Sara shepard pretty Little Liars 06 Destruidoras



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SARA SHEPARD Pretty Little Liars 06 Destruidoras

TRADUÇÃO


FAL AZEVEDO

ROCCO


JOVENS LEITORES

Para Riley

Título original

KILLER


A PRETTY LITTLE LIARS NOVEL

Copyright © 2009 by Alloy Entertainment e Sara Shepard

Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte desta obra

pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma ou

meio eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópia, gravação ou sistema

de armazenagem e recuperação de informação, sem a permissão do editor.

Direitos para a língua portuguesa reservados

com exclusividade para o Brasil à

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Tel.: (21) 3525-2000 - Fax: (21) 3525-2001

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www.rocco.com.br

Printed in Brazil/Impresso no Brasil

Preparação de originais

MÔNICA MARTINS FIGUEIREDO

CIP-Brasil Catalogação na fonte

Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

S553p Shepard, Sara, 1977-

Destruidoras / Sara Shepard; tradução Fal Azevedo. ­ Rio de Janeiro:

Rocco Jovens Leitores, 2011. (Pretty Little Liars; v.6)

Tradução de: Killer

Sequência de: Perversas

ISBN 978-85-7980-094-8

1. Amizade - Literatura infantojuvenil. 2. Ficção policial americana.

3. Literatura infantojuvenil americana. I. Azevedo, Fal, 1971- . II. Título. III. Série.

11­5271 CDD ­ 028.5 CDU ­ 087.5

O texto deste livro obedece às normas do

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Mentirosos precisam ter boa memória.

-- ALGERNON SYDNEY

SE A MEMÓRIA NÃO NOS FALHA...

Que tal se, de repente, você conseguisse lembrar cada segundo da sua vida inteirinha? E não

apenas dos acontecimentos mais importantes, dos quais todo mundo se lembra -- mas dos deta-

lhes também. Como quando você e sua melhor amiga descobriram que o ódio que sentiam do

cheiro da cola de borracha era mais uma afinidade a uni-las nas aulas de artes do terceiro ano.

Ou a primeira vez em que você viu o menino pelo qual se apaixonaria no oitavo ano. Ele

andando pelo pátio da escola, segurando uma bola de futebol em uma das mãos e um iPod

Touch na outra.

Mas com toda bênção vem uma maldição. Com sua nova memória atordoante e

impecável, você também teria que se lembrar de cada briga com sua melhor amiga. Reviveria

todas as vezes nas quais o menino do futebol por quem você tinha uma paixonite sentou ao lado

de outra pessoa no almoço. Com uma memória infalível, o passado poderia de repente se tornar

bem assustador, não? Todas essas pessoas parecem ser suas aliadas agora? Pense melhor --

pode ser que elas não sejam tão legais quanto você pensava. Aquele amigo que sempre pareceu

a mais fiel das criaturas? Opa! Observando mais de perto, talvez não seja bem assim.

Se quatro garotas charmosas de Rosewood de repente desenvolvessem memórias

perfeitas, saberiam melhor em quem confiar e de quem se manter distantes. Por outro lado,

talvez seu passado fizesse ainda menos sentido.

Nossa memória pode ser um tanto caprichosa. E às vezes estamos fadados a repetir as

coisas que esquecemos.

Lá estava ela. A grande casa vitoriana dominando a paisagem da rua sem saída, a casa com

treliças de rosas ao longo da cerca e o deque de madeira no quintal dos fundos. Apenas alguns

poucos felizardos eram convidados a visitá-la, mas todo mundo sabia quem morava ali. Ela era

a garota mais popular da escola. A garota que ditava a moda, inspirava paixões e construía ou

acabava com reputações. A garota que todo garoto queria namorar e que toda garota queria ser.

Alison DiLaurentis, é claro.

Era um sábado tranquilo de setembro na idílica Rosewood, uma das cidades ricas e

endinheiradas ao sul da Pensilvânia, a mais ou menos trinta quilômetros da Filadélfia. O sr.

Cavanaugh, que vivia em frente à família de Alison, atravessou seu jardim para pegar o jornal.

O golden retriever de pelo claro que pertencia aos Vanderwaal pulava no quintal murado a

poucos metros dali, latindo para os esquilos. Nenhuma flor ou folha parecia fora do lugar...

exceto pelas quatro garotas do sexto ano que, por acaso, entraram no quintal da família

DiLaurentis ao mesmo tempo.

Emily Fields se escondia entre os pés altos de tomate, puxando nervosamente os

cordões de seu moletom da equipe de natação de Rosewood. Ela nunca havia ido à casa de

colega nenhuma, muito menos na da garota mais bonita e popular da escola. Aria Montgomery

se abaixou atrás de um carvalho, correndo os dedos pelo bordado da túnica que seu pai havia

trazido de outra viagem de última hora para uma conferência sobre história da arte na

Alemanha. Hanna Marin abandonou sua bicicleta perto de uma pedra próxima do barracão da

propriedade da família, tramando seu plano de ataque. Spencer Hastings, que morava na casa

vizinha, entrou no quintal de Alison e se agachou atrás de um arbusto de framboesa cuidado-

samente podado, inalando o cheiro agridoce das frutas.

Com cuidado, cada garota observou com atenção a bay window da parte dos fundos da

casa dos DiLaurentis. Sombras indicavam alguma movimentação na cozinha. Elas ouviram um

grito no banheiro do andar superior. Um galho de árvore estalou. Alguém tossiu.

As meninas perceberam que não estavam ali sozinhas exatamente no mesmo instante.

Spencer notou Emily hesitando perto das árvores. Emily viu Hanna se agachando perto da pe-

dra. Hanna vislumbrou Aria atrás da árvore. Todas elas marcharam para o centro do quintal de

Ali e se reuniram em um pequeno círculo.

-- O que estão fazendo aqui, meninas? -- perguntou Spencer.

Ela conhecia Emily, Hanna e Aria desde o concurso de leitura do primeiro ano na

Biblioteca Pública de Rosewood. Spencer vencera, mas todas haviam participado. Elas não

eram amigas. Emily era o tipo de garota que corava quando um professor a chamava no meio da

aula. Hanna, que agora puxava o cós do seu black jeans da Paper Denim, um pouco pequeno

demais, nunca parecia estar confortável consigo mesma. E Aria -- bem, pelo jeito ela estava

vestindo um daqueles trajes típicos alemães, uma espécie de shorts com suspensórios. Spencer

tinha certeza de que os únicos amigos de Aria eram imaginários.

-- Hããã... nada -- respondeu Hanna.

-- Pois é, nada -- disse Aria, olhando desconfiada para as outras.

Emily deu de ombros.

-- O que você está fazendo aqui? -- perguntou Hanna a Spencer.

Spencer suspirou. Era óbvio que elas estavam ali pela mesma razão.

Duas tardes antes, Rosewood Day, o colégio de elite que frequentavam, havia

anunciado o início de seu tão aguardado jogo da Cápsula do Tempo. Todo ano o diretor

Appleton cortava uma bandeira azul reluzente de Rosewood Day em vários pedaços e os

entregava para que os alunos mais antigos os escondessem pelo lugar, e os professores

divulgavam pistas sobre o paradeiro de cada peça tanto no saguão superior do colégio quanto no

inferior, como se fazia em uma caça ao tesouro. O garoto ou garota que encontrasse uma peça

poderia decorá-la como quisesse e depois devolvê-la à direção da escola. As peças encontradas

eram costuradas umas às outras por funcionários, até que a bandeira fosse refeita. Depois, era

realizada uma cerimônia em honra aos vencedores, e a bandeira era enterrada em uma Cápsula

do Tempo atrás do campo de futebol. Os estudantes que encontravam as peças da Cápsula do

Tempo viravam lendas -- o legado deles viveria para sempre.

Era difícil se destacar em uma escola como Rosewood Day, e mais difícil ainda

conseguir um pedaço da bandeira da Cápsula do Tempo. Apenas uma brecha no regulamento do

jogo dava a todo mundo um lampejo de esperança: a cláusula do furto, que legalizava o ato de

roubar a peça encontrada por alguém até o momento em que, costuradas, todas as peças

desaparecidas formassem novamente uma bandeira. Dois dias antes, certa beldade local havia se

gabado de já ter garantida uma das partes da bandeira.

E agora, quatro anônimas esperavam colocar a cláusula do furto em prática quando tal

beldade menos esperasse. A ideia de roubar a parte de Alison era de deixar qualquer um tonto.

Por um lado, era a chance de se aproximar dela. Por outro, era uma oportunidade de mostrar à

garota mais bonita de Rosewood Day que ela nem sempre podia conseguir tudo o que quisesse.

Alison DiLaurentis definitivamente precisava de um choque de realidade.

Spencer olhou para as três outras garotas.

-- Eu cheguei aqui primeiro. Aquela bandeira é minha.

-- Eu estava aqui antes de você -- sussurrou Hanna. -- Vi você vindo da sua casa

poucos minutos atrás.

Aria bateu com força sua bota de camurça lilás no chão, olhando espantada para Hanna.

--Você também acabou de chegar! Eu estava aqui antes de vocês duas.

Hanna endireitou os ombros e olhou para as tranças bagunçadas de Aria e seu pescoço

cheio de colares.

-- E quem vai acreditar em você?

-- Meninas! -- Emily projetou seu queixo pontudo na direção da casa da família

DiLaurentis e colocou um dedo na frente dos lábios.Vozes vinham da cozinha.

--Não!

Aquela parecia a voz de Ali.



As garotas ficaram tensas.

-- Não! -- Uma segunda voz, mais aguda, imitou Ali.

-- Pare! -- guinchou Ali.

-- Pare! -- ecoou a segunda voz.

Emily teve uma sensação ruim. Sua irmã mais velha, Carolyn, costumava imitar sua

voz, chiando exatamente do mesmo jeito, e Emily odiava isso. Ela ficou imaginando se a

segunda voz pertencia ao irmão mais velho de Ali, Jason, aluno do ensino médio de Rosewood

Day.


-- Chega! -- gritou uma voz mais grave. Houve um baque surdo e som de vidro se

estilhaçando.

Segundos depois, a porta da varanda foi aberta e Jason surgiu, apressado, o casaco de

moletom aberto, seus tênis desamarrados, o rosto todo vermelho.

-- Droga -- sussurrou Spencer.

As meninas fugiram para trás dos arbustos. Jason entrou no quintal andando em

diagonal pelo gramado, na direção da floresta, depois parou, prestando atenção em alguma coisa

à sua esquerda. Uma expressão furiosa se formou aos poucos em seu rosto.

As meninas seguiram o olhar de Jason, fixo no quintal de Spencer. A irmã de Spencer,

Melissa, e seu novo namorado, Ian Thomas, estavam sentados na beira da banheira de

hidromassagem da família. Quando viram que Jason os observava, Ian e Melissa soltaram as

mãos um do outro. Longos segundos se passaram. Dois dias antes, logo depois que Ali se

exibira, falando a respeito da bandeira que estava para encontrar, Ian e Jason tiveram unia briga

por causa dela na frente de todos os alunos do sexto ano. Talvez a briga não tivesse terminado.

Jason deu meia-volta, rígido, e marchou na direção da floresta. A porta da varanda bateu

outra vez, e as garotas se abaixaram. Ali ficou de pé na plataforma, olhando ao redor. Seu longo

cabelo louro ondulava até os ombros, e a blusa rosa-shocking fazia sua pele parecer mais

reluzente e fresca.

-- Ei, pode aparecer! -- gritou Ali. Emily arregalou os olhos castanhos. Aria se abaixou

ainda mais. Spencer e Hanna taparam a boca. -- Sério!

Ali desceu os degraus da varanda perfeitamente equilibrada em seus saltos plataforma.

Ela era a única garota do sexto ano corajosa o bastante para ir à escola de salto alto. Rosewood

Day tecnicamente não permitia que as alunas usassem salto até o ensino médio.

-- Eu sei que tem alguém aí. Mas, se você veio pela minha bandeira, já era. Alguém já a

roubou.

Spencer saiu de trás dos arbustos, sem conseguir esconder sua curiosidade.



-- O quê? Quem?

Aria apareceu depois. Emily e Hanna a seguiram. Outra pessoa havia chegado até Ali

antes delas?

Ali suspirou, sentando-se no banco de pedra próximo ao laguinho da família. As garotas

hesitaram, mas Ali acenou para que se aproximassem. De perto, ela cheirava a sabonete de bau-

nilha para as mãos e tinha os cílios mais longos que elas já viram. Ali deslizou do banco e

afundou os pés delicados na grama verde e macia. Suas unhas do pé estavam pintadas de um

vermelho cintilante.

-- Não sei quem foi -- respondeu Ali. -- Num minuto a bandeira estava na minha

bolsa. No minuto seguinte, havia desaparecido. Eu já a havia decorado e tudo. Tinha desenhado

um sapinho de mangá muito legal, o logo da Chanel e uma garota jogando hóquei. E trabalhei

pra caramba nas iniciais da Louis Vuitton e na estampa da marca, copiando o desenho direto da

bolsa da minha mãe. Ficou perfeito. -- Ela fez uma careta triste para as garotas, seus olhos azul-

safira arregalados. -- O idiota que a roubou vai arruiná-la. Eu sei disso.

As garotas murmuraram que sentiam muito, subitamente agradecidas de não ter sido

nenhuma delas a roubar a bandeira de Ali -- porque elas seriam o idiota de quem Ali

reclamava.

--Ali?


Todo mundo se virou. A sra. DiLaurentis andou até a varanda. Parecia estar a caminho

de um almoço chique, usando um vestido transpassado Diane von Furstenberg cinza e saltos.

Seu olhar se demorou nas meninas, confuso. Não era como se elas já tivessem estado no quintal

de Ali antes.

-- Nós estamos indo agora, está bem?

-- Está bem -- disse Ali, sorrindo de maneira delicada e acenando. -- Tchau!

A sra. DiLaurentis parou, como se quisesse dizer algo. Ali deu as costas para a mãe,

ignorando-a. Ela apontou para Spencer:

--Você é Spencer, certo?

Spencer confirmou, envergonhada. Ali olhou curiosa para as outras meninas.

--Aria --Aria lembrou a Ali.

Hanna e Emily se apresentaram também, e Ali acenou sem grande entusiasmo. Aquele

tipo de coisa era a cara de Ali -- é claro que ela. sabia o nome delas, mas com aquela atitude

típica estava sutilmente querendo dizer que, na hierarquia da turma do sexto ano de Rosewood

Day, seus nomes não importavam. Elas não sabiam se deviam se sentir humilhadas ou elogiadas

-- afinal, naquele momento, Ali queria saber os nomes delas.

-- Bem, onde você estava quando sua bandeira foi roubada? -- perguntou Spencer,

procurando um meio de manter o interesse de Ali.

Ali piscou, confusa.

-- Hããã, no shopping. -- Ela colocou o dedo na boca e começou a mordê-lo.

-- Em qual loja? -- pressionou Hanna. -- Tiffany? Sephora?

Talvez Ali ficasse impressionada por Hanna conhecer o nome das lojas mais

importantes do shopping.

-- Pode ser... -- murmurou Ali, e depois desviou o olhar para a floresta. Parecia

procurar algo, ou alguém. Atrás delas, a porta da varanda bateu. A sra. DiLaurentis havia

entrado em casa outra vez.

-- Sabe, a cláusula do furto não devia nem ser permitida -- disse Aria, revirando os

olhos. -- É simplesmente... maldade.

Ali colocou o cabelo atrás das orelhas, dando de ombros. Uma luz no andar superior na

casa dos DiLaurentis foi apagada.

-- E aí, onde Jason escondeu a parte dele, afinal? -- Emily arriscou perguntar.

Ali saiu do estado ausente em que estava e perguntou, tensa:

-- Como é que é?

Emily se encolheu, preocupada por talvez ter feito uma pergunta desagradável.

--Você falou uns dias atrás que Jason havia dito a você onde tinha escondido um dos

pedaços da bandeira. O pedaço que você encontrou, certo?

Na verdade, Emily estava mais interessada no baque que escutara dentro da casa

minutos antes. Será que Ali e Jason haviam brigado? Jason imitava sempre a voz de Ali? Ela

não ousou perguntar.

-- Ah! --Ali girava cada vez mais rápido o anel prateado que sempre usava no

indicador direito. -- Certo. É. Sim, foi o pedaço da bandeira que eu encontrei.

Ali virou o rosto para a rua. A Mercedes cor champanhe que as meninas viam apanhá-la

com frequência depois das aulas saiu devagar da garagem e seguiu até a esquina. Parou em

frente à placa de Pare, ligou a seta e virou à direita.

Em seguida, Ali suspirou e olhou para as meninas quase sem reconhecê-las, como se

estivesse surpresa de vê-las ali.

-- Bem... tchau -- disse ela. Ali virou e voltou para casa. Instantes depois, a mesma luz

do andar de cima que fora apagada acendeu.

Os sininhos de vento na varanda dos DiLaurentis soavam. Um esquilo correu pelo

gramado. Num primeiro momento, as meninas estavam desconcertadas demais para se mover.

Quando ficou claro que Ali não iria voltar, elas se despediram umas das outras, meio sem graça,

e tomaram caminhos diferentes. Emily pegou um atalho pelo jardim da casa de Spencer para

alcançar a rua, tentando enxergar o lado positivo do que acabara de acontecer -- ela estava

agradecida por Ali ter pelo menos conversado com elas. Aria caminhou na direção da floresta,

incomodada por ter ido até lá. Spencer arrastou-se de volta para sua casa, envergonhada por

perceber que Ali a menosprezava tanto quanto às outras. Ian e Melissa haviam entrado,

provavelmente para namorar no sofá da sala -- credo! E Hanna pegou sua bicicleta atrás da

pedra no jardim da casa de Ali e notou que havia um carro preto barulhento parado junto à

calçada, bem em frente à casa. Ela semicerrou os olhos, sem entender nada. Será que já tinha

visto aquele carro antes? Dando de ombros, se virou e saiu pedalando.

Cada uma das meninas saiu dali com o mesmo peso no peito, humilhada, sem esperança

nenhuma. Quem elas pensavam que eram, tentando roubar um pedaço da bandeira da Cápsula

do Tempo da garota mais popular de Rosewood Day? Por que ousaram acreditar que poderiam

fazer uma coisa daquelas? Provavelmente Ali entrara em casa para telefonar para suas melhores

amigas, Naomi Zeigler e Riley Wolfe, rindo das idiotas que haviam acabado de aparecer no seu

quintal. Por um momento fugaz, pareceu que Ali ia dar a Hanna, Aria, Emily e Spencer uma

chance de amizade, mas agora aquela chance estava definitivamente perdida.

Hum... será que estava mesmo?

Na segunda-feira seguinte, a história sobre o pedaço da bandeira encontrado por Ali ter sido

roubado se espalhava pelos corredores da escola. Havia uma segunda fofoca também: Ali tivera

uma briga horrorosa com Naomi e Riley. Ninguém sabia sobre o que tinha sido a discussão,

nem como havia começado. Tudo o que todo mundo sabia era que o grupinho mais cobiçado do

sexto ano ia precisar de novos membros.

Quando Ali foi falar com Spencer, Hanna, Emily e Aria no evento de caridade de

Rosewood Day no sábado seguinte, as quatro garotas pensaram que fosse alguma espécie de

trote. Mas Ali lembrou seus nomes. Ela elogiou o jeito impecável com o qual Spencer havia

soletrado badulaques e candelabros. Demonstrou ter gostado das botas novinhas de Hanna da

loja Anthropologie e dos brincos de pena de pavão que o pai de Aria havia trazido do Marrocos.

Ali se declarou admirada com a facilidade com que Emily levantava uma caixa inteira de ca-

sacos da estação passada. Antes que as garotas se dessem conta, ela as tinha convidado para

passar uma noite em sua casa, que levou à outra noite juntas e depois outra. Perto do fim de se-

tembro, quando o jogo da Cápsula do Tempo terminou e todo mundo devolveu suas partes

decoradas da bandeira, havia uma nova fofoca nos corredores do colégio: Ali tinha quatro novas

melhores amigas.

As meninas se sentaram juntas na cerimônia da Cápsula do Tempo no auditório de

Rosewood Day, assistindo enquanto o diretor Appleton chamava ao palco cada pessoa que

havia encontrado uma parte da bandeira.

Quando Appleton anunciou que uma das partes encontradas previamente por Alison

DiLaurentis não fora devolvida e seria declarada inválida, as garotas apertaram com força as

mãos de Ali. Não é justo, elas sussurraram. Aquele pedaço da bandeira era seu. Você trabalhou

tão duro nele.

Mas a garota no fim da fila, uma das novas melhores amigas de Ali, tremia tanto que

teve que segurar os joelhos com as mãos. Aria sabia onde estava o pedaço da bandeira

encontrado por Ali. Às vezes, depois de conversar ao telefone com suas melhores amigas e

antes da hora de dormir, quando o olhar de Aria recaía sobre a caixa de sapato na prateleira mais

alta de seu armário, um vazio, uma sensação ácida aparecia no fundo de seu estômago. Foi

melhor que ela não tivesse contado a ninguém que encontrara o pedaço da bandeira de Ali. Pela

primeira vez, sua vida estava indo muito bem. Ela fizera novas amizades. Tinha amigas para

acompanhá-la no almoço, amigas com quem se encontrar nos fins de semana. A melhor coisa

era esquecer o que havia acontecido naquele dia... para sempre.

Mas talvez Aria não devesse ter esquecido aquilo tudo tão rápido. Talvez devesse ter

apanhado a caixa, tirado a tampa e examinado com bastante atenção o pedaço perdido da

bandeira de Ali. Afinal, elas estavam em Rosewood, e em Rosewood tudo tinha um significado.

O que Aria poderia encontrar naquela bandeira talvez tivesse lhe dado uma pista de algo que se

aproximava de Ali, em um futuro não tão distante.

Seu assassinato.

1

A GAROTA QUE GRITOU "CADÁVER!"



O ar frio da noite fez Spencer Hastings tremer, enquanto se abaixava para desviar do galho

espinhoso de um arbusto.

-- Por aqui -- disse ela por sobre o ombro, embrenhando-se na mata atrás da reformada

casa de fazenda de sua família. -- Foi aqui que nós o vimos.

Suas antigas melhores amigas Aria Montgomery, Emily Fields e Hanna Marin seguiam

logo atrás dela. As garotas caminhavam com dificuldade, quase perdendo o equilíbrio sobre os

saltos altos, enquanto seguravam a bainha de seus vestidos de festa. Era sábado à noite, e pouco

antes dessa caminhada no meio do mato elas estavam em um evento beneficente de Rosewood

Day na casa de Spencer. Emily choramingava, e as lágrimas escorriam pelo seu rosto. Aria

rangia os dentes, como sempre fazia quando estava com medo. Hanna não fazia barulho

nenhum, mas seus olhos estavam arregalados e ela carregava um enorme castiçal de prata pego

na sala de jantar dos Hastings. O oficial Darren Wilden, o policial mais jovem da cidade, seguia

as meninas, iluminando com uma lanterna a cerca de ferro que separava o jardim de Spencer do

quintal da casa que um dia pertencera a Alison DiLaurentis.

-- Ele está em uma clareira, no final desta trilha -- disse Spencer.

Havia começado a nevar, primeiro flocos insignificantes, depois enormes e pesados. À

esquerda de Spencer ficava o celeiro reformado de sua família, o último lugar onde ela e suas

amigas viram Ali ainda viva, três anos e meio antes. À sua direita ficava o buraco aberto pelos

pedreiros, onde o corpo de Ali fora encontrado em setembro. E logo ali na frente estava a cla-

reira onde ela acabara de descobrir o corpo de Ian Thomas, o antigo namorado de sua irmã, o

amor secreto de Ali e também seu assassino.

Bem, seu provável assassino.

Spencer ficara aliviada quando os policiais prenderam Ian pelo assassinato de Ali. Tudo



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