Sempre Amor (Pleasure, Pregnancy And a Proposition) Heidi Rice



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Sempre Amor

(Pleasure, Pregnancy And a Proposition)

Heidi Rice

O sexy milionário Luke Devereaux apareceu no escritório de Louisa, a arrastou para o médico e exigiu que ela fizesse um teste de gravidez. E, para seu total horror e consternação, o resultado foi positivo! Três meses antes, Luke dera a Louisa uma noite de prazer como ela jamais poderia ter imaginado... e nunca deveria se repetir. Mas suas conseqüências o levavam a exigir o casamento, e sua proposta incluía também uma promessa: mais noites de inacreditável prazer...


Digitalização, Revisão e Formatação: Simone R.



PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamen­to ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.



Título original: PLEASURE, PREGNANCYAND A PROPOSITION

Copyright © 2008 by Heidi Rice

Originalmente publicado em 2008 por Mills & Boon Modern Romance

Arte-final de capa: núcleo i designers associados

Editoração Eletrônica: ABREITS SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-3654/2524-8037

Impressão: RR DONNELLEY

Tel.: (55 XX 11) 2148-3500



www.rrdonnelley.com.br

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Aos cuidados de Virgínia Rivera

virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

CAPÍTULO UM
Rápido, Lou! Veja só o bonitão que entrou no escri­tório!

Louisa DiMarco repousou os dedos sobre o teclado do computador ao ouvir a exclamação da sua assistente edito­rial, Tracy.

— Não me atrapalhe, Tracy! Estou com o prazo quase es­gotado para terminar este artigo. E levo o meu trabalho muito a sério para desperdiçar o meu tempo com futilidades.

Louisa era uma profissional responsável e uma das mais respeitadas cronistas contratadas pela Blush Magazine para a redação de artigos especializados. E o artigo que elaborava no momento, sobre os prós e contos das cirurgias plásticas para aumento de mama, estava lhe dando uma grande dor de cabe­ça. Não conseguia decidir-se sobre onde estavam os prós. Por conta disso, não queria que Tracy a distraísse por causa de algum homem bonito que acabara de avistar no escritório.

— Esse garanto que vale a pena, Lou. Não vai querer perder essa oportunidade, vai?

Louisa mantinha a cabeça baixa e prosseguiu digitando por mais uns dois segundos.

— Santo Deus! — ela exclamou e clicou na tela para salvar o trecho. — Está bem. Apenas uma rápida espiada. E, sinceramente, espero que valha a pena! — exclamou Louisa, convencida de que mesmo uma dedicada redatora de artigos como ela, merecia alguma diversão em uma das mais entediantes tardes de sexta-feira.

Louisa afastou a cabeça do monitor para conseguir um ângulo mais favorável. Contudo, não esperava nada de muito espetacular, tendo em vista que o gosto de Tracy para homens não era nada encorajador. Com certeza o que a ou­tra considerava um bonitão, não conseguiria fazer com que Louisa se sentisse mais atraída do que as fotos que ficara analisando a tarde toda.

— Onde é que está o "Adônis", Tracy?

— Logo ali — Tracy apontou com um dedo para o canto mais distante do salão. — Aquele que está conversando com o Piers. Ele não é magnífico?

Louisa lançou um sorriso para a assistente. Era bom sa­ber que Tracy não era a única "alucinada" do escritório. No momento em que seu olhar cruzou a extensão lotada de me­sas de trabalho, onde os jornalistas digitavam como loucos as últimas notícias da sexta-feira que precedia à edição da revista, avistou duas funcionárias que se contorciam para poderem espiar na direção da mesa da recepcionista. Loui­sa piscou. Tracy não apenas a surpreendera, como a deixara atônita.

Louisa tinha que dar o braço a torcer. O homem real­mente era muito bonito. Principalmente olhando pelo ângu­lo em que ela estava. Alto, moreno e de ombros largos. Tra­java um terno azul marinho de excelente qualidade. Adônis fazia com que o gerente editorial delas, Piers Parker, cuja altura atendia aos padrões da maioria dos homens, pareces­se um anão se comparado a ele.

— E então? O que achou? — Tracy perguntou com im­paciência.

— Bem, olhando-o de costas eu diria que ele é realmen­te magnífico. Mas preciso ver o rosto dele para ter uma conclusão final. Como sabe, ninguém entra para o hall da fama na DiMarco antes de passar pelo teste de um rosto bonito.

De pé, com as pernas levemente apartadas, Adônis pa­receu escolher aquele exato momento para colocar uma das mãos num bolso traseiro da calça. O movimento sú­bito parecia denunciar uma irritação que pretendia con­trolar. O gesto brusco fez com que a barra do paletó su­bisse e proporcionasse uma visão mais ampla do corpo perfeito.

Se ele apenas girasse o corpo um pouco mais e chegasse mais perto...

Foi o que Louisa pensou, enquanto pressionava a parte inferior da caneta esferográfica que segurava contra os lábios. Tentou ignorar um pressentimento vago de que co­nhecia o homem em questão.

De repente o ruído dos teclados com a rápida digitação começou a diminuir à medida que as mulheres jornalistas começaram a notar a presença do homem bonito e elegan­temente trajado. Louisa quase podia sentir a explosão cole­tiva de estrogênio no ar e alguns suspiros de admiração.

— Talvez ele seja o novo assistente do editor — Tracy arriscou um palpite, lotada de esperança.

— Duvido. O terno que ele está usando é da nova cole­ção de estação de Armani. E Piers está praticamente se cur­vando diante do homem. E isso significa que o nosso Adônis ou é um dos diretores do Magazine ou algum figurão da alta sociedade — opinou Louisa, embora não ficasse sur­presa se fosse algum astro do futebol, a julgar pelo porte atlético. Contudo, jamais vira um esportista que aparentas­se tanta sofisticação e tivesse maneiras requintadas.

Louisa ajeitou os cabelos instintivamente.

Deus!, ela exclamou em pensamento, percebendo que estava quase sem fôlego. Havia tanto tempo que não flerta­va com alguém, que já nem mesmo reconhecia os efeitos que essa emoção ocasionava. E ainda mais tempo que não se sentia empolgada com a presença de um homem bonito.

Os seus pensamentos começaram a divagar e uma ima­gem surgiu na mente. Louisa a afastou instantaneamente. Recusava-se a se lembrar do que acontecera há mais de três meses. Para ser exata, 12 semanas, quatro dias e 16 horas...

Contudo, o lampejo inconsciente a recordou do charmoso Luke Devereaux, Lorde de Berwick, rolando com ela na gra­ma em uma atitude ingênua e brincalhona. Ainda bem que aquela lembrança não tinha mais o poder de aborrecê-la.

Naquele instante, Louisa franziu o cenho, ao notar que Piers apontava na direção dela.

Que estranho!, pensou Louisa no momento em que o editor começou a aproximar-se dela e Adônis o seguia de perto.

Quando Louisa finalmente conseguiu enxergar o rosto do misterioso Adônis, sentiu-se fulminada com os olhos acinzentados familiares. O coração disparou feito o rufar de um tambor e o sangue nas veias pareceu concentrar-se in­teiramente no rosto. Os cabelos da nuca se arrepiaram tan­to, que pareciam arrancados pela raiz. E, à medida que ele avançava, o calor que lhe abrasava o rosto agora parecia espalhar-se pelo corpo, no mesmo momento em que a lem­brança que reprimia há tanto tempo, de repente aflorasse com toda a ferocidade — os dedos grossos a acariciando, os lábios sensuais provocando o ponto sensível da curvatura do pescoço e ondas sucessivas de prazer percorrendo a sua espinha sem parar. O emaranhado de sensações boas e ruins provocaram um verdadeiro nó no estômago. O que ele esta­ria fazendo ali? E não se tratava de nenhum Adônis. O ho­mem que se encaminhava na direção dela era o verdadeiro demônio em forma humana, concluiu Louisa, com um amargo ressentimento.

— Uau! Ele está vindo na nossa direção! — Tracy anunciou com entusiasmo. — Oh, meu Deus! Aquele não é o Lorde... Como é mesmo o nome dele? Você sabe, Lou­isa. Ele constava na lista do artigo que elaborou sobre os britânicos solteirões mais cobiçados. Talvez esteja aqui para agradecê-la.

Dificilmente, Louisa pensou. Ela já sabia exatamente qual fora a reação dele por causa daquele artigo, três meses atrás.

Ela se remexeu no assento e, após endireitar os ombros, cruzou as pernas, tentando ajustar as botas no vão e evitar que os saltos extremamente altos batessem contra a madei­ra da mesa.

Se ele se encontrava ali para tentar seduzi-la outra vez, estava muito enganado.

Ele se aproveitara da natureza dócil e como ela ficara fascinada pelo porte magnífico e o charme encantador da­quele homem. Mas isso acontecera três meses atrás. Agora Louisa estava perfeitamente prevenida.
Luke Devereaux dava longas passadas sobre o carpete en­quanto fixava os olhos em sua presa. Quase nem notava o gerente editorial que o acompanhava, ou a multidão de olha­res femininos que o admirava. Toda a sua concentração, como também sua indignação, se dirigiam exclusivamente para uma mulher em especial. E ela lhe parecia tão linda quanto ele se lembrava — cabelos loiros e brilhantes que emolduravam um rosto quase angelical. Roupas de grife e um decote que evidenciava a beleza da junção dos seios empinados e perfeitos. Pernas longas e bem torneadas. Botas de couro até o limite dos joelhos e saltos finos e altos. Uma razão extra para que ele se mantivesse na defensiva. Aparên­cias muitas vezes enganam e aquela mulher não era nenhum anjo. O que ela planejara fazer com ele poderia ser considerado como a pior coisa que uma mulher poderia fazer com um homem. Estava certo que as coisas haviam saído de con­trole três meses atrás. E ele tinha que admitir que grande parte da culpa fora dele próprio. Seu plano inicial havia sido apenas lhe proporcionar uma lição sobre respeitar a privaci­dade alheia, e não tirar vantagens dela, como fizera.

Porém, ela também tinha sua parcela de culpa. Ele concluiu.

Luke jamais conhecera uma mulher tão incauta e impul­siva. E, afinal, ele não era nenhum santo. Quando ela o olhou e se derreteu literalmente diante dele, o que supunha que faria? Ele não conhecia ninguém que fosse capaz de raciocinar com clareza se estivesse nas mesmas circunstâncias. Como essa mulher esperava que ele adivinhasse que ela não era tão experiente quanto demonstrava?

Apesar de tudo, uma coisa era certa: Luke se sentia cul­pado por ter agido como agiu. E, após ter tido uma conversa com um amigo em comum, Jack Devlin, na noite anterior, toda a culpa e remorso que sentia deram lugar a um senti­mento muito diferente, quando o outro lhe contou sobre uma vida inocente que resultará de tudo aquilo. E Luke es­tava disposto a fazer o que tivesse que ser feito para protegê-la. Por mais que ela se ressentisse das injustiças que ele pu­desse ter-lhe ocasionado no passado, Luke não teria dúvidas em fazê-la curvar-se diante da vontade dele agora. E quanto mais cedo ela soubesse disso, melhor seria. Louisa DiMarco saberia que Luke Devereaux jamais abandonaria seu dever. Ele guardava muito bem as palavras do falecido Lorde Berwick, ditas no primeiro e último encontro muito tempo atrás: "O que não mata só o torna mais forte." E Luke aprendera aquela lição da pior maneira, quando tinha apenas sete anos de idade. Assustado e sozinho, em um mundo que não conhecia, precisou aprender a nadar rápido ou afundaria.

E agora era hora da srta. DiMarco aprender a mesma lição.

Luke aproximou-se da mesa de trabalho de Louisa e no­tou o brilho de fúria nos incríveis olhos castanhos, a pele sedosa e bronzeada incendiada pela ira e o nariz empinado em atitude de desafio. Por um instante ele se imaginou des­lizando os dedos por aqueles cabelos loiros e macios e subjugando-a com um beijo arrebatador.

Para resistir àquela tentação, preferiu enfiar as mãos nos bolsos das calças e manter a expressão o mais serena possível.

Luke notou que Louisa não se intimidou com a presença dele.

O novo desafio fez com que a adrenalina jorrasse abun­dante em seu sangue. Ensinar aquela mulher a encarar suas responsabilidades poderia ser prazeroso. Ele até antecipava a primeira lição: fazer Louisa confessar o que já deveria ter dito semanas antes.

— Senhorita DiMarco, se não se importa, gostaria de ocupar um minuto do seu tempo.



CAPÍTULO DOIS
Desculpe-me, mas quem é o senhor? — Louisa inda­gou, fingindo que não o conhecia e ignorando o espanto de Tracy.

— Este é Luke Devereaux, o novo Lorde Berwick — anunciou Piers, como se estivesse apresentando o "rei do universo". — Não se lembra dele? Você o incluiu na sua lista dos solteirões mais cobiçado no artigo que publicou há alguns meses. Ele é o novo proprietário da...

Devereaux ergueu uma mão no ar, interrompendo Piers. Estava convicto de que ela o reconhecera perfeitamente.

— Ah!, estou certa de que vai me dizer algo fascinante. Porém, estou muito ocupada no momento e devo preveni-lo de que elegemos os solteirões mais cobiçados apenas uma vez ao ano. Quem sabe o senhor possa retornar no próximo ano e nós o entrevistaremos? — Louisa congratu­lou a si mesma, em pensamento, pela ousadia do insulto disfarçado. Sabia o quanto Luke desprezara o fato de tê-lo incluído no rol dos solteirões mais cobiçados, três meses antes.

Contudo, ela não conseguiu ter a satisfação de ver o re­sultado que esperava. Em vez de mostrar-se aborrecido, Luke apenas prosseguia olhando-a fixamente, sem ao menos piscar um olho. E para completar, curvou os cantos da boca num meio-sorriso e plantou as palmas das mãos sobre a escrivaninha dela. Depois inclinou a cabeça até próximo de um ouvido dela e sussurrou:

— Se quer ter essa discussão em público, para mim tan­to faz. Não sou eu quem trabalha aqui.

O perfume familiar da colônia que ele usava, fez com que Louisa movesse as pernas e sem querer um canto da bota se chocou contra a madeira da mesa. Ela não tinha idéia do que ele ia lhe dizer, mas a julgar pelo sorriso irôni­co, suspeitava que se tratasse de algo muito pessoal. E da mesma maneira como não desejava dar-lhe o mínimo espa­ço, também não seria conveniente ser humilhada na frente dos colegas de trabalho.

— Está bem, sr. Deveraux — ela respondeu em voz alta e desligou o computador. — Talvez possamos proceder a entrevista agora e, quem sabe, meu superior concorde em editá-la no próximo mês. Obviamente o senhor está ansioso para que as debutantes saibam o que "estão perdendo" — Louisa salientou com uma ponta de sarcasmo.

Ele se ergueu e deu um passo atrás. Ela percebeu um músculo mover-se no queixo quadrado. Dessa vez ela havia atingido o alvo em cheio, pensou satisfeita, enquanto apa­nhava a jaqueta.

— A senhorita está sendo muito gentil — Luke devol­veu, recuperando o autocontrole. — Prometo que não esta­rá desperdiçando o seu tempo.

Dirigindo a atenção para a assistente, Louisa avisou:

— Terminarei o artigo mais tarde.

— Você não retornará esta tarde — Devereaux murmu­rou, por trás dela.

Louisa girou o corpo para protestar, quando Piers in­terveio:

— O sr. Devereaux pediu para que você tirasse o dia de folga e eu já aprovei.

— O problema é que eu tenho um artigo para terminar ainda hoje — Louisa explicou, atônita. Piers normalmente se comportava como um nazista em questão de prazos.

— A Pam poderá substituir com outra matéria e o seu artigo poderá ficar para o próximo mês. Se o sr. Devereaux precisa que você o acompanhe, deveremos respeitar a von­tade dele.

"O que significava aquilo?", pensou Louisa, espantada. Desde quando o editor da Blush Magazine se importava em agradar aristocratas arrogantes como Luke Devereaux?

Enquanto isso, Devereaux, que ouvia Piers com aparente indiferença, apanhou a bolsa que estava em cima da escri­vaninha e perguntou:

— É sua?

Louisa assentiu.

— Então vamos — ele ordenou impaciente e, colocando a mão num cotovelo dela, conduziu-a gentilmente para fora do escritório.

Ela desejou gritar para que ele libertasse o seu braço, po­rém, com todos olhando na direção deles, Louisa preferiu suportar essa impertinência do que ocasionar uma cena na frente dos colegas. Dessa maneira, ela se deixou ser condu­zida através da escadaria como uma colegial obediente diante do mestre. Mas quando alcançaram a calçada da Camden High Street, a indignação de Louisa chegou ao ponto máxi­mo. Após livrar o braço da mão de Luke, ela esbravejou:

— Como ousou fazer isso? Quem você pensa que é?

Ele nada respondeu. Apenas abriu a porta do carro con­versível estacionado bem na frente do edifício, onde não era permitida a parada de veículos, e, após jogar a bolsa dela no assento traseiro, ordenou:

— Entre no carro.

— Não. Não vou entrar — ela se recusava a ser tratada como uma qualquer. Piers até podia se curvar diante da no­breza da posição dele, mas ela não era obrigada a suportar toda aquela arrogância. E para reforçar sua decisão, cruzou os braços frente ao peito, determinada a enfrentá-lo.

Luke ergueu uma sobrancelha.

— Entre no carro, Louisa — insistiu com a voz calma. — A menos que queira que eu a erga nos braços e a coloque no banco.

— Você não ousaria...

Ela nem terminara a frase quando sentiu que seus pés não estavam mais no chão. Indignada, começou a socar o peito que mais parecia uma parede sólida, antes de ser jogada feito um saco de batatas no assento do passageiro. Ouviu a porta ser batida e travada. Louisa ainda forçou com os joelhos para tentar abrir a porta novamente, porém seus movimentos eram restritos graças ao design justo do seu vestido.

No instante seguinte o carro se afastava em alta veloci­dade, fazendo com que o corpo dela tombasse pesadamente contra o encosto da poltrona.

— Acho melhor colocar o cinto de segurança, antes que se machuque — ele gritou para superar o barulho do motor.

— Deixe-me sair! Isto é um seqüestro! — as palavras saíram num grito furioso.

Manobrando o volante com apenas uma das mãos, Luke aproveitou a que estava livre para apanhar os óculos de sol do porta-luvas.

— Pare de ser melodramática — ele criticou e ajustou os óculos.

— Melodramática?! — Como ele ousava tratá-la desse modo? Nem mesmo o pai dela fizera isso e mesmo assim ela o enfrentara quando ainda era apenas uma adolescente. Com certeza não seria agora que iria suportar tamanha afronta:

— Como pode ser tão atrevido?

Ele diminuiu a velocidade do veículo para poder frear no próximo semáforo e aproveitou para falar:

— Acho que já demonstrei até onde a minha ousadia pode chegar. Você pode escolher entre me enfrentar e su­portar outra confusão, em que não conseguirá me vencer ou fazer o que eu digo e preservar sua preciosa dignidade.

Antes que ela pudesse pensar em uma resposta conve­niente, Luke engatou a marcha e acelerou assim que o sinal permitiu. Louisa quase saltou no banco.

— Já lhe avisei para colocar o cinto! — repetiu ele, en­quanto contornava uma esquina para seguir outra rua. Esta­va tão furioso que por pouco não atropelou dois pedestres que tentavam atravessar fora da faixa apropriada.

Luisa apressou-se em colocar o cinto de segurança. Afi­nal, não desejava se matar para salvar o amor-próprio. Em algum momento ele iria parar o carro, então ela aproveita­ria para falar o que sentia. Até lá, o melhor a fazer seria ficar calada.

Porém, o plano funcionou por apenas uns cinco minutos. A medida que ele diminuiu a velocidade do carro ao cruzar a Euston Road na direção da Bloomsbury, a curiosidade feminina a venceu:

— Aonde exatamente estamos indo, se é que me permite perguntar?

— Nossa! Quanta educação! — ele exclamou com um sorriso divertido.

— Não precisa ser tão sarcástico! Tenho o direito de sa­ber aonde está me levando!

Luke contornou mais uma esquina, freou e engatou a marcha à ré, retornando até estacionar em frente a um pré­dio de seis andares, com um terraço no estilo georgiano.

Ele desligou o motor do carro e apoiou um braço sobre o volante.

Direcionou o corpo na direção dela e falou:

— Agendei um horário para você — ele consultou o re­lógio. — Temos dez minutos — anunciou, como se aquilo explicasse tudo.

Os ombros de Luke pareciam mais largos do que Louisa se lembrava, trajando o terno de excelente qualidade e a camisa branca. Intimidador, ela diria.

Louisa espiou por cima de um ombro dele e leu a placa da rua.

— O que estamos fazendo na Harley Street?

O pequeno edifício onde pararam ostentava na entrada uma placa de bronze na qual constava o nome de dois mé­dicos. Aquilo fazia sentido. Harley Street era o setor da ci­dade que concentrava a maioria das clínicas particulares. Mas por que razão Luke a teria levado ali?

Ele tirou os óculos escuros dos olhos e os atirou no ban­co traseiro do carro.

— Responda-me uma coisa — pediu ele com a voz abor­recida. — Quando é que você pretendia me contar sobre isso?

— Contar-lhe sobre o quê? — perguntou Louisa, intriga­da pela forma como ele a olhava. Parecia que ela havia rou­bado as jóias da coroa e tinha sido pega em flagrante!

Luke direcionou o olhar para o abdômen feminino. Ela cruzou os braços numa atitude defensiva.

— Sobre o bebê, é claro!

CAPÍTULO TRÊS
Que bebê? Ficou maluco?

Louisa estendeu a mão direita para agarrar a maçaneta da porta. Precisava sair do carro, antes que Luke pirasse de vez.

Num gesto rápido ele a segurou pelo pulso:

— Não se faça de inocente! Já estou sabendo sobre a gravidez. Sua mudança de humor, as queixas sobre os en­jôos e principalmente o fato de estar com seu período atra­sado. — Naquele ponto, Luke direcionou o olhar para o busto feminino. — E outras coisas mais que posso compro­var por mim mesmo.

— Por acaso anda espionando meu banheiro?

— Não. Jack me contou.

— Jack Devlin lhe disse que eu estou grávida? — ela berrou, pouco se importando se todos na Harley Street a ouvissem.

A menção do nome do marido de Mel, a melhor amiga de Louisa, era o que menos esperava. Havia se esqueci­do de que Jack e Devereaux eram amigos. E agora, Luke dizia que o outro lhe contara que ela estava grávida. Na primeira oportunidade em que Louisa visse Jack, seria capaz de estrangulá-lo!

— Bem, ele não disse com todas as palavras... Estáva­mos conversando a respeito da última gravidez de Mel e Jack comentou que a esposa estava desconfiada que você estivesse grávida e que estava fazendo segredo por alguma razão desconhecida.

"Que ótimo!", exclamou Louisa em pensamento. Agora teria que estrangular Mel, também.

— Não me diga que contou a Jack sobre o que houve entre nós...

Louisa se sentia tão humilhada com o que acontecera, que não contou nem para Mel, apesar de nunca ter escon­dido nada da amiga. Como poderia revelar que dormira com um homem em seu primeiro encontro e que descobri­ra o quanto o sexo poderia ser fantástico? E, logo em se­guida, ter descoberto que o seu "príncipe encantado" na verdade tinha fingido o tempo todo. Não passava de um homem frio e manipulador que a seduzira, apenas para se vingar de um artigo que ela havia escrito, do qual ele não gostara.

— Eu não contei nada para Jack. Estava mais interessa­do no que ele tinha para me dizer sobre você.

Luke a olhava como se tivesse o direito de estar zangado. Subitamente, Louisa sentiu-se cansada dele e de toda aquela confusão. A única coisa que importava naquele momento seria livrar-se daquele homem o mais rápido possível.

— Eu não estou grávida. E, para dizer a verdade, já me cansei dessa conversa inútil. Vou voltar ao meu trabalho — afirmou decidida e ameaçou abrir a porta. Ele a impediu novamente.

— Quando foi seu último ciclo?

— Não vou responder isso. E, por favor, deixe-me ir embora.

Luke aumentou a pressão nos dedos que enlaçavam o pulso feminino e ameaçou:

— Não irá a lugar algum até que diga o que preciso saber.

— Isso é ridículo! Não há nada que eu tenha para lhe dizer!

Louisa deitou a cabeça no suporte do banco e cerrou as pálpebras com força. Não estava grávida. E tudo o que ti­nha a fazer seria convencê-lo disso. Só assim ele a deixaria em paz. E, quem sabe, não precisasse vê-lo nunca mais.

Louisa abriu os olhos e notou que ele permanecia impla­cável e determinado como sempre. Ela tentou lembrar-se de quando fora o seu último período. Um calor subiu ao rosto ao recordar que já fazia um bom tempo que o ciclo estava mesmo atrasado. Mas ela sempre tivera períodos irregulares. Isso não significava que estivesse grávida. E es­tava certa de ter tido pelo menos um ciclo depois que eles fizeram amor. E, também, tivera o cuidado de realizar um teste caseiro de gravidez.

—A propósito, se quer saber, eu fiz um teste de gravidez e o resultado foi negativo.

Luke estreitou os olhos.

— Quando é que fez esse teste?

— Não sei exatamente, mas foi logo após o nosso en­contro.

— E seguiu as instruções corretamente?

— O suficiente para saber que não estava grávida. —Con­tudo, um rubor inconsciente a corou, diante da mentira. Na verdade, ela nem mesmo se importara em ler as instruções. Mas, e daí? A maioria das pessoas não se importa com isso.

— Tenho minhas dúvidas — afirmou Luke.

Louisa ficou tão indignada que sentiu a musculatura se contrair.

— Não fale comigo como se eu fosse alguma idiota! Eu fiz o teste e o resultado foi negativo. E, além disso, eu já tive um ciclo depois do nosso encontro. — Apesar de ter sido um ci­clo muito leve, foi o suficiente para que ela se tranqüilizasse.

Louisa tentou libertar o pulso da pressão dos dedos dele mais uma vez.

Ele a manteve cativa e franziu o cenho:

— Nosso encontro foi há mais de três meses. Está me dizendo que teve apenas um ciclo em todo esse tempo?

— Eu tenho períodos irregulares — ela confessou, sen­tindo no rosto o calor aumentar. Por que razão estava discu­tindo com aquele homem sobre seus problemas de ciclos irregulares? — Ouça. Não existe gravidez alguma. E nem sequer essa possibilidade.

Luke consultou novamente o Rolex de prata no pulso.

— Eu agendei uma consulta para você com uma das me­lhores ginecologistas de Londres. Ela poderia começar com um teste laboratorial de gravidez.

— E fez isso sem nem me consultar antes? Quem você pensa que é?

— Possivelmente o pai do seu filho — ele insistiu, sem ao menos lhe dar a chance de responder. — Você sabe muito bem que o preservativo se rompeu, Louisa — ele lhe liberou o pulso e começou a apontar as possibilidades nos dedos de uma mão. — Você está com o ciclo atrasado há meses; há al­gumas semanas sofre enjôos repetidos; e seus seios aumenta­ram de volume. O mais sensato seria fazer um novo teste de gravidez. E, de preferência, um que seja plenamente seguro. O comentário dele sobre o aumento dos seios a deixou embaraçada.

— Pois eu afirmo que não estou grávida. E, mesmo que estivesse, o que o faz ter tanta certeza de que seria o pai? Eu poderia ter dormido com outros homens nesse tempo todo.

— Poderia, mas não dormiu.

Luke falava com tanta certeza que Louisa sentiu vontade de esbofeteá-lo.

— Será que o seu ego não tem limites? Por acaso se acha tão memorável a ponto de eu não ter dormido com mais ninguém? — ela estava tão indignada, que preferiria mentir a admitir a verdade diante da arrogância de Luke. — Pois saiba que está muito enganado.

Ele bufou e desviou o olhar para a janela do carro.

— Pare de fingir ser o que não é! Eu sabia com quem estava lidando no minuto em que a penetrei.

Louisa não saberia dizer se o que via nos olhos dele era pena ou remorso.

Ela sentiu o sangue queimando seu rosto, porém, para irritá-lo, baixou o olhar para a braguilha dele e provocou:

— Vai me dizer que tem um radar aí embaixo?

— Quem dera se eu tivesse — ele se lamentou. — Jamais teria feito amor com você se soubesse que era tão ingênua.

— Não precisa se sentir culpado por isso. Afinal, eu não era virgem.

— Sei disso. Mas o fato de não ser virgem não afeta sua maneira de ser. Sinto muito pelo que aconteceu naquela noite. Eu imaginava que você fosse diferente. Não tive a intenção de magoá-la.



"Sim. Você teve essa intenção." Ela sentiu vontade de dizer, mas não falou. Era uma análise pessoal. Se Luke ha­via notado o quanto ela era sensível, sabia que a estaria humilhando.

— Tenho certeza de que essa conversa franca é muito comovente, mas não muda o fato de que não temos nada para discutir.

— Decidiremos isso assim que sair o resultado do teste de gravidez.

Luke tornou a usar um tom autoritário na voz. Ela pode­ria rebatê-lo se quisesse e provavelmente deveria. Porém, sentia-se exausta. Só queria livrar-se logo daquela situação e dele também. Afinal, submeter-se a um teste de gravidez não seria tão difícil. Com o acréscimo de se divertir com a cara que ele faria quando o resultado desse negativo.




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