Semana de Oração dos Jovens – 2008 o senhor da Toalha/o senhor da Vida/o senhor da Glória Resumo



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Semana de Oração dos Jovens – 2008
O Senhor da Toalha/O Senhor da Vida/O Senhor da Glória
Resumo: Para Jesus, nenhum acto de serviço era desprezível. Ele suportou tudo o que foi preciso para mostrar o Seu amor por aqueles que O rodeavam.
1º Sábado – Victor Hulbert
Dai Glória”
Texto Bíblico: Lucas 1:26-38; Lucas 2:1-20
Pensamento-Chave: Jesus tornou-Se humano.
As férias que eu e a minha família passámos no Norte de Portugal foram, de facto, excepcionais. Ficámos alojados num moinho de água antigo, que foi transformado numa luxuosa casa de campo, com grandes salas repletas de antiguidades e, ainda, piscina e churrasqueira. Era, por isso, um lugar muito agradável, ao qual gostávamos de regressar ao fim do dia, sobretudo depois de explorarmos os parques nacionais, cidades antigas, castelos e igrejas. E, claro, depois de passarmos os dias a comer em restaurantes, a descer rios, a nadar em lagos e a fazer longas caminhadas pelas montanhas.
Um dos passeios que mais apreciámos foi a visita ao Parque Nacional do Gerês. É uma área muito bonita e ideal para veículos todo-o-terreno. Como não tínhamos nenhum, deslocávamo-nos numa carrinha novinha em folha. E foi a pedido dos meus dois filhos que andámos por trilhos por onde nenhuma carrinha tinha passado antes, indo, inclusivamente, até um local onde a minha mulher insistiu em sair da carrinha antes de atravessarmos uma ponte prestes a ruir!
Já bem no alto das montanhas, parámos para admirar um rebanho de cabras na berma da estrada. Encontravam-se ali dois pastores a cuidar delas. Sob o abrasador sol português, pareceu-me uma actividade ideal – sentarmo-nos numa pedra e observar as cabras a pastar ao longo da encosta.

Uma vida descontraída, muito mais serena e tranquila do que aquilo a que a maioria de nós está habituada.


Contudo, conversando com eles, ficámos a saber que esta vida aparentemente calma também tinha os seus momentos assustadores. Naquela época, ao cair da noite, enquanto os turistas jantavam, descontraídos, nos restaurantes, os lobos saíam dos seus covis nas montanhas, e desciam em busca de comida. E a carne de cabra fazia, definitivamente, parte do menu.

O que eu não esperava era que esta simples troca de palavras acerca dos lobos levasse os meus filhos a aventurarem-se pelas montanhas a fim de os procurarem. Felizmente, eles não tiveram sorte.


Penso que é bastante difícil para nós imaginarmos como é realmente a vida de um pastor. É verdade que gostámos muito daquele dia que passámos no Gerês. O sol brilhava com intensidade, o céu estava azul e uma brisa suave soprava no ar. No entanto, aqueles pastores viviam em cabanas rudimentares e tenho a certeza de que, quando chove, e principalmente no Inverno, a vida não é assim tão idílica.
Após algum tempo, apercebi-me que talvez a vida deles não seja assim tão diferente da dos pastores dos tempos bíblicos. Basta substituirmos o lobo por um leão ou um urso e relembramos a história do jovem David, guardando os seus rebanhos nas encostas de Belém.

Recordamo-nos do que ele disse ao rei Saul e como o facto de ser pastor o preparou para lutar contra Golias:

“Teu servo apascentava as ovelhas do seu pai; e vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho. E eu saí após ele, e o feri, e livrei-a da sua boca; e, levantando-se ele contra mim, lancei- -lhe mão da barba, e o feri, e o matei. Assim feriu o teu servo o leão, como o urso: assim será este incircunciso filisteu como um deles, porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo.”

(I Samuel 17:34-36)

Recordamo-nos também que foi este jovem pastor, o mais novo dos filhos de Jessé, que foi escolhido por Deus para ser rei. O mais novo e o mais humilde, escolhido para realizar feitos grandiosos.
Esta é uma das coisas que me surpreende continuamente na Bíblia. Uma simples criadinha que ajuda Naamã a ser curado da sua lepra. Um agricultor impertinente, Gideão, que conduz os seus trezentos homens à vitória. Um jovem hebreu, que é levado cativo, mas que permanece fiel aos seus princípios, tornando-se, depois, um líder notável de Babilónia e um profeta que fala até acerca da História Mundial.
E foi precisamente o que aconteceu nas montanhas em Belém. Não foi algo que se tenha passado com os doutores da Universidade de Jerusalém, mas sim com pastores, sentados à volta de uma fogueira, guardando os seus rebanhos. Era costume, em Belém, os pastores permanecerem com os rebanhos, durante o Outono, vigiando-os.

As fogueiras são sempre especiais para mim. Quando somos jovens, nos retiros e nos acampamentos de Verão, o fogo, de alguma forma, parece envolver-nos numa atmosfera especial. É muito agradável permanecermos ali, fixando as cinzas avermelhadas, cantando e convivendo. Sentarmo-nos, tranquilos, à volta de uma fogueira permite-nos falar aberta e profundamente.


Os pastores tinham muito tempo para conversar e um interesse em comum. Ellen White afirma: “Nos campos em que o jovem David guardara os seus rebanhos, havia ainda pastores vigiando durante a noite. Nas horas silenciosas, conversavam entre si acerca do prometido Salvador e oravam pela vinda do Rei ao trono de David.” (O Desejado de Todas as Nações, P. Servir, páginas 32 - 33) Mal eles sabiam que as suas orações estavam prestes a ser respondidas. O que se verificou de seguida tornou-se no maior acontecimento da sua vida.
E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.” (Lucas 2:9)
Esta imagem leva-nos de volta até ao Antigo Testamento, e traz-nos a figura de Moisés, aterrorizado, diante da sarça ardente, pisando solo sagrado. No entanto, Moisés mostra-se obediente à vontade de Deus. Relembramos, também, o medo que os Israelitas sentiram algum tempo depois, quando se reuniram junto ao Monte Sinai e a montanha tremeu quando a voz de Deus soou forte como um trovão. Podemos pensar até em Josué fora dos muros de Jericó, ou em Gideão quando estava na eira. Estes encontros podem tornar-se assustadores. Vemos isso na reacção dos Israelitas no Monte Sinai quando a presença e a glória de Deus lhes foram manifestadas. A Sua glória assustou-os de tal forma que Lhe pediram que Se retirasse dali, e que fosse Moisés a falar com Deus e a transmitir-lhes a Sua mensagem.
Contudo, esta não é uma noite para se ter medo – mas sim uma noite para receber Boas Novas e rejubilar. O anjo – e eu tenho a certeza de que os pastores estavam contentes por só verem um – transmite palavras de confiança:
Não temais; porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo; pois na cidade de David vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lucas 2:10)
De repente, os céus iluminam-se com uma luz brilhante que perturba os pastores. Eles desconhecem a razão de todo este aparato. Ao princípio, não se apercebem dos milhares de anjos que estão congregados nos céus. O brilho e a glória das hostes celestiais iluminam e glorificam toda a planície. Enquanto os pastores se mostram aterrorizados com a glória de Deus, o anjo – líder daquela multidão celestial – acalma os seus temores, revelando-se e dizendo-lhes: “Não temais; porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo; pois na cidade de David vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o Menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da mílicia celestial, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas e paz na terra e boa vontade entre os homens.” (Lucas 2:10-14)
Logo que os seus medos se dissipam, o assombro e o terror cedem lugar à alegria. Na altura, eles não conseguiram suportar o resplendor da glória que acompanhava as hostes celestiais. Apenas um anjo aparece aos vigilantes pastores a fim de os tranquilizar e de lhes dar a conhecer a sua missão. À medida que a luz daquele anjo os envolve, a glória cobre-os e fortalece-os, capacitando-os a receber maior luz e glória vinda das miríades de anjos celestiais.
Os pastores têm dificuldade em acreditar no que ouvem. Eles conhecem as profecias, tais como Miqueias 5:2:
E tu, Belém Efrata,

posto que pequena entre milhares de Judá,

de ti me sairá o que será Senhor em Israel,

e cujas saídas são desde os tempos antigos,

desde os dias da eternidade.”
Eles conhecem a profecia... mas estar a cumprir-se naquele momento, e ser anunciada a eles! Era simplesmente maravilhoso!
Mas isto é apenas o começo. Não só as Boas Novas lhes foram dadas a eles, como também lhes são concedidas informações de onde e como encontrar o menino, para que sejam as primeiras testemunhas do Deus transformado em homem.
Isto vos será por sinal: Achareis o Menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.”

(Lucas 2:12)
Após estas coisas, os anjos não conseguem deter-se mais. Os pastores estão espantados, mas os anjos estão igualmente maravilhados, possivelmente ainda mais do que eles, já que, ao longo de muitos anos, acompanharam o desenvolvimento dos planos de Deus para salvar a humanidade e viram como eles iam passando da teoria à realidade. Viram o Jesus que eles adoravam tornar-Se uma pequenina célula no útero materno e desenvolver-Se até chegar a este momento maravilhoso. Já não podem conter-se e cantam : “Glória a Deus nas alturas e paz na terra e boa vontade entre os homens.” (Lucas 2:14)
Pensa nestas palavras durante alguns minutos. São paradoxais! “Glória a Deus nas alturas e paz na terra”!
Pensa nelas tendo em conta os dois mil anos em que, nesta terra, tem existido tudo menos paz. A última vez que estive na Praça da Manjedoura, em Belém, vi soldados israelitas dentro de armações de ferro, prontos a entrar em acção ao mínimo sinal de distúrbio. Hoje, existe um grande muro que separa Jerusalém e Belém. É um local onde existe mais tensão do que paz.
Ainda assim, nos montes, os anjos cantam “Paz na terra”!
Paz – quando dentro de pouco tempo, Herodes vai desencadear um assassínio em massa a fim de tentar matar o pequeno Jesus. Paz – quando Satanás perseguirá Jesus durante toda a sua vida. Paz – quando o destino do Homem será traçado no Calvário e numa cruz.
Isaías profetizou que o Messias seria o Princípe da Paz. No entanto, se os pastores pudessem ver o futuro, com certeza que teriam dificuldade em acreditar nestas palavras. Mas olha para a história segundo a perspectiva dos que cantam esta majestosa canção.
Olhando para baixo, eles vêem uma Terra que tem estado em guerra com Deus. Vêem a maldade que se abateu sobre o planeta. Mas eles conhecem o amor de Deus, e o quanto Ele deseja que a humanidade caída faça parte da Sua família.
É Deus quem está a tomar a iniciativa. É por isso que eles cantam “Glória a Deus nas alturas”. O Deus Todo-Poderoso, o Princípe da Paz, ataca o inimigo da forma que ele menos espera.
O autor do livro de Hebreus explica este acontecimento de acordo com a perspectiva do anjo:
Vemos, porém, coroado de glória e de honra, aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.

Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles.” (Hebreus 2:9-10)

É absolutamente incrível que o Poderoso Deus do Universo se tenha feito, a Si próprio, inferior aos anjos. Assim como tornar-Se homem, vivendo, rindo e sofrendo connosco e, por fim, morrendo no nosso lugar. A Bíblia Message descreve Jesus como sendo o “Autor/Pioneiro da Salvação”. Os anjos não cantam glória apenas a Jesus, eles estão a antecipar uma promessa que nos será feita de que Ele trará “muitos filhos à glória”. Isto significa que eu estou incluído! É uma dádiva impressionante!

Um antigo hino cristão fala acerca de Jesus:

Que, sendo em forma de Deus,

não teve por usurpação ser igual a Deus,

mas aniquilou-se a si mesmo,

tomando a forma de servo,

fazendo-se semelhante aos homens.

E, achado na forma de homem,

humilhou-se a si mesmo,

sendo obediente até à morte, e morte de cruz!

(Filipenses 2:6-8)

Na trilogia Senhor dos Anéis, de JRR Tolkien, a magia da história não está nas estrondosas batalhas, mas no grande esforço de um jovem hobbit para destruir o mal. Contra todas as probabilidades, o seu objectivo é restituir a paz à terra média, não através de uma luta, mas lançando o amaldiçoado anel do poder num lago de fogo.

Jesus também se atirou para o “Inferno” em que se transformara este Mundo, vindo a cair onde Satanás menos O esperava, combatendo não com força e poder, mas com amor. Os anjos podem cantar “Glória a Deus nas alturas” uma vez que esta é a única forma de derrotar Satanás, ao mesmo tempo que o Mundo inteiro reconhece que Deus é justo e pode restabelecer a paz.

Sabemos que Jesus tomou sobre Si a natureza humana, a fim de revelar ao homem um amor puro e altruísta, e de nos ensinar como nos amarmos uns aos outros. E isto é um desafio também para nós. Estou convencido de que aqueles pastores passaram a ser novas criaturas depois da visita dos anjos e por intermédio de Jesus. Estou igualmente convencido de que a minha própria vida será transformada assim que eu reconhecer a magnífica dádiva da glória que Deus me concedeu.

Céus e Terra não estão mais afastados hoje do que quando os pastores ouviram a canção dos anjos. A humanidade é ainda o objecto do cuidado divino, tal como era quando homens simples com ocupações humildes se encontraram com os anjos ao cair da noite, e falaram com os mensageiros celestiais nas vinhas e nos campos. Nós, ao caminharmos pelas vulgares estradas da vida, podemos estar bem perto do céu.

Para debater:

1. No passado, Deus pôs os mais jovens ao Seu serviço. Poderá Ele ter uma função especial para mim hoje?

2. Os pastores aguardavam ansiosamente a chegada do Messias. O que é que eu aguardo e procuro na minha vida?

3. Consegues imaginar como terá sido a vida do Deus do Universo ao colocar-se num pequeno ovo num útero materno? Quão diferente é o nosso Deus dos outros deuses?

4. É muito fácil falar acerca de Jesus e da Sua humildade. De que modo, na prática, posso eu demonstrar humildade na minha vida?

5. O céu está bem perto de mim hoje. Como é que eu posso partilhar esta realidade com os meus amigos?

Victor Hulbert

Director de Comunicações

União Britânica dos Adventistas do Sétimo Dia

Domingo

Dá o teu melhor

Resumo: As Bodas de Caná

Texto Bíblico: João 2:1-11

Pensamento-chave: Sempre o melhor.

Com certeza que todos já alguma vez assistimos a um casamento. Talvez até tenhamos desempenhado uma parte activa num casamento, como menina(o) das alianças, dama de honor, ou mesmo noivo ou noiva!

Há algo de extremamente belo nos casamentos, na união de dois seres que se tornam um, na cerimónia matrimonial e, claro, nos festejos que se seguem. Contudo, apesar do tempo dispendido, dos esforços para que tudo corra bem, dos planos e do dinheiro gasto, os casamentos podem correr muito mal.Certamente já estiveste num casamento em que o carro da noiva ou do noivo avariou a sessenta quilómetros da igreja, ou em que as famílias envolvidas não se davam bem, mas, pelos filhos, fizeram tréguas naquele dia, ou até num casamento em que apareceram muito mais pessoas do que as que foram convidadas. Uma coisa é certa: assim como há casamentos em que tudo corre bem, haverá sempre casamentos em que nem tudo correrá como o previsto.

Jesus também foi a um casamento. Era um casamento pequeno, com pessoas da região, pelo que podemos presumir que a grande maioria dos convidados se conhecia desde a infância. É possível que até tivessem recordações de toda uma vida passada em conjunto: os jogos de crianças, os tempos de escola e os casamentos uns dos outros. De facto, estes convidados conheciam-se muito bem. Eles podiam estar a interrogar-se acerca de como é que os noivos iriam surpreendê-los e se este casamento teria mais sucesso do que os seus. Portanto, se algo corresse mal seria um grande escândalo, até porque, como toda a cidade tinha sido convidada, os relatos espalhar-se-iam rapidamente e todos iriam ser testemunhas.

A festa ia a meio. Os convidados ainda estavam a festejar, comendo e bebendo avidamente, quando aconteceu um incidente: acabou-se vinho. (Ver João 2:3)

É claro que, hoje em dia, isto não seria o fim do mundo. Mas, de acordo com os costumes da época, a festa iria prolongar-se durante mais alguns dias e, tendo em conta a escassez do vinho, muito provavelmente, alguns dos convidados abandonariam a festa. Seria, sem dúvida, o momento oportuno para findar as celebrações e dizer: “Gostaríamos de vos agradecer por terem tornado estes últimos dias tão especiais. Obrigado por terem vindo, adeus e boa noite!” No entanto, afirmar algo deste género levaria a crer que nada disto tinha sido planeado e que o fim da festa não era desejado. Ora, a solução não passava por arrumar tudo e ir para casa, mas sim por arranjar mais vinho e, obviamente, o vinho suficiente para que os festejos pudessem continuar.

Convém reparar que, apesar de Jesus não Se querer envolver quando a Sua ajuda Lhe foi pedida (Ver João 2:4), Ele foi incrivelmente generoso. Tendo mandado encher seis talhas de pedra com água, Jesus transformou cerca de setecentos litros de água em vinho. Era uma quantidade enorme!

Na realidade, o importante aqui não é a quantidade de vinho. O Mestre de Cerimónias prova o vinho e, mesmo desconhecendo a sua proveniência, faz questão de chamar o noivo à parte, para o felicitar pela sua qualidade. Esta dádiva prima pela excelência. Foi absolutamente a melhor.

Jesus podia ter feito com que esta rodada de vinho fosse precisamente como as anteriores. Somente os servos, a Sua mãe e os Seus discípulos saberiam como tudo se tinha passado. O vinho teria sido servido e ninguém teria notado qualquer diferença. Jesus podia ter arranjado um vinho que não chamasse a atenção e que satisfizesse os convidados.

Levanta-se aqui uma questão significativa. É que, muito simplesmente, não está na natureza de Cristo fazer as coisas pela metade. O amor de Cristo por nós leva-O a dar-nos apenas o melhor. Em Mateus, Cristo descreve-Se como sendo um pai muito mais preocupado com os Seus filhos do que qualquer pai terreno. “Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos céus, dará boas coisas aos que lhos pedirem?” (Mateus 7:11) Jesus não podia fazer nada senão oferecer o melhor vinho aos convidados.

Imaginem que Jesus tinha ressuscitado Lázaro (Ver João 11:1-44), mas que o tinha deixado num estado de coma; ou que Ele tinha alimentado 3999 pessoas (Ver Marcos 8:1-10) e tinha deixado uma faminta; ou, ainda, que Ele tinha decidido expulsar apenas alguns dos demónios que atormentavam o endemoninhado gadareno (Ver Lucas 8:26-33). Pensem no que teria acontecido se Jesus tivesse feito por estas pessoas apenas o mínimo necessário, o básico. A Sua glória nunca teria sido revelada na sua verdadeira plenitude.

Ainda que Jesus tenha feito um vinho de tão boa qualidade, que até os mais inexperientes conhecedores de vinho apreciariam, os convidados já tinham bebido demasiado para o reconhecerem como tal.

Talvez saibam o que é participar num evento onde se servem as chamadas refeições de primeira classe. A comida é saborosa e tem os melhores temperos. E, como não é todos os dias que comemos algo assim tão extraordinário, fazemos um esforço para não desapontar os nossos anfitriões e para levar à boca aquela última garfada. É então que surge a sobremesa. O aroma é de cortar a respiração, o aspecto delicioso faz-nos crescer água na boca, mas já não há mais espaço no estômago.

Eis que os servos trazem o bom vinho. Alguns dos convidados já tinham bebido bastante do vinho normal oferecido pelo noivo. “E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom, e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.” (João 2:10) Tenho a certeza de que, quando este vinho foi servido, a maior parte dos convidados tentou encontrar espaço para ele. É bem possível que alguns tenham bebido exageradamente, enquanto outros nem sequer conseguiram prová-lo. Estavam tão fartos que não puderam usufruir do milagre, da dádiva especial que Jesus lhes tinha concedido.

Já que Jesus dá o melhor de Si a cada um de nós, oferecendo-nos um vinho cuidadosamente preparado, é nosso dever assegurar que temos espaço para o receber. Naturalmente, haverá alguns obstáculos que nos impedem de receber o melhor. Talvez seja o nosso emprego, que nos consome de tal forma, que, quando o bom vinho chega, nós estamos demasiado ocupados. Ou talvez sejam os nossos cônjuges, porque nos preocupamos de mais em fazer com que as relações funcionem. Para os mais jovens, talvez sejam os amigos, a escola, a televisão, ... É certo que todos os dias ingerimos um pouco do vinho bom, mas muito raramente deixamos que as palavras “Provai e vede que o Senhor é bom” (Salmo 34:8) se tornem “o melhor” na nossa vida.

Há vinho em abundância para ser distribuído. As bençãos de Deus são constantes e podem muito facilmente suprir as nossas necessidades. Devemos garantir que o nosso coração e a nossa mente estejam aptos a receber o melhor, que é o que Cristo tem para nos oferecer.

Jesus não esperou para realizar o milagre apenas no fim da festa. Embora parecesse aos convidados que o noivo guardara o vinho mais saboroso para o final, não foi o que de facto aconteceu. Aliás, o noivo nem sequer tinha nenhum vinho reservado. Não foi ele que escolheu presentear os convidados com um vinho de uma extraordinária qualidade quando os festejos estavam já a terminar. E nós também não devemos guardar o nosso melhor para o fim.

Quando eu era criança, na hora da refeição, tinha o hábito de comer uma coisa de cada vez. Primeiro comia aquilo de que gostava menos, que era a couve. Quando acabava de a comer, passava para o arroz de ervilhas. Como não apreciava ervilhas, escolhia-as e punha-as de lado no prato, e começava a comer o arroz. Depois, preparava-me para comer o melhor, a carne. Naquele momento, o meu pai, que já tinha acabado de comer, apontava para a rua e dizia-me para observar os discos voadores no jardim. E quando olhava de novo para o meu prato, a minha carne tinha desaparecido. Agora só me restava comer as ervilhas, quer gostasse, quer não. Demorei algum tempo a aperceber- -me de que não devia deixar o melhor para comer por último.

Deus não quer que guardemos o nosso melhor para o final. Não sabemos o que nos espera no dia de amanhã. “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:34)

Os criados serviram vinho com qualidade pela primeira vez. Não houve tempo para o provar. Jesus deu o Seu melhor nessa primeira vez e dá-nos o Seu melhor todas as vezes.

E nós, não devemos dar o melhor apenas na primeira vez e depois descurar com o tempo.

Como os homens servem primeiro o vinho melhor, e depois o inferior, assim faz o mundo com os seus dons. O que ele oferece pode agradar aos olhos e fascinar os sentido, mas mostra-se incapaz de satisfazer. O vinho transforma-se em vinagre, o espírito folgazão em tristeza. Aquilo que começara com cânticos e alegria, termina em cansaço e desgosto. Os dons de Cristo, porém, são sempre novos e sãos. A festa que Ele provê para a alma proporciona sempre satisfação e alegria. Cada nova dádiva acrescenta a capacidade do que a recebe para apreciar e fruir as bênçãos do Senhor. Ele dá graça por graça. Não pode haver falta na provisão. Se permanecerem n'Ele, o facto de receberem hoje um rico dom garante a recepção amanhã de um mais precioso ainda.” (O Desejado de Todas as Nações, P. SerVir, página 114)

Jesus aguarda fervorosamente que demonstremos firmeza na escola, no emprego, em casa, na Igreja e, sobretudo, na nossa relação pessoal com Ele.

Depois de alguns anos de casamento, muitas mulheres não encontram nos seus maridos o amor, a paciência e a atenção com que eles as conquistaram. As igrejas não se apercebem do desinteresse que tomou conta dos seus líderes. Os professores não reconhecem algumas das lacunas dos seus alunos. E nós, à medida que a nossa relação com Deus se vai desvanecendo, falhamos em reconhecer Cristo.

Jesus concede-nos novas bençãos cada manhã; por isso Ele pede-nos que, ao acordar, tomemos a decisão de dar o nosso melhor em todas as tarefas que realizemos ao longo do dia. Na nossa relação espiritual com Deus, nas tarefas domésticas, ou em qualquer área da nossa vida, precisamos de dar sempre o nosso melhor.

Em qualquer circunstância ou situação em que nos encontremos, nunca nos devemos esquecer de que Jesus nos deu a dádiva mais valiosa que alguma vez poderia ter concedido. Deu-nos o Seu corpo e o Seu sangue e, consequentemente, a oportunidade de viver eternamente ao Seu lado. O vinho servido nas bodas simboliza o sangue que Ele derramou na Cruz do Calvário, a fim de que pudéssemos ser perdoados dos nossos pecados. “Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados.” (Mateus 26:28)

A história das bodas de Caná alberga vários simbolismos. Mas o que mais se destaca é aquele que evoca a generosidade do nosso Senhor. Deus ofereceu-nos o melhor presente, o Seu único filho, Jesus Cristo.

Foi nas bodas de Caná que Jesus realizou o Seu primeiro milagre. E este foi apenas uma pequena amostra de tudo aquilo que Ele deu e continua a dar ao ser humano caído.



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