Sendo o equinócio, volume III, NÚmero V



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1. Silêncio *
* De Little Essays toward Truth.
Entre todas as virtudes mágicas e místicas, entre todas as graças da alma, entre todas as conquistas do espírito nada tem sido mais mal compreendido, mesmo quando receado de qualquer modo, do que o silêncio.
Não seria possível enumerar os erros comuns; não, pode-se dizer que simplesmente pensá-lo é em si um erro, pois sua natureza é puro ser, ou seja, nada, de maneira que ele está além de toda intelecção ou intuição. Assim, então, o máximo em nosso ensaio pode ser somente uma certa guarda, como se fosse um Enladrilhamento da Loja ** onde o Mistério do Silêncio pode ser consumado.
** Linguagem maçônica: proteção contra o ingresso de não iniciados por meio da pessoa do guardião da porta da loja [ em inglês, tyler (tiler), literalmente enladrilhador, entelhador, azulejista] (NT).
Para essa postura há uma íntegra autoridade tradicional. Harpócrates, deus do Silêncio, é chamado de “O Senhor da Defesa e Proteção”.
Mas a natureza deste deus não é em absoluto aquele silêncio negativo e passivo que é a conotação usual da palavra, pois ele é o Espírito Todo-Viandante, o Puro e Perfeito Cavaleiro Errante, que responde a todos os enigmas e abre o Portal fechado da Filha do Rei. Mas silêncio no sentido vulgar não é a resposta ao enigma da Esfinge, é aquilo que é criado por esta resposta, pois o silêncio é o equilíbrio da perfeição, de modo que Harpócrates é a chave omniforme, universal para todo mistério. A esfinge é a “Puzzel ou Pucelle”, *** a idéia
*** Do francês antigo Pulcelle, donzela, virgem. Note o leitor que o substantivo puzzle significa quebra-cabeças, enigma e o verbo to puzzle, entre outras coisas, colocar uma questão, propor um problema (NT).
feminina para a qual só existe um complemento, sempre diferente na forma e sempre idêntico na essência. Esta é a significação da figura do deus que é mostrada com maior clareza sob sua forma adulta como o Louco do Tarô e como Baco Diphues, e sem ambigüidade quando ele aparece como Baphomet.
Quando sondamos com mais rigor seu simbolismo, a primeira qualidade que prende nossa atenção é, sem dúvida, sua inocência. Não é sem profunda sabedoria que ele é chamado de gêmeo de Hórus: e este é o Aeon de Hórus: é ele que enviou Aiwass, seu Ministro para proclamar o advento deste Aeon. O quarto poder da Esfinge é silêncio; para nós, então, que aspiramos a este poder como a coroa de nossa Obra será de sumo valor atingir sua inocência em toda sua plenitude. Precisamos entender, em primeiro lugar, que a raiz da responsabilidade moral, pela qual o homem estupidamente se orgulha em distinguir-se dos outros animais, é restrição, que é a palavra do pecado. De fato, há verdade na fábula hebraica segundo a qual o conhecimento do bem e do mal traz morte. Reconquistar a inocência é reconquistar o Éden. Precisamos aprender a viver sem a consciência assassina de que cada alento que aspiramos infla as velas que transportam nossas frágeis embarcações ao porto das tumbas. Precisamos banir o medo a favor do amor, percebendo que cada ato é um orgasmo, seu resultado total não podendo ser senão nascimento. Ademais, o amor é a lei e, assim, cada ato tem que ser retidão e verdade. Por certas meditações isto pode ser entendido e estabelecido, e isto necessita ser realizado de maneira tão radical a ponto de nos tornarmos inconscientes de nossa santificação, pois somente então é a inocência tornada perfeita. Este estado é, com efeito, uma condição necessária à qualquer contemplação adequada do que estamos acostumados a considerar a primeira tarefa do aspirante, a solução da questão “O que é minha Vontade Verdadeira ? “ Pois até que nos tornemos inocentes estamos seguros em tentar julgar nossa Vontade a partir do externo, enquanto que a Vontade Verdadeira deveria brotar, fonte de luz, do interior, e fluir sem empecilho, fervendo com amor para o oceano da vida.
Esta é a verdadeira idéia do silêncio; é nossa Vontade que escoa, perfeitamente elástica, sublimemente protéica, para preencher todo interstício do universo da manifestação que ela encontra em seu curso. Não há nenhum golfo largo demais para sua incomensurável força, nenhum estreito íngreme demais para sua imperturbável sutileza. Ela se ajusta com perfeita precisão à toda necessidade; sua fluidez é a garantia de sua fidelidade. Sua forma é sempre alterada por aquela da imperfeição particular que ela encontra: sua essência é idêntica em todo evento. O efeito de sua ação é sempre Perfeição, isto é, Silêncio e esta Perfeição é sempre a mesma, sendo perfeita e, contudo, sempre diferente porque cada caso apresenta sua própria quantidade e qualidade peculiares.
É impossível para a própria inspiração soar um ditirambo do silêncio, pois cada novo aspecto de Harpócrates é digno da música do universo através da eternidade. Eu fui simplesmente conduzido por meu amor leal dessa estranha raça na qual me acho encarnado a compor essa precária estância do épico infinito de Harpócrates como sendo a faceta de seu brilho fecundo que refratou a mais necessária luz sobre minha própria entrada sombria ao seu santuário de fulminante, de inefável divindade.
Eu louvo o luxuriante arrebatamento de inocência, o êxtase viril e pantomórfico da Toda-Realização; eu louvo a Criança Coroada e Conquistadora cujo nome é força e fogo, cuja sutileza e vigor asseguram serenidade, cuja energia e resistência realizam o atingimento da virgem do Absoluto; quem sendo manifestado, é o solista da flauta sétupla, o Grande Deus Pã, e sendo retirado para a perfeição que ele teve vontade, é Silêncio.

2. De Sapientia et Stultitia *
* De Liber Aleph: The Book of Wisdom or Folly (O Livro da Sabedoria ou Loucura).
Ó, meu Filho, neste colofão de minha Epístola revocarei o Título e o Sobrescrito dela, ou seja, o Livro da Sabedoria ou Loucura. Eu proclamo Bênção e Veneração a Nuith, nossa Senhora e seu Senhor, Hadith, pelo Milagre da Anatomia da Criança Ra-Hoor-Khuit como é exibido no desenho Minutum Mundum, a Árvore da Vida. Pois embora a Sabedoria seja a Segunda Emanação de Sua Essência, há um caminho para separá-los e uni-los, a referência disto sendo Aleph, que é Um, efetivamente, mas também Cento e Onze em sua Ortografia total, para significar a Mais Santa Trindade. E por metátese é Escuridão Espessa e Morte Súbita. Este é também o Número de AUM, que é AMOUN, e o som-raiz de OMNE ou, em grego, PAN; e é um Número do Sol. Ainda é o Atu de Thoth, que corresponde ao marcado com ZERO, e seu Nome é MAT, do qual falei antes, e sua Imagem é O Louco. Ó, meu Filho, junta todos estes Membros em um Corpo e respira sobre ele com teu Espírito, para que ele viva; então abraça-o com a Volúpia de tua Masculinidade e penetra-o, e conhece-o; assim vós sereis Uma Carne. Agora, finalmente, no Reforço e Êxtase desta Consumação tu saberás por qual Inspiração realmente escolheste teu Nome na Gnosis, quero dizer PARZIFAL, “der reine Thor “ ,** o Verdadeiro Cavaleiro
** Ou melhor, der reine Tor (o puro Louco) (NT).
que conquistou o Reino em Monsalvat e curou a Ferida de Amfortas, e ordenou a Kundry o Serviço Correto, e reconquistou a Lança, e reviveu o Milagre do Sangraal; sim, também sobre si mesmo com efeito executou sua Palavra no fim: “Höchsten Heiles Wunder ! Erlösung dem Erlöser ! “ ***Esta é a última Palavra da Canção que teu Tio Richard Wagner compôs para a Veneração deste Mistério. Entende isto, ó, meu Filho, no momento em que digo adeus a ti nesta Epístola, que a Culminância da Sabedoria é a Abertura da Senda que conduz à Coroa e Essência de tudo, à Alma da Criança Hórus, o Senhor do Aeon. Este é o Caminho do Puro Louco.
*** Supremo milagre de salvação! Redenção do Redentor! (NT).

De Oraculo Summo
E quem é esse Puro Louco ? Repara nas Sagas de Outrora, a Lenda do Escaldo, do Bardo, do Druida, não vem ele de Verde como a Primavera ? Ó tu Grande Louco, tu Água que és Ar, em quem todo complexo é dissolvido ! Sim, tu de Vestes andrajosas, com o Cajado de Príapo e o Odre de Vinho ! Tu te postas sobre o Crocodilo, como Hoor-pa-Kraat; e o Grande Gato salta sobre Ti ! Sim, e também tenho sabido quem Tu és, Baco Diphues, nenhum e dois, em teu nome IAO ! Agora ao Final de tudo venho ao Ser de Ti, além do Por-vir, e brado alto minha Palavra, como se tivesse sido dada ao Homem por teu Tio Alcofribas Nasier, o oráculo do Frasco de BACBUC. E esta Palavra é TRINC.

3. De Herba Sanctissima Arabica
Relembra, Ó meu filho a Fábula dos Hebreus, que eles trouxeram da Cidade de Babilônia, como Nabucodonozor, o Grande Rei, estando de Espírito aflito, apartou-se do convívio dos Homens pelo período de Sete Anos, comendo Grama como faz um Boi. Agora este Boi é a letra Aleph e é aquele Atu de Thoth cujo número é Zero e cujo Nome é Maat, Verdade; ou Maut, o Abutre, o Todo-Mãe, sendo uma Imagem de Nossa Senhora Nuith, mas que também é chamado de O Louco, que é Percival, “der reine Thor “ ,**** referindo-se assim àquele que caminha na Senda do Tao. E também é ele Harpócrates, a Criança Hórus caminhando (como diz Daood, o Badawi que se tornou Rei, em sua Salmodia) sobre o Leão e o Dragão; quer dizer, ele está em Unidade com sua própria Natureza Secreta, como mostrei a ti em minha Palavra concernente à Esfinge. Ó meu Filho, na Vigília de ontem veio a mim o Espírito que eu também devesse comer o Pasto dos Árabes, e por Virtude de seu Encantamento contemplasse aquilo que poderia ser apontado para a Iluminação de meus Olhos. Mas disto não tenho permissão de falar, vendo que envolve o Mistério da Transcendência do Tempo, de sorte que em Uma Hora de nosso Padrão Terrestre realmente colho a Safra de um Aeon, e em Dez Vidas não poderia declará-lo.

**** Der reine Tor (O puro Louco) (NT).



De Quibusdam Mysteriis, Quae Vidi
Todavia, mesmo como um Homem pode erigir um Memorial ou Símbolo para importar Dez Mil Vezes Dez Mil, posso eu empenhar-me para informar tua Compreensão pelo Hieróglifo. E aqui tua própria experiência nos servirá, pois um Indício de Lembrança basta para aquele que esta familiarizado com uma Matéria, o que para aquele que não a conhece não pode ser feito manifesto, não, nem em um Ano de Instrução. Aqui primeiramente então uma entre as Maravilhas Incontáveis daquela Visão: sobre um Campo mais negro e mais rico que o Veludo estava o Sol de todo Ser, sozinho. Então em torno Dele haviam pequenas Cruzes, gregas, infestando o Céu. Estas mudavam de Forma para Forma geométricas, Maravilha devorando Maravilha, Mil Vezes Mil em seu Curso e Seqencia, até que por seu Movimento foi o Universo liquidificado à Quintessência da Luz. Ademais, em outra Ocasião contemplei todas as coisas como Bullae, iridescentes e luminosas, auto-reluzentes em toda Cor e toda Combinação de Cor, Miríade perseguindo Miríade até que por sua Beleza perpétua exauriram a Virtude de minha Mente para recebê-las e a oprimiram, de sorte que eu fui obrigado a furtar-me do Fardo daquele Brilho. E, contudo, Ó meu Filho, a Soma de tudo isso não chega ao Mérito de um Vislumbre-Aurora de Nossa Verdadeira Visão da Santidade.

De Quodam Modo Meditationis
Agora quanto ao Principal daquilo que a mim foi concedido, foi a Apreensão daquelas Mudanças ou Transmutações desejadas da Mente que conduzem à Verdade, sendo como Escadas para o Céu, ou assim as chamei naquele Tempo, buscando uma frase para advertir o Escriba que atendia às minhas Palavras para gravar um Balaústre sobre a Estela de minha Operação. Mas despendo esforço em vão, ó meu Filho, para registrar esta Matéria minuciosamente, pois constitui a qualidade desta Grama agilizar a Operação do Pensamento de modo que possa ser de Mil Vezes, e, ademais, ilustrar cada Passo em Imagens complexas e dominantes em Beleza, de maneira que não se disponha de Tempo no qual conceber, e muito menos proferir qualquer Palavra por um Nome de qualquer um deles. Além disso, tal era a multiplicidade dessas Escadas, e sua Equivalência, que a Memória não retém mais nenhuma delas, mas apenas uma certa Compreensão do Método, sem palavras por Razão de sua Sutileza. Agora, portanto, preciso fazer por minha Vontade uma Concentração poderosa e terrível de meu Pensamento, de maneira que eu possa gerar a Expressão deste Mistério. Pois este Método é de Virtude e Proveito; por ele podes tu chegar facilmente e com Prazer à Perfeição da Verdade, não Importa a partir de que Pensamento tu concretizas o primeiro Salto em tua Meditação, de modo que possas saber como toda Estrada finda em Monsalvat e no Templo do Sangraal.

Sequitur De Hac Re
Eu acredito geralmente, com Base tanto na Teoria quanto na Experiência, tão poucas como delas disponho, que um Homem precisa primeiramente ser Iniciado, e estabelecido em Nossa Lei antes de poder usar este Método, pois nele há uma Implicação de nossa Iluminação Secreta, concernente ao Universo, como sua Natureza é integralmente Perfeição. E cada Pensamento é uma Separação e a Medicina disto é casar Cada um com sua Contradição, como demonstrei antes em muitos Escritos. E tu colidirás um contra o outro com Veemência de Espírito, tão célere como o própria Luz, de modo que o Êxtase seja Espontâneo. E assim, por conseguinte, é conveniente que tu tenhas já trilhado este Caminho da Antítese, sabendo perfeitamente a Resposta para cada Glifo ou Problema e tua Mente com isto pronta. Pois pela Propriedade dessa Grama tudo passa com Velocidade incalculável para a Inteligência e uma Hesitação deve confundir-te, derrubando tua Escada e lançando tua Mente de volta para receber Impressão do Ambiente, como em teu primeiro Início. Veramente, a Natureza deste Método é Solução, e a Destruição de toda Complexidade por Explosão de Êxtase, à medida que todo Elemento seu é preenchido por seu Correlativo, e é aniquilado (visto que perde a Existência separada) no Orgasmo que é consumado no Leito de tua Mente.

Sequitur De Hac Re
Tu sabes muito bem, Ó meu Filho, como um Pensamento é imperfeito em duas Dimensões estando separado de sua Contradição, mas também confinado em seu Alcance porque por essa Contradição nós não (comumente) completamos o Universo, salvo apenas aquele de seu Discurso. Assim se contrastamos Saúde com Enfermidade, incluímos em sua Esfera de União não mais do que uma Qualidade que pode ser prevista de todas as Coisas. Ademais, é para a maior Parte difícil descobrir ou formular a verdadeira Contradição de qualquer Pensamento como uma Idéia positiva, mas apenas como uma Negação Formal em Termos vagos, de maneira que a pronta Resposta é tão-somente Antítese. Assim, ao “Branco”, não se coloca a Frase “Tudo o que não é Branco”, pois isto é vazio, amorfo; não é tampouco claro, simples, nem positivo na Concepção; mas responde-se “Preto” pois isto detém uma Imagem de sua Significação. Assim então a Coesão dos Antitéticos os destrói apenas Parcialmente e se fica instantaneamente consciente do Resíduo que está insatisfeito ou desequilibrado, cujo Eidolon salta em tua Mente com Esplendor e Júbilo inefáveis. Não permite que isto te ludibrie, pois sua Existência prova sua Imperfeição e tu precisas fazer surgir seu Companheiro, e destruí-los pelo Amor, como com o primeiro. Este método é contínuo e procede sempre do Grosso para o Fino, e do Particular para o Geral, dissolvendo todas as Coisas na Substância Única da Luz.

Conclusio De Hoc Modo Sanctitatis
Aprende agora que as Impressões dos Sentidos têm Opostos prontamente concebidos, como o longo para o curto, ou o claro para o escuro; e assim com as Emoções e Percepções, como o Amor para o Ódio, ou o Falso para o Verdadeiro; mas quanto mais Violento o Antagonismo, mais está ele limitado na Ilusão, determinada pela Relação. Assim a Palavra “Longo” é destituída de Sentido a não ser que se refira a um Padrão; o Amor, contudo, não é obscuro assim porque o Ódio é seu gêmeo, participando com fartura de uma Natureza Comum com isso. E agora, ouve isto: foi concedido a mim em minha Visão dos Aethyrs, quando eu estava no Deserto do Saara, próximo de Tolga, à Beira do Grande Erg Oriental, que acima do Abismo, Contradição é Unidade, e que nada podia ser verdadeiro salvo em Virtude da Contradição que está contida em si mesma. Vê, portanto, que neste Método tu chegarás logo a Idéias desta Ordem que incluem em si mesmas sua própria Contradição e não têm Antítese. Eis aqui então tua Alavanca de Antinomia quebrada em tua Mão; e contudo, estando em verdadeiro Equilíbrio, tu podes voar alto, apaixonado e ansioso, de Céu a Céu, pela Expansão de tua Idéia, e sua Exaltação, ou pela Concentração como tu entendes, por Virtude de teus Estudos de O Livro da Lei, a Palavra deste relativa a Nossa Senhora Nuith, e Hadith que é o Cerne de toda Estrela. E este último Indo sobre tua Escada é fácil, se és verdadeiramente Iniciado, pois o Momentum de tua Força na Antítese Transcendental serve para propelir-te, e a Emancipação dos Grilhões do Pensamento que conquistaste naquela Praxis de Arte faz o Remoinho e Gravitação da Verdade de Competência te atraírem para si mesma.

De Via Sola Solis
Este é o Proveito de minha Intoxicação desta Erva santa, A Grama dos Árabes, que me revelou este Mistério (acompanhado de muitos outros), não como uma Nova Luz, pois eu dispunha disto antes, mas por sua rápida Síntese e Manifestação de uma longa Seqüência de Eventos num Momento. Eu possuía Perspicácia para analisar este Método e descobrir sua Lei Essencial, que antes havia se furtado ao Foco da Lente de meu Entendimento. Sim, meu Filho, não há nenhuma Senda Verdadeira de Luz exceto aquela que eu anteriormente evidenciei; todavia, em toda Senda há Proveito se fores sagaz para percebê-lo e agarrá-lo. Pois nós conquistamos a Verdade freqüentemente por Reflexão, ou pela Composição e Seleção de um Artista em sua Apresentação dela, quando para o mais estávamos cegos, faltando seu Modo de Luz. Entretanto, seria aquela Arte de nenhum proveito a não ser que já tivéssemos a Raiz daquela Verdade em nossa Natureza, e um Botão pronto para desabrochar sob a Convocação daquele Sol. Em Testemunho, nem um Menino nem uma Pedra possui Conhecimento das Seções de um Cone e de suas Propriedades, mas podes ensinar estas coisas ao Menino pela correta Apresentação porque ele tem em sua Natureza essas Leis da Mente que são consoantes com nossa Arte Matemática e Necessita apenas Emplumar-se (posso dizê-lo) de modo a aplicá-las conscientemente ao Trabalho, quando, estando tudo em Verdade, ou seja, nas necessárias Relações que regem nossa Ilusão, ele vem em Curso para a Apreensão.

O MAGO
1. De Mercurio *


* De Paris Working (Operação de Paris).
Segue-se uma descrição bastante completa da natureza de Mercúrio em diversos aspectos, particularmente sua relação com Júpiter e o Sol :
“No Princípio era a Palavra, o Logos, que é Mercúrio, sendo, portanto, para ser identificado com Cristo. Ambos são mensageiros, os mistérios de seus nascimentos são similares, as travessuras de suas infâncias são similares. Na Visão do Mercúrio Universal, Hermes é visto descendo sobre o mar, que se refere a Maria. ** A crucificação representa o caduceu, os dois ladrões, as duas serpentes; o penhasco na visão do Mercúrio Universal é o Gólgota; Maria é simplesmente Maia com o R solar em seu útero. A controvérsia em torno de Cristo entre os sinópticos e João era realmente uma contenda entre os sacerdotes de Baco, Sol, e Osíris; também, talvez, os de Adonis e Atis por um lado, e os de Hermes, por outro, naquele período no qual os iniciados em todo o mundo julgavam necessário, devido ao crescimento do Império Romano e a abertura dos meios de comunicação, substituir politeísmos conflitantes por uma fé sintética.”
** O caminho de Beth na Árvore da Vida o mostra descendo de Kether, a Coroa, sobre Binah, o Grande Mar (ver diagrama).
“Continuando a identificação compare-se a descida de Cristo ao inferno com a função de Hermes de guia dos mortos. E também Hermes conduzindo Eurídice para cima e Cristo devolvendo a vida à irmã de Jairo. Diz-se que Cristo ressuscitou no terceiro dia porque são necessários três dias para o planeta Mercúrio tornar-se visível após apartar-se da órbita do Sol (que se note, inclusive, que Mercúrio e Vênus são os planetas entre nós e o Sol, como se a Mãe e o Filho fossem mediadores entre nós e o Pai).
Observe-se Cristo como Aquele que cura e igualmente sua própria expressão: “O Filho do Homem vem como um ladrão à noite.” E ainda esta passagem (Mateus xxiv, 24-27) : “Pois como o relâmpago irrompe do Leste e brilha mesmo no Oeste, assim também será a vinda do Filho do Homem. “
Cumpre, ademais, notar as relações de Cristo com os cambistas, suas freqüentes parábolas e o fato do seu primeiro discípulo ter sido um publicano, isto é, coletor de impostos.
Note-se ainda Mercúrio como o libertador de Prometeu.
Uma metade do símbolo do peixe é igualmente comum a Cristo e Mercúrio; os peixes são sagrados a Mercúrio (devido presumivelmente à sua qualidade cinética e sangue frio). Muitos dos discípulos de Cristo eram pescadores e ele se mantinha fazendo milagres ligados aos peixes.
Que se atente, além disso, em Cristo como mediador: “Nenhum homem irá ao Pai exceto por mim” e Mercúrio como Chokmah “através de quem somente podemos ter acesso a Kether.
“O caduceu contém um símbolo completo da gnosis. O sol ou falo alado representa a alegria da vida e todos os planos do mais baixo ao mais alto. As serpentes (além de serem o ativo e o passivo, Hórus e Osíris e todas as outras suas conhecidas atribuições) são aquelas qualidades da águia e do leão, respectivamente, das quais estamos cientes mas de que não falamos. É o símbolo que une o microcosmo e o macrocosmo, o símbolo da operação mágica que executa isso. O caduceu é a própria vida, sendo de aplicação universal. É o solvente universal.
“Eu o vejo todo agora; a força viril de Marte está bem abaixo dele. Todos os outros deuses são meramente aspectos de Júpiter formulados por Hermes. Ele é o primeiro dos Aeons. “
“O senso de humor deste deus é muito intenso. Ele não é sentimental com respeito à sua principal função; encara o universo como uma excelente piada prática. No entanto, reconhece a seriedade de Júpiter e a seriedade do universo, a despeito de rir deles por serem sérios. Seu único negócio é transmitir a força proveniente de Júpiter e não está interessado em nada mais. A mensagem é vida, mas em Júpiter a vida é latente. “
“Relativamente à reencarnação, a teoria heliocêntrica está certa. À medida que conquistamos as condições de um planeta, encarnamos no próximo planeta indo no sentido do planeta mais exterior para o mais interior, até retornarmos ao Pai de Tudo, quando nossas experiências, somadas, se tornam inteligíveis, e as estrelas discursam entre si. A Terra é o último planeta onde os corpos são feitos de terra; em Vênus são fluídicos; em Mercúrio, aéreos, enquanto que no Sol são feitos de fogo puro”. *
* “Nos Sóis nós lembramos, nos Planetas esquecemos.” Éliphas Lévi
“Eu agora vejo a estrela óctupla de Mercúrio repentinamente fulgurante; é composta de quatro flores-de-lis de raios semelhantes a anteras, formas de junco entre elas. O núcleo central tem o monograma do Grão-Mestre, mas não o que você conhece. Sobre a cruz se acham a pomba, o falcão, a serpente e o leão. E também um símbolo ainda mais secreto. Agora eu contemplo Espadas ígneas de luz. Tudo isso está sobre uma escala cósmica. Todas as distâncias são astronômicas. Quando eu digo “Espada” tenho uma consciência definida de uma arma de muitos milhões de milhas de comprimento.


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