Santuário de Fátima



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Encontro26.02.2018
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A MÚSICA E O CANTO NA LITURGIA

Para todos os povos a música religiosa sempre teve grande importância. Isto pode ser observado no estudo dos povos primitivos ou nos povos mais avançados em estágios culturais.

O povo judeu, onde tem origem a nossa religião, já se tinha em grande honra os Cânticos e os Salmos de Israel, que eram famosos em todo o Oriente, tanto que, durante a escravidão babilônica até os feitores, suplicavam aos prisioneiros hebreus que cantassem os seus Cânticos de Sião (Salmo 137).

O canto dos salmos era acompanhado por instrumentos musicais (cítara, saltério, pandeiros) e todo o povo tomava parte, repetindo um refrão ou uma invocação.

Também Jesus e seus discípulos cantavam os Salmos, o que mais tarde a Igreja nascente assumiu como um precioso patrimônio de oração, introduzindo-os largamente na Missa e na Liturgia em geral.

Os cristãos e os judeus cantavam, nas sinagogas e nas casas, os salmos e também vários outros hinos que reconhecemos em todo o Antigo Testamento. Também hinos e cânticos são criações originais da Nova Aliança e em todo o Novo Testamento encontramos a confirmação do que expomos: Ef 5,19 - Ct 3,16 - ­Tg 5,13 - 2Cor 14,26 - Ap 5,9-10 - Ap 12, 3-5. Em Lucas 1,68-79 - Lc 1,46-55 - 2,29-32 estão os três Cantos Evangélicos (Cântico de Zacarias, Cântico de Maria, Cântico de Simeão).

No ano 112 da era cristã, um autor latino, Plínio, o Jovem, em sua famosa Carta ao Imperador Trajano, assim se expressava a respeito dos cristãos: Eles se reúnem antes do amanhecer e cantam a Cristo, a quem consideram como Deus. O testemunho deste pagão nos dá a certeza de que a celebração cristã da fé, enraizada na experiência litúrgica do povo da Antiga Aliança, desde as primeiras comunidades já continha, na sua liturgia, rituais repletos de música, de um povo que vibra e canta, e leva adiante o seu projeto de vida. (DOC 79 A música litúrgica no Brasil CNBB 97).

O canto dos Salmos, que tanto anima o povo judeu, também entusiasma o povo cristão que a ele se entregava alegremente. Quando a Igreja obteve a liberdade de culto, o canto alcançou grande desenvolvimento tanto que, em certo tempo, foi preciso organizá-lo. À frente desta organização esteve São Gregório Magno (séculos VI - VII). Com ele nasceu o canto Gregoriano, que até hoje é uma das formas mais admiradas de música sacra.

A reforma litúrgica desejada pelo Concilio requer uma participação do povo (assembléia) de uma forma cada vez mais ativa nas celebrações litúrgicas. O canto constitui, depois da comunhão, o principal meio para favorecer tal participação. Portanto, diante da renovação conciliar não se podem conceber os corais que "cantam para o povo". Nas Igrejas onde existem corais, é importante que cantem cantos com o povo. E é adequado e salutar que se tenha, nas celebrações e nas comunidades, um grupo que sustente e anime os cantos litúrgicos, que treine o canto e a participação do povo nas aclamações, fazendo ensaios prévios que façam a assembléia cantar e assumir a participação na "família de Deus". O canto é a forma normal de oração, e é um elemento fundamental do culto cristão e da Liturgia renovada pelo Concílio.

A SC no seu número 112 diz que "A finalidade da Liturgia é a glória de Deus e a santificação dos fiéis". Portanto, a música será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica, quer exprimindo mais suavemente a oração, quer favorecendo a unanimidade, quer, enfim, dando maior solenidade aos ritos sagrados.

A Igreja aprova e admite no culto divino todas as formas de verdadeira arte, portanto, as manifestações da cultura popular e artística têm espaço dentro de nossas liturgias (ritmo, harmonia, dança, etc.).

Quanto aos instrumentos musicais, não existe um mais ou menos litúrgico. Todos são bem vindos às celebrações. Entretanto, deve-se observar que nada substitua a voz humana e por isso os instrumentos musicais jamais deverão abafar a voz da assembléia. Deve-se ter em conta que alguns momentos, especialmente nas partes fixas das celebrações, o canto deve ser à capela; em outros não se use instrumentos de percussão.

O canto e a música são elementos importantíssimos para uma celebração eucarística frutuosa, pois a Eucaristia é a expressão máxima de um povo em festa, comemorando a salvação por Cristo e dela participando.

Se prestamos bastante atenção ao que enfocamos até aqui, já percebemos que não se pode cantar qualquer coisa numa Missa, na Celebração da Palavra, num Batizado, num Casamento, e também nos diversos momentos dessas celebrações. Cada tempo litúrgico, cada festa, cada solenidade comemora um determinado aspecto do Mistério Pascal de Jesus Cristo. Assim, o Advento proclama a vinda gloriosa de Cristo e prepara sua vinda no Mistério do Natal. Do Natal até a Epifania comemoramos a manifestação do Senhor. A Quaresma leva a Igreja a viver mais intensamente a penitência em atitude de conversão. O Ciclo Pascal, que culmina com a Celebração da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor e na Vigília Pascal, irrompe o grito de Aleluia, que ressoa durante os cinqüenta dias da alegria pascal. Pentecostes tem um caráter próprio. Os domingos do Tempo Comum, que aprofundam os mistérios celebrados nos diferentes ciclos, nos ajudam a cantar o Reino que já está entre nós; nele temos também as festas do Senhor, de Maria e dos Santos.

Também na Celebração dos diferentes sacramentos (Matrimônio, Batismo, Penitência, Unção dos Enfermos) o canto, as músicas podem contribuir para edificação dos cristãos e a beleza da celebração.

CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE CANTOS NA LITURGIA
Pela beleza e riqueza que tem a Sagrada Liturgia, vamos observando que não é qualquer canto que se escolhe para as Celebrações, seja Celebração Eucarística ou na Celebração da Palavra. Deve haver um critério para a escolha.

Nós encontramos à nossa disposição uma diversidade enorme de cantos de cunho religioso: cantos-mensagens, cantos-catequéticos para encontros pastorais, encontros de confraternização, cursos, assembléias, estudos, recreação, etc. Quando tivermos que escolher um Canto Litúrgico, devemos observar as suas características:

Características do Canto Litúrgico:


  • O seu conteúdo é bíblico;

  • Se na letra não houver frases bíblicas, pelo menos deve ser composta por inspiração em determinada passagem bíblica;

  • Um salmo sempre será um canto litúrgico;

  • A música deve ter melodia fácil para a assembléia assimilar e cantar.

Toda a assembléia deve participar dos cantos, das orações e dos gestos.


Características do Grupo de Canto:

  • Ter consciência de que está a serviço da assembléia celebrante;

  • Ter a preocupação de cantar com a assembléia e não para a assembléia;

  • Estar em sintonia com a equipe que preparou a celebração (Liturgia, Padre);

  • Buscar formação litúrgica.

Características do Grupo de Instrumentistas:



  • Ter consciência de que está a serviço da assembléia celebrante;

  • Ter a preocupação de tocar para acompanhar o canto da assembléia e não para fazer uma apresentação;

  • Saber em qual momento o seu instrumento deve ou não acompanhar o canto;

  • Adequar o volume de seu instrumento, para não abafar a voz humana.

Características do Animador de Canto:



  • Ter a consciência de que está assumindo uma função litúrgica em função da assembléia celebrante;

  • Ter formação litúrgica;

  • Ter o conhecimento necessário de música e canto;

  • Ter conhecimento prévio dos cantos e do roteiro da celebração;

  • Manter um bom relacionamento com as equipes de Celebração e, se possível, fazer parte de uma delas;

  • Estar atento e unido à presidência da Celebração.

Agora que já temos as características para identificar o canto litúrgico e as características dos ministros que assumem o compromisso de fazê-lo acontecer de forma ministerial nas celebrações, convém lembrar que há dois tipos de cantos na Liturgia: cantos que são RITOS e cantos que são PARA ACOMPANHAR RITOS.


Cantos que são Ritos:

  • Ato Penitencial

  • Hino de Louvor

  • Canto do Salmo

  • Canto de Aclamação

  • Canto das Seqüências

  • Canto do Creio

  • Canto do Prefácio

  • Canto do Santo

  • Canto da Doxologia

  • Canto do Pai-Nosso

  • Abraço da Paz

  • Cordeiro de Deus

Cantos para acompanhar Ritos:



  • Canto de Entrada

  • Canto para Apresentação das Oferendas

  • Canto de Comunhão

  • Canto de Dispersão

Uma vez que sabemos as características do canto litúrgico, vamos ver agora o que caracteriza cada um dos cantos que são ritos e os que são para acompanhar ritos.



1. CANTOS QUE SÃO RITOS
ATO PENITENCIAL

Deve expressar a confiança na misericórdia de Deus. Não é um pedido de perdão. Deve engrandecer a bondade de Jesus ao mesmo tempo em que expressa o reconhecimento de nossa fraqueza. (ver Missal Romano nº 29-­30, pág. 38).

A fórmula litúrgica para o Rito Penitencial divide-se em três partes distintas:

1. A oração “Confesso a Deus Todo-Poderoso e a vós, irmãos...”;

2. Absolvição: “Deus Todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados...”;

3. Kyrie: “Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor...”.


Então, para que possamos cantar o Rito Penitencial, devemos observar a seqüência, conforme a seguir:

  • Se cantarmos um canto de perdão no lugar do “Confesso...”, logo após teremos a absolvição e, em seguida, o Kyrie, ainda que rezado; Ex.: O canto “Convite gentil” pede o Kyrie após a absolvição.

  • Se optarmos por cantar um Kyrie, devemos primeiro rezar a oração “Confesso...”, aguardar a absolvição para, somente então, cantar o “Senhor, tende piedade de nós...”;

  • Se o canto que escolhermos contiver uma fórmula penitencial e o Kyrie, ficará assim completo. Após ele, somente a absolvição. Ex.: “Senhor, que viestes salvar os corações arrependidos...” ou “Quantas vezes...”.

Letra: deve expressar os sentimentos confiança na bondade e misericórdia do Pai. (MR 390-398).

Música: lenta, que leve a introspecção e que seja cantada com piedade. Não deve ser acompanhada de instrumento de percussão (exceto no caso de celebração em rito afro).
Obs.: Cantos como “Renova-me” ou “Toca, Senhor” não são cantos para o momento do rito penitencial. Podem ser usados nos encontros de oração.

A fórmula para o Rito Penitencial pode ser substituída, quando for oportuno, pelo Rito da Aspersão. (Hinário Litúrgico pp. 83-89).


HINO DE LOUVOR (CANTO DO GLÓRIA)

É um hino no "antiqüíssimo e venerável" (MR) pelo qual a Igreja glorifica a Deus Pai por Jesus Cristo, Cordeiro de Deus, na unidade do Espírito Santo. O Cordeiro é o glorificado, não constitui uma aclamação trinitária (Doc. 43 Animação da Vida Litúrgica no Brasil ­CNBB n° 257 e MR nº 31- pág. 38).

Portanto, para este momento, não é qualquer canto que fale em louvor que é adequado para se cantar. O canto “Louvado seja” não é um canto de glória. É preciso que a letra esteja em sintonia com este texto da Igreja ''Glória a Deus nas alturas e...”.

A CNBB propôs uma letra para todos os cantos de glória, que devemos procurar seguir: “Glória a Deus nos altos céus, paz na terra a seus amados, a vós louvam reis celestes e os que foram libertados; Deus e Pai, nós vos louvamos, adoramos, bendizemos...”. A música deve ter ritmo vibrante, cantada por toda a assembléia e acompanhada por todos os instrumentos musicais, sinos, e o que mais for da cultural local”.

Este hino deve ser cantado nos domingos, festas e solenidades. Não é cantado durante a Quaresma e Advento. No Tempo Comum só será cantado durante a semana se houver alguma Festa ou Solenidade (Corpus Christi, Festas de Nossa Senhora, etc.).
CANTO DO SALMO

O Salmo está dentro da Liturgia da Palavra e tem a função de responder a Palavra de Deus proclamada (é a palavra de Deus, respondendo à Palavra de Deus).

Todos os Salmos foram feitos para serem cantados e não rezados. Daí, se houver dificuldade para o seu canto, que pelo menos o refrão seja cantado. Há muitos tons para o canto do Salmo Responsorial. O salmista pode aprender recorrendo ao Oficio Divino das Comunidades e aos Hinários Litúrgicos da CNBB. Temos ainda o livro de partituras da Paulus, anos A, B e C, com os respectivos cd’s, que possuem melodia adequada para todos os salmos.

Deve ser cantado da Mesa da Palavra. Porém, se o salmista for o instrumentista ou o puxador de canto do dia, neste caso poderá ser cantado do mesmo local onde canta o grupo. Aqui entra o bom senso, de buscar-se sempre a harmonia da celebração como um todo, evitando-se andar de um lado para outro, tirando assim a concentração da assembléia.

O Salmo Responsorial tem uma ligação profunda com a leitura proclamada, portanto não podemos alterar ou modificar de acordo com o gosto das pessoas. O salmo jamais deverá ser cantado por inteiro pelo salmista ou pela assembléia. É oportuno que se busque, com criatividade, tornar este canto o mais alternado possível. O acompanhamento com instrumento musical deve ser discreto. Em alguns casos, é melhor não ter.
CANTO DE ACLAMAÇÃO

Com a exceção da Quaresma, em todos os outros tempos litúrgicos o canto de aclamação deve ter ALELUIA. Aleluia quer dizer “Deus seja louvado!”. Deve ser um canto que tenha forte referência ao momento. É um convite à assembléia para ouvir o anúncio da Boa Nova de Jesus que está vivo entre nós. Deve ser um canto curto, um "hip-hip hurra" para o Evangelho. O ritmo deve ser vibrante, alegre, festivo e acolhedor. Nada impede que este canto seja retomado após a proclamação, acompanhado de todos os instrumentos.

Os lecionários oferecem já prontas algumas aclamações que estão dentro da temática dos textos do dia, bastando adaptar algumas melodias conhecidas. É parte da Liturgia da Palavra e por isso pode ser entoada da Mesa da Palavra ou pelo grupo de canto.
CANTO DAS SEQÜÊNCIAS

As seqüências são facultativas exceto nos dias da Páscoa e de Pentecostes. Mas, na medida do possível, em outras solenidades, convém procurar cantá-las, pois são belíssimas e ajudam a penetrar no mistério celebrado. Melodia reflexiva cantada por um solista, alternada com a assembléia.



CANTO DO CREIO

Após ouvir a Palavra de Deus a assembléia proclama a sua fé. Quando cantado, deve o ser por todo o povo, seja inteiro, seja alternadamente. Não é qualquer canto que fale em fé ou creio que é adequado, mas a letra deve conter o resumo da nossa fé (Símbolo dos Apóstolos) (MR n° 43-44, pág. 41).


CANTO DO PREFÁCIO (BENDITOS POPULARES)

É o diálogo entre o presidente (ou o ministro) e a assembléia. É um convite a louvar e bendizer a Deus Pai. A letra traz em si o motivo ou o aspecto do Mistério Celebrado. Não deve em hipótese alguma ser acompanhado de instrumentos musicais. Canta-se do altar. Pode ser cantado também nas Celebrações da Palavra. (MR nº 55).


CANTO DO SANTO

É o proclamar que Deus é três vezes Santo (Santidade Perfeita). A letra deve ser compatível com a oração: “Santo, Santo, Santo... o céu e a terra proclamam... Hosana nas alturas, bendito o que vem...”. É um canto vibrante pela sua natureza. Ninguém exclama: Hosana, hosana, hosana, se não estiver com espírito alegre. Aliás, é oportuno lembrar que os cantos ficam mais vibrantes quando a gente acredita no que está cantando. Deve ser acompanhado de todos os instrumentos e o que mais houver na cultura local (MR nº 55).


DOXOLOGIA

É o "Por Cristo, com Cristo e em Cristo...”. O amém da Doxologia é o amém mais importante da missa e, portanto deve ser cantado, obviamente, por todo o povo. Se o presidente cantar a doxologia, melhor ainda; se não cantar, a equipe combina e ensaia para cantar o Amém.


CANTO DO PAI-NOSSO

Por ser a "ORAÇÃO que o Senhor nos ensinou" não deve nunca ser substituída por outro canto parafraseando o Pai-Nosso (que poderão ser cantados em outros momentos: cursos, encontros, etc.). Outra recomendação é que se cantem todos juntos, evitando-se o que se vê por aí: gente solando, gente fazendo coro, recitativo, etc. (MR nº 56, pág. 44)". Deve-se ter o cuidado de não utilizar melodias profanas para a letra do Pai-Nosso, como se vê frequentemente.


ABRAÇO DA PAZ

É um canto facultativo, podendo ser reservado para ocasiões especiais ou transferido para o final da missa. Não pode abafar o “Cordeiro de Deus”, que tem a preferência durante o rito da fração do pão. (CNBB 79, A música litúrgica no Brasil, 322). A sua função é apenas acompanhar o gesto de saudação e, por isso, deverá ser o menor canto da celebração. Nada mais desagradável do que um canto desta natureza que parece não ter fim. (MR n° 56, pág.45). Atenção para as músicas profanas nesta hora. Inadmissível, por exemplo, cantar-se “Eu quero ter um milhão de amigos...” como canto de paz.

Ainda sobre o momento da paz, “durante o Sínodo dos Bispos foi sublinhada a conveniência de moderar este gesto, que pode assumir expressões excessivas, suscitando um pouco de confusão na assembléia precisamente antes da comunhão. É bom lembrar que nada tira ao alto valor do gesto a sobriedade necessária para se manter um clima apropriado à celebração, limitando, por exemplo, a saudação da paz a quem está mais próximo.”. (Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 150, Papa Bento XVI).


CORDEIRO DE DEUS

É o rito do partir o pão. Quem inicia este canto é o animador de canto, ministro ou assembléia toda e não o presidente.

Canta-se o Cordeiro com uma melodia não muito rápida. É um rito próprio da Celebração Eucarística. Deve conter a letra própria da oração: “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado...”.

2. CANTOS PARA ACOMPANHAR RITOS
Deve ficar claro para nós que estes cantos embelezam o momento celebrativo, mas o rito que está acontecendo é o mais importante São os cantos da procissão de entrada, da apresentação das oferendas, da procissão da comunhão e da dispersão da assembléia.
CANTO DE ENTRADA

Acompanha a procissão de entrada, apresenta o tema do mistério celebrado, unindo os corações da Assembléia e dispondo-os para uma celebração proveitosa. Deve ser um canto processional de ritmo alegre, que fale do mistério de um Deus amoroso que convoca, por amor, seu povo. Deve terminar assim que o Celebrante se posicione no altar, para o início da celebração.



Letra: deve ser um convite à celebração, deve falar do motivo da celebração, deve conter o mistério que será celebrado na liturgia do dia (um Deus Uno e Trino que nos convoca por amor e um povo que responde ao amor, aceitando o convite). Cantos como “Reunidos aqui” ou “Se acontecer um barulho perto de você...” não são cantos de entrada. Podem ser cantados em encontros, retiros, cursos.

Música: de ritmo alegre, festivo, que expresse a abertura da celebração, o grande Encontro da família de Deus. Canta-se em todas as celebrações.
CANTO PARA APRESENTAÇÃO DAS OFERENDAS

É um canto facultativo na celebração. Isto quer dizer que pode ou não ser cantado. Fica a critério da equipe de Liturgia decidir e combinar com o padre, para que ele possa rezar as orações em voz alta com a participação da assembléia, se a equipe optar por não cantar. Às vezes, fica muito bonito um fundo musical, um solo com um dos instrumentos, um canto solado por um dos membros do grupo de canto, desde que seja música ao vivo.



Letra: não é necessário que fale de pão e vinho. Pode ser um canto de livre escolha, que seja suave e de ritmo moderado. É um momento de descontração, de descanso, em que a assembléia está assentada. Por ser um rito de passagem, pode-se retomar o tema do evangelho, ou de uma das leituras para aprofundamento.

Música: de preferência uma melodia calma, suave mesmo, com um texto coerente, solene e místico. Devemos estar atentos a esta harmonia.
CANTO DA COMUNHÃO

É um canto que exprime a alegria da participação na Ceia do Senhor. É um canto processional, isto é, para se cantar andando. É um momento que, por tradição, todos cantam e há cantos lindíssimos. Teologicamente é a evocação do Povo de Deus em marcha, aproximando-se da Fonte da Vida, para que, se alimentando do Corpo e Sangue do Senhor, continue a sua marcha até a Terra Prometida. Deve-se cuidar que não seja muito estrepitoso, barulhento, nem que ocupe todo o tempo da procissão de comunhão. Jamais deverá continuar após terminar a distribuição da Comunhão. Neste momento deve entrar o silêncio, para que os fiéis entrem em comunhão com Deus e com os irmãos.



Letra: deve ter sintonia com o Evangelho e com o Mistério da Eucaristia.

Música: toada, balada que se possa cantar caminhando, como uma dança litúrgica.
OBSERVAÇÃO

Nunca houve no esquema da Celebração Eucarística, da Palavra ou de um Sacramento o Canto de Ação de Graças. A Oração Eucarística na Missa e o momento de louvação na Celebração da Palavra é o lugar da verdadeira Ação de Graças.

O que se pode fazer, neste momento, é cantar um pequeno refrão orante, que esteja de acordo com o momento celebrativo. Mas que isto não se torne um costume, e, sim, um melhor aproveitamento daquele momento específico.
CANTO DE DISPERSÃO

Não é canto final, mas um canto para acompanhar a dispersão da assembléia, aquele povo amado, convocado por Deus Pai, que aceitou o convite, que ouviu a Palavra, que participou da comunhão e que agora é enviado em missão. Este canto é curto, vibrante e possivelmente só será cantado pelo grupo de canto após a bênção e a despedida. Pode ser oportuno um canto de envio ou canto a Nossa Senhora, ou outro de acordo com o tempo ou a festa litúrgica.


Concluindo...

E agora, diante do que vimos até aqui, alguém poderá dizer que é difícil encontrar o canto litúrgico adequado? Podemos indicar uma fonte segura, bem preparada, de fácil acesso, que são os Hinários Litúrgicos preparados pela CNBB. São quatro volumes:




  • 1º Fascículo: (capa rosa) Ciclo do Natal (Advento, Natal, Tempo do Natal, Epifania e Batismo do Senhor). Acompanha, além da partitura, 4 fitas k-7.

  • 2° Fascículo: (capa amarela) Ciclo da Páscoa (Quaresma, Tríduo Pascal-Páscoa - Tempo da Páscoa - Ascensão Pentecostes). Acompanha partitura, cantos cifrados para violão e 5 fitas k- 7

  • 3° Fascículo: (capa azul) Domingos do Tempo Comum anos A, B e C. Acompanha partitura, cantos cifrados para violão e 5 fitas k-7.

  • 4° Fascículo: Tempo Comum e Festas do Senhor, de Maria e dos Santos.

Além disso, numa busca de uniformidade musical e litúrgica da Igreja no Brasil, os Estúdios da Paulus, em parceria com a CNBB, estão gravando em cd’s os cantos do Hinário Litúrgico, e já podemos encontrar, disponíveis para venda, os cds Liturgia I a Liturgia XV, divididos entre Tríduo Pascal I e II, Liturgia da Semana Santa, Páscoa Ano C, Festas Litúrgicas, Tempo Comum, entre outros, todos com partitura.


QUATRO RAZÕES DO NOSSO CANTAR
1. Razão Teológica – Deus, que se manifesta a nós como Mistério Santo, inebria de tal forma a nossa experiência e o nosso conhecimento, que as palavras nunca serão suficientes para explicá-lo. No âmago desta infância espiritual, o balbucio, o canto e a música são meios extraordinários de se estabelecer uma comunhão com Deus.

2. Razão cristológica – O canto litúrgico brota do fundamento da fé cristã: o Mistério Pascal do Senhor. Assim como o culto do Antigo Testamento estava centralizado no Êxodo e na Aliança como ação de graças e compromisso, da mesma forma o culto no Novo Testamento é memória viva da Páscoa de Jesus. Dessa origem do canto cristão brotam características como a dimensão pascal da vida e do cantar, em que a última palavra é a ressurreição e a vida plena. É, portanto, um canto marcadamente esperançoso.

3. Razão pneumatológica (cantar no Espírito) – O cantar em Deus qualifica o nosso canto e a nossa celebração como um canto en-tusiasmado (en-Thous). Os apóstolos, na manhã de Pentecostes, pareciam bêbados porque estavam en-tusiasmados, ou seja, cheios do Espírito Santo. A assembléia que canta no Espírito faz ressoar um canto que é verdadeiro clamor que brota do fundo da alma, cheio de fervor, de alegria no Espírito, como fiz o Apóstolo.

4. Razão eclesiológica (cantar em comunidade) - A expressão musical só se realiza plenamente no contexto de uma comunidade e não possui só uma função catártica (de alívio, purificação...), catalisadora (de estímulo, de dinamismo, de incentivo...) e motivadora, mas é sacramento, é simbolismo, isto é: o canto é um dos elementos que compõem a visibilidade, a corporeidade do simbolismo sacramental. Através deste sinal sensível, a Palavra cantada é veículo do encontro de Deus conosco, dos fiéis em Cristo e entre si.
Fontes de Consulta

TRIARCA - Dicionário de Liturgia - Verbete Música

Doc 43 - CNBB - Animação da Vida Litúrgica no Brasil

FABRET - Dinâmica para as Equipes de Liturgia

BUYST, Ione - Celebração do Domingo ao Redor da Palavra de Deus

FIORI, Carlo - Liturgia para o Povo de Deus

BECKHAUSER, Alberto - Celebrar a Vida Cristã

VALENTIM, Antônio - Liturgia: Fonte Vital da Comunidade

Instrução Geral sobre o Missal Romano

Reunidos em Nome de Cristo - (IGMR)

Cadernos e Anotações do CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM LITURGIA

Hinário Litúrgico



Doc 79 – CNBB – A música litúrgica no Brasil





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