Sendo o equinócio, volume III, NÚmero V



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2. O Senhor da Ilusão **
** Extrato de Liber CDXVIII, The Vision and the Voice: terceiro Aethyr (Ed. Princ., pg. ...)
É a figura do Mago do Tarô. Em seu braço direito a tocha de flamas fulgurantes ascendentes; no esquerdo, a taça de veneno, uma catarata para o inferno. E em cima de sua cabeça o talismã do mal, blasfêmia e blasfêmia e blasfêmia, sob a forma de um círculo. Esta é a maior blasfêmia de todas (quer dizer, que o círculo seja assim profanado; este círculo do mal é de três anéis concêntricos). Sobre os pés do Mago há foices, Espadas e foicinhas, adagas, facas, todo instrumento afiado - um milhão e todos em um. E diante dele esta a mesa que é uma mesa de perversidade, a mesa das quarenta e duas vezes. Esta mesa está conectada aos quarenta e dois assessores dos mortos, pois eles são os acusadores que a alma deve iludir; e com o nome de Deus de quarenta e duas vezes, pois este é o Mistério da Inqüidade, segundo o qual houve sempre um princípio, de qualquer modo. E este Mago gera, pelo poder de suas quatro armas véu após véu; mil cores brilhantes, rasgando e dilacerando o Aethyr, de sorte que é como serras cheias de mossas, ou como dentes quebrados à face de uma menina, ou como ruptura, ou loucura. Há um som horrível de trituramento, enlouquecedor. Este é o moinho no qual a substância universal, que é o éter, foi moída e reduzida à matéria.
Uma voz diz: “Contempla o brilho do Senhor, cujos pés estão colocados sobre aquele que perdoa a transgressão. Contempla a Estrela sêxtupla que flameja na Abóbada, o selo do casamento do grande Rei Branco com sua escrava negra.”
Assim eu olhei para a Pedra e vi a Estrela sêxtupla: o Aethyr inteiro se assemelha a nuvens fulvas, como a chama de uma fornalha. E há uma poderosa hoste de Anjos, azuis e dourados, que a invadem, e eles gritam: Santo, Santo, Santo, és tu que não és sacudido nos terremotos, e nos trovões ! O fim das coisas é vindo sobre nós; o dia do Esteja-conosco está à mão ! Pois ele criou o Universo e o destruiu, de modo que pudesse tirar seu prazer disso.
E agora, no meio do Aethyr, eu contemplo aquele deus. Ele possui mil braços e em cada mão há uma arma de força terrível. Seu rosto é mais terrível que a tempestade, e de seus olhos lampejam relâmpagos de brilho intolerável. De sua boca fluem mares de sangue. Sobre sua cabeça há uma coroa de toda coisa morta. Sobre sua fronte está o ereto Tau, e em cada lado dele existem signos de blasfêmia. E em torno dele se prende uma menina, como para a filha do Rei que apareceu no nono Aethyr. Mas ela se tornou rósea devido à força dele, e a pureza dela tingiu seu negro com azul.
Eles estão agarrados num abraço furioso, de sorte que ela está dilacerada pelo terror do deus; e contudo agarra-se ela tão firmemente a ele que ele está estrangulado. Ela forçou a cabeça dele para trás e sua garganta está lívida sob a pressão dos dedos dela. O grito conjunto deles é uma angústia intolerável, e, todavia, é o grito de seu arrebatamento, de modo que todo sofrimento e toda maldição e toda privação, e toda morte de tudo no universo todo não passa de uma pequena lufada de vento naquele grito-tempestade de êxtase. ***
*** Esta imagem deve ser encontrada pintada (usualmente sobre seda e repetida em variadas formas, com freqüência representando os planetas em torno de sua auréola central) sobre os estandartes sagrados que adornam os santuários do Tibete.
E um Anjo fala; “Vê, esta visão está inteiramente além de tua compreensão. Contudo, tu te esforçarás para unir-te ao formidável leito nupcial.”
E assim estou despedaçado, nervo por nervo e veia por veia, e mais intimamente - célula por célula, molécula por molécula e átomo por átomo, e ao mesmo tempo todo esmagado em conjunto (escreve que o despedaçamento é um esmagamento em conjunto). Todos os fenômenos duplos são apenas duas maneiras de olhar para um único fenômeno, e o fenômeno único é paz. Não há sentido em minhas palavras ou em meus pensamentos. “Surgiram faces semi-formadas.” Este é o significado daquela passagem; são tentativas de interpretar o caos. Mas o caos é paz. O cosmos é a guerra da Rosa e da Cruz. Esta foi uma “face semi-formada” que eu disse então. Todas as imagens são inúteis.
Sim, como num espelho, assim em tua mente, que é apoiada com o falso metal da mentira, é todo símbolo lido ao avesso. Repara ! tudo em que confiaste deve confundir-te e aquilo de que tu realmente fugiste era teu salvador. Assim, por conseguinte, gritaste com efeito estrepitosamente no sabá negro quando beijaste as nádegas peludas do bode, quando o deus áspero te despedaçou, quando a catarata gelada da morte te varreu.
Grita, portanto, grita alto; mistura o urro do leão chifrado e o gemido do touro despedaçado, e o berro do homem que foi dilacerado pelas garras da águia e o guincho da águia que é estrangulada pelas mãos do homem. Mistura todos estes no grito de morte da esfinge, pois o homem cego profanou o mistério dela. Quem é este, Édipo, Tirésias, Erinies ? Quem é este, que é cego e um vidente, um tolo acima da sabedoria ? Quem os cães do céu seguem e os crocodilos do inferno aguardam ? Aleph, Vau, Yod, Ayin, Resh, Tau é seu nome. ****
**** Estes são os caminhos formando uma corrente 1 - 2 - 6 - 8 - 9 na Árvore da Vida.
Debaixo de seus pés está o Reino, e sobre sua cabeça a Coroa. Ele é espírito e matéria; ele é paz e poder; nele está Caos e Noite e Pã; e em BABALON, sua concubina, que o embriagou do sangue dos santos que ela colheu em sua taça dourada, gerou ele a virgem que agora ele realmente deflora. E isto é o que está escrito: Malkuth será guindada e colocada no trono de Binah. E esta é a pedra filosofal que é posta como um selo sobre o Túmulo de Tetragrammaton, e o elixir da vida que é destilado do sangue dos santos e o pó vermelho que é o trituramento dos ossos de Choronzon.
Terrível e maravilhoso é o mistério disso, ó tu Titã que subiste ao leito de Juno ! Certamente estás preso e rompido sobre a roda; e contudo descobriste a nudez da Santa, e a Rainha do Céu está em trabalho de parto de uma criança e seu nome será Vir, e Vis, e Virus, e Virtus, e Viridis, em um nome que é todos estes, e acima de todos estes. *****
***** Vi Veri Vniversum Vivus Vici, o mote de Mestre Therion como um 8 = 3. (((acrescer os símbolos aos números)))
- - -
O excerto a seguir proveniente de Liber Aleph, o Livro da Sabedoria ou Loucura, pode também auxiliar a elucidação do significado desta carta.
“Tahuti, ou Thoth, confirmou a Palavra de Dionísio continuando-a, pois mostrou como pela Mente era possível dirigir as Operações da Vontade. Pela Crítica e pela Memória registrada o Homem evita o Erro e a Repetição do Erro. Mas a verdadeira Palavra de Tahuti era A M O U N, por meio da qual Ele fez os Homens entenderem sua Natureza secreta, ou seja, sua unidade com seus Eus Verdadeiros, ou, como eles diziam então, com Deus. E ele descobriu junto a eles a Senda dessa Obtenção, e a relação dela com a Fórmula de INRI. E também por seu Mistério do Número ele evidenciou o Caminho para Seu Sucessor para declarar a Natureza do Universo inteiro em sua Forma e em sua Estrutura, como se fosse uma Análise dele, fazendo para a Matéria o que foi decretado que o Buda fizesse para a Mente.”

FORTUNA
R.O.T.A. - A Roda *


* The Vision and the Voice (quarto Aethyr).
“Entra um pavão na pedra, preenchendo todo o Ar. É como a visão chamada de o Pavão Universal, ou melhor, como uma representação dessa visão. E agora há nuvens incontáveis de anjos brancos preenchendo o Ar à medida que o pavão dissolve.
“Atrás dos anjos há arcanjos com trombetas. Estes fazem todas as coisas aparecerem imediatamente, de maneira que há uma tremenda confusão de imagens. E agora percebo que todas estas coisas são apenas véus da roda, pois todos eles se reúnem em uma roda que gira com velocidade incrível. Ela possui muitas cores, mas todas vibram com luz branca, de sorte que são transparentes e luminosas. Esta única roda são quarenta e nove rodas, dispostas a diferentes ângulos, de maneira a comporem uma esfera; cada roda tem quarenta e nove raios e quarenta e nove aros concêntricos eqüidistantes do centro, e onde quer que seja que se encontrem os raios de duas rodas quaisquer, há um lampejo ofuscante de glória. Deve-se compreender que embora tantos detalhes sejam visíveis na roda, a impressão, entretanto, ao mesmo tempo, é que se trata de um único, simples objeto.
“Parece que esta roda está sendo girada por uma mão. Embora a roda preencha todo o Ar, ainda assim a mão é muito maior que a roda. E embora esta visão seja tão grandiosa e esplêndida, ainda assim não há nenhuma seriedade com ela, ou solenidade. Parece que a mão está girando a roda meramente por prazer - seria melhor dizer divertimento.
“Uma voz é ouvida: Pois ele é um deus divertido e rubicundo e seu riso é a vibração de tudo que existe, e os terremotos da alma.
“Um está consciente do zumbido da roda vibrando um, como uma descarga elétrica atravessando um.
“Agora eu vejo as figuras na roda, que foram interpretadas como a Esfinge com a espada, Hermanúbis e Tífon. E isto está errado. O aro da roda é uma vívida serpente esmeralda; no centro da roda há um coração escarlate, e impossível de ser explicado como o é, o escarlate do coração e o verde da serpente são ainda mais vivazes do que o brilho branco ofuscante da roda.
“As figuras na roda são mais escuras do que a própria roda; aliás, são manchas sobre a pureza da roda, e por esta razão, e devido ao giro da roda, não consigo vê-las. Mas no alto parece ser o Cordeiro e o Estandarte, como se vê em algumas medalhas cristãs, e uma das coisas inferiores é um lobo, e a outra, um corvo. O símbolo do Cordeiro e o Estandarte é muito mais brilhante do que os outros dois. Ele se mantém crescendo em brilho até que agora está mais brilhante que a própria roda e ocupa mais espaço do que ela ocupava.
“Ele fala: sou o maior dos enganadores, pois minha pureza e inocência seduzirá o puro e o inocente que apenas através de mim deverão vir ao centro da roda. O lobo trai somente o ganancioso e o traiçoeiro; o corvo trai somente o melancólico e o desonesto. Mas eu sou aquele de quem está escrito: Ele enganará os próprios eleitos.
“Pois no princípio o Pai de Tudo convocou espíritos da mentira para que pudessem peneirar as criaturas da Terra em três peneiras, de acordo com as três almas impuras. E ele escolheu o lobo para a luxúria da carne e o corvo para a luxúria da mente, mas a mim ele escolheu acima de tudo para simular a presteza pura da alma. Aqueles que caíram presas do lobo e do corvo eu não feri, mas aqueles que me rejeitaram eu entreguei à ira do corvo e do lobo. E as mandíbulas de um os despedaçaram, e o bico do outro devorou os cadáveres. E portanto é meu estandarte branco, pois não deixei nada sobre a Terra vivo. Banqueteei-me do sangue dos Santos, mas os homens não suspeitam que seja eu inimigo deles pois meu tosão é alvo e cálido e meus dentes não são os dentes daquele que rasga carne; e meus olhos são suaves e eles não me conhecem como o chefe dos espíritos da mentira que o Pai de Tudo enviou de ante sua face no princípio.
(“Sua atribuição é o sal; o lobo, mercúrio e o corvo, enxofre).
“E agora o Cordeiro diminui de tamanho novamente, não há novamente nada exceto a roda, e a mão que a gira.
“E eu disse: ‘Pela palavra do poder, dupla na voz do Mestre; pela palavra que é sete, e um em sete; e pela grandiosa e terrível palavra 210, eu te peço, ó meu Senhor, que me conceda a visão de tua Glória.’ E todos os raios da roda afluem para mim e eu sou colhido e cego pela luz. Eu sou pego dentro da roda. Eu sou um com a roda. Eu sou maior que a roda. Em meio a uma miríade de relâmpagos eu permaneço, e contemplo a face dele (sou lançado violentamente de volta à terra a cada segundo, de modo que não consigo absolutamente me concentrar).
“Tudo que se consegue é uma chama líquida de um dourado pálido. Mas sua força radiante se mantém me arremessando para trás.
“E eu digo: Pela palavra e a vontade, pela penitência e a oração, deixa-me contemplar teu rosto (não consigo explicar isto, há confusão de personalidades). Eu que falo a você, vejo o que digo a você; mas eu, que o vejo, não consigo comunicá-lo a mim, quem fala a você.
“Se se fosse capaz de olhar fixamente para o sol ao meio-dia, isto poderia assemelhar-se à substância dele. Mas a luz é sem calor. É a visão de Ut nos Upanishads. E desta visão procederam todas as lendas de Baco e Krishna e Adônis. Pois a impressão é de um jovem dançando e compondo música. Mas você deve entender que ele não está fazendo isso, pois ele está imóvel. Mesmo a mão que gira a roda não é sua mão, mas apenas uma mão energizada por ele.
“E agora é a dança de Shiva. Eu deito abaixo de seus pés, seu santo, sua vítima. Minha forma é a forma do deus Phtah, em minha essência, mas a forma do deus Seb é minha forma. E esta é a razão da existência, que nesta dança que é deleite, tem que haver tanto o deus quanto o adepto. Ademais, a própria terra é uma santa, e o sol e a lua bailam sobre ela, torturando-a deliciosamente.”

VOLÚPIA
Babalon *


* De The Vision and the Voice.
No Atu VII o auriga porta o Graal da Grande Mãe. Eis a visão:
“O auriga fala numa voz baixa, solene, inspiradora de reverência, com um sino muito grande e muito distante: Que ele considere a taça cujo sangue ali está mesclado, pois o vinho da taça é o sangue dos santos. Glória à Mulher Escarlate, Babilônia, a Mãe das Abominações, a qual cavalga a Besta, pois ela derramou o sangue deles em todo canto da Terra, e repara ! ela o misturou na taça de sua prostituição.
“Com o alento de seus beijos ela o fermentou e ele se converteu no vinho do Sacramento, o vinho do Sabá, e na Assembléia Santa ela o verteu para seus adoradores e eles se embriagaram com isso, de sorte que face à face contemplaram meu Pai. Deste modo foram eles feito dignos de se tornarem participantes do Mistério deste cálice sagrado, pois o sangue é a vida. Assim tem ela assento de idade à idade, e os justos jamais se cansam de seus beijos, e por seus assassinatos e fornicações seduz ela o mundo. Aí é manifestada a glória de meu Pai, quem é Verdade.
[“Este vinho é tal que sua virtude irradia através da taça, e eu cambaleio sob a intoxicação dele. E todo pensamento é destruído por ele. Ele reside sozinho e seu nome é Compaixão. Entendo por ‘Compaixão’ o sacramento do sofrimento, partilhado pelos verdadeiros veneradores do Altíssimo. E é um êxtase no qual não há traço de dor. Sua passividade (= paixão) é como a rendição do eu ao amado].
“A voz continua: Este é o Mistério de Babilônia, a Mãe das Abominações, e este é o mistério de seus adultérios,** pois ela se entregou a tudo que vive, e se tornou uma participante nesse mistério. E pelo fato de ter feito de si a serva de cada um, tornou-se ela, por conseguinte, a amante de todos. Não até então podes tu compreender sua glória.
** A doutrina aqui formulada é idêntica àquela de todo o mistério da perfeição entendendo a si mesmo mediante a experiência de toda a imperfeição possível, como explicado alhures neste ensaio.
“Bela és tu, ó Babilônia, e desejável pois te entregaste a tudo que vive, e tua fraqueza subjugou sua força. Pois nessa união tu com efeito entendeste. Por isso és tu chamada Entendimento, ó Babilônia, Senhora da Noite !
“Isto é o que está escrito: ‘ Ó meu Deus, num último arrebatamento deixa-me atingir a união com os muitos ! Pois ela é Amor, e seu amor é um; e ela dividiu o amor uno em amores infinitos e cada amor é um, e igual com O Um e, por isso, passou ela ‘ da assembléia e da lei e da iluminação à anarquia da solidão e da escuridão. Pois sempre assim necessita ela velar o brilho de Seu eu.’
“Ó Babilônia, Babilônia, tu Mãe poderosa, que montas a besta coroada, deixa-me embriagar-me no vinho de tuas fornicações; deixa que teus beijos me desregrem rumo à morte, que mesmo eu, teu portador da taça, possa entender.
“Agora, através do rubor da taça, posso perceber bem acima, e infinitamente grandiosa, a visão de Babilônia. E a Besta que ela monta é o Senhor da Cidade das Pirâmides, que eu contemplei no décimo quarto Aethyr.
“Agora aquilo se foi no rubor da taça, e o Anjo diz: Até agora não podes tu entender o mistério da Besta, pois ele não pertence ao mistério deste Ar, e poucos que são recém-nascidos do Entendimento são dele capazes.
“A taça incandesce sempre mais resplandecente e mais ígnea. Todo meu sentido está instável, inflamado no êxtase.
“ E o Anjo diz: Abençoados sejam os santos, que seu sangue seja misturado na taça, e não possa ser separado mais. Pois Babilônia, a Bela, a Mãe das abominações, jurou por sua santa kteis, de que cada ponto é uma dor aguda e repentina, que não descansará de seus adultérios até que o sangue de tudo que vive seja aí juntado e o vinho dele armazenado e maturado e consagrado, e digno de alegrar o coração de meu Pai. Pois meu Pai está exausto com o esforço antigo e não visita o leito dela. Todavia, será este vinho perfeito a quintessência, e o elixir e bebendo-o ele renovará sua juventude; e assim será eternamente, à medida que com o desenrolar das idades os mundos dissolverão e mudarão, e o Universo revela a si mesmo como uma Rosa e se fecha como a Cruz que está inclinada dentro do Cubo.
E esta é a comédia de Pã, a qual é representada à noite na floresta espessa. E este é o mistério de Dionísio Zagreus, o qual é celebrado sobre a montanha santa de Kithairon. E este é o segredo dos Irmãos da Rosy Cross; e este é o coração do ritual que é realizado na Abóbada dos Adeptos que está ocultada na Montanha das Cavernas, mesmo a Montanha Santa Abiegnus.
“E este é o significado da Ceia da Páscoa, o derramamento do sangue do Cordeiro sendo um ritual dos Irmãos Negros, pois eles selaram o Pilone com sangue, para que o Anjo da Morte aí não entre. Assim se desligaram eles da companhia dos santos. Assim se guardam eles da compaixão e do entendimento. Amaldiçoados são eles pois prenderam seu sangue em seus corações.
“Eles se guardam dos beijos de minha Mãe, Babilônia, e em sua fortalezas solitárias oram à falsa lua. E se obrigam juntos a um juramento, e a uma grande maldição. E em sua malignidade conspiram juntos, e eles têm poder, e domínio, e em seus caldeirões fervem o vinho azedo da ilusão, misturado ao veneno de seu egoísmo.
“Assim eles fazem guerra ao Santo, enviando sua ilusão aos homens e a tudo que vive. De maneira que sua falsa compaixão é chamada compaixão e seu falso entendimento é chamado entendimento, pois este é seu feitiço mais potente.
“Contudo, de seu próprio veneno perecem e em suas fortalezas solitárias serão devorados pelo Tempo que os enganou para servi-lo, e pelo poderoso demônio Choronzon, seu mestre, cujo nome é a Segunda Morte, pois o sangue que eles borrifaram em seu Pilone, que é uma barreira contra o Anjo da Morte, é a chave pela qual ele entra. “

“ARTE”
A Seta *


* De The Vision and the Voice, quinto Aethyr.
Agora, então, vê como a cabeça do dragão é apenas a cauda do Aethyr ! Muitos são aqueles que lutando abriram seu caminho de mansão à mansão da Casa Eterna, e contemplando-me, finalmente, retornaram, declarando “Medonho é o aspecto do Poderoso e Terrível”. Afortunados são aqueles que me conheceram por quem sou. E que seja glorificado aquele que fez de minha garganta uma passagem para sua seta de verdade, e a lua para sua pureza.
A lua mingua. A lua mingua. A lua mingua. Pois nessa seta está a Luz da Verdade que sobrepuja a luz do sol, por meio da qual ela brilha. A seta está emplumada com as penas de Maat que são as setas de Amoun, e a haste é o falo de Amoun, o Oculto. E sua ponta é a estrela que tu viste no sítio onde não havia Nenhum Deus.
E entre aqueles que guardavam a estrela não foi encontrado nenhum digno de manejar a Seta. E entre aqueles que veneravam não foi encontrado nenhum digno de contemplar a Seta. Todavia, a estrela que viste era somente a ponta da Seta e não tiveste a perspicácia para pegar a haste, ou a pureza para divinizar as plumas. E portanto abençoado é aquele que nasceu sob o signo da Seta, e abençoado é aquele que possui o sigillum da cabeça do leão coroado e o corpo da Serpente e a Seta também.
E, contudo, deves distinguir entre as Setas ascendente e descendente pois a Seta ascendente é limitada em seu vôo e é disparada por uma mão firme, pois Jesod é Jod Tetragrammaton, e Jod é uma mão, mas a seta descendente é disparada pelo ponto mais alto do Jod, e este Jod é o Eremita, e é o ponto diminuto que não é estendido, que está próximo do coração de Hadit.
E agora é a ti ordenado que te furtes da Visão, e no amanhã, na hora indicada, será ela concedida mais a ti, à medida que percorres tua senda, meditando este mistério. E convocarás o Escriba, e aquilo que deverá ser escrito, será escrito.
E portanto me detenho, como sou ordenado. O Deserto entre Benshrur e Tolga.
12 de dezembro de 1909. 7 - 8. 12 meia-noite.
Agora então te aproximaste de um Arcanum augusto; em verdade chegaste à antiga Maravilha, a lua alada, as Fontes do Fogo, o Mistério da Cunha. Mas não sou eu que posso revelá-lo, porque nunca me foi permitido contemplá-lo, que sou apenas o vigilante no limiar do Aethyr. Minha mensagem está dita, e minha missão está cumprida. E eu me detenho, cobrindo meu rosto com minhas asas, ante a presença do Anjo do Aethyr.
Assim o Anjo partiu com a cabeça inclinada, cruzando suas asas.
E há uma pequena criança numa névoa de luz azul; ela possui cabelos dourados, uma massa de caracóis e olhos de azul profundo. Sim, ela é toda dourada, de um ouro vivo, vívido. E em cada mão ela tem uma serpente, na direita, uma vermelha, na esquerda, uma azul. E ela tem sandálias vermelhas, mas nenhuma outra veste.
E ela diz: Não é a vida uma longa iniciação ao pesar ? E não é Ísis a Senhora do Pesar ? E ela é minha mãe. Natureza é o seu nome, e ela tem uma irmã gêmea, Néftis, cujo nome é Perfeição. E Ísis deve ser conhecida de todos, mas de quão poucos é Néftis conhecida ! Porque ela é escura, e portanto ela é temida.
Mas tu que a adoraste sem medo, que fizeste de tua vida uma iniciação ao Mistério dela, tu que não tens nem mãe nem pai, nem irmã, nem irmão, nem esposa nem filho, que te fizeste solitário como o caranguejo-ermitão que está nas águas do Grande Mar, vê ! quando os sistros são sacudidos e as trombetas proclamam alto a glória de Ísis, ao fim, portanto, há silêncio, e tu comungarás com Néftis.
E tendo conhecido estas, há as asas de Maut, o Abutre. Tu podes distender ao máximo o arco de tua vontade mágica; podes liberar a flecha e perfurá-la no coração. Eu sou Eros. Toma então o arco e a aljava dos meus ombros e mata-me, pois a menos que me mates não desvelarás o Mistério do Aethyr.
E assim eu fiz como ele ordenou; na aljava havia duas setas, uma branca, uma negra. Eu não consigo ajustar uma seta ao arco.
E soou uma voz: Ela deve necessitar-me.
E eu disse: Nenhum homem é capaz de fazer isto.
E a voz respondeu, como se fora um eco: Nemo hoc facere potest.
Então o entendimento me atingiu, e eu tomei as Setas. A seta branca não tinha ponta, mas a seta negra era pontiaguda como uma floresta de anzóis; era toda orlada de metal e havia sido embebida em veneno mortal. E então Ajustamento a seta branca à corda do arco e disparei contra o coração de Eros, e embora tenha disparado com toda minha força, ela caiu inócua do seu lado. Mas naquele momento a seta negra era enterrada em meu próprio coração. Estou repleto de terrível agonia.
E a criança sorri e diz: Embora tua flecha não tenha me trespassado, embora a ponta envenenada tenha te atravessado, ainda assim estou morto e tu vives e triunfas, pois eu sou tu e tu és eu.
Com isso ele desaparece e o Aethyr se fragmenta com um estrondo como de dez mil trovões. E olha, A Seta ! As penas de Maat são sua coroa, dispostas em torno do disco. É a coroa Ateph de Thoth, e há o feixe de luz ardente, e abaixo há uma cunha de prata.
Eu me arrepio e estremeço diante da visão pois à toda sua volta há espirais e torrentes de fogo tempestuoso. As estrelas do céu são apanhadas nas cinzas da chama. E elas são todas escuras. Aquilo que era um sol fulgurante é como uma pequena mancha de cinza. E no meio a Seta arde !
Vejo que a coroa da Seta é o Pai de toda a Luz, e a haste da Seta é o Pai de toda a Vida, e a ponta da Seta é o Pai de todo o Amor. Pois aquela cunha de prata é como uma flor de lótus, e o Olho no interior da Coroa Ateph brada: eu vigio. E a Haste brada: eu trabalho. E a Ponta brada: eu espero. E a voz do Aethyr ecoa: Ela irradia. Ela arde. Ela floresce.
E agora surge um pensamento estranho; esta Seta é a fonte de todo o movimento; é movimento infinito, ainda que ela se mova, de sorte que não nenhum movimento. E, por isso, não há nenhuma matéria. Esta Seta é o olhar rápido do Olho de Shiva. Mas por não se mover, o universo não é destruído. O universo é tornado manifesto e tragado no tremor das plumas de Maat, que são as plumas da Seta; mas estas plumas não tremem.
E soa uma voz: Aquilo que está acima não é como o que está abaixo.
E uma outra voz lhe responde: Aquilo que está abaixo não é como o que está acima.
E uma terceira voz responde a essas duas: O que está acima e o que está abaixo ? Pois há a divisão que não divide e a multiplicação que não multiplica. E o Um é o Muitos. Vê, este Mistério ultrapassa o entendimento, pois o globo alado é a coroa e a haste é a sabedoria, e a ponta é o entendimento. E a Seta é um, e tu estás perdido no Mistério, tu que não és senão como um bebê que é carregado no útero de sua mãe, que não estás ainda pronto para a luz.
E a visão me domina. Meus sentidos estão atordoados: murcha está minha visão, embotada está minha audição.
E soa uma voz: Tu buscaste realmente o remédio do pesar; por isso todo o pesar é tua porção. Isto é o que está escrito: “Deus sobre ele depositou a iniqüidade de todos nós.” Pois como teu sangue está misturado na taça de BABALON, assim é teu coração o coração universal. E, não obstante, está ele envolvido pela Serpente Verde, a Serpente do Deleite.
É-me mostrado que esse coração é o coração que regozija, e a serpente é a serpente de Daäth, pois aqui todos os símbolos são intercambiáveis, pois cada um contém em si seu próprio oposto. E este é o grande Mistério das Superiores que estão além do Abismo. Pois abaixo do Abismo, contradição é divisão, mas acima do Abismo , contradição é Unidade. E não poderia haver nada verdadeiro exceto em virtude da contradição que está contida em si mesma.
Tu não podes acreditar quão maravilhosa é esta visão da Seta. E não poderia jamais ser excluída, a não ser que os Senhores da Visão turvassem as águas do lago, a mente do Vidente. Mas eles enviam um vento que é uma nuvem de Anjos, e eles golpeiam a água com seus pés, e pequenas ondas se movem para cima - são memórias. Pois o vidente não tem cabeça; esta está expandida no universo, um vasto e silente mar, coroado com as estrelas noturnas. E no entanto no seu próprio meio está a seta. Pequenas imagens de coisas que foram, são a espuma sobre as ondas. E há uma disputa entre a Visão e as memórias. Eu orava aos Senhores da Visão, dizendo: Ó meus Senhores, não afastai esta maravilha de minha vista.
E eles disseram: É preciso que as necessidades sejam. Rejubila, pois, se lhe foi permitido contemplar, mesmo que por um momento, esta Seta, a austera, a augusta. Mas a visão está consumada, e enviamos um grande vento contra ti. Pois não podes penetrar pela força quem a recusou; nem pela autoridade, pois tu a esmagaste sob o pé. Tu estás despojado de tudo exceto do entendimento, ó tu que não és mais do que um montículo de pó !
E as imagens se erguem contra mim e me constrangem, de maneira que o Aethyr é fechado para mim. Somente as coisas da mente e do corpo estão abertas para mim. A pedra da revelação está baça, pois o que vejo aí não passa de uma memória.

O UNIVERSO



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