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Marco Conceitual - Princípios Didático-Pedagógicos
A cultura escolar é “criada ou recriada no dia-a-dia” pelo professor, através de aplicação diversa, própria, de um currículo formal que em seu âmbito profissional transforma-se nas verdadeiras aprendizagens: o currículo real. Interpretar os fenômenos educativos e fazer sua correção e projeção depende, em grande medida, o correto exercício da função docente. Da sua interação social resulta a construção de uma escola que, fundada no conhecimento das realidades individuais do ser social, das circunstâncias educativas e dos meios convenientes, promova a possibilidade de transmissão de valores humanos às gerações futuras e a inclusão dos atores num mundo social gratificante.

Toda escola deve ter definido para si mesma e para sua comunidade escolar – sua identidade, bem como um conjunto orientador de princípios e de normas que iluminem a ação pedagógica cotidiana. A reflexão sobre a prática despontará em ação coletiva consciente, intencional e consistente, ação a favor de uma escola pública de boa qualidade para a população. O Projeto Político Pedagógico reflete, indiscutivelmente, tal identidade.

Na perspectiva do Projeto Político Pedagógico surge uma responsabilidade coletiva, que dará espaço para ações direcionadas a fins comuns, sendo que a função da escola é a transmissão do conhecimento científico-filosófico.

Os princípios filosóficos embasam todos os demais elementos, portanto, sua definição é essencial. A escola que se fundamenta na pedagogia histórico-crítica condiciona-se pelos aspectos sociais, políticos e culturais, efetivando-se como espaço que aponta possibilidades de transformação social. A educação, então, possibilita a compreensão da realidade histórico-social, o que torna o aluno sujeito transformador dessa realidade. Esta tendência pedagógica propõe interação entre conteúdo e realidade concreta, visando a transformação da sociedade. O conteúdo, então, tem enfoque importante, considerando que este é produção histórico-social de todos os homens. Desta forma, a escola assume o papel de socializadora dos conhecimentos e saberes universais, partindo do conhecimento adquirido ou vivenciado, sem se desvincular do propósito científico.

Para Saviani:
Esta é a base da idéia da socialização do saber que a gente tem formulado em termos pedagógicos. Aqui é preciso desfazer uma confusão. Elaboração do saber não é sinônimo de produção do saber. A produção do saber é social, se dá no interior das relações sociais. A elaboração do saber implica em expressar de forma elaborada o saber que surge da prática social. Essa expressão elaborada supõe o domínio dos instrumentos de elaboração e sistematização. Daí a importância da escola: se a escola não permite o acesso a esses instrumentos, os trabalhadores ficam bloqueados e impedidos de ascenderem ao nível da elaboração do saber, embora continuem, pela sua atividade prática real, a contribuir para a produção do saber. O saber sistematizado continua a ser propriedade privada a serviço do grupo dominante. (2000, p.91)
O pensamento do educador Saviani – teórico da pedagogia histórico-crítica – aponta a dialética como pressuposto desta, posicionando a filosofia que fundamenta a referida tendência: o materialismo histórico-dialético.
Em outros termos, o que eu quero traduzir com a expressão “Pedagogia Histórico-Crítica” é o empenho em compreender a questão educacional a partir do desenvolvimento histórico objetivo. Portanto, a concepção pressuposta nesta visão da Pedagogia Histórico-Crítica é o materialismo histórico, ou seja, a compreensão da história a partir do desenvolvimento material, da determinação das condições materiais da existência humana. No Brasil, esta corrente pedagógica se firma, fundamentalmente, a partir de 1979 (idem, 2000, p.102).

A necessidade de se definir os princípios filosóficos da escola é determinada na construção do Projeto Político Pedagógico, que exige profunda reflexão acerca das finalidades da escola, bem como a explicitação de seu papel social e a definição das ações a serem implementadas por todos os envolvidos no processo educacional.

Vasconcellos define projeto pedagógico como “a sistematização nunca definitiva de um processo de planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar”. (1995, p. 46)

Podemos concluir que a construção do PPP, independente da nomenclatura utilizada, é feita pelos sujeitos envolvidos com o processo educativo da escola em ato deliberativo, sendo resultado de um processo complexo de discussões e debates, cuja concepção requer tempo, estudo, reflexão e aprendizagem de trabalho coletivo.

De acordo com Veiga:

O projeto político pedagógico, como projeto/intenções, deve constituir-se em tarefa comum da equipe escolar e, mais especificamente, dos serviços pedagógicos (Supervisão Escolar e Orientação Educacional). A esses cabe o papel de liderar o processo de construção desse projeto pedagógico.

Se, por um lado, a coordenação do processo de construção do projeto pedagógico é tarefa do corpo diretivo e da equipe técnica, por outro, é co-responsabilidade dos professores, dos pais, dos alunos, do pessoal técnico-administrativo e de segmentos organizados da sociedade local, contando, ainda, com a colaboração e a assessoria efetivas de profissionais ligados à educação.(1998, p.31)

Logo, para que a escola torne-se espaço de inovação e investigação, sendo autônoma, é imprescindível a escolha de um referencial metodológico que permita a construção/determinação de sua identidade. Para isso é necessário refletir e questionar o trabalho pedagógico realizado até os dias de hoje.

A legitimidade de um PPP está devidamente ligada ao grau e ao tipo de participação de todos os envolvidos com o processo educativo da escola. Para construir um PPP é preciso enfrentar o desafio da mudança e da transformação, o que implica em:


  • uma organização escolar que busca e deseja práticas coletivas e individuais baseadas em decisões tomadas e assumidas pelo coletivo escolar, efetividade da gestão democrática;

  • equipe escolar, mais especificamente dos serviços pedagógicos, com liderança e vontade firme de coordenar, dirigir e comandar o processo decisório como tal;

  • incentivar a participação dos pais e dos educandos não apenas na elaboração dos documentos escolares, mas também no bom funcionamento da rotina escolar;

  • autonomia: para ser autônoma a escola não pode depender somente dos órgãos centrais e intermediários que definem a política da qual ela não passa de executora. Ela concebe sua proposta pedagógica e tem autonomia para executá-la e avaliá-la ao assumir uma nova atitude de liderança no sentido de refletir sobre as finalidades sócio-políticas e culturais da escola;

  • domínio de conhecimentos específicos, por parte dos professores, utilização de metodologia eficaz, consciência crítica e o propósito firme de ir ao encontro das necessidades concretas se sua sociedade e de seu tempo.

Os pressupostos norteadores do PPP são: filosófico-sociológico, epistemológico e didático-metodológico.

  1. Pressupostos filosófico-sociológicos

  • Concepção de mundo

A contradição é a essência da dialética. Marx aplicou a lei da contradição no estudo da estrutura econômica da sociedade capitalista e demonstrou que a contradição principal da sociedade capitalista é a existência de duas classes: o proletariado e a burguesia.

É preciso pensar o mundo e a história numa dimensão dialética. Para tanto queremos assumir uma concepção de mundo que se firme nos seguintes Princípios ou leis da Dialética:

1º Tudo se relaciona – é o princípio da totalidade. A natureza se apresenta como um todo onde objetos e fenômenos são ligados entre si, condicionando-se reciprocamente. Essa compreensão da totalidade significa não só que as partes se encontram em conexão entre si e com o todo, mas também que o todo não pode ser petrificado na abstração situada por cima das partes, visto que o todo se cria a si mesmo na interação das partes.

2º Tudo se transforma – é o princípio do movimento. Esse movimento é uma qualidade inerente a todas as coisas. A natureza e a sociedade não são realidades acabadas, mas em contínua transformação, jamais estabelecidos definitivamente.

3º Mudança qualitativa – a mudança das coisas não se realiza num processo de eterna repetição. Esta mudança qualitativa dá-se pelo acúmulo de elementos quantitativos que num determinado momento produzem o qualitativamente novo.

4º Unidade e luta dos contrários – é o princípio da contradição, isto é, a transformação das coisas só é possível porque no seu interior coexistem forças opostas tendendo simultaneamente à unidade e à oposição. A contradição é a essência da dialética.



  • Concepção de História e Sociedade

A sociedade está organizada de forma injusta e desigual que marginaliza e exclui as classes menos favorecidas. Queremos uma sociedade onde os princípios de solidariedade existentes, possam realmente transformá-la em justa, igualitária e efetivamente aberta às diversidades.

Materialismo Histórico é uma das concepções, uma das formas de entendimento da história. Como materialismo diz respeito à teoria que atribui à realidade material o sentido e explicação da mesma. Como dinâmica e dialético concebe esta realidade explicada e entendida a partir de uma relação dinâmica e contraditória de vários processos que dão origem a novas realidades. É uma teoria marxista segundo a qual a maneira ou modo como uma sociedade realiza a produção da vida material (bens e serviços) interfere e define o processo social, a política, a produção intelectual em geral. As manifestações do pensamento humano surgem a partir da estrutura econômica da sociedade.

Desta forma as relações sociais e culturais se definem e são influenciadas pelo modelo econômico. Os fenômenos econômicos explicam todos os outros aspectos da sociedade e a estrutura econômica definida nas relações de produção e forças de produção forma a infra-estrutura de uma sociedade, e sobre esta se organiza a superestrutura, ou seja, todo o arcabouço de explicações, idéias, definições, conceituações, organismos e instituições.

A concepção materialista tem por objeto os modos de produção que surgiram e que surgirão na história, suja estrutura, constituição e as formas transição de um modo de produção para outro. Considera a forma das idéias tão concreta quanto a forma da natureza. Tem um duplo objetivo: como dialética – estudar as leis mais gerais do universo; como materialismo – é uma concepção científica que pressupõe que o mundo é uma realidade material (natureza e sociedade), onde o homem está presente e pode conhecê-la e transformá-la.

Entende-se que as mudanças sociais são fruto de uma permanente luta de contrários, mas devem ser aceleradas com atuação consciente dos homens, através de uma vinculação comprometida do pensamento à prática social no sentido de desvelamento (tirar o véu, desmascarar as contradições) da realidade (SEVERINO, 1994).


  • Concepção de Ensino/ Educação

A escola surgiu para divulgar o conhecimento científico a todo cidadão, porém, as classes dominantes a utilizaram para manter o poder, ficando este acesso restrito à minoria. Embora, as políticas públicas estejam voltadas ao acesso, permanência e sucesso para todos os cidadãos, os papéis que a escola tem assumido e os saberes que estão sendo repassados não dão conta da real função da escola. Para atender as questões emergentes, a escola tem que resgatar sua real função, sendo aberta, democrática e emancipatória, onde os alunos tenham consciência da importância desta instituição para seu crescimento pessoal e acadêmico.

A educação enquanto ensino e transmissão de conhecimentos é uma necessidade humana nascida da prática social específica dos homens; portanto, um fenômeno próprio dos seres humanos. O ensino é o processo de disseminação e apreensão do conhecimento historicamente produzido pela sociedade, no entanto o ensino não se resume na socialização dos conhecimentos já produzidos, ele deve viabilizar as condições para a produção de novos conhecimentos, dentro dos limites de compreensão possíveis para cada momento da vida acadêmica.

Compreender a organização pedagógico-administrativa e o funcionamento da escola, seu projeto político pedagógico, sua filosofia, seus diversos espaços de relacionamento (relações de poder) entre direção e alunos, professores e alunos, professor-professor, aluno-aluno, o ambiente físico pedagógico do espaço escolar. A escola, e especificamente o espaço da sala de aula, deve ser construído na diferença de conhecimento.


  1. Pressupostos Epistemológicos

  • Concepção de Currículo

Saber o que é a escola a partir do currículo e do ensino não é tarefa simples. Currículo deve ser entendido como uma construção e realização coletiva. É básico considera-lo como definição de opção política pela emancipação e apreensão do conhecimento produzido pela sociedade sem menosprezar o conhecimento produzido pela classe social do aluno. Isso depende da pedagogia assumida: crítica (progressista) ou liberal (conservadora), portanto, depende da opção pela construção de uma nova ordem social ou manutenção da ordem social existente. É preciso dar vazão à reconstrução do conhecimento pelas camadas populares a partir da apropriação das ferramentas necessárias a uma melhor compreensão do contexto social em que se vive.

É preciso também evitar metodologias que privilegiam a transmissão de conhecimentos distanciados da realidade e da sua confrontação crítica: é necessário ocupar-se dos problemas da prática social relacionados com os conteúdos curriculares. Deve estar voltada para a totalidade do processo, comprometida com a superação do senso comum e o estabelecimento da sistematização (organização) dos conteúdos produzidos pela sociedade humana.

Entendemos currículo como algo polissêmico e multifacetado, visto como uma construção cultural, historicamente situado, socialmente construído, vinculado, indissociavelmente, ao conhecimento e constituindo o elemento central do projeto educativo da escola. O currículo, hoje, reflete as contradições da realidade sócio-educacional, espelhando lutas e conflitos e sendo o lugar no qual se cruzam as reflexões sobre a prática e a teoria da educação.

Enfim há que repensar o conceito de currículo, entendendo-o como: conteúdo / métodos / avaliação / posturas. Atividades extracurriculares só tem sentido se fundamenta, se embasa e amplia o curricular. Deve estar amparado na função específica da escola: transmissão / discussão da cultura letrada (alfabetização / domínio da língua padrão / mundo dos cálculos / interpretação / aprender estudar = condição de cidadania. Neste sentido se estabelecem as diretrizes curriculares: acesso-permanência-aprendizado: acesso à cultura letrada; contribuir para o enfrentamento das desigualdades sociais – sociedade mais justa; elaboração de propostas curriculares baseadas nas diretrizes – zelo pela aprendizagem; valorização do conhecimento sistematizado (seleção do saber escolar) – elaboração coletiva da proposta curricular.



  • Concepção de Conhecimento

A visão de conhecimento está vinculada às visões de homem e de mundo. O conhecimento escolar deve se apoiar na realidade concreta da escola. Sendo assim, ele não é um produto pronto e acabado.

A escolha dos conteúdos, portanto, não é uma escolha “do gosto do professor” ou “da imposição dos conteúdos por eles mesmos” ou da “vida pregressa dos alunos”. A escolha dos conteúdos deve estar intimamente ligada aos grandes problemas enfrentados na prática social.



  • Concepção de Trabalho Pedagógico

Na perspectiva da nova organização do trabalho pedagógico, ensino é entendido como uma atividade profissional complexa que exige preparo, compromisso e responsabilidade do educador para instrumentalizar política e tecnicamente o aluno, ajudando-o a constituir-se como sujeito social. Aprendizagem é concebida como um processo de assimilação / apreensão de determinados conhecimentos, habilidades intelectuais e psicomotoras, atitudes e valores, organizados e orientados no processo de ensino. A aprendizagem é a atividade do aluno de assimilação / compreensão / produção de conhecimento.

II Pressupostos Didático-Metodológicos

A doutrina liberal apareceu como justificação do sistema capitalista que ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. Nos escritos de Aristóteles já se encontra clara a discussão sobre o papel do Estado na educação sobre a importância desta na vida dos homens. No inicio do século, Dewey, filósofo americano, criou as bases do que no Brasil viria a se tornar o movimento da "Escola Nova". A Pedagogia da Esperança, a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire fincou raízes em diversos países. Até hoje o pensamento de Paulo Freire continua na permanente busca da educação como prática da liberdade.

A linguagem, sistema simbólico dos grupos humanos, representa um salto qualitativo na evolução da espécie. A aprendizagem é fundamental ao desenvolvimento dos processos internos na interação com outras pessoas. Piaget coloca ênfase nos aspectos estruturais e nas leis de caráter universal (de origem biológica) do desenvolvimento situado na relação com o ambiente no qual se vive, oferecendo orientações de como fazer com o processo estrutural se agilize e aconteça em toda a sua potencialidade, enquanto Vygotsky destaca as contribuições da cultura, da interação social e a dimensão histórica do desenvolvimento mental.

Estamos então diante de dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes, onde a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada, na qual a educação surgiria como prática da liberdade. Respeita-se a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando.

Considerando que a natureza específica da escola pública é a “difusão da escolarização”, “colocando a formação cultural e científica nas mãos do povo”, a delimitação de alguns elementos fundamentais seria definida na busca por uma didática contextualizada social e historicamente, que se daria a partir da valorização da instrução como domínio do saber sistematizado definido a partir dos problemas sociais mais fundamentais enfrentados no contexto histórico-social.

Em síntese, o ponto de partida deve ser a realidade histórico-social mais ampla, devendo os conteúdos responder à problemática apresentada por essa realidade específica. É a valorização da especificidade do pedagógico na sua relação com as demais dimensões, como, por exemplo, a política. Isto significa não baratear o conteúdo e nem sua recepção passiva. O professor deve atuar no processo de contato do aluno com os conteúdos definidos como representativos para a realidade a ser enfrentada, explicada, compreendida, transformada. O trabalho docente deve considerar como fundamental nessa ação: o desenvolvimento de uma apropriação ativa, os conhecimentos dos determinantes sócio-culturais e cognitivos do aluno em condições concretas de vida. Em outras palavras, os elementos pedagógicos (conteúdo, método, avaliação) devem ser sempre contextualizados no social.

Numa didática voltada à transformação da realidade, o ponto de partida e o ponto de chegada do ato educativo são a prática social, que deve ser entendida como toda atividade humana transformadora da natureza e da sociedade, e que se dá conforme o modo de produção da existência vigente que se realiza numa realidade histórica determinada. Daí que uma prática didática voltada para uma prática social num contexto de uma sociedade de classes deve estar mobilizada para o enfrentamento com objetivo de superação desta realidade opressora.

A superação não se dá de forma individual, mas no empenho coletivo. A mediação entre o ponto de partida e o ponto de chegada do ato educativo (a prática social) é o conteúdo selecionado, que na atuação do professor se define em função da escola oportunizar o acesso às condições mínimas para esse enfrentamento: a valorização da instrução e do ensino como instrumentos de humanização, o que exige uma didática numa visão crítica da sociedade (domínio da matéria, domínio metodológico que garantem efeitos formativos duradouros e relevantes para a transformação do mundo social) e a articulação entre ensino e realidade histórica e social). O que deve fazer sempre presente o questionamento sobre qual a função de conteúdos, métodos e outros elementos pedagógicos na compreensão e superação da realidade social vigente?

Criada as condições de relacionamento e de conhecimentos prévios adequados, o fazer docente deve estar articulado ao contexto sócio-cultural. O ponto de partida deve ser a experiência vivenciada, a perspectiva de compreensão das realidades construídas pelo aluno até aquele momento, e os grandes problemas enfrentados pelo contexto social mais geral. É a contextualização do ensino. Retomando que a função definidora da prática docente é o aprender, que é para isso que ela existe, é necessário promover uma espécie de “dissecação” explicitadora do processo educativo que desnude as relações entre o fazer e suas consequências na vida do educando, e por que não, do professor. O conhecimento e o acesso ao conhecimento nunca são algo estático, mediados por realidades e marcados por pessoas que percebem essas realidades conforme suas influências.

Diante do grande desafio e especificidade da educação (que é ensinar), as estatísticas que medem a qualidade em educação são preocupantes e denunciam as dificuldades, sobretudo de permanência e de permanência com a qualidade social necessária na escola. A retenção, a evasão e precariedade da qualidade são denúncias do muito que ainda precisa ser enfrentado. O que demanda conhecer, saber quais são as dificuldades, como os estudantes aprendem e como eles pensam.



  • Didática e Prática Histórico-Social

Pedagogia crítico-social - esta corrente da pedagogia progressista defende o ponto de vista de que a principal contribuição da escola para a democratização da sociedade está na difusão da escolarização para todos, colocando a formação cultural e científica nas mãos do povo como instrumento de luta para sua emancipação. Valoriza a instrução como domínio do saber sistematizado e os meios de ensino como processo de desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos e viabilização da atividade de transmissão/assimilação ativa de conhecimentos. A didática progressista assentada numa pedagogia crítico-social dos conteúdos vai buscar formas pedagógicas da pedagogia tradicional, da pedagogia renovada e outras pedagogias, em procedimentos lógico-metodológicos de análise da realidade concreta que sirvam de apoio ao professor nas situações pedagógicas específicas.

Como se manifestam os saberes construídos na práxis social dos atores do espaço sócio-cultural da escola, docentes e discentes (saberes da prática, do fazer, da experiência vivida, da cultura própria desses sujeitos)? Estas questões são fundamentais na discussão para uma introdução coerente aos seguintes fundamentos do trabalho docente:



  • Resgatar, no contexto escolar, a variedade de saberes sociais que permeiam a escola, convocando para uma racionalidade do agir do professorado (afirmação profissional, cultural e da identidade dos educadores);

  • Concentrar-se nos atores principais da prática pedagógica no cotidiano escolar que simultaneamente ensinam e aprendem, que constroem as práticas culturais docentes e as práticas culturais dos estudantes;

  • Identificar subsídios que possam contribuir nos debates sobre a formação na prática e resgatar a variada gama de saberes sociais que permeiam o contexto escolar.

Para que a escola seja palco de inovação e investigação, tornando-se autônoma, é fundamental a opção por um referencial teórico-metodológico que permita aos envolvidos a construção da identidade e exerça o direito à diversidade, à especificidade, à transparência, à solidariedade e à participação.

Para os próximos anos, a educação do município buscará atender as demandas da sociedade, uma vez que temos carência de professores para as séries iniciais do ensino fundamental, e profissionais para atuarem nos cursos técnicos em Administração e Informática, será relevante o papel do nosso estabelecimento de ensino no trabalho com estas demandas.

Tendo em vista as dimensões e os princípios que devem ser repensados e garantidos no PPP do Colégio Estadual Conselheiro Carrão, a proposta de currículo do curso de Formação de Docentes em nível médio está calcada numa visão educacional que tem como referência três princípios pedagógicos: o trabalho como princípio educativo, a práxis como princípio curricular e o direito do educando ao atendimento escolar, os quais devem perpassar a formação inicial dos professores na contemporaneidade.

Em todos os níveis e modalidades de ensino que o colégio oferece, ( Séries Finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Ensino Médio Integrado para área de Informática e Formação de Docentes, Ensino Subseqüente em Informática e Administração),alguns princípios norteadores se fazem necessarios destacar:



  • identificação das dificuldades em relação à aplicação correta dos conceitos de interdisciplinaridade e contextualização;

  • clareza e coerência dos objetivos formulados, do parâmetro de qualidade social de ensino e aprendizagem definidos nos planejamentos das disciplinas, tanto da Base Nacional Comum como da Parte Específica, como também do plano de ação executado;

  • definição de procedimentos que favoreçam a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais e de alunos com dificuldade de aprendizagem;

  • diagnóstico da aprendizagem escolar, é o primeiro passo do planejamento que sendo bem feito, baseado em informações seguras, mostrando a correta identificação dos problemas. É muito importante estabelecer um paralelo entre a situação observada (como ela se manifesta hoje) e a situação adequada (como deveria ser).

Considerando o atual contexto, há necessidade de se refletir sobre a prática que se vem desenvolvendo, a forma como a escola está organizada e como se dá a convivência em seu interior, além do resultado da aprendizagem dos alunos. Conhecer o contexto da prática pedagógica da escola significa conhecer a comunidade a que se destina, somente desta forma poderemos buscar alternativas para articular, efetivamente, a formação para o mundo do trabalho, para o prosseguimento dos estudos e, sobretudo, para a cidadania.

2.1 A escola que queremos

Um desafio se apresenta para quem pretende mudar a maneira de entender e de ser das pessoas: o de transformar os paradigmas sobre os quais pautam sua forma de ser e agir, pois todo mundo que está a nossa volta constantemente nos ensina, nos marca e modela.

Atualmente nossa sociedade sofre uma forte influência tecnológica onde os valores do ter mais ficam acima do ser mais e, além disso, a escola também sofre condicionamentos sócio-políticos e desenvolvem a necessidade de se preservarem e de se permanecerem. Mas felizmente, sempre há quem aceite o desafio de mudanças, abraça a idéia de enfrentar essas dificuldades e, como pioneiro e desbravador, vai a luta, pondo em prática sua decisão. Como apregoa Regis Moraes "As mentes mais acadêmicas estão sempre pensando: ' não devo me arriscar...', quase sempre esquecidas de que só se prossegue realmente vivo dentro da vida aquele que aceita ser vulnerável". No entanto, é ótimo que o novo seja buscado, mas ele não deve ser transformado numa obsessão inibidora.

Nós, profissionais da Educação, somos impulsionados pelo desejo de romper barreiras e pela vontade de pôr em ação o “fazer diferente”, seguimos o ideal de trabalhar com a escola que “temos” para implantar novos projetos com o objetivo de alcançarmos a escola que “queremos”.

Em nossa sociedade atual, a escola requer muita habilidade de pensamento e ação para não se cair nos laços que podem aprisionar-nos no restrito interior de interesses de classe. Pois embora tenhamos o enfrentamento da falta de recursos, devemos assumir nosso papel, proporcionando uma educação de qualidade social para todos e possibilitando a estes a melhoria de vida fora da escola.

Os professores que assumem postura de compromisso e responsabilidade, mesmo sobrecarregados pela jornada excessiva, propõem um trabalho que vem ao encontro das necessidades de nossos alunos. Estes, muitas vezes, por circunstâncias da precária situação econômica, são desvalorizados.

Hoje a escola que temos não é, ainda, a escola que queremos. Todavia, a que queremos é muito presente em nossas metas, objetivos e ideais, que muitas vezes são utópicos, mas caracterizam nossa aspiração em relação a educação. Nossa luta é difícil, porém contínua e persistente, desenvolvemos projetos e parcerias com a comunidade externa e as famílias, tendo como objetivo concretizar a escola que queremos: uma escola prevista pelo Plano Nacional de Educação/Sociedade Brasileira, que possibilite oportunidade para todos, que tenha qualidade social, que prime pela igualdade e, assim, constitua a cidadania plena. Queremos uma escola que forme cidadãos críticos, conscientes de seus direitos e deveres, comprometidos com a coletividade, bons profissionais na atividade que optarem, éticos e responsáveis pela vida do outro e do planeta.

A escola que queremos é a que forme bons leitores de mundo, que saibam utilizar o conhecimento escolar na vida cotidiana, efetivando assim, sua inserção na vida social e comunitária. Enfim, continuaremos sempre em busca de uma educação emancipadora, e que nasça no interior do educando um diálogo constante entre o precioso bem da liberdade e o outro precioso bem da disciplina. Que os alunos exercitem desde cedo a escolha dos seus caminhos que possam pintar peixes da cor que emergem das suas águas, que inventem saídas para as dificuldades que a vida sempre apresenta e, que despertem para uma participação político-social que faça florescer seu sentido de cidadania e suas aspirações de justiça.
Marco Operacional – Planejamento de Ações da escola
Aqui são definidas as linhas de ação e reorganização do trabalho pedagógico, a curto, médio e longo prazo, na perspectiva pedagógica, administrativa e político-social, à luz de todos os elementos da prática pedagógica.

1. Ações Administrativas



  • Estabelecer um sistema de relação democrático, reflexivo, crítico, de respeito mútuo e libertador com todos os segmentos da comunidade educativa.

  • Garantir a matrícula dos alunos na unidade escolar, desde que não ultrapasse o número máximo permitido em sala de aula que segundo a lei prevê é de um metro quadrado por aluno e dois para professor.

  • Distribuir as tarefas segundo as necessidades da Unidade Escolar (Diretor Geral/Diretor Auxiliar), fazendo as devidas observâncias quanto aos desvios de função.

  • Garantir ensino de qualidade ministrado por profissionais capacitados e atualizados em suas áreas de atuação

  • Estabelecer um sistema de relação, democrático, reflexivo, crítico, de respeito mútuo e libertador com todos os segmentos da comunidade educativa.

  • Planejar, executar, coordenar e avaliar a ação pedagógica, comunitária e administrativa de modo a garantir um espaço de discussões com todos os segmentos, assessorando e administrando todo trabalho referente a organização da secretaria escolar, determinar as funções e horários de serviço de cada funcionário da secretaria, assim como supervisionar e administrar todo o trabalho funcional.

  • Disponibilizar um funcionário encarregado para manter equipamento audio-visual, como aviso prévio para sua utilização.

  • Providenciar condições dignas e objetivas de trabalho para a comunidade escolar.

2. Ações Pedagógicas

A proposta pedagógica será elaborada, executada e avaliada pelo corpo docente da unidade escolar, em conformidade com os interesses da Comunidade Escolar, que será avaliada durante o ano letivo, a fim de verificar se os objetivos estão atendendo às necessidades da escola ou precisam ser reelaborados.
2.1 Competências do Professor


  • Participar da elaboração e execução do PPP da escola, com a liberdade para expor suas idéias.

  • Participar de cursos, seminários, palestras, a fim de promover a qualificação profissional, alternando os professores participantes usando-se do sorteio quando houver maior número de interessados.

  • Atender com eficiência a carga horária de trabalho.

  • Promover uma aprendizagem que favoreça o desenvolvimento intelectual, crítico e consciente do aluno.

  • Elaborar uma aula que desperte o interesse da turma.

  • Utilizar diferentes instrumentos de avaliação para verificar a aprendizagem (debate, seminário, fóruns, trabalho multimídia, avaliação escrita e portifólios e outros).

  • Manter os alunos dentro da sala de aula, de forma a colaborar com a disciplina da escola e promover uma real aprendizagem.

  • Estabelecer uma metodologia de ensino, que dê suporte frente a exames como (Prova Brasil, ENEM e Olimpíadas)

  • Participar de reuniões pedagógicas conforme as necessidades do ambiente escolar.

2.2 Competências do Aluno



  • Participar ativamente das atividades escolares, de modo a garantir a construção do conhecimento

  • Ser crítico, participativo e criativo na elaboração de seus pensamentos e trabalhos de modo a ampliar sua visão de mundo.

  • Respeitar e ser respeitado em sua condição de ser humano e não discriminar ou sofrer qualquer forma de discriminação em decorrência de diferentes étnicas, de credo, de sexo, de ideologia, de preferências político-partidárias ou quaisquer outras.

  • Assistir as aulas de forma a ampliar seus horizontes culturais e intelectuais.

  • Ser assíduo e pontual às atividades escolares, permanecendo na unidade escolar durante o período estabelecido.

  • Estabelecer uma relação de respeito com seus colegas, professores, funcionários da unidade escolar e demais representantes da Comunidade escolar.

2.3 A Prática pedagógica



  • O desenvolvimento da plena capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo.

  • A compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade.

  • O desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores.

  • O fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social, sendo de responsabilidade jurídica o acompanhamento escolar dos filhos.

  • Campanha de conscientização quanto a hábitos e atitudes no momento do lanche.

  • Compra direta do produtor para alimentos da merenda escolar.

  • Profissionais do governo encarregados do controle de notas e frequência, atrelados ao Bolsa Família.

  • Desenvolver projetos para melhoria da biblioteca.

Ensino de nove anos

Aquisição de uma tecnologia: ALFABETIZAÇÃO


Sabemos que o sistema de escrita e as convenções para seu uso constituem uma tecnologia inventada e aperfeiçoada pela humanidade ao longo de milênios: desde os desenhos e símbolos usados inicialmente até a extraordinária descoberta de que, em vez de desenhar ou simbolizar aquilo de

que se fala, podiam ser representados os sons da fala por sinais gráficos.


Assim, um dos passaportes para a entrada no mundo da escrita é a aquisição de uma tecnologia – a aprendizagem de um processo de representação: codificação de sons em letras ou grafemas e decodificação de letras ou grafemas em sons; a aprendizagem do uso adequado de instrumentos e equipamentos: lápis, caneta, borracha, régua...; a aprendizagem da manipulação de suportes ou espaços de escrita: papel sob diferentes formas e tamanhos, caderno, livro, jornal...; a aprendizagem das convenções para o uso correto do suporte: a direção da escrita de cima para baixo, da esquerda para a direita.
A essa aprendizagem do sistema alfabético e ortográfico de escrita e das técnicas para seu uso é que se chama ALFABETIZAÇÃO.

De competências para o uso da tecnologia da escrita:


LETRAMENTO
Apenas com a aquisição da tecnologia da escrita – um dos “passaportes” – não se tem entrada no mundo da escrita, um outro “passaporte” é necessário: o desenvolvimento de competências para o uso da leitura e da escrita nas práticas sociais que as envolvem. Ou seja, não basta apropriar-se da tecnologia – saber ler e escrever apenas como um processo de codificação e decodificação, como quando dizemos: esta criança já sabe ler, já sabe escrever; é necessário também saber usar a tecnologia – apropriar-se das habilidades que possibilitam ler e escrever de forma adequada e eficiente, nas diversas situações em que precisamos ou queremos ler ou escrever: ler e escrever diferentes gêneros e tipos de textos, em diferentes suportes, para diferentes objetivos, em interação com diferentes interlocutores, para diferentes funções: para informar ou informar-se, para interagir, para imergir no imaginário, no estético, para ampliar conhecimento, para seduzir ou induzir, para divertir-se, para orientar-se, para apoio à memória, para catarse...
A esse desenvolvimento de competências para o uso da tecnologia da escrita é que se chama LETRAMENTO.

Concepção de infância e adolescência articulado à concepção de ensino-aprendizagem.
Pode-se afirmar que tem ocorrido avanços nos estudos sobre a infância à medida que se

destaca esta etapa da vida humana como uma construção social, o que supera as compreensões de caráter inatista, pois se compreende que aprendizagem se dá na interação social, não estando condicionada pela maturação biológica.

A concepção de infância e de desenvolvimento infantil como construção histórica foi uma das grandes contribuições dos estudos de Vygotsky (2007) que, ao analisar o desenvolvimento humano privilegia a interação social na formação da inteligência e das características essencialmente humanas. Mostrando que é é importante analisar

criticamente o contexto social, a fim de compreender com que criança se está trabalhando, quais

suas necessidades e como possibilitar que todas as crianças se apropriem dos conteúdos organizados no currículo escolar.
Visto como uma fase especial no processo de desenvolvimento, a adolescência foi durante muito tempo identificada como uma fase de confusão de papéis e dificuldades de estabelecer uma identidade própria. Tal concepção chega até o Brasil acrescida de ideias sobre desequilíbrios e instabilidades externas e vulnerabilidade especial, porém estas colocações passam a ser questionadas e a adolescência passa a conceber uma fase inerente ao desenvolvimento do ser humano como um processo que se constrói historicamente, com características como a rebeldia, as instabilidades de afetos, busca de si mesmo, flutuações de humor.

A concepção de adolescência identifica uma noção de universalidade do fenômeno visto como uma fase critica, como um momento de crise, momento de construção de uma identidade nova marcada pela rebeldia, a instabilidade afetiva, a tendência grupal, as contrações, as crises de identidade (Knobel, 1981)

Cabe agora destacar que o jovem não é algo por natureza. São características que surgem nas relações sociais, em um processo no qual o jovem se coloca inteiro, com suas características pessoais e seu corpo. Assim, a adolescência deve ser entendida a partir de sua inserção na totalidade, na qual está sendo produzido.

Pensando a adolescência como totalidade que se constrói, a escola tem papel fundamental neste momento, uma vez que a mesma está inserida nesta fase e precisa construir com o adolescente possibilidades de ação e formação. Essencialmente o processo ensino-aprendizagem em que a escola das séries finais está inserida irá lidar com este adolescente, convivendo com suas características próprias sejam elas construídas pela sociedade capitalista burguesa ou pela justificativa em classificar em específico uma fase da vida, constituída socialmente a partir de necessidades sociais e econômicas e de características que vão se constituindo no processo.

A leitura crítica desta fase perpassa pela questão de entender este adolescente de forma heterogênea e não homogênea como quer a mídia e a sociedade que precisa “classificar” os indivíduos, ideologias muitas vezes usadas para justificar atitudes de alguns, porém a escola tem como função principal partir do conhecimento prévio trazido pelo aluno, inserí-lo no processo de aprendizagem e construção do conhecimento e consequente atuação consciente e cidadã.

Um questionamento oportuno se faz: o que favoreceria a experiência social dos adolescentes? Buscando responder e atuar nesta questão a escola deve buscar uma relação mais estreita com a família, uma vez que esta é condição indispensável em todo processo para a construção da autonomia deste adolescente. Entendendo e vivenciando uma realidade do mundo tecnológica, a escola pode usufruir destas novas tecnologias já presentes nas salas de aula e laboratórios do Paraná, para atrair e construir um cidadão participativo.

A concepção de ensino e aprendizagem buscado pela escola, não deve conceber a infância e a adolescência como problema, mas como uma etapa, como várias que o ser humano passa, em que suas potencialidades são trabalhadas e vistas como sujeitos atuantes, pensantes e capazes de transformar a sociedade em que vivem.
Propostas de articulação entre a Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, anos iniciais e anos finais do Ensino Fundamental e entre esta etapa e o Ensino Médio, conforme a oferta.
A inclusão da criança de seis anos no Ensino Fundamental é uma das discussões presentes na formulação e construção do Projeto Político Pedagógico, considerando o estudante como um todo articulado, que terá um tempo maior para a apropriação dos conhecimentos relacionados ao processo de aprendizagem.

Sabe-se que a educação vem passando por grandes transformações entre elas a ampliação do ensino fundamental, com 09 anos de duração, para crianças a partir de 06 anos de idade. Isto implica não apenas no aumento de um ano, mas também num processo onde todos deverão repensar e reavaliar todo o processo de formação dos estudantes, que permita uma nova organização curricular.

Para tanto, é preciso que um sistema de articulação entre a Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, anos iniciais e anos finais do Ensino Fundamental e entre esta etapa e o Ensino Médio como é ofertado no Colégio Estadual Conselheiro Carrão.

Um dos fundamentos da criação da ampliação do ensino fundamental é superar a ruptura entre o primeiro e o segundo segmento do Ensino Fundamental, nas suas diferentes formas de organização das pessoas, dos saberes, das práticas, dos tempos e dos espaços que necessitam de articulação e integração. Afinal, nossos estudantes tramitam das escolas municipais para as estaduais e cabe a todos garantir um processo de formação integrada desses alunos.

Nesta articulação é essencial que se evidencie a importância da Formação Continuada dos profissionais da educação sobre a unidade teoria/prática de maneira articulada e dialógica., uma vez que os professores precisam resolver o embate relacionado à organização didática, como a adequação dos diferentes conteúdos no tempo escolar, mostrando que todas as disciplinas têm a mesma importância e estabelecem interações entre elas.

A coerência entre o que é ensinado nas séries finais deve ter consonância com o que é ensinado nas séries finais, buscando para isso a organização de encaminhamentos metodológicos coerentes com os objetivos de cada etapa de ensino. Para tanto, necessita-se que os professores das séries finais conheçam o que está sendo realizado nas séries dos anos iniciais, propondo a construção de uma relação dialógica entre os profissionais das duas redes.

Os professores do colégio veem demonstrando responsabilidade no processo pedagógico na sala de aula, num encontro dialógico com outros profissionais da escola, com outros professores, pedagogos e direção, buscando, de maneira organização e planejada, o processo intencional de ensino. Essa ação é acompanhada de um tratamento articulado entre o conhecimento prévio do estudante e realizando um trabalho de construção do conhecimento sistematizado.

É fundamental, então, que passamos a repensar o conjunto, não perdendo a nova e ousada oportunidade um nova prática dos educadores, com reflexões sobre o homem, a sociedade e a escola, como seus determinantes para o trabalho pedagógico e transformador.


Proposta de adaptação dos alunos oriundos dos anos iniciais à organização do trabalho pedagógico nos estabelecimentos que ofertam os anos finais do Ensino Fundamental (espaço, tempo e procedimento)
O Colégio Estadual Conselheiro Carrão receberá no próximo ano (2012) alunos oriundos das redes municipais, com experiências vivenciadas no ensino de 09 anos, para tanto, o mesmo se prepara inicialmente com a formação de seus professores, o debate pertinente à nova fase a ser conhecida.

Os professores têm consciência das particularidades dos alunos que vivenciaram uma realidade de ensino de 09 anos, buscando para isso encaminhamentos metodológicos coerentes.

O espaço escolar está preparado para recebê-los, porém, como os mesmos veem de uma realidade menor, tais estudantes terão um atendimento especial no início do ano no que concerne ao espaço físico, sua mobilidade no mesmo. Também a biblioteca passará por uma revitalização referente à sua organização, bem como projetos voltados à leitura (evidenciados nos projetos expostos no PPP).

Assim, ao receber estes alunos, o colégio já terá durante este ano letivo (2011) buscado aperfeiçoamentos para bem recebê-los.



Proposta de formação continuada aos professores, com vistas a assegurar o entendimento dos objetivos do Ensino Fundamental de nove anos, bem como as especificidades dos alunos.

Frente às mudanças na educação no ensino de nove anos, a busca pela formação continuada é uma prática entre os professores conscientes de seu papel transformador na sociedade e em escala nuclear na vida dos alunos.

Devido a isso, ve-se a necessidade da constante formação do professor que já no inicio do ano de 2011, começa sua capacitação com programas que incluem desde o novo ensino fundamental de nove anos, impresso para o estabelecimento, e online no site do dia a dia educação, até projetos e práticas de ensino que visam as constantes mudanças que provavelmente ocorrerão durante o ano.

Um outro momento de reflexão, é a já adquirida hora atividade que visa entre outros assuntos, coletar teorias e instrumentos que transformados atenderão aos alunos com dificuldades de aprendizagem, seja em sala de aula ou de atendimento individual, pois a mesma permite ao professor a troca de experiencias que poderão auxiliá-lo em sua prática.



Perfil do Profissional da Escola

Por meio de Cursos de Formação Continuada é trazido aos professores pela SEED, textos atualizados e comprometidos de fato com a educação, desta forma o professor trabalha os conteúdos, diversifica os exercícios, enriquece os conceitos com mídias ou laboratórios, enfim contextualiza o teórico-científico, associando-o a vida cotidiana do aluno, elaborando o crescimento pessoal aliado e embasado a teoria científica das disciplinas.

O profissional domina conteúdos e processos básicos relevantes do conhecimento científico, tecnológico, cultural e das diferentes modalidades de linguagem necessárias para a autonomia intelectual e moral, compreendendo as transformações históricas, econômicas, políticas e sociais, de forma a proceder, orientado por valores democráticos e solidários que fundamentam o agir ético no exercício da cidadania e na intervenção na sociedade.

As atividades escolares, desta forma, consolidam-se por meio do resgate de valores: integridade, liberdade, ética, responsabilidade, respeito, compromisso com o próximo e exercício dos deveres e direitos; sempre aliados à aquisição do conhecimento historicamente acumulado.

O desenvolvimento destas atividades escolares tem como principais objetivos:


  • Tornar a escola um espaço de formação e informação;

  • Desenvolver no aluno o domínio de habilidades necessárias para a compreensão e transformação da realidade, por meio da participação nas relações culturais, políticas e sociais;

  • Possibilitar ao aluno uma experiência escolar coerente e bem sucedida, propiciando ao professor êxito no exercício do magistério.

Diante do propósito de que a escola seja realmente comprometida com a formação dos indivíduo tem como principal essência a valorização do ser humano. Neste sentido, o processo de escolarização adquire um novo significado social e cultural, claramente expresso nos princípios e fins da educação nacional, que estão inscritos nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, manifestando a vontade da nação.

Objetivos de aprendizagem

Propiciar ao aluno acesso aos bens culturais, por meio de um conjunto de saberes que lhes permitem utilizar-se desses conhecimentos na compreensão da realidade e amplie o seu modo de vê-las, e para que estes mesmos possam adquirir conhecimentos, atitudes e habilidades a fim de:

I – dominar linguagens;

II – compreender fenômenos;

III – enfrentar situações – problema;

IV – construir argumentações;

V – elaborar propostas;

VI – utilizar o conhecimento adquirido para agir sobre a realidade concreta;

VII – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;

VIII – a preparação básica para o exercício da cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com a flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento anteriores;

IX – o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;

X – a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos,

XI - relacionar a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

XII – Domínio e habilidade com as quatro operações.



Os Princípios da Educação Inclusiva
O Projeto Político Pedagógico do Colégio Estadual Conselheiro Carrão- Ensino Fundamental, Médio e Profissional, construído coletivamente pela comunidade escolar, no ano de 2009, em consonância com a legislação vigente, já contemplava a educação inclusiva, prevendo o reconhecimento, a aceitação e a valorização das diversidades, bem como no campo das deficiências. E neste momento de revitalização do referido projeto, a comunidade escolar deste estabelecimento de ensino propõe as seguintes ações para enfrentar com responsabilidade o desafio da inclusão educacional:

  • Realizar grupos de estudos para análise e perspectivas reais da nossa Escola para atendimento a esses alunos, com apoio do mantenedor;

  • estabelecer parcerias governamentais e institucionais, em busca de suporte teórico e metodológico para o enfrentamento e soluções de problemas;

  • buscar junto aos órgãos competentes a alocação de recursos (humanos, materiais, técnicos e tecnológicos) governamentais, conforme prevê a Deliberação nº 02/03 - CEE, necessários ao desenvolvimento do processo de aprendizagem, bem como a adequação do espaço físico para alunos com necessidades educacionais especiais;

  • assegurar aos alunos com necessidades educacionais especiais a continuidade de atendimento nos Centros de Apoio Pedagógico, mantidos pelo poder público;

  • garantir a flexibilização curricular no atendimento pedagógico especializado, adequando-o as necessidades individuais;

  • ressaltar a responsabilidade e comprometimento de cada sujeito no processo de inclusão.

  • Procurar manter o espaço físico na medida do possível o mais adequado para garantir a acessibilidade.

Para a escolarização do aluno com deficiência é necessário o envolvimento da comunidade escolar num trabalho conjunto, através da criação de ambiente integrador para que aconteça a permanência do aluno, oportunizando a formação crítica, autônoma e criativa em sua cidadania.

Nosso espaço físico não é totalmente adequado para pessoas com necessidades especiais e para facilitar o acesso dos mesmos foram construidas rampas de acesso na entrada principal, nos banheiros, em uma sala de aula do piso inferior e no acesso ao refeitório e entrada central. É disponibilizado pela SEED um professor de atendimento a comunicação alternativa (PACA)para um aluno com Paralisia Cerebral e comprometimento dos membros superiores e inferiores, o mesmo utiliza o banheiro da biblioteca por ser mais amplo e possuir adaptações físicas.

Desta forma, as barreiras arquitetônicas e a falta de material adequado constituem nosso maior problema. Logo, necessitamos do amparo/subsídio de nosso mantenedor, que tanto se preocupa com o atendimento pedagógico dos alunos com necessidades especiais.
Concepção de Educação Inclusiva
É uma questão de cidadania o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais, poisestudantes que apresentam defasagem na idade cronológica, mental, emocional, apresentando dificuldades de aprendizagem em algumas áreas do conhecimento. Boa parte destas necessidades especiais se apresenta a partir de diferenças, sociais, culturais e pessoais.

Pessoas com necessidades especiais não são somente aquelas que possuem alguma deficiência (auditiva, visual, mental, física), mas todos os que possuem dificuldades, sejam elas de aprendizagem, limitações, déficits intelectuais entre outros.

Especificamente no que diz respeito à Educação Especial no ensino regular deve-se gerar o apoio de conjuntos de serviços, ofertados pela escola e comunidade geral. Tendo como objetivo fundamental as respostas educativas para as dificuldades apresentadas, assim oportunizando regular serviços de apoio pedagógico especializado que são desenvolvidos em sala de aula, ou em contra turno, por meio de oferta de recursos humanos, técnicos, tecnológicos, físicos e materiais e tem por objetivo possibilitar o acesso e a complementação do currículo comum ao aluno.

O Projeto Político Pedagógico da escola expressa as ações para enfrentar, com responsabilidade, o desafio da inclusão educacional através da construção coletiva, ouvindo todos os membros da comunidade escolar, traçaremos estratégias embasadas em textos norteadores para que esses alunos sejam atendidos em todas as suas necessidades, dentro do possível, no interior da escola e através de parcerias com grupos de apoio de nossa comunidade.

Ao longo da história da humanidade foram construídos modelos a serem seguidos como padrão, com a marca da homogeneidade, prevalecendo a negação à diferença, onde o não-diferente é o aceito socialmente. Na escola igual para todos existe espaço para as diferenças? Como a diferença é abordada na escola? Algo só é diferente se comparado com outro. A cultura é a resposta apresentada pelos grupos humanos ao desafio da existência, determinando o comportamento do homem e justificando suas realizações. Este processo não trata apenas de permitir o acesso destas pessoas na sociedade, mas sim, aceitar, possibilitar e dar condições para que estes sujeitos possam efetivamente se educar e se preparar para a realidade do mundo.

É também a partir do ambiente escolar que a criança e o jovem estabelecem seu convívio social. O isolamento ao qual muitos alunos com deficiência passam na sala de aula da rede regular de ensino, são atribuído a diversos fatores. A dificuldade expressa pelos professores em lidar com as questões da diferença, da deficiência e seus limites é um deles.

A escola deve se organizar para a escolarização do aluno com dificuldades educacionais especiais por meio de ações paralelas e contínuas de apoio à aprendizagem, a saber: acolhimento do diferente, flexibilização de planejamentos e conteúdos, elaboração de projetos de recuperação de estudos e de avaliação, específicos e adequados às necessidades dos alunos; encaminhamento à sala de recursos; encaminhamento a salas especiais; encaminhamento a centros de atendimento especializado.

O atendimento à inclusão exige um redimensionamento do Projeto Político-Pedagógico, a implantação/implementação dos serviços e apoios especializados, o envolvimento da comunidade escolar, o respeito às diferenças de todas as origens (cultura, sexo, deficiências, origens, etnias, opções, religião, etc); atendimento específico, acompanhamento da presença do aluno, a interação do aluno e comunidade em todo processo educativo, recuperação de conteúdo, projetos de parcerias.

O aspecto fundamental será o conhecimento/esclarecimento para os professores sobre as atividades a serem desenvolvidas com alunos especiais ou não, colocando em equilíbrio o que é comum e individual para cada aluno. Existem dificuldades em facilitar as adaptações como mudar o sistema, repensar métodos e técnicas diferenciados.

Há a necessidade de uma constante conscientização da comunidade escolar em adaptar, não é recortar conteúdos, porque o que se acaba recortando são possibilidades para o futuro. A escola de todos passa a não ser escola para todos. Tratar a exclusão/inclusão não apenas relacionado a deficiência, mas também as diferenças de classe social, racismo, entre outros, é o caminho para o enfrentamento promissor da questão.



O Calendário Escolar
Em cumprimento a legislação vigente, especificamente a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, capítulo II, artigo 24, inciso I, o Calendário Escolar consta de, no mínimo, 800 horas em 200 dias letivos.

O início do ano letivo, bem como seu término, férias, período de capacitação e o destinado ao planejamento, feriados nacionais e recessos são determinados pelo mantenedor, que prevê a indicação de feriado municipal.

Está previsto erm nosso calendário, a Olimpíada de Matemática (OBMEP), Reuniões Pedagógicas e os Conselhos de Classe. A referida semana tem temática estabelecida e data prevista de acordo com a necessidade do colégio, podendo ser realizada no primeiro ou segundo semestre. Quanto às Reuniões Pedagógicas e aos Conselhos de Classe, amparados pela Deliberação nº 002 de 07 de junho de 2002, estes acontecem no período letivo, já que os alunos são envolvidos em atividades organizadas que buscam seu desenvolvimento como pessoa, cidadão e trabalhador. Desta forma, tais dias são considerados de efetivo trabalho escolar, que também são realizadas em contraturno.

O cumprimento do calendário é um compromisso de todo colegiado, sendo imprescindível na conquista de uma escola pública de qualidade social, que prioriza a formação integral dos alunos.




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