Samael Aun Weor Magia das Runas



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raio terrível do Sol Central. SULU-SIGI-SIG, o nome secreto da sagrada víbora Kundalini.
A estrela de cinco pontas é uma repetição constante da runa Sig, a qual se assemelha em traçado com
o zig-zag do raio. Nos tempos antigos, os homens tremeram diante da Pentalfa.
Sig era o falo nos mistérios arcaicos e por este caminho voltamos ao Maithuna, à yoga sexual.
Sig é o sol e sua letra é o S, cujo adequado prolongamento converte o som na voz sutil, naquele silvo
doce e agradável que Elias escutou no deserto.
A Iniciação final está selado com o raio, com a runa Sig. Entre trovões e relâmpagos, escutam-se
palavras terríveis: Meu Pai, em tuas mãos encomendo meu Espírito.
A espada flamejante que se agita ameaçadora por todos os lados para guardar o caminho da árvore da
Vida tem o terrível aspecto da runa Sig, o que nos recorda o zig-zag do raio.
Infeliz do Sansão da Cabala que se deixa adormecer por Dalila, do Hércules da ciência que troca o
seu cetro de poder pelo osso de Onfalo, bem cedo sentirá a vingança de Dejanira e não lhe restará
outro remédio que a fogueira do monte Etna para escapar dos devoradores tormentos da túnica de
Nesso.
Infeliz de quem se deixa seduzir pela sensual diabinha, a mulher sem nome, rosa de perdição do
abismo infernal. Infeliz do Iniciado que cai embriagado nos braços da sanguinária Herodias, da
harpia Gundrígia ou de cem outras mulheres.
Ai, daqueles Iniciados que sucumbam entre os beijos de fogo, não das mulheres, porém da mulher
por antonomásia, da mulher símbolo, que não trata de seduzir grosseiramente com as sugestões da
mera sensação animal, mas com as pérfidas e deliciosas artes do sentimentalismo sutil e do
emocionalismo romântico.
A esses, mais lhes valera não haver nascido ou amarrar-se pelo pescoço a uma pedra de moinho e
lançar-se ao fundo do mar.
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Desgraçados… ao invés de subirem ao Gólgota do Pai e de baixarem ao Santo Sepulcro, serão
fulminados pelo terrível raio da Justiça Cósmica. Perderão sua espada flamejante e descerão ao reino
de Plutão pelo caminho negro.
Ao redor do trono de ébano do rei dos mundos infernais revoluteiam sempre os tenebrosos e
angustiosos zelos, os espantosos ciúmes que amargam a existência, as cruéis desconfianças, as
imundas vinganças cobertas de feridas e os ódios abomináveis destilando sangue.
A roedora avareza devora sempre a si mesma, sem misericórdia alguma, e o asqueroso despeito
arranca sua carnes com suas próprias mãos. Por fim, aí estão a louca soberba que tudo arruína
miseravelmente, a infame traição que sempre defende a si própria e que se alimenta de sangue
inocente, sem poder jamais gozar do corrompido fruto de suas perfídias, a inveja com seu veneno
mortal que destrói a si mesma quando não pode danar os outros, a crueldade que se precipita no
abismo sem esperança e as macabras e espantosas visões, os horríveis fantasmas dos condenados,
espanto dos vivos, os monstros dos pesadelos e os cruéis desvelos que tanta angústia causam.
Todas estas e outras imagens rodeiam a fronte horrível do feroz Plutão e enchem seu fatídico palácio.
Telêmaco, o filho de Ulisses, encontrou no reino de Plutão a milhões de fariseus hipócritas,
sepulcros caiados, como sempre fingindo amor à religião, mas cheios de soberba e orgulho. O herói,
descendo para regiões cada vez mais submergidas, encontrou a inúmeros parricidas e matricidas,
sofrendo espantosas amarguras. Achou também a muitas esposas que tinham banhado suas mãos no
sangue do marido. Encontrou os traidores que haviam atraiçoado sua pátria e violado seus
juramentos, os quais, ainda que pareça incrível, padeciam menores penas que os hipócritas e
simoníacos. Quanto a esses últimos, os três juízes dos mundos infernais assim queriam que fosse
porque, diziam eles, tais tipos não se contentam em ser maus, como o resto dos perversos, ainda por
cima presumem-se de santos, com isso desviam e afastam as pessoas do caminho que conduz à
Verdade com sua falsa virtude.
Os Deuses Santos daqueles que tão solapada e impiamente enganaram o mundo e que agiram de
modo tão desprezível diante das pessoas agora se vingam, com todo seu poder, dos insultos que lhes
lançaram.
O terrível raio da Justiça Cósmica precipita no abismo aos bodhisatvas caídos que jamais quiseram
se levantar. Eles são acusados de três delitos:
1. De terem assassinado Buda.
2. De terem desonrado os Deuses.
3. De muitos outros delitos.
Todo trabalho na Grande Obra, toda e qualquer prática, encerra-se sempre com a Runa Sig, com a
espada flamejante.
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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PRÁTICA
Selem sempre todos trabalhos mágicos, orações, invocações cadeias de cura… com esta Runa.
Tracem-na com a mão e o dedo índice estendidos. Executem o zig-zag do raio ao mesmo tempo em
que emitem o som da letra S de maneira prolongada, como um sibilo doce e aprazível:
SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS
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14 - O AIN SOPH
É necessário compreender, é urgente saber, que no pobre animal intelectual equivocadamente
chamado homem há três aspectos perfeitamente definidos. O primeiro deles é isso que se chama
Essência e no Budismo Zen chamam de Budata. O segundo aspecto é a Personalidade, a qual em si
mesmo não é o corpo físico, ainda que se utilize desse veículo para sua expressão no mundo
tridimensional. O terceiro aspecto é o Diabo, o Eu Pluralizado dentro de cada um de nós, o Mim
Mesmo.
A Essência, o Budata, dentro do homem, é quem tem verdadeira realidade, isso que lhe é próprio.
A Personalidade é aquilo que não lhe é próprio, o que vem do mundo exterior, o que aprendeu no lar,
na rua, na escola, etc.
Quanto ao Eu Pluralizado, ele é esse conjunto de entidades diversas, distintas, que personificam
todos os nossos defeitos psicológicos.
Além da máquina orgânica e desses três aspectos que se manifestam por intermédio dela, existem
inúmeros princípios espirituais, substâncias e forças que, em uma última síntese, emanam do Ain
Soph. E o que é este Ain Soph? Nós dizemos, de uma maneira abstrata, que é a NÃO-COISA sem
limites e absoluta. Sem dúvida, é necessário particularizar e concretizar algo mais para que haja uma
maior compreensão. Ain Soph é o nosso Átomo Super-Divino, singular, especial, específico e
Super-Individual.
Isto significa, em última análise, que cada um de nós não passa de átomo do espaço abstrato
absoluto. Esta é a Estrela Interior, atômica, a qual sempre sorriu para nós.
Certo autor dizia: Levanto meus olhos para o alto, para as estrelas, de onde haverá de chegar auxílio,
porém eu sigo sempre a estrela que guia meu interior.
Claro que este Átomo Super-Divino ainda não está encarnado, porém encontra-se intimamente
relacionado com o chacra Sahasrara, o lótus das mil pétalas, o magnético centro da glândula pineal.
Eu experimentei diretamente o Ain Soph quando me encontrava em estado de meditação profunda.
Um certo dia, não importa qual, atingi o estado que na Índia se conhece como Nirvi-Kalpa-Samádhi
e minha alma se absorveu totalmente no Ain Soph para viajar pelo espaço abstrato absoluto. A
viagem iniciou na glândula pineal e depois continuou no seio profundo do espaço eterno. E vi a mim
mesmo além de toda galáxia de matéria ou de antimatéria, convertido em um simples átomo
Auto-Consciente.
Que feliz me sentia na ausência do Eu! Sentia-me além do mundo, da mente, das estrelas e das
antiestrelas. Aquilo que se sente durante o Samádhi é inexprimível, somente experimentando-o se
compreende. E entrei pelas portas do templo embriagado de êxtase. Vi e ouvi coisas que as animais
intelectuais não lhes é dado compreender. Queria falar com alguém, com algum sacerdote divino e o
consegui, assim pude consolar o meu dolorido coração.
Um daqueles tantos átomos Auto-Realizados do Ain Soph (o Espaço Abstrato Absoluto), aumentou
o seu tamanho e assumiu, diante de minha insólita presença, a veneranda figura de um Ancião dos
Dias. Da minha laringe criadora brotaram palavras espontâneas que ressoaram no espaço infinito e
perguntei por alguém que no mundo das formas densas conhecia. A resposta de tão ínclito Mestre
Atômico foi certamente extraordinária: Para nós, habitantes do Ain Soph, a mente humana é o que é
o reino mineral para vós. E acrescentou: Nós examinamos a mente humana da mesma forma como
vós examinais qualquer mineral.
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Em nome da verdade, devo dizer que a resposta me causou espanto, assombro, admiração,
estupefação… A demonstração veio depois. Aquele Amador Essencial estudou a mente da pessoa
por quem perguntara e me deu informação exata. Já passaram-se muitos anos, mas jamais me
esqueci daquela experiência mística.
Tive a sorte de conversar com um Kabir atômico além dos Universos Paralelos, no Ain Soph. Mas,
nem todas essas estrelas atômicas do firmamento espiritual estão auto-realizadas. O Átomo-Gênese,
o Ain Soph, de qualquer pessoa que não haja fabricado seus corpos solares na Forja Incandescente de
Vulcano é muito simples, não contém a outros átomos. O contrário acontece com os Átomos-Gênese
Auto-Realizados que, nas ciências ocultas, são chamados de Ain Soph Paranishpanna. Eles contêm
dentro de si mesmos quatro átomos sementes que na alquimia são representados simbolicamente
pelas seguintes quatro letras: C. O. N. H. (Carbono, Oxigênio, Nitrogênio e Hidrogênio).
Uma noite de verão qualquer, interrogava a um grupo de estudantes gnósticos, dizendo-lhes: Se no
final do Mahavântara devemos desintegrar os corpos solares fabricados com tantos esforços na Nona
Esfera, então para que os fabricamos? Nenhum dos irmãos pôde dar a resposta certa e coube a mim
explicar.
Quando chega a noite cósmica, o grande Pralaya, o Ain Soph absorve as três forças primárias e
desintegra os quatro corpos, porém retém e atrai para a sua esfera interior os quatro átomos sementes
correspondentes aos quatro corpos. Assim, dentro do Ain Soph Paranishpanna, isto é,
Auto-Realizado, estão as três forças primárias e os quatro átomos sementes. A letra C simboliza o
corpo da vontade consciente. A letra O corresponde ao veículo da Mente Cristo. A letra N
relaciona-se com o Astral Solar e a letra H alegoriza o corpo físico.
Na aurora do Mahavântara, dia cósmico, o Ain Soph Paranishpanna reconstrói seus quatro corpos
mediante seus correspondentes átomos sementes. Os quatro corpos constituem o Mercabah hebraico,
o carro dos séculos, o veículo solar do Ain Soph Paranishpanna, o NÃO COISA, sem limites e
absoluto. Os quatro corpos assumem a forma do Homem Celeste manifestado, o veículo de
manifestação e de descida no mundo dos fenômenos.
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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15 - O REI HELENO
Quando Enéas, o épico paladino troiano, se aproximava do rico palácio do rei Heleno, viu com
assombro e grata surpresa aquela mulher chamada Andrômaca, quem fora esposa de Heitor, o
troiano morto gloriosamente em plena batalha sob as muralhas invictas de Tróia.
Enéas deu graças aos Deuses Santos (Anjos, Arcanjos, Principados, Potestades, Virtudes,
Dominações, Querubins e Serafins do Cristianismo), agradeceu do fundo de seu coração aos seres
inefáveis por haverem livrado aquela mulher, impedindo que os Aqueus a levassem cativa a
Micenas.
A nobre mulher era agora esposa de Heleno, o rei adivinho, o esplêndido monarca que em seu
palácio real ofereceu cordial hospitalidade aos troianos.
Enéas encontrou-a em um bosque sagrado e tinha junto a ela, em uma magnífica urna de ouro, as
queridas cinzas de Heitor, seu antigo esposo.
És tu Enéas, quem vejo realmente? Estás vivo ou és uma aparição? Ó, Deuses, se vives, diga-me por
que meu Heitor já não vive mais? Exclamou a nobre mulher para depois desmaiar. A infeliz tinha
sido cativa do terrível Pirro, guerreiro astuto e malvado que assassinara o velho Príamo.
Felizmente, a sorte da desditada mulher mudara de forma radical depois que Pirro morreu sob as
mãos do terrível Orestes, porquanto veio a se casar com o bom rei Heleno.
Sabemos que no terceiro dia Enéas foi levado por Heleno a uma caverna solitária a fim de consultar
a vontade de Apolo.
A mais importante predição consistiu em dizer a Enéas que ele ainda estava longe de chegar ao
término de sua viagem e de instalar-se definitivamente na terra que outrora fora a antiga Hespéria.
Anunciou-lhe também que devia consultar a Sibila de Cumas, aquela profetisa divina que escrevia
seus versos mágicos nas folhas de uma corpulenta árvore que crescera junto a sua caverna.
De vez em quando, algum vento forte derrubava as proféticas folhas verdes e os versos se
misturavam, formando frases ininteligíveis para os profanos. Por esta causa, muitos dos consultantes
saíam maldizendo a Sibila.
Fora de qualquer dúvida, podemos afirmar com ênfase que apenas os homens de consciência
desperta podiam entender as estranhas frases e os misteriosos enigmas da Sibila de Cumas.
Heleno predisse também a Enéas que navegaria pelos mares de Cila e Caribdes e que passaria perto
da terra dos ciclopes, porém que se abstivesse de entrar em Ítaca pelas costas meridionais porque
estavam povoadas de terríveis gregos naquela época.
Por fim, o bondoso rei Heleno aconselhou Enéas, o ilustre paladino troiano, a procurar ganhar o
amor da Deusa Juno através de piedosos sacrifícios. Esta deidade sempre se mostrava inimiga dos
troianos.
E o vento incha as brancas velas sob a luz do plenilúnio e o remo luta contra o suave mármore.
Palinuro consulta as estrelas e os navios afastam-se dos domínios do rei latino, enquanto que
Andrômaca chora a partida dos troianos.
Heleno, rei iluminado e profeta de Apolo, tu brindaste os troianos com régia e magnífica
hospitalidade e depois, cheio de amor, interrogaste ao Deus do Fogo, preocupado com teu amigo
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Enéas. Heleno, foste tu quem aconselhou a tão ínclito varão troiano para que visitasse a Sibila de
Cumas.
Ao chegar a esta parte do presente capítulo, vêm a minha memória todas aquelas sacerdotisas de
Endor, da Eritréia, etc. Por onde quer que haja um santa Sibila, certamente haverá um templo de
mistérios. Exemplos são os Mistérios délficos, báquicos, cabíricos, dáctilos ou de Elêusis.
Os Deuses e os homens sábios jamais poderão se esquecer da tremenda importância com que se
revestiam os Mistérios nos tempos antigos. Quanta fama e quão grande renome a eles são devidos.
Saís, Mênfis e Tebas no velho Egito dos Faraós. Os Iniciados recordam ainda a Mitra entre os parses,
bem antes da noite dos séculos, e entre os gregos são lembrados os de Elêusis, Samotrácia, Lemnos,
Éfeso… Formidáveis foram os Colégios Iniciáticos de Bibractis e de Alexis entre os gauleses
druidas.
Os sacerdotes druidas dos celtas praticavam a magia e os mistérios em suas cavernas, segundo o
dizer de Plínio, confirmado também por Cesar e Pompônio Mela. Os austeros e sublimes hierofantes
druidas, coroados de folhas de carvalho, reuniam-se solenes, sob a pálida luz da lua para celebrar
seus Mistérios Maiores, especialmente na Primavera, quando a vida ressuscita pujante e gloriosa.
Os Colégios Iniciáticos fecharam-se no oriente com a barbárie militar de Alexandre e no ocidente
com a violência romana.
A cidade de Côte-d’Or, junto a St. Reine, foi certamente a tumba da Iniciação Druídica. Todos os
Mestres e Sibilas foram vilmente degolados pelas sanguinárias hordas de Roma, sem consideração
alguma. Igual sorte, fatal e dolorosa, coube a Bibractis, a gloriosa rival de Mênfis. Seguiram-na em
números de vítimas Atenas e Roma, cujo colégio druida contava com 40 mil alunos de ciências
ocultas, astrologia, filosofia, medicina, jurisprudência, arquitetura, literatura, gramática, etc.
O mysterium latino é o grego teletai, cuja raiz original se encontra na palavra teleutéia, morte. Coisa
vã é a morte do corpo físico. Importante é a destruição total do Mim Mesmo.
A iluminação das Sibilas de Cumas, o esplendor das sacerdotisa da Eritréia, o êxtase de um
mahatma, são para pessoa que passaram de verdade pela grande morte.
O despertar da consciência, a mudança radical e absoluta, torna-se impossível sem a morte do Eu
Pluralizado. Somente com a morte surge o novo. O sendeiro da vida está formado com as pegadas
dos cascos do cavalo da morte.
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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16 - A RUNA TYR
Pássaros que cantam, arroios que saltam, rosas que perfumam o ambiente, sinos que chamam, pára,
sombra do meu bem, bela ilusão do dia, porque a noite chegou.
Noite deliciosa cravejada de estrelas, permita que eu te ofereça o oásis do velho parque de meu
coração dolorido. Estamos em dezembro, porém com teu romântico cantar terá as rosas um mês de
maio.
Quisera adivinhar que voz é essa que sempre nega as coisas vãs, que as rechaça, que as repudia com
um NÃO que não é ódio e que promete muitos SINS.
Noite divina, eis-me aqui, por fim só comigo mesmo, escutando nas vozes de Isaías teu clamor
insinuante que me nomeia.
Noite encantadora, Urânia, vida minha. Por ti estar enfermo é estar são. Todos os contos que
divertem o mortal na remota infância nada são para ti. Tu cheiras melhor que fragrância de jardins
encantados e és mais diáfana, meu bem, que o diáfano palácio de cristal.
Com fecundo ardor, sem acidente algum, com uma piedade simples, atravessei as ruas da cidade
capital do México. Atravessei a cidade à meia-noite entre cristais inefáveis, limpos de toda névoa.
Quem, gritando meu nome, à morada recorre? Quem me chama na noite com tão deliciosa
entonação? É um sopro de vento que soluça na torre, é um doce pensamento.
E subi à velha torre da Catedral Metropolitana cantando o meu poema com a voz do silêncio.
Perdeu-se a neblina no pico das montanhas. Das terras que sofreram tremendas convulsões,
produzidas pelo vômito das lavas das crateras, surgiram como por encanto para o deleite dos olhos
Iztaccihuatl e Popocatepetl, os dois legendários vulcões que quais guardiões custodiam o vale do
México. E além das longínquas montanhas, vi mundos e inefáveis regiões impossíveis de serem
descritos com palavras.
Olha o que te aguarda, disse-me uma voz generosa que dava música ao vento. Canção que ninguém
escuta e que vai soando, soando por onde quer que eu vá, e em cujas notas parece que eu sinto minha
própria voz.
Ao descer da torre, alguém me seguia, era um chela ou discípulo. Grande foi a minha alegria.
Sentia-me embriagado de uma deliciosa voluptuosidade espiritual. Meu corpo nada pesava,
movia-me no veículo astral e meu corpo físico há algum tempo que já o abandonara.
No átrio da velha catedral, ao pé dos vetustos muros que tinham sido mudas testemunhas de tantas
brigas, malabarismos e desafios durante diversos séculos, vi um variegado e pitoresco conjunto de
homens, de mulheres, de meninos e de anciões que por toda parte vendiam suas mercadorias.
Em um ângulo da velha catedral, sentado como um iogue oriental, junto ao muro e sob a antiquada
torre, vi um ancião asteca de idade indecifrável a meditar. Um adormecido poderia tê-lo confundido
facilmente com mais um mercador.
O venerável tinha diante de si, na fria pedra do piso, um estranho objeto, uma sagrada relíquia asteca.
Humilhado, confundido e abatido, prostrei-me reverente diante do santo e venerando indígena.
Então, o ancião me abençoou.
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O chela, o discípulo, que seguia meus passos, parecia um sonâmbulo. Sua consciência dormia
profundamente e sonhava… de repente, algo acontece. Ele inclina-se para pegar algo e sem o menor
respeito colhe a intocável relíquia, observa-a em suas mãos com infinita curiosidade e eu fico
francamente horrorizado com este procedimento. Aquilo foi terrível para mim e exclamei: Mas o que
é que tu estás fazendo? Estás cometendo um grande sacrilégio. Por Deus, retira-te daqui e deixa esta
relíquia em seu lugar.
No entanto, o Mestre cheio de infinita compaixão replicou: Ele não tem culpa, pois está com a
consciência adormecida. A seguir, com todo bom samaritano que quer levar ao coração aflito o
precioso bálsamo, segurou a cabeça do adormecido neófito e soprou em seu rosto o fohat vivo para
que despertasse, porém tudo resultou inútil e o discípulo continuou dormindo, sonhando.
Cheio de profunda amargura disse: E eu que tanto lutei no mundo físico para que despertassem sua
consciência e no entanto continuam dormindo.
O chela agora assumira uma figura gigantesca. O Eu Pluralizado, o conjunto de distintas entidades,
se metera dentro de seus corpos lunares, dando-lhe aquela aparência. Era curioso ver o descomunal
gigante de cor cinza caminhando lentamente como um sonâmbulo pelo átrio da antiga catedral. Ele
afastava-se de nós e dirigia-se para sua casa onde seu corpo físico dormia. Não consegui conter a
exclamação: Que corpos lunares mais feios! Mas, o venerável ancião, embriagado de compaixão,
alertou-me: No templo onde vais entrar agora (um templo jinas, um santuário asteca), há muitos
como ele, olha-os todos com simpatia. Claro que os olharei com simpatia, respondi.
Falemos agora da reencarnação. Por acaso, se reencarnam as criaturas lunares? Poderia haver
reencarnificação onde não há individualidade?
A doutrina de Krishna no sagrado país do Ganges ensina que somente os Deuses, Semi-Deuses,
Heróis, Devas e Titãs se reencarnam. Em outras palavras, diremos que somente os Auto-Realizados,
aqueles que já encarnaram o Ser, podem reencarnar.
O Ego, o Eu pluralizado, não reencarna porque ele está submetido à lei do Eterno Retorno de todas
as coisas. Ele regressa a uma nova matriz, volta para este vale do Samsara, reincorpora-se.
PRÁTICA
As práticas correspondentes à Runa Tyr ou Tir consistem em se colocar os braços para o alto e
baixar as mãos, como se fossem conchas, enquanto se faz ressoar o mantra Tir para despertar a
consciência.
O som das letras I e R é alongado: Tiiiirrrrr...
O T ou Tau golpeia a conscência procurando o seu despertar. O I trabalha intensamente com o
sangue, veículo da Essência, e o R, além de intensificar a circulação nas veias e vasos sangüíneos,
opera maravilhas com as flamas ígneas, intensificando e estimulando o despertar da consciência.
Portanto, cante-se o mantra Tir prolongando bem as letras I e R, não se esquecendo de golpear com
o T, assim:
Tiiiiiiiiiirrrrrrrrrr
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17 - A MEDITAÇÃO
Informação intelectual não é vivência. Erudição não é experiência. O ensaio, a prova e a
demonstração exclusivamente tridimensional não são Unitotais.
Tem de haver alguma faculdade superior à mente e independente do intelecto que seja capaz de nos
dar um conhecimento e uma experimentação direta sobre qualquer fenômeno. Opiniões, conceitos,
teorias, hipóteses, não significam verificação, experiência, consciência plena sobre tal ou qual
fenômeno.
Somente libertando-nos da mente podemos viver de verdade ISSO que há de real. AQUILO que se
encontra em estado potencial atrás de qualquer fenômeno. Mente há em toda parte. Os sete cosmos, o
mundo, as luas, os sóis, nada mais são do que substância mental cristalizada ou condensada.


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