Santo Agostinho e o problema do mal



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Santo Agostinho e o problema do mal
Thiago Augusto Zanardi(PIBIC/CNPq/Unioeste), Bernardo Alfredo Mayta Sakamoto(Orientador), e-mail: thiago.az@hotmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Humanas e Sociais/Toledo, PR.
Ciências Humanas - Filosofia
Palavras-chave: Santo Agostinho, mal, pecado.
Resumo

O presente resumo pretende apresentar estudos sobre o pensamento de Santo Agostinho sobre a origem do bem e do mal. O estudo está baseado na obra Confissões de Agostinho, filosofo do século IV de nossa era. A reflexão sobre o bem e o mal traz questionamentos a respeito do surgimento do mal, sua criação e a quem afeta. Todas as criações de Deus foram para o bem e o plano divino não pode conceber o mal, pois percebe o bom e o belo em cada parte do todo. O mal pode ser dividido em três graus que são mal metafisico que segundo Santo Agostinho é um mal que não existe, o que existe são graus inferiores de ser em relação a Deus; A queda que definida por Agostinho são os anjos que caem primeiro por orgulho e depois dos primeiros homens estes, também tentados pelos anjos decaídos; o mal moral que é o pecado que consiste na escolha livre e consentida de renúncia ao amor do criador para amar egoisticamente a si mesmo ou a uma de suas criaturas. O homem torna-se submisso as paixões, ficando cego as graças de Deus; mal físico existe na realidade e sofremos muito por causa dele como a doença, deficiência física, pois decorre de nossa limitação e fragilidade. Segundo Agostinho, podemos afirmar que a origem do mal, isto é, o pecado encontra-se no uso indevido do livre arbítrio.


Introdução
Procurar a compreensão de nosso tempo através do estudo do pensamento de Agostinho é muito adequado, pois o filosofo nos traz indagações pertinentes aos dias atuais. Onde está o mal? Como surgiu o mal? O questionamento sobre a origem do mal faz com que se busquem os primeiros atos de maldade que conhecemos, a transformação do anjo bom em demônio, já que Deus criou o anjo perfeito e bom. Agostinho relata que o mal existe para os seres finitos, limitados e preocupados com sua precária existência, por outro lado pondera que o mal é apenas a ausência do bem e que a exclusão do mal nas confissões de santo, por exemplo, serve apenas para sermos tolerantes com o outro e censurar a exclusão social de nossas democracias. Os três graus do mal são divisões da tradição filosófica cristã e dividem-se em metafisico, físico e moral sendo o mal que não existe segundo a concepção de Agostinho, o mal que sofremos no corpo e o pecado do qual podemos nos livrar se usarmos com responsabilidade o livre arbítrio.
Material e Métodos
Em primeiro momento o método foi dedicar-me a leitura, interpretação e ensaios da obra Confissões (1980), mais especificamente o Livro VI e, num segundo momento, as obras: A cidade de Deus – contra os pagãos (2001), A natureza do bem (2005) e O livre-arbítrio (1995) livros encontrados na Biblioteca Central da Instituição.

A seguir, tive reuniões com o professor orientador que me motivou a introduzir-me com mais afinco no pensamento de Santo Agostinho. Após leituras nas obras de Agostinho e outras obras comentadas para ter maior clareza a respeito do assunto tema, passei a fazer os fichamentos e relatório final.


Resultados e Discussão
Todas as coisas que Deus criou são boas como o mal pode existir? Santo Agostinho buscou uma explicação tendo como base a fé e a razão. Para o filósofo o “mal é a privação do bem” (AGOSTINHO 1980, p.74). “O mal sempre está em alguma coisa que possui modo, espécie e ordem” (AGOSTINHO, 2005, p.7).

Durante a história do pensamento filosófico várias são as inferências sobre a origem do mal. Agostinho refutou várias teorias e afirma que Deus é a própria bondade, desse modo dele não pode vir o mal. Deus é o criador de tudo, criou o homem à sua “imagem e semelhança” (Gn 1, 26) e deu-lhe o livre arbítrio para que pudesse escolher por si só, no entanto o homem desobedeceu a Deus optou por um bem relativo em vez do bem absoluto ocorrendo assim à queda em consequência da desobediência.

A tradição filosófica Cristã divide o mal em três graus: metafisico, físico e moral, esta divisão “visa facilitar o entendimento da questão e evitar eventuais equívocos” (REALE; ANTISERI, 2005, p.97).

O mal metafisico de acordo com Agostinho não se trata de um mal propriamente dito, mas os vários graus de perfeição da criação divina. Deus criou todas as coisas boas, umas mais perfeitas que as outras, mas em todas elas há certa perfeição, pois, onde não há perfeição tampouco haverá ser. O filósofo nos adverte ainda, que não podemos censurar certas coisas como se fosse um mal, mas perceber nelas a beleza e a bondade do Criador.


É assim que a divina providência nos adverte que não censuremos nesciamente as coisas, mas procuremos com afinco conhecer-lhes a utilidade. Se foge à fraqueza de nosso espírito ou do espírito humano, torna-se necessário acreditar que se encontra escondida, como se encontravam tantas outras verdades cujo mistério com dificuldade penetramos, pois a própria obscuridade é exercício da humildade ou mortificação da soberba. Nenhuma natureza, absolutamente falando, é um mal. Esse nome não se dá senão à privação do bem. Mas dos bens terrenos aos celestes e dos visíveis aos invisíveis, existem alguns bens superiores a outros. E são desiguais justamente para que todos possam existir. Deus é de tal modo grande artífice no grande, que não é menor no pequeno. A pequenez de tais coisas não deve ser medida por sua grandeza (porque não a tem), mas pela sabedoria do artífice (AGOSTINHO 2001, p. 41).
Portanto o mal metafisico não é um mal, consiste na condição necessariamente imperfeita de qualquer criatura por causa da carência de alguma qualidade positiva ou perfeição. Só Deus é perfeito e todas as coisas criadas por Ele.

A criação de Deus é tudo igual entre si, criou uma hierarquia de seres e algumas coisas participam mais do que as outras do ser divino, além disso, criou algumas criaturas livres que são os anjos e os homens, sendo que o ser absoluto é Deus que deve ser colocado acima de todas as coisas. A queda seja dos anjos, ou seja, dos homens foi determinante para entendermos como teve inicio o mal no mundo. Deus concedeu aos anjos e aos homens o intelecto e a vontade para que eles pudessem ser livres e terem consciência de si, do cosmos e de Deus, da mesma forma concedeu o livre-arbítrio para que escolhessem o bem.

A primeira queda foi dos anjos por orgulho, pois não aceitaram ser submissos a Deus, preferiram serem escravos da sua própria vontade do que permanecer submissos à vontade divina.

A segunda queda foi dos primeiros homens. Estes, também desobedeceram a Deus. Deus concedeu aos homens o livre arbítrio de modo que fossem livres. Contudo, pelo orgulho, escolheram não o bem absoluto, mas um bem relativo, colocando um bem menor, criado, acima do bem maior, que é o próprio criador.

De acordo com Santo Agostinho tudo que Deus criou é bom e o primeiro pecado do homem não foi comer do fruto da arvore e sim desobedecer a Deus.
Todas as coisas que Deus criou são boas, donde serem sem dúvidas boas todas as arvores que Deus plantou no paraíso. O homem, portanto, não apeteceu nenhuma natureza má ao comer da árvore proibida, mas cometeu uma ação ao renunciar ao superior, pois o superior a todas as coisas criadas é o Criador, cujo mandato não devia ser descumprido para comer o proibido, ainda que fosse bom, porque renunciando ao superior, se apetecia uma coisa boa, mas comida contra o mandato do criador (AGOSTINHO, 2005, p. 45-47).
A queda foi importante para que soubéssemos a origem do mal no mundo “O homem preferiu a si mesmo e por isso, se desviou de Deus, essa queda deve ser considerada em razão de uma simples fraqueza do livre arbítrio humano, Deus lhe dera tudo o que era necessário para leva-lo a evitar a queda” (AGOSTINHO, 2005, p.47).

Com a queda os primeiros homens pecaram, e a tradição chama o pecado de mal moral, ou seja, a desobediência do homem a Deus. O pecado é assim definido “má orientação de energia, desejo pervertido, zelo fora do lugar; onde energia, desejo, zelo são bons em si mesmos, mas entregues a uma finalidade que Deus não pretende” (EVANS, 1995, p.172). O pecado é a escolha livre e consentida de renúncia ao amor do Criador para amar egoisticamente a si mesmo ou a uma de suas criaturas, o homem torna-se submisso às paixões, ficando cego à graça de Deus. Todo pecado é causado pela vontade humana que escolhe mal as coisas. Agostinho sustenta que para descobrir a origem do pecado, é necessário chegar à natureza interior do homem.

Agostinho nos diz que o mal físico é consequência da queda, daquela ocasião em que o primeiro homem pecou pela desobediência, a partir de então houve um desequilíbrio no cosmos provocado pelo rompimento com Deus, esse rompimento provocou desequilíbrios e entre eles o mal físico como: doenças, deficiência física que, nos faz sofrer, pois decorre de nossa limitação e fragilidade.

O mal físico apenas é possível porque existe uma natureza que é boa, pois se já não houvesse uma natureza boa, não haveria mal algum, porque o mal é equivalente ao não ser, isto é, não tem existência por si mesmo.


Conclusões
O estudo feito sobre os pensamentos do filosofo Santo Agostinho nos mostrou que o mal em si mesmo não existe, trata-se de uma ausência de ser, portanto não é possível nos referir ao mal sem mostrar que ele consiste na diminuição ou ausência de uma perfeição devida.

O objetivo foi mostrar como Agostinho tratou o problema do mal, partindo do principio de que Deus é o bem por excelência e que criou todas as coisas, porém o homem pela desobediência a Deus usou mal o livre arbítrio que é um bem em si mesmo.



Foram estudados três degraus do mal: o metafisico que não existe como ente, o físico que vem em decorrência do pecado o moral que é o próprio pecado onde consiste na escolha insensata de um bem relativo em vez do bem absoluto Deus.
Agradecimentos
Agradeço ao apoio através do CNPq que foi muito agregador durante o período de pesquisas.
Referências
AGOSTINHO, S. A cidade de Deus (contra os pagãos). Parte II. 4. Ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
_____________. A natureza do bem. Rio de Janeiro: Sétimo selo, 2005.
_____________. Confissões. 2. Ed. São Paulo: Abril cultural, 1980.
_____________. Confissões. 2. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
_____________. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995.
BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2004.
EVANS, G. Agostinho – sobre o mal. São Paulo: Paulus, 1995.
REALE, G.; ANTISERI, D. História da filosofia. 2v. 2. Ed. São Paulo: Paulus, 2005.





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