Sendo o equinócio, volume III, NÚmero V



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O Universo Virgem *
* De The Vision and the Voice, nono Aethyr.
“Chegamos a um palácio do qual cada pedra é uma jóia separada, engastada com milhões de luas.
“E este palácio não é senão o corpo de uma mulher, orgulhoso e delicado, e que ultrapassa a imaginação em beleza. Ela é como uma criança de doze anos. Ela possui pálpebras muito profundas e cílios longos. Seus olhos estão fechados, ou quase fechados. É impossível dizer qualquer coisa acerca dela. Está nua; seu corpo inteiro é coberto de finos pelos de ouro, os quais são as flamas elétricas que são as lanças de poderosos e terríveis Anjos, cujos peitos de armas são as escamas da pele dela. E os cabelos de sua cabeça, os quais flutuam até seus pés, são a própria luz do próprio Deus. De todas as glórias contempladas pelo Vidente nos Aethyrs não há sequer uma digna de ser comparada à unha do menor dos dedos dela. Pois embora ele não possa participar do Aethyr sem as preparações cerimoniais, mesmo a contemplação desse Aethyr é de longe como a participação de todos os Aethyrs anteriores.
“O Vidente está perdido no espanto, que é Paz.
“E o anel do horizonte acima dela é uma companhia de gloriosos Arcanjos de mãos dadas, que se levanta e canta: Esta é a filha de BABALON, a Bela, que ela gerou para o Pai de Tudo. E para todos ela a gerou.
“Esta é a Filha do Rei. Esta é a Virgem da Eternidade. Esta é aquela que o Santo arrancou do Tempo Gigante e o prêmio daqueles que superaram o Espaço. Esta é aquela que é colocada no Trono do Entendimento. Santo, Santo, Santo é o nome dela, não para ser falado entre os homens. Pois de Koré eles a chamaram, e de Malkah, e de Betulah, e de Perséfone.
“E os poetas simularam canções a respeito dela, e os profetas discursaram coisas vãs, e os jovens sonharam sonhos vãos: mas esta é ela, essa imaculada, o nome de cujo nome não se permite enunciar. O pensamento não é capaz de penetrar a glória que a preserva e nos mais antigos livros de magia não há nem palavras para conjurá-la nem adorações para louvá-la. A vontade se dobra como um junco nas tempestades que varrem as fronteiras de seu reino, e a imaginação não é capaz de figurar mais do que uma pétala dos lírios nos quais ela se coloca no lago de cristal, no mar de vidro.
“Esta é aquela que ornou seu cabelo com sete estrelas, os sete alentos de Deus que movem e vibram sua excelência. E ela cansou seu cabelo com sete pentes, onde estão escritos os sete nomes secretos de Deus que não são conhecidos mesmo dos Anjos, ou dos Arcanjos, ou do Condutor dos exércitos do Senhor.
“Santo, Santo, Santo és tu, e abençoado seja teu nome para sempre, para quem os Aeons são tão-só pulsações de teu sangue.”

TERCEIRA PARTE - AS CARTAS DA CORTE

((ilustr. Ás de Espadas))



III

OBSERVAÇÕES GERAIS


Estas cartas constituem uma análise pictórica dos poderes das quatro letras do nome * e dos quatro elementos. Referem-se também ao zodíaco, mas em lugar de atribuir os três decanatos de cada signo a uma carta, a influência principia com o último decanato de um signo e continua com o segundo decanato do seguinte. Existe uma outra dificuldade. Poder-se-ia muito bem esperar que a atribuição do elemento se harmonizasse com a atribuição zodiacal, mas não é assim. Por exemplo, seria de se esperar que a parte ígnea do fogo se referisse ao mais ativo dos signos do fogo, a saber, Áries. Pelo contrário, ela representa o último decanato de Escorpião e os dois primeiros de Sagitário, que é a parte aquosa do fogo no zodíaco, e a de influência mais suave.
* O Tetragrammaton, ou seja, YHVH ((grafar em hebraico na editoração)) (NT).
A razão disso é que no domínio dos elementos todas as coisas estão mescladas e confundidas; ou, como o apologista poderia dizer, contra-checadas e contrabalançadas. A conveniência desses arranjos é que essas cartas são adequadas ao serem descritivas, de uma maneira aproximada e empírica, de tipos diversos de homens e mulheres. Pode-se dizer resumidamente que qualquer dessas cartas constitui um retrato da pessoa cujo sol, ou cujo signo ascendente em sua natividade, caia dentro da atribuição zodiacal da carta. Assim, uma pessoa nascida a 12 de outubro poderia possuir muitas das qualidades da rainha de Espadas, enquanto que se tivesse nascido logo antes da meia-noite, ela teria acrescentadas muitas das características do príncipe de Bastões.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS QUATRO DIGNITÁRIOS


Os cavaleiros representam os poderes da letra Yod no nome. Constituem a parte mais sublime, original e ativa da energia do elemento, motivo pelo qual são representados montados à cavalo e envergando armadura completa. A ação deles é célere e violenta, mas passageira. No elemento fogo, por exemplo, o cavaleiro corresponde ao relâmpago, no elemento água à chuva e às fontes, no elemento ar ao vento, e no elemento terra às montanhas. É muito importante a título de exercício mental desenvolver para si essas correspondências entre o símbolo e as forças naturais que representa, sendo essencial para o trabalho mágico prático ter assimilado esse conhecimento.

As rainhas representam a letra do nome. São os complementos dos cavaleiros. Recebem, fermentam e transmitem a energia original de seu cavaleiro. Ligeiras na recepção dessa energia, as rainhas estão também qualificadas para durar pelo período de sua função. Mas elas não são o produto final. Representam o segundo estágio no processo de criação do qual o quarto e último estado é a realização material. São representadas sentadas sobre tronos. Isto enfatiza o fato de serem indicadas para exercer funções definidas.


Os príncipes representam as forças da letra Vau no nome. O príncipe é o filho da rainha (a filha do antigo rei) pelo cavaleiro que a conquistou, sendo, por isso, representado numa biga, avançando para levar a cabo a energia combinada de seus pais. Ele é o produto ativo da união deles e sua manifestação. É a imagem intelectual de sua união. Sua ação é conseqüentemente mais duradoura do que a de seus ascendentes. Num aspecto, de fato, o príncipe adquire uma relativa permanência porque é o registro público do que foi feito em segredo. Além disso, ele é o deus que morre redimindo sua noiva na hora e em virtude de seu assassinato.
As princesas representam a final do nome. Representam o produto final da energia original em seu complemento, sua cristalização, sua materialização. Representam, ademais, o contrabalanceamento, a reabsorção da energia. Representam o silêncio para o qual todas as coisas retornam. São, assim, ao mesmo tempo permanentes e não-existentes. Um exame da equação 0 = 2.
As princesas não possuem atribuição zodiacal. Contudo, evidentemente representam quatro tipos de ser humano. São aquelas numerosas pessoas “elementares” que reconhecemos por sua falta de todo senso de responsabilidade, cujas qualidades morais parecem “não causar forte impressão.” São subdivididas de acordo com a predominância planetária. Tais tipos têm sido reiteradamente descritos na ficção. Como Éliphas Lévi escreveu: “O amor do Mago por essas criaturas é insensato e pode destruí-lo”.
As relações entre esses quatro elementos do nome são extraordinariamente complexas, e sua discussão está inteiramente além dos limites de qualquer tratado ordinário; mudam a cada aplicação do pensamento ao seu significado.
Por exemplo, mal fez a princesa sua aparição e o príncipe a conquista em casamento e ela é colocada no trono de sua Mãe. Ela assim desperta a longevidade do velho rei original, o qual logo após se converte num jovem cavaleiro, e deste modo renova o ciclo. A princesa não se limita a ser a perfeita donzela, mas, devido à morte do príncipe, também a é viúva desconsolada que lamenta. Tudo isto ocorre nas lendas características do Aeon de Osíris. É decididamente quase impossível desenredar essas complicações, mas para o estudante será suficiente que se satisfaça em trabalhar com uma lenda por vez.
É natural que o Aeon de Osíris, o regímen do ar, do conflito, do intelecto deva assim ser confuso, que seus símbolos e fórmulas devam se sobrepor, devam se contradizer entre si. É impossível harmonizar as numerosas fábulas ou parábolas, porque cada uma foi inventada para frisar alguma fórmula considerada imperativa para atender à alguma finalidade local ou temporal.

DESCRIÇÃO SUMÁRIA DAS DEZESSEIS CARTAS DA CORTE



Cavaleiro de Bastões
O cavaleiro de Bastões representa a parte ígnea do fogo. Rege do vigésimo primeiro grau de Escorpião ao vigésimo grau de Sagitário. Ele é um guerreiro em armadura completa. Como cimeira do seu elmo ele usa um cavalo negro. Em sua mão porta uma tocha flamejante e uma chama também em seu manto. Ele cavalga as chamas. Seu cavalo é um corcel negro que empina.
As qualidades morais próprias a esta figura são atividade, generosidade, ardor, impetuosidade, orgulho, impulsividade, celeridade em ações imprevisíveis. Se energizado erroneamente, ele é malvado, cruel, intolerante e brutal. Ele é num caso ou outro mal qualificado para dar seguimento à sua ação; não dispõe de recursos para modificá-la conforme as circunstâncias. Se falha em seu primeiro esforço, não tem a que recorrer.
No Yi King, a parte ígnea do fogo é representada pelo qüinquagésimo primeiro hexagrama, Kan. A significação aí dada é inteiramente concordante com a doutrina do Tarô, mas grande ênfase é depositada no caráter surpreendente, perigoso e revolucionário dos eventos cognatos. O inquiridor é aconselhado a ser perspicaz e, todavia, tranqüilo, resoluto e enérgico: acautelar-se com ações inoportunas, mas ir à frente com firme confiança em sua própria habilidade.
Todas essas correspondências do Yi King devem ser estudadas naquele livro (S. B. E., vol. XVI) e aqui é feita referência ao texto quando trechos importantes são longos demais para serem convenientemente citados.

Rainha de Bastões
A rainha de Bastões representa a parte aquosa do fogo, sua fluidez e cor. Além disso, ela rege no zodíaco do vigésimo primeiro grau de Peixes ao vigésimo grau de Áries. Sua coroa é encimada com o globo alado e raios de chama. Seu longo cabelo vermelho dourado desliza sobre sua armadura de cota de malha em escamas. Está sentada num trono de chama, disposto em luz geométrica pelo poder material dela. Abaixo do trono as chamas ondulantes são estáveis. Ela segura um bastão na mão esquerda, o qual é, entretanto, encimado por um cone sugestivo dos mistérios de Baco. É servida por um leopardo agachado de cabeça erguida sobre cuja cabeça ela pousa a mão. O rosto dela expressa o êxtase de alguém cuja mente está bem introspectivamente seduzida pelo mistério alimentado sob seu peito.
As características da rainha são adaptabilidade, energia persistente, autoridade tranqüila que ela sabe como usar para aumentar sua atração. Ela é amável e generosa, mas a oposição a impacienta. Tem imensa capacidade para a amizade e o amor, mas sempre mediante sua própria iniciativa.
Há tanto orgulho nesta carta quanto no cavaleiro, mas falta-lhe a nobreza espontânea que escusa aquele erro. Não se trata de orgulho genuíno, mas sim de vaidade auto-complacente e mesmo esnobismo.
O outro lado de seu caráter é que ela pode ter uma tendência para cismar, chegar a uma decisão errada a partir daí e reagir com grande selvageria. Ela é facilmente enganável e então é provável que se mostre estúpida, obstinada, tirânica. Pode não tardar a ofender-se e abrigar desejo de vingança sem boa causa. Poderia voltar-se e ser ríspida com seus melhores amigos sem uma justificativa inteligível. Ademais, quando ela erra a mordida, quebra a mandíbula !
No Yi King a parte aquosa do fogo é representada pelo décimo sétimo hexagrama, Sui. Indica reflexão sobre o impulso e o conseqüente fluxo uniforme da ação. Há uma grande capacidade para a concepção lúcida e o firme prosseguimento do trabalho, mas isto é somente sob o comando e a orientação de alguma mente criativa. Há uma tendência a ser volúvel, mesmo desleal; as idéias que ela acata não produzem impressão profunda ou permanente. Ela se “apegará ao garoto e deixará escapar o homem maduro e experiente” ou o contrário (linhas 2 e 3) sem compreender o que está fazendo. É passível de acessos de melancolia que ela procura curar com rodadas de bebida ou explosões apavoradas de fúria imponderada.

Príncipe de Bastões
O príncipe de Bastões representa a parte aérea do fogo, com sua faculdade de expansão e volatilização. Rege do vigésimo primeiro grau de Câncer ao vigésimo grau de Leão. Ele é um guerreiro de armadura completa de cota de malha escamada, mas seus braços são nus devido ao seu vigor e atividade.* Usa uma coroa de raios encimada por uma cabeça de leão alada, e dessa coroa pende uma cortina de chamas. No seu peito está o sigillum de To Mega Therion. Em sua mão esquerda ele porta o bastão da fênix do Segundo Adepto (no ritual de 5 = 6 da R. R. et A. C. ), ((acrescer símbolos na editoração)) o bastão do poder e energia, enquanto que com seu outro braço ele segura as rédeas do leão que tira sua biga,** a biga que é fortalecida por uma roda que irradia chamas. Ele conduz a biga sobre um mar de flamas, tanto onduladas quanto salientes.
* Isto na versão original do Tarô de Thoth. Em todas as posteriores o príncipe de Bastões não enverga armadura (NT).

** Na versão original do baralho. Em todas as posteriores o bastão é empunhado pela mão direita e o braço esquerdo segura as rédeas (NT).


As qualidades morais próprias a esta figura são vivacidade e força. Mas ele se inclina, por vezes, para a ação sob impulso; por vezes facilmente guiado por influências externas; às vezes, especialmente tratando de insignificâncias, ele é presa da indecisão. É freqüentemente violento, particularmente ao expressar uma opinião, mas não mantém necessariamente a opinião que defende tão enfaticamente. Enuncia uma proposição vigorosa pelo simples motivo de enunciá-la. Na verdade, ele é muito lento para decidir-se inteiramente sobre qualquer assunto, mas sempre enxerga ambos os lados de toda questão. É essencialmente justo, mas sente sempre que a justiça não é para ser atingida no mundo intelectual. Possui caráter intensamente nobre e generoso. Pode ser um extravagante fanfarrão, enquanto que às escondidas ri tanto do objeto de sua jactância quanto de si mesmo por jactar-se daquilo. É romântico, especialmente em assuntos referentes à história e a tradição, até as raias da loucura e pode engendrar “truques” e pregar elaboradas peças. É possível que escolha algum joão-ninguém inofensivo e o persiga durante anos munido de todas as armas de ridicularização, tal como Swift atormentava o infeliz Partridge, tudo sem o menor ânimo, pronto para abrir mão da camisa que usa se sua vítima a estar necessitando. Seu senso de humor é onívoro e pode fazer dele uma figura misteriosa, temida sem razão por pessoas que efetivamente nada sabem a respeito dele salvo seu nome - como um símbolo de terror. Isto se deve à influência do último decanato de Câncer sobre esta carta. Uma de suas maiores faltas é o orgulho. Alimenta um desprezo infinito por mesquinhez e pequenez de qualquer espécie. Sua coragem é fanaticamente forte e sua tolerância, incansável. Está sempre lutando contra probabilidades, e sempre vence a longo - longuíssimo - prazo, o que se deve principalmente à sua enorme capacidade de trabalho, o qual ele exerce pelo próprio trabalho, “sem ânsia de resultado”; talvez seu altivo desprezo pelo mundo como um todo - que, contudo, coexiste com profundo e extático respeito pelo “todo homem e toda mulher” como “uma estrela” - seja responsável por isso.
Quando esta carta é mal dignificada o caráter degenera. Cada uma das qualidades mencionadas anteriormente é flagrada em sua antítese. Há grande crueldade nele, em parte sádica e em parte devida à insensibilidade que nasce da indiferença, e - num certo sentido - preguiça ! Assim, ele pode ser também intolerante, preconceituoso e ocioso, principalmente porque isto lhe poupa problemas. Além disso, ele pode ser um fanfarrão vazio e um grande covarde.
No Yi King, a parte aérea do fogo é representada pelo quadragésimo segundo hexagrama, Yi, que significa adição, aumento. Repleto de virtude e confiante disto ele contempla o labor de alcance estupendo, freqüentemente com a idéia expressa na linha 5: “com coração sincero buscando beneficiar tubo abaixo”. Nisto pode atingir enorme sucesso. Mas este curso é desmedidamente perigoso. “Vemos um para cujo aumento nenhum contribuirá, enquanto muitos tentarão assaltá-lo. Ele não acata nenhuma regra regular na disposição de seu coração” (linha 6). Evitado esse período, surgem “partidos que acrescentam ao suprimento de seu assunto dez pares de carapaças de tartaruga cujos oráculos não podem ser opostos - que o rei as empregue apresentando suas oferendas a Deus.... “ (linha 2).

Princesa de Bastões
A princesa de Bastões representa a parte terrestre do fogo; poder-se-ia dizer que ela é o combustível do fogo. Esta expressão sugere a atração química irresistível da substância combustível. Ela rege os céus em um quadrante da porção em torno do pólo norte.
A princesa é, portanto, mostrada com as plumas da justiça fluindo como chamas de sua fronte; e ela está despida, indicando que a ação química só pode ocorrer quando o elemento está perfeitamente livre para combinar-se com seu parceiro. Ela porta um bastão coroado com o disco do Sol e salta numa chama ondulante que lembra, pela sua forma, a letra Yod.
Pode-se dizer que esta carta representa a dança da sacerdotisa virgem dos Senhores do Fogo, pois ela está a serviço do altar dourado ornamentado de cabeças de carneiros, simbolizando os fogos da primavera.
O caráter da princesa é extremamente individual. Ela é brilhante e arrojada. Cria sua própria beleza por seu vigor e energia essenciais. A força de seu caráter impõe a impressão de beleza sobre quem contempla. No ódio ou no amor ela é brusca, violenta e implacável. Consome tudo que adentra sua esfera. É ambiciosa e repleta de aspiração, cheia de entusiasmo amiúde irracional. Jamais esquece uma ofensa e a única qualidade de paciência a ser encontrada nela é a paciência com a qual fica de emboscada para se vingar.
Uma tal mulher, mal dignificada, exibe os defeitos dessas qualidades. Ela é superficial e teatral, completamente sem profundidade e falsa, e no entanto sem suspeitar que seja qualquer coisa do tipo, pois ela acredita inteiramente em si mesma, mesmo quando é aparente ao observador mais comum que ela está meramente no espasmo do humor. Ela é cruel, inconfiável, pérfida e tirânica.
No Yi King a parte terrestre do fogo é descrita pelo vigésimo sétimo hexagrama, i . Este mostra uma pessoa onívora em matéria de paixão de qualquer espécie, completamente indiferente quanto aos meios a serem empregados para obter satisfação, e insaciável. O comentário Yi é composto pela alternância da advertência e do encorajamento.
Cavaleiro de Copas
O cavaleiro de Copas representa a parte ígnea da água, o ligeiro ataque apaixonado da chuva e das fontes; mais intimamente, o poder de solução da água. Ele rege os céus do vigésimo primeiro grau de Aquário ao vigésimo grau de Peixes. Está trajado de armadura negra munida de asas claras que, somadas à postura do salto de seu cavalo de batalha indica que ele representa o aspecto mais ativo da água. Na mão direita segura uma taça da qual emerge um caranguejo, o signo cardeal da água, simbolizando agressividade. Seu totem é o pavão, pois uma das marcas da água sob sua forma mais ativa é o brilho. Há aqui também alguma referência aos fenômenos da fluorescência.
As características da pessoa por esta carta significada são, no entanto, majoritariamente passivas, de acordo com a atribuição zodiacal. Ele é gracioso, diletante, com as qualidades de Vênus, ou de um Júpiter débil. É afável de uma maneira passiva. É ágil para reagir à atração, tornando-se facilmente entusiasta sob tal estímulo, mas não é muito persistente. É sumamente sensível à influência externa, mas seu caráter carece de profundidade material.
Quando a carta é mal dignificada, ele é sensual, ocioso e mentiroso. E, no entanto, a despeito de tudo isso, possui uma inocência e pureza que constituem a essência de sua natureza. Porém ele é, no conjunto, tão superficial que é difícil alcançar essa profundidade. “Seu nome é escrito na água”.
No Yi King a parte ígnea da água é representada pelo qüinqüagésimo quarto hexagrama, Kwei Mei. O comentário é singularmente obscuro e um tanto sinistro. Trata das dificuldades de combinar corretamente opostos tais como fogo e água (compare com a rainha de Bastões, embora neste caso a água seja a influência tranqüilizadora e moduladora, enquanto que aqui é o fogo que cria problema). Vivacidade e violência se ajustam mal num caráter naturalmente plácido; é, de fato, raro encontrar uma pessoa que conseguiu harmonizar esses elementos conflitantes. Ele tende a descontrolar todos os seus negócios, e a menos que a pura sorte o atinja, sua carreira inteira será um registro contínuo de fracassos e desastres. Com freqüência sua “guerra civil “ mental termina em esquizofrenia ou insanidade melancólica. O abuso de estimulantes e narcóticos pode antecipar a catástrofe.
Rainha de Copas
A rainha de Copas representa a parte aquosa da água, o poder desta de recepção e reflexão. No zodíaco a regência é do vigésimo primeiro grau de Gêmeos ao vigésimo grau de Câncer. A imagem dela é de extrema pureza e beleza, com sutileza infinita; ver sua verdade é dificilmente possível pois ela reflete a natureza do observador com grande perfeição.
É representada entronizada sobre água tranqüila. Em sua mão segura uma taça semelhante a uma concha, da qual emerge uma pequena lagosta, e ela segura também o lótus de Ísis, da Grande Mãe. Ela tem como manto e véu curvas sem fim de luz, e o mar sobre o qual está entronizada transmite as imagens quase contínuas da imagem que ela representa.
As características associadas a esta carta são principalmente sonho, ilusão e tranqüilidade. Ela é a perfeita agente e paciente, capaz de receber e transmitir tudo sem que ela mesma seja afetada por isso. Se mal dignificada, todas estas qualidades se degradam. Tudo que passar por ela será refratado e distorcido. Mas, de modo geral, suas características dependem mormente das influências que a afetam.
No Yi King, a parte aquosa da água é representada pelo qüinqüagésimo oitavo hexagrama, Tui. O comentário é tão descolorido quanto a carta; consiste de suaves exortações a respeito do assunto prazer. Pode-se realmente dizer que normalmente pessoas desse tipo não possuem nenhum caráter próprio, a não ser que se possa chamar de característica estar à disposição de todo impacto ou impressão.
Há, entretanto, uma sugestão (linha 6) de que o prazer principal de pessoas desse tipo é conduzir e atrair os outros, sendo tais pessoas, conseqüentemente (com suficiente freqüência) demasiadamente populares.

Príncipe de Copas
O príncipe de Copas representa a parte aérea da água. De um lado, elasticidade, volatilidade, equilíbrio hidrostático; do outro, a faculdade catalítica e a energia do vapor d’água. Sua regência é do vigésimo primeiro grau de Libra ao vigésimo grau de Escorpião.
Ele é um guerreiro parcialmente trajado de armadura, a qual parece, contudo, mais um desenvolvimento do que um revestimento. Seu elmo é encimado por uma águia, e sua biga, semelhante a uma concha, também é tirada por uma águia. Suas asas são tênues, quase de gás. Trata-se aqui de uma referência ao seu poder de volatilização entendido no sentido espiritual.
Na mão direita ele tem uma flor de lótus, sagrada ao elemento água, e na mão esquerda ele segura uma taça da qual sai uma serpente.
O terceiro totem, o escorpião, não é exibido na figura, visto que a putrefação que representa constitui um processo extremamente secreto. Abaixo da biga vê-se a água tranqüila e estagnante de um lago sobre o qual a chuva se precipita pesadamente.
O simbolismo todo desta carta é sumamente complicado porque Escorpião é o mais misterioso dos signos e a porção manifestada dele simbolizada pela águia é, na realidade, a parte menos importante de sua natureza.
As características morais da pessoa retratada nesta carta são sutileza, violência reservada e destreza. O príncipe de Copas é intensamente reservado, um artista em todos os seus meios. À superfície ele parece calmo e imperturbável, mas se trata de uma máscara da mais intensa paixão. Superficialmente ele é suscetível a influências externas, mas as aceita somente para transmutá-las em proveito de seus projetos secretos. É, assim, completamente destituído de consciência no sentido ordinário da palavra, sendo portanto geralmente alvo de desconfiança por parte de seus vizinhos. Eles sentem que não o entendem e não poderão jamais fazê-lo. De modo que ele inspira um medo irracional. E ele é, de fato, insensível. Importa-se intensamente com o poder, a sabedoria e suas próprias metas. Não sente responsabilidade em relação aos outros, e embora suas habilidades sejam tão imensas, não se pode contar com ele para trabalhar sob a rotina de alguém.
No Yi King a parte aérea da água é representada pelo sexagésimo primeiro hexagrama, Kung Fu. Esta é uma das mais importantes figuras no Yi: ele “move mesmo porcos e peixes e conduz à grande boa fortuna”. Suas dignidade e correspondências são múltiplas e grandiosas porque ele é igualmente um “grande Li”, o trigrama do Sol formado pela duplicação das linhas. Julgando pelo formato, ele sugere um barco, mas também a figura geomântica de um cárcere, Saturno em Capricórnio.
Esta carta é, portanto, uma daquelas de grande poder; Libra passando para Escorpião é de uma energia e peso tremendos, ativos e críticos. Para tais pessoas boa vontade, sinceridade e combinação correta são os elementos essenciais do sucesso; seu perigo é a ambição jactanciosa.


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