Samael Aun Weor Magia das Runas



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veneradas oferendas tinham seu sagrado itinerário bem marcado. Primeiro passavam no país
chamado Escita, depois caminhando para o ocidente seguiam até o mar Adriático, rota igual à que
seguia o âmbar desde o Báltico até o caudaloso rio Pó na península itálica.
Os habitantes de Dodona eram os primeiros que recebiam as oferendas hiperbóreas entre os gregos.
Depois desciam desde Dodona até o golfo Malíaco e continuavam até Eubéia e Caríptia.
Contam as velhas lendas que se perdem na noite dos séculos que as sacratíssimas oferendas nórdicas
prosseguiam a sua viagem a partir de Caríptia, sem tocar em Andros, de onde os catecúmenos as
passavam para Tenos e a seguir para Delos.
Os habitantes de Delos acrescentam sabiamente que os povos hiperbóreos tinham o belo e inocente
costume de enviar as suas sagradas oferendas pelas mãos de duas deliciosas e inefáveis virgens.
Hiperocha e Laodicéia eram os seus nomes.
Dizem as sagradas escrituras que, para cuidar dessas santas mulheres, tão deliciosas e sublimes,
cinco Iniciados ou Perpheres as acompanhavam em sua perigosa e longa viagem, mas tudo foi inútil,
porque aqueles santos varões e as duas sibilas foram assassinadas em Delos, quando cumpriam sua
missão.
Muitas núbeis donzelas da cidade, delicadas e belas, cheias de dor cortaram o cabelo e depositaram
os crespos bucles dentro de um fuso sobre o monumento alçado em honra daquelas vítimas que, se
dizia, tinham vindo acompanhadas pelos Deuses Apolo e Ártemis.
Delos, reverendíssimo lugar a que chegou Enéas! Delos, cenário, de arcaicas lendas hiperbóreas que,
como pedras preciosas, se escondem no fundo profundo de todas as idades. E prosternado na terra,
mordendo a poeira dos séculos, invocou dentro do sagrado recinto a Apolo, Deus do Fogo,
suplicando-lhe com seu dolorido coração para que protegesse a cidade que ia fundar, a segunda
Pérgamo.
Diz a história que o ínclito varão consultou a Apolo sobre o lugar que lhe designava para se
estabelecer. Então, a terra tremeu espantosamente. O herói e sua gente, agachados e abraçados no
chão, possuídos de um misterioso temor, escutaram a terrível voz de Febo Apolo que dizia: Fortes
descendentes de Dárdano! Para vos estabelecer de maneira perdurável deveis buscar a terra de onde
vós sois originários, a primeira que vos levou em seu seio. Ali, a estirpe de Enéas, os filhos de seus
filhos e os que nasçam daqueles, dominará o país.
Conta-se que o épico líder, depois de escutar o Oráculo de Apolo, cheio de preocupação, pensava
em qual seria a mais remota terra de sua origem. Então, seu velho pai, que se recordava vivamente
das antigas tradições da família, disse: Escutem chefes, o berço de nossa estirpe, o nome de nossas
esperanças, é Creta, ilha que se acha no meio do imenso Pélago. Está povoada de cidades ricas e
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poderosas. De Creta, veio para os troianos o culto de Cibeles (a Divina Mãe Kundalini) com seu
carro arrastado por leões. Dela vêm o bronze e outras artes que tornam os humanos poderosos.
Vamos, pois, para Creta que não está longe. Se Júpiter (o Cristo) nos manda vento favorável, em três
dias chegaremos lá.
Chegou a nossos ouvidos, - disse Enéas – o rumor de que Idomeneu, o rei de Creta, que foi nosso
inimigo, pois lutou junto com os Aqueus em Tróia, havia se afastado da ilha. Com sua ausência,
nossa chegada a este país seria muito favorável.
Com o coração esperançado, Enéas continua a falar: Outra vez estivemos a bordo. Nossos
marinheiros rivalizaram-se em agilidade e rapidez. Umas vezes remando, outras manejando o
cordame, impelidos por favorável vento de popa, aportamos em Creta sem contratempos. Lá fundei
uma cidade que, em memória a nossa antiga cidadela, chamei de Pergaméia.
E aquele povo heróico e terrível, capitaneado por Enéas, o ilustre paladino, teria se estabelecido
definitivamente naquela ilha se uma desastrosa e maligna peste não os houvesse obrigado a
lançar-se ao mar em busca de outras terras.
A decomposição e a putrefação tornavam malsão o ar. O sinistro contágio infeccionava todos os
corpos. Uns caíam fulminados pelo raio da morte, enquanto outros se arrastavam como espectros
fatais, desfigurados pela febre.
Um vento abrasador, – disse Enéas – queimava as nossas colheitas e a terra parecia querer
recusar-nos o alimento.
A tempestade do pensamento desatou-se na mente furibunda de Enéas. Qual um desesperado
náufrago que se agarra à rocha cruel, pensou em regressar ao Santuário de Apolo, o Deus do Fogo,
para consultar o oráculo outra vez. Porém, naquela mesma noite, nas deliciosas horas em que o corpo
dorme e a alma viaja pelos mundos superiores fora do organismo físico, encontrou-se Enéas com
seus Deuses Penates, os Gênios tutelares de sua família, os Jinas ou Anjos de Tróia.
E os Senhores da Chama falaram: Filho, não é preciso que regresseis navegando para onde está o
Oráculo de Apolo. Interpretasteis mal a profecia. Vossa pátria de origem não é Creta e sim a
Hespéria, a antiga terra que agora chamam de Itália. Dali saíram os fundadores da raça troiana, o
herói Dárdano e seu antepassado Jásio. Andai depressa, relatai a vosso pai esta notícia.
A notícia surpreendeu o pai de Enéas que se lembrou de Cassandra, a profetiza troiana, quem dissera
a mesma coisa antes da destruição da soberba Ílion e a quem ninguém dera importância, pois Apolo
a castigara.
Essa nobre mulher que se chamara Cassandra, tão adorada e bendita, pagou um tipo de Carma muito
singular pelo mau uso de suas divinas faculdades em vidas passadas.
Conta a lenda dos séculos que, sem perder mais tempo, Enéas lançou-se ao mar novamente rumo às
terras do Lácio.
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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10 - A RUNA AR
Vem a minha memória encantos inefáveis, poemas de amor e coisas impossíveis de descrever com
palavras. O que conheci, o que vi e o que toquei na casa de meu Pai e em todas as moradas
resplandecentes desta grande Cidade Luz, conhecida como a Via Láctea, somente pode ser dito com
o verbo de Ouro no jardim puríssimo da Linguagem dos Deuses.
Era uma noite pontilhada de estrelas. Os raios da lua se projetavam, penetrando em minha casa,
tingindo o chão de prata. O azul profundo do céu parecia um oceano infinito, onde cintilavam os
luzeiros.
Comecei a meditar, entrei em êxtase e abandonei a forma densa. Não existe maior prazer que o de
alguém sentir a alma desprendida. O passado e o futuro irmanam-se dentro de um eterno agora.
Cheio de uma voluptuosidade espiritual indefinível, inenarrável, atingi as portas do templo impelido
pela misteriosa força do anseio.
A entrada do santuário estava fechada com uma grande pedra que impedia a passagem dos profanos.
Não te detenhas coração diante das coisas do mistério. Abre-te Sésamo, foi a minha exclamação e a
pedra abriu-se para que eu entrasse. Quando alguns intrusos quiseram fazer o mesmo, tive de
empunhar a espada flamejante e gritar com todas as forças de minha alma: Para trás os profanos e os
profanadores!
Feliz, avancei até o local das prostrações e adorações. Por aqui, lá e por todos os benditos lugares do
templo, iam e vinham multidões de homens humildes e simples que mais pareciam ser camponeses
obedientes e submissos. Eram os bodhisatvas dos Deuses, homens no mais completo sentido da
palavra, criaturas que gozam do conhecimento objetivo, autoconscientes cem por cento.
Fora de toda dúvida, pude evidenciar até ficar totalmente saciado, que não existia naquelas criaturas
humanas nada que se pudesse chamar de Eu, Mim Mesmo, Si Mesmo, etc. Realmente, tais homens
estão bem mortos. Não vi neles o desejo de se ressaltar, de ocupar os postos mais altos, de se fazer
sentir… A eles não interessa existir, querem apenas a morte absoluta, querem perder-se no SER.
Isso é tudo.
Que feliz me sentia, avançando pelo centro do templo em direção a Ara Sacra. Caminhava enérgico,
altivo, com passadas triunfais… de repente, um desses humildes proletários se atravessa em meu
caminho. Por um momento, quis prosseguir adiante altaneiro, arrogante, desdenhoso, mas… Ó, meu
Deus, um raio de intuição me fulminou.
Vivamente recordei que outrora, em um passado remoto, cometera o mesmo erro na presença
daquele pobre camponês. O erro passado fez-se claro em minha mente e relembrei o terrível
momento em que fui expulso do templo e que vozes aterradoras saíram da Ara Sacra entre raios,
trovões e relâmpagos.
Em milésimos de segundo, revivi em minha mente todas essas cenas passadas. Arrependido, detive a
minha marcha altaneira e orgulhosa para, pesaroso e compungido, prosternar-me diante do aldeão
modesto e submisso. Beijei seus pés exclamando: Tu és um Grande Mestre e um Grande Sábio, mas
aquela criatura, longe de sentir-se satisfeita com minhas palavras, respondeu-me: Eu nada sei, eu
não sou ninguém. Sim – repliquei –, tu és o bodhisatva de um dos Grandes Deuses, governador de
várias constelações.
Quão grande foi a minha felicidade quando aquele autêntico homem me abençoou. Senti-me
perdoado e, feliz, continuei meu caminho até a Ara Sacra. Em seguida, voltei ao corpo físico.
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Passaram-se muitos anos e jamais pude esquecer aquele templo selado com a pedra sagrada.
“Eis aqui, ponho em Sião a principal pedra de ângulo, escolhida, preciosa. E quem crer nela, não será
envergonhado.”
A pedra que os edificadores rejeitaram, veio a ser cabeça de ângulo, pedra de tropeço e rocha de
escândalo.
Os velhos alquimistas medievais sempre buscaram a Pedra Filosofal e alguns realizaram com
pleno êxito a Grande Obra. Falando com toda franqueza, é nosso dever afirmar que essa pedra
é o sexo.
Pedro, discípulo de Jesus Cristo, é o paladino, o intérprete maravilhoso, autorizado a levantar a pedra
que fecha o Santuário dos Grandes Mistérios. O nome original de Pedro é PATAR, cujas três
consoantes: P, T e R, são radicais.
P, lembra claramente aos Pais dos Deuses, a nosso Pai Secreto, aos Phitaras… T, é o TAU, a cruz, o
hermafrodita divino, o lingam negro embutido no yoni. O R, é fundamental no fogo, é o RA egípcio,
além do que R é radical para o poderoso mantra INRI: (Ignis Natura Renovatur Integram).
Dentro da pedra encontra-se latente o fogo. Os antigos faziam saltar a chispa de dentro de dentro do
vivo seio do duro pedernal.
Chegam-me à memória as galactites órficas, as pedras do raio, a ostrita de Esculápio, a pedra com
que Macáon cura a Filoctetes, o bétilo mágico de todos os países, as pedras uivantes, oscilantes,
rúnicas, falantes, etc. O cálice da mente cristificada tem por base a pedra viva, a Ara Sacra.
PRÁTICA
O mantra ARIO prepara os gnósticos para o advento do fogo sagrado. Pratiquem-no todas as
manhãs e ao cantá-lo, dividam-no em três sílabas:
A… RI… O…
Alonguem o som de cada letra. Aconselha-se a empregar dez minutos diários nesta prática.
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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11 - PRÓTON E ANTIPRÓTON
A real existência do próton e do antipróton foi demonstrada em 1955 pela equipe de físicos de
Berkeley. Quando se bombardeou uma placa de cobre com uma carga de 6 mil elétron-volts,
extraiu-se do alvo dois maravilhosos núcleos de hidrogênio, mas de sinais opostos: um próton
positivo e outro negativo.
A todas as luzes resulta claro concluir que a metade do universo está constituída de antimatéria. Se
os sábios modernos puderam encontrar antipartículas nos laboratórios, é porque elas existem também
nas profundezas da Grande Natureza. De nenhuma maneira, negamos o fato de ser espantosamente
difícil detectar a antimatéria no espaço.
A luz das antiestrelas, ainda que aparentemente seja idêntica a das estrelas e as chapas fotográficas as
registrem da mesma maneira, devem possuir uma diferença desconhecida para os cientistas.
Aquele conceito de que em nosso sistema solar não há lugar para a antimatéria é ainda muito
discutível. A transformação da massa em energia é muito interessante. Que a metade escape sob a
forma de neutrinos é normal, que um terço se traduza em raios-gama e que uma sexta parte se
transforme em ondas luminosas e sonoras, de maneira nenhuma deve nos surpreender, é apenas
natural. Quando se pensa em cosmogênese, surgem aquelas interrogações de sempre: Que havia
antes da aurora do nosso sistema solar? O Rig-Veda responde:
Não havia coisa alguma, nem existia nada;
O resplandecente céu não existia;
Nem a imensa abóbada celeste se entendia no alto;
O que era que a tudo cobria?
O que acobertava tudo? O que ocultava?
Era o insondável abismo das águas?
Não existia a morte, porém nada era imortal,
Não havia limites entre o dia e a noite,
Só o UNO respirava inanimado e por Si,
Pois ninguém mais além d’Ele havia existido.
Reinavam as trevas e todo o princípio estava velado.
Na obscuridade profunda, um oceano sem luz;
O germe até então oculto na envoltura faz brotar uma natureza do fervido calor.
Quem conhece o segredo? Quem o revelou?
De onde, de onde surgiu esta multiforme criação?
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Os próprios Deuses vieram a existir mais tarde.
Quem sabe de onde veio esta grande criação?
Aquilo, de onde esta imensa criação procedeu,
O que sua vontade criou, ou que modificou,
O mais elevado vidente, no mais alto dos céus,
O conhece;
Ou talvez, tampouco, nem Ele ainda o saiba;
Contemplando a eternidade…
Antes que fossem lançados os cimentos da terra,
Tu eras.
E quando a chama subterrânea
Rompa sua prisão e devore a forma,
Ainda serás tu, como era antes,
Sem sofrer mudança alguma, quando o tempo não existia.
Ó MENTE infinita, divina Eternidade!
Antes do Mahavântara, dia cósmico, deste mundo em que vivemos, nos movemos e temos nosso Ser,
só havia energia livre em movimento.
Antes da energia havia matéria, sendo que esta última de maneira organizada, constituiu o universo
do precedente dia cósmico, Mahavântara.
Do pretérito universo, resta-nos como lembrança a lua, nosso querido satélite que nos ilumina
durante as noites.
Cada vez que a energia se cristaliza em forma de matéria, esta reaparece sob a forma extraordinária
de um par simétrico de partículas.
A matéria e a antimatéria complementam-se mutuamente. Pode-se dizer que este é um tema novo
para a ciência contemporânea e que, no futuro, progredirá muito ainda.
É absurdo afirmar que em nosso universo não há lugar para a antimatéria. A matéria se faz
acompanhar da antimatéria sempre, sem o que, a física nuclear ficaria sem fundamentos, perderia sua
validez.
Na aurora do Mahavântara, o universo apareceu sob a forma de uma nuvem de plasma, ou seja,
hidrogênio ionizado. Existem 12 hidrogênios fundamentais em nosso sistema solar, o que já foi
analisado pelos Grandes Mestres da humanidade. Foi-nos dito que em tal soma de hidrogênios estão
representadas dozes categorias de matéria, contidas no universo, desde o espaço abstrato absoluto até
o reino mineral submerso. A nuvem de plasma original apresenta-se diante da mente dos homens
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estudiosos de forma dupla. Um exame judicioso deste assunto permite que compreendamos que
existe o plasma e o antiplasma, o qual foi chamado por certo sábio de ambiplasma.
Os cientistas modernos sabem muito bem, através da observação e da experiência, que o campo
magnético intensivo que se forma nas galáxias origina a separação radical das partículas, de acordo
com sua carga elétrica. O plasma e o antiplasma não somente são opostos como se encontram
separados. A matéria e a antimatéria coexistem separadamente e se condensam, cristalizam, em
estrelas.
Quando matéria e antimatéria entram em contato direto, origina-se a destruição total da matéria. O
fundo vivente da matéria é precisamente a antimatéria, contudo entre ambas formas de vida existe
um campo neutro. A três forças primárias: POSITIVA, NEGATIVA e NEUTRA, governam todo o
mecanismo universal. No espaço infinito, coexistem matéria e antimatéria, estrelas e antiestrelas.
O hidrogênio e o anti-hidrogênio cristalizam com a força gravitacional, originando fusão nuclear.
Eis como se acumulam os prótons do mesmo tipo uns sobre os outros para formar todos os elementos
da natureza.
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12 - AS HARPIAS
Enéas, o épico paladino troiano, navegando com sua gente para as maravilhosas terras da antiga
Hespéria, foi submetido a novas e espantosas provas.
Contam as velhas tradições que se perdem na noite dos séculos que, em alto mar, as forças pavorosas
de Netuno levantaram terrível tempestade que, se não afundaram o navio, pelo menos fizeram com
que Palinuro, o mais hábil dos seus pilotos, perdesse o rumo, depois de passar três noites sem
estrelas.
Os troianos viveram novamente momentos de horror quando se aproximaram das ilhas Estrófades, as
quais se situam no mar Jônio. Nelas habitam as dantescas harpias, bruxas asquerosas com cabeça e
pescoço de mulher, mas com corpo de pássaro. Antes eram formosas donzelas, mas agora estão
transformadas em horríveis fúrias que, com seu contato abjeto, corrompem tudo que tocam.
O exército das abomináveis harpias, capitaneado outrora pela execrável Celeno, era monstruoso.
Providas de longas garras, têm sempre no rosto a palidez da fome.
O glorioso herói atracou naquela terra e junto com sua gente desembarcou nela sem pensar em
passarolos horripilantes nem em bruxas abjetas.
Famintos como estavam, os fortes descendentes de Dárdano não tardaram em sacrificar as reluzentes
e formosas vacas que pastavam felizes na terra de ninguém. Contudo, quando estavam no melhor do
festim, baixaram as harpias dos montes. Grasnando como corvos e batendo sua negras e repugnantes
asas, aproximaram-se da comida para infeccioná-la com suas bocas imundas. Tornou-se horrendo o
aspecto daquela carne infeccionada, o fedor infestava o ar e o banquete fez-se asqueroso e
nauseabundo.
Os troianos, fugindo de tão sinistras damas, transformadas em horripilantes passarolos,
refugiaram-se em misteriosas cavernas afastadas da ensolarada praia. Para desgraça de tão ilustres
guerreiros, quando de novo se dispunham a comer, depois de terem sacrificado novas vacas,
voltaram as malditas bruxas e novamente estragaram o alimento. Cheios de grande ira, aqueles
homens decidiram enfrentar o ataque. Armaram-se de arcos azagaias para exterminar as
abomináveis harpias, porém a sua asquerosa pele não permitia que o bronze a atravessasse e os seus
flancos eram invulneráveis como o aço.
Foi terrível a maldição que pronunciou Celeno, quando esvoaçando sobre as cabeças dos valentes
troianos disse: Por que nos fazeis a guerra, insensatos? Os Deuses fizeram-nos imortais. Não vos
ofendemos sem justiça, pois haveis sacrificado muitas vacas de nosso rebanho. Como castigo vou
lançar-lhes uma maldição. Enéas e sua estirpe andarão errantes pelo mar antes de encontrarem a
terra que buscam e passarão fome. Não conseguirão levantar as muralhas de sua nova cidade até que,
de tão famintos, se vejam obrigados a devorar suas próprias mesas.
Surpresos e consternados, os troianos rogaram aos Deuses Santos para que os livrassem de tais
ameaças e, em seguida, abandonaram aquela triste terra tornando a embarcar.
Sacrificar a Vaca Sagrada equivale, de fato, a invocar as cruéis harpias de funestos presságios. Será
bastante oportuno citar aqui a simbólica vaca de cinco patas, guardiã terrível das terras jinas.
H. P. Blavatsky viu realmente uma vaca branca com cinco patas no Hindustão. A quinta pata saía da
sua giba e com ela se coçava e espantava as moscas. O animal era conduzido por um jovem da seita
sadhu.
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Se lemos as três sílabas de Cabala ao inverso, temos: LA-VA-CA (Nota do Revisor: As consoantes
V e B se confundem na língua espanhola, por isso o autor fez essa analogia silábica), símbolo vivo
da eterna Mãe-Espaço. Em todas as teogonias do norte e do sul, do leste e do oeste do mundo,
menciona-se sempre o elemento feminino e eteno da natureza, a Magna-Mater, de quem provém o
M e o famoso hieróglifo de Aquário. Ela é a matriz universal do grande abismo. Ela é a Vênus
primitiva, a Grande Mãe Virgem que surge das ondas do mar com seu filho Cupido-Eros. Por fim,
ela é Gaia, Gaea ou a terra, que no aspecto superior é a Prakriti hindustânica.
Lembrem

-se de Telêmaco, descendo ao mundo das sombras para averiguar a sorte que tivera Ulisses


seu pai. O jovem caminha sob a luz da lua invocando a Prakriti, a poderosa deidade que sendo
Selene no céu, é a casta Diana na terra e a formidável Hécate nos mundos subterrâneos. Os dois
derradeiros desdobramentos, Hécate e Prosérpina, o quarto e o quinto aspecto da Prakriti, são
negativos, constituem a sombra da Eterna Mãe-Espaço, são reflexos perdidos no espelho da
natureza.
Há jinas negros e brancos. As harpias seguem o caminho tenebroso. Dante encontrou-as nos mundos
infernais atormentando as almas que involuem nas regiões submersas. As harpias são jinas negros.
Utilizam os dois aspectos negativos inferiores da Prakriti e com eles metem seus corpos na quarta
dimensão para voar pelos ares.
O corpo humano pode assumir qualquer figura na dimensão desconhecida. Formosas donzelas
podem tornar-se horripilantes passarolos, como aqueles que Enéas achou nas tenebrosas ilhas
Estrófades.
Caronte, o Deus Infernal, cuja velhice é sempre melancólica e abominável, conduz as harpias que
passaram pelas portas da morte para a outra margem do mau rio de corrente lamacenta e de águas
negras, em cujas margens imundas vagueiam os espectros dos mortos. Rio fatal onde navega a barca
de Caronte, conduzindo os perdidos para as regiões sombrias, tétricas e escuras do reino mineral
submerso.
Fim horrível aguarda as harpias da execrável Celeno. Involuir espantosamente no submundo até que
se petrifiquem e se reduzam a poeira cósmica.
Justa é a condenação daqueles que praticam o mal. Suas goelas são como sepultura aberta. Eles
jamais conhecerão o sendeiro da paz.
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13 - RUNA SIG
De fato, é extremamente difícil configurar o encanto, a embriaguez do êxtase, a comunhão dos
santos, nas noites de meditação.
Foi em uma noite semelhante que o patriarca Jacó, viva reencarnação do resplandecente anjo Israel,
com a cabeça apoiada na Pedra Filosofal, leu nos astros a promessa de inumerável posteridade. Foi
quando viu também a misteriosa escada setenária pela qual os Elohim iam e vinham entre os céus e a
terra.
Somente na ausência do Eu podemos experimentar ISSO que é a Verdade, o Real… Eu fui, no dia do
Senhor, inquirindo, buscando, indagando mistérios sobre a minha última hora. E vi e ouvi coisas que
aos profanos e aos profanadores não lhes é dado compreender. Experimentei os últimos anos de vida,
o ocaso do Eu, o catastrófico final do Mim Mesmo e pude viver a crucificação do Cristo Íntimo e sua
conseqüente descida ao Santo Sepulcro.
A luta contra Satã foi terrível…
Minha esposa-sacerdotisa fechou meu sarcófago com uma grande pedra e sorriu docemente. Raios,
trovões e vozes terrivelmente divinas saíam do Gólgota do Pai. Tudo isso me recorda a runa Sig, o


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