Sendo o equinócio, volume III, NÚmero V



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é a filha de sua mãe que ela pode ser guindada ao seu trono. Em outras palavras, há uma continuidade da vida, uma herança de sangue, que junta todas as formas da natureza. Não há ruptura entre luz e trevas. Natura non facit saltum.* Se estas considerações fossem inteiramente entendidas, possibilitaria a reconciliação da teoria quântica com as equações eletromagnéticas.
* Em latim no original, A natureza não dá saltos (NT).
A águia branca neste trunfo corresponde à águia vermelha da carta-consorte, O Imperador. Aqui é preciso trabalhar em sentido inverso, pois nestas cartas mais elevadas se acham os símbolos da perfeição; tanto a perfeição inicial da natureza quanto a perfeição final da arte; não apenas Ísis, mas também Néftis. Conseqüentemente, as minúcias do trabalho pertencem a cartas subseqüentes, especialmente Atu VI e Atu XIV.
Ao fundo da carta está o arco ou porta, que é a interpretação da letra Daleth. Esta carta, em síntese, pode ser denominada Porta do Céu. Contudo, devido à beleza do símbolo, devido à sua apresentação omniforme, o estudante que está deslumbrado por qualquer dada manifestação pode extraviar-se. Em nenhuma outra carta é tão necessário desconsiderar as partes para se concentrar no todo.

IV. O IMPERADOR


Esta carta é atribuída à letra Tzaddi e se refere ao signo de Áries no zodíaco. Este signo é regido por Marte e aí o Sol é exaltado. Este signo é assim uma combinação de energia em sua forma mais material com a idéia de autoridade. O sinal TZ ou TS sugere isso na forma original, onomatopaica da linguagem. É derivado de raízes do sânscrito significando cabeça e idade e é encontrado hoje em palavras como Caesar, Tsar, Sirdar, Senate, Senior, Signor, Señor, Seigneur.
A carta representa uma figura masculina coroada, de vestes e insígnias da dignidade imperial. Está sentado no trono cujos remates de coluna são as cabeças do carneiro selvagem do Himalaia, já que Áries significa carneiro. Aos seus pés, deitado com a cabeça levantada está o cordeiro com o estandarte para confirmar essa atribuição no plano inferior, pois o carneiro, por natureza, é um animal selvagem e corajoso se solitário em sítios solitários, enquanto que quando domesticado e forçado a repousar em pastos verdes, é reduzido a um animal dócil, covarde, gregário e suculento. Esta é a teoria do governo.
O Imperador é também uma das mais importantes cartas alquímicas, constituindo com o Atu II e III a tríade: Enxofre, Mercúrio, Sal. Seus braços e cabeça formam um triângulo ereto; abaixo, as pernas cruzadas representam a cruz. Esta figura é o símbolo alquímico do Enxofre (ver Atu X ). O Enxofre é a energia ígnea masculina do universo, o Rajas da filosofia hindu. Esta é a energia criativa ágil, a iniciativa de todo o Ser. O poder do Imperador é uma generalização do poder paterno, daí tais símbolos como a abelha e a flor-de-lis, exibidos nesta carta. Com referência à qualidade desse poder, é forçoso notar que ele representa atividade súbita, violenta, porém não pertinente. Se persistir tempo demais, queima e destrói. Trata-se de energia distinta da energia criativa de Aleph e Beth: esta carta está abaixo do Abismo.
O Imperador porta um cetro (encimado pela cabeça de um carneiro pelas razões já expostas) e uma esfera encimada por uma cruz de Malta, que significa que sua energia atingiu uma emissão bem sucedida, que seu governo foi estabelecido.
Há ainda um outro símbolo importante. Seu escudo representa a águia bicéfala coroada por uma disco carmesim. Isto representa a tintura vermelha do alquimista, da natureza do ouro, como a águia branca mostrada no Atu III pertence à sua consorte, a Imperatriz, e é lunar, de prata.
Deve-se finalmente observar que a luz branca que desce sobre ele indica a posição desta carta na Árvore da Vida. A autoridade do Imperador provém de Chokmah, a sabedoria criativa, a Palavra, e é exercida sobre Tiphareth, o homem organizado.

V. O HIEROFANTE


Esta carta se refere à letra Vau, que significa prego, sendo que nove pregos aparecem no alto da carta, os quais servem para fixar o oriel atrás da principal figura da carta.
A carta é referida a Touro, de sorte que o trono do Hierofante é circundando por elefantes, que participam da natureza de Touro, estando o Hierofante realmente sentado sobre um touro. Ao redor dele estão as quatro bestas ou Kerubs, uma em cada canto da carta, visto que estes são os guardiões de todo santuário. Mas a principal referência é ao arcano particular que constitui o negócio maior, o essencial, de todo trabalho mágico: a união do microcosmo ao macrocosmo. Conseqüentemente, o oriel é diáfano. Diante do manifestador do Mistério há um hexagrama representando o macrocosmo e no centro deste um pentagrama, contendo e representando uma criança do sexo masculino dançando. Isto simboliza a lei do novo Aeon da criança Hórus, o qual suplantou o Aeon do deus que morre, que governou o mundo por dois mil anos. Também diante do Hierofante está a mulher com a espada à cintura, que representa a Mulher Escarlate na hierarquia do novo Aeon. Este simbolismo é adicionalmente efetivado no oriel, onde, por trás da cobertura fálica de cabeça, a rosa de cinco pétalas desabrocha.
O simbolismo da serpente e da pomba faz alusão a este versículo de O Livro da Lei (cap. I, v. 57) : “... pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente.”
Este símbolo reaparece no trunfo de número XVI.
O fundo da carta toda é o azul escuro da noite estrelada de Nuit, de cujo útero nascem todos os fenômenos.
Touro, o signo do zodíaco representado por esta carta, é ele mesmo o Kerub-Touro, ou seja, a Terra sob sua forma mais forte e mais equilibrada.
O regente desse signo é Vênus, que é representado pela mulher em pé diante do hierofante.
No capítulo III de O Livro da Lei, versículo xi, se lê:
“Que a mulher seja cingida com uma espada diante de mim”. Esta mulher representa Vênus como ela agora está neste novo Aeon, não mais o mero veículo de seu correlativo masculino, mas armada e militante.
Neste signo a Lua é “exaltada”; sua influência é representada não só pela mulher como também pelos nove pregos.
É impossível na atualidade explicar esta carta na sua inteireza pois somente o curso dos eventos poderá mostrar como a nova corrente de iniciação funcionará.
É o Aeon de Hórus, da criança. Embora o rosto do Hierofante pareça benigno e sorridente e a própria criança pareça alegre com desregrada inocência, é difícil negar que na expressão do iniciador há algo misterioso, mesmo sinistro. Ele parece estar gozando uma piada muito secreta às custas de alguém. Há um aspecto distintamente sádico nesta carta, e naturalmente, considerando-se que ela provém da lenda de Pasiphae, o protótipo de todas as lendas dos deuses-tDiscos. Estas ainda persistem em religiões como o saivismo e (depois de múltiplas degradações) no próprio cristianismo.
O simbolismo do bastão é peculiar; os três anéis entrelaçados que o encimam podem ser tomados como representativos dos três Aeons de Ísis, Osíris e Hórus com suas fórmulas mágicas que se entrosam. O anel superior está marcado de escarlate para Hórus, os dois inferiores de verde para Ísis e amarelo pálido para Osíris, respectivamente. Todos estes estão baseados no azul escuro, a cor de Saturno, O Senhor do Tempo, pois o ritmo do Hierofante é tal, que ele se move apenas a intervalos de 2.000 anos.

VI. OS AMANTES (OU OS IRMÃOS)


Esta carta e sua gêmea, XIV (Arte), são os mais obscuros e difíceis dos Atu. Cada um destes símbolos é em si mesmo duplo, de modo que os significados formam uma série divergente e a integração da carta só pode ser reconquistada mediante casamentos e identificações reiterados, e alguma forma de hermafroditismo.
E, no entanto, a atribuição é a essência da simplicidade. O Atu VI se refere a Gêmeos, regido por Mercúrio. A letra hebraica correspondente é Zain, que significa espada, e a estrutura da carta é portanto o arco de Espadas abaixo do qual o casamento real acontece.
A espada é primeiramente um engenho de divisão. No mundo intelectual - que é o mundo do naipe de Espadas - ela representa análise. Esta carta e o Atu XIV juntos compõem a máxima alquímica abrangente: Solve et coagula.
Esta carta é, por conseguinte, uma das mais fundamentais do Tarô. É a primeira carta na qual mais de uma figura aparece (o macaco de Thoth no Atu I é apenas uma sombra). Em sua forma original, foi a história da Criação.
Acrescemos aqui, em função de seu interesse histórico, a descrição desta carta em sua forma primitiva, o que é extraído de Liber 418.
“Há uma lenda assíria de uma mulher com um peixe e há também uma lenda de Eva e a Serpente, pois Caim era o filho de Eva e a Serpente, e não de Eva e Adão; e, portanto, quando ele assassinara seu irmão, que foi o primeiro assassino por ter sacrificado coisas vivas ao seu demônio, Caim recebeu a marca em sua fronte, que é a marca da Besta referida no Apocalipse e o sinal da iniciação.
“O derramamento de sangue é necessário pois Deus não ouviu os filhos de Eva até que o sangue fosse derramado. E isto é religião externa; mas Caim não falou a Deus nem recebeu a marca de iniciação sobre sua fronte, de sorte que fosse evitado por todos os homens, até que tivesse derramado sangue. E este sangue foi o sangue de seu irmão. Este é um mistério da sexta chave do Tarô, que não deve ser chamada de Os Amantes, mas sim Os Irmãos.
“No meio da carta posta-se Caim; em sua mão direita está o martelo de Thor com o qual ele assassinara seu irmão, e está todo tinto de seu sangue. Sua mão esquerda ele mantém aberta como um sinal de inocência. Sobre sua mão direita está sua mãe Eva, ao redor da qual a serpente se enrosca com seu capelo desdobrado atrás da cabeça dela, e sobre sua mão esquerda encontra-se uma figura um tanto semelhante a Kali indiana, mas muito mais sedutora. Todavia, eu sei que é Lilith. E acima dele está o Grande Sigillum da Seta, voltado para baixo, atingindo o coração da criança. Esta criança é também Abel. E o significado desta parte da carta é obscuro, mas este é o desenho correto da carta do Tarô; e esta é a fábula mágica correta da qual os escribas hebreus, que não eram iniciados completos, furtaram sua lenda da Queda e os eventos subseqüentes.”
É bastante significativo que quase toda sentença deste trecho parece inverter o significado da anterior. Isto é porque a reação é sempre igual e oposta à ação. Esta equação é, ou deveria ser, simultânea no mundo intelectual, onde não existe grande retardamento de tempo; a formulação de qualquer idéia cria sua contraditória quase no mesmo momento. A contraditória de qualquer proposição está implícita nela mesma. Isto é necessário para preservar o equilíbrio do universo. A teoria foi explicada na exposição sobre o Atu I, O Prestidigitador, mas faz-se mister que seja agora enfatizada a fim de se interpretar esta carta.
A chave é que a carta representa a Criação do Mundo. Os hierarcas mantinham este segredo como de transcendente importância. Conseqüentemente, os iniciados que publicaram o Tarô para uso durante o Aeon de Osíris substituíram a carta original acima descrita em The Vision and the Voice. Estavam interessados em criar um novo universo próprio; eles eram os pais da Ciência. Seus métodos de trabalho, agrupados sob o termo genérico de alquimia, jamais foram tornados públicos. O ponto interessante é que todos os desenvolvimentos da ciência moderna nos últimos cinqüenta anos têm proporcionado às pessoas inteligentes e instruídas a oportunidade de refletir que toda a tendência da ciência tem sido retornar aos objetivos e mutatis mutandis aos métodos alquímicos. O segredo observado pelos alquimistas tornou-se necessário devido ao poder de perseguição de Igrejas. Tão amargamente quanto os beatos intolerantes lutavam entre si, eles estavam igualmente preocupados em destruir a ciência infante, a qual, como reconheciam instintivamente, colocaria um fim na ignorância e na fé das quais dependiam o poder e a riqueza deles.
O assunto desta carta é a análise, seguida pela síntese. A primeira pergunta feita pela ciência é: “Do que são compostas as coisas ? “ Respondida esta pergunta, a seguinte pergunta é: “ Como iremos recombiná-las para o nosso máximo proveito ?” Isto resume toda a política do Tarô.
A figura encapuzada que ocupa o centro da carta é uma outra forma de O Eremita, o qual é elucidado na seqüência no Atu IX. Ele próprio é uma forma do deus Mercúrio descrito no Atu I; ele está rigorosamente encoberto, como para significar que a razão última das coisas está num domínio além da manifestação e do intelecto (como explicado alhures, apenas duas operações são, no final das contas, possíveis: análise e síntese). Ele está de pé no sinal do entrante, como se projetando as forças misteriosas da criação. Ao redor de seus braços se acha um rolo de pergaminho, indicativo da Palavra que é semelhante à essência e mensagem dele. Mas o sinal do entrante é também o sinal da bênção e da consagração, de maneira que sua ação nesta carta é a celebração do casamento hermético. Atrás dele estão as figuras de Eva, Lilith e Cupido. Este simbolismo foi incorporado para preservar em alguma medida a forma original da carta e mostrar sua origem, sua herança e sua continuidade com o passado. Na aljava de Cupido está inscrita a palavra Thelema que é a Palavra da Lei (ver Liber AL, cap. I, versículo 39). Suas setas são quanta de Vontade. É assim indicado que esta fórmula fundamental de operação mágica, análise e síntese persiste através dos Aeons.
Podemos passar agora a considerar o próprio casamento hermético.
Esta parte da carta é uma simplificação de o Casamento Químico de Christian Rosenkreutz, uma obra prima excessivamente extensa e prolixa para ser citada proveitosamente aqui. Mas a essência da análise é a gangorra contínua de idéias contraditórias. É um glifo da dualidade. As pessoas da realeza envolvidas são o rei negro ou mouro com uma coroa de ouro e a rainha branca com uma coroa de prata. Ele está acompanhado do leão vermelho, e ela da águia branca. Estes são símbolos dos princípios masculino e feminino na natureza; são, portanto, igualmente, em vários estágios da manifestação Sol e Lua, Fogo e Água, Ar e Terra. Em química eles se apresentam como ácido e álcali, ou (mais profundamente) metais e não-metais, tomando-se estas palavras em seu mais lato sentido filosófico a fim de incluir o hidrogênio por um lado e o oxigênio, por outro. Neste aspecto, a figura encapuzada representa o elemento protéico do carbono, a semente de toda a vida orgânica.
O simbolismo do masculino e o feminino é continuado ainda pelas armas do rei e da rainha. Ele porta a Lança Sagrada e ela, o Cálice Sagrado; as outras mãos deles estão unidas, como que consentindo com o casamento. Suas armas são apoiadas por crianças gêmeas, cujas posições estão trocadas, pois a criança branca não só oferece apoio ao cálice como também carrega rosas, enquanto que a criança negra, segurando a lança de seu pai, carrega também o porrete, um símbolo equivalente. Na base do conjunto está o resultado do casamento sob forma primitiva e pantomórfica: o ovo órfico alado. Este ovo representa a essência de toda essa vida sujeita a esta fórmula do masculino e feminino. Prossegue o simbolismo das serpentes com as quais o manto do rei está ornamentado, e das abelhas que adornam o manto da rainha. O ovo é cinza, misturando branco e preto, de modo a significar a cooperação das três Superiores da Árvore da Vida. A cor da serpente é púrpura, Mercúrio na escala da rainha. É a influência desse deus manifestada na natureza, enquanto que as asas têm cor carmesim, a cor (na escala do rei) de Binah, a Grande Mãe. Neste símbolo existe, portanto, um glifo completo do equilíbrio necessário ao começo da Grande Obra. Mas, no que concerne ao mistério final, isto é deixado sem solução. Perfeito é o plano para produzir a vida, porém a natureza desta vida é ocultada. É capaz de assumir qualquer forma possível, mas qual forma ? Isto depende das influências presentes na gestação.
A figura no ar apresenta certa dificuldade. A interpretação tradicional diz que se trata de Cupido, e não fica claro, a princípio, o que Cupido tem a ver com Gêmeos. Nenhuma luz é lançada sobre este ponto ao considerar-se a posição do caminho na Árvore da Vida, pois Gêmeos conduz de Binah a Tiphareth. E aí, conseqüentemente, se levanta toda a questão de Cupido. Os deuses romanos geralmente representam um aspecto mais material dos deuses gregos dos quais são derivados, neste caso, Eros. Eros é o filho de Afrodite e a tradição diverge quanto a seu pai ser Ares, Zeus ou Hermes, quer dizer, Marte, Júpiter ou Mercúrio. Sua aparência nesta carta sugere que Hermes seja o verdadeiro progenitor e este parecer é confirmado pelo fato de não ser em absoluto fácil distingui-lo da criança Mercúrio pois eles têm em comum o desregramento, a irresponsabilidade e o gosto por pregar peças. Mas nesta imagem existem características peculiares. Ele carrega um arco e flechas numa aljava dourada (é representado, por vezes, com uma tocha); tem asas douradas e está vendado. Daí pode parecer que ele representa a vontade inteligente (e, ao mesmo tempo, inconsciente) da alma de unir a si mesma com tudo e todos, como foi explicado na fórmula geral relativa à agonia da separação.
Não se atribui importância muito especial em figuras alquímicas ao Cupido. Contudo, num certo sentido, ele é a fonte de toda a ação, a libido para expressar zero como dois. De um outro ponto de vista, é possível considerá-lo como o aspecto intelectual da influência de Binah sobre Tiphareth pois (em uma tradição) o título da carta é “Os Crianças da Voz, o Oráculo dos Deuses Poderosos”. Deste ponto de vista, ele é um símbolo da inspiração, descendo sobre a figura encapuzada, que é, neste caso, um profeta que opera a união do rei e a rainha. Sua flecha representa a inteligência espiritual necessária nas operações alquímicas, mais do que a mera fome de executá-las. Por outro lado, a flecha é peculiarmente um símbolo de direção, e é, portanto, apropriado colocar a palavra Thelema em letras gregas sobre a aljava. Deve-se também observar que a carta contraposta, Sagitário, * significa Aquele que porta a Flecha, ou o Arqueiro, uma figura que não aparece sob forma alguma no Atu XIV. Estas duas cartas são tão complementares que não podem ser estudadas isoladamente para completa interpretação.
* Isto é, Arte (Atu XIV) (NT).

VII. A CARRUAGEM


O Atu VII se refere ao signo zodiacal Câncer, o signo para dentro do qual o Sol se move no solstício de verão. **
** Note-se que Cheth - Cheth 8 - Yod 10 - Tau 400 totalizam o valor 418. Este é um dos números-chaves mais importantes de Liber AL. É o número da palavra do Aeon, ABRAHADABRA, a chave da Grande Obra ( ver The Equinox of the Gods, pg. ... e também The Temple of Solomon the King). Um volume completo poderia, e deveria, ser escrito tão-só acerca desta palavra.
Câncer é o signo cardeal do elemento água, ***e representa a primeira investida incisiva desse elemento. Câncer também representa o caminho que conduz da grande Mãe Binah a Geburah, sendo assim a influência das Superiores através do Véu da Água (que é sangue) sobre a energia do homem, assim inspirando-a. Corresponde, desta maneira, a O Hierofante, que do outro lado da Árvore da Vida, traz para baixo o fogo de Chokmah (ver diagrama).
*** Daí o dia de São João Batista e os vários cerimoniais ligados à água.
O desenho da carta aqui apresentada foi muito influenciado pelo trunfo retratado por Éliphas Lévi. O dossel da Carruagem é o azul de céu noturno de Binah. As colunas são as quatro colunas do universo, o regímen de Tetragrammaton. As rodas escarlates representam a energia original de Geburah produtora do movimento giratório.
Essa carruagem é puxada por quatro esfinges compostas dos quatro Kerubs, o touro, o leão, a águia e o homem. Em cada esfinge estes elementos estão permutados, de maneira que o todo representa os dezesseis sub-elementos.
O auriga está trajado com a armadura cor de âmbar apropriada ao signo. Está mais entronizado na carruagem do que o conduzindo porque todo o sistema de progressão é perfeitamente equilibrado. Sua única função é portar o Cálice Sagrado.
Acima de sua armadura estão dez Estrelas de Assiah, a herança de rocio celestial de sua mãe.
Como cimeira do elmo ele tem o caranguejo apropriado ao signo. A viseira de seu elmo está abaixada pois nenhum homem pode olhar seu rosto e viver. Por razão idêntica, nenhuma parte de seu corpo está exposta.
Câncer é a casa da Lua. Há assim certas analogias entre esta carta e a da Alta Sacerdotisa. Mas, também, Júpiter é exaltado em Câncer e neste caso lembra-se da carta chamada Fortuna (Atu X) atribuída a Júpiter.
O traço central e mais importante da carta é seu centro - o Cálice Sagrado. É de ametista pura da cor de Júpiter, mas sua forma sugere a lua cheia e o Grande Mar de Binah.
No centro do Cálice Sagrado está o sangue radiante, de que se infere a vida espiritual; luz nas trevas. Estes raios, ademais, giram, enfatizando o elemento jupiteriano no símbolo.

VIII. AJUSTAMENTO


Esta carta no baralho antigo era chamada de Justiça. Esta palavra detém somente um sentido puramente humano e, conseqüentemente, relativo, de modo a não ser considerada um dos fatos da natureza. A natureza não é justa de acordo com qualquer idéia teológica ou ética, mas sim exata.
Esta carta representa o signo de Libra, regido por Vênus e onde Saturno é exaltado. O equilíbrio de todas as coisas é aqui simbolizado. É o Ajustamento final na fórmula de Tetragrammaton, quando a filha, redimida por seu casamento com o filho, é por isso instalada no trono da mãe; assim, finalmente, ela “desperta a Longevidade do Todo-Pai.”
No maior simbolismo de todos, entretanto, o simbolismo além de todas as considerações planetárias e zodiacais, esta carta é o complemento feminino de O Louco, pois as letras Aleph, Lamed constituem a chave secreta d’O Livro da Lei, e isto é a base de um sistema qabalístico completo de profundidade e sublimidade maiores que qualquer outro. As minúcias deste sistema ainda não foram reveladas. Foi julgado correto, entretanto, dar a entender sua existência mediante o equacionamento dessas duas cartas. Não apenas em conseqüência, porque Libra é um signo de Vênus, mas também porque ela é a parceira do Louco, a deusa é representada dançando, sugerindo Arlequim.
A figura é a de uma mulher jovem e esbelta equilibrada com exatidão sobre as pontas dos dedões. Ela está coroada com as plumas de avestruz de Maat, a deusa egípcia da Justiça e sobre sua fronte está a serpente Uraeus, o Senhor da Vida e da Morte. Ela está mascarada e sua expressão demonstra sua secreta e íntima satisfação pelo domínio sobre todo elemento de des-equilíbrio no universo. Esta condição é simbolizada pela espada mágica que ela segura nas duas mãos e os pratos de balança ou esferas nos quais ela pesa o universo, Alfa, o Primeiro equilibrado exatamente com Ômega, o Último. Estes são os Judex e Testes do Juízo Final; os Testes, em particular, simbolizam o andamento secreto do julgamento por meio do qual toda experiência corrente é absorvida, transmudada e finalmente passada à frente, em virtude da operação da espada, à outra manifestação. Tudo isto ocorre dentro do losango formado pela figura que é a Vesica Piscis através da qual essa experiência sublimada e ajustada passa à sua manifestação seguinte.
Ela se equilibra ante um trono composto de esferas e pirâmides (em número de quatro, significando lei e limitação), as quais, elas mesmas, mantêm a mesma eqüidade que ela própria manifesta, embora num plano completamente impessoal, na estrutura dentro da qual todas as operações têm lugar. Fora, mais uma vez, no canto da carta, são indicadas esferas equilibradas de luz e trevas, e raios constantemente equilibrados a partir destas esferas formam uma cortina, a interação de todas essas forças que ela resume e adjudica.
É preciso aprofundar-se mais filosoficamente: este trunfo representa A Mulher Satisfeita. O equilíbrio permanece apartado de quaisquer preconceitos individuais, e portanto o título na França deveria ser preferivelmente Justesse. Neste sentido, a natureza é escrupulosamente justa. É impossível deixar cair um alfinete sem desencadear uma reação correspondente em toda Estrela. A ação perturbou o equilíbrio do universo.
Esta deusa-mulher é Arlequim. Ela é a parceira e o cumprimento de O Louco. Ela é a ilusão última que é manifestação; ela é a dança, de muitas cores, de muitas manhas, da própria vida. Em rodopio constante, todas as possibilidades são desfrutadas sob o espetáculo-fantasma do espaço e do tempo: todas as coisas são reais, a alma é a superfície precisamente porque elas são instantaneamente compensadas por este Ajustamento. Todas as coisas são harmonia e beleza; todas as coisas são verdade porque se compensam.
Ela é a deusa Maat e tem sobre sua nêmis as penas de avestruz da verdade dupla.
Desta coroa, tão delicada que o mais débil alento do pensar tem que agitá-la, dependem pelas cadeias da causa os pratos em que Alfa, o primeiro é posto em perfeito equilíbrio com Ômega, o último. Os pratos da balança são as duas testemunhas nas quais toda palavra será estabelecida. Ela deve ser entendida, portanto, avaliando a virtude de todo ato e exigindo satisfação exata e precisa.
Mais do que isso, ela é a completa fórmula da díade. A palavra AL é o título de O Livro da Lei, cujo número é 31, a mais secreta das chaves numéricas daquele Livro. Ela representa manifestação que é possível sempre se compensar pelo equilíbrio dos opostos.
Ela está envolvida numa capa de mistério, e mais misteriosa porque diáfana; ela é a esfinge sem segredo porque é puramente uma matéria de cálculo. Na filosofia oriental ela é karma.
Suas atribuições desenvolvem esta tese. Vênus rege o signo da Balança * e isto é mostrar a fórmula: “Amor é a lei, amor sob a vontade”. Mas Saturno representa, acima de tudo, o elemento tempo, sem o qual o Ajustamento não pode ocorrer, pois toda ação e reação ocorrem no tempo, e portanto, o tempo sendo ele mesmo meramente uma condição dos fenômenos, todos os fenômenos são inválidos porque não compensados.
* Libra (NT).
A Mulher Satisfeita. Da capa do desregramento vívido de suas asas dançantes brotam suas mãos; estas seguram o punho da espada fálica do mago. Ela segura a lâmina entre suas coxas.
Mais uma vez um hieróglifo de “Amor é a lei, amor sob a vontade”. Toda forma de energia tem que ser dirigida, tem que ser aplicada com integridade para a satisfação plena de seu destino.

IX. O EREMITA


Esta carta é atribuída à letra Yod , que significa mão. Por isso, a mão, que é a ferramenta ou instrumento por excelência, está no centro da ilustração. A letra Yod é o fundamento de todas as outras letras do alfabeto hebraico, que são meramente combinações dela em maneiras variadas.
A letra Yod é a primeira letra do nome Tetragrammaton e este simboliza o Pai, que é sabedoria; ele é a forma mais elevada de Mercúrio, e o Logos, o Criador de todos os mundos. Conseqüentemente, seu representante na vida física é o espermatozóide e esta é a razão da carta ser chamada O Eremita.
A figura do próprio Eremita lembra a forma da letra Yod e a cor de sua capa é a cor de Binah, na qual ele gesta.
Em sua mão ele segura uma lâmpada cujo centro é o Sol, retratada à semelhança do sigillum do grande rei do fogo (Yod é o fogo secreto). Parece que ele está contemplando - num certo sentido, adorando - o ovo órfico (de cor esverdeada) porque este é contérmino do universo, enquanto que a serpente que o envolve é multicolorida significando a iridescência de Mercúrio, pois ele não é só criativo, mas também é a essência fluídica da luz, que é a vida do universo.
O mais elevado simbolismo nesta carta é, portanto, fertilidade no seu sentido mais exaltado e isto é refletido na atribuição da carta ao signo de Virgem, que é um outro aspecto da mesma qualidade. Virgem é um signo da terra e se refere especialmente ao cereal, de maneira que o fundo da carta é um campo de trigo.
Virgem representa a forma mais inferior, mais receptiva, mais feminina da terra e forma a crosta sobre o Hades. E além de Virgem ser regido por Mercúrio, Mercúrio é exaltado em Virgem. Confrontar com o dez de Discos e com a doutrina geral segundo a qual o clímax da descida à matéria é o sinal para a reintegração pelo espírito. É a fórmula da Princesa, o modo de realização da Grande Obra.
Esta carta lembra a lenda de Perséfone e aqui há um dogma. Ocultada no interior de Mercúrio há uma luz que penetra todas as partes do universo igualmente; um dos títulos dele é Psicopompo, o condutor da alma pelas regiões inferiores. Estes símbolos são indicados por seu bastão-serpente, que está realmente brotando do Abismo, e é o espermatozóide desenvolvido como um veneno e manifestando o feto. Cérbero, o cão tricéfalo do inferno, o qual ele domou, o segue. Neste trunfo é mostrado o inteiro mistério da vida nas suas operações mais secretas. Yod = Falo = Espermatozóide = Mão = Logos = Virgem. Há uma perfeita identidade, não meramente equivalência dos extremos, a manifestação e o método.

X. FORTUNA


Esta carta é atribuída ao planeta Júpiter, o grande benéfico na astrologia. Corresponde à letra Kaph, * palma da mão, em cujas linhas, de acordo com uma outra tradição, pode-se ler a fortuna. Seria tacanhez pensar em Júpiter como boa fortuna; ele representa o elemento sorte, o fator incalculável.
* Kaph 20, Pé 80 = 100, Qoph, Peixes. As iniciais K Ph são as de e 
Esta carta representa assim o universo em seu aspecto de contínua mudança de estado. Acima, o firmamento de estrelas, as quais aparecem sob forma distorcida embora estejam equilibradas, algumas brilhantes e algumas escuras. Delas, através do firmamento, brotam raios que o agitam transformando-o numa massa de penachos de cores azul e violeta. No meio de tudo isso está suspensa uma roda de dez raios, de acordo com o número das Sephiroth e da esfera de Malkuth, indicando o governo dos assuntos físicos.
Sobre essa roda estão três figuras: a esfinge com a espada, Hermanúbis e Tífon. Eles simbolizam as três formas de energia que governam o movimento fenomênico.
A natureza dessas qualidades requer uma descrição cuidadosa. No sistema hindu há três Gunas - Sattvas, Rajas e Tamas. A palavra Gunas é intraduzível. Não é bem um elemento, uma qualidade, uma forma de energia, uma fase ou um potencial: todas estas idéias entram nela. Todas as qualidades que podem ser predicadas de alguma coisa podem ser atribuídas a um ou mais dessas Gunas. Tamas é trevas, inércia, indolência, ignorância, morte e similares; Rajas é energia, excitação, fogo, brilho, agitação; Sattvas é calma, inteligência, lucidez e equilíbrio. Correspondem às três principais castas hindus.
Um dos mais importantes aforismos da filosofia hindu é: “as Gunas giram”. Isto significa que de acordo com a doutrina da mudança contínua nada é capaz de permanecer em qualquer fase em que uma dessas Gunas é predominante; não importa quão densa e inerte essa coisa possa ser, um tempo virá no qual começará a agitar-se. O fim e a recompensa do esforço é um estado de lúcida quietude, o qual, entretanto, tende por fim a se afundar na inércia original.
As Gunas são representadas na filosofia européia pelas três qualidades, enxofre, mercúrio e sal, já retratadas nos Atus I, III e IV. Mas nesta carta a atribuição é um tanto diferente. A esfinge é composta dos quatro Kerubs exibidos no Atu V, o touro, o leão, a águia e o homem. Estes correspondem, adicionalmente, às quatro virtudes mágicas: saber, querer, ousar e manter silêncio. * Esta esfinge representa o elemento enxofre e é exaltada, temporariamente, sobre o cimo da roda. Está armada de uma espada curta de tipo romano, segura ereta entre as patas do leão.
* Estes são os quatro elementos, somados a um quinto, espírito, para formar o pentagrama, e a virtude mágica correspondente é Ire, ir. “Ir “ é o sinal da divindade, como explicado em referência à correia de sandália ou Ankh, a crux ansata, que por sua vez, é idêntica ao símbolo astrológico de Vênus, compreendendo as dez Sephiroth (ver diagrama).
Subindo o lado esquerdo da roda vê-se Hermanúbis, que representa o mercúrio alquímico. Ele é um deus composto, mas o elemento símio predomina nele.
Do lado direito, precipitando-se para baixo, vê-se Tífon, que representa o elemento sal. Contudo, nestas figuras há também um certo grau de complexidade pois Tífon era um monstro do mundo primitivo que personificava o poder destrutivo e a fúria de vulcões e tufões. Na lenda, ele tentou lograr suprema autoridade tanto sobre deuses quanto seres humanos, mas Zeus o destruiu mediante um raio. Dizia-se ser ele o pai dos ventos tempestuosos, quentes e venenosos, e também das harpias. Mas esta carta, como o Atu XVI pode também ser interpretada como uma unidade de suprema realização e deleite. Os raios que destróem, também geram; e a roda pode ser considerada como o olho de Shiva, cuja abertura aniquila o universo, ou como uma roda sobre o Carro de Jaganath, cujos devotos atingem a perfeição no momento em que ela os esmaga.
Uma descrição desta carta tal como aparece em The Vision and the Voice, com certos significados interiores, é dada num Apêndice.

XI. VOLÚPIA


Este trunfo era chamado anteriormente de Força. Mas ele implica em muitíssimo mais do que força no sentido ordinário da palavra. Uma análise técnica mostra que o caminho que corresponde a esta carta não é a força de Geburah, mas a influência proveniente de Chesed sobre Geburah, o caminho equilibrado tanto vertical quanto horizontalmente na Árvore da Vida (ver diagrama). Por esta razão, julgou-se melhor mudar o título tradicional. Volúpia sugere não apenas força, mas inclusive a alegria da força exercida. Trata-se de vigor e do arrebatamento do vigor.
“Saí , ó crianças, sob as estrelas, & tomai vossa fartura de amor!

Eu estou acima de vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Minha alegria é ver vossa alegria.”


“Beleza e força, gargalhada e langor delicioso, força e fogo são de nós.”
“Eu sou a Serpente que dá Conhecimento & Deleite e glória brilhante, e agita o coração dos homens com embriaguez. Para me adorar, tomai vinho e drogas estranhas das quais Eu direi ao meu profeta, & embebedai-vos deles. Eles não vos ferirão em nada. Isto é uma mentira, esta tolice contra o ser. A exposição de inocência é uma mentira. Sê forte, ó homem! deseja, aproveita todas as coisas de sentido e êxtase: não temas que Deus algum te negue por isto.”
“Vede! estes são graves mistérios; pois há também amigos meus que são eremitas. Agora, não penseis em encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas de púrpura, acariciados por magníficas bestas de mulheres com extensos membros, e fogo e luz em seus olhos, e massas de cabelos em chamas em volta delas: lá vós os encontrareis. Vós os vereis no governo, em exércitos vitoriosos, em toda a alegria; e neles haverá uma alegria um milhão de vezes maior do que esta. Cuidado, para que um não force ao outro, Rei contra Rei! Amai-vos uns aos outros, com corações ardentes; nos homens baixos, pisai no violento ardor de vosso orgulho, no dia da vossa ira.”
“Há uma luz diante de teus olhos, ó profeta, uma luz indesejada, muito desejável.

Eu estou erguido em teu coração; e o beijo das estrelas chove forte sobre teu corpo.



Tu estás exausto na voluptuosa plenitude da inspiração; a expiração é mais doce que a morte, mais rápida e risonha que uma carícia do próprio verme do Inferno!“
Este trunfo é atribuído ao signo do Leão no zodíaco. É o Kerub do fogo e é regido pelo Sol. É a mais poderosa das doze cartas zodiacais e representa a mais crítica de todas as operações mágicas e alquímicas. Representa o ato do casamento original como ocorre na natureza, em oposição à forma mais artificial ilustrada na Atu VI; não há nesta carta nenhuma tentativa de dirigir o curso da operação.
O assunto principal da carta se refere à mais antiga coletânea de lendas ou fábulas. Aqui se faz necessário entrar um pouco na doutrina mágica da sucessão dos Aeons, a qual está ligada à progressão do zodíaco. Assim, o último Aeon, o de Osíris, se refere a Áries e Libra, como o anterior a este, o de Ísis, estava especialmente relacionado aos signos de Peixes e Virgem, enquanto que o presente Aeon, o de Hórus, está vinculado a Aquário e Leão. O mistério central nesse Aeon passado foi o da encarnação; todas as lendas de homens-deuses se fundaram em alguma história simbólica desse tipo. O essencial em todas essas histórias consistia em negar a paternidade humana do herói ou homem-deus. Na maioria dos casos, afirma-se ser o pai um deus sob alguma forma animal, o animal sendo escolhido conforme as qualidades que os criadores do culto desejavam ver reproduzidas na criança.
Assim, Rômulo e Remo foram gêmeos gerados numa virgem pelo deus Marte e foram amamentados por uma loba. Toda a fórmula mágica da cidade de Roma foi fundada sobre isso.
Neste ensaio já foram feitas referências às lendas de Hermes e Dionísio.
Dizia-se que o pai de Gautama Buda era um elefante de seis presas, o qual apareceu a sua mãe num sonho.
Há também a lenda do Espírito Santo sob a forma de uma pomba impregnando a Virgem Maria. Há aqui uma referência à pomba da arca de Noé trazendo boas novas sobre a salvação do mundo das águas ( os moradores da arca são o feto, as águas, o fluido amniótico).
Fábulas similares devem ser encontradas em toda religião do Aeon de Osíris: é a fórmula típica do deus que morre.
Nesta carta, portanto, surge a lenda da mulher e o leão, ou melhor serpente-leão (esta carta é atribuída à letra Teth, que significa serpente).
Os videntes dos primeiros tempos do Aeon de Osíris previram a manifestação deste Aeon vindouro no qual vivemos agora, e eles o encararam com intenso horror e medo, não compreendendo a precessão dos Aeons, e considerando toda mudança como catástrofe. Eis a interpretação real e a razão para as invectivas contra a Besta e a Mulher Escarlate nos capítulos XIII, XVII e XVIII do Apocalipse. Mas na Árvore da Vida o caminho de Gimel, a Lua, descendo do mais alto, corta o caminho de Teth, Leão, a casa do Sol, de modo que a mulher na carta pode ser considerada como um forma da Lua, sumamente iluminada pelo Sol, e intimamente unida a ele de uma tal maneira que produz encarnados sob forma humana o representante ou representantes do Senhor do Aeon.
Ela monta a Besta de maneira escarranchada; na mão esquerda segura as rédeas, que representam paixão que os une. Na mão direita segura nas alturas a taça, o Cálice Sagrado inflamado de amor e morte. Nesta taça estão misturados os elementos do sacramento do Aeon. O Livro das Mentiras devota um capítulo a este símbolo.


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