Sara shepard pretty Little Liars 05 Perversas



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SARA SHEPARD Pretty Little Liars 05 Perversas

TRADUÇÃO FAL AZEVEDO

ROCCO

JOVENS LEITORES



Para Colleen, Kristen Greg, Ryan e Brian

Título original

WICKED

A PRETTY LITTLE LIARS NOVEL



Copyright (c) 2009 by Alloy Entertainment and Sara Shepard

Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer

forma ou meio eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópia, gravação ou sistema de

armazenagem e recuperação de informação, sem a permissão do editor.

Direitos para a língua portuguesa reservados

com exclusividade para o Brasil à

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Tel.: (21) 3525-2000 - Fax: (21) 3525-2001

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www.rocco.com.br

Printed in Brazil/Impresso no Brasil

CIP-Brasil Catalogação na fonte

Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

S553p Shepard, Sara, 1977-

Perversas / Sara Shepard; tradução de Fal Azevedo.

Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2011.

(Pretty Little Liars; v.5) - Tradução de: Wicked: a pretty little liars novel

ISBN 978-85-7980-081-8

1. Amizade - Literatura infantojuvenil. 2. Ficção policial americana.

3. Literatura infantojuvenil norte-americana.

I. Azevedo, Fal, 1971-, II. Título. III. Série

11-3201 CDU - 087.5 CDD - 028.5

O texto deste livro obedece às normas do

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

O sol também brilha para os maldosos.

- LUCIUS ANNAEUS SENECA

OS CURIOSOS DE PLANTÃO

QUEREM SABER...

Não seria legal se a gente pudesse saber exatamente o que as pessoas estão pensando? Se a cabeça de todo mundo fosse como aquelas bolsas transparentes Marc Jacobs,

as opiniões das pessoas fossem tão visíveis quanto um molho de chaves de carro ou um gloss da Hard Candy? Assim você saberia o que o diretor do grupo de teatro da

escola realmente quis dizer com as palavras "Bom trabalho!" depois de sua audição para a peça South Pacific. Ou se o seu parceiro nas duplas mistas de tênis acha

que seu bumbum fica sexy naquela sainha Lacoste. E, melhor de tudo, você não teria que adivinhar se sua melhor amiga ficou com raiva porque você deu um perdido nela

para ficar com um veterano bonitão que tinha um sorriso de arrasar corações na festa de ano-novo. Bastava uma espiada dentro da cabeça dela, e você saberia.

Infelizmente, a mente humana é mais blindada que o Pentágono. Às vezes as pessoas dão pistas do que está acontecendo em seu íntimo, por exemplo, o sorriso

do diretor do grupo de teatro quando você perdeu aquele Lá sustenido agudo, ou como sua amiga ignorou com frieza todas as suas mensagens no dia primeiro de janeiro.

Porém, muito mais do que se imagina, a maioria dos sinais reveladores passa despercebida. Na verdade, quatro anos atrás, certo garoto de ouro de Rosewood deixou

escapar uma pista muito importante sobre algo horrível que estava passando por sua cabecinha perversa. Mas as pessoas mal ergueram uma sobrancelha.

Talvez se alguém tivesse percebido, certa linda garota ainda estivesse viva.

O bicicletário do lado de fora do colégio Rosewood Day transbordava bicicletas aro vinte e um coloridas, uma edição limitada Trek que o pai de Noel Kahn havia comprado

direto do agente de publicidade de Lance Armstrong, e uma scooter Razor rosa-chiclete brilhava. Segundos depois que o último sinal do dia ecoou e o sexto ano começou

a ocupar o pátio, uma garota de cabelo frisado saltou sobre o bicicletário de um jeito estabanado, deu um pequeno tapa afetuoso na scooter e começou a retirar a

trava amarela brilhante Kryptonite em formato de "U" do guidão.

Um folheto preso ao muro de pedra chamou sua atenção.

- Meninas - gritou ela para as três amigas que estavam perto dos bebedouros -, venham até aqui.

- O que é isto, Mona? - Phi Templeton estava ocupada desemaranhando a corda de seu novo ioiô Duncan em formato de borboleta.

Mona Vanderwaal apontou para o pedaço de papel.

- Olhem!


Com um dedo, Chassey Bledsoe empurrou seus óculos gatinho de cor lilás de volta para o topo do nariz.

-Uau!


Jenna Cavanaugh roeu uma unha rosa-bebê.

- Isto é demais - disse ela com seu tom de voz doce e agudo.

Uma brisa agitou algumas poucas folhas perdidas em uma pilha cuidadosamente feita por um ancinho. Eram meados de setembro, o novo ano escolar começara havia

poucas semanas, e o outono chegara oficialmente. Todos os anos, turistas da parte norte e sul da Costa Leste dirigiam até Rosewood, Pensilvânia, para ver a queda

da folhagem com seus brilhantes tons de lilás, amarelo, laranja e vermelho. Era como se algo no ar tornasse as folhas do lugar mais belas. Independentemente do que

causasse esse efeito, isso embelezava toda Rosewood. Labradores de pelo brilhante corriam pelos bem conservados parques para cães da cidade. Bebês de bochechas rosadas

eram cuidadosamente acomodados em seus carrinhos McLaren Burberry. E jogadores de futebol fortes e orgulhosos de Rosewood Day, o colégio particular mais respeitado

da cidade, corriam para cima e para baixo pelos campos.

Aria Montgomery observava Mona e as outras garotas de seu canto favorito na mureta de pedra da escola, com seu caderno de anotações Moleskine aberto no colo.

A aula de arte era a última daquele dia, e sua professora, a sra. Cross, deixou que vagasse pelos campos de Rosewood Day e desenhasse o que desejasse. A sra. Cross

costumava dizer que deixava Aria fazer isso porque ela era uma artista muito talentosa. Mas Aria suspeitava que na verdade recebia essa autorização porque sua presença

deixava a professora desconfortável. Afinal de contas, Aria era a única garota da turma que não tagarelava com as amigas durante o Dia de Fotos e Slides, não flertava

com os garotos enquanto eles estavam às voltas com pinturas a óleo de natureza-morta. Aria desejava ter amigos também, mas isto não significava que a sra. Cross

precisasse bani-la de sua sala de aula.

Scott Chin, um garoto do sexto ano, como Aria, parou para ler o folheto.

- Ei, que maneiro! - Ele se virou para sua amiga Hanna Marin, que mexia no bracelete de prata novinho em folha que o pai acabara de comprar para ela como

presente de Desculpe-me filha, mamãe e eu estamos brigando outra vez. - Han, olha!

Ele cutucou a costela de Hanna.

- Não faça isto! - exclamou Hanna, recuando.

Mesmo tendo quase certeza de que Scott era gay - ele gostava de folhear as Teen Vogue de Hanna quase mais do que ela -, ela odiava quando ele tocava sua

barriga nojenta e flácida. Ela olhou para o folheto, erguendo as sobrancelhas, surpresa.

-Uau!


Spencer Hastings estava caminhando com Kirsten Cullen, tagarelando sobre a Liga Juvenil de Hóquei. Elas quase deram um esbarrão com a idiota da Mona Vanderwaal,

cuja scooter Razor bloqueava o caminho, e quando Spencer bateu os olhos no folheto, seu queixo caiu.

- Amanhã?

Emily Fields não reparou no folheto, mas sua amiga mais chegada do time de natação da escola, Gemma Curran, deu uma olhada.

- Em! - gritou ela, apontando para o papel.

Os olhos de Emily dançaram sobre o título. Ela sentiu um calafrio de empolgação.

Naquele instante, praticamente todos os alunos do sexto ano de Rosewood Day já estavam reunidos ao redor do bicicletário, olhando com assombro para o pedaço

de papel. Aria desceu do muro e apertou os olhos para ler as letras garrafais.

A Cápsula do Tempo começa amanhã

Prepare-se! Esta é a sua chance de ser imortalizado!

O pedaço de carvão para desenhar escorreu por entre os dedos de Aria. A preparação da Cápsula do Tempo era uma tradição na escola desde 1899, ano em que

o Colégio Rosewood Day havia sido fundado. Somente os alunos a. partir do sexto ano podiam participar, e finalmente fazer parte do jogo era um rito de passagem tão

importante quanto uma garota comprar seu primeiro sutiã Victoria's Secret... Ou um garoto, hm... ficar empolgado com seu primeiro catálogo da Victoria's Secret.

Todo mundo conhecia as regras da Cápsula do Tempo - elas foram passadas de gerações em gerações, resumidas em blogs no MySpace, e rabiscadas nas folhas de

rosto dos livros da biblioteca. Todos os anos, os organizadores cortavam pedaços de uma bandeira de Rosewood Day e selecionavam estudantes mais velhos para escondê-los

em locais próximos ao terreno da escola. Enigmas que, quando resolvidos, continham pistas da localização de cada um dos pedaços da bandeira eram afixados no hall

de entrada da escola. Quem encontrasse um pedaço da bandeira era homenageado em uma reunião com toda a escola reunida e podia decorá-lo do jeito que quisesse. Todas

as partes da bandeira eram reunidas, costuradas novamente, e enterradas em uma cápsula do tempo atrás do campo de futebol. Não é preciso dizer que encontrar uma

peça da bandeira da Cápsula do Tempo era uma coisa muito importante.

-Você vai participar? - perguntou Gemma a Emily, puxando até o queixo o zíper de seu agasalho da equipe da Associação Cristã de Moços de Main Line, um grupo

dos subúrbios esnobes da Filadélfia.

- Eu acho que sim. - Emily soltou uma risada nervosa. -Mas você acha que temos chance? Ouvi dizer que eles sempre escondem as pistas na área do ensino médio.

Eu só estive lá duas vezes.

Hanna também estava pensando nisso. Ela não estivera na área do ensino médio nem uma vez sequer. Tudo que dizia respeito ao ensino médio a intimidava, em

especial as garotas que o frequentavam. Quando Hanna ia à Saks no Shopping King James com sua mãe, havia sempre um grupo de líderes de torcida em torno do balcão

de maquiagem. Hanna as observava, escondida atrás de uma arara de roupas, admirando como seus jeans de cós baixo ajustavam-se perfeitamente às suas cinturas, como

o cabelo delas escorria liso e brilhante pelas costas e como a pele macia delas parecia seda e não tinha nenhuma mancha, mesmo quando não usavam base. Toda noite

antes de dormir, Hanna rezava para que um dia acordasse transformada em uma linda líder de torcida de Rosewood, mas a cada manhã era a mesma Hanna que a saudava

no espelho em forma de coração, com seu cabelo castanho sem graça, a pele manchada e os braços gordos como salsichões.

- Pelo menos você conhece a Melissa - murmurou Kristen para Spencer, depois de ouvir sem querer o que Emily dissera. - Talvez ela seja uma das pessoas que

esconderam um dos pedaços da bandeira.

Spencer balançou a cabeça.

- Acho que não, senão eu já teria ouvido alguma coisa.

Esconder um pedaço da bandeira era uma honra tão grande quanto encontrar um, e a irmã de Spencer, Melissa, estava sempre se gabando de suas muitas responsabilidades

em Rosewood Day, especialmente quando sua família jogava Estrela do Dia, o jogo no qual eles se reuniam em volta da mesa para contar quais haviam sido suas realizações

mais sensacionais do dia.

As maciças portas duplas da escola foram abertas e o restante dos alunos do sexto ano saiu, inclusive um grupo que parecia ter saído de um catálogo da J.

Crew. Aria voltou a se acomodar no muro de pedra e fingiu estar ocupada desenhando. Ela não queria fazer contato visual com nenhuma daquelas garotas outra vez. Poucos

dias antes, Naomi Zeigler a surpreendera olhando na direção delas e vociferara:

- O que foi, está apaixonada por nós?

Estas eram a elite do sexto ano, afinal, ou, como Aria as chamava, as Típicas Garotas de Rosewood.

Cada uma das Típicas Garotas de Rosewood vivia em mansões gradeadas, propriedades que se estendiam por muitos hectares, incríveis celeiros reformados, com

estábulos e garagens para dez carros. Todos os jovens do lugar pareciam ter sido feitos a partir do mesmo molde: os garotos jogavam futebol e usavam cabelos cortados

bem curtos; as garotas tinham exatamente a mesma risada, usavam os mesmos tons de gloss Laura Mercier e carregavam bolsas com o logo Dooney & Bourke. Apenas batendo

os olhos, Aria não conseguiria diferenciar uma Típica Garota de Rosewood da outra.

Exceto por Alison DiLaurentis. Ninguém confundiria Alison com outra garota, jamais.

E era Alison quem se aproximava, guiando o grupo pelo caminho de pedra da escola, seu cabelo louro esvoaçando, os olhos azul-safira brilhando, os tornozelos

firmes sobre os saltos plataforma de sete centímetros. Naomi Zeigler e Riley Wolfe, suas duas amigas mais próximas, seguiam logo atrás dela, acompanhando cada um

dos movimentos da amiga. As pessoas vinham fazendo todas as vontades de Ali desde que ela se mudara para Rosewood no terceiro ano.

Ali se aproximou de Emily e das outras nadadoras. Emily estava com medo de que ela fosse rir de seu grupo - outra vez - por causa de seus cabelos danificados

pelo cloro, esverdeados e ressecados, mas a atenção de Ali estava em outro lugar. Um sorriso de zombaria tomou seu rosto enquanto ela lia o folheto. Com um movimento

rápido, ela arrancou o papel da parede e virou-se para as amigas.

- Meu irmão vai esconder uma das partes da bandeira essa noite - disse ela, alto o bastante para todo mundo no pátio ouvir. - Ele já prometeu me contar onde

está.


Os garotos começaram a sussurrar uns com os outros. Hanna balançou a cabeça, numa concordância muda e respeitosa ao que Ali dissera. Ela admirava Ali ainda

mais do que admirava as líderes de torcida mais velhas. Spencer, por outro lado, ferveu de raiva. O irmão mais velho de Ali não deveria contar a ela onde iria esconder

seu pedaço de bandeira da Cápsula do Tempo. Aquilo era trapaça! O lápis de carvão de Aria voou furiosamente sobre seu caderno de esboços, seus olhos fixos no rosto

em formato de coração de Ali. E o nariz de Emily coçou com o marcante cheiro de baunilha do perfume de Ali - era tão gostoso quanto ficar diante da porta de uma

confeitaria.

As estudantes mais velhas começaram a descer os majestosos degraus de pedra do prédio do ensino médio para chegar no pátio, interrompendo o grande anúncio

de Ali. Garotas altas e orgulhosas e rapazes bonitos e arrumadinhos passaram lentamente pelos alunos do sexto ano, seguindo em direção aos seus carros no estacionamento

ao lado. Ali os observou com frieza, abanando o rosto com o folheto da Cápsula do Tempo. Um bando de insignificantes garotos mais novos, com os fios de seus fones

brancos de iPod balançando nas orelhas, pareceram muito intimidados pela presença de Ali enquanto desamarravam suas bicicletas de dez marchas do bicicletário. Naomi

e Riley zombaram deles. Em seguida, um rapaz alto e 'louro do primeiro ano do ensino médio notou Ali e parou.

- Alguma novidade, Al?

- Nenhuma. - Ali contraiu os lábios e se endireitou. - E você, Eee, tem alguma novidade?

Scott Chin deu uma cotovelada em Hanna e ela corou. Com seu rosto maravilhoso e bronzeado, cabelo louro encaracolado e olhos inacreditáveis, de um castanho

comovente, Ian Thomas - Eee - era o segundo na lista "Os Mais Gostosos" de Hanna, logo abaixo de Sean Ackard, o garoto por quem ela havia se apaixonado desde que

eles ficaram no mesmo time de kickball no terceiro ano. Não ficou claro de onde Ian e Ali se conheciam, mas, pelo o que ela sabia, os garotos mais velhos do ensino

médio convidavam Ali para suas festas particulares, mesmo ela sendo muito mais nova que eles.

Ian se inclinou para Ali.

- Eu ouvi você dizendo que sabe onde está uma parte da bandeira da Cápsula do Tempo?

As bochechas de Ali coraram.

- Por quê? Alguém está com inveja? - Ela lhe lançou um sorriso atrevido.

Ian balançou a cabeça.

- Eu ficaria quieto se fosse você. Alguém poderia roubá-la. É parte do jogo, você sabe.

Ali sorriu, como se a ideia fosse incompreensível, mas uma ruga se formou no canto de seus olhos. Ian estava certo - roubar a parte da bandeira de alguém

era perfeitamente legal, constava no Livro de Regras Oficial da Cápsula do Tempo que o diretor Appleton guardava em uma gaveta trancada de sua mesa. No ano anterior,

um garoto bárbaro do primeiro ano do ensino médio roubara um dos pedaços da bandeira que estava pendurado na mochila de um dos garotos mais velhos. Dois anos antes,

uma garota do oitavo ano entrara no estúdio de dança da escola e roubara pedaços da bandeira de duas bailarinas magrinhas e bonitas. A Cláusula de Roubo, como era

conhecida, nivelava ainda mais o campo de jogo. Se você não fosse esperto o suficiente para desvendar as pistas que permitiriam encontrar as peças, então talvez

você fosse ardiloso o bastante para surrupiar uma do armário de alguém.

Spencer observou a expressão perturbada de Ali, com um pensamento lentamente tomando forma em sua mente. Eu deveria roubar a parte da bandeira de Ali. Era

bem provável que os alunos no sexto ano simplesmente permitissem que Ali encontrasse um pedaço da bandeira de uma forma completamente injusta, e que ninguém ousasse

roubar dela. Spencer estava cansada de ver Ali conseguindo tudo de bandeja.

Emily teve a mesma ideia. Imagine se eu roubá-la de Ali, pensou ela, tendo calafrios e sentindo algo que não sabia dizer o que era. O que diria a Ali se

ela a pegasse fazendo uma coisa dessas?

Eu poderia roubá-la de Ali? Hanna mordeu uma unha já roída. Só que... Ela nunca havia roubado nada antes. Se roubasse, será que Ali iria querer ser amiga

dela um dia?

Ah, seria maravilhoso roubar o pedaço de Ali, não seria?, pensou Aria também, sua mão ainda voando sobre o caderno de esboços. Imagine, uma Típica Garota

de Rosewood destronada... por alguém como Aria. A pobre Ali teria que procurar por outro pedaço da bandeira lendo as pistas e usando o cérebro pelo menos uma vez.

- Eu não estou preocupada. - Ali quebrou o silêncio. -Ninguém ousaria roubá-la de mim. Assim que eu conseguir um pedaço da bandeira, ele ficará comigo o

tempo inteiro.

Ela lançou a Ian uma piscadela sugestiva e, mexendo na saia, acrescentou:

- A única forma de alguém conseguir tirá-la de mim é me matando antes.

Ian se inclinou na direção dela.

- Bem, se for necessário...

Um músculo sob os olhos de Ali tremeu, e sua pele ficou pálida. O sorriso de Naomi Zeigler murchou. Ian deu um sorriso frio, que depois se transformou em

um irresistível sorriso do tipo "Eu estou só brincando".

Alguém tossiu, fazendo Ali e Ian desviarem o olhar. O irmão de Ali, Jason, descia os degraus do prédio do ensino médio em direção a Ian. Com a boca tensa

e os ombros curvados, parecia que Jason havia escutado a conversa.

- O que você acabou de dizer? - Jason parou a poucos centímetros do rosto de Ian. Um vento fresco soprou uns fios de cabelo louro de sua testa.

Ian balançou para a frente e para trás em seus tênis Vans pretos.

- Nada. Nós estávamos só brincando.

Os olhos de Jason escureceram.

-Você tem certeza?

- Jason! - gritou Ali, indignada. Ela parou entre os dois. - O que está acontecendo, seu palhaço?

Jason deu uma olhada para Ali, depois para o folheto da Cápsula do Tempo em sua mão e olhou de volta para Ian. O restante do grupo trocou olhares confusos,

sem saber se aquilo tudo era fingimento ou se a briga era para valer. Ian e Jason tinham a mesma idade, e os dois jogavam no principal time de futebol do colégio.

Talvez esta competição ainda fosse um reflexo dos problemas do dia anterior, quando Ian roubara a chance de Jason de fazer um gol contra a Pritchard Prep.

Como Ian não respondeu, Jason demonstrou sua impaciência batendo seus braços contra a lateral do corpo.

- Tudo bem. Que seja.

Ele deu meia-volta pisando forte e se jogou no banco do passageiro de um sedã preto do final dos anos 1970 que havia parado na pista exclusiva de ônibus,

junto à calçada.

-Vamos embora - disse ele para o motorista enquanto batia a porta.

O carro acelerou, envolvido em uma nuvem de fumaça, e saiu cantando pneus. Ian deu de ombros e se afastou, com um sorriso vitorioso no rosto.

Ali correu as mãos pelo cabelo. Por uma fração de segundo, sua expressão pareceu um pouco distante, como se algo tivesse escapado de seu controle. Mas logo

passou.


- Hidromassagem na minha casa? - perguntou para suas amigas, enlaçando o braço de Naomi.

Suas amigas a seguiram até a mata atrás da escola; um atalho para a sua casa. Um pedaço de papel, agora familiar, saía da parte lateral da bolsa amarela

de Ali. A Cápsula do Tempo começa amanhã, ele dizia. Prepare-se.

Preparar-se? Sem dúvida nenhuma.

Algumas semanas mais tarde, depois que a maioria dos pedaços da Cápsula do Tempo tinham sido encontrados e enterrados, os membros do círculo íntimo de Ali mudaram.

De repente, as garotas que habitualmente andavam com ela foram afastadas, e novas meninas ocuparam seus lugares. Ali havia encontrado quatro novas melhores amigas

- Spencer, Hanna, Emily e Aria.

Nenhuma das novas amigas de Ali questionou por que ela as escolhera no meio de toda a turma do sexto ano - não queriam que uma maldição caísse sobre elas

por fazerem perguntas demais. De vez em quando, elas pensavam nos momentos anteriores a Ali - em como elas eram infelizes, como se sentiam perdidas, como era certo

que não significavam nada em Rosewood Day. Pensavam em momentos específicos, também, incluindo o dia em que a Cápsula do Tempo foi anunciada. Uma ou duas vezes,

elas recordaram o que Ian havia dito a Ali, e o quanto fora estranha a aparente preocupação de Ali. Afinal de contas, ela quase nunca demonstrava preocupar-se com

alguma coisa.

Na maioria das vezes, elas ignoravam pensamentos como aqueles - era mais legal pensar no futuro do que se preocupar com o passado. Agora elas eram as garotas

de Rosewood Day, e isto veio acompanhado por uma porção de responsabilidades excitantes. Elas tinham muitos momentos felizes com os quais se preocupar.

Mas talvez não devessem ter esquecido aquele dia tão rapidamente. E talvez Jason devesse ter ficado de olho em sua irmã. Porque, bem, todos nós sabemos o

que aconteceu. Um ano e meio depois daquilo, Ian cumpriu sua promessa.

Ele realmente matou Ali.

1

MORTA E ENTERRADA



Emily Fields se recostou no sofá de couro marrom, cutucando a cutícula de seu polegar ressecada pelo cloro. Suas antigas melhores amigas, Aria Montgomery, Spencer

Hastings e Hanna Marin estavam sentadas perto dela, tomando chocolate quente Godiva em canecas de cerâmica listradas. Estavam acomodadas na sala de televisão da

família de Spencer, que era cheia de objetos eletrônicos de última geração, um telão de mais de dois metros, e alto-falantes espalhados aqui e ali. Havia uma cesta

grande de biscoitos Baked Tostitos sobre a mesinha de centro, mas nenhum deles fora tocado.

Diante delas, uma mulher chamada Marion Graves estava acomodada num sofá de dois lugares de tecido xadrez, com um saco de lixo dobrado no colo. Enquanto

as garotas usavam jeans velhos, blusas de cashmere, ou, no caso de Aria, uma minissaia de sarja surrada sobre ceroulas vermelho-tomate, Marion usava um blazer de

lã azul-escuro aparentemente caro e saia plissada combinando. Seu cabelo castanho-escuro brilhava e a pele cheirava a creme hidratante de lavanda.

- Certo. - Marion sorriu para Emily e para as outras garotas. - Na última vez em que nos encontramos, pedi a vocês, meninas, que separassem algumas coisas



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