Samael Aun Weor Magia das Runas



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deserto africano e que não suportava ofensas.
Pobre diabo!… Que terrível luta íntima teria de sustentar entre seu sagrado dever, o amor por seu
povo e a cruel ferida de Cupido. Este último começou o seu trabalho destruidor apagando
sensivelmente da memória da soberana a imagem de Siqueu, seu primeiro esposo.
Lilith-Astaroth… quanto dano causaste! Deusa de desejos e paixões, mãe de Cupido… por tua
causa o sangue brota dos corações humanos. Ó rainha, lançaste ao esquecimento o terrível juramento
porque encontraste no caminho da tua vida um troiano que pôs em teus sedentos lábios um novo
alento, uma bela taça de delicioso vinho.
E quando Cupido chegou em teu vermelho sangue, feroz acendeu uma tríplice chama de espantosa
paixão sexual e entregaste a vindima da tua vida aos gravetos em fogo.
Bela, a quem a terrível sorte ordenara a se martirizar com tantas ternuras, recebeste de Lúcifer uma
pérola negra rara para o teu diadema de loucuras.
Consultou a infeliz soberana a sua irmã Ana e ambas recorreram aos altares de diversos Deuses em
busca de presságios que favorecessem seus desejos. Imolaram vítimas a Ceres, a Febo-Apolo, a
Dionísios e especialmente a Juno, Deusa das mulheres que trabalham na Nona Esfera e que preside
as cerimônias nupciais justas e perfeitas.
Muitas vezes inclinou-se a trágica rainha sobre os flancos abertos das inocentes vítimas do
sacrifício, inspecionando as entranhas palpitantes, porém uma mulher apaixonada e com a
consciência adormecida está sempre disposta a interpretar todos os sinais a favor do seu sonho.
Lá do céu, Juno, a Deusa das mulheres Iniciadas, presenciava indignada os tenebrosos progressos
que fazia Kali-Astaroth na pobre Dido, mas todas suas reclamações e protestos foram inúteis.
Consumida pela paixão, a infeliz rainha Dido passava as noites em claro, pensando exclusivamente
em Enéas, o troiano, que loucamente enamorado, reconstrói os muros de Cartago e trabalha na
fortificação de uma cidade estrangeira.
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Ah, se Mercúrio, o mensageiro dos Deuses, não tivesse interferido… bem diferente teria sido a sorte
da pobre Dido!
O épico paladino troiano precisa tumar para o Lácio e esquecer-se de quem o adora. Este é o
mandato de Júpiter, Pai dos Deuses e dos Homens.
Não, tu não és descendente de Dárdano. Nasceste gelado e duro nos ásperos cumes do Cáucaso e
uma tigresa das cercanias te amamentou em seus peitos, exclama a despeitada soberana.
Inúteis foram todas suas queixas e lamentos… A desesperada noiva não esteve em Áulida,
sacrificando aos Deuses para pedir a destruição da cidade de Príamo, nem jamais foi aliada dos
Aqueus, por que, meu Deus… tinha de sofrer tanto a infeliz?
A infortunada soberana transformada em escrava pelo cruel dardo da paixão sexual invoca a morte.
Inúteis foram suas oferendas diante do altar da Deusa Juno, a paixão animal não obtém resposta dos
Deuses. Ah! Se as pessoas soubessem que o veneno da paixão animal engana a mente e o coração…
A desgraçada rainha acreditava estar enamorada, o dardo de Cupido havia se cravado em seu
coração, porém no fundo sofria apenas de uma paixão. Clama a infeliz no altar de Juno e, de repente,
vê que a água lustral fica preta e o vinho da libação vermelho como o sangue.
Terríveis momentos… sobre a solitária cúpula do palácio, a coruja da morte lança seu sinistro canto.
Às vezes, ela sonha e se vê a caminhar por um deserto sem limites em busca de seu adorado Enéas
ou a fugir desesperada, perseguida pelas impiedosas Fúrias.
A infeliz conhecia os meios mágicos infalíveis e maravilhosos para esquecer uma paixão bestial.
Vou te dizer para que me ajudes – disse a sua irmã Ana. Erguerás uma grande pira na sala grande do
palácio que dá frente para o mar. Nela queimarei todas as recordações de Enéas, inclusive aquela sua
espada cravejada de ouro que o ímpio me ofereceu como presente de nossas núpcias, as quais não
chegaram a se realizar.
No entanto, a apaixonada soberana ao invés de queimar na pira funerária as recordações do ilustre
varão troiano, resolve imolar a si própria no fogo que flameja.
Cinge seus reais seios com as cintas sagradas das vítimas destinadas ao sacrifício e de pé sobre a pira
fúnebre toma por testemunhas os Deuses, o Érebo, o Caos e Hécate, o terceiro aspecto da Divina
Mãe-Espaço.
Ela, a desventurada soberana, que poderia ter utilizado os efeitos mágicos das ervas lunares,
usando-as como combustível para incinerar recordações, paixões e maus pensamentos,
violentamente deseja arder na pira da morte. Roga ao Sol, clama por Juno, invoca as Fúrias da
vingança, comete o erro de amaldiçoar a Enéas e por fim atravessa o coração com a espada do
troiano.
Sua irmã a encontrou já ardendo no fogo. Assim morreu a rainha Dido.
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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22 - A RUNA UR
Espreitando no espaço infinito, esquadrinhando, observando os registros Akashicos da natureza,
verifiquei por mim mesmo que a Lua é a mãe da Terra.
Com o olho aberto de Dangma, vou agora submergir no grande Alaya, a famosa superalma de
Emerson, a Alma do Universo. Convido o querido leitor a que estude este capítulo profundamente. É
preciso meditar nele, afundar em seu conteúdo e conhecer seu profundo significado.
Se tu me perguntasse quem sou, responderia… sou um dos sete Ameshaspentas dos masdeístas que
esteve no ativo passado Mahavântara do Lótus de Ouro. Vou pois, dar testemunho do que vi e ouvi.
Escutem pois, homens e Deuses. Conheço a fundo os Sete Mistérios da Lua, as Sete Jóias, as Sete
Ondas da Vida que evoluiram e involuiram nisso que os teósofos chamam de Cadeia Lunar.
Na realidade, a Lua é o satélite da Terra só em um sentido, no fato de girar em torno de nosso
mundo. Vendo as coisas de outro ângulo, investigadas com o Olho de Shiva (intensa visão espiritual
do Jivanmukta ou Adepto), a Terra resulta de fato em satélite da Lua.
Evidências a favor são as marés, as mudanças cíclicas em muitas espécies de enfermidades que
coincidem com as fases lunares… Pode-se ainda observar sua ação no desenvolvimento das plantas
e sua influência é muito marcante nos fenômenos de concepção e gestação de todas as criaturas.
A Lua foi um mundo habitado e agora é um frio resíduo, uma sombra, que se arrasta atrás do corpo
para passou, por transfusão, seus poderes e princípios vitais. Ela está condenada a perseguir a Terra
por longas idades. É uma mãe que gira em torno de sua filha; parece um satélite.
Eu vivi entre a humanidade lunar. Conheci suas sete raças e suas épocas de civilização e barbárie, os
alternados ciclos de evolução e involução.
Quando os selenitas chegaram à sexta sub-raça da quarta ronda, idade a que chegaram agora os
terrestres, cumpri missão semelhante a que estou cumprindo, nestes momentos, no planeta em que
vivemos. Ensinei aos povos da Lua a religião da síntese, contida na Pedra Iniciática, o sexo, a
doutrina de Jano (I A O), ou dos Jinas.
Eu acendi a chama da GNOSIS entre os selenitas, formei um Movimento Gnóstico… e lancei a
semente. No entanto, uma parcela da semente caiu junto ao caminho e vieram as aves mundanas e a
comeram. Outra parte caiu nas pedras, discussões, teorias e ansiedades, onde não havia gente
reflexiva, profunda. Não resistiram a prova do fogo e secaram diante da luz do sol. Não tinham raiz.
E outra parte caiu entre espinhos. Irmãos que se ferem uns aos outros com a calúnia e a intriga.
Cresceram os espinheiros e as sufocaram.
Felizmente, o meu trabalho de semeador não se perdeu porque uma parte caiu em terra boa e deu
fruto de cem por uma, sessenta por uma e trinta por uma semente.
Na Devamatri, Aditi ou Espaço Cósmico, dentro da Ur rúnica, no microcosmos homem-máquina ou,
diríamos ainda melhor, no animal intelectual, há muitas faculdades latentes que podem ser
desenvolvidas à base de grandes esforços íntimos.
Na antiga Lua, antes de que se convertesse em um cadáver, aqueles que aceitaram a religião da
síntese de Jano foram salvos e se transformaram em anjos. Porém, a maioria, os inimigos da
Maithuna, os que repeliram a Pedra Iniciática, o sexo, converteram-se nos lucíferes, demônios
terrivelmente perversos, de quem a Bíblia nos fala.
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Resta ainda dizer que nunca falta uma terceira posição… No Apocalipse lunar, certo grupo frio
tornou-se quente e aceitou o trabalho na Nova Esfera, o sexo. Para essa gente foi dada uma nova
morada para que trabalhassem com a Pedra bruta até dar-lhe a forma cúbica perfeita.
A pedra que os edificadores rejeitaram veio a se tornar pedra angular, pedra de tropeço e rocha de
escândalo. Por aqueles tempos, os selenitas tiveram uma religião espantosamente sanguinária. Os
pontífices de tal culto sentenciaram-me à pena de morte e fui crucificado sobre o cume de uma
montanha, perto de uma grande cidade.
A transferência de todos os poderes vitais da Lua para este planeta deixou sem vida a velha morada
dos selenitas. A Alma Lunar está agora reencarnada neste mundo em que vivemos.
No final do Mahavântara lunar, eu me absorvi no Absoluto que durou 311.040.000.000.000 de anos,
ou seja, uma idade de Brahma.
Torna-se indispensável acrescentar que as ondas monádicas da Lua submerguram depois do Grande
Dia na Ur rúnica, no profundo ventre da eterna Mãe-Espaço.
Urge afirmar que durante aquele Maha-Samádhi, êxtase sem fim, penetramos muito mais fundo e
chegamos ao Pai, Brahma, o Espírito Universal da Vida.
Faz-se necessário esclarecer que o Pai, Brahma, submergiu no Absoluto durante todo o período da
Grande Noite, o Mahapralaya.
No terrível repouso paranirvânico, as trevas desconhecidas converteram-se em Luz Incriada para
nós, os irmãos.
UHR é o relógio, a medida do tempo, o Mahavântara. RUH é o descanso, o Grande Pralaya.
Na realidade, a Noite Cósmica dura tanto quanto o Grande Dia. É meu dever afirmar que cada um de
nós, os irmãos, se absorveu radicalmente em seu átomo primordial, o Ain Soph.
Ao começar a aurora do novo Dia Cósmico, a eterna Mãe-Espaço se dilata, de dentro para fora,
como o botão do lótus. O Universo gera-se no ventre de Prakriti.
PRÁTICA
Amando a nossa Mãe Divina e pensando nesse grande ventre, onde os mundos são gerados, oremos
diariamente assim:
DENTRO DE MEU REAL SER INTERNO RESIDE A DIVINA LUZ.
RAAAAAAAAMMMMMM… IIIIIIIIIIOOOOOO É A MÃE DE MEU SER, DEVI KUNDALINI.
RAAAAAAAAMMMMMM… IIIIIIIIIIOOOOOO AJUDA-ME…
RAAAAAAAAMMMMMM… IIIIIIIIIIOOOOOO SOCORRE-ME…
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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RAAAAAAAAMMMMMM… IIIIIIIIIIOOOOOO ILUMINA-ME…
RAAAAAAAAMMMMMM… IIIIIIIIIIOOOOOO É MINHA MÃE DIVINA, ÍSIS MINHA, TU
TENS O MENINO HÓRUS, MEU VERDADEIRO SER, EM TEUS BRAÇOS, PRECISO
MORRER EM MIM MESMO PARA QUE A MINHA ESSÊNCIA SE PERCA N’ELE… N’ELE…
N’ELE…
Esta oração se faz diante do sol com as mãos levantadas, as pernas abertas e o corpo agachado, como
se esperando receber luz e mais luz.
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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23 - HISTÓRIA DO MESTRE MENG SHAN
Contam as velhas tradições, que se perdem na noite dos séculos, que o Mestre chinês Meng Shan
conheceu a ciência da meditação antes dos vinte e cinco anos de idade.
Dizem os místicos amarelos que desde essa idade até os 32 anos ele estudou com 18 anciães.
Resulta certamente interessante, sugestivo e atraente, saber que este grande Iluminado estudou com
infinita humildade aos pés do venerável ancião Wan Shan, quem lhe ensinou a utilizar
inteligentemente o poderoso mantra WU, que se pronuncia com um duplo U, imitando sabiamente o
uivo do furacão na garganta das montanhas.
Este irmão nunca esqueceu o estado de alerta percepção, de alerta novidade, tão indispensável e tão
urgente para o despertar da consciência.
O venerável guru Wan Shan disse-lhe que durante as doze horas do dia é preciso estar alerta como
um gato que espreita um rato ou como uma galinha que choca um ovo, sem abandonar a tarefa por
um segundo sequer.
Nestes estudos, os esforços não contam e sim os superesforços. Enquanto não estejamos iluminados,
temos de trabalhar sem descanso, como um rato que rói um ataúde. Se praticamos dessa forma, nos
libertaremos da mente e experimentaremos diretamente esse elemento que a tudo transforma
radicalmente, ISSO que é a Verdade.
Um dia, Meng Shan, depois de 18 dias e noites contínuas de meditação interior profunda, sentou-se
para tomar chá e… ó maravilha!… compreendeu o sentido íntimo do gesto de Buda ao mostrar a flor
e o profundo significado de Mahakasyapa com seu exótico e inesquecível sorriso.
Interrogou a três ou quatro anciões sobre a experiência mística, mas eles guardaram silêncio. Outros
disseram-lhe para que identificasse a vivência esotérica com o Samádhi do Selo do Oceano. Este
sábio conselho, naturalmente, inspirou-lhe grande confiança em si mesmo.
Meng Shan avançava triunfante em seus estudos, mas nem tudo na vida são rosas, também há
espinhos. No mês de Julho, durante o quinto ano de Chindin (1264), infelizmente contraiu desinteria
em Chunking, província de Szechaun.
Com a morte nos lábios, decidiu fazer testamento e distribuir seus bens terrenos. Feito isto,
incorporou-se lentamente, queimou incenso, e sentou-se num sítio elevado. Ali orou em silêncio aos
três Bem-aventurados e aos Deuses Santos, arrependendo-se diante deles de todas más ações que
cometera em sua vida.
Considerando certo o fim de sua vida, fez aos inefáveis um último pedido: Desejo que mediante o
poder de Prajna e de um estado mental controlado, possa eu me reencarnar em um lugar favorável,
onde possa fazer-me monge (swami) em tenra idade. Se por casualidade, me recobrar desta
enfermidade, renunciarei ao mundo e tomarei os hábitos para levar a luz a outros jovens budistas.
Depois de formular estes votos, submergiu em profunda meditação, cantando mentalmente o mantra
WU. A enfermidade o atormentava, os intestinos torturavam-no espantosamente, porém ele resolveu
não lhes dar atenção.
Meng Shan esqueceu por completo de seu corpo e suas pálpebras fecharam-se firmemente, ficando
como se estivesse morto.
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Contam as tradições chinesas, que quando Meng Shan entrou em meditação, só o verbo, isto é, o
mantra WU (U… U…), ressoava em sua mente, depois não soube mais de si mesmo.
E a enfermidade…? Que houve com ela…? Que aconteceu…? Resulta claro, lúcido, compreender
que toda afecção, doença, dor, tem por embasamento determinadas formas mentais. Se conseguimos
o esquecimento radical, absoluto, de qualquer padecimento, o cimento intelectual se dissolve e a
indisposição orgânica desaparece.
Quando Meng Shan se levantou do sítio no começo da noite, sentiu com infinita alegria que já estava
quase curado. Sentou-se de novo e continuou submerso em profunda meditação até a meia-noite,
quando sua cura se completou.
No mês de agosto, Meng Shan foi a Chiang Ning e cheio de fé ingressou no sacerdócio. Permaneceu
um ano naquele mosteiro e depois iniciou uma viagem durante a qual ele mesmo cozinhava seus
alimentos, lavava as suas roupas, etc. Então, compreendeu na íntegra que a tarefa da meditação deve
ser tenaz, resistente, forte, firme e constante, sem se cansar nunca.
Mais tarde, caminhando por terras chinesas, chegou ao mosteiro do Dragão Amarelo. Aí,
compreendeu a fundo a necessidade de despertar a consciência. A seguir continuou sua viagem em
direção a Che Chiang.
Chegando lá, arrojou-se aos pés do Mestre Ku Chan de Chin Tien e jurou não sair do mosteiro
enquanto não atingisse a Iluminação. Depois de um mês de meditação intensiva, recobrou o trabalho
perdido na viagem, porém seu corpo encheu-se de horríveis bolhas, as quais foram intencionalmente
ignoradas por ele, tendo continuado com a disciplina esotérica.
Um dia qualquer, não importa qual, convidaram-no para uma deliciosa comida. No caminho tomou
sua Hua Tou e trabalhou com ela. Submerso em meditação, passou diante da porta de seu anfitrião
sem se dar conta, foi quando compreendeu que poderia manter o trabalho esotérico mesmo em plena
atividade.
No dia 6 de março, quando estava meditando com a ajuda do mantra WU, o monge principal do
mosteiro entrou no Lumisial de Meditação com o evidente propósito de queimar incenso. Porém,
aconteceu que ao golpear a caixa de perfumações, produziu um ruido específico. Então, Meng Shan
reconheceu a si mesmo e pôde ver e ouvir o Chao Chou, notável Mestre Chinês
Desesperado, cheguei ao ponto morto do caminho. Bati na onda (porém) não era mais que água. Ó,
esse notável velho Chao Chou, cuja cara é tão feia!
Todos os biógrafos chineses estão de acordo ao afirmarem que, no outono, Meng Shan
entrevistou-se com Hsueh Yen em Ling An e com Tui Keng, Hsu Chou, Shih Keng e outros
notáveis anciões. Sempre entendi que o Koan ou frase enigmática decisiva para Meng Shan foi, sem
sombra de dúvida, aquela com a qual Wan Shan o interrogou:
Não é a frase: a luz brilha serenamente sobre a areia da praia, uma observação prosaica desse tom de
Chang?
A meditação nessa frase foi suficiente para Meng Shan. Quando Wan Shan o interrogou mais tarde
com a mesma frase, isto é, repetiu-lhe a mesma pergunta, o místico amarelo respondeu atirando ao
chão o colchão da cama, como que dizendo: JÁ ESTOU DESPERTO.
Magia das Runas - V. M. Samael Aun Weor
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24 - O PAÍS DOS MORTOS
Enéas, o exímio varão troiano, olímpico sobe a augusta montanha de Apolo, em cujo cume
encontra-se o misterioso antro da Pitonisa.
Bosque sagrado do terceiro aspecto da Divina Mãe Kundalini, selva inef

ável, de Hécate, Prosérpina.


Santuário hermeticamente fechado com cem portas e em cuja gloriosa entrada Dédalo, o hábil
escultor, gravou com extraordinária maestria maravilhosos relevos.
Diz-se que Ícaro, cujo IAO foi cinzelado por seu pai na sagrada rocha da misteriosa entrada, quis
subir aos céus, quis converter-se em FILHO DO SOL, mas as suas asas de cera derreteram e ele caiu
no precipício.
Símbolo maravilhoso, vão intento daqueles que não sabem trabalhar com o fiat luminoso e
espermático do primeiro instante, desgraça, queda dos alquimistas que derramam a matéria prima da
Grande Obra.
Porventura, não foi Dédalo, o famoso escultor grego, o autor de Ícaro, quem ensinou Teseu como
escapar do intrincado labirinto de Creta…?
Construção de horrendos corredores e em cujo centro estava sempre o famoso Minotauro, metade
homem e metade fera. Eis o complicado intelecto engarrafado em si mesmo. Apenas eliminando a
besta interior podemos nos libertar de verdade. Somente dissolvendo o Ego animal, chegaremos à
Auto-Realização Íntima.
Este não é o momento de admirar obras de arte – exclama a sacerdotisa –
breve chegará Apolo
como um vento furioso.
O ínclito varão troiano sacrifica cem cordeiros negros em honra a Prosérpina, a rainha dos infernos e
da morte, o terceiro aspecto manifestado da eterna Mãe-Espaço.
Ó Deus!… em espantoso terremoto sacode as entranhas da terra, enquanto que a sacerdotisa
exclama, transfigurada: Apolo! Eis aqui Apolo! Ah Enéas! Reza! Escuta-me! As portas deste antro
não se abrirão antes que o tenhas feito!
Conta a lenda dos séculos que o notável varão elevou a Apolo suas ardentes súplicas ao escutar estas
palavras. Então, com a voz transfigurada pelo êxtase, a vestal advertiu o exímio guerreiro que
conseguiria por o pé nas costas da Itália e se estabelecer em Lavínium. Prognosticou que um segundo
Aquiles, tão forte como o primeiro, lhe declararia guerra. Disse-lhe que nos rios latinos correria
sangue como em Tróia acontecera nos rios Janto e Simóis, porém não deveria desanimar, nem ceder
diante da adversidade porque, no fim, sua salvação viria de uma cidade grega.
Deste modo, o santuário de Cumas esparge pela montanha seu sagrado horror. No fundo do templo, a
terra uiva e a verdade se disfarça em trevas. (Demonius est Deus inversus)...
E Enéas roga a Sibila, suplica, chora, pede entrada ao país dos mortos, quer baixar à morada de
Plutão: Por aqui, pode-se baixar à morada dos defuntos. Poderias me acompanhar a fim de que visite
meu pai? Pensa que ele foi meu companheiro de fuga. Carreguei-o sobre as minhas costas quando
fugíamos da fumefantes ruínas de Tróia. Quem me encaminha a ti é quem roga que te peça esta
mercê. Diga-me, será que peço muito? Se lá baixou Orfeu, armado tão somente com sua harmoniosa
lira, se também Teseu e Hércules lá desceram, por que não poderei eu ir também, já que sou neto de
Júpiter? (Enéas foi um Iniciado).
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Certamente que descer ao averno para trabalhar na Nona Esfera e dissolver o Eu é fácil, porém
bastante difícil é voltar. Eis aí o duro trabalho! Eis aí a prova difícil.
Prosérpina, a rainha dos infernos e da morte, é muito caprichosa e exige daqueles que a vão visitar,
como presente, o broto dourado, um ramo de ouro da árvore do conhecimento com abundante
semente.
Feliz de quem encontra a árvore mágica, a qual não está muito longe: é a nossa própria espinha
dorsal. Para ele, se abrirão as portas de Plutão.
Quem quiser subir, primeiro deve descer, esta é a Lei. A Iniciação é morte e nascimento ao mesmo
tempo. Porém, a vós que ledes estas linhas, deixai que os mortos enterrem os seus mortos e
segui-me. Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.
Negar a si próprio significa desintegrar o Eu, morrer de momento a momento, reduzir a pó o Si
Mesmo de instante a instante.
Lançar sobre os ombros a pesada cruz do Mestre é algo profundamente significativo. O pau vertical
desse santo símbolo é masculino e a vara horizontal é feminina. No cruzamento sexual de ambos
pólos, acha-se a chave do Segundo Nascimento.
Seguir ao Senhor de segundo em segundo significa sacrifício pela humanidade. Estar disposto a dar
até a última gota de sangue por nossos semelhantes, significa imolarmo-nos na Ara Sacra do
supremo amor por todos os nossos irmãos do mundo.
E agora, Deuses e Homens, escutem-me… Enéas e a Sibila penetraram pela espantosa caverna em
direção ao seio da terra.
Ponho por testemunha o Gênio da Terra a fim de afirmar solenemente que antes de se entrar no
Averno, passa-se pelo Orco (o Limbo). O Orco é um vestíbulo e nele moram a enfermidade, a
horrenda fome, conselheira perversa, a miséria, as vãs alegrias, a guerra, as Fúrias, a discórdia com a
sua cabeleira de víboras e o sono da consciência.
Ali, Enéas encontrou os sonhos estúpidos das pessoas. Viu criaturas horríveis como Briareu, o
gigante de cem braços, a hidra de Lerna, a quem Hércules matou cortando-lhe com maestria as suas
múltiplas cabeças, a Quimera, monstro com cabeças de cabra… E viu também as harpias, as
Górgones, bruxas, etc.
A misteriosa rota que conduz as almas perdidas para o Tártaro (os mundos infernais), parte do Orco.
Enéas e Sibila, sentados na barca de Caronte, navegaram nas águas do Aqueronte e chegaram à outra
margem.
No Averno, Enéas, encontrou a Cérbero, o demônio da gula, e a Minos, o inexorável juiz. Viu
também o lúgubre arroio serpenteando nove vezes a Nona Esfera e as águas terríveis do Estige.
Finalmente, o piedoso Enéas encontrou ainda no Averno a Dido, a rainha que tanto o amara, e ao seu
defunto pai a quem pôde abraçar.


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