Sem Regras para Amar Eliana Machado Coelho Psicografado por Eliana Machado Coelho



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* * *
Na manhã seguinte, tanto Helena quanto Eduardo não se sentiam muito animados.

Algo melancólico pairava no ar indefinidamente.

—O João Carlos não vai na academia hoje, lógico. E você, vai dar uma passadinha lá? — perguntou Helena com simplicidade.

—Não. Avisei o pessoal que hoje não iríamos.

Nesse instante, pela ampla janela da sala, Helena notou que alguém estacionava o carro na frente da casa. Ela ficou intrigada quando um senhor, que não reconheceu, desceu do veículo e, após olhar longamente a residência, dirigiu-se ao portão tocando o interfone.

—Ora, quem será? — preocupou-se Helena que atendeu o aparelho perguntando: — Quem é?



  • Procuro por Eduardo Brandão. Ele mora aqui?

  • Quem é o senhor? — tornou a dona da casa.

  • Meu nome é Rómulo Carvalho Linhares. Sou conhecido da dona Isabel Araújo Solano, tia do Eduardo, e fui muito amigo de Gilda Araújo Brandão.

  • Um minuto, por favor — pediu Helena, que foi até o quarto à procura do marido e, em poucas palavras, contou-lhe o ocorrido.

—Nunca ouvi falar nesse Rómulo Carvalho Linhares falou envergando os lábios com um gesto que expressava sua estranheza àquela situação.

__ Vai logo Edu — incentivou a esposa. — O homem está esperando.

Lentamente Eduardo foi até o portão e, um pouco desconfiado, procurava se resguardar para evitar qualquer surpresa

desagradável.

-Bom-dia! — cumprimentou o rapaz.

-Bom... — tentou responder o senhor, que pareceu perder

a cor e as palavras tamanho era o seu espanto. — Então você...

-Perdoe-me, mas... eu deveria conhecê-lo? — perguntou

o moço um tanto embaraçado.

—Olhe bem pra mim, Eduardo. Não se reconhece? — perguntou com extrema humildade e lágrimas a brotar nos olhos.

Eduardo sentiu-se gelar. Um torpor o deixou confuso ao observar que ele era impressionantemente parecido com aquele homem.

Engolindo a seco e respirando fundo, pediu sem pensar:

—Entre, por favor.

Já na sala de estar o senhor não controlava as emoções, e Helena, muito prestativa, trouxe-lhe um copo com água açucarada pedindo que bebesse para se acalmar.

Acho que estou entendendo — disse Eduardo quase gaguejando e ainda nervoso. — Mas estou atordoado... preciso de explicações. Por favor.

Após se acalmar, o homem explicou:

Sua mãe mandou-me uma carta há alguns meses, só que minha esposa a interceptou, por ciúme talvez. Gilda dizia que do nosso relacionamento, anos atrás, nascera um filho. O único filho que amou de verdade porque era o símbolo do nosso amor.- depois de secar as lágrimas, prosseguiu: — Nessa carta, contou-me tudo. Disse que o marido tinha ido embora com outra mulher e falou das condições difíceis eu tinha deixado para ela e os filhos enfrentarem. Ela ainda disse que por causa dessa situação toda ela e esse filho brigaram pela primeira vez e que acabou revelando, com o intuito de magoá-lo, que ele não era filho de seu marido.


Eduardo, respirando fundo, sentia um nó na garganta pelo misto de insegurança e surpresa, além da forte emoção. Procurava aparentar-se calmo, mas esfregava as mãos nervosas sem perceber e o gotejar do suor no rosto denunciava sua aflição.

—Minha esposa faleceu há um mês. E somente há dois dias, remexendo em alguns papéis, encontrei a carta de Gilda — revelou, não detendo as lágrimas que correram em sua face. — Hoje, bem cedo, procurei por Isabel, que há muito tempo não via, e... Foi uma grande surpresa. Eu não sabia que tinha um filho. Não sabia que Gilda morreu no dia em que me mandou essa carta. A Isabel me disse que estava pensando seriamente em me procurar por sua causa. Ela contou que você queria me conhecer, ter um passado. Por isso estou aqui.

Helena, em pé a pouca distância, estava sensibilizada com a emoção do homem e discretamente chorava junto com ele.

Eduardo, ainda sob o efeito do choque, olhou-o e imediatamente ambos se levantaram, abraçando-se com força, emoção e lágrimas.

—Perdoe-me... Eu não sabia que tinha um filho.

Por longos minutos eles permaneceram abraçados. Depois, mais calmos, sentaram-se lado a lado para conversarem um pouco mais.

Helena serviu-lhes um café enquanto o homem contava sua história.

—Muitos anos atrás, eu e Gilda nos conhecemos e namo­ramos por alguns meses. Só que ela sempre teve suas ambições... Não posso julgá-la, quem sou eu para isso? Nós terminamos porque eu era pobre, mas nos amamos muito, nunca a esqueci. Somente sua tia Isabel soube do nosso romance secreto, pois seu avô, orgulhoso por sua fortuna, não admitiria que as filhas se envolvessem com rapazes que não fossem do seu meio social. Fui morar no Paraná. Escrevi várias vezes para Gilda, mas nunca obtive resposta. Até que só passei a lhe enviar cartões de Natal, como uma forma de lembrança. Certa vez Isabel, já casada, me escreveu e sutilmente mencionou que Gilda também havia se casado, e entendi que não ficava bem continuar lhe escrevendo

dando cartões. Tempos depois, Gilda apareceu lá no Paraná HUpndo que me encontrou pelo endereço das correspondências eu havia enviado. Ela contou que não era feliz com o marido, nue haviam se separado e que nunca me esqueceu. — Nesse momento do relato, ele se deteve por alguns segundos, depois prosseguiu: — Tivemos um novo romance. Gilda morou comigo por um mês, mas depois não suportou a vida simples que eu levava, apesar de eu ter uma casa boa, grande, confortável. — Circunvagando o olhar, comentou: — Até parecida com essa, mas eu não podia oferecer o luxo e os criados aos quais ela estava acostumada. E por isso Gilda me deixou. Escrevi para Isabel e ela me informou que Gilda havia voltado para o marido. Depois disso, nunca mais quis saber dela. Casei-me e posso dizer que vivi bem. Minha esposa não podia ter filhos. Depois de anos, ela teve problemas com os rins e faleceu na fila do trans­plante. Quase morri junto. Senti-me só, vazio... Mas quase morri novamente quando li a carta de sua mãe, que data de meses atrás. Aqui está — disse estendendo-lhe o envelope.

Eduardo pegou a correspondência e a abriu, reconhecendo a letra e as palavras de sua mãe.

—Como me encontrou? — perguntou, sustentando agora um leve sorriso. — Ou melhor, como encontrou a minha tia?

Achei as cartas que troquei com Isabel. Vim para São Paulo no mesmo instante e a procurei. Tive medo, pensei que ela tivesse se mudado, mas não. Hoje cedo, quando nos vimos apos tantos anos, senti que sua tia me reconheceu imediatamente, mas só depois veio a confirmação, quando comentou antes de dizer qualquer palavra: "O Eduardo é a sua cara!" Pedi que me desse seu endereço e não lhe adiantasse nada. — Foi quando seu Romulo deu um leve sorriso e pediu: - perdoe-me pela surpresa , meu filho.

- Sou eu quem pede desculpas pela recepção talvez inaquada pelo meu jeito... Estou surpreso, mas muito feliz.

— Feliz mesmo?

- Sim. Estou imensamente feliz. Quero conhecê-lo, quero...


  • Teremos muito tempo para isso — avisou, inter-rompendo-o educado. — Logo comentou: — Só não gostaria que desprezasse o Adalberto. Foi ele quem o criou, que o educou como filho. Lamento por eu não saber, por não estar presente mas não vamos culpar sua mãe. Não devemos julgá-la pelo que fez.

  • Claro que não. Ela não está aqui para se defender.

Pai e filho se abraçaram novamente emocionados, mas depois Eduardo perguntou:

  • O que você faz? Como vive?

  • Só tenho você, filho. Não tenho mais nenhum parente próximo. A não ser um irmão que saiu pelo mundo e não sei onde está. Tenho dois depósitos de materiais para construção no Paraná e...

  • Vai ver até que vendia as pás, as enxadas e outros materiais que fabricávamos — Eduardo lembrou sorrindo.

  • Quem sabe?! — tornou o senhor alegre.

  • Ah! Deixe-me contar uma novidade. Minha irmã, a Erika, teve bebê ontem. É um menino. Almoce conosco e à tarde poderemos ir até o hospital, se quiser, é claro.

  • Eu gostaria de ficar com você, Eduardo, o maior tempo possível. Ir aonde você for, ser apresentado... saber mais sobre o meu filho, se você permitir — falou com olhar brilhante e um largo sorriso. — E quero ver a Erika sim. Ser um pai para ela, se ela quiser. Podemos ser uma família. Sempre desejei ter filhos, uma família grande, participar de tudo...

  • Claro! — afirmou sorrindo, mas com imensa vontade de chorar.

  • Com licença — pediu Helena humilde. — Eu gostaria de me apresentar — disse emocionada.

Tomado de súbito impacto, Eduardo levantou-se ligeiro, abraçou a esposa, beijou-lhe rápido como um pedido de desculpas e falou:

—Essa é a Helena, sua nora, minha esposa.

Eles se abraçaram e novas lágrimas de emoção se fizeram presentes.

Rómulo, que pensava estar sozinho, viu-se com um filho amoroso e de coração nobre como o seu. Ele se adaptou rápido, Principalmente com a família da nora, que era grande e movimentada. Tudo o que sempre sonhou.

Eduardo agora não cabia em si de emoção e felicidade. Quando Rómulo decidiu que seria o momento de retornar para a sua cidade, Eduardo o convidou para morar com eles. A idéia partiu de Helena, que ficou muito feliz com a aceitação do convite, principalmente porque Rómulo, com seus sessenta e cinco anos, era uma criatura amorosa, sensível como Eduardo, simples, calmo e de boa índole. Ela e o sogro se dariam muito bem, e ele seria de grande valor para todos, principalmente porque, assim que se mudasse para a casa do filho, Helena precisaria de muita ajuda e companhia, já que a chegada de Adriane, a primeira filha do casal, traria renovações de sonhos, esperança e bom ânimo, pois onde existe amor verdadeiro não existem regras, ambições ou limites à verdadeira felicidade.


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