Sendo o equinócio, volume III, NÚmero V



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Princesa de Copas
A princesa de Copas representa a parte terrestre da água, em particular, a faculdade de cristalização. Representa o poder da água de dar substância à idéia, sustentar a vida e formar a base da combinação química. É representada como uma figura que dança, trajada com uma veste flutuante sobre cujas orlas vêem-se cristais se formando.
Sua cabeça é encimada por um cisne de asas abertas. O simbolismo deste cisne lembra aquele do cisne da filosofia oriental, que é a palavra AUM ou AUMGN, que é símbolo de todo o processo da criação. *
* Consultar Magick, onde há uma análise e explicação completas desta palavra.
Ela segura uma taça coberta da qual emerge uma tartaruga. Trata-se mais uma vez da tartaruga que na filosofia hindu sustenta o elefante sobre cujas costas está o universo. Ela dança sobre um mar espumante no qual se entretém um dourado, o peixe real, que simboliza o poder da criação.
O caráter da princesa é infinitamente gracioso. Residem em seu caráter toda a doçura, toda a voluptuosidade, gentileza, amabilidade e ternura. Ela habita o mundo do romance, no sonho perpétuo do arrebatamento. Sob um exame superficial poder-se-ia julgá-la egoísta e indolente, mas seria uma impressão completamente falsa pois de maneira silenciosa e fácil ela executa seu trabalho.
No Yi King, a parte terrestre da água é representada pelo quadragésimo primeiro hexagrama, Sun. Isto significa diminuição, a dissolução de toda a solidez. As pessoas descritas por esta carta são muito dependentes de outras, mas ao mesmo tempo úteis a estas. Raramente, no máximo, têm importância individualmente. Como auxiliadoras, são insuperáveis.

Cavaleiro de Espadas
O cavaleiro de Espadas representa a parte ígnea do ar; ele é o vento, a tempestade. Representa o poder violento do movimento aplicado a um elemento aparentemente controlável. Rege do vigésimo primeiro grau de Touro ao vigésimo grau de Gêmeos. Ele é um guerreiro com elmo e como cimeira deste ostenta uma asa revolvente. Montado num cavalo enlouquecido, ele se precipita pelos céus, o espírito da tempestade. Numa das mãos, uma espada, na outra, um punhal. Ele representa a idéia do ataque.
As qualidades morais de uma pessoa assim indicada são atividade e habilidade, sutileza e perícia. Ele é impetuoso, delicado e corajoso, mas completamente a presa de sua idéia, que a ele acode como uma inspiração sem reflexão.
Se mal dignificado, ausente o vigor de todas essas qualidades, ele é incapaz de decisão ou propósito. Qualquer ação que toma é facilmente eliminada do caminho pela oposição. Violência inadequada significa futilidade. “Chimaera bombinans in vacuo”.
No Yi King a parte ígnea do ar é representada pelo trigésimo segundo hexagrama, Hang. É a primeira oportunidade em que se revela simples demonstrar o estreito paralelismo técnico que identifica o pensamento e experiência chineses com aqueles do Ocidente. Pois o significado é longa continuação: “perseverança no bem-fazer, ou continuamente atuando a lei do próprio ser, “ como Legge coloca em sua nota ao hexagrama, o que parece incongruente em relação à idéia qabalística da energia violenta aplicada ao menos estável dos elementos. Mas o trigrama do ar também indica madeira, e o hexagrama pode ter sugerido o jorro irresistível da seiva e seu efeito no fortalecimento da árvore. Esta conjectura é apoiada pela advertência da linha 6: “A linha mais superior, dividida, mostra seu tópico excitando a si mesmo à longa continuação. Haverá mal. “
Assim entendido, a imagem da “chama ampliada da mente”, como Zoroastro a denomina, pode muito bem ser acrescida à descrição anterior. É a Vontade Verdadeira explodindo espontaneamente a mente. A influência de Touro impele para a estabilidade, e a do primeiro decanato de Gêmeos para a inspiração. Assim retratemo-lo “integer vitae scelerisque purus”, um feixe de luz do ideal absorvendo a vida toda em aspiração concentrada, passando do terrestre Touro ao exaltado Gêmeos. Aqui também é mostrado (como no Yi) o perigo ao assunto deste símbolo pois o primeiro decanato é a carta chamada interferência, ou no baralho antigo, força abreviada.


Rainha de Espadas
A rainha de Espadas representa a parte aquosa do ar, a elasticidade deste elemento, e seu poder de transmissão. Rege do vigésimo primeiro grau de Virgem ao vigésimo grau de Libra. Está entronizada nas nuvens. A parte superior de seu corpo está nua, mas ela veste um cinto radiante e um sarão. Seu elmo é encimado pela cabeça de uma criança e dela fluem nítidos raios luminosos, os quais iluminam seu império de rocio celestial. À mão direita ela tem uma espada, à esquerda a cabeça recém cortada de um homem barbudo. Ela é a percepção clara, consciente da idéia, a libertadora da mente.
A pessoa simbolizada por esta carta deve ser intensamente perceptiva, um arguto observador, um intérprete perspicaz, um individualista intenso, ágil e preciso para registrar idéias; na ação, confiante; no espírito, benevolente e justo. Os movimentos dessa pessoa serão graciosos e sua capacidade para dançar e se equilibrar, excepcional.
Se mal dignificada, todas essas qualidades serão dirigidas para propósitos indignos. Ela será perversa, dissimulada, velhaca e inconfiável, e desta maneira muito perigosa devido à beleza e encanto superficiais que a distinguem.
No Yi King, a parte aquosa do ar é representada pelo vigésimo oitavo hexagrama, Ta Kwo. A forma sugere uma trave frágil.
O caráter, em si excelente, não é capaz de sofrer interferência. Previdência e prudência, cuidado no preparo da ação constituem uma proteção (linha 1). Deve-se ganhar proveito, ademais, confiando-se na ajuda de camaradas aparentemente inconvenientes (linhas 2 e 5). Esta força estranha com freqüência proporciona a derrota da fraqueza inerente, podendo, inclusive, criar superioridade definida diante da circunstância (linha 4). Neste caso, pode haver a tentação de empreender aventuras estouvadas, pré-condenadas ao malogro. Mas mesmo assim, não se incorre em culpa (linha 6); as condições da Vontade Verdadeira foram satisfeitas, e o resultado é compensado pelo sentimento de que o procedimento correto (embora infeliz) foi adotado.
Tais pessoas extraem amor e devoção intensos dos pontos mais inesperados.
Príncipe de Espadas
Esta carta representa a parte aérea do ar. Pela sua interpretação particular, é intelectual, é um retrato da mente como tal. Rege do vigésimo primeiro grau de Capricórnio ao vigésimo grau de Aquário.
A figura deste príncipe está trajada com armadura de textura estreita adornada com padrão definido, e a biga que o transporta sugere (ainda mais estritamente) idéias de geometricidade. A biga é tirada por crianças aladas, as quais olham e saltam irresponsavelmente em qualquer direção que motive sua fantasia; não estão submetidas às rédeas, mas sim perfeitamente guiadas por seu capricho. A biga, conseqüentemente, se move com suficiente facilidade, mas é totalmente incapaz de avançar em qualquer direção definida, a não ser acidentalmente. Eis um retrato perfeito da mente.
Sobre a cabeça desse príncipe, entretanto, há uma cabeça de criança radiante, pois existe uma coroa secreta na natureza desta carta; se concentrada, é exatamente Tiphareth.
A operação de seus processos lógicos mentais reduziu o ar, que é seu elemento, a muitos desenhos geométricos diversificados, mas nestes não há nenhum plano real; eles são demonstrações dos poderes da mente sem propósito definido. Em sua mão direita há uma espada erguida, recurso de criação, mas na esquerda há uma foicinha, de modo que o que ele cria, ele instantaneamente destrói.
Uma pessoa assim simbolizada é puramente intelectual. É cheia de idéias e projetos que se atropelam entre si. É uma massa de excelentes ideais desvinculados de esforço prático. Possui todo o aparato do pensamento no mais alto grau, é sobejamente inteligente, admiravelmente racional, mas instável quanto aos propósitos, e na realidade indiferente às suas próprias idéias, ciente de que qualquer uma delas é tão boa como qualquer outra. Reduz tudo à irrealidade pela remoção de sua substância e transmutando-a para um mundo ideal de raciocínio que é puramente formal e estranho à relação com quaisquer fatos, mesmo aqueles sobre os quais é baseado.
No Yi King a parte aérea do ar é representada pelo qüinqüagésimo sétimo hexagrama, Sun. É uma das mais difíceis figuras do livro devido à sua ambivalência: significa tanto flexibilidade quanto penetração.
Imensamente poderosas por causa de sua plena liberdade de princípios estabelecidos, capazes de manter e formular qualquer argumento conceptível, não suscetíveis de arrependimento ou remorso, loquazes para “citar as Escrituras” de maneira apropriada e sagazes para sustentar qualquer tese, indiferentes com relação ao destino de um argumento contrário apresentado dois minutos antes, impossíveis de serem derrotadas porque qualquer posição é tão boa quanto qualquer outra, prontas para entrar em combinação com o elemento mais próximo disponível, essas pessoas ardilosas e elásticas são valiosas somente quando firmemente dominadas por vontade criativa fortalecida por uma inteligência superior a delas. Na prática, isto é raramente possível: não há como conquistá-las, nem mesmo compactuando com seus apetites. E elas podem ser, entretanto, violentas , até incontroláveis. Excêntricos, aficionados da bebida, das drogas, do humanitarismo, da música ou da religião se enquadram freqüentemente nessa classe; mas mesmo quando é este o caso, não há ainda estabilidade. Perambulam de um culto ou vício para o outro, sempre defendendo brilhantemente com o fanatismo de uma convicção arraigada o que realmente não passa de um capricho do momento.
É fácil ser enganado por tais pessoas pois sua manifestação em si é enormemente potente: é como se um imbecil oferecesse a alguém os diálogos de Platão. Podem, deste modo, adquirir uma grande reputação tanto de profundidade quanto de largueza mentais.

Princesa de Espadas
A princesa de Espadas representa a parte terrestre do ar, a fixação do volátil. Ela realiza a materialização da idéia. Representa a influência do céu sobre a terra. Partilha das características de Minerva e de Ártemis, e há alguma sugestão da Valquíria. Ela tipifica numa certa medida a ira dos deuses, e aparece com elmo, cuja cimeira é a Medusa de cabelos de serpentes. Está de pé ante um altar improdutivo como se para vingar a profanação deste e desfere golpes descendentes com sua espada. O céu e as nuvens, que são sua casa, parecem irados.
O caráter da princesa é duro e vingativo. Sua lógica é destrutiva. Ela é rígida e agressiva, senhora de grande sabedoria prática e perspicácia no que diz respeito às coisas materiais. Demonstra grande habilidade e destreza na administração de negócios práticos, especialmente onde são de natureza controvertida. Ela é muito hábil no estabelecimento de controvérsias.
Se mal dignificada, todas estas qualidades se dispersam; ela se torna incoerente e todos os seus dons tendem a se combinar para formar uma espécie de velhacaria cujo fim não é digno do meio.
No Yi King a parte terrestre do ar é representada pelo décimo oitava hexagrama, Ku. Este significa “problemas”; é, no que concerne a todos os assuntos práticos e materiais, o símbolo mais desafortunado do livro. Todas as boas qualidades do ar se prostram pelo peso, são suprimidas, sufocadas.
As pessoas assim caracterizadas são mentalmente lentas, presas de constante ansiedade, esmagadas por qualquer tipo de responsabilidade, mas especialmente nos assuntos familiares. Um dos pais ou ambos serão geralmente encontrados na etiologia.
É difícil compreender a linha 6, que “ nos mostra alguém que não serve nem a rei nem a senhor feudal, mas num espírito altaneiro prefere seguir sua própria inclinação”. A explicação é que uma princesa assim, sendo “o trono do espírito”, pode sempre ter a opção de jogar tudo pela janela, “soprando tudo céu acima”. Tal ação seria explicável pelas características indicadas anteriormente no que diz respeito à carta quando bem dignificada. Tais pessoas são extremamente raras, e é suficientemente natural que surjam geralmente como “Filhos do infortúnio”. Entretanto, fazem a escolha certa e no devido tempo obtêm sua recompensa.

Cavaleiro de Discos
O cavaleiro de Discos representa a parte ígnea da terra e se refere particularmente aos fenômenos das montanhas, terremotos e gravitação, representando, contudo, também a atividade da terra considerada como produtora de vida. Rege do vigésimo primeiro grau de Leão ao vigésimo grau de Virgem, dizendo respeito, deste modo, muito à agricultura. Este guerreiro é baixo e robusto. Veste uma armadura de placas de grande solidez, mas seu elmo, encimado pela cabeça de um veado, está inclinado para trás, pois no momento sua função se limita inteiramente à produção de alimento, razão pela qual ele está armado com um mangual. O disco que ele porta, ademais, é bem maciço e representa a nutrição. Estas características são corroboradas pelo seu cavalo, um cavalo de tiro solidamente apoiado sobre todas as quatro patas, diferentemente do que ocorre com os demais cavaleiros. Ele cavalga pela terra fértil; mesmo as colinas distantes são campos cultivados.
As pessoas simbolizadas pelo cavaleiro de Discos tendem a ser morosas, pesadas e preocupadas com coisas materiais. São laboriosas e pacientes, mas dispõem de pouca compreensão intelectual mesmo dos assuntos que lhes dizem respeito muito intimamente. O sucesso que alcançam neste domínio se deve ao instinto, à imitação da natureza. Falta-lhes iniciativa; seu fogo é o fogo de combustão lenta sem chama do processo de cultivo.
Se mal dignificadas, essas pessoas são irremediavelmente estúpidas, servis, absolutamente incapazes de presciência mesmo em seus próprios negócios, ou de assumir um interesse inteligente em qualquer coisa exterior a elas. São rudes, rabugentas e ciumentas (de uma maneira obtusa) daquilo que compreendem instintivamente ser o estado superior dos outros, mas não dispõem da coragem ou inteligência para se aprimorarem. Contudo, se mantêm intrometendo-se de modo irritante em assuntos insignificantes; interferem e inevitavelmente estragam seja lá o que for que passe pelo caminho delas.
No Yi King, a parte ígnea da terra é representada pelo sexagésimo segundo hexagrama, Hsiao Kwo. Este é tão importante quanto seu complemento, Kung Fu (ver príncipe de Copas) ; é um “grande Khan “, o trigrama da Lua com cada linha dobrada. Mas também é sugestivo da figura geomântica Conjunctio, Mercúrio em Virgem, correspondendo muito de perto realmente à atribuição de fogo da terra no sistema qabalístico.
Para os sábios chineses, além disso, a forma da figura dá a idéia de uma ave. O significado é, conseqüentemente, modificado pela influência humana do tipo mais frívolo e irresponsável, a “insignificante prostituição atrevida” de Shakespeare, o “Souvent femme varie” * do cínico francês e o populacho volúvel de Coriolano; realmente, da própria história. Mas Mercúrio em Virgem simboliza a inteligência (e mesmo a idéia criativa) aplicada à agricultura e isto (mais uma vez !) harmoniza perfeitamente com o dez de Discos, que é regido por esse planeta e esse signo. Isso se soma à massa superabundante de evidência de que esse sistema inteiro de simbolismo é baseado nas realidades da natureza, como entendido pela escola materialista de ciência - se esta escola sobreviver em alguma universidade obscura e obsolescente ! Tal coerência, tal esfoliação introvertida não pode ser o paralelismo acidental dos sonhos de filosofias nebulosas.
* Com freqüência a mulher se altera (NT).
O caráter descrito por esta carta é portanto sumamente complexo, e no entanto admiravelmente bem entretecido; mas os perigos da carta são indicados pelos símbolos da Lua e a ave. Nos casos mais felizes, as qualidades assim indicadas serão o romance e a imaginação; mas a ambição jactanciosa, a busca do ignis fatuus, ** a superstição e o pendor para perder tempo no devaneio ocioso são riscos encontrados com demasiada freqüência junto a esses filhos do solo. Thomas Hardy pintou muitos retratos admiráveis desse tipo. De má estrela realmente e enegrecidos com fel são aqueles que profanaram o fogo sagrado, não acendendo a terra para a vida nova, mais copiosa, mais variada, mas perscrutando no luar falacioso, virando seus rostos para sua mãe-terra.
** Fogo-fátuo (NT).

Rainha de Discos
A rainha de Discos representa a parte aquosa da terra, a função deste elemento como mãe. Ela rege do vigésimo primeiro grau de Sagitário ao vigésimo grau de Capricórnio. Representa passividade, usualmente no seu aspecto mais elevado.
A rainha de Discos está entronizada sobre a vida da vegetação. Contempla o fundo, onde um rio tranqüilo flui sinuosamente por um deserto arenoso para trazer a este fertilidade. Oásis começam a se mostrar em meio à aridez. Diante dela se posta um bode sobre uma esfera. Há aqui uma referência ao dogma de que a Grande Obra é fertilidade. A armadura dela é composta de pequenas escamas ou moedas e seu elmo é adornado com os grandes chifres espiralados do markhor. *** Em sua mão direita ela segura um cetro encimado por um cubo, no interior do qual há um hexagrama tridimensional, e no braço esquerdo se encaixa seu próprio disco, uma esfera de lupes e círculos entrelaçados. Ela representa, assim, a ambição da matéria de participar da grande obra da criação.
*** Capra megaceros, grande bode da região norte da Índia; o markhor é chamado também de devorador de serpentes (NT).

As pessoas enquadradas na significação desta carta possuem o melhor das qualidades mais serenas. São ambiciosas, mas somente nas direções proveitosas. Possuem imensas reservas de afeto, amabilidade e grandeza de coração. Não são intelectuais e não especialmente inteligentes, porém instinto e intuição são mais do que adequados para suas necessidades. Estas pessoas são calmas, mourejadoras, práticas, sensatas, mansas, amiúde (de um modo reticente e despretensioso) lascivas e mesmo debochadas. São inclinadas ao abuso do álcool e das drogas. É como se só pudessem concretizar sua felicidade essencial saindo de si mesmas.


Se mal dignificadas, são obtusas, servis, tolas; são mais burros de carga do que trabalhadores. A vida para elas é puramente mecânica e não conseguem se erguer, ou sequer procurar se erguer, acima do quinhão que lhes foi apontado.
No Yi King, a parte aquosa da terra é representada pelo trigésimo primeiro hexagrama, Hsien, cujo significado é influência. O comentário descreve o efeito de mover várias partes do corpo, dos dedos do pé aos maxilares e a língua. Isto é mais um incremento do que foi dito anteriormente do que uma exata correspondência, embora ainda assim não haja discordância. O conselho geral é ir à frente sossegadamente sem ataque aberto às situações existentes.

Príncipe de Discos
O príncipe de Discos representa a parte aérea da terra, indicando a florescência e a frutificação deste elemento. Rege do vigésimo primeiro grau de Áries ao vigésimo grau de Touro.
A figura desse príncipe é meditativa. Ele é o elemento terra tornado inteligível. Trajado de armadura leve, seu elmo é coroado pela cabeça de um touro e sua biga é tirada por um boi, este animal sendo peculiarmente sagrado ao elemento terra. Em sua mão esquerda ele segura seu disco, que é uma esfera semelhante a um globo, marcada com símbolos matemáticos como querendo sugerir o planejamento envolvido na agricultura. Na mão direita ele segura um cetro de topo esférico encimado por uma cruz, um símbolo da Grande Obra realizada, pois é sua função produzir a partir do material do elemento aquela vegetação que é o alimento do próprio espírito.
O caráter indicado por essa carta é o da grande energia trazida para sustentar o mais denso dos assuntos práticos. O príncipe de Discos é energético e resistente, um administrador capaz, um trabalhador constante e perseverante. É competente, engenhoso, ponderado, cauteloso, confiável, imperturbável; está constantemente procurando novos usos para coisas comuns e adapta suas circunstâncias aos seus propósitos num plano lento, estável e bem concebido.
Quanto à emoção, esta lhe falta quase que inteiramente. Ele é um tanto insensível e pode parecer obtuso, mas não é; aparenta isto porque não faz nenhum esforço para compreender idéias que estejam além de seu alcance. Freqüentemente parece estúpido e tende a ser rancoroso com os tipos mais espirituais. Custa para zangar-se, mas se impulsionado à raiva, torna-se implacável. Não é muito praticável distinguir entre dignidade boas e más nesta carta; pode-se apenas dizer que em caso do príncipe de Discos ser mal dignificado, tanto a qualidade quanto a quantidade de suas características são um pouco degradadas. A reação dos outros em relação a ele dependerão quase que inteiramente de seus próprios temperamentos.
No Yi King, a parte aérea da terra é representada pelo qüinqüagésimo terceiro hexagrama, Kien. O comentário concerne ao vôo de gansos selvagens “gradativamente se aproximando da praia”, em seguida “as grandes rochas”, em seguida “avançadas para as planícies áridas - as árvores - o monte elevado”; finalmente às “grandes alturas”. Assim simboliza a emancipação vagarosa e persistente de condições repressivas.
A descrição é ainda mais feliz do que aquela dada pela Qabalah, embora completamente congruente com esta. Considerações práticas nunca estão ausentes no pensamento chinês mesmo no que este tem de mais abstruso e metafísico. A heresia fundamental da Loja Negra é o desprezo pelo “mundo, a carne e o diabo”, todos estes essenciais ao plano do universo; é primordial para a Grande Obra que o Adepto, desse modo, ordene os negócios de sorte que “mesmo os germes maus da matéria se tornem igualmente úteis e bons “.
O erro dos místicos cristãos nesse ponto foi responsável por mais crueldade, miséria e insanidade coletiva do que todos os outros erros juntos; seu veneno pode ser localizado até nos ensinamentos de Freud, que supôs que o inconsciente era “o diabo”, enquanto que, na verdade, é o instinto que expressa, sob um véu, o ponto-de-vista inerente de cada um e, corretamente compreendido, é a chave da iniciação, e uma sugestão de qual semente pode florescer e frutificar como o “Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião”, pois “Todo homem e toda mulher é uma estrela”.
Mas indubitavelmente o julgamento dos Adeptos Isentos (pois são eles que determinam, sob a orientação dos Mestres do Templo, todos esses detalhes da doutrina) com respeito e essa carta foi influenciado pela transição desta de Áries a Touro. Esquece-se com demasiada freqüência que Touro é a casa de Vênus e que a Lua é aí exaltada. A nova doutrina formulada no presente ensaio torna a cor primária da Terra não a negra, mas a verde; insiste que todo disco é um símbolo vivo e revolvente. A tese central d’O Livro da Lei afirma a perfeição do universo. Em sua concepção panteística todas as possibilidades são iguais em valor; cada e todo ponto-evento é “ um jogo de Nuit”, como está escrito em The Book of Wisdom or Folly. * “...Nada ateis! Que não haja diferença feita em vosso meio entre uma coisa & qualquer outra coisa; pois daí vem dor. Mas quem quer que prospere nisto, que ele seja o chefe de todos!“ Liber AL I, 22-23. Ou, ainda de maneira mais abrangente e simples: “Todo número é infinito; não há diferença. “ Liber AL I, 4
* O Livro da Sabedoria ou Loucura (NT).

Princesa de Discos
A princesa de Discos, a última das cartas da corte, representa a parte terrestre da terra. Ela está conseqüentemente à beira da transfiguração. É forte e bela, exibindo uma expressão de meditar intenso, como se na iminência de tornar-se ciente de um prodígio secreto.
Ela usa no topo da cabeça como uma cimeira a cabeça de um carneiro e seu cetro desce para dentro da terra, onde sua extremidade superior se converte num diamante, a pedra preciosa de Kether, simbolizando assim o nascimento da mais elevada e pura luz no mais profundo e escuro dos elementos. Ela está no interior de um bosque de árvores sagradas perante um altar que sugere um feixe de trigo, já que ela é uma sacerdotisa de Deméter. Dentro de seu corpo ela transporta o segredo do futuro. Sua sublimidade é enfatizada ainda pelo disco que porta, pois no centro dele está o ideograma chinês que indica a dupla força espiral da criação em equilíbrio perfeito, do que nasce a rosa de Ísis, a grande Mãe fértil.
As características de um indivíduo significado por essa carta são excessivamente variadas para serem enumeradas. Pode-se resumi-las dizendo que ela é feminilidade na sua projeção última. Possui todas as características da mulher, dependendo inteiramente das influências às quais ela está submetida a manifestação de uma ou outra dessas características. Porém, em todos os casos seus atributos serão puros em si mesmos, e não necessariamente ligados a quaisquer outros atributos que de maneira normal considera-se como simbólico. Num certo sentido, então, sua reputação geral será de inconsistência desnorteadora. É mais ou menos como um aparelho de extração de loteria do qual a extração de qualquer número não prediz ou influencia o resultado de qualquer operação subseqüente. O fruto da filosofia de Thelema é saboreado, raro, maduro, nutrindo e vitalizando de sua maneira mais elevada e mais plena nessa meditação; pois para o adepto todo giro do aparelho é igualmente provável e igualmente um prêmio, visto que todo evento é “um jogo de Nuit”.
No Yi King a parte terrestre da terra é representada pelo qüinqüagésimo segundo hexagrama, Kan. O significado é “montanha”. Quão sublime é a significação desta doutrina chinesa do equilíbrio e quão intimamente conforme àquela da Santa Qabalah ela é !
A montanha é o mais sagrado dos símbolos terrestres, inflexível , forte e irremovível em sua aspiração ao Mais Alto, impelida como o é pela energia titânica do fogo oculto. Não é menos um hieróglifo da divindade mais íntima do que o próprio falo, mesmo à medida que Capricórnio, o signo do ano novo, é exaltado no zodíaco, sua divindade autóctone não menos que o próprio Antigo Mais Santo.
É essencial para o estudante traçar essa doutrina para si mesmo em todos os símbolos: o ar, o elemento elástico e flexível, e, não obstante, que tudo penetra e o elemento da combustão; a água, fluída mas incomprimível, o mais neutro e composto de todos os componentes da matéria viva, e, contudo, destrutiva até mesmo das rochas mais duras pelo ataque físico, e irresistível no seu poder ardente de solução; e o fogo, tão aparentado ao espírito que não é em absoluto uma substância, mas sim um fenômeno, tão integrado à matéria, todavia, que constitui o próprio núcleo e essência de todas as coisas.
A característica de Kan no Yi King é repouso. Cada linha do comentário descreve o repouso nas partes do corpo alternadamente, e seus efeitos: os dedos do pé, as barrigas da perna, os quadris, a espinha e os maxilares.
Este capítulo guarda, no que diz respeito a isso, um estreito paralelismo, linha por linha, com o trigésimo primeiro hexagrama, Hsien, o qual inicia a segunda seção do Yi.
A doutrina rosicruciana do Tetragrammaton dificilmente poderia ser mais adequadamente expressa - a todo ouvido que está sintonizado com a harmonia celestial.
“Não há um planeta no firmamento

Que em seu movimento não cante como um anjo,

Inda cantando em coro ao querubim de olhos juvenis;

Mas enquanto esta lamacenta veste de declínio

Nos envolve, nossa natureza é incapaz de ouvi-lo.”
Que todo estudante deste ensaio, e deste livro de Tahuti, este Livro vivo que guia o homem através de todo o tempo, e o conduz à eternidade a cada página, retenha firmemente esta doutrina de suma simplicidade e sumo alcance em seu coração e mente, inflamando o mais íntimo de seu ser, que ele, também, tendo explorado cada recesso do universo, possa aí encontrar a luz da verdade, assim chegado ao Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião, e realizar a Grande Obra, atingir o Summum Bonum, sabedoria verdadeira e felicidade perfeita !



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