Saúde 116: Espaço Lúdico-Socializante: Relato de uma experiência humanizadora no Hospital das Clínicas da Universidade Federal



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


Espaço Lúdico-Socializante: Relato de Experiência Humanizadora no Hospital das Clínicas da UFMG
Área Temática de Saúde
Resumo

Idealizado em 1993 e iniciado em 1994, o Espaço Lúdico–socializante (ELS) é destinado aos pacientes adultos e idosos das unidades de internação, ambulatórios de quimioterapia e hemodiálise do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) e a seus acompanhantes. Destina-se também às crianças e adolescentes da Unidade de transplantes e ambulatórios supracitados. É projeto de extensão desde 2001, integrado ao Programa de Humanização do HC-UFMG, e conta com bolsas da PROEX-UFMG desde março de 2002. Objetiva dar condição e oportunidade para usar de forma construtiva e criativa o período de tratamento e hospitalização; promover a descontração, reduzindo o estresse gerado pela doença ou tratamento; triar pacientes com necessidade de atendimentos específicos. Profissionais e estagiários atendem nos leitos e no ELS, estimulando, disponibilizando materiais e equipamentos, sendo mediadores e facilitadores de leitura e outras atividades como jogos, vídeos, música e participação em oficinas temáticas de trabalhos manuais. Foram realizados 4161 atendimentos em 2003, a pessoas de ambos os sexos, faixa etária ampla, predominando adultos. Número crescente de alunos da UFMG participam do ELS a cada semestre, sendo esta um espaço de contribuição para a formação de 22 estagiários, de março/2002 a maio/2004.


Autora

Wilma Guimarães – terapeuta ocupacional, especialização em Educação Especial/UNI-BH, e Gestão Hospitalar/ESMIG


Instituição

Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG


Palavras-chave: lúdico; adultos; hospital
Introdução e objetivo

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) é um hospital-geral (universitário e público), de grande porte, referência em tratamentos de várias especialidades médicas. Recebe usuários procedentes da grande Belo Horizonte, várias cidades do interior de Minas Gerais e de outros estados do Brasil, áreas urbana e rural. A maioria da clientela atendida é proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS), de nível social, econômico e cultural baixo, embora algumas mudanças neste perfil têm ocorrido.

Temos dito que, no contexto de tratamento hospitalar, “os pacientes são submetidos aos mais variados procedimentos técnicos, exames invasivos, medicações ‘agressivas’, curativos, cirurgias, exercícios físicos, imobilização de pequena ou grande parte do corpo (imposto pela própria doença ou tratamento) e outros, muitas vezes dolorosos e estressantes. Ficam, temporária ou permanentemente, dependentes dos cuidados e decisões de pessoas que lhes são estranhas, o que faz com que sua privacidade seja rompida. O ambiente não lhes é familiar, sujeitam-se a uma série de normas e rotinas pré-estabelecidas, quase não podendo influenciar o mesmo e tomar suas próprias decisões. A doença e todo o estresse gerado pela internação e tratamento podem levar os pacientes a se sentirem inseguros, com medo, ansiosos, deprimidos, com baixa auto-estima, envergonhados de si mesmos, à exacerbação das perdas reais e sensação de inutilidade”. (Guimarães, 1998)

O tratamento ou internação pode se dar em período curto ou se prolongar por dias, semanas e até meses, de acordo com a complexidade do mesmo. Os pacientes são afastados de sua vida de relações cotidianas, de sua casa, família, amigos, trabalho, escola, lazer (quando possuem), são desprovidos de sua autonomia para tomar algumas decisões e fazer escolhas. Às vezes ficam ociosos, com toda atenção voltada somente para a doença, e todos estes fatores, isolados ou somados, podem acarretar ou exacerbar estados de ansiedade e/ou depressão.

Compreendemos que “O homem tem uma natureza ocupacional... Em atividade é, antes de tudo, um homem vivo. A inércia absoluta corresponde à morte. Ócio, enquanto morte da atividade, significa não só a morte do homem, mas um retorno do mesmo a um estágio anterior de seu desenvolvimento” (Chamone, 1981).

Historicamente, a Terapia Ocupacional sempre utilizou materiais e ocupações de diferentes naturezas para a realização de ações de promoção, prevenção, tratamento, cura e reabilitação. No HC/UFMG, unidades de internação e ambulatórios, desde 1978 os brinquedos, livros infanto-juvenis e jogos, adaptados ou não, diversos materiais e ferramentas para trabalhos artesanais têm sido recursos terapêuticos, freqüentemente utilizados por terapeutas ocupacionais com objetivos específicos variados, de acordo com as áreas de atuação, necessidades e possibilidades apresentadas pelos pacientes internados ou não – crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Kilhofner (1994) propondo uma definição para ocupação, escreve: ‘ocupação é a atividade dominante dos seres humanos que inclui além das atividades formais e produtivas, comportamentos jocosos, criativos e prazerosos. É o resultado de processos evolutivos que culminam numa necessidade biológica, psicológica e social da atividade lúdica e produtiva’” (Apud Caníglia, 1991).

Entendemos que a ludicidade, o lazer, “a recreação apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana” (Gaelzer, 1979), tendo estas atividades caráter pedagógico, formativo, compensador. Tais atividades canalizam as tendências anti-sociais, favorecem o equilíbrio emocional, alivia as tensões individuais, age como elemento integrador e unificador e amplia as oportunidades de desenvolvimento cultural.

Idealizado em 1993, o ELS teve início em 1994, ao percebermos que muitos pacientes adultos e adolescentes que procuravam o setor de Terapia Ocupacional (TO) queriam “somente algo para passar o tempo mais depressa...”, “alguma coisa para distrair..., pra brincar junto com o colega da enfermaria”, “para descontrair, relaxar”. Mesmo alguns pacientes que estavam em atendimentos específicos, individual ou grupal (muito freqüentes naquela época), com a terapeuta ocupacional, ao final destes solicitavam empréstimos de livros, revistas e jogos a serem levados para as enfermarias, especialmente nos finais de semana ou feriados, quando o setor não funcionava.

Éramos apenas duas profissionais responsáveis pela assistência terapêutica ocupacional a adultos internados (Valéria Daher e Wilma Guimarães), ficando só uma de novembro de 1994 a fevereiro de 1995. Diante da escassez destes materiais, inicialmente ensinávamos e emprestávamos alguns jogos adaptados para reabilitação física existentes no setor, livros e revistas próprios, trazidos de nossas casas. Visando um espaço mais organizado e adequado às demandas, encaminhamos à diretoria uma lista de materiais e equipamentos eletro-eletrônicos (som, vídeo, televisão e outros), bem como solicitação de apoio para aquisição dos mesmos junto à Receita Federal, mas isto não foi possível. Em maio de 1994 lançamos a primeira campanha de doação de materiais destinados a este projeto no HC-UFMG. Em 1995, a partir de nosso próprio discurso sobre o espaço almejado, surgiu o nome Espaço Lúdico-socializante (ELS).

Outras campanhas, envolvendo público interno e externo cada vez maior, vêm-se realizando, bem como busca de patrocínios. Em setembro de 2003 recebemos 1000 livros do Projeto Sala de Leitura, realizado pela Editora Record em parceria com a Oldemburg Marketing Cultural e White Martins, apoiado pelo Ministério da Cultura. Graças às doações recebidas nestes dez anos, os materiais e equipamentos têm aumentado.

O ELS tem um acervo mais de 2000 livros (literatura brasileira e estrangeira, infanto-juvenil, artes, biografias, poesias, contos, fábulas, crônicas, religião, auto-ajuda, didáticos e outros), cerca de 2000 revistas (informativas, quadrinhos, femininas, saúde, novelas e outras), cerca de 200 jogos de mesa, alguns eletrônicos, uma televisão, um vídeo cassete, fitas de vídeo, dois aparelhos de som , fitas para áudio e outros materiais para trabalhos manuais. Os recursos humanos também foram ampliados após admissão de novas terapeutas ocupacionais para o setor, em 1995, e a participação de estagiárias, desde 2002. A equipe executora é composta por três terapeutas ocupacionais, técnico-administrativos (Patrícia Machado Albernaz, Vânia M. Nunes e Wilma Guimarães), dez estagiárias, uma bolsista e nove voluntárias, em junho de 2004.

Durante alguns anos o ELS funcionou em salas comuns às de atendimentos específicos de Terapia Ocupacional, no 8º andar. No ano 2000 passou a ter espaço próprio, no 9º andar, ala norte.

Inicialmente, registrávamos atividades do ELS na mesma folha de freqüência de atendimentos específicos, separando e detalhando os registros, progressivamente, em cadernos próprios, objetivando o levantamento de dados estatísticos e futuras pesquisas.

Vinculado ao Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PINAH), o Programa de Humanização do HC-UFMG foi instituído em 2001. Como outros projetos e ações existentes no hospital, o ELS integrou-se a este. No mesmo ano apresentamos a “Proposta de Ampliação e Reestruturação do Espaço Lúdico-socializante”, elaborada em 2000/2001, a partir do levantamento dos problemas existentes e dados registrados até então. Aprovada pelo Centro de Extensão (CENEX)-HC e Pró-reitoria de Extensão (PROEX))-UFMG, tornou-se atividade de extensão. Em 2002 deu-se a entrada de alunos bolsistas do curso de TO da UFMG. As primeiras bolsistas desempenharam papel importante entre os colegas, divulgando o ELS como lugar rico de possibilidades para aprendizado na internação de adultos de um hospital geral, já que a escola não oferece estágios nesta área desde 1989. Além das bolsistas, começamos a receber outros estagiários voluntários em 2003. A cada semestre aumenta o número de alunos, não só da UFMG e da TO, interessados em participar do ELS. Uma de nossas metas, apresentada ao CENEX-HC e PROEX -UFMG, na Proposta de Ampliação e Reestruturação do Espaço Lúdico-socializante é a inclusão de estudantes de outras áreas, tornando este um lugar de trocas de conhecimentos e de trabalho interdisciplinar.

Estamos nos empenhando para integração com outros projetos de humanização do HC: Somos referentes e responsáveis pela implantação do Projeto Biblioteca Viva em Hospitais (PBVH), ação conjunta da Fundacão Abrinq para os direitos da Criança (FUNDABRINQ), Ministério da Saúde e City Bank, desde maio de 2002. Temos orientado e envolvido nossas estagiárias com o PBVH, considerando que o incentivo à leitura já fazia parte de nossas rotinas; desde maio de 2004, integramos uma de nossas estagiárias, uma vez por semana, ao projeto Brinquedoteca Hospitalar Nosso Cantinho, na unidade de internação pediátrica.

Temos investido na produção e publicação de textos, apresentação e divulgação do ELS em vários eventos dentro e fora da instituição, bem como na busca de orientação para o desenvolvimento de pesquisas.

Em novembro de 2003 aplicamos, aleatoriamente, dezessete questionários de satisfação de usuários do ELS. Em abril de 2004 colhemos dezessete depoimentos de outros usuários, acompanhantes e trabalhadores do HC, sobre o Espaço Lúdico-socializante. Buscamos com isto saber dos benefícios proporcionados durante a internação/tratamento no HC-UFMG, qualidade, adequação e segurança dos materiais disponíveis, bem como críticas e sugestões.

Em maio de 2004, solicitamos às alunas, que já concluíram e às que ainda estão em estágio no ELS, depoimentos acerca desta experiência e as contribuições para sua formação pessoal e profissional. Doze entre as vinte e duas estagiárias, até o momento, responderam. Iniciamos, desta forma, outro texto: ‘Espaço Lúdico-socializante: contribuição para a formação do aluno – Ensaio para uma pesquisa’.

Outra meta nossa é a criação de uma rede interna de televisão (TV HC), que dê amplo acesso a vídeos (comédias, documentários, educação para saúde, entrevistas, debates e outros), a informações gerais e específicas do hospital. Para isto, dependemos de detalhamento técnico, recursos (materiais, equipamentos, financeiros), apoio institucional e outras parcerias.

Um dos dados levantados por nós se refere ao número de atendimentos realizados em cada ano. Alguns registros referentes a 1994 foram perdidos no setor. Estimamos que o número que temos, 50 atendimentos/1994, representa cerca de 50% do total. Alcançamos 4161 atendimentos em 2003, predominando adultos. O público alvo tem se tornado cada vez mais abrangente, incluindo crianças e adolescentes em tratamento na unidade de transplantes, ambulatórios de quimioterapia e hemodiálise e alguns pacientes do Pronto Atendimento. Estes chegam por demanda espontânea, busca ativa realizada pela equipe ou por encaminhamento de outros profissionais ou mesmo de pacientes que já conhecem o ELS.

O ELS tem como objetivos: prover os pacientes e acompanhantes de oportunidades (espaço físico, materiais, equipamentos adequados ao ambiente hospitalar e pessoal capacitado e disponível) para usar de forma construtiva e criativa o período de tratamento e hospitalização no HC/UFMG; promover a descontração, reduzindo o estresse gerado pela doença ou tratamento; triar pacientes com necessidade de atendimentos específicos; proporcionar cultura e informação e entretenimento; favorecer a exploração, conhecimento, domínio e compreensão dos espaços físicos e rotinas e seu “ajustamento ao ambiente hospitalar”; promover interação, troca de experiências/conhecimentos e colaboração entre pacientes e acompanhantes da mesma enfermaria, ala ou andar, conforme suas possibilidades; estimular os grupos e indivíduos para a realização de atividades lúdicas (leitura, jogos, musica, vídeo e outras), sendo facilitadores/mediadores neste processo; promover atividades educativas, voltadas à promoção, prevenção e recuperação da saúde; contribuir para a formação de alunos de UFMG.


Metodologia

De segunda a sexta-feira, no início da tarde, a equipe executora, percorre as unidades de internação de adultos (Clínica Médica, Clínicas Cirúrgicas, Maternidade, Unidade de Transplantes), salas de quimioterapia e hemodiálise, ao todo dez alas localizados em sete andares distintos, divulgando e convidando pacientes e acompanhantes para realização de atividades lúdicas-socializantes. Estes são recebidos de 16 às 18 horas no ELS - Serviço de Terapia Ocupacional, 90 andar, ala norte do HC-UFMG. Os que não têm condições de se deslocar, devido às limitações impostas pela doença e tratamento, são atendidos nos leitos das enfermarias e nas salas supracitadas. Esta ação acontece, no mínimo, duas vezes por semana em cada ala.

A equipe é responsável pelo gerenciamento dos materiais e equipamentos, limpeza, desinfecção e organização do espaço físico, bem como pelos registros diários e levantamento de dados mensais. Estimula pacientes e acompanhantes a experimentar os materiais e participar das atividades oferecidas, colocando os recursos à disposição. Realiza empréstimos de livros, revistas e jogos supracitados durante o período de permanência dos pacientes, dá orientações para uso adequado e cuidados referentes ao controle de infecção hospitalar, bem como mediação de leitura de histórias infanto-juvenis e outras, conforme as escolhas dos pacientes. Além disto, age como coordenadora/facilitadora nas oficinas temáticas de trabalhos manuais, em datas comemorativas (páscoa, semana das mães, dos pais, das crianças, natal), abertas a qualquer paciente interessado, possibilitando assim a expressão da criatividade, desenvolvimento de habilidades manuais, “atenção, satisfação, motivação e espontaneidade na atividade feita com ludicidade” (Caníglia, 1991).

Durante estes encontros a equipe observa, ouve e acolhe pacientes, detectando demandas para atendimento específico de terapia ocupacional e fazendo outras intervenções necessárias e possíveis no momento.

Os conteúdos trabalhados com os pacientes e acompanhantes variam de acordo com as necessidades dos usuários e possibilidades do projeto, tais como: Auto-cuidado e o controle de infecção hospitalar, temas relacionados ao processo de doença e tratamento/hospitalização, importância do lazer, saúde e qualidade de vida e outros.

Cumprimos um plano pedagógico que inclui orientação prática (treinamento em serviço) e supervisões teóricas quinzenais a partir da leitura de livros e textos previamente combinados, buscando integrar teoria e prática no hospital. A cada semestre são trabalhados conteúdos referentes às características do hospital, hospitalização e suas conseqüências, TO nas unidades de internação, humanização da assistência, relação terapeuta-paciente, controle de infecção hospitalar, lazer, ludicidade e outros.


Resultados e discussão

De 1994 a 2004, recursos físicos, materiais e humanos destinados ao ELS, bem como o público atendido, têm sido ampliados, sendo esta ação mais divulgada, reconhecida e apoiada por diferentes parceiros internos e externos.

De modo geral, as respostas ao questionário e os depoimentos nos mostram que o ELS traz benefícios para os usuários. “Diminui a ociosidade, ansiedade, stress e depressão; proporciona prazer, alegria, divertimento, tranqüilidade, distração, calma; faz esquecer a dor e superar a internação; faz sentir-se útil; integra ao meio social; o tempo passa mais rápido; contribui para informações; favorece a recuperaçã”.

Parceiros: Diretoria do HC-UFMG, CENEX-HC e PROEX-UFMG, Unidade Multiprofissional de Promoção da Saúde, Serviço de Terapia Ocupacional, Comissão de Humanização, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Assessoria de Comunicação, trabalhadores e usuários do HC-UFMG, comunidade externa.

Apresentação em eventos: Cartaz no I Seminário de Humanização da Assistência do HC/UFMG, salão nobre da Faculdade de Medicina (FM)/UFMG, abril de 2002; apresentação oral em mesa redonda na Semana da Enfermagem do HC/UFMG, cujo tema foi “Humanização e Trabalho – Razão e Sentido da Enfermagem”, maio de 2002; selecionado pela PROEX, incluído no pôster da Humanização do HC-UFMG apresentado no I Congresso Brasileiro de Extensão Universitária, II Encontro Nacional de Avaliação Intitucional de Extensão Universitária e I Feira universidade e Sociedade, em João Pessoa/PB, 9 a 12 de novembro de 2002; pôster da Humanização do HC-UFMG - 3ª Semana do Conhecimento da UFMG; pôster na “Semana Nacional de Humanização da Assistência – hall de entrada do HC/UFMG, durante os 15 dias do mês de novembro de 2002; citado em apresentação oral das Experiências exitosas de humanização no HC-UFMG, no I Encontro Estadual Humaniza-SUS, Belo Horizonte, abril de 2004; comunicação oral - Espaço Lúdico-socializante: dez anos de trajetória no HC-UFMG, no Simpósio Bem-Estar do Paciente, maio de 2004, salão nobre da FM/UFMG.

Publicações: Citado em resumo nos Anais do V Congresso Brasileiro e IV Encontro Latino Americano de Terapia Ocupacional, 1997; publicado, parcialmente, nos Cadernos de Terapia Ocupacional, publicado pelo GES.TO, 1998; nota entre as ações humanizadoras do HC–UFMG na Revista Viva, edição comemorativa dos 75 anos do Hospital das Clínicas da UFMG, agosto de 2003; publicação eletrônica pela PROEX no VI Encontro de Extensão Universitária da UFMG, novembro de 2003.


Conclusões

No hospital, onde a doença é o discurso predominante e comumente os usuários são tratados como pacientes (passivos), estes buscam satisfazer uma necessidade que é inerente ao ser humano, de sair da passividade e resgatar-se enquanto ser ativo, autônomo, cheio de desejos e vontades, vivo, num espaço-tempo em que luta para sobreviver a uma doença e tenta redescobrir seu potencial de saúde, melhorar sua qualidade de vida.

Entendemos que a ludicidade, o lazer, ”a recreação apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana” (Gaelzer, 1979), tendo estas atividades caráter pedagógico, formativo, compensador. Tais atividades canalizam as tendências anti-sociais, favorecem o equilíbrio emocional, alivia as tensões individuais, age como elemento integrador e unificador e amplia as oportunidades do desenvolvimento cultural.

Desejamos e nos empenhamos para que esta ação continue, sendo multiplicada em outros ambulatórios do HC-UFMG, tenha seu horário de funcionamento ampliado, inclusive aos sábados. Buscamos a inclusão, cada vez maior de estagiários de Terapia Ocupacional e de outros cursos (Ciência da Informação, Artes Cênicas, Música, Educação Física).

Podemos afirmar que o ELS é campo de aprendizagem e formação do aluno, podendo ainda tonar-se melhor e mais integrado com trabalho interdisciplinar.
Referências bibliográficas

CANÍGLIA, Marília. Modelos Teóricos Utilizados na Prática da Terapia Ocupacional. [s.ed.], Belo Horizonte: Expressa Artes Gráficas e Editora Ltda, 1993. p. 53-58.

JORGE, Rui Chamone. Relação Terapeuta-Paciente (Notas introdutórias). [s.ed.], Belo Horizonte, Imprensa Universitária, 1989.75 p.

_____________. Discurso proferido em Belo Horizonte, em 4 de novembro de 1987. In Cadernos de Terapia Ocupacional, ano XI- n 1 – set. 99, Belo Horizonte: GES.TO, 1999 p.10-13

GAELZER, Lenea. Lazer: benção ou maldição? Porto Alegre: Sulina, Ed. Da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1979. 191 p.

GUIMARÃES, Wilma. A Terapia Ocupacional na Unidade de Internação do HC/UFMG – Hospital-Geral, Universitário. In: Cadernos de Terapia Ocupacional. Belo Horizonte, GES.TO, ano X, n.1 out. 1998. 114p.



__________________. Proposta de Ampliação e Reestruturação do Espaço Lúdico-socializante – Serviço de Terapia Ocupacional, HC/UFMG. In: 6º Encontro de Extensão da UFMG, Belo Horizonte, 2003. Anais PROEX: 2003.

MACHADO, Marília Caníglia. Rumo ao Objeto da Terapia Ocupacional. Belo Horizonte: Cuatiara, 1991. p.47-58

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