amores

Na companhia,

Dirceu passava

Alegre o dia



DIRCEU DECLAMA EM FRENTE À CASA DE MARÍLIA:
Minha Marília

Se tens beleza

Da Natureza é um favor

Mas se aos vindouros

Teu nome passa

É só por Graça

Do deus de amor
VOZ FEMININA:

Os versos beija,

Gentil pastora,

A pena adora,

Respeita a mão,

A mão discreta

Que te segura111

A duração.


O voraz tempo

Ligeiro corre;

Com ele morre

A perfeição


Porém que importa

Não valha nada

Seres cantada

Do teu Dirceu?


III CENÁRIO: EM UM BAÚ, DIRCEU ENCONTRA VELHOS POEMAS.
VOZ MASCULINA

Numa noite, sossegado,

Velhos papéis revolvia,

E, por ver de que tratavam,

Um por um a todos lia.
DIRCEU:

“Que finezas tão mal-feitas,

Que tempo tão mal passado!”

CENA; DIRCEU PEGA TODOS OS PAPÉIS, PÕE DENTRO DE UM CESTO, OU BACIA, AMASSANDO-OS E FAZ MENÇÃO DE TOCAR FOGO. APARECE NOVAMENTE MARÍLA, VESTIDA DE CUPIDO, COM SEMBLANTE TRISTE E DECLAMA:
VOZ FEMININA:
“Queres queimar esses versos?

Dize, pastor atrevido,

Essas liras não te foram

Inspiradas por Cupido?

Achas que de tais amores

Não deve existir memória?

Sepultando esses triunfos,

Não roubas a minha glória?”


DIRCEU PARA, REFLETE E RESPONDE:
“Depois, Amor, de me dares

A minha Marília bela,

Devo guardar umas liras

Que não são em honra dela?

E que importa, Amor, que importa

Que a estes papéis destrua?

Se é tua esta mão que os rasga,

Se a chama, que os queima é tua?”



CENA: ENTRA GLAUCESTE COM UMA TELA E PÕE-SE A PINTAR O RETRATO DE MARÍLIA:
DIRCEU FALANDO PARA GLAUCESTE:

Ah! pinta, pinta

A minha bela,

E em nada a cópia

Se afaste dela.

GLAUCESTE:

Quanto julgares preciso,

Não dês a cópia por feita;

Pinta da vista e do riso

Pinta o garbo de seu rosto

Com expressões delicadas

As suas faces mimosas.

Ao monte e vale ensinando

O nome que tem no peito

E em nada a cópia

Se afaste dela.
PARTE II DA OBRA

Entra em cena vários figurantes, olhando para trás fugindo. Dirceu aparece, algemado a acompanhado por policiais. Na masmorra ele olha para o quadro de Marília e escreve novamente:

Nesta cruel masmorra tenebrosa

Ainda vendo estou teus olhos belos...

Se alguém me perguntar onde eu te vejo,

Responderei: "No peito", que uns Amores

De casto desejo

Aqui te pintaram,

E são bons pintores.


Mal meus olhos te viram, ah! nessa hora

Teu retrato fizeram, e tão forte,

Que entendo que agora

Só pode apagá-lo

O pulso da morte.

Há de, Marília, mudar-se

Do destino a inclemência;

Tenho por mim a inocência,

Tenho por mim a razão.

Muda-se a sorte de tudo;

Só a minha sorte não?

Qual eu sou, verá o mundo;

Mais me dará do que eu tinha,

Tornarei a ver-te minha:

Que feliz consolação!

Não há de tudo mudar-se,

Só a minha sorte não!

VOZ MASCULINA:

Louro cabelo, que circula a testa;

Este mesmo, que alveja, vai caindo

E pouco já me resta.

As faces vão perdendo as vivas cores,

E vão-se sobre os ossos enrugando,

Vai fugindo a viveza dos meus olhos;

Tudo se vai mudando.



CENA; UM QUARTO MEIO ESCURO, DIRCEU DEITADO NUMA CAMA, JÁ ENVELHECIDO E QUASE MORIBUNDO;

VOZ FEMININA:

Já não cinjo de louro a minha testa

Nem sonoras canções o deus me inspira.

Ah! que nem me resta

Uma já quebrada,

Mal sonora lira!

Mas neste mesmo estado em que me vejo,

Pede, Marília, Amor que vá cantar-te:

Cumpro o seu desejo;

E ao que resta supra

A paixão e a arte.

CENA: GLAUCESTE ENTRA E SENTA-SE AO LADO DO AMIGO DIRCEU QUE FALA

DIRCEU:

Meu prezado Glauceste,

Se fazes o conceito

Que, bem que réu, abrigo

A cândida virtude no meu peito;

Se julgas, digo, que mereço ainda

Da tua mão socorro;

Ah! vem dar-mo agora,

Agora, sim, que morro!

Toma a lira dourada,

E toca um pouco nela;

Levanta a voz celeste

Em parte que te escute a minha Bela;

CENA: GLAUCESTE TOMA A LIRA DOURADA E TOCA UM POUCA NELA: ( Música de Roberto Carlos: Amigos de Fé- 1977)

DIRCEU AGRADECE AO AMIGO:

Ah! tu a nenhum cedes, meu Glauceste,

Na lira, e mais no canto;

Podes fazer prodígios,

Obrar ou mais, ou tanto.

Levanta pois as vozes:

Que mais, que mais esperas?

Consola um peito aflito;

Que é menos ainda, que domar as feras.

Com isto me darás no meu tormento

Um doce lenitivo;

Que enquanto a Bela vive,

Também, Glauceste, vivo

CENA: NUM CENÁRIO AO LADO DO DE DIRCEU, APARECE MARÍLIA, VESTIDA DE PASTORA, COM UM CAJADO NA MÃO, SENTADA NUMA PEDRA, OLHAR TRISTE E MEIO PERDIDO

VOZ FEMININA:

Ah! Marília, que tormento

Não tens de sentir, saudosa!

Não podem ver os teus olhos

A campina deleitosa,

Nem a tua mesma aldeia,

Que, tiranos, não proponham

À inda inquieta idéia

Uma imagem de aflição.

Mandarás aos surdos deuses

Novos suspiros em vão.

MARÍLIA, EM SEMBLANTE PENSATIVO E OLHAR DISTANTE DECLAMA:

“Aqui trazia

Dirceu também o seu gado.”

CENA: DIRCEU JOVEM, APARECE A MARÍLIA, VESTIDO DE CUPIDO, E ANUNCIA A SUA MORTE:

DIRCEU (CUPIDO FALA):

Dirceu te deixa, ó bela,

De padecer cansado;

Frio suor já banha

Seu rosto descorado;

O sangue já não gira pela veia;

Seus pulsos já não batem,

E a clara luz dos olhos se baceia:

A lágrima sentida já lhe corre;

Já pára a convulsão, suspira e morre.



MARÍLIA E GLAUCESTE APARECEM AO LADO DO CORPO, QUASE MORIMBUNDO DE DIRCEU:

MARÍLIA FALA:

Ali Dirceu esperava

Para me levar consigo;

E ali sofreu a prisão.”

Todo o congresso ali anda,

Só o meu amado não.

“Não foi tirana

Somente comigo a sorte;

Também cortou, desumana,

A mais fiel união.”



VOZ FEMININA:

Louva a formosa Marília

Ao som do meu instrumento.”

Firo as cordas; mas que importa?

A dor não sossega entanto:

Ergo a voz; então reparo

Que, quanto mais corre o pranto,

É mais doce, e mais sonoro

Meu terno, e saudoso canto.

MÚSICA: (Paula Fernanda – Além da Vida)

DIRCEU ( COM TRAJES DE CUPIDO)

“Aqui”, diz ele, “espero a minha bela,

Aqui contente viverei com ela.”

Jove inda quer que eu viva.

Eu devo, sim, gozar teus doces laços;

E em paga de meus males,

Devo morrer, Marília, nos teus braços;

Então eu passarei ao reino amigo,

E tu irás depois lá ter comigo.

Parto, enfim, Dircéia bela,

Rasgando os ares cinzentos;

Virão nas asas dos ventos

Buscar-te os suspiros meus.

Ah! não posso, não, não posso

Dizer-te, meu bem, adeus!

Salvou a sua alma,

Limpa-lhe o terno pranto.

De quem eu falo, és tu, Marília bela.

Ah! sim, honrado amigo,

Se enxugar não puderes os seus olhos,

Pranteia então com ela.

AS CORTINAS DE FECHAM AO SOM A MÚSICA DA TRILHA SONORA AMOR IMPREVISIVEL DE PAULO JHONATAN

Projeto realizado no Centro de Ensino Pres. José Sarney- ANO 2012, em conjunto com os alunos das turmas 101/102/103.

Este projeto teve início em abril de 2012, com a escolha da obra Marília de Dirceu, de Tomás Antonio Gonzaga, um dos principais representantes do Arcadismo. Os meses de Maio, junho e agosto foram reservados um dia na semana (quarta- feiras) para estudo da obra. Em setembro, foram escolhidos os alunos que atuariam na peça, depois de muitos ensaios foram escolhidos os alunos;

Caroline Abreu (101)- para a Marília

Irineu (102) – para o Dirceu

Ricardo (103)- para o Glauceste

Marcos Willitan (101) – Cupido

Ricardo(101) e Gilson (103) – os policiais

A trilha sonora principal da peça, ficou a cargo de Paulo Jhonatam, com a música AMOR IMPREVISÍVEL, uma vez que o mesmo já tem várias composições de sua autoria.

A direção da peça ficou ao encargo das professoras Charlene Brasil, que também foi responsável pela escrita do texto e Eva Simone , responsável pela seleção dos alunos atores, auxiliadas pelas alunas Francisca e Larissa (103) e Nayara (102). O cenário sob a responsabilidade do aluno Clécio (103) e alguns auxiliares.

A culminância do Projeto será dia 20/12/2012 às 18h, tendo início com a III Cantada Natalina, de responsabilidade da Coordenadora Olga de Jesus.

Bacabal, 29 de novembro de 2012.



Charlene Viana Magalhães Brasil

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